Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Rio de Janeiro: Justiça condena 13 policiais por tortura e morte de Amarildo

Segunda, 1º de fevereiro de 2016
amarildo
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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
A 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro condenou 13 dos 25 policiais militares acusados da tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, na Rocinha, na zona sul da cidade. Entre eles está o ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha major Edson Santos, condenado a 13 anos e sete meses de prisão pelos crimes de tortura e ocultação de cadáver.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Rapaz preso durante manifestação em SP é solto após decisão da Justiça

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Domingo, 10 de janeiro de 2016
Fernanda Cruz - Repórter da Agência Brasil
A Justiça de São Paulo determinou a soltura de um rapaz mantido preso após a manifestação contra o aumento da tarifa no transporte público da última sexta-feira (8). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, ele foi liberado na tarde de ontem (10).
Durante o protesto, 17 pessoas no total foram detidas. Dessas, 15 foram liberadas após assinatura de termos circunstanciados e outra precisou pagar fiança.
O manifestante mantido preso foi pego flagrante por supostamente ter atirado coquetéis molotov contra os policias que atuavam no protesto. A decisão da juíza Tonia Yuka Kôroku, apontou a inexistência de uma verdadeira situação que justificasse a prisão. “A prisão se baseou em um vídeo, cujas imagens não são conclusivas e há dúvidas quanto a se o indiciado realmente portava os explosivos”, diz o documento.
O jovem aparece em vídeo feito pelo coletivo Jornalistas Livres, que mostra policiais militares revistando manifestantes e um objeto sendo colocado pelos agentes na mochila de um dos presos. Para o grupo, a prova foi forjada.
Sobre as imagens, a secretaria informou ontem que “não há indícios de má conduta por parte dos policiais militares”. “A Polícia Civil aguarda as imagens sem edição que, de acordo com o advogado do preso, a repórter responsável pela divulgação do vídeo nas redes socais, prontificou-se a fornecer para investigação e perícia”, diz a nota.

Saiba Mais

Polícia entra em confronto com manifestantes e dispersa protesto do Passe Livre
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sábado, 9 de janeiro de 2016

Tiros, bombas e surras: Violência policial liquida primeiro ato contra o aumento das tarifas em São Paulo

Sábado, 9 de janeiro de 2016
Da Rede Brasil Atual
Paulo Pinto/Fotos Públicas
pm
Apesar da forte repressão, o Movimento Passe Livre já marcou nova manifestação para a próxima terça-feira (12) e garante que não sairá da rua até barrar o aumento
por Rodrigo Gomes, da RBA publicado 09/01/2016
São Paulo – Na primeira grande manifestação do ano na capital paulista, a Polícia Militar mostrou ontem (8) que nada mudou em relação à repressão aos movimentos sociais jovens. O primeiro ato contra o aumento das tarifas de Metrô, trens e ônibus de R$ 3,50 para R$ R$ 3,80, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL) terminou em uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e viaturas policiais a toda velocidade pelas ruas do centro de São Paulo, e com várias pessoas detidas e feridas – inclusive policiais. O MPL estimou em 10 mil pessoas o engajamento no ato.
O centro de São Paulo se tornou uma praça de guerra e mesmo quem estava apenas voltando para casa após o trabalho de 2016 ficou aterrorizado com a quantidade de bombas e balas de borracha disparadas pela Tropa de Choque na região do Viaduto do Chá. Muitos PMs usavam máscaras para cobrir o rosto e identificação alfanumérica. Pessoas imploravam para entrar na estação Anhangabaú, da Linha 3-Vermelha do Metrô, fechada pelos funcionários após o início da repressão.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Governo Perilo: Policial à paisana ameçou estudantes durante manifestação em Goiás

Quinta, 7 de janeiro de 2016
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
A Polícia Militar de Goiás confirmou que é um policial o homem armado que teria ameaçado estudantes em manifestação em Goiânia. Segundo a PM, ele foi identificado e “colocado à disposição da Corregedoria, que instaurou processo para a apuração dos fatos e atribuição de responsabilidades”.
A manifestação dos estudantes ocorreu na segunda-feira (4). Eles saíram às ruas com cadeiras penduradas no pescoço, em protesto contra mudanças administrativas decididas pelo governo. Um estudante registrou a presença de um homem armado que ameaçava os estudantes e publicou na internet.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Corregedoria determina prisão de policiais militares acusados de tortura no Rio


Quarta, 30 de dezembro de 2015
Cristina Indio do Brasil - Repórter Agência Brasil
A Corregedoria Interna da Polícia Militar do Rio de Janeiro determinou hoje (30) a prisão disciplinar dos oito policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Coroa, Fallet e Fogueteiro, no Catumbi, zona central do Rio, acusados de agressão a quatro jovens entre 13 e 23 anos, na madrugada do dia 25.
Os jovens informaram que voltavam de moto de uma festa no Morro Santo Amaro, no Catete, zona sul, quando foram parados pelos policiais durante uma blitz. Segundo eles, os agentes praticaram tortura com faca e isqueiro, roubo, humilhação e ameaça prática.

domingo, 20 de dezembro de 2015

Vídeo flagra policiais militares agredindo casal

Domingo, 20 de dezembro de 2015
Vladimir Platonow - Repórter da Agência Brasil *
Dois policiais militares foram flagrados agredindo um casal em uma favela de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Uma gravação feita com celular mostra a dupla de PMs batendo em um homem e uma mulher caídos ao chão, do lado de fora da casa onde moram, na Favela Pantanal. As cenas teriam sido gravadas no último sábado (19) e divulgadas neste domingo (20).
Em nota, a Polícia Militar admitiu a agressão e informou que os policiais foram suspensos de atividades externas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Estudantes pedem melhora na educação. Governo Alckmin manda bomba

Quarta, 9 de dezembro de 2015 
PM utiliza bombas de gás lacrimogêneo em protesto pedindo melhora na educação
Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil
A Polícia Militar (PM) utilizou bombas de gás lacrimogêneo durante confronto, por volta das 21h, com manifestantes que faziam um protesto reivindicando melhorias na educação pública e que percorreu ruas do centro da capital paulita. O grupo, que se reuniu no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), às 18h seguiu em passeata pela Avenida Paulista no sentido Rua da Consolação.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Chacina: Não houve confronto entre policiais e os cinco jovens mortos no Rio, diz delegado

Terça, 8 de dezembro de 2015
Da Agência Brasil
Ao contrário da versão dos policiais militares acusados de matar cinco jovens em Costa Barros, na zona norte do Rio, no último dia 28, o delegado titular da 39ª Delegacia de Polícia (DP),  Rui Barboza, responsável pelas investigações, afirmou que não há evidências de confronto no dia da morte dos rapazes.

MPD: Nota pública de repúdio à repressão violenta aos estudantes de São Paulo

Terça, 8 de dezembro de 2015
Do MPD
Movimento do Ministério Público Democrático
Nota Pública de repúdio à repressão violenta aos estudantes de São Paulo
O MPD – Movimento do Ministério Público Democrático, entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre os seus objetivos sociais o respeito absoluto e incondicional aos valores político-jurídicos próprios de um Estado Democrático de Direito, vem a público, em virtude dos fatos ocorridos nos últimos dias, repudiar veementemente a repressão policial violenta contra de estudantes do ensino médio em São Paulo que se manifestavam contra a reorganização escolar e fechamento de escolas, em apoio aos estudantes paulistas e paulistanos nos seguintes moldes:

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Categoria responde ao ataque fortalecendo a greve

Segunda, 9 de novembro de 2015
Meg e Oton saída da delegacia
No dia 28 de outubro, os professores do Distrito Federal, em greve, estavam fazendo uma manifestação no eixo rodoviário, uma das principais avenidas de Brasília. Era a atividade que fazia parte do calendário aprovado pelo comando de greve. As ruas foram parcialmente fechadas e quando foi feito um acordo com o comando da Polícia Militar para encerrar o ato, e os professores estavam de saída, o BOPE chegou atirando balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo numa batalha campal. Professores foram arrancados de seus carros com violência pela PM e cinco foram presos, além de dois rodoviários que pararam os ônibus em solidariedade. Entre os presos, estava Meg Guimarães, diretora do Sinpro (sindicato da categoria) e Vice-Presidente da CUT DF, militante da  Corrente O Trabalho.
A resposta dos professores, diante da repressão promovida pelo Governador Rollemberg (PSB), foi a de fortalecer a greve. A população ficou impressionada com a dura agressão. O governador falou em tirar o comandante da PM, mas depois voltou atrás.
No dia 30 de outubro, ocorreu uma das maiores assembleias da categoria, com mais de 12 mil professores. Meg destacou que a agressão aos professores com prisão é uma forma de criminalizar o sindicato e atacar as organizações dos trabalhadores, e que a melhor forma de combater essa política seria maior unidade da categoria até a conquista da pauta apresentada, fortalecendo os piquetes em cada escola e cada regional.
Fonte: CUT Independente e de Luta — Texto originalmente publicado no jornal O Trabalho ed. 776 otrabalho.org.br 

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Parlamentares do Rio vão ao Ministério Público pedir que o caso do garoto Eduardo não seja encerrado

Sexta, 6 de novembro de 2015
Autor do cartoon: Latuff
Resultado de imagem para latuff favela
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Vinicius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Terezinha Maria de Jesus, mãe do menino Eduardo de Jesus, 10 anos, morto na quinta-feira (2) atingido por uma bala perdida, participa de protesto no Complexo do Alemão (Tomaz Silva/Agência Brasil)
Rio de Janeiro - Terezinha Maria de Jesus, mãe do menino Eduardo de Jesus, 10 anos, morto atingido por uma bala perdida —Tomaz Silva/Agência Brasil
Parlamentares do Rio de Janeiro no Senado Federal e na Câmara dos Deputados vão pedir ao procurador-geral do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Marfan Vieira, para que as investigações sobre o assassinato do menino Eduardo de Jesus, de10 anos, não sejam encerradas. Nesta semana, o caso foi considerado legítima defesa pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Audiência pública, nesta sexta (6), no Senado, sobre a crise do GDF com servidores


Quinta, 5 de novembro de 2015
Do Sinpro/DF
A Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal irá realizar, nesta sexta-feira (6), às 9h, audiência pública para debater uma saída para a crise do Governo do Distrito Federal (GDF) e apontar soluções para a atual situação da educação na capital do país.
A audiência pública é resultado do esforço das lideranças sindicais do Movimento Unificado em encontrar uma solução para os vários impasses criados pelo governo Rollemberg com o funcionalismo público. A iniciativa é do senador Hélio José (PSD-DF) em razão da ação do Batalhão de Operações Especiais Policiais (Bope), no dia 28 de outubro, contra os professores que realizavam ato público pacífico no final dos Eixos Rodoviários Sul e Norte. O senador convocou a audiência pública por entender que o GDF exacerbou na ação contra os manifestantes com “uso da força e de produtos químicos para dispersão”.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Por uma terceira polícia

Terça, 27 de outubro de 2015
(Do Blog) - A propósito do incidente ocorrido na porta de uma delegacia da Zona Leste de São Paulo, na madrugada de quarta-feira, a imprensa chama a atenção para o "agravamento da rixa" entre policiais civis e militares de São Paulo.
A questão por trás do fato não é essa, mas sim o que se seguiu a um primeiro gesto, emblemático, de um delegado de polícia, no sentido de fazer valer a lei e combater a tortura, que é crime hediondo, dando voz de prisão, em flagrante, a um sargento da PM, acusado de dar uma série de choques em um suspeito de roubo dentro da viatura a caminho da  delegacia, e a reação de um bando de PMs, em sua defesa, que foi, na verdade, a defesa da parte mais visível de um gigantesco iceberg de cultura da violência e do genocídio, caracterizado pela onipotência dos agentes de segurança no Brasil, que se acham no direito de tratar, como a um animal de caça ou de sua propriedade, qualquer pessoa  que venha a cair sob sua custódia, em uma situação de "trabalho".
Chama a atenção, também, o fato de que, na Câmara dos Deputados, circulem projetos destinados a dar à PM poder de investigação, e que, por iniciativa do Secretário de Segurança de SP, Alexandre de Moraes, pms estejam sendo  dispensados de aguardar, em casos mais simples, a conclusão de Boletins de Ocorrência por parte de delegados.
Ora, o que o Brasil precisa não é de uma legislação que divida ainda mais as diferentes  polícias, dando mais poder a cada uma delas, mas de uma nova polícia, unificada, judiciária, com a presença de um juiz em cada delegacia, para que se proceda à audiência de custódia, no momento do encaminhamento  do preso pelos agentes responsáveis pela prisão, com o rígido cumprimento do exame de corpo de delito.
Como é simplesmente impossível,  diante de fatos como esse, unificar as polícias já existentes em todos os estados, deveria ser criada, por decreto, essa nova polícia, responsável pelo policiamento ostensivo - nos primeiros anos de carreira - e depois, pela investigação, a partir da estruturação de um novo sistema acadêmico, com uma nova filosofia, baseada, fundamentalmente, no mais estrito cumprimento da lei, e suspender a realização de concursos para a Polícia Civil e Militar, até que estas viessem a se extinguir naturalmente, em uma geração, sendo progressivamente substituídas em suas atribuições, por essa nova força.
No intervalo,  poder-se-ia avançar na federalização dos crimes de tortura, sejam esses cometidos por policiais ou por bandidos, a cargo da Polícia Federal, e, se isso não for possível, na criação de delegacias específicas para a investigação desses delitos, com a presença - aí, sim, mista - de membros das corregedorias da Polícia Civil e da Militar, em todos os estados.
Sejamos claros. O que ocorreu em São Paulo não foi uma "rixa". Foi uma tentativa, combatida pelo mais reles corporativismo, de se fazer cumprir a Lei e a Constituição. Um corporativismo cada vez mais desatado e incontrolável, que ameaça a sociedade e o Estado de Direito como um todo e que deveria ser enfrentado de frente, com coragem e com mão firme, e não da forma covarde, escorregadia e ambígua, demonstrada, na entrevista que se seguiu ao "incidente", pelas autoridades do Estado.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Execuções filmadas em SP: Polícia encerra investigação e pede prisão de 5 dos 11 PMs envolvidos em duas mortes

Terça, 6 de outubro de 2015
Da Ponte — Direitos Humanos, Justiça, Segurança Pública
Apesar das imagens de câmeras de segurança, PMs disseram ter atirado em rapaz preso ao sair de lixeira quando ele tentou pegar arma de militar; em outra morte, policiais afirmaram que jovem jogado de telhado atirou contra eles
O DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, concluiu nesta segunda-feira (05/10) o inquérito policial sobre os homicídios de Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, e Fernando Henrique da Silva, 23, mortos a tiros após terem sido presos por policiais militares, na tarde de 7 de setembro, no bairro do Butantã (zona oeste de São Paulo).
Na conclusão do inquérito, o DHPP pediu à Justiça a decretação da prisão preventiva (até o julgamento) de cinco dos 11 policiais militares envolvidos direta ou indiretamente nas mortes de Oliveira e de Silva e que estão presos temporariamente _por 30 dias_ desde a revelação de imagens das capturas e mortes dos dois homens.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

“A polícia é covarde, é assassina e se esconde atrás da farda”, diz mãe de jovem jogado do telhado e morto por PM

Terça, 22 de setembro de 2015
Da Ponte
ClesaMaeFErnandoHenrique
Neta de policial militar, Cleusa Glória da Silva, diz que pensou em também ser policial, mas que graças a Deus não seguiu essa carreira de lixo” 
Em  vídeo gravado com exclusividade para a Ponte Jornalismo, Cleusa Glória da Silva, mãe do jovem Fernando Henrique que foi jogado de um telhado e, depois de dominado, morto a tiros por policiais militares, na tarde de 7 de setembro, alerta que o crime não vai ficar impune e que não adianta ameaçá-la, porque ela não tem “medo de polícia corrupta”.
O assassinato de Fernando foi a segunda monstruosidade, nas palavras dela, que sofreu pelas mãos da Polícia Militar. A primeira foi aos 17 anos, quando foi violentada por um sargento da PM, em Belo Horizonte. Desse estupro, nasceu um menino, que 18 anos depois veio a ser assassinado também por policiais militares.

No vídeo, Cleusa conta como foi o ato de violência sexual que sofreu, diz que não vai deixar a morte de seu filho impune, revela que queria ser policial como o avô, mas que graças a Deus não seguiu essa carreira de lixo”, diz que “a polícia militar é covarde, assassina e que se esconde atrás da farda.”

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Mais 6 PMs de SP são presos por armar farsa para encobrir execuções de 2 jovens

Segunda, 14 de setembro de 2015
Ao todo, 11 PMs estão presos por render, soltar e depois atirar contra dois jovens, na tarde de 7 de setembro, no bairro do Butantã. Imagens de câmeras de segurança e de telefone celular desmontaram farsa armada por militares para tentar encobrir execuções
A Justiça Militar decretou nesta segunda-feira (14/09) a prisão de mais seis policiais militares de SP envolvidos em uma farsa _dividida em dois capítulos_ para tentar encobrir as execuções de dois jovens, no bairro do Butantã, zona oeste de São Paulo.  Agora, ao todo, são 11 PMs presos pelas duas mortes.

Paulo Henrique Porto de Oliveira, 18 anos, e Fernando Henrique da Silva, 23, foram mortos a tiros por PMs  dos 23º e 16º batalhões, na tarde de 7 de setembro.

Os PMs presos nesta segunda-feira têm relação direta com a morte de Fernando da Silva. Imagens gravadas com um telefone celular mostram que o rapaz, assim como o amigo Paulo, foi rendido pela Polícia Militar antes de ser morto com quatro tiros (abdômen, lombar, virilha e mão esquerda, o que indica tentativa de defesa).
Caramante
Fernando Henrique da Silva tinha 18 anos e foi jogado do alto de um telhado por um PM. Depois da queda, ele foi baleado quatro vezes por outros PMs

Fernando da Silva foi detido por um PM da Rocam (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) em um telhado e, depois de ser totalmente dominado, foi jogado de uma altura de oito metros. Após a queda de Fernando, é possível ouvir o barulho de tiros.

Na versão que começa a ser desmontada agora pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), da Polícia Civil, os PMs Flavio Lapiana de Lima e Fabio Gambale da Silva, ambos com 33 anos de idade e da 4ª Companhia do 16º Batalhão da PM, disseram o seguinte:

“Na rua Maria Burgueta Marcondes Pestana, nº xx, os militares foram informados pela moradora que um indivíduo [Fernando Silva] havia entrado na residência. Os militares [Lapiana e Gambale] entraram na casa e, neste momento, o indivíduo, vindo da casa vizinha, pulou no quintal da casa onde os policiais militares estavam. O indivíduo disparou em direção ao policial Lapiana. Os policiais foram obrigados a disparar contra o indivíduo.”

Os PMs Lapiana e Gambale também disseram à Polícia Civil que Fernando da Silva usou uma pistola 9mm para atirar contra ambos, mas os investigadores acreditam que a arma foi plantada junto ao corpo do rapaz da mesma maneira como outros PMs foram filmados fazendo com Paulo Oliveira, morto perto da lixeira onde havia se escondido.

Além de Lapiana e Gambale, também foram presos pela farsa na morte de Fernando da Silva os PMs Angelo Felipe Mancini, Paulo Eduardo de Almeida Hespanhol, Samuel Paes e João Maria Bento Xavier.

À polícia, a moradora da casa onde Fernando Silva foi morto disse que não viu a ação dos PMs e que apenas ouviu os tiros em sua propriedade.

Na sexta-feira (11/09), outros cinco PMs haviam sido presos após a revelação de imagens de câmeras de segurança que mostraram que Paulo Oliveira, 23 anos, amigo de Fernando da Silva, foi morto quando também estava rendido. O rapaz se rendeu após ter se escondido em uma lixeira comunitária.

Pela versão que apresentaram à Polícia Civil, os PMs Tyson Oliveira Bastante, 26 anos, e Silvano Clayton dos Reis, 31, ambos da 3 Companhia do 23 Batalhão da PM, assumiram ter atirado contra Paulo Henrique. Outros três PMs que deram cobertura aos dois _Mariani de Moraes Figueiredo, Silvio André Conceição e Jackson Silva Lima_ também estão presos.

Paulo Oliveira e Fernando da Silva, segundo os PMs envolvidos em suas mortes, eram perseguidos porque eram suspeitos de tentar roubar uma moto. Ao ser interrogado pela polícia, o dono da moto disse que os dois jovens não estavam com armas de fogo. Os jovens estariam com uma faca.

Os PMs envolvidos na perseguição, captura e morte de Paulo Oliveira e Fernando Silva também disseram à Polícia Civil que os dois chegaram a atirar contra carros da Polícia Militar durante a fuga, mas um homem que teve seu carro atingido por uma leve batida durante a perseguição disse não ter visto se os jovens atiraram na direção dos PMs. O motorista disse apenas ter visto a moto com os dois rapazes, na contramão da rodovia Raposo Tavares, e um carro da PM atrás deles.
 
A primeira farsa descoberta

PMs algemaram Paulo Oliveira, o soltaram, levaram para um muro, o deitaram no chão e atiraram duas vezes contra o peito dele.

Depois de atirar contra Paulo Oliveira, um PM vai até um carro da polícia, pega uma pistola no banco traseiro, aciona o rádio para comunicar a central da corporação sobre um tiroteio e volta até o corpo do jovem, onde coloca a arma retirada de dentro do veículo.

Pela versão que apresentaram à Polícia Civil, os PMs Tyson Oliveira Bastante, 26 anos, e Silvano Clayton dos Reis, 31, ambos da 3 Companhia do 23 Batalhão da PM, assumiram ter atirado contra Paulo Henrique. Outros três PMs que deram cobertura aos dois também estão presos.
Caramante
Paulo Henrique Porto de Oliveira, 23 anos, foi morto por PMs de SP após ser rendido

O passo a passo da execução de Paulo Henrique Porto de Oliveira (siga pelo timer em preto):

14:10:47 – Paulo passa correndo, no alto da imagem, e entra na lixeira que está atrás da árvore
14:11:43 – Paulo começa a se preparar para sair da lixeira. Ele levanta a tampa algumas vezes
14:12:15 – Paulo sai da lixeira, com as mãos para o alto, tira a blusa e a camiseta. Veste novamente a camiseta, senta no chão, levanta as mãos para o alto novamente. Vira de bruços, levanta mais uma vez as mãos para o alto. O rapaz deixa com o rosto no chão.
14:12:45 – O rapaz vira de barriga para cima e, ainda deitado, estica os braços para cima.
14:13:36 – O primeiro PM se aproxima de Paulo, que segue deitado no chão. O militar está com a arma empunhada. Ao lado, uma policial também ajuda a render o rapaz, assim como um PM da Rocam (Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas).
14:13:58 – Paulo é algemado pelo primeiro PM que chega perto dele.
14:15:03 – Uma moto com um soldado da Rocam e dois carros da PM chegam para auxiliar os PMs que já renderam Paulo.
14:15:21 – Quatro PMs cercam Paulo, que está algemado de bruços no chão.
14:15:30 – O mesmo PM que algemou Paulo se abaixa e o libera das algemas.
14:15:10 – Com a ajuda de um PM, que o segura pela mão, Paulo é colocado sentado perto do muro.
14:15:45 – Auxiliado por um PM, que o segura pelas duas mãos, Paulo é levantado e colocado em outro canto do muro, dessa vez atrás de um poste.
14:18:30 – PM faz sinal para alguém se afastar da cena do crime.
14:18:33 – Paulo é baleado duas vezes, no peito, e começa a se debater.
14:18:36 – PM que ajuda atirar em Paulo corre até carro da polícia, abre a porta traseira esquerda, pega uma pistola, coloca o carregador, abre a porta dianteira esquerda, fala algo no rádio e volta correndo até o corpo de Paulo, onde a arma é colocada.

A reportagem não conseguiu localizar os advogados de defesa dos 11 PMs presos pelas mortes de Paulo Oliveira e Fernando da Silva.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Ato pede elucidação de chacina que deixou 19 pessoas mortas em São Paulo

Sexta, 28 de agosto de 2015
https://www.facebook.com/ONGRiodePaz/photos/a.10152117484209574.1073741827.142017469573/10153721187539574/?type=1&theater
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Fernanda Cruz – Repórter da Agência Brasil
Voluntários da organização não-governamental (ONG) Rio de Paz fizeram um ato, por volta das 8h de hoje (28), em solidariedade às famílias das 19 pessoas assassinadas em chacina que ocorreu no último dia 13 nas cidades de Osasco e Barueri. Os ativistas colocaram 19 sacos pretos com os nomes das vítimas sobre a calçada em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) para chamar a atenção de quem passava pelo local. Os voluntários também se vestiram de preto e se amordaçaram.
Esse é o segundo ato promovido pela ONG que, na semana passada, fez manifestação semelhante, no mesmo local. Cláudio Nishikawara, voluntário da Rio de Paz, que coordena o ato, diz que o objetivo é alertar sobre o que acontece nas periferias e com a população pobre. “Estamos cobrando das autoridades uma elucidação rápida. Já são duas semanas e nós não sabemos nada sobre o que aconteceu. Nada está claro”, declarou.