“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Ministério Público pede mudança de local de julgamento de policiais militares

Sexta, 29 de setembro de 2018
Do MPDF
Denunciados são suspeitos de integrar grupo de extermínio que agia em São Sebastião, Paranoá e Itapoã. Julgamento é referente a triplo homicídio ocorrido em 2006
O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) pediu, nesta quinta-feira, 27 de setembro, a mudança do local de julgamento de três policiais militares acusados de triplo homicídio qualificado ocorrido em São Sebastião em 2006. O júri foi designado para 29 de novembro, mas o Ministério Público teme que a população local não se sinta à vontade em julgar policiais militares que atuaram na cidade, o que poderia comprometer a imparcialidade necessária para uma decisão isenta.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Brasil é condenado em corte da OEA por chacinas na favela Nova Brasília

Segunda, 15 de maio de 2017
Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil
 
O governo brasileiro terá prazo de um ano, até o dia 11 de maio de 2018, para reabrir as investigações sobre duas chacinas ocorridas em 1994 e 1995 na comunidade Nova Brasília, no Complexo do Alemão, zona norte da capital fluminense, durante operações policiais. Também terá que prestar indenização a cerca de 80 pessoas. Em cada chacina, foram mortos 13 jovens. Também há denúncia de tortura e estupros. A sentença foi divulgada na última sexta-feira (11) pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH), instituição judicial autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA).

domingo, 2 de abril de 2017

ONG denuncia à ONU violação de direitos humanos contra jovens e negros no Rio

Domingo, 2 de abril de 2017
Cristina Indio do Brasil – da Agência Brasil
 
A Organização Não Governamental (ONG) Justiça Global apresentou denúncia à Relatoria de Execuções Extrajudiciais Sumárias e Arbitrárias da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o número de mortes decorrentes de violações de direitos humanos contra a população jovem e negra, moradora de favelas e periferias.

Segundo a entidade, nos dois primeiros meses de 2017, foram mortas 182 pessoas em conflitos com agentes de segurança no Estado do Rio de Janeiro.

Para a Justiça Global, a situação representa grave violência institucional contra esta parcela da população e a forma como o governo lida com a segurança pública. Aponta também que é uma lógica de extermínio e repressão. A intenção ao apresentar a denúncia é fazer com que o Brasil seja cobrado internacionalmente pelas violações de direitos humanos que ocorrem no país.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Eduardo: “Naturalizaram o extermínio na periferia”

Quarta, 7 de outubro de 2015
“Cada semana que faço um show, ofereço a música para uma chacina diferente”, diz o rapper Eduardo, um dos mais respeitados pelos jovens das periferias brasileiras

Por Caio Castor e Igor Carvalho, especial para a Ponte Jornalismo
Caramante
O rapper Eduardo, ex-integrante do grupo Facção
Central, é um dos mais respeitados nas periferias
do Brasil

A madrugada do último domingo (4/10) já avançava quando Eduardo encerrou seu show no Festival “Hip-Hop Revolução” em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Ao lado do palco, uma fila interminável de seguidores do rapper se formou. “Não vou ter condução pra ir embora, já era. Mas preciso dar um abraço nele e falar que parei de beber e estou cuidando da minha família”, dizia o fã, sem se identificar. Um pouco mais atrás na fila, uma mulher grita. “É a nossa voz, é a voz da favela”, disse.

“Já é uma tradição, atendo um por um, não vou embora sem falar com todos que querem falar comigo”, explica Eduardo, que estava satisfeito com o show. “Noite especial, homenagear as ‘Mães de Maio’ é importante, deu tudo certo”, comemorou o rapper, citando o movimento social que surgiu em 2006, quando 493 pessoas foram assassinadas. Segundo organizações dos direitos humanos, o episódio violento foi uma reação de grupos de extermínio com a participação de policiais a ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC). Quase a totalidade das vítimas eram jovens negros e da periferia.

Durante a entrevista, o rapper falou sobre o genocídio da população negra e pobre, letalidade policial, o papel da mídia na criminalização da pobreza e lamentou o avanço da direita nos bairros mais pobres, explicitado nas últimas eleições com a vitória dos candidatos à presidência, Aécio Neves (PSDB,) e ao governo paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), nas periferias. “O cara que vai votar, ainda não conseguiu associar o extermínio com o exterminador.”

Assista a entrevista de Eduardo:

terça-feira, 21 de julho de 2015

Procuradores de Justiça acompanham investigação de assassinatos em Manaus

Terça, 21 de julho de 2015
Alex Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
O procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), Fábio Monteiro, designou três procuradores de Justiça para acompanhar as investigações policiais dos homicídios ocorridos em Manaus desde a última sexta-feira (17). Embora o total de mortes associadas à recente série de crimes ainda esteja sendo apurado, as autoridades e a imprensa local contabilizam pelo menos 34 casos – o último deles foi o assassinato de um homem, por arma branca, na tarde de ontem (20).

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

MPF/Bahia: Inquérito investiga ação policial que resultou em 13 mortes em Salvador

Quarta, 11 de fevereiro de 2015
Do MPF na Bahia
Apesar das mortes resultantes da ação, não há notícia de sindicância instaurada para apurar eventuais excessos por parte dos agentes
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) instaurou na terça-feira, 10 de fevereiro, inquérito civil a fim de apurar possível violação de direitos humanos em atos praticados por policiais militares da Rondesp, em abordagem ocorrida na última sexta-feira, 6, a um grupo de pessoas na Estrada de Barreiras, no bairro do Cabula, em Salvador (BA). A ação policial resultou na morte de 13 pessoas, deixando feridas outras três, sem que se tenha notícia de qualquer sindicância instaurada a fim de apurar eventuais excessos por parte dos agentes. O caso também será apurado pelo Ofício Criminal do MPF/BA.

Movimentos sociais questionam versão da polícia sobre homicídios na Bahia


Quarta, 11 de fevereiro de 2015
Helena Martins - Repórter da Agência Brasil
Movimentos sociais e familiares das pessoas que foram assassinadas na madrugada da última sexta-feira (6) , no bairro Cabula, em Salvador, questionam a versão da polícia sobre as circunstâncias das mortes. Durante ato feito hoje (11) em memória das vítimas, os manifestantes apontaram a prática de execução durante a abordagem da Polícia Militar (PM), por meio da Rondesp (Rondas Especiais).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Relatório apresentado à ONU denuncia encarceramento e extermínio de jovens no Brasil

Terça, 3 de fevereiro de 2015
Helena Martins - Repórter da Agência Brasil

jovem em conflito com a lei
Taxa de homicídio na faixa até 19 anos subiu 194,2% de 1980 a 2012, segundo documento da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente — Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Um relatório apresentado hoje (03) ao Comitê sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, aponta o encarceramento e o extermínio de jovens como violações frequentes no Brasil. Elaborado pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced – Seção DCI Brasil), o monitoramento mostra que a taxa de homicídio entre a população de até 19 anos aumentou 194,2%, entre 1980 e 2012.

sábado, 1 de novembro de 2014

Comissão da Verdade do Rio de Janeiro faz recomendações para acabar com "autos de resistência"

Sábado, 1º de novembro de 2014
Akemi Nitahara – Repórter da Agência Brasil

Para banir a justificativa de "auto de resistência" nos homicídios cometidos por forças de segurança é preciso que haja perícia independente, ritos na apuração dos casos, afastamento do agente envolvido e acompanhamento psicológico, além da desmilitarização das polícias e a regulamentação dos meios de comunicação.

As sugestões foram apresentadas hoje (31) na plenária de recomendações da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-Rio) que discutiu os autos de resistência. O presidente da comissão, Wadih Damous, ressalta que o relatório da CEV, a ser apresentado em abril, prevê recomendações para o estado. A ideia, de acordo com ele, é que contemple problemas que perduram até hoje.

sábado, 12 de julho de 2014

PM é condenado por 3 assassinatos dos Crimes de Maio

Sábado, 12 de julho de 2014
Em decisão histórica, o PM Alexandre Pereira da Silva foi condenado pelo assassinato de três rapazes durante os chamados Crimes de Maio
O cabo da Polícia Militar Alexandre André Pereira da Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (10/7) pelo assassinato de Murilo de Moraes Ferreira, Felipe Vasti Santos de Oliveira e Marcelo Heyd Meres em um lava-rápido no Jardim Brasil, zona norte de São Paulo, em maio de 2006. Trata-se de decisão histórica.

Pela primeira vez, um integrante da PM foi levado a julgamento, acusado de participar de extermínio de civis durante os chamados Crimes de Maio, ocorridos entre os dias 12 e 20 de maio de 2006. Nesse período, pelo menos 493 pessoas foram mortas pela PM como represália aos ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), que assassinou 43 agentes públicos.
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Foto Guga Kastner

Segundo estudo da ONG Justiça Global, que cruzou informações de órgãos policiais, Ouvidoria da Polícia, Ministério Público, Defensoria Pública, Judiciário e testemunhas, há “indícios do envolvimento de policiais fardados ou encapuzados em 122 execuções, ocorridas em supostos confrontos ou por ações de grupos de extermínio”.

Pelos três homicídios no lava-rápido, praticados sem que as vítimas tivessem a mínima chance de defesa, o cabo André (este é o seu nome na corporação) foi sentenciado a 36 anos de prisão em regime fechado, além da perda do cargo público. Como cabe recurso, o réu saiu livre do fórum.

sábado, 24 de maio de 2014

Guerra à periferia

Sábado, 24 de maio de 2014
Em 2012, após o PCC executar dezenas de policiais, PMs e grupos de extermínio mataram centenas de inocentes nas quebradas de São Paulo
 
Fez sol no primeiro dia de 2013. Dia bom para a molecada do Jardim Rosana empinar pipa e jogar bola nas ruas da comunidade, localizada no Campo Limpo, periferia sul de São Paulo. Os meninos só pararam de brincar quando viram dois policiais militares se aproximando – quem mora na periferia aprende a temer fardas e viaturas.
 
Os PMs pararam perto de um grupo de quatro adolescentes e um dos policiais deu o aviso: “A motinho preta está vindo aí matar todo mundo”, disse, conforme o relato da comerciante Rita de Cássia de Souza, 52 anos, mãe de Brunno Cassiano, 17, um dos quatro adolescentes ameaçados.
 
Os meninos ficaram assustados. Eles sabiam do que o policial estava falando. Os assassinos das motocicletas eram fantasmas de carne e osso que vinham assombrando com regularidade as periferias da Grande São Paulo durante o segundo semestre de 2012, autores de chacinas que destruíam famílias inteiras.
Dois homens numa motocicleta, ambos com capacete, apareciam disparando contra um grupo de pessoas. O mesmo roteiro, com os mesmos personagens, foi repetido centenas de vezes, às vezes variando com a presença de um carro escuro, recheado de matadores com toucas ninjas.
 
Os assassinos sem rosto ficaram conhecidos como “motoqueiros fantasmas” numa referência a um personagem demoníaco dos quadrinhos da editora Marvel. Naquele ano, o motoqueiro com cabeça em chamas chegava às telas na pele de Nicholas Cage, no segundo filme do personagem, chamado Motoqueiro Fantasma: O Espírito da Vingança. Pois parecia que os grupos de extermínio que atacavam as periferias estavam mesmo possuídos por um espírito da vingança, já que quase sempre atacavam nas imediações de onde um policial militar fora morto ou ferido.
 
Ainda no calor da guerra, em novembro de 2012, o então delegado-geral de polícia de São Paulo, Marcos Carneiro Lima, revelava que, antes das chacinas, policiais militares haviam consultado antecedentes criminais dos mortos. Outras evidências de que eram PMs os que vestiam as toucas ninjas dos grupos de extermínio foram relacionadas em um trabalho ainda inédito realizado por pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), a ser publicado em julho.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Grupos de extermínio

Sexta, 21 de setembro de 2012

 A repórter TATIANA MERLINO, da Caros Amigos, descreve como funcionam os grupos de extermínio na PM paulista, formados por 3 integrantes, um deles escoltado até um local onde veste roupas civis para executar os assassinatos. Quando o serviço acaba chega uma viatura para recolher as cápsulas e adulterar a cena do crime. Em seguida, coloca-se a vítima no carro, e, mesmo morta, ela é levada ao hospital. Quando necessário, usam o “kit vela” ou “kit flagrante”: entorpecentes e uma arma fria colocada na mão do cadáver para justificar o homicídio.