
“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Diálogo com os que hesitam em votar em Lula
Quarta, 9 de setembro de 2026
Diálogo com os que hesitam em votar em Lula
Integrando da esquerda crítica, contrapus-me a políticas e atos do governo, Mas votarei nele. As eleições são um risco existencial para o Brasil, como demonstram a Doutrina Donroe e as mensagens trocadas entre Marco Rubio e Flávio Bolsonaro
OutrasPalavras Estado em Disputa
Artigo originariamente postado no OutrasPalavras em 04/09/2026

Este economista que vos escreve não escapa da polarização política generalizada que marca o Brasil dos últimos tempos. Do centro para direita, é provável que poucas pessoas me leiam com o coração aberto.Assim, devo supor que o leitor ou leitora que me lê agora é de esquerda ou centro-esquerda. Hoje quero conversar com vocês direta e confidencialmente sobre a emergência nacional que enfrentamos nas eleições de outubro. Portanto, se houver algum bolsonarista extraviado por esta página, peço a ele a gentileza de se retirar imediatamente.
E prossigo. Creio que podemos dividir a esquerda brasileira atual em três grandes blocos. Um primeiro é a esquerda lulista, totalmente fiel ao presidente da República. Não faz críticas a ele e rejeita liminarmente quem as faça, pela direita e mesmo pela esquerda. Tem ódio visceral ao “fogo amigo”, que considera inoportuno, quase uma traição.
terça-feira, 21 de abril de 2026
Anistia acusa EUA, Israel e Rússia de minar multilateralismo
Terça, 21 de abril de 2026
Anistia acusa EUA, Israel e Rússia de minar multilateralismo
Organização divulgou nesta terça relatório global sobre 144 países
Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 21/04/2026
Rio de Janeiro
Gideon Markowicz/Proibida reprodução
A organização de direitos humanos Anistia Internacional acusa Estados Unidos, Israel e Rússia de ataques predatórios contra o multilateralismo, o direito internacional e a sociedade civil, em seu relatório anual A situação dos direitos humanos no mundo, divulgado nesta terça-feira (21). O documento traz uma avaliação sobre 144 países.

De acordo com a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, os predadores políticos e econômicos, "e aqueles que lhes facilitam a vida", estão sentenciando o fim do sistema multilateral, não porque ele seja ineficaz, mas porque não está a serviço de sua hegemonia e controle.
segunda-feira, 11 de agosto de 2025
Aliança regional —Petro defende Venezuela depois de ameaças dos EUA: ‘agressão contra a América Latina e Caribe’
Segunda, 11 de agosto de 2025
Declaração do colombiano vem na esteira do aumento da recompensa pela prisão de Maduro anunciado pela Casa Branca
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, defendeu a Venezuela depois das ameaças dos Estados Unidos e do aumento da recompensa pela prisão chefe do Executivo venezuelano, Nicolás Maduro. O colombiano disse que uma operação militar contra a Venezuela sem a aprovação de “países irmãos” seria uma agressão à América Latina e ao Caribe.
“Transmito publicamente minha ordem como comandante das Forças Armadas colombianas. Colômbia e Venezuela são o mesmo povo, a mesma bandeira, a mesma história. Qualquer operação militar que não tenha a aprovação de nossos países irmãos é uma agressão à América Latina e ao Caribe”, publicou Petro em suas redes sociais.
A declaração de Petro vem em resposta à decisão dos Estados Unidos de aumentar para 50 milhões de dólares (aproximadamente R$ 271 milhões) a recompensa em dinheiro que possa levar à prisão de Maduro. O anúncio havia sido feito pela procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, que acusou o presidente venezuelano de uma suposta ligação com grupos vinculados ao narcotráfico.
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domingo, 7 de maio de 2023
Os estraga-prazeres
Maio
7
Os estraga-prazeres
Em 1954, os rebeldes vietnamitas propiciaram uma tremenda sova aos militares franceses em seu invulnerável quartel de Dien Bien Phu. E depois de um século de conquistas coloniais, a gloriosa França teve de sumir correndo do Vietnã.
Depois foi a vez dos Estados Unidos. Nem vendo dava para crer: a primeira potência do mundo e de todo o espaço sideral também sofreu a humilhação da derrota nesse país minúsculo, mal-armado, povoado por pouca gente e por gente pobre.
Um camponês, de lento caminhar, de palavras escassas, encabeçou essas duas façanhas.
Ele se chamava Ho Chi Minh, era chamado de Tio Ho.
Tio Ho se parecia pouco aos chefes de outras revoluções.
Em certa ocasião, um militante voltou de uma aldeia e informou a ele que não havia maneira de organizar aquela gente.
— São uns budistas atrasados, que passam o dia inteiro meditando.
— Pois volte lá e medite - mandou Tio Ho.
Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), L&PM Editores, 2012, página 153.
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Ho Chi Minh
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quarta-feira, 20 de abril de 2022
Um papelão inesquecível
Abril 20
Um papelão inesquecível
Foi a maior expedição militar de toda a história do mar do Caribe. E o maior fiasco.
Os donos de Cuba, despojados, desalojados, proclamavam, de Miami, que morreriam lutando pela devolução, contra a revolução.
O governo norte-americano acreditou neles, e seus serviços de inteligência demonstraram, uma vez mais, que não mereciam esse nome.
No dia 20 de abril de 1961, três dias depois do desembarque na Baía dos Porcos, os heróis, armados até os dentes, apoiados por barcos e aviões, se renderam sem lutar.
(Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias (Um calendário histórico sobre a humanidade), L&PM Editores, 2012, página 134)
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segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Je Suis Paris - E Também Bagdá, Tripoli e Damasco
Segunda, 16 de novembro
de 2015
Por Mauro Santayana

Foram lamentáveis e
brutais, sob todos os aspectos, os atentados ocorridos em Paris, que
acarretaram centenas de mortos e feridos inocentes, franceses e estrangeiros.
Nas horas que se
seguiram, na frágil cobertura da TV estatal francesa, que parecia só dispor de
uma equipe e entrava, ao vivo, em contato, por telefone, com o seu repórter que
estava no interior da Boate Bataclan, o foco foi mantido na solidariedade e na
reação das autoridades e do governo.
O Primeiro Ministro
François Hollande, com a mesma expressão de perplexidade mostrada por George
Bush em suas primeiras declarações no dia do atentado às Torres Gêmeas,
declarou que a França permanecerá unida, e que ela será implacável em sua
resposta ao EI, o Exército Islâmico - o grupo terrorista que assumiu a autoria
dos ataques - e que serão tomadas medidas de segurança para que a situação não
se repita.
A retórica, dos
jornalistas e do governo, é a única resposta que pode ser dada pelos franceses
à situação de absoluta vulnerabilidade e impotência em que a França se meteu,
ao intervir em outros países.
Uma retórica que serve
para disfarçar – com a costumeira cortina de fumaça e de maniqueísmo – a crua e
implacável realidade em que Paris se encontra, do ponto de vista desses
ataques, e das escolhas que fez, nos últimos anos, em sua política
externa.
Em primeiro lugar,
porque há muito pouco que a França possa fazer para evitar novos atentados.
Se seus autores forem
apanhados, outros os substituirão, vindos de fora, ou recrutados na periferia
das grandes cidades francesas, onde muitos jovens, filhos de emigrantes,
precisam apenas de um pretexto para fazer explodir seu ressentimento e sua
frustração com a miséria e o desemprego, ou a falta de perspectivas de futuro,
em um continente onde não se sentem bem-vindos, assombrado pela decadência e a
crise, onde a extrema direita floresce, alimentada pela xenofobia, o racismo e
o preconceito.
Em segundo lugar,
porque, por mais que sejam terríveis, para todos nós, e para as famílias
enlutadas, os atentados em Paris em nada diferem, em suas conseqüências
humanitárias, daqueles que ocorrem, todos os dias, em dezenas de lugares no
Afeganistão, no Norte da África e no Oriente Médio.
Por lá, pessoas
explodem, a qualquer momento, ou são fuziladas, decapitadas, estupradas, às
dezenas, por terroristas originalmente armados pelas mesmas potências
“ocidentais” que estão sendo atacadas agora - e por pseudo “democracias”, como
a Arábia Saudita onde adúlteras são punidas a chibatadas e mulheres não podem
sair de casa sem véu nem um homem que as vigie – com o intuito de derrubar
governos em países, que, independente da orientação política de seus regimes,
viviam em situação de paz e estabilidade.
No entanto, esses
atentados, em outras partes do mundo, não merecem matérias especiais de meia
hora na televisão brasileira – afinal, é melhor que nos identifiquemos com a
“civilização” que queremos emular e com a “democracia” que queremos emular - é muito
mais conveniente, do ponto de vista do discurso de doutrinação ideológica
eurocêntrico e neoliberal, discutir a dor das famílias e as medidas de
segurança – absolutamente inócuas, diga-se de passagem - que devem ser
supostamente adotadas - do que revelar ao público o que está realmente por trás
dos acontecimentos.
Nem se vêem nas
camisetas e nos cartazes que rezam “Je suis Paris”, em várias partes do mundo,
espaço para frases como “Je suis Syrie”, porque, claro, são muito mais importantes
as mortes de Paris, do que aquelas que ocorrem, literalmente, há anos, para lá
de Bagdá, em lugares como Basra, Karbala ou Ramadi.
Finalmente, a pergunta
que não quer calar, é a seguinte: se Saddam Hussein e Muammar Kaddafi – com
todos seus eventuais defeitos - estivessem no poder e a Síria gozasse da mesma
situação de estabilidade que tinha antes do início – estimulado pelo “ocidente”
– do trágico engodo da “primavera árabe”; se os EUA – aliados da França – não
tivessem armado terroristas para atacar Damasco - os mesmos assassinos
que hoje militam e são a espinha dorsal do Estado Islâmico - os atentados
de Paris teriam ocorrido?
Capitais europeias não
eram atacadas antes da promulgação da “Guerra ao Terror” pelos Estados
Unidos, nem da “primavera árabe”, que gerou milhões de mortos e refugiados, com
a destruição de centenas de cidades; nem antes do envolvimento da OTAN, a
serviço dos EUA, com bombardeios na Líbia e em outros lugares - contra governos
que antes eram tratados, hipocritamente como aliados pelo “ocidente” - em
países em que crianças iam uniformizadas e bem alimentadas à escola todos os
dias, e não caçavam, para comê-los, ratos entre os escombros de suas
casas, como agora.
Nunca é demais lembrar
que quem planta vento, colhe tempestade.
Que os novos atentados
de Paris - e o pânico com os falsos alarmes que se seguiram - sirvam de alerta
ao Brasil - país em que convivem, em harmonia, judeus e muçulmanos, e gente de
todos os lugares do mundo - que, estimulado pela doutrina da repressão
policialesca e pelo desejo de ser mais realista que o rei de “especialistas”
que cresceram vendo enlatados de espionagem norte-americanos, está se
metendo a “gato mestre”, criando leis “antiterroristas”, que podem nos fabricar
inimigos onde nunca os tivemos.
Leis que são, como
podemos ver, pela vulnerabilidade e impotência dos países que as adotam, tão
supérfluas quanto inócuas e estúpidas.
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terça-feira, 10 de março de 2015
Venezuela e a segurança nacional dos Estados Unidos
Terça, 10 de março de 2015
Do Blog Política Econômica do Petróleo
Do Blog Política Econômica do Petróleo
VENEZUELA
E A SEGURANÇA
NACIONAL
DOS ESTADOS UNIDOS
Wladmir
Coelho
O presidente Obama
assinou um decreto declarando a Venezuela como ameaça a segurança nacional dos
Estados Unidos. Intrigante ver a maior economia do mundo cujo exército possui
as mais avançadas tecnologias de guerra sentir-se ameaçada por um pais
infinitamente menor.
O decreto cita a defesa
dos direitos humanos como base para declarar a Venezuela uma ameaça à segurança
nacional. Nenhuma novidade, pois esta sempre foi a senha para os Estados Unidos
iniciarem bombardeios humanitários e práticas semelhantes.
O decreto, entretanto, não informa a condição
venezuelana de terceiro maior fornecedor de petróleo dos Estados Unidos este sim
um aspecto relevante para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Desde 1999, ano da
posse de Hugo Chaves na presidência da Venezuela, os governos estadunidenses
entendem como ameaça à sua segurança energética – base da segurança nacional – o controle estatal de uma empresa responsável
pelo fornecimento de parcela considerável do petróleo que consome.
A PDVSA, petrolífera
estatal da Venezuela, ao controlar todo o processo de exploração do petróleo
nacional aumenta a sua independência em relação a política econômica
determinada através das necessidades das grandes empresas principalmente as sediadas
nos Estados Unidos.
Adicionamos ao fato a
política de integração energética da América Latina, patrocinada pelo governo
da Venezuela, utilizando o petróleo como elemento financiador de projetos
comerciais, de saúde e educação. Neste ponto observa-se um maior distanciamento
dos países beneficiados em relação aos empréstimos diretos ou programas de
apoio social patrocinados pelos Estados Unidos, através de organismos nos quais
exerce influência direta, em sua maioria acompanhados de exigências relativas a
introdução de políticas neoliberais.
Os Estados Unidos
aplica atualmente uma ousada política energética que resulta no controle
absoluto, através de suas empresas, das reservas existentes no continente
americano.
Este fato ilustra-se
com as recentes noticias do armazenamento de 444,4 milhões de barris de
petróleo em seu território gerando, segundo o EUA Energy Information
Administration (EIA), a ocupação de 60% dos reservatórios estimando-se para
abril, graças a produção de um milhão de barris diários em excesso, a plena utilização
dos tanques.
Armazenar todo o
petróleo e manter o preço em baixa gerando crises nos países que dependem da
exportação, incluindo a Venezuela, para em seguida patrocinar a concentração comprando
as empresas endividadas. Esta prática não é nova e foi aplicada com sucesso
através da Standard Oil.
O aspecto queda nos
preços, resultante do excessivo armazenamento de petróleo, torna-se o resultado
visível da estratégia da segurança energética dos Estados Unidos. Todavia causa
perturbação observar um país com produção industrial em baixa e historicamente
defensor de práticas e métodos imperialistas ocupar totalmente os seus
reservatórios de petróleo. Estariam preparando-se para alguma espécie de catástrofe?
Quem sabe um inverno ainda mais rigoroso em 2016 ou uma guerra?
Neste processo a
Venezuela sofre as consequências de sua ousadia em enfrentar o modelo econômico
de base colonial imposto aos países da América Latina da mesma forma que
observamos no Brasil a tentativa de destruição da Petrobras empresa símbolo da
luta contra o imperialismo.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Quantas crianças iranianas terão que morrer até que o mundo dê um basta?
Segunda, 8 de outubro de 2012
Por Paulo Nogueira
Lembremos que 500 mil crianças iraquianas morreram no boicote ao Iraque
O boicote americano ao Irã vai fazer vítimas entre civis como estes que você pode ver acima
Gleen Greenwald é um excelente jornalista americano. Escrevia para o
Huffington Post, e agora seu passe foi adquirido pelo Guardian,
britânico.
É uma pena que nenhuma publicação brasileira ofereça aos leitores os
textos de Greenwald, mas não uma surpresa: Greenwald não escreve as
coisas que as grandes corporações de jornalismo do Brasil se acostumaram
a veicular, num serviço que desinforma muito mais que informa e
distorce o mundo muito mais que o faz mais compreensível.
Greenwald, hoje, fala das consequências que o boicote americano ao
Irã vai trazendo à sociedade iraniana: mulheres, crianças, velhos, civis
em geral. Começa a faltar comida, por exemplo.
Ele relembra o que aconteceu com o Iraque quando submetido ao mesmo
tipo de coisa pelo governo de Bill Clinton: meio milhão de crianças
iraquianas morreram.
Na ocasião, um jornalista perguntou à então Secretária de Estado,
Madeleine Albright, sobre este abominável infanticídio em massa.
Infamemente, ela respondeu que o objetivo americano de derrubar Saddam
Hussein compensava esse custo – 500 000 crianças mortas.
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quarta-feira, 3 de outubro de 2012
QUE NOME DAR A ESTE TEMPO
Quarta, 3 de outubro de 2012
Por
Mauro Santayana
No mundo só há passado,
e o passado cresce a cada dia, como resumiu o escritor argentino Macedônio
Fernandez: hoy hay más pasado que ayer.
O passado cresce, e o futuro, na vida dos homens e das nações, é uma vaga
hipótese. A morte do historiador Eric
Hobsbawm, ocorrida ontem, suscita uma curiosidade: se ele vivesse mais meio
século – e não sabemos como o mundo será então, se ainda houver o mundo – como ele
definiria essa segunda década do milênio novo? Ele não chegou a tratar do tema,
mas a sua formação marxista naturalmente o levaria a constatar, como outros
pensadores do fim do século passado, que a inteligência política está se
tornando escassa nestes anos.
O neoliberalismo - essa mancebia entre
o poderio militar dos Estados Unidos, os grandes bancos e a insensatez dos
governantes dos maiores países do mundo - continua indestrutível e indiferente
à crise que sua ganância provocou. Em Getafe, uma cidade ao sul de Madri,
ontem, 15 mil pessoas fizeram fila diante de uma empresa que necessita de 150
empregados: cem candidatos por vaga.
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