Domingo, 19 de julho de 2026
Brasil: Uma rota para a soberania energética
O desafio vai além da descarbonização. Rentismo se infiltrou na Petrobrás, no setor elétrico e, agora, abocanha potencial eólico e solar. Quais os caminhos para outro paradigma – Estado planejador, reindustrialização e energia como direito coletivo?
OUTRASPALAVRAS Descolonizações
Por Ildo Sauer
Matéria postada originariamente no OUTRASPALAVRAS em 14/07/2026

Foto: Divulgação/Petrobras
MAIS:
O texto a seguir é um complemento a série de debates Desafios para Outro Brasil, uma realização da parceria entre FESP-SP e Outras Palavras. Confira o debate realizado com William Nozaki e Ildo Sauer.
A Dialética da Energia na Evolução Humana: Do Fluxo Biológico ao Estoque Mineral
A compreensão dos dilemas energéticos contemporâneos e das crises que assolam o modelo brasileiro exige, preliminarmente, um mergulho na história da relação entre a humanidade e a energia sob a ótica da termodinâmica e da economia política. A trajetória da civilização, desde o surgimento dos caçadores-coletores há cerca de 2 milhões de anos e sua evolução para homo sapiens há mais de 200 mil anos, é indissociável das formas de captura, conversão e apropriação de energia, com o controle do fogo.. Durante a maior parte desse percurso, a existência humana esteve estritamente condicionada pelas chamadas energias de fluxo, caracterizadas por uma baixa Taxa de Retorno Energético (EROI – Energy Return on Investment). O esforço metabólico para capturar energia era quase equivalente à energia obtida, mantendo a humanidade em um estado de equilíbrio dinâmico com a biosfera, mas com um excedente social residual.
