Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sábado, 29 de novembro de 2014

"Até aqui eu vou": Sem traçar uma linha tudo não passa de hipocrisia

Sábado, 29 de novembro de 2014
Do Blog do Tsavkko
Quando você não traça uma linha: "Até aqui eu vou" toda e qualquer crítica sua é apenas hipocrisia.
 
É o caso dos governistas com, agora, o caso da Katia Abreu (e do Joaquim Levy). Quando você aceita absolutamente tudo e todo tipo de "aliado", mas resolve ficar de #mimimi com uma indicação ou outra que, no fim, definem o governo, ou quando critica uma ou outra política que igualmente são definidores do caráter do partido no poder, mas não há nenhuma possibilidade real de parar de apoiar este governo/partido, então sua crítica nada mais é que um vazio "desencargo de consciência".
 
Em outras palavras, é apenas algo que você faz pra limpar sua consciência e pra ficar de bem consigo mesma(o) e com os amigos do mesmo partido. É apenas uma forma de fingir realmente se preocupar, quando o único interesse real é o de se manter no poder (ou de manter seu grupo no poder).
 
Quando o apoio chegará ao fim? Quando (e se) Bolsonaro virar ministro dos Direitos Humanos? Maluf da Justia? Marisa Lobo da Secretaria das Mulheres? Estou indo a extremos, sem dúvida, mas Katia Abreu, do ponto de vista da esquerda, não seria também um extremo - mesmo que coerente com Dilma?
 
Em termos claros, as críticas de quem é incapaz de traçar uma linha onde se possa ter claro o "até aqui eu vou" valem o mesmo que... nada. O mesmo que merda nenhuma, para ser ainda mais ilustrativo.
 
Governista crítico é algo que está há alguns Kassabs lá atrás, quiçá alguns índios e LGBTs mortos, ou a pelo menos um Feliciano de distância. Daqui pra frente, ou desses "eventos" pra frente, não há muito mais que se esperar.
 
E já que estamos falando em "esperar", o que esperar do Stédile ou do MST que pese uma de suas maiores inimigas ter sido indicada para a Agricultura, continuam e continuarão apoiando o PT sem vislumbrar qualquer limite?
 
Dois exemplos concretos:
 
1) Qual o limite do apoio que pode existir para "feministas" que logo após Dilma REVOGAR portaria regulando o aborto após aliados fundamentalistas exigirem, lançaram manifesto a apoiando? Claro que as vítimas não serão elas, mas as mulheres pobres, já vítimas do sistema, que terão de recorrer a clínicas clandestinas não importa sequer se tiverem sido estupradas. Mas o importante é apoiar a Dilma contra o.... atraso.
 
2) Katia Abreu pode ser considerada a maior inimiga do MST e movimentos similares, Dilma a nomeou ministra da Agricultura (algo que só surpreendeu aos inocentes úteis e tolos), e o MST e Stédile assinaram um manifesto reclamando. Sim, só isso. Caso Dilma ignore MST, Stédile e "intelectuais" que repudiam Katia Abreu (e Joaquim Levy na Fazenda, mas é outro assunto), eles irão recuar de seu apoio ao PT e Dilma? Não. Então qual o limite?
 
Dilma nomeia uma das, senão a maior inimiga do MST e fica por isso mesmo, continua com o apoio total do movimento que, sob o comando de Stédile, tem sido neutralizado e esmagado para servir de mera massa de manobra do PT. Revoltas pontuais aqui e ali não fazem diferença quando quem você apoia simplesmente não dá a mínima.
 
Hipocrisia, degeneração e falta de vergonha definem.
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Texto escrito parcialmente baseado em conversas com @mariana_parra