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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Cid diz que Bolsonaro pressionou ministro a insinuar fraude nas urnas

Quinta, 20 de fevereiro de 2025

General Paulo Sérgio Nogueira comandava pasta da Defesa na época

André Richter – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 20/02/2025 — Brasília

O tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, afirmou que o então presidente pressionou o general Paulo Sérgio Nogueira, que era ministro da Defesa, para este inserisse em um relatório que seria possível fraudar as urnas eletrônicas.

A declaração consta em um dos vídeos dos depoimentos de delação, que tiveram o sigilo liberado nesta terça-feira (20) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Em novembro de 2022, o Ministério da Defesa enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório no qual técnicos das Forças Armadas concluíram que não foram encontradas fraudes no pleito presidencial daquele ano. Contudo, o documento não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou inconsistência nas urnas eletrônicas. Ao lado de representantes de outras entidades, os militares faziam parte da comissão de inspeção das urnas.

Segundo Cid, o general Paulo Sérgio Nogueira foi pressionado por Bolsonaro a insinuar que a fraude seria possível.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

O caminho que leva Bolsonaro à prisão

Sábado, 10 de fevereiro de 2024

Mauro Cid, o assessor mais íntimo do ex-presidente, coordenou a preparação do golpe. Como sua prisão abriu caminho para desvendar a trama. As provas já reunidas e o que pode surgir. Os generais enredados. O que vem agora

OUTRASPALAVRAS
por Glauco FariaPublicado 09/02/2024às 18:43

Em 3 de maio de 2023 o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, foi preso preventivamente e conduzido para prestar depoimento à Polícia Federal. A decisão que autorizou a prisão foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, por se tratar de um fato relacionado ao inquérito das milícias digitais, sob relatoria do magistrado.

A acusação contra Cid dizia respeito à inclusão de dados falsos sobre vacinação contra a covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde. O objetivo era fraudar cartões de vacina dele, de sua esposa, das três filhas do casal e de Bolsonaro e sua filha. Na mesma operação, o ex-presidente e a ex-primeira-dama, Michelle, também foram alvos de buscas e apreensões, com os agentes levando o celular de Bolsonaro.

À época, Mauro Cid deixou em alerta o entorno bolsonarista, inclusive do próprio ex-chefe. Não à toa. Tratava-se de uma pessoa muito próxima a Bolsonaro, cujas tarefas iam muito além daquelas reservadas a um ajudante de ordens. Em março de 2021, reportagem de O Globo o chamava de “conselheiro-geral” do ex-presidente, apontando que a proximidade entre ambos despertava ciúmes de outros colaboradores.

Outra matéria, do Estadão, de setembro de 2020, pontuava que Cid “sempre teve livre acesso ao gabinete presidencial, ao Palácio da Alvorada e até mesmo ao quarto ocupado pelo chefe do Executivo nos hospitais, após cirurgias às quais ele se submeteu no ano passado”.

Filho do general Lorena Cid, que estudou com Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras, ele também gozava de prestígio dentro do Exército. Tanto que foi o pivô da saída do comandante da força, Júlio César Arruda, no início do governo Lula. O general, que havia sido promovido ao cargo pelo critério de antiguidade, insistiu em manter a efetivação de Cid como chefe do 1º Batalhão de Ações e Comandos, o que gerou sua demissão do cargo.

Outra prova do prestígio de Mauro Cid na caserna se deu em suas idas à CPI na Câmara Legislativa do Distrito Federal e na CPMI que investigou os atos golpistas do 8 de janeiro. Em ambas as ocasiões ele apareceu fardado, relembrando sua ligação com o Exército, obviamente, com a autorização da instituição.

A mesma sorte não teve o coronel do Exército Jean Lawand Junior, que teve que ir à CPMI justamente por mensagens trocadas com Cid.. Mesmo sendo militar da ativa, foi de terno ao depoimento, orientado pelo próprio Exército, para não relacionar as mensagens golpistas captadas no celular do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro aos quartéis.

Homem-bomba

Bem relacionado, Mauro Cid recebeu a atenção de seus pares. Logo na primeira semana após ter sido preso, trocou de advogado, substituindo Rodrigo Roca por Bernardo Fenelon, tido como especialista em crimes do colarinho branco e colaboração premiada. Mas, em agosto do mesmo ano, Fenelon deixou a defesa apos documentos levantados pela CPMI terem mostrado que o ex-ajudante de ordens participou da negociação de um Rolex presenteado ao governo brasileiro pela Arábia Saudita, trazendo nova complicação jurídica que também atingiu Bolsonaro. O advogado Cezar Bittencourt assumiu o caso, dizendo-se contra delações premiadas, mas mandando recados pela imprensa de que o ex-presidente poderia ser implicado em depoimentos de seu ex-assessor.

Àquela altura, em junho de 2023 a PF já havia encontrado no celular de Mauro Cid mensagens e documentos relativos ao planejamento de um golpe de Estado. Mas ainda faltava um conjunto de provas mais robusto para atestar não só a intenção de promover uma ruptura institucional, já que os dados e as relações do ex-ajudante de ordens evidenciavam isso, mas sim que o plano já estava em execução.

domingo, 30 de julho de 2023

Coaf aponta movimentação 'atípica' de R$ 3,7 milhões nas contas de Mauro Cid

Domingo, 30 de julho de 2023

Tempero: Coaf aponta movimentação 'atípica' de R$ 3,7 milhões nas contas de Mauro Cid

Programa traz comentários sobre os principais acontecimentos políticos da semana em formato de revista semanal

Redação
Rádio Brasil de Fato
30 de Julho de 2023

O jornalista José Eduardo Bernardes substitui Rodrigo Vianna nesta semana na apresentação do Tempero da Notícia. - Willians Campos/ Brasil de Fato

Caso revelado pelo Coaf lembra esquemas de rachadinha que envolvem os membros da família Bolsonaro

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontou uma movimentação, no mínimo atípica, de R$ 3,7 milhões em apenas 10 meses, pelo tenente coronel Mauro Cid, o ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

As movimentações aconteceram entre julho de 2022 e maio de 2023, período que compreende, inclusive, as eleições presidenciais. O caso revelado pelo Coaf lembra e muito os esquemas de rachadinha que envolvem os membros da família Bolsonaro e o próprio ex-presidente.


Bolsonaro, inclusive, nunca explicou de onde saíram os R$ 89 mil em cheques, depositados na conta da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Mauro Cid está preso desde maio, quando uma operação da Polícia Federal acusou Cid de ter ajudado a forjar cartões de vacina contra a covid-19 para que Bolsonaro e seus familiares ingressassem nos Estados Unidos.

Este é um dos destaques do Tempero da Notícia, programa produzido pelo Brasil de Fato, que nesta semana tem apresentação do jornalista José Eduardo Bernardes.


Élcio de Queiroz fez delação premiada e apontou o ex-policial militar Ronnie Lessa como responsável pelos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, em 14 de março de 2018.