Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 30 de junho de 2024

A esquerda em defesa das crianças

Domingo, 30 de junho de 2024

Vitória contra o PL do Estupro aponta: nunca deveríamos ter ficado em defensiva. Em temas como Educação, violência sexual e diversidade de gênero, há uma vasta pauta dos direitos das crianças e jovens – e combate ao autoritarismo familiar


OUTRASPALAVRAS     ESTADO EM DISPUTA
Publicado em
OUTRASPALAVRAS em 26/06/2024

Foto publicada no Diário de Pernambuco

O PL do Estupro nos permitiu ver que o mundo nos últimos anos foi invertido: de repente, a esquerda virou ameaça às crianças e a direita, sua defensora. Curioso, porque o imaginário popular sempre associou as crianças à rebeldia, à liberdade e à invenção, coisas que estão mais associadas à esquerda que à direita. Mas, por meio de pânicos morais em relação à pauta LGBTTQIA+ e a educação sexual, a direita vem atacando fortemente – desde o caso do Queermuseu – em nome das crianças. A cobertura midiática em geral fica na defensiva, apenas retratando o “exagero” ou “descabimento” das posições. A isso junta-se o ataque ao aborto como defesa do nascituro, recentemente regado pelo hediondo PL em questão.

Mas isso é mesmo real?

Para isso, basta percebermos qual segmento político defende o Estatuto da Criança e do Adolescente na sua integralidade. O principal foco de defesa dos direitos das crianças é da esquerda. A direita não defende as crianças, defende a família. O ECA pode inclusive ser, como veremos, obstáculo ao exercício dos “direitos” da família. E o que é a família, nesse caso?


Família é o direito de soberania dos pais, em especial o patriarca, sobre seus filhos. O que a direita defende não são as crianças, mas o poder autoritário do pai – e, em segundo escalão, da mãe – sobre as crianças.

A regra geral é que as figuras parentais sejam as principais condutoras da formação de uma criança e um adolescente. Mas a questão aqui não é a orientação, nem mesmo o cuidado. Isso não é apenas direito; é dever. Aqui se trata do poder de determinar o que deve ser pensado e como deve ser sentido pela criança ou pelo adolescente.

Vamos às demonstrações.

A extrema direita defende o homeschooling como uma ferramenta de não-exposição dos filhos a crenças morais que divergem das suas, possibilitando uma formação completa com base nos princípios da família.

A posição complementar disso, defendida em mais larga escala, é a crítica da doutrinação das escolas e as universidades, como recentemente vimos no viral terrível de André Valadão sugerindo que as famílias coloquem as filhas para “vender picolé na garagem” em vez de realizar seu sonho de ir à universidade, já que é melhor ser “mulher santa” que uma “vagabunda universitária”.

Nesse caso, quem está a favor da criança?

Valadão dirige-se aos pais, jamais às crianças. Ao contrário, ele admite estar ceifando os sonhos das crianças ao impedi-las de ir à universidade. Ou seja, o que ele defende não é uma proteção do “mundano” das crianças e dos jovens, mas o controle totalitário dos pais e suas crenças sobre os filhos. Afinal, esses pais creem saberem tudo que é preciso saber em relação ao que os filhos devem aprender, em geral baseados em alguma interpretação fundamentalista da Bíblia.

Mais uma vez, não estamos no papel trivial de, diante das infinitas opções do mundo, indicar caminhos: estamos diante da proibição de todos os caminhos exceto aquele que os pais entendem ser o único correto. A criança e o jovem não podem sonhar, eles estão confinados no mundo fechado das próprias figuras parentais. Há uma proibição de ir adiante, de construir seu próprio caminho de acordo com os valores que, cotejados com os da família específica, irão prevalecer.

E a esquerda? A esquerda luta primeiramente pela diversidade de ideias, que já em si é uma luta pela… liberdade! (Justamente o que é invocado pela direita – liberdade de ensinar – quando a rigor o que ela faz é o contrário da liberdade: controle). Mas não só isso: a esquerda luta pelo direito à autonomia intelectual das crianças. Esse é um direito fundamental das crianças e dos jovens. Elas não se desenvolvem no mundo apenas para estar de acordo com as projeções e os valores nutridos pelos pais. Elas não são coisas que têm dono. Conforme vão vivenciando o mundo, irão sendo apresentadas a diversas visões e aos poucos enquadrando-se em uma ou outra. Evidentemente, as visões não são simétricas: a palavra da mãe tem mais peso que a da influencer, a palavra da professora tem mais peso que a da vizinha. Mas isso se estabelece como? Por meio de diversos mecanismos de diálogo e momentos de imposição de regras que precisam ser seguidas pela criança. Não se confunde, por outro lado, com a doutrinação que proíbe contato com outras perspectivas. Aqui, há um suplemento de poder que viola o equilíbrio da relação, coisificando a criança como se fosse propriedade parental.

A Constituição e o ECA, e qualquer noção ética minimamente decente, estabelecem que os filhos não são coisas, não são propriedade dos pais, portanto têm direito à plena liberdade intelectual – que, no entanto, está em formação e é dever dos próprios pais colaborarem para que se desenvolva. Pais que negam aos filhos o contato com a diferença estão privando a criança de um direito.

De que Valadão e os conservadores têm medo? Têm medo de que as crianças e os jovens entrem em contato com ideias que irão permitir desenvolver sua própria autonomia e, com isso, divergir dos pais. Afinal, eles sabem, mas nunca admitirão, que as crenças teocráticas, fundamentalistas, os estereótipos e os preconceitos, enfim, tudo que é vendido pela extrema direita como “liberdade” só sobrevivem efetivamente em geral quando são privadas do contato com os argumentos e com o convívio público.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Proteja as meninas contra o casamento infantil!

Sábado, 28 de janeiro de 2017
Da Avaaz.org

Queridos amigos,

Com uma assinatura, a primeira-ministra de Bangladesh pode salvar milhares de meninas ou abrir uma brecha que pode forçá-las a se casar com seus estupradores

Bangladesh tem aprovado muitas leis progressistas para mulheres e meninas. No entanto, uma nova lei destinada a acabar com o casamento infantil contêm uma cláusula de ‘circunstâncias especiais’, pela qual meninas podem ser forçadas a casar com seus estupradores. 

Os cidadãos já foram às ruas protestar, mas o Parlamento pode aprovar a lei a qualquer momento. Vamos apelar à primeira-ministra para retirar a brecha na lei que permitiria o estupro infantil e acelerar um processo de ação nacional para manter essas meninas seguras: 



Dias depois das extraordinárias marchas das mulheres, isso é algo que podemos fazer juntos pelos mais vulneráveis em nosso planeta


Até o momento, a primeira-ministra favoreceu a cláusula de 'circunstâncias especiais', argumentando que para meninas da zona rural que são vítimas de estupro ou ficam grávidas, casamento é dos males, o menos pior. Porém existem alternativas para melhorar sua proteção: Ela pode aprovar a lei para que meninas de zona rural e seus filhos possam ir à escola sem o sobrenome paterno — atualmente a criança pode ter dificuldade de entrar na escola sem o nome do pai em seu registro —, e lançar um novo plano de ação nacional para prestar serviço para essas meninas em circunstâncias especiais. 

Vamos convencer a primeira-ministra Hasina a retirar a cláusula e tornar Bangladesh um dos pioneiros do mundo no combate ao casamento infantil. Junte-se agora


Bangladesh já tem tanto prometido para as mulheres. As políticas progressistas transformaram famílias desde 1970 quando as mulheres tinham sete filhos cada, e agora pouco acima de dois. E os subsídios para meninas significam que é mais provável que elas cheguem ao ensino médio do que suas vizinhas na Índia, um país muito mais rico. 

Do Afeganistão e Índia, até a Somália e Kenya, a Avaaz tem usado nosso poder coletivo para lutar contra o abuso de jovens meninas e pressionar pelos direitos das mulheres. Vamos agora apoiar Bangladesh a se tornar uma luz para o mundo finalmente acabar com o casamento infantil! 

Com esperança, 

Risalat, Antonia, Lisa, Emma, Alice, Ricken e toda a equipe da Avaaz 


MAIS INFORMAÇÕES:

domingo, 16 de outubro de 2016

Crianças no tráfico de drogas

Domingo, 16 de outubro de 2016
Por Siro Darlan — Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Membro da Associação Juízes para a democracia

Causou comoção no mundo todo a imagem do menino sírio Aylan Kurdi na praia da Turquia quando sua família fugia da guerra e buscava refúgio em lugar seguro. Crianças e adolescentes tem sido vítimas m todo mundo de diversas formas de violências e explorações. Muitos têm sido levados precocemente às guerras e submetidos às mais diversas formas de violência. Se nos comove o menino sírio, é triste ver a indiferença quando são nossos irmãos brasileiros essas vítimas.

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A Constituição Federal de 1988 prevê, em seu artigo 227, dispõe ser dever da família, da sociedade e do Estado “assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. ”

A Lei 8069/90 estabelece como dever de todos zelar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

O Estatuto se estende a todas as crianças e adolescentes, sem discriminação, passando a considerá-los como sujeito de direitos, pessoas em condição peculiar de desenvolvimento, a requerer proteção e prioridade absoluta no nível das políticas sociais.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os Invencíveis Indesejados

Terça, 20 de setembro de 2016
Por Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a democracia.
                                   
A Professora Ligia Costa Leite chamava de invencíveis as crianças e adolescentes que sobreviviam nas ruas do Rio de Janeiro nas décadas de 80 e 90. Pensando no acolhimento delas criou a Escola Tia Ciata para educa-los dentro de sua filosofia de inclusão pela educação com liberdade. Os meninos cresceram, muitos sobreviveram e hoje constituíram famílias, cujos filhos e netos por sua vez, como os Capitães de Areia de Jorge Amado ocupam o seu lugar de exclusão nas grandes cidades.

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Eles já se acostumaram e procuram formas de integração, mas parte da sociedade ainda os rejeitam com violência. Criam formas de repressão que se modificam de acordo com a conveniência dos governantes e a pressão dos moradores da cidade. Já criaram os choques de ordem, que facilmente se corromperam, os espaços legais que logo entraram na ilegalidade. Mas o grande instrumento atual dos capitães do mato da modernidade é o tráfico de drogas.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Amigo diz que Ítalo não estava armado e que policiais o obrigaram a mentir em vídeo

Sexta, 17 de junho de 2016 
Da Ponte
Amigo diz que Ítalo não estava armado e que policiais o obrigaram a mentir em vídeo: Programa de TV ‘Repórter Record Investigação’ ouviu a versão do menino que acompanhava ítalo quando ele foi morto com tiro na cabeça disparado por PM de SP

terça-feira, 5 de abril de 2016

País injusto: Dados do IBGE mostram que exploração do trabalho infantil cresceu 4,5% em 2014

Terça, 5 de abril de 2016
Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil
A exploração da mão de obra infantil no país cresceu 4,5% em 2014 em relação a 2013, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2013, havia 3,188 milhões de crianças e adolescentes na faixa de 5 a 17 anos de idade trabalhando e o contingente subiu para 3,331 milhões em 2014.
Crianças no corte de cana
"As famílias estão, cada vez mais, utilizando crianças no trabalho infantil para complementação da renda", disse a administradora da Fundação Abrinq, Heloisa Oliveira Arquivo/Agência Brasil

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Da Pátria Educadora à Pátria “Abandonante”

Terça, 2 de fevereiro de 2016
Do TJDF
Por Walter Gomes de Sousa
Psicólogo e supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal/TJDFT 
 
Uma notícia policial recentemente veiculada pela mídia do Distrito Federal e que repercutiu em nível nacional retratou o assassinato de uma criança de apenas 11 meses de idade na cidade de Taguatinga/DF. Tal ocorrência causou estupor e indignação generalizados. Segundo consta das investigações preliminares, a genitora biológica, por vivenciar precárias condições socioeconômicas e estruturais, não dispor de adequado suporte familiar e ainda ter que trabalhar o dia todo, decidiu entregar sua filha de tenra idade para ser criada por uma conhecida sua. De acordo com as autoridades policiais, existem indícios de que a criança já vinha sendo submetida a maus-tratos há algum tempo. Após ser presa em flagrante, a suposta autora dos fatos declarou que teria se estressado por causa das birras protagonizadas pela infante e que por isso aplicou-lhe alguns castigos físicos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Direitos Humanos: Comitê da ONU critica violência policial contra crianças no Brasil

Sexta, 9 de outubro de 2015
A melhor arma contra a violencia policial eh a camera
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Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil
O Comitê sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou relatório em que critica a violência policial contra crianças e a discriminação estrutural no Brasil contra negros, indígenas, crianças com deficiência e outras minorias. De acordo com a ONU, o alto número de execuções extrajudiciais por parte da Polícia Militar, milícias e Polícia Civil aumenta conforme a impunidade diante dessas violações torna-se generalizada.
A tortura e desaparecimento forçado de crianças por meio desses agentes também foram reprovados pela organização, que pede a investigação de todos os casos, incluindo os autos de resistência vindos de agentes públicos. Entre os problemas apontados está a grande participação de crianças em conflitos armados e em organizações criminosas, tendo como origem a pobreza, marginalização e o abandono da escola.
Apesar do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte, segundo o comitê, o Brasil apresenta uma das maiores taxas de homicídio infantil do mundo, sobretudo de jovens homens e negros. A remoção forçada de crianças da rua para instituições de jovens infratores sem provas concretas contradiz o Estatuto da Criança e do Adolescente e também é alvo de críticas.
O relatório trata das condições de vida das crianças no Brasil e foi elaborado por 18 peritos independentes da ONU com base em informações fornecidas pelo governo brasileiro e a sociedade civil. Ele parabeniza programas como o Mais Médicos, Bolsa Família e Brasil Sem Miséria, mas destaca a urgência de novas medidas que protejam os direitos das crianças, principalmente as mais vulneráveis, como indígenas, negras e com deficiência.
Apesar de elogiar a adoção de políticas educacionais inclusivas, a organização critica o ensino ainda segregador para crianças com deficiência. O documento também destaca o alto número de adolescentes grávidas, principalmente entre 10 e 14 anos, em situação de vulnerabilidade e critica a criminalização do aborto no Brasil, que vitimiza adolescentes.
O comitê ainda mostrou preocupação com as 250 mil remoções forçadas em razão das obras da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas de 2016, sem compensar os moradores de forma justa, afetando seus meios de vida e o bem-estar e desenvolvimento das crianças.
O relatório completo, em inglês, está disponível na página do Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Saiba Mais


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O Natal na favela (charge de Latuff)


O Natal na favela
“Botei meu sapatinho
Na janela do quintal
Papai Noel deixou
Meu presente de Natal

Como é que Papai Noel
Não se esquece de ninguém
Seja rico ou seja pobre
O velhinho sempre vem
Seja rico ou seja pobre
O velhinho sempre vem”

Como é linda a fantasia, e dura a realidade.

Natal na UPP

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Maioria das propostas para infância no Congresso traz retrocessos, avalia Abrinq

Quarta, 10 de junho de 2015
Yara Aquino - Repórter da Agência Brasil
Parte das proposições para a infância e adolescência em discussão no Congresso Nacional traz retrocessos para a legislação vigente, na avaliação da administradora executiva da Fundação Abrinq, Heloísa Oliveira. Uma publicação lançada hoje (10) pela entidade selecionou dez proposições relacionadas à infância e adolescência que tramitam no Congresso e são consideradas prioritárias. A organização se posiciona totalmente a favor de apenas uma delas. 
“De maneira geral, o que acontece é ter um número muito maior de proposições que trazem retrocesso ou uma visão equivocada de propostas que objetivam melhorar o arcabouço legal da infância. Estamos com um Congresso Nacional que não conhece bem a legislação vigente e o cenário da infância”, disse Heloísa Oliveira.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Brasil mostra sua cara

Sexta, 1º de maio de 2015 
Foto: TJRJ
Por Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça e Coordenador Rio da Associação Juízes para a Democracia.
Um jornal do Rio de Janeiro publicou a opinião de duas ilustres procuradoras, uma de São Paulo outra do Rio de Janeiro. Enquanto a primeira não intitulou seu artigo como a palavra liberdade escreveu uma ode a esse direito fundamental do ser humano com argumentos sérios e dados fundados em fontes oficiais que aponta em seu artigo para mostrar que a redução da responsabilidade penal é um erro que se fundamenta em falsas premissas e dados manipulados com a intenção de enganar a população.

terça-feira, 21 de abril de 2015

A sede de punir que envenena a sociedade

Terça, 21 de abril de 2015
Siro Darlan, desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e Coordenador Rio da Associação Juízes para a Democracia.

A lei determina que adolescentes que cumprem medidas socioeducativas devem ser reavaliados periodicamente pelo judiciário que se louva em relatórios das equipes de psicólogos e assistentes sociais da instituição para analisar as possibilidades de reinserção familiar e social do jovem em conflito com a lei. Essa semana causou furor no Rio de Janeiro uma prática legal adotada em todos os demais estados da federação que cumpre a Resolução do CNJ e da Lei do SINASE.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Relatório apresentado à ONU denuncia encarceramento e extermínio de jovens no Brasil

Terça, 3 de fevereiro de 2015
Helena Martins - Repórter da Agência Brasil

jovem em conflito com a lei
Taxa de homicídio na faixa até 19 anos subiu 194,2% de 1980 a 2012, segundo documento da Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente — Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Um relatório apresentado hoje (03) ao Comitê sobre os Direitos da Criança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, aponta o encarceramento e o extermínio de jovens como violações frequentes no Brasil. Elaborado pela Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente (Anced – Seção DCI Brasil), o monitoramento mostra que a taxa de homicídio entre a população de até 19 anos aumentou 194,2%, entre 1980 e 2012.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Extermínio de crianças no Brasil

Sábado, 31 de janeiro de 2015
Por Siro Darlan*
Uma das mais avançadas Universidades do mundo, Harvard, concluiu que crianças negligenciadas em abrigos apresentam problemas de desenvolvimento no cérebro, o que leva à redução da capacidade linguística e mental. Segundo a pesquisa o cuidado infantil não se resume apenas em “trocar fraldas” ou “alimentar” as crianças. O desenvolvimento cerebral de bebês e crianças pequenas depende de estímulos de seus pais ou cuidadores. Quando são abandonadas e lhes falta o estímulo afetivo, este desenvolvimento é prejudicado. No Brasil há, segundo o CNJ, 80 mil crianças abandonadas em abrigos que não são fiscalizados.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Quem é o infrator?

Quarta, 26 de dezembro de 2012 
Por Siro Darlan
O infrator não é o usuário e sim o Município [do Rio de Janeiro].

Em pleno debate sobre a prevalência dos poderes da República, enquanto o Legislativo afirma ser o senhor dos mandatos de seus congressistas, a Suprema Corte diz que decisão deve ser cumprida. Embora ambos tenham suas razões, o que deve prevalecer é a Constituição que diz que todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido. Portanto a palavra final deve ser a do povo, que não foi ouvido senão para eleger, sem direito a “recall”.
 
A justiça acaba de se manifestar sobre a polêmica do recolhimento compulsório. Embora a Constituição de 1988 determine que crianças e adolescentes tenham o direito á proteção integral, devendo ficar á salvo de toda forma de negligência, violência, crueldade e opressão, sendo obrigação do município a criação de programas de prevenção e atendimento especializado à criança e ao adolescente dependente de entorpecente e drogas afins, o magistrado desenterrou um decreto-lei do tempo da ditadura de 1938 para justificar sua adesão a essa limpeza étnica e social com o nome fantasia de internação compulsória.
 
Ao buscar amparo na legislação nazista então vigente o magistrado atirou no que viu e acertou no que não viu. Só mesmo uma legislação de exceção poderia justificar essa prática perversa e revogar o Estatuto da Criança e do Adolescente que determina que o poder público tem obrigação de proteger e socorrer tais cidadãos em quaisquer circunstâncias, não apenas privando-os de liberdade, mas através de políticas públicas sociais que lhes garanta a inclusão em programas de auxílio à família, a criança e ao adolescente, incluindo-os em tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico em regime hospitalar ou ambulatorial e inclusão em programa oficial de auxílio, orientação e tratamento a alcóolatras e toxicômanos.
 
Ora até a Prefeitura já se deu conta dessa política equivocada de exclusão social, remetendo a atenção ás vítimas de drogas para a Secretaria de Saúde, como pode a Deusa Themis continuar com vendas nos olhos?

Siro Darlan é desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia.

domingo, 23 de setembro de 2012

Caje: Psol/DF divulga nota criticando o governo Agnelo/Filippelli

Domingo, 23 de setembro de 2012
Quantos adolescentes precisarão morrer?

Qui, 20 de Setembro de 2012
Essa pergunta ecoa não só pelos corredores da Unidade de Internação do Plano Piloto – UIPP (antigo CAJE I), mas em todo o Distrito Federal. Famílias inteiras, cujos filhos foram internados pelo Estado não sabem a quem levar essa angústia. Afinal, foi o Estado quem decidiu tirá-los de casa. E como representante do Estado, foi o governo quem permitiu, através de sua ausência, a instauração do caos no Sistema de Medidas Sócio Educativas.

A insuficiência de políticas públicas voltadas à reinserção dos adolescentes à comunidade, aliada à falta de investimento no setor são as principais armas que mataram aqueles jovens. O descaso com a política de atendimento às crianças e adolescentes no Distrito Federal é de responsabilidade direta do Governo Agnelo/Filippelli (PT/PMDB).

Os Conselhos Tutelares estão sucateados e os programas de medidas socioeducativas em meio aberto não funcionam. Enquanto isso, o governo gasta milhões em publicidade. Enquanto não houve construção de creches, continua-se priorizando os recursos para a Copa do Mundo onde, muito provavelmente, caso não haja mudanças urgentes, aumentarão os casos de violência e exploração sexual infantil, por não haver um sistema de proteção adequado.

Associa-se a tudo isto um Sistema Judiciário que determina um elevado número de adolescentes ao sistema de internação por atos infracionais mais leves, ainda que possível aplicar outras medidas menos repressoras.

Esse governo não apenas viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948), a Convenção Internacional dos Direitos da Criança (1989), o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (1990) e a Lei do SINASE.

Esse governo se OMITE. E essa omissão MATA.

Diante disso, cabe a nós perguntar: