Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 31 de março de 2019

HRSM: Antes era o caos. Hoje, continua

Domingo, 31 de março de 2019
Parafraseando um dos maiores educadores do Brasil, Darcy Ribeiro, "A crise da saúde em Brasília não é uma crise; é um projeto"



O vídeo acima é integrado por vídeos que estão rolando no WhatsApp desde a noite de ontem. Todos eles registrados por pacientes e parentes de pacientes no Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), a mais nova invenção de 'Instituto'. Imagens de 30 de março de 2019.

No vídeo, o confusão no HRSM, mais especificamente no Pronto Socorro Infantil, confusão pela demora no atendimento das crianças. Fruto, principalmente, da incompetência ou má fé dos governantes. Responsabilidade em grande parte do ato escandaloso do fechamento e, mais tarde, a desmontagem (em maio de 2018) do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e da Pediatria do HRG, Hospital Regional do Gama, sobrecarregando o HRSM. E responsabilidade também, sim, do atual governo que sabendo do caos que impera no PS e Pediatria do HRSM, até o momento nada ou quase nada fez para eliminá-lo.

Ah! Mas o atual governo só tem três meses de exercício.

Ora, em três meses esse tipo de problema tem que ser resolvido, pelo menos, em grande parte. Prometeram reabrir o Pronto Atendimento Infantil e a Pediatria do Hospital do Gama, e nada até agora. Nada de providências neste sentido.

Antes era o caos. Hoje, continua

O Caos
No dia das filmagens registradas pelos pacientes e seus parentes, o plantão no Pronto Socorro Infantil do HRSM vivia o contínuo caos de sempre, ou de quase sempre, principalmente em finais de semana, quando os Centros de Saúde se encontram fechados.

Ao final do plantão de 30 de março, 20 pacientes estavam na observação, quando a estrutura do PS Infantil só suporta até 12. Em razão desse caos que, repita-se, decorre em muito do fechamento do Pronto Atendimento Infantil (PAI) do Hospital Regional do Gama —o que força que pais que levavam suas crianças ao HRG sejam desde o início de 2018 forçadas a levá-las ao HRSM —dois dos consultórios médicos serviram de local de internação dos meninos.

Por falta de vagas na UTI havia, no momento, duas crianças em quadro crítico de saúde internadas no box, enquanto que parentes e servidores torciam para que abrissem essas duas vagas na UTI.

O caos acabava aí? Não! Na sala de medicação mais cinco crianças internadas (sala de medicação, doutores governadores, doutores secretários, não é local de internação). E sabem como esses meninos estavam internados na salda de medicação? Dois dividiam a mesma maca improvisada como leito. Os outros três garotos, internados no colo dos pais.

Isso é o caos ou não é? Claro que é o caos. É o caos, ‘doutô’!

Infelizmente o caos nos hospitais na maioria das vezes é jogado como responsabilidade dos servidores da saúde, o que é uma bruta injustiça ou tremenda sacanagem. Não raro os gestores para encobrirem o fracasso de suas gestões, insinuam, e até dizem, que é o servidor que atrapalha o bom funcionamento do hospital. Já houve até governador e deputado que declarou isso por aí. Ora, ao delegar a um apadrinhado, sim, muitos gestores de hospitais são apadrinhados dos governadores que, muitas vezes também apadrinham apadrinhados de parlamentares etc. etc. etc. É aquele troca-troca, sabe como é, né!

Essa postura de governadores e gestores acaba induzindo muitas vezes o usuário da rede pública de saúde achar que o seu não atendimento se deve ao servidor que está ali na sua frente, mas não ao governador e secretários que estão há quilômetros de distância. O contato pessoal se dá entre usuário e servidor e nunca, ou quase nunca, entre usuário e governador ou entre usuário e secretário de saúde. Esses só aparecem em hospitais normalmente em dia de festa ou de anunciar uma novidade. Novidade que quase sempre não passa de mais um fake News. Ou  aparecem em vésperas de eleições.

Resumindo essa história do caos na rede pública de saúde do DF, e mais especificamente do Pronto Socorro Infantil do HRSM, objeto dos vídeos e do martírio de nossas crianças:

  1. Sem reabrir o Pronto Atendimento Infantil (PAI) do HRG, o caos continuará no HRSM; 
  2. Sem reabrir aquela que foi a melhor e maior pediatria da rede, a do HRG, permanecerá o caos no PS Infantil e na Pediatria do HRSM;
  3. Sem investir em equipamentos, estrutura, eficiência na compra e suprimento de medicamentos, no aumento do quadro de pessoal das UBS, Unidades Básicas de Saúde —chamadas anteriormente de Postos de Saúde —e dos hospitais, os hospitais regionais do Gama e de Santa Maria continuarão enfrentando o caos. O caos que maltrata crianças, e que hoje também as mata, e também o caos que mata mulheres e homens jovens e adultos.
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Leia também:

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Crianças estão morrendo no Gama e Santa Maria por falta de Pronto Atendimento Infantil (PAI). Governo Rollemberg fechou o PAI do Gama em maio, prometeu abrir um em Santa Maria, mas até agora nada


Sexta, 21 de junho de 2018
Pronto Atendimento Infantil (PAI) e Pediatria do HRG desmontados totalmente em 4 de maio de 2018 — Foto: arquivo do blog Gama Livre

Só pacientes classificados como de baixo risco são atendidos, e isso em ambulatório. Casos mais graves, e se as crianças não tiverem sorte, morrerão.
 Foto: Pedro Ventura / Agência Brasília

Crueldade, estupidez, insensatez!

O governo de Brasília desmontou sorrateiramente no final da madrugada do 4 de abril deste ano, entrando pelo dia, a Pediatria e o Pronto Atendimento Infantil (PAI) do HRG, Hospital Regional do Gama. Logo depois, a propagando oficial do GDF espalhava pelos quatro cantos (das TVs, jornais, e de muitos sites e blogs) que os pediatras concursados, e  contratados, fariam com que no Hospital Regional de Santa Maria fossem imediatamente ativados o Pronto Atendimento Infantil e a Pediatria. Quanto engodo! Fake News (argh!) Quanta mentira contada nos ouvidos do povo sofrido dessas duas cidades da Região de Saúde Sul.

Estamos quase no final de junho (no dia 21/6), mais de um mês e meio do desmantelamento total da Pediatria e do Pronto Atendimento Infantil do Gama. E até agora nada de  Pronto Atendimento Infantil do HRSM. O que o governo fez, foi apenas a abertura de um simples ambulatório que atende tão somente crianças classificadas como pacientes de baixo risco. São os classificados com fitinhas verde e azul. Esses pacientezinhos deveriam, segundo orientação do “atendimento básico” serem assistidos nos centros de saúde (hoje chamados de UBS, unidade básica de saúde). Nossas crianças com classificação de risco médio ou alto, isto é, amarelo, laranja e vermelho, que morram sendo carregados pelos pais —ou pelos abnegados servidores do Samu— para um lado e pra outro, batendo às portas de hospitais fora da Região de Saúde Sul (Gama e Santa Maria). Aliás, nem a Pediatria de Santa Maria está funcionando como deveria.  A este respeito leia aqui.

Por falar em caos na saúde, o tomógrafo do Hospital Regional de Santa Maria faz um tempão que está quebrado. E sempre os gestores da saúde dão a desculpa padrão: “A manutenção acontecerá na próxima semana”. Agora prometem que o conserto do tomógrafo ocorrerá na sexta-feira, mas da semana que vem, dia 29 de junho. Quem sabe se o santo do dia, São Pedro, ajuda? Tomara que auxilie.

E semanas passam, outras vêm e passam, e o paciente do HRSM sem tomógrafo. Sendo, quando dá sorte, carregado para o Hospital de Base ou outra unidade há mais de 30 quilômetros de Santa Maria. É verdade que também trazem pacientes de Santa Maria para o tomógrafo do Gama que, funcionava meia-boca, não havendo a impressão da imagem, obrigando o médico a ir até o setor de Raios X para ver as imagens no monitor do aparelho. Como médicos de Santa Maria não poderiam vir até o HRG para “espiar” as imagens captadas pelo tomógrafo, o infeliz do paciente tinha que esperar ser levado para o Plano Piloto de Brasília ou outro hospital em região administrativa diferente, onde receberiam as imagens impressas. Sacrificando o paciente, encarecendo os custos do atendimento e, quem sabe, mas muito provável, contribuindo para a morte ou sequelas em razão de  atendimento fora de hora.

É o caos! É a propaganda enganosa! É a má gestão de materiais! E má gestão de pessoas, claro!

É a vergonha!
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Leia também:

Abra esta POOOOORRR-TA, Rolemberg! No Gama, o protesto deste sábado (11/5) teve a criatividade de quem nasceu no HRG e exige a reabertura da Pediatria e do Pronto Atendimento Infantil. Cumpra o que você prometeu, governador! Veja vídeo

Saúde Pública: o abandono do Gama

quinta-feira, 10 de maio de 2018

"Já que Rollemberg não abraçou a Pediatria do Hospital do Gama", venha dar um abraço no HRG neste sábado (12/5)

Quinta, 10 de maio de 2018
O HRG espera o seu abraço! O Gama precisa do seu abraço!

O FComGama, Fórum Comunitário do Gama, e outras entidades da cidade, convidam VOCÊ para participar desse abraço. Um abraço sofrido, é verdade, pois é um abraço num ente querido que está sendo assassinado. Antes, assassinado lentamente. Agora, numa ânsia louca dos algozes da saúde pública no Distrito Federal. Este corpo —e chamo corpo porque  sempre pulsou dentro dele um coração de amor— que salvou vidas na região do Gama, Santa Maria, e no chamado Entorno Sul de Brasília. Salvou vidas, e também foi o berço carinhoso que testemunhou, e se alegrou, com o primeiro choro, o sagrado choro que anuncia ao mundo mais uma criancinha, mais uma brasileirinha, mais uma candanguinha, mais uma criaturinha. Meu Deus! Quantos milhares de criancinhas nasceram no aconchego do nosso velho, querido, e amado HRG? Muitos milhares!

O HRG é um corpo, um sagrado corpo que hoje —e de modo acelerado como nunca antes tinha se observado nesses mais de cinquenta anos de vida dessa unidade de saúde pública— vem sendo  abandonado, garroteado,  cortado, mutilado, sacrificado, assassinado. Querem, seus algozes, arrastá-lo para a sepultura mesmo que ainda esteja batendo dentro dele um coração, e correndo nas suas "veias abertas" sangue.

A Pediatria, o Pronto Atendimento Infantil (PAI), e todos os demais serviços imprescindíveis à sofrida população do Gama precisam funcionar. E com eficiência.

Assassinado o PAI (Pronto Atendimento Infantil) que, juntamente com a Pediatria, foram fechados pelo governo Rollemberg nos últimos meses de 2016, mesmo que tenham, por pressão da comunidade, ressuscitado no início de 2017, logo depois foram crucificados e mortos em março/abril do ano passado. O PAI, primeiro, a Pediatria um pouco mais adiante.

O fato é que os desalmados algozes do HRG desmontaram e desapareceram para outras bandas com todo o equipamento e móveis da Pediatria e do PAI. Isso aconteceu na semana passada. E as mães, e também os pais, continuam, agora mais do que antes, na angústia de não terem no Hospital Regional do Gama o atendimento para seus filhinhos. 

Você que nasceu no HRG; você que teve seus filhos no HRG; você que ajudou a levar crianças para serem salvas no HRG; você que viu vizinhos, amigos, parentes, serem salvos no HRG; você que acredita que a população merece e tem direito a uma saúde pública de qualidade, eficaz, humana, está convocado para neste sábado (12/5) às 10 horas dar "um abraço no HRG".

O HRG espera o seu abraço! O Gama precisa do seu abraço!

terça-feira, 24 de outubro de 2017

No HRG, elemento desalmado e esquisitão mata o PAI, fere a mãe e promete voltar logo para terminar o serviço (republicação)

Segunda, 23 de outubro de 2017
Matéria originalmente postada aqui no Gama Livre nesta segunda (23/10) às 12h53
Arquivo gamalivre.com.br

Insegurança total no HRG, o Hospital Regional do Gama.

Como pode um desalmado entrar num hospital público como é o do Gama (ou qualquer outro), um dos maiores do DF e até há poucos anos um dos melhores do país em estrutura, equipamentos, quadro médico, fazer umas desgraceiras dessas? Matar o PAI, e depois de deixar por muito tempo a mãe abandonada num leito de UTI, partir para cima com fúria para assassiná-la?

Pois isso aconteceu, e está acontecendo —pois a mãe ainda respira com ajuda de aparelho— no velho e querido Hospital Regional do Gama.

Esse filho de uma “santa” (entre aspas), esse desalmado, esse errático, esse trapalhão, esse governo do DF (falei governo, não confunda com outra coisa), matou o PAI, feriu a mãe e tem cara de que depois disso tudo vai ao cinema e ao circo. E talvez a alguma OS.

É isso!

Depois de no final de março e início de abril deste ano da Graça do Senhor, 2017, matar o PAI, isto é, o Pronto Atendimento Infantil do HRG, que tantos garotos salvou, agora é a mãe que será morta pelo desalmado. Dá para alguém de bom senso entender como razoável sequer o fechamento de um Pronto Atendimento Infantil num hospital? Não dá. O fechamento é de uma insensatez atroz. O PAI está morto, assassinado, mas pode, quem sabe, ressuscitar um dia, quando o elemento desalmado receber uma alma justa.

Chamo mãe aqui, ao Centro Obstétrico do HRG. Pois é no Centro Obstétrico que cerca de 650 a 700 parturientes parem seus amados filhos. Esse é o número médio mensal de partos no HRG. Então, num sentido figurado, podemos muito bem dizer que a unidade do centro obstétrico é uma mãe sim. E quem a quer matar é um elemento desalmado. Desalmado é o governo do DF em matar o PAI e está na ânsia de matar a mãe, a unidade Centro Obstétrico (CO). Quer fechar, está fechando. Vai se deixar que mais este assassinato aconteça?

E numa história mal contada, de vai e vem, numa hora o elemento desalmado se irrita e distribui documento à imprensa dizendo que não é “verídica” (mentirosa, portanto) a veiculação de informações que apontam o fechamento do Centro Obstétrico (CO) do Hospital Regional do Gama. Depois, ainda não passados sequer 22 dias de tal desmentido, aparece vomitando uma tonelada de dados, a maioria desconexa com o documento anteriormente distribuído à imprensa e desconexa com o HRG, documento ainda hoje (23/10) encontrado no site mantido pelo elemento desalmado (ver aqui, e tomara que não corram e excluam da internet). As golfadas de dados, de estatísticas embaraçadas, tentam justificar a motivação do elemento desalmado em voltar para dar o tiro final na mãe, na unidade do Centro Obstétrico do HRG.

E que Deus interceda pelo PAI e pela Mãe do HRG!
Memória:

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

No HRG, elemento desalmado e esquisitão mata o PAI, fere a mãe e promete voltar logo para terminar o serviço

Segunda, 23 de outubro de 2017
Arquivo gamalivre.com.br

Insegurança total no HRG, o Hospital Regional do Gama.

Como pode um desalmado entrar num hospital público como é o do Gama (ou qualquer outro), um dos maiores do DF e até há poucos anos um dos melhores do país em estrutura, equipamentos, quadro médico, fazer umas desgraceiras dessas? Matar o PAI, e depois de deixar por muito tempo a mãe abandonada num leito de UTI, partir para cima com fúria para assassiná-la?

Pois isso aconteceu, e está acontecendo —pois a mãe ainda respira com ajuda de aparelho— no velho e querido Hospital Regional do Gama.

Esse filho de uma “santa” (entre aspas), esse desalmado, esse errático, esse trapalhão, esse governo do DF (falei governo, não confunda com outra coisa), matou o PAI, feriu a mãe e tem cara de que depois disso tudo vai ao cinema e ao circo. E talvez a alguma OS.

É isso!

Depois de no final de março e início de abril deste ano da Graça do Senhor, 2017, matar o PAI, isto é, o Pronto Atendimento Infantil do HRG, que tantos garotos salvou, agora é a mãe que será morta pelo desalmado. Dá para alguém de bom senso entender como razoável sequer o fechamento de um Pronto Atendimento Infantil num hospital? Não dá. O fechamento é de uma insensatez atroz. O PAI está morto, assassinado, mas pode, quem sabe, ressuscitar um dia, quando o elemento desalmado receber uma alma justa.

Chamo mãe aqui, ao Centro Obstétrico do HRG. Pois é no Centro Obstétrico que cerca de 650 a 700 parturientes parem seus amados filhos. Esse é o número médio mensal de partos no HRG. Então, num sentido figurado, podemos muito bem dizer que a unidade do centro obstétrico é uma mãe sim. E quem a quer matar é um elemento desalmado. Desalmado é o governo do DF em matar o PAI e está na ânsia de matar a mãe, a unidade Centro Obstétrico (CO). Quer fechar, está fechando. Vai se deixar que mais este assassinato aconteça?

E numa história mal contada, de vai e vem, numa hora o elemento desalmado se irrita e distribui documento à imprensa dizendo que não é “verídica” (mentirosa, portanto) a veiculação de informações que apontam o fechamento do Centro Obstétrico (CO) do Hospital Regional do Gama. Depois, ainda não passados sequer 22 dias de tal desmentido, aparece vomitando uma tonelada de dados, a maioria desconexa com o documento anteriormente distribuído à imprensa e desconexa com o HRG, documento ainda hoje (23/10) encontrado no site mantido pelo elemento desalmado (ver aqui, e tomara que não corram e excluam da internet). As golfadas de dados, de estatísticas embaraçadas, tentam justificar a motivação do elemento desalmado em voltar para dar o tiro final na mãe, na unidade do Centro Obstétrico do HRG.
E que Deus interceda pelo PAI e pela Mãe do HRG!
Memória:

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O feliz 'Dia das Crianças' de Rollemberg no PAI do HRG


11/10/2017 - Por Elton Santos — Sindsaúde

A reportagem do SindSaúde esteve no Hospital Regional do Gama e mostra agora o caos que está o Pronto-Atendimento Infantil (PAI) local.



terça-feira, 11 de abril de 2017

Governo Rollemberg fechou mais uma vez o atendimento no PAI do HRG. Reação de jornalista da Record pode ter salvado criancinha com convulsão

Terça, 11 de abril de 2017
Caos no PAI e Pediatria do Hospital Regional do Gama

Passando hoje à tarde próximo ao HRG, Hospital Regional do Gama, resolvi conferir se o PAI, Pronto Atendimento Infantil, tinha parado de funcionar, conforme denúncias.

Estacionei o carro e fui até a entrada do setor. De longe percebi o drama. Nenhuma criança, mãe ou pai na sala de espera. Um pouco afastada da porta, vi uma mãe chorar, sendo consolada pelo marido e pai da criancinha de colo. Mais adiante outra família com um bebê nos braços. Os semblantes de frustração, tristeza, sabe-se lá se também raiva. Uma natural e justificada raiva.

Entrei até a portaria e perguntei se havia atendimento. Fui informado que não, pois não havia SEQUER UM PEDIATRA no PAI. Nem criancinhas do que seria alto risco estavam sendo atendidas. Pois vigilantes não fazem atendimento médico.

Foi quando vi uma equipe de reportagem da TV Record. A repórter e o cinegrafista foram entrevistar aquelas duas famílias. Enquanto isso, outra mãe com sua criança no colo voltava da porta do PAI, e só Deus sabe para onde iriam à procura de socorro.

Quando a equipe da TV já se encontrava novamente na porta do Pronto Atendimento Infantil, isso depois de fazer algumas tomadas de imagens dentro da sala de espera, eis que surge um automóvel com uma senhora e um bebê tendo convulsões. Informada de que não havia pediatra para atender, voltou, com a criancinha no colo, em desespero, para o carro. Carro que era dirigido por um seu sobrinho.

Tem horas que o repórter não consegue manter a calma e a neutralidade diante de uma cruel realidade. Foi o que aconteceu com a jornalista que fazia a matéria. Ela achou um absurdo uma criancinha tendo convulsões voltar da porta do hospital. E apelou para a mãe entrar no Pronto Atendimento, pois havia nos boxes um pediatra. E a criança, assim, foi ser atendida.

Talvez a vida daquele bebê tenha sido salva pela reação louvável da jornalista.

Tentando encerrar este texto, que vocês podem ver que já se alonga, e isso acontece também pela indignação que  esse humilde blogueiro sente pelo descaso, pela falta de interesse, pela incompetência, do governo do DF em resolver de uma vez por todas os problemas das nossas crianças que recorrem ao Pronto Atendimento Infantil do Hospital Regional do Gama.

Quantas crianças podem já ter morrido, e quantas ainda poderão morrer, pela omissão do governo do DF?

Parar por aqui, pois não quero que meus seis leitores leiam algumas frases mais ríspidas e menos civilizadas. Eles não merecem. Já os governantes...

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Pesadelo! Demissão coletiva de pediatras de contrato temporário do Pronto Atendimento Infantil/Pediatria do HRG. Será apenas um pesadelo?

Sexta, 7 de abril de 2017
 Foto 31 março 2017. Arquivo Gama Livre 

Estava dormindo hoje cedo e tive um pesadelo. 

Veja qual.

Sonhei que o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e a Pediatria do Hospitial Regional do Gama (HRG) voltaram a funcionar;

Sonhei que o governo do Distrito Federal de 2015 para cá, portanto há mais de dois anos, não realizou concurso público para médicos efetivos, inclusive para o PAI e a Pediatria do HRG;

Sonhei que o GDF em agosto do ano passado fechou o PAI —depois de já ter fechado a Pediatria—, deixando crianças, mães e demais familiares de tais crianças na angústia. Quem quisesse, vi no sonho, cuidar da sua criança que viajasse 30 ou 40 quilômetros para outra região administrativa de Brasília. Se desse sorte, lá teria atendimento médico.

Sonhei que o governo do DF, sob pressão da comunidade e sociedade organizada (fóruns, associações, sindicatos) havia, em fevereiro, reaberto a Pediatria e o PAI. E que na festa de “reinauguração” houve festa, discurso, palmas, salgadinhos, puxa-saquismo;

Sonhei que para cá vieram 23 ou 24 —o número não ficou muito claro no meu sonho, como também nas informações inicialmente passadas pelo GDF— médicos pediatras de contratos temporários, apesar de que, ainda no meu sonho, fui alertado por um anjo que os médicos deveriam ser concursados, e do quadro efetivo;

E o sonho parou por aí. Daí em diante, foi só pesadelo. Veja como.

Tive o pesadelo que logo nos primeiros dois ou três dias de “funcionamento” o PAI ficou sem o quadro completo de pediatras. Bebês choravam na sala de espera, ou no frio, se noite, ou calor, se dia, na porta do Pronto Atendimento Infantil.

E continuou o pesadelo. A cada dia o quadro de pediatras sofria uma baixa. Alguém não suportava as más condições de trabalho, a sobrecarga, e pedia demissão.

E continuou o pesadelo:

Do quadro inicial de 23 ou 24 (variava de acordo com a Secretaria de Saúde), um pediatra pediu demissão;

No outro dia, mais um. Era o segundo;

Adiante, o terceiro pediatra;

O quarto pediatra pediu demissão;

Eu tentava interromper esse desgraçado de pesadelo, mas não conseguia.

O quinto pediatra pediu demissão;

O sexto pediatra pediu demissão;

O sétimo pediatra pediu demissão;

O oitavo pediatra pediu demissão;

O nono pediatra pediu demissão;

O décimo pediatra pediu demissão;

O décimo primeiro pediatra pediu demissão;

O décimo segundo pediatra pediu demissão;

O décimo terceiro pediatra pediu demissão;

O décimo quarto pediatra pediu demissão;

O décimo quinto pediatra pediu demissão;

Quase ao fim do meu sonho, verdadeiro pesadelo, vi os últimos seis ou sete pediatras que restaram se preparando, para, coletivamente, pedirem demissão e deixar ZERADO o Pronto Atendimento Infantil do Hospital Regional do Gama.

Neste momento fiz um esforço para acordar, sair daquele pesadelo, e, assim, abortar aquela demissão coletiva de nossos pediatras, que deixarão ainda mais sacrificadas as nossas criancinhas e mais angustiadas as suas famílias.

Ufaaa!!! Acordei!

Mas aí esse desgraçado do WhatsApp da sinal de que alguma mensagem acabara de chegar. Ainda com o coração aos saltos, em razão do terrível pesadelo, passo a mão no celular, clico na mensagem.

Ai, meu Deus! Tomara que eu tenha sonhado que acordei, mas não tenha acordado. Infelizmente tinha acordado mesmo.

Um conhecido, que costuma saber das coisas da área da saúde pública, dá uma notícia bem pior do que o pesadelo, até porque não era pesadelo.

Dizia a notícia: pediatras do PAI e Pediatria do HRG estão articulando possível demissão coletiva.

Quer pior pesadelo do que este? Tomara que seja um pesadelo apenas.

Acorda, Rollemberg!!
Não venham dizer que é apenas um pesadelo meu. O pesadelo maior é para nossas crianças e familiares. 

 Foto março 2017. Arquivo Gama Livre

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Leia também:

O 171 do governo Rollemberg. Pronto Socorro Infantil/Pediatria do HRG continua um caos. Esta noite vai fechar

terça-feira, 4 de abril de 2017

Em debate nesta quarta (5/4) no Conselho Regional de Saúde do Gama o caos no Pronto Atendimento Infantil e no Centro Obstétrico do HRG

Terça, 4 de abril de 2017

Clique na imagem para ampliá-la. A linha vermelha indica o caminho de uma das entradas do HRG  ao auditório do NEPS.

A 84ª reunião ordinária do Conselho de Saúde acontece nesta quarta (5/4), a partir das 9 horas, no auditório do NEPS/HRG, Núcleo de Educação Permanente em Saúde (veja localização na foto acima).

sexta-feira, 31 de março de 2017

O 171 do governo Rollemberg. Pronto Socorro Infantil/Pediatria do HRG continua um caos. Esta noite vai fechar

Sexta, 31 de março de 2017
Imagem do arquivo do Gama Livre

Nesta manhã de sexta (31/3) apenas dois pediatras estão de plantão no Pronto Atendimento Infantil (PAI)/Pediatria do Hosptial Regional do Gama, o velho e maltratado HRG.

Criancinhas doentes classificadas como de baixo risco, a tal fita verde, estão sem qualquer atendimento no local. O atendimento para esse grupo, prometem, só para depois das 13 horas de hoje, quando o quadro plantonista deve contar com três, e somente três, pediatras.

E à noite, o que está previsto para nossas crianças?

Fechamento de qualquer atendimento às crianças.

Na escala “Equipe de Plantão —PS/31.03.2017” está registrado para a PS/Pediatria apenas dois pediatras das 7 horas às 13 horas, três pediatras das 13 horas às 19 horas e...tracinho, tracinho, tracinho, das 19 horas desta sexta (31/3) até às 7 horas de amanhã, sábado (1º de abril). Tá sabendo disso, Rollemberg? Se não está, deveria.

Tenho que me conter para não reproduzir aqui um desabafo de um pai, com seu filhinho nos braços, e que há pouco saiu do Pronto Atendimento Infantil (PAI) do HRG. Palavrão bem próprio para expressar a indignação de quem recorre à rede pública de saúde e vê sua criancinha não ser atendida por falta de médicos.

Se quiséssemos enquadrar em um hipotético Código Penal da Saúde a ação que foi a falsa “reabertura” do Pronto Atendimento Infantil/Pediatria do Hospital Regional do Gama, a melhor tipificação seria no artigo 171.

O chamado 171 envolve a sua vítima. Com charme, papo fino, salamaleques, e promessas de ganhos. Promete o paraíso.

No caso do 171 referente à reabertura do PAI/Pediatria do HRG, qualquer malandro mestre em aplicar o 171 nas pessoas se sentiria humilhado, um trombadinha de pirulito de bebê.

Na pseudo abertura da unidade —em início de março— a festa, os discursos, os salgadinhos, docinhos, discursos, a placa descerrada anunciando a reinauguração de quase coisa nenhuma.

Na festa, a garantia de que 23 ou 24 médicos (por que a depender na hora, o número anunciado variava) pediatras garantiriam uma escala excelente de atendimento às crianças. Ledo engano. Ou cinismo de alguns. E o pior, dos 23 ou 24 pediatras, todos de contrato temporários, na semana passada restavam apenas 14. Os outros já haviam pedido o boné (ou o jaleco?).

Quadro pequeno para uma demanda grande de atendimento. E, possivelmente, influenciado por um outro fator, este em apuração pelo Gama Livre, isso para confirmação ou negação.

Resumo do drama:
A reinauguração do PAI/Pediatria do HRG foi mais um blefe do governo Rollemberg.

Ufa! Consegui chegar até aqui e não reproduzir o desabafo do pai de uma criancinha não atendida hoje no HRG. Bom para os ouvidos da minha meia dúzia de leitores. Mas quem sabe depois...eu repita a frase.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Vamos parar de presepada, GDF? Continua o caos no Pronto Atendimento Infantil (PAI) do HRG. Criança não pode ficar doente à noite e nem em finais de semana

Segunda, 20 de março de 2017

Nos finais de semana e à noite dos demais dias, o Pronto Atendimento Infantil do HRG só atende crianças que sejam pacientes classificados como de alto risco (pulseira vermelha). As outras crianças têm seu direito constitucional à saúde desrespeitado pelo governo do DF

Imagine você fazendo um voo de 168 horas num Boeing.

Já no ar, sem mais poder voltar à terra antes do voo concluído, descobre que do tempo total do voo (168 horas) a aeronave ficará 108 horas, representando 64,3% do tempo, com problemas técnicos terríveis.

Funcionando com apenas uma turbina, e assim mesmo rateando e ameaçando explodir, pois as demais pifaram. O engenheiro de bordo teve um infarto e entrou em coma, nada podendo ajudar. O piloto perdeu o contato com qualquer torre de comando, os instrumentos indicam que o avião entrou em zona de violenta turbulência e o fim dessa só Deus sabe quando vai acabar. O computador de bordo avisa que o trem de pouso travou, mas mesmo que não tivesse travado, nada adiantaria, pois os pneus estouraram ao decolar.

Sentiu o drama?

Pois é! Está mais ou menos assim o recém “reinaugurado” Pronto Atendimento Infantil (PAI) do HRG, o Hospital Regional do Gama.

‘Boeing’ que foi fechado em agosto do ano passado pelo governo Rodrigo Rollemberg, pois só depois do governo do DF taxiar por quase dois anos é que descobriu que não havia piloto, comissários de bordo e coisas tais para continuar o voo do PAI do HRG.

Sem pediatras, pois os contratos temporários se encerraram no segundo semestre de 2016, só o presidente do Boeing PAI do HRG não sabia, ou fingia não saber. Solução? A mais fácil para o governo e a mais perversa para nossas crianças e para as comunidade do Gama, Santa Maria, Recanto das Emas etc. Qual? Fechamento do PAI.

Em agosto o governo Rollemberg fechou completamente o Pronto Atendimento Infantil do HRG. Prometeram reabri-lo para o final do ano passado ou início de janeiro. Mas só foi reaberto em 1º de fevereiro.

Não é exagero supor que algumas das nossas crianças tenham morrido como consequência da incompetência e medida tomada pelo governo do DF ao fechar o PAI deixando-as sem atendimento de emergência.

Com o fechamento do Pronto Atendimento Infantil —o que ocorreu depois do também encerramento da bem montada Pediatria do HRG—, a comunidade protestou, chamou reportagens de emissoras de TV e jornais, saiu em passeata, bateu forte através da imprensa tradicional e alternativa, usou as redes sociais, botou pra ferver pelos blogues e o que foi possível fazer. Botou a boca no trombone.

Aqui há de se reconhecer o papel jogado pelos sindicatos da área de saúde, bem como o engajamento de associações e fóruns comunitários. Também alguns deputados distritais se envolveram no movimento, e jogaram papel importante, se reunindo, inclusive, com autoridades do GDF, pressionando-os.

Com todo esse movimento pela reabertura do Pai e da Pediatria do HRG, o governo, mesmo que tardia e lerdamente, começou a se mexer. Depois de prometer reabrir os setores até o final de 2016, jogou para janeiro, e por fim no início de fevereiro de 2017 houve a tal reabertura do Pronto Atendimento Infantil. Com barulho, coquetel, discursos, descerramento de placa, puxa-saquismo, tudo que normalmente (normalmente?) acontece neste tipo de evento.

O secretário da Saúde e o próprio Rodrigo Rollemberg garantiram que o quadro de pediatras, divulgado inicialmente como sendo de 23 profissionais e depois como sendo de 24, daria para se conseguir uma escala de serviço muito boa, garantindo atendimento de primeira durante todas as horas do dia.

E teve gente que acreditou!

Já no primeiro dia de efetivo (efetivo?) funcionamento, mães e filhos ficaram nos bancos de espera por horas e mais horas. Crianças que chegaram em torno das 13 horas não tinham sido atendidas até meia-noite.

Houve até o ‘auê’ divulgado no Facebook pelo secretário de Saúde, Humberto Fonseca, de que teria juntamente com o superintendente da Regional Sul de Saúde (Gama e Santa Maria), Ismael Alexandrino Júnior, atendido 60 paciente no PAI do HRG.

Mas não é todo dia que o secretário de Saúde e o superintendente da Regional Sul, gestores do sistema, podem meter a mão na massa no PAI. A mão na massa deve ficar por conta dos pediatras do velho e outrora bom Hospital do Gama. Administrador é para administrar, não para gerar factoide. E o caos continuou.

Durante o período da noite (19 horas de um dia às 7 horas do dia seguinte), no Pronto Atendimento Infantil do HRG criança que não seja classificada como paciente de risco, não tem vez. Volta pra casa, para sofrer durante a noite. Ou, se as mães têm carro, sair peregrinando por outros hospitais da rede pública.

Vamos a umas continhas simples que demonstram as avarias do ‘Boeing’ prefixo PAI do HRG:

Um pronto atendimento infantil (ou de adultos) deve funcionar sete dias da semana as 24 horas do dia.

No Pronto Atendimento Infantil do HRG, nos finais de semana (sábados e domingos) e nos plantões noturnos, o atendimento é EXCLUSIVAMENTE para crianças classificadas como de alto risco (pulseira vermelha).

Assim:
7 dias da semana X 24 horas = 168 horas/semana;

De segunda à sexta-feira, durante o plantão do dia (das 7 às 19 horas) teremos 12 horas X 5 dias, totalizando 60 horas de funcionamento nesses cinco dias. Somente nessas 60 horas —do total de 168 semanais— é que podem ser atendidos indistintamente crianças com baixo, médio e alto riscos. Nas restantes 108 horas semanais (as 48 horas dos finais de semana, mais 60 horas dos plantões noturnos), paciente com baixo ou médio risco sobram, pois somente pacientes classificado com pulseira vermelha (alto risco) podem ser atendidas. O que poderia ser um paciente de baixo risco se transforma, em muitos casos, em de médio ou alto risco. Sem atendimento médico, a gripe, por exemplo, pode se transformar numa doença mais grave.

Há de se considerar, claro, que o quadro de pediatras durante o dia é maior do que o plantão da noite e dos sábados e domingos. À noite e nos finais de semana há apenas um pediatra de serviço. Ontem, domingo (19/3), era o que ocorria por volta das 20 horas.


E o caos no HRG continua! Até quando, Rollemberg?