Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 22 de junho de 2018

GDF: Sobra dinheiro. Falta gestão

Sexta, 22 de junho de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Foto de Marta Crisóstomo Rosário
Relatórios e pareceres apontam que na administração de Rodrigo Rollemberg, o GDF deixou de usar centenas de milhões de reais alocados pela União para áreas como Saúde, Educação, Meio-ambiente, transporte e até Segurança Pública.

Por Chico Sant’Anna
Desde o início do atual Governo, o discurso tem sido único, no sentido de que faltam recursos para uma gestão mais produtiva e realizadora. Chegando ao término do mandato, relatórios e pareceres de diferentes organismos revelam que o GDF tem sido incompetente na execução de projetos, principalmente de convênios, deixando de usar recursos repassados pela União para diferentes setores. O desperdício se revela em áreas sensíveis como Educação, Saúde, Mobilidade e Segurança Pública. A não execução desses projetos, além de privar a população de Brasília de melhores serviços públicos, deixa de gerar renda e novos empregos numa cidade onde o desemprego ultrapassa a casa das 320 mil pessoas.
Já registramos aqui a não execução de um convênio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, no valor de R$ 80 milhões, para a construção de 56 creches. A cidade vivencia um déficit de 25 mil vagas para crianças com menos de 5 anos de idade e estas escolas poderiam suprir mais da metade desta demanda. Em meio turno elas abrigariam 13 mil crianças.
    Saúde

    Recente relatório do Fundo Nacional de Saúde – revelado pelo portal Metrópoles – traz a triste realidade de que a secretaria de Saúde deixou de executar, em 2017, R$ 330,2 milhões. Montante suficiente para a construção de 50 UPAs ou a aquisição de 100 aparelhos de ressonância magnética.

    terça-feira, 3 de outubro de 2017

    Carta Aberta ao governador Rollemberg

    CARTA ABERTA 

    Ao Governador do Distrito Federal

    As Entidades da Sociedade Civil do Distrito Federal, ao final elencadas, vêm manifestar EXTREMA PREOCUPAÇÃO E A NECESSIDADE DE DIÁLOGO a respeito de ações e propostas que exigem reflexão e redirecionamento por parte do Governo do Distrito Federal, a saber: 


    1. DEFICIÊNCIA NAS POLÍTICAS PÚBLICAS – A inexistência e/ou deficiência de Políticas Públicas em diversas áreas tem causado prejuízos ao erário público e danos profundos ao meio ambiente e à sociedade. Merecem destaque as áreas de planejamento territorial e urbano; educação; saúde; segurança pública – o aumento da criminalidade é crescente com a redução do efetivo e de seu aparelhamento; resíduos sólidos - a falta de coleta seletiva e de coleta eficiente em áreas públicas contribui para a contaminação dos recursos hídricos; e infraestrutura - o planejamento e investimentos de médio e longo prazos nos sistemas de abastecimento de água potável, de drenagem pluvial, de coleta e tratamento de esgotos sanitários e no sistema de energia evitariam a crise na gestão hídrica, saturação das Estações de Tratamento de Esgotos, possibilitariam a compra de outros carros para o metrô e reduziriam problemas de inundações com a chegada das chuvas;

    2. INEFICIÊNCIA NA GESTÃO HÍDRICA- Ausência de ações governamentais efetivas para a proteção e recuperação de nascentes, cursos d’água e captação das águas das chuvas. No primeiro dia de chuva (27 de setembro) os pluviômetros instalados em diversos pontos do DF registraram a média de 9 mm, isto é, 9 litros por metro quadrado. De acordo com cálculos aritméticos, apenas nesse dia, o DF recebeu 53 bilhões e 280 milhões de litros de água. Houve alguma preocupação e ações por parte dos organismos públicos para mobilizar a população no sentido de iniciar a captação de águas da chuva durante o próximo período pluvial?

    3. FALTA DE VISÃO INTEGRADA DO DISTRITO FEDERAL, onde os espaços rurais e urbanos e unidades de conservação têm sido vistos de forma estanque. Isso impede a inserção oficial no planejamento e gestão TERRITORIAL e AMBIENTAL das áreas peri-urbanas, que são essenciais como corredores ecológicos, zonas de tamponamento de áreas protegidas e de oferta de serviços ambientais. Ao mesmo tempo, inviabiliza o cumprimento dos zoneamentos ambientais, planos de manejo das unidades de conservação federais e distritais e a implementação das zonas obrigatórias da Reserva da Biosfera do Cerrado definidas pela UNESCO dentro do Programa O Homem e a Biosfera (Man and Biosphere) e seu Plano de Ação (Plano de Lima);

    4. PERDA DE ÁREAS RURAIS – significativas áreas rurais, importantes para o abastecimento do DF estão sendo invadidas pelos loteamentos promovidos pela TERRACAP e pelo sistema de grilagem em todo o território. Essa situação é fruto da ausência de um processo permanente de planejamento e de controle da ocupação e uso do território do Distrito Federal, e pela ineficiência em regularizar espaços rurais;


    5. INEFICIÊNCIA NA MOBILIDADE URBANA – Projetos e obras têm favorecido o transporte individual motorizado, em detrimento do transporte coletivo, de ciclovias e calçadas. Na contramão da sustentabilidade urbana, acontecem obras como o Trevo de Triagem Norte (TTN), adiando indefinidamente investimentos em novas linhas de metrô e outras modalidades condizentes com a eficiência que a cidade requer;

    6. FALTA DE ROTINA DE RESTAURAÇÃO, CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL, como a Vila Planalto, monumentos, edifícios públicos, viadutos, tesourinhas e espaços de uso público em geral, deixando, muitas vezes, a comunidade em risco: calçadas quebradas e sinalização de faixas de pedestres, vias e ciclovias completamente desgastadas e apagadas;

    7. FALTA DE PLANO DIRETOR DE ARBORIZAÇÃO URBANA E PLANO DISTRITAL DE ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS– A ausência do primeiro, associado a um manual de podas mais rígido e atualizado tem gerado podas drásticas e mutilações de árvores, tornando as cidades inóspitas, sem arborização, verdadeiras “ilhas de calor”. No caso do Conjunto Urbanístico de Brasília, a falta do Plano de Arborização fragiliza a Escala Bucólica, característica fundamental da cidade-parque. Com relação às mudanças climáticas, são necessárias ações efetivas para “esverdear as áreas urbanas” o mais rápido possível;

    8. PROJETOS DE ADENSAMENTOS POPULACIONAIS - Continuam a ser apresentados sem o devido dimensionamento da demanda e dos imóveis vazios, desconsiderando a grave situação hídrica em que se encontra o DF. Esses projetos certamente agravarão a situação de outros sistemas de infraestrutura urbana. Caso emblemático é o projeto do Setor Taquari 1- trecho 2, previsto na Bacia do Lago Paranoá, dentro da unidade de conservação APA do Paranoá e inserido na Área de Tutela do Conjunto Urbanístico de Brasília tombado;

    9. PROJETOS DE GRANDE IMPACTO NO MEIO AMBIENTE, ÁREA URBANA E SÍTIO TOMBADO – Diversos projetos vêm sendo tratados pontualmente, inclusive à revelia da elaboração da Lei de Uso e Ocupação do Solo - LUOS e do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB. São Parcerias Público-Privadas (PPP) para projetos como a Via Transbrasília (antiga Via Interbairros); Autódromo; Parque da Cidade e Centro de Convenções; proposta da Cidade Aeroportuária; obras em execução do Trevo de Triagem Norte; ocupações na Orla do Lago Paranoá; regulamentação de puxadinhos nos comércios locais sul e norte; Plano de Uso e Ocupação do Setor de Recreação Pública Norte – SRPN; PLC de Concessão de uso de áreas públicas, PLC da Compensação Urbanística e Lei da Permeabilidade, entre outros;

    10. FALTA DE INFORMAÇÕES, INDEFINIÇÕES E PENDÊNCIAS sobre importantes questões, como a desapropriação e destinação para o prédio do Touring; a Quadra 500 do Setor Sudoeste, cujo projeto contraria o documento Brasília Revisitada de Lucio Costa e destruirá 14 hectares remanescentes de Cerrado; a desapropriação e retirada do tapume do lote 35 (RUV), no Comércio Local da Quadra 207 Sul, cuja solução permanece adiada mesmo após decreto do governador que declara o lote de Utilidade Pública e autoriza a desapropriação da área, entre outras;


    11. LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO (LUOS) – Ao contrário da informação inicial de que a LUOS apenas consolidaria a legislação vigente, a proposta apresentada traz alterações de uso do solo e outras intervenções nas áreas urbanas. Não foi divulgado o acréscimo populacional decorrente da LUOS para uso habitacional, atividades comerciais, de prestação de serviços e industriais, bem como os estudos técnicos que comprovam a viabilidade das alterações propostas, especialmente nas regiões inseridas na Área de Tutela do Conjunto Urbanístico de Brasília, que corresponde à Bacia do Lago Paranoá. NÃO FOI DIVULGADO QUADRO COMPARATIVO entre as atuais normas de uso e ocupação do solo e as propostas pela LUOS. De acordo com as legislações federal e distrital de obrigatoriedade da transparência das ações de governos, o cidadão tem o direito de saber o que determina a legislação atual e o que vai mudar na sua rua e em seu bairro;

    12. PLANO DE PRESERVAÇÃO DO CONJUNTO URBANÍSTICO DE BRASÍLIA (PPCUB) – Ao contrário da informação inicial de que seria elaborado um NOVO PPCUB, fundamentado na premissa da preservação, a proposta em elaboração está se apresentando como mais uma das muitas revisões já realizadas no PPCUB do governo anterior, rejeitado veementemente pela sociedade. A metodologia e o texto-base permanecem os mesmos, com poucas alterações. Paralelamente, é preciso que o GDF adote providências junto ao IPHAN para resolver o conflito jurídico que a Portaria 166/2016 do IPHAN está provocando, por colidir com normas de uso e gabarito vigentes para a área tombada, com a Portaria 314/1992 do IPHAN, que regulamenta o tombamento de Brasília, e com o Decreto Distrital 10.829/1987, que dispõe sobre sua preservação. A Decisão 41/2017 do Comitê do Patrimônio Mundial da UNESCO recomenda que se inicie um debate aberto com a sociedade sobre a Portaria 166 e que seja eventualmente revisada para fortalecê-la como um instrumento de preservação. Sem isso, o PPCUB poderá se tornar mais um dos instrumentos a conflitar com a Portaria 166, agravando ainda mais o quadro de vulnerabilidade em que se encontra a proteção do Conjunto Urbanístico de Brasília.Nesse contexto, e considerando também as muitas ações pontuais com impacto na área tombada (ver item 9), faz-se necessário que o GDF esclareça o que a sociedade pode esperar do PPCUB;

    13. GESTÃO DO CONJUNTO URBANÍSTICO DE BRASÍLIA – É urgente a reestruturação administrativa do Governo do Distrito Federal para o FORTALECIMENTO INSTITUCIONAL DA PROTEÇÃO DE SEU PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO, mediante a criação de órgão distrital específico para esse fim, incluindo a gestão do Conjunto Urbanístico de Brasília. Essa providência solucionará a fragmentada gestão de nosso patrimônio, que foi registrada no Relatório da Missão da UNESCO de 2012: Para resumir, a estrutura administrativa atual não é eficiente para a conservação do Plano Piloto. Apesar da SEDHAB (atual SEGETH) ser a Agência Governamental do Distrito Federal que tem intervenção direta em tudo relativo à conservação do Plano Piloto que dependa de emissões, outras repartições podem tomar decisões que afetem a área inscrita de maneira positiva ou negativa. Nesse sentido, as Decisões 36/2012 e 37/2013 do Comitê do Patrimônio Mundial recomendaram prioridade na criação e colocação em prática de uma estrutura central de gestão. Entende-se que deverá ser um órgão independente, com quadro técnico qualificado e permanente, em diálogo constante com os demais órgãos e segmentos envolvidos;

    14. DESCUMPRIMENTO DA ORIENTAÇÃO DO MPDFT para dar PRECEDÊNCIA à aprovação do Zoneamento Ecológico e Econômico do Distrito Federal (ZEE/DF) relativamente à aprovação da revisão do Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT-DF), bem como à aprovação da LUOS e PPCUB. As diretrizes do ZEE/DF certamente trarão propostas de modificações no macrozoneamento do PDOT-DF. Isso porque o instrumento considera todos os zoneamentos ambientais das unidades de conservação, suas zonas de amortecimento e possíveis corredores ecológicos que podem interligar essas áreas protegidas. E, cabe destaque, à Reserva da Biosfera do Cerrado, que é um programa da UNESCO. Logo, espera-se que o ZEE/DF indique a capacidade de suporte dos sistemas hídricos, a partir da definição de limites de densidade populacional nas bacias hidrográficas e estabeleça as vulnerabilidades físico-bióticas. Por conseguinte, acredita-se que haverá alterações e restrições ao uso e ocupação do solo, lembrando que as condicionantes acima não foram tratadas no atual PDOT-DF.


    Brasília, 02 de outubro de 2017

    Conselho Comunitário da Asa Sul – CCAS

    Conselho Comunitário da Asa Norte – CCAN

    Prefeitura Comunitária da Península Norte

    Associação dos Moradores do Lago Sul

    Prefeitura Comunitária

    Conselho Comunitário do Lago Sul

    Fórum das ONG Ambientalistas do DF e Entorno

    Frente Comunitária do Sítio Histórico de Brasília e Distrito Federal

    Prefeitura do Centro de Brasília

    Associação Parque Ecológico das Sucupiras – Setor Sudoeste

    Associação Park Way Residencial

    Movimento Cidadão do Park Way

    Associação dos Moradores e Amigos da Região do Parque Ecológico do Córrego Seco – AMAC – Park Way

    Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal – IHG/DF

    Associação dos Produtores do Núcleo Rural de Taguatinga – APRONTAG

    Movimento Urbanistas por Brasília

    Movimento Nós que Amamos Brasília

    Movimento Transparência HACKER

    Movimento O Verde é Nosso

    quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

    2017 e a penúltima etapa da viagem de um governo kamikaze chamado Rollemberg

    Quarta, 18 de janeiro de 2017

    O governador precisa decidir se reassume o comando do Buriti


    O governo de Rodrigo Rollemberg (PSB) se assemelha a um grande trem desgovernado. Ele precisa contar com a sorte para que os passageiros cheguem com segurança até o fim da viagem. Não será uma missão fácil.

    Desde o início desta gestão, o que a população tem percebido e comentado é que o governador sempre decide seguir o caminho mais cruel. No início, era fácil justificar as ações pela "grande crise econômica jamais vivida pelo Distrito Federal”. Este discurso, no entanto, foi desfiando e já se esgotou. Já deu.

    Nas ruas, é difícil ouvir alguém que esteja convencido de que a crise é o único problema. Para muitos, falta competência ao chefe do Executivo. Se não for de fato, ficará como de direito. Afinal, não há um acerto sequer de toda a equipe ao administrar as crises que não são exclusividades deste governo. Vários outros governantes já passaram pelos mesmos problemas e os exemplos mostram o que ocorreu.

    Só para argumentar, nossa cidade amanheceu com as passagens mais baratas novamente. Você assustou? É verdade. A decisão de recuar no reajuste não foi de longe algo pretendido pela atual equipe de governo. Pelo contrário. Quando a Câmara Legislativa se uniu para derrubar a decisão do socialista, demonstrou que deixou de lado a tradicional submissão daquele Poder com o Executivo e preferiu ouvir a voz das ruas. Parecendo um surdo, Rollemberg há tempos não sabe o que é ouvir.

    Com a arriscada estratégia de recorrer à Justiça, e judicializar seus “poderes”, o governador até conseguiu uma série de vitórias temporárias. Foi assim com o aumento dos servidores, aprovado por lei, mas que o socialista fez questão de suspender. Uma atitude para lá de arriscada, tendo em vista a grande quantidade de funcionários públicos que vivem no Distrito Federal. De lá, já ganhou muita antipatia, inclusive de eleitores. Isso só para registrar um exemplo.

    Quando tomou a decisão de reajustar as passagens de ônibus e metrô, Rollemberg confiou no poder de sua caneta. Assumiu o risco. Enfrentou a população, deu as costas para a Câmara Legislativa, que marcou a independência da atual gestão. Só que desta vez, não foi como o governo esperava.

    Sem dialogar, sem ouvir ninguém e sem querer aceitar a derrubada de seu decreto que aumentou as passagens do transporte pelo Legislativo, o chefe do Executivo acionou a Justiça, mas desta vez o roteiro seguiu outro rumo, Rollemberg bateu com a cara no muro. O desembargador Getúlio Moraes de Oliveira, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), pediu ajuda ao Conselho Especial da Corte, formado por mais 17 magistrados. Juntos, eles vão decidir se o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) aprovado pelos deputados distritais está de acordo ou não a Constituição.

    Mesmo ao contrariar uma de suas principais promessas de campanha, a de não reajustar as tarifas do transporte público, e de ser autor de projetos de concessão de passe livre para vários segmentos, o socialista investiu contra a vontade da população e de sua própria história. Rollemberg parece não ver e não ouvir. Assim tem perdido cada vez mais, a credibilidade que ainda lhe resta.

    Assim como outros inúmeros, o exemplo das tarifas serve apenas para ilustrar a falta de habilidade, de traquejo politico e de vontade da atual administração de tentar, ao menos, ouvir o que o povo tem a dizer. É um equívoco após o outro. A desconfiança ultrapassa o povo e começa a chegar dentro de órgãos de controle e até mesmo no Judiciário. Não é arriscado apostar na possível derrota jurídica do chefe do Executivo. Alguns desembargadores já sabem que há outras formas de atravessar essa crise.

    Se for derrotado na Justiça, será a prova que faltava para Rollemberg entender que sua gestão está descontrolada. Reverter a péssima imagem que assombra sua administração passa a ser quase um milagre. 

    O discurso de austeridade de Rollemberg a cada dia se desfazendo, já era. As promessas de equilibrar as contas são desmentidas a cada momento. Não se vê resultados práticos de gestão. Só há punições de todas as ordens para quem o colocou na principal cadeira do Distrito Federal. A vida útil política do governador parece que se aproxima do fim. 

    Não custa lembrar que o grande trem desgovernado está nessa montanha russa por um único motivo: o socialista, por mais irônico que pareça, está próximo demais de burocratas. Está longe o bastante de quem realmente lhe garantiu um voto de confiança: o povo.

    Administrar um território como o do Distrito Federal, ouvindo apenas pareceres técnicos ou mesmo a versão de quem apenas lucra com o suor do cidadão, é o maior equívoco de seu governo. O cidadão está carente de boas notícias. 

    Há quem aposte que os distritais já não querem responsabilidade sobre os rumos desse trem. O governador precisa decidir se reassume o comando do Buriti - e desenvolve o papel para o qual foi eleito - ou se, mesmo sem querer, tem trabalhado para entregar de vez a cabine de comando ao Legislativo local. Porque, pelo visto, a própria Justiça já não quer ser mais co-piloto dessa viagem kamikaze. Seria demais enterrar três Poderes de uma vez só. Para eles, um é o suficiente. Resta saber qual.

    terça-feira, 17 de janeiro de 2017

    Rollemberg prorroga pela quarta vez consecutiva o Estado de Emergência na Saúde

    Terça, 17 de janeiro de 2017
    O Governador Rollemberg vai prorrogar o estado de emergência até o fim do mandato?

    Do Blog do Sombra
    Por Chico Vigilante, deputado distrital PT/DF

    O DODF publicou nesta segunda-feira (16), em edição extra, decreto do governador Rodrigo Rollemberg prorrogando por mais 180 dias a situação de emergência no âmbito da Saúde Pública do Distrito Federal. Com mais essa prorrogação, a Saúde Pública brasiliense completa dois anos consecutivos em situação de emergência.

    Bloqueio do passe estudantil. Bloqueio do governo Rollemberg

    Terça, 17 de janeiro de 2017
    Como estratégia de propaganda para forçar o tarifaço das passagens de ônibus e metrô, o governador bloqueou o passe livre estudantil. Daqui a pouco, quem sabe, ele parte para bloquear o passe livre dos idosos. Deve imaginar que idoso não pode ficar andando de ônibus pra lá e pra cá em época em que muita gente está de férias.

    Já os estudantes, estão loucos para ver bloqueado o Rollemberg. Mas eles precisam saber que bloqueando o homem, o governo para totalmente. Na verdade, há quem jure que já vem travado há muito tempo. Desde janeiro de 2015.

    domingo, 15 de janeiro de 2017

    Que o governo é ruim, sabemos. Mas precisava ser tanto assim, Rollemberg? Está exagerando, moço! Obstetrícia do HRG também deve fechar

    Domingo, 15 de janeiro de 2017
    HRG — http://photos.wikimapia.org/ 

    Vergonha!!!!!

    Depois de fechar no ano passado o Pronto Atendimento Infantil (PAI) e também a Pediatria do Hospital Regional do Gama (HRG), o governo Rollemberg deve logo logo fechar a Obstetrícia. 

    O HRG, que já foi referência em vários tipos de atendimento e, inclusive, teve o título de Hospital Amigo da Criança, está sendo sucateado pelo atual governo. Não que outros que passaram pelo Buriti tenham dedicado a atenção que o HRG (e a população) merece e precisa. Mas o atual está exagerando na incompetência, na má administração, no caos.

    A intenção de fechar mais um setor do HRG está, para muita gente, de uma clareza cristalina. É uma estratégia de criar o caos para depois justificar a entrega de serviços às famigeradas OSs (Organizações Sociais) ou a outro tipo de privatização da saúde? Ou será pura e absoluta incompetência administrativa do governo de Brasília? 

    Se não for a primeira alternativa (a das OSs), será a segunda, a da absoluta incompetência em administrar o hospital, o sistema de saúde público. Por outro lado, se não estiver ocorrendo a total incompetência seria, então, a primeira alternativa apontada, isto é, sucatear para entregar às OSs ou PPPs (Parcerias Públicas com Picaretas é, normalmente, o melhor significado para PPPs)

    Na imagem abaixo temos a convocação de uma reunião no HRG, prevista para o próximo dia 24. Pauta real? O fechamento da Obstetrícia do Hospital Regional do Gama, que atende uma cidade com mais de 150 mil moradores, além, claro, de populações do Recanto das Emas, Riacho Fundo, e áreas de Goiás. E de Santa Maria também.

    Clique na imagem para melhor visualizá-la.

    A pauta oficial da reunião do dia 24 no HRG é: "Crise na Assistência Materno-Infantil na Região Sul". A Superintendência da Região de  Saúde Sul abrange o Gama e Santa Maria.

    Vejamos, então, a que ponto quer chegar o governo Rollemberg —isso, repita-se, depois de em 2016 fechar o Pronto Atendimento Infantil e a Pediatria— no que diz respeito ao setor de Obstetrícia do HRG. Antes de vermos isto, porém, citamos os atores que, pela convocação, devem participar da reunião: O superintendente da Região Sul (uma espécie de secretário da Saúde para aquela área), a Direção do HRG, a Coordenação da Neonatalogia da Região Sul (HRG e HRSM —Hospital Regional de Santa Maria), Coordenação de Enfermagem; Chefias da Neonatologia, da Ginecologia e da Enfermagem; representante do Conselho Regional de Saúde do Gama. Devem participar ainda os neonatologistas; obstetras; enfermeiras e técnicos de enfermagem. 

    Voltemos ao X da questão da reunião do próximo dia 24 de janeiro, lembrando, contudo, que o atual governador de Brasília já ultrapassou os dois primeiros anos de seu mandato. E que por isto já deveria há muito tempo ter tomado as providências para que sequer existisse a pauta da reunião aqui tratada. 

    A 'sintonia fina' que não há entre o governo de Brasília e a saúde pública

    Chamou-se de ‘perspectivas’ —como se pode ver na imagem— aos pontos de pauta.

    E no item I o que será tratado? Fechamento da Obstetrícia/HRG com transferência das equipes para o HRSM; ou

    II. Criar condições objetivas para sintonia fina de entendimento e cooperação Obstetra/Neo/ Enfermagem para fluidez do trabalho; até

    III. Contratação de novos Neonatologistas com possibilidade de escala mínima de 2 Neo/HRG e 2 Neo/HRSM (prazos e possibilidades). 

    Não precisa nem analisar o histórico, e o desprezo, do governo Rollemberg quanto às dificuldades, as carências, a penúria, enfrentadas pelo HRG, para se chegar a afirmar que a intenção do governo Rollemberg é —depois de já fechado o PAI (Pronto Atendimento Infantil) e a Pediatria do hospital— lacrar também a unidade de Obstetrícia do HRG.

    Depois...seja o que Deus quiser. Melhor (ou pior?), o que as OSs quiserem.

    Isto se o povo do Gama não se levantar contra a estupidez com que o GDF trata o HRG.

    P.S.: Um outro tipo de problema que se aponta, é o relacionado às escalas de serviço. Em determinados dias há muitos profissionais em atividade. Em outros, carência absoluta. Pacientes sem atendimento.

    sábado, 7 de janeiro de 2017

    Humberto Fonseca deixará secretaria de Saúde? E daí?

    Sábado, 7 de janeiro de 2017
    Na Varanda com Edson Sombra
    Pode até ser boato, fofoca, conversa de corredor ou veneno dos inimigos políticos

    Redação 

    Por que será que toda a vez que se fala na queda de um secretário há um grande alvoroço na cidade? Todos querem saber o motivo, quem será escolhido como substituto, todos os bastidores da decisão. Mas o que se nota é que nada muda, trocando ou não de secretario.

    Quer um exemplo? O ainda secretário de Saúde, Humberto Fonseca, que é sem dúvida um dos mais insossos que passaram pela pasta. Como bola da vez, é sobre ele os rumores do troca-troca no GDF. Mas convenhamos, além dos vistosos olhos claros, o que mais Fonseca fez que mereceu elogios? Nada.

    Sem poder de convencimento, sem autoridade, e para alguns dos seus críticos, sem credibilidade. Não mostrou para o que veio, nem por que se vai. Foi, sem dúvida, um dos mais apagados gestores que já se sentaram naquela cadeira no governo Rollemberg. Além de uma frieza sobrenatural quando comentava sobre as constantes mortes de pacientes por falta de estrutura mínima dos equipamentos de saúde do DF.

    segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

    Esse é um governo da mudança, sim senhor

    Segunda, 2 de janeiro de 2016
    Quem disse que o governo Rollemberg não é o governo da mudança está mentindo. Ele tem provado durante esses dois anos. Decide...e muda a decisão. Essa é uma das marcas do governo.

    Hoje mesmo ele demonstrou que é a mudança personificada. Em um único dia o governo Rollemberg mudou 2 vezes o passa livre estudantil.

    Primeiro desativou TODOS os cartões, alegando que é período de férias. Isso foi pela manhã desta segunda. Agora à tarde, muito antes de sequer o sol se pôr, para provar que é a mudança em mais alto grau, Rollemberg (ou seu governo, pelo DFTrans, sei lá) 'muda pra trás'. E reativa os cartões.


    Lembram de um personagem que contracenava com Chico Anísio em programa humorístico da TV Globo. Lembram do 'casa, descasa, casa descasa'? 


    Pois no governo Rollemberg é muda, desmuda, muda, desmuda, torna a mudar, desmuda novamente.

    E aí, vai descendo a ladeira no conceito do povo de Brasília. Já é zero para um bocado de gente. E cada vez mais fica ZERO. 

    Nesta segunda (2/1) tem manifestação na Rodoviária do Plano Piloto contra o tarifaço do governo Rollemberg, aquele governo que brasilienses dizem que é “uma merda”

    Segunda, 2 de dezembro de 2016

    Enquanto a barbeiragem, seguida de teimosia, cabeça dura, do governador Rollemberg permanecer prejudicando milhares de passageiros do transporte urbano de Brasília, manifestações acontecerão.

    A primeira ocorrerá nesta segunda (2/1), data em que começa a vigorar o aumento absurdo e injustificável das novas tarifas de ônibus e metrô. Na Rodoviária do Plano Piloto terá início às 17h30, horário em que o movimento de passageiros no local começa a aumentar.

    Na quarta (4/2), ainda na Rodoviária do Plano Piloto, a manifestação contrária às cagadas do 'Senhor Governador' quanto ao transporte público, terá início às 17 horas.

    Se o brasiliense já percebia o governo de Rollemberg como sendo "uma merda", isso antes do anunciado aumento abusivo das tarifas dos transportes públicos, imaginamos a essa altura qual seria uma das expressões mais usadas para qualificá-lo. Como alguma criança poderia ler esta postagem, a expressão será aqui omitida. Mas imaginem aí! 




    segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

    Governo incompetente!!!! Está removendo pacientes de home care para hospitais

    Segunda, 26 de dezembro de 2016

    Já começou a remoção, para hospitais, dos pacientes atendidos por home care. A informação é de que todos os pacientes que não tiverem decisão da Justiça garantindo-lhes a continuidade dos serviços, o governo Rollemberg fará a remoção para hospitais. 

    O GDF não pagou à empresa que dá o atendimento. Os servidores dessa empresa têm mais de dois meses que não recebem salários. 


    E o governador ainda sai por aí dizendo que não será conhecido por aquele que quebrou Brasília. Quebrar mais do que está quebrando?

    sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

    GDF: Bomba-relógio na previdência

    Sexta, 2 de dezembro de 2016
    “Com um novo desfalque, ele armou de vez uma bomba relógio que pode destruir a aposentadoria dos servidores públicos do Distrito Federal em médio e longo prazos”
    =======
    Do SindMédio/DF


    O governo Rollemberg age de forma temerária ao apresentar como única solução para a quitação de obrigações – sejam elas de qualquer natureza – outro saque do caixa do Fundo Previdenciário do Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF). “Com um novo desfalque, ele armou de vez uma bomba relógio que pode destruir a aposentadoria dos servidores públicos do Distrito Federal em médio e longo prazos”, aponta o presidente do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal (SindMédico-DF), Gutemberg Fialho.

    Diretoria do Sinpro-DF repudia retirada de dinheiro do Iprev para pagamento do funcionalismo

    Sexta, 2 de dezembro de 2016
    Do Sinpro/DF
    O governo Rodrigo Rollemberg (PSB) repete a atitude do ano passado e recorre ao patrimônio dos servidores públicos para pagar as dívidas e a Folha de Pagamento do Governo do Distrito Federal  (GDF).
    Em reunião extraordinária na manhã desta quinta-feira (1°/12), a Câmara Legislativa aprovou o Projeto de Lei Complementar nº 90/2016, do Executivo, que autoriza o governo local a reverter 75% do superávit técnico do Fundo Previdenciário do Distrito Federal (Iprev) em ações do BRB, para garantir o pagamento dos salários de servidores e outras despesas.
    O PLC foi aprovado com 17 votos favoráveis, seis contrários e uma abstenção. À proposta original do GDF foram acatadas quatro emendas modificativas e uma aditiva. A diretoria colegiada do Sinpro-DF condena a atitude e reprova o uso do superávit do Iprev para pagamento de salário.

    quarta-feira, 23 de novembro de 2016

    Governo 'socialista' (com aspas mesmo) de Rollemberg coloca a PM para acabar com vigília de aposentados no Buriti

    Quarta, 23 de novembro de 2016
    Do Sinpro/DF
    vigilia_23_11_2016
    Professores(as) aposentados(as) participantes da vigília no Palácio do Buriti foram cercados – nesta quarta-feira (23) – pela Polícia Militar, que tenta acabar com a manifestação pacífica.
    Sem argumentos ou disposição para negociar, a PM – por orientação do GDF – está impedindo que alimentos básicos cheguem aos(as)  aposentados(as) que realizam vigília no Palácio do Buriti. A ordem também é a de não deixar a volta daqueles(as) que saírem do acampamento por alguma razão, e asfixiar o movimento.

    terça-feira, 25 de outubro de 2016

    "O povo fala o que pensa e apoia o SindSaúde"; Sindicato denuncia sucateamento provocado no Hospital de Base (HBDF)

    Terça, 25 de outubro de 2016
    Por SindSaúde DF
    25/10/2016 

    A população do Distrito Federal se uniu aos servidores da Saúde na paralisação desta segunda (25), no Hospital de Base. Todos estão revoltados com a péssima gestão. Os pacientes denunciam a falta de servidores, de materiais e o sucateamento da Saúde.


    “Não tem remédio, não tem nada. Eu estive no Hospital da Ceilândia e nem água tem, nem papel higiênico. Se a gente faz o xixi, a gente passa a mão e passa na cabeça. Eu pergunto: o que você está fazendo, governador?”, indaga a cidadã. Veja abaixo: 


    O recado para o governador é apenas um: pede pra sair, Rollemberg! Outra cidadã afirmou: "se o governador não tem competência para administrar, que ele saia fora!". Assista abaixo: 


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    GDF esconde inúmeros colchões enquanto pacientes agonizam no chão

    25/10/2016 - 17:30 // Por SindSaúde DF
    Na paralisação desta segunda (24), o SindSaúde revirou o Hospital de Base e descobriu várias irregularidades. Inúmeros colchões foram encontrados na lavanderia e outro monte em um galpão próximo ao almoxarifado. Enquanto os pacientes ficam deitados no chão ou em macas desconfortáveis, o GDF esconde centenas de colchões empilhados, em local inapropriado, apenas para sucatear o material.

    “Com qual intenção a administração do Hospital de Base guarda esses colchonetes? Por que não substitui? Por que não dá um pouco mais de conforto ao paciente? Tem uma explicação aí. O sucateamento é, sim, provocado.”, afirmou Marli Rodrigues, presidente do SindSaúde. Imagens exclusivas no vídeo abaixo: 

    sábado, 15 de outubro de 2016

    Dizendo-se sem dinheiro, GDF já gastou R$ 51,6 milhões em publicidade

    Sábado, 15 de outubro de 2016
    Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
    gdf-propaganda-eleicao_conselho_tutelar
    A campanha para divulgar as eleições do Conselho Tutelar do DF consumiu R$ 497 mil.


    Por Chico Sant’Anna



    A $horadeira é geral.

    O martelo foi batido, o contracheque de outubro dos servidores do GDF será igual ao de setembro. Não haverá reajuste. A correção de 3,5% que deveria ter sido paga em 2014 e foi adiada para agora, vai ficar para quando puder.


    Devo, não nego, pago quando puder é o lema da vez no Buriti.


    “O caixa está vazio”, dizem.


    Falta dinheiro pra Saúde, pra alimentação de internados em UTI, pra gasolina do Samu, pra pagar hora extra de servidores. Falta dinheiro para tocar obras, comprar equipamentos, melhorar as escolas.


    Diga a área e o GDF dirá que não tem verbas.

    sexta-feira, 14 de outubro de 2016

    Mais um compromisso quebrado: Rollemberg anuncia que não concederá reajustes a servidores

    Sexta, 14 de outubro de 2016
    Observe o que o governador fala quando o vídeo atinge 1 minuto e seis segundos.
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    Da Agência Brasil


    Brasília - O governador do Distrito Federal Rodrigo Rollemberg participa de seminário sobre a subtração internacional de crianças (José Cruz/Agência Brasil)
    Governador Rodrigo Rollemberg participa de seminário sobre a subtração internacional de crianças (José Cruz/Agência Brasil)José Cruz/Agência Brasil

    O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, anunciou hoje (14), em entrevista coletiva na sede do governo, que não concederá reajuste aos servidores. O governo distrital prevê um déficit orçamentário de R$ 2,3 bilhões até o fim do ano. Caso seja concedido o reajuste, as contas ultrapassariam em 49,37% o limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.

    quarta-feira, 12 de outubro de 2016

    Rollemberg e a Caipora

    Quarta, 12 de outubro de 2016
    Imagem da internet

    Na minha aldeia, bem no sertão da Bahia, área de caatinga, região sisaleira, antiga terra habitada por índios tapuias, e colonizada por jesuítas, sempre pulularam lendárias figuras da cultura indígena.

    A Caipora sempre teve papel de destaque na minha pequena Itiúba.

    Quando menino ouvia aqui e acolá, especialmente das bocas de moradores mais simples e mais antigos, que a Caipora a todo momento fazia arte com as pessoas.

    Com a Caipora não se brinca.

    Maria de Benício, uma velha negra, neta de escravos e sábia como todas a simpáticas velhas daquela cidade, sempre repetia-me os conselhos de cuidados redobrados quando fosse andar pelas matas, mesmo que na pura e cinzenta caatinga.

    Dizia e repetia a cada vez que eu, ainda garotinho, passava em sua simples mas aconchegante casa de taipa, as histórias “reais” para ela que falavam da Caipora. Criança, passava pela casa da Maria de Benício (Benício era o marido dela) para tomar um cafezinho donzelo, aquele que acaba de ser torrado e logo passado no coador de pano. O mais delicioso café que tomei até hoje. Ela sempre fazia questão de me avisar quando seria o dia e a hora do próximo café donzelo. E eu, claro, não faltava.

    Mas o que interessa aqui, se é que interessa a alguém, é a história dessa personagem da cultura indígena, a Caipora e o governador Rollemberg.

    E Maria de Benício enquanto torrava o café num tacho do mais legítimo barro do chão da minha aldeia, ia falando com uma voz agradável e afável da sua sabedoria de como se proteger das peças aprontadas pela Caipora que habitava as matas e caatingas de Itiúba.

    Dizia ela, Nuno —este era o meu apelido, colocado por um irmão pequenininho, mas um ano mais velho do que eu. Ou seria um ano menos novo do que eu?— você que é danado e anda aí por esse mato de Meu Deus, tome muito cuidado com a Caipora.

    —Ela é danada. Prega cada uma com as pessoas! Faz com que fiquem ariados [desorientadas, sem rumo, perdidas].

    E aí vinha o mais importante da conversa, como se livrar da Caipora ou como mesmo depois de perdido, desorientado, sem rumo, se encontrar novamente. “Se desariar”, como dizia a velha e linda velhinha ao puxar umas baforadas no seu cachimbo e mexer no tacho de barro os grãos de café, para que não queimassem. Era necessário torrar, mas queimar é outra coisa.

    O que fazer então se algum dia a Caipora fizesse eu me perder no mato? Antes de repetir o manual de como eu deveria proceder, ela dizia que prevenir era melhor do que tentar remediar. Prevenir para ela era levar no bolso uns pedaços de fumo de rolo (só servia de rolo) e de quando em quando, em algum lajedo ou embaixo de uma frondosa árvore colocar um pedaço. Pois Caipora era figura que adorava fumar um fumo de rolo.

    Maria de Benício explicava as manhas para se escapar da Caipora e sorrindo, o mais lindo sorriso, colocava uns três ou quatro pedaços de fumo de rolo em meus bolsos. E eu, com a cara mais cínica, pedia a ela uns papeizinhos de fazer “bode” (na minha aldeia, cigarro feito com fumo de rolo). Ela fazia uma cara de reprovação, mas colocava uns três ‘bodinhos’ já preparados no meu bolso. E alertava com cara e amor de mãe: “Esses você pode até pitar, apesar da professora Lygia, sua mãe, brigar com você quando chegar em casa com cheiro de ‘bode’. Mas os outros você não pode fumar, são para livrar ‘meu filho’ da Caipora, e não se perder aí pelo meio do mato. Ouça meus conselhos", arrematava preocupada.

    Eu, danado como era, fumava os três ‘bodes’ e mais um pouco, este outro pouco fumo da Caipora enrolado em palha seca de milho. Por via das dúvidas, aqui e acolá deixava um pedacinho de fumo para aquela figura chamada de Caipora, com quem não se deve facilitar

    Mas a principal orientação dada a mim por Maria de Benício referente à caipora, era para se algum dia ela, a Caipora, fizesse com que eu me perdesse, ficasse desorientado no meio da mata, sem rumo, era que, mais rápido do que nunca, tirasse toda a minha roupa, ficasse completamente nu e também o mais veloz possível vestisse toda a roupa pelo avesso. Pronto! Já não me sentiria perdido, voltaria a saber o rumo que tomar. Estaria novamente ‘desariado’.

    Lembrando-me da minha aldeia, da minha querida terrinha encravada na Serra de Itiúba, do delicioso café donzelo e, principalmente dos conselhos de Maria de Benício de como voltar a me orientar caso a Caipora um dia viesse a me ‘ariar’, termino aqui ousando dar um conselho:

    Rodrigo Rollemberg, rápido!

    Vista as roupas pelos avessos.

    Se oriente, rapaz! 

    terça-feira, 11 de outubro de 2016

    Deputados podem derrubar decreto antigreve de Rollemberg nesta terça (11)

    Terça, 11 de outubro de 2016
    Do Sinpro-DF
    greve
    O plenário da Câmara Legislativa do DF poderá votar nesta terça-feira (11) Projeto de Decreto Legislativo que susta os efeitos do decreto que pune servidores públicos locais que realizarem greve (Decreto 37.962/16), do governador Rodrigo Rollemberg (PSB). A sessão plenária será realizada às 15h.

    Por isso mesmo, o Sinpro-DF solicita a todos(as) os(as) professores(as) e orientadores(as) educacionais que estiverem de coordenação nesta terça-feira (11), que compareçam à CLDF para pressionar contra o decreto de Rollemberg. A concentração também será às 15h.

    O projeto foi protocolado nesta segunda-feira (10) pela Bancada do PT na Casa e será lido em plenário nesta terça. Pelo trâmite comum, após lido em plenário, o Projeto de Decreto Legislativo seria encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça para, então, voltar ao plenário para votação. Mas tudo indica que haverá acordo e que o pedido será votado ainda nesta terça.