Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 12 de março de 2018

UPPs, mais uma história de esperança e fracasso na segurança pública do Rio

Segunda, 12 de março de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
e El País Brasil

Na madrugada do dia 24 de fevereiro, moradores da favela Santa Marta e do resto do bairro de Botafogo foram acordados com intensos tiroteios entre policiais e traficantes no morro. Esta comunidade da nobre Zona Sul do Rio de Janeiro foi a primeira a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) há quase 10 anos, em novembro de 2008. O programa, que — em tese — consiste em ocupar determinando território dominado por facções criminosas, estabelecer um policiamento comunitário, que seja próximo ao cidadão, e abrir caminho para serviços públicos do Estado teve no Santa Marta sua principal vitrine. Hoje, após a instalação de 38 UPPs, o modelo que representou nos últimos anos a esperança de um Riomais seguro se mostra esgotado, após colecionar uma série de fracassos e escândalos nos últimos anos. Algo que também já se reflete no Santa Marta, que chegou a ficar mais de seis anos sem tiroteios. A velha rotina está de volta. Em meio a uma intervenção federal decreta pelo Governo de Michel Temer, que colocou um general no comando da segurança pública fluminense, qual será o destino das UPPs? Os confrontos nas favelas, incluindo a Santa Marta, se intensificarão? Não há respostas concretas.
A reportagem é de Felipe Betim, publicada por El País, 11-03-2018.
Apesar das incertezas, a paz parece reinar absoluta na Santa Marta em uma tarde chuvosa de quinta-feira. Crianças com uniformes da escola pública entram e saem, assim como trabalhadores e trabalhadoras, mães e pais, comerciantes e mecânicos. Nos becos e vielas, silêncio. Ao redor, algumas das recentes conquistas dessa favela modelo são evidentes: há uma clínica da família, uma Fundação de Apoio à Escola Técnica (FAETEC), um plano inclinado que leva moradores e turistas para o alto do morro, casas novas que substituíram velhos barracos de madeira... O esgoto, que em favelas do Rio geralmente corre a céu aberto, está de baixo do chão. "Fizeram obras de urbanização e 85% das casas estão ligadas à rede de esgoto. Como presidente, cobrei que não viesse só a secretaria de segurança. E aqui funcionou, entraram outras secretarias, como a de turismo e educação", conta José Mário Hilário dos Santos, presidente da associação de moradores. "O que aconteceu no Santa Marta não aconteceu em outras comunidades. Se tivesse acontecido simultaneamente, acredito que o quadro seria diferente".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Rio de Janeiro: Justiça condena 13 policiais por tortura e morte de Amarildo

Segunda, 1º de fevereiro de 2016
amarildo
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Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
A 35ª Vara Criminal do Rio de Janeiro condenou 13 dos 25 policiais militares acusados da tortura e morte do pedreiro Amarildo de Souza, em 2013, na Rocinha, na zona sul da cidade. Entre eles está o ex-comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha major Edson Santos, condenado a 13 anos e sete meses de prisão pelos crimes de tortura e ocultação de cadáver.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

No Alemão, quem ocupa escola é a UPP

Terça, 1º de dezembro de 2015
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Através da Lei de Acesso à Informação, Pública confirma que a UPP instalada dentro de um colégio do complexo do Alemão, no Rio, deve permanecer; crianças convivem com medo e tiroteios e dizem ser orientadas a não falar à imprensa

“O secretário esteve hoje na comunidade de Nova Brasília e esteve na escola Caic Theophilo de Souza Pinto. Ele reafirmou o compromisso em mudar a escola do local”, escreveu, por email, a assessoria de comunicação do secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, em resposta ao pedido da Pública para visitar a UPP Nova Brasília, implantada há três anos no colégio estadual que atende alunos do ensino fundamental e médio. A permissão foi negada: nem a Pública poderia visitar a escola nem seus funcionários poderiam dar entrevistas. A Secretaria de Educação se recusou a informar o número de alunos que frequenta a escola, depois da implantação da UPP.

Mais difícil de esconder são os buracos de balas nas paredes do prédio branco de três andares que ocupa a Praça do Conhecimento no Complexo do Alemão. São cerca de 70, de acordo com uma rápida contagem feita pela reportagem pelo lado de fora.

sábado, 10 de outubro de 2015

Segurança Pública: UPPs estão contaminadas pelas piores práticas da PM, diz especialista

Sábado, 10 de outubro de 2015
Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
Silvia Ramos, especialista do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes
Coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, Silvia Ramos, diz que os policiais das UPPs estão contaminados pelas piores práticas da Polícia Militar —Tânia Rêgo/Agência Brasil 
Coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec) da Universidade Cândido Mendes, a cientista social Silvia Ramos é uma das mais respeitadas especialistas em segurança pública do Rio de Janeiro.

Ex-coordenadora do programa UPP Social, que buscava levar ações sociais às unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a pesquisadora também está à frente, junto com as irmãs Bárbara e Leonarda Musumeci, do estudo UPP: o que os policiais pensam?, cuja terceira edição foi publicada esta semana.

Em entrevista à Agência Brasil, Silvia Ramos avaliou como positiva a criação das UPPs, sete anos atrás, por ter trazido o conceito de polícia de proximidade (ou polícia comunitária) à política de segurança do Rio de Janeiro, historicamente marcada pelos confrontos entre policiais e criminosos.

Para a especialista, entretanto, a política de pacificação está em risco. Segundo ela, os policiais das UPPs estão passando a adotar “as piores práticas” dos batalhões tradicionais da Polícia Militar (PM), como o confronto armado com os criminosos, a execução de suspeitos e a adulteração de cenas de crimes.

Silvia Ramos também defende uma participação mais efetiva da Polícia Civil, com o aumento do número de investigações, para tentar reverter o cenário de controle territorial armado que já afeta as favelas do estado há mais de 30 anos.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista concedida pela especialista:

sábado, 3 de outubro de 2015

ONU vê risco para UPP na ação de PMs que alteraram cena de crime em morro do Rio

Sábado, 3 de outubro de 2915
Da Agência Brasil
O representante para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos (ACNUDH), Amerigo Incalcaterra, disse hoje (2)  que atitudes como a dos policiais militares acusados de alterar a cena da morte de Eduardo Felipe Santos Victor, baleado no morro da  Providência, região central do Rio de Janeiro, colocam em sério risco o projeto das UPPs como um modelo de polícia comunitária.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sai polícia, entra exército. Sai exército, vem polícia. Onde está a paz na Maré?

Quinta, 9 de julho de 2015
Do Jornal do Brasil
Walmyr Junior * 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Soldado se passou por traficante no caso Amarildo, diz laudo da polícia


Segunda, 1º de setembro de 2014
Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) considerou que o laudo de exame de voz do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), anexado ao processo de apuração do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, coincide com o parecer técnico da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) sobre o caso, que identifica como sendo do soldado Marlon Campos Reis, um dos denunciados no crime, a voz do homem que ligou para outro policial fingindo ser o traficante Thiago da Silva Neris, conhecido como Catatau. A ideia era atribuir ao tráfico de drogas a responsabilidade pelo desaparecimento do pedreiro, torturado e morto em 14 de julho de 2013 por policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"Pacificação” e Vergonha : Estupro coletivo de quatro jovens (uma menor de idade ) por policiais coloca UPPs nas favelas do Rio de Janeiro outra vez no olho do furacão

Quinta, 7 de agosto de 2014

Policia e moradores no Morro do Alemão
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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS ( EDIÇÃO BRASILEIRA)
As 38 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) instaladas desde dezembro de 2008 em várias favelas do Rio de Janeiro estão definitivamente no olho do furacão. Depois de vários casos de corrupção e violência desenfreada que já vinham manchando a imagem de diversas unidades, o contingente pacificador destacado na favela do Jacarezinho, uma área da zona norte do Rio outrora conhecida como Faixa de Gaza, é agora alvo de uma denúncia de estupro tendo como vítimas três jovens de baixa renda, uma delas menor de idade. Segundo as vítimas, o crime foi cometido na madrugada de terça-feira por quatro agentes que já estão sob prisão preventiva e que serão julgados por tribunais da Polícia Militar. Dessa maneira, o mesmo projeto que surgiu sob a aprovação quase unânime dos principais especialistas em segurança pública enfrenta hoje uma crescente resistência por parte de um setor nada desdenhável das favelas ocupadas, e a nova denúncia solapa ainda mais a sua credibilidade. Leia a íntegra no Blog Bahia em Pauta

domingo, 27 de julho de 2014

Seis policiais militares são presos por homicídio em favela do Rio


Domingo, 27 de julho de 2014
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil

A Polícia Civil prendeu, em flagrante, seis policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Fallet e do Fogueteiro, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro. Eles são suspeitos de terem matado Vítor Luiz Rodrigues, 38 anos, durante ação da polícia na Comunidade do Fogueteiro ontem (26) à tarde.

Os policiais foram à Delegacia da Lapa (5ª DP) para registrar o caso como um auto de resistência, ou seja, quando a pessoa é morta em confronto com a polícia. Os PMs chegaram a apresentar uma pistola calibre 40 como sendo de Vítor, mas testemunhas ouvidas por policiais civis informaram que Vítor não estava atirando contra os policiais.

O delegado, então, decidiu prender os seis policiais militares em flagrante, enquanto eles ainda registravam a ocorrência na 5ª DP. Os seis foram encaminhados para o Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

UPP não é mais a menina dos olhos para eleição


Segunda, 30 de junho de 2014
Do Jornal do Brasil
Davison Coutinho*
A menina dos olhos do Governo do Rio de Janeiro já não é mais a arma a ser usada para eleição na cidade. O fato é que a maioria dos moradores das comunidades dita "pacificadas" estão insatisfeitas com a política de pacificação implantada nas favelas. O que era pra ser uma grande transformação na vida dos milhares de moradores se tornou em uma grande decepção, onde a paz não chegou.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Pacificação? A violência recrudesce na cidade maravilhosa

Segunda, 5 de maio de 2014
Jornal do Brasil
Davison Coutinho*
As comunidades do Rio de Janeiro estão vivendo uma verdadeira guerra. Enquanto a cidade está voltada para a Copa do Mundo, estamos perdendo a cada dia muitas vidas inocentes dos moradores de favelas. A cada dia perdemos um trabalhador que perde sua vida graças à violência que recrudesce nas favelas ditas “pacificadas”. 
Estamos vivendo com o terror e a insegurança, já não podemos andar pela nossa comunidade sem o medo de a qualquer momento vivenciar um tiroteio, ou até mesmo ser vítima de uma bala perdida. Nossas crianças precisam ficar em casa e sofrem com medo e falta de lazer.

domingo, 4 de maio de 2014

UPP: a pacificação que não veio

Domingo, 4 de maio de 2014

Jornal do Brasil

Louise Rodrigues*

Protestos, violência e insegurança. Enquanto o governo do estado do Rio de Janeiro anuncia um mundo ideal em suas propagandas de TV, pessoas morrem e desaparecem nas favelas cariocas. Os papéis se inverteram: antes, os traficantes andavam armados e disputavam os papeis de vilões e herois entre os moradores da comunidade. Hoje, os policiais das Unidades de Polícia Pacificadora assumiram o comando do fuzil. Mas a esperada paz continua uma promessa distante, e as comunidades acabaram por se transformar num barril de pólvora prestes a explodir.
Este aumento na violência é facilmente constatado no último levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP). De acordo com o balanço divulgado na sexta-feira (2), o número de homicídios de pessoas durante confronto com a polícia no Rio registrou um aumento de 59,3% no primeiro trimestre de 2014 em relação ao primeiro trimestre de 2013. Apesar de o ISP não confirmar nem negar que estes números se referem a regiões com UPPs, o assustador crescimento comprova que a cidade vive um clima de guerra.
Em 2010, quando foram inauguradas as primeiras UPPs, o cenário já mostrava uma prévia do que se repetiria muitas vezes. No dia 3 de março daquele ano, um grupo de traficantes incendiou um ônibus, ferindo pessoas e espalhando o terror entre a população da Cidade de Deus. Os criminosos continuavam morando na comunidade, mesmo com a pacificação. No mesmo ano, na madrugada do dia 26 de dezembro, policiais da UPP de Cidade de Deus, foram atacados na Travessa 15 por traficantes que ocupavam uma moto.
Um mapeamento independente, realizado por um morador da comunidade de Manguinhos, levanta dados junto aos moradores da comunidade para medir violações de direitos nos territórios com UPPs. Segundo apontado no próprio mapeamento, um dos objetivos é “gerar informações com o olhar de quem sofre as violações e também contrapor as informações”.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Amarildo, Claudia, Douglas... E quantos mais?

Quinta, 24 de abril de 2014
Jornal do Brasil 
Davison Coutinho*
Davison CoutinhoEnquanto o Brasil todo está focado na Copa do Mundo, a polícia está entrando nas favelas e tirando a vida de moradores inocentes, que são generalizados como marginais e recebem o fim da vida como castigo pela pobreza e miséria vivida nas favelas de nossa cidade.

Quantos mais vidas serão necessárias para que a farsa e a utopia da UPPs seja revelada? Estamos vivendo de aparências. É revoltante ver em rede nacional os comerciais do governo do estado do Rio de Janeiro mostrando favelas que não existem na vida real, apenas no conto de fadas e na balela contada pelos governantes. É tudo mentira!

A pacificação só trouxe armas e violência,  o social ficou de lado, e morador de favela ao invés de receber os serviços públicos de direito básico vem recebendo é violência e repressão. O lixo continua fazendo parte do dia a dia dos moradores e a falta de água tem sido uma das maiores reclamações na Rocinha. As pessoas continuam vivendo em meio a valas e pisando na lama, o saneamento básico foi esquecido.

As promessas eram de uma vida de paz, mas estão matando nossos filhos e nossos pais, estão matando de todas as formas, seja com a violência policial ou com a falta do poder público nas ações necessárias para vida. O feriado de Semana Santa na Rocinha foi marcado pela falta de água, o que é um crime cometido contra todas essas famílias.

Até quando vamos conviver com a miséria, violência e descaso sendo tratados de tal forma. As comunidades estão vivendo um clima de insegurança. Na Rocinha perdemos uma criança e uma jovem estuprada, além do Amarildo, morto e torturado na UPP. Logo depois veio a Claudia, que teve seu corpo arrastado, e agora o Douglas, espancado e violentado até a morte e todos pagando com seu sangue a discriminação e abandono do poder público.

E em meio a manifestação contra a violência perdemos mais um cidadão vítima da política precária de nossa cidade.

Descanse em paz, Douglas. Que sua vida no céu seja repleta de luz e felicidade, e que Deus conforte o coração de todos seus familiares e amigos que hoje não suportam a dor de tamanha perda.

*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.
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Leia também:
Seremos todos culpados, por Mônica Francisco

Opinião: os 'césares' do Rio de Janeiro, uma cidade em chamas

segunda-feira, 14 de abril de 2014

“As UPPs não alteram a essência do crime organizado”. Entrevista especial com José Cláudio Alves

Segunda, 14 de abril de 2014
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

“A prática das UPPs deixa claro isso: são uma força de ocupação, e não uma força de alteração da lógica política, econômica, social, cultural daquela comunidade, de alteração para melhor”, afirma o sociólogo.



Foto: rebaixa.org
   Há pouco mais de cinco anos, foi instalada na Favela de Santa Marta, no Rio de Janeiro, a primeira Unidade de Polícia Pacificadora – UPPcarioca. Tratada pelo Estado como a panaceia aos problemas das comunidades mais humildes do Rio de Janeiro, a estrutura montada pela organização policial parece ser ineficaz às demandas da população. “Essa estrutura montada há cinco anos não consegue alterar a essência do crime organizado. Ela altera a forma dele de funcionar, diminui a lucratividade, estabelece outras formas do tráfico de drogas, do tráfico de armas”, aponta José Cláudio Alves, em entrevista por telefone à IHU On-Line.

   “Inicialmente se teve uma visão — e isso se constitui politicamente — de que as UPPs são uma resposta política e midiática à estrutura da violência que existe no Rio de Janeiro há muito tempo, que funciona e sempre funcionou. Essa forma de operar, desde o início, já era capenga, não tinha de fato uma estrutura mais aprofundada de relacionamento com a comunidade. E a prática das UPPs deixa claro isso: são uma força de ocupação, e não uma força de alteração da lógica política, econômica, social, cultural daquela comunidade, de alteração para melhor”, explica o professor. “O tráfico funciona dentro de uma estrutura social na qual o aparato institucional funciona espoliando e arrancando dinheiro e recurso dessa população mais pobre. Ela é espoliada pelo tráfico e pelo aparato policial”, complementa.
   José Cláudio Alves é graduado em Estudos Sociais pela Fundação Educacional de Brusque. É mestre em Sociologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutor, na mesma área, pela Universidade de São Paulo. É professor na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e membro do ISER Assessoria.
 Foto: Uol




   Confira a entrevista.

   IHU On-Line - Qual a origem dos ataques às UPPs na última semana? Trata-se de ações do crime e do tráfico organizado?

sábado, 12 de abril de 2014

Rio de Janeiro: a falência das UPPs

Sábado, 12 de abril de 2014

Quantos Amarildos e Cláudias serão precisos para demonstrar que o atual modelo de segurança pública faliu?

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   Faltando alguns meses para a Copa do Mundo, a política de segurança pública no Rio de Janeiro, em especial das Unidades de Polícia Pacificadora ( UPPs), vem passando por sua mais grave crise nos últimos anos.São vários os registros de assassinatos, torturas e desaparecimentos realizados por policiais nas comunidades ditas “pacificadas”.
   O caso do sumiço do ajudante de pedreiro Amarildo e o triste episódio ocorrido com Cláudia Silva Ferreira são símbolos de como a atuação policial é criminosa. Estes dois casos não são isolados e fazem parte de uma dura realidade cotidiana da população negra e pobre nas favelas cariocas.

domingo, 6 de abril de 2014

É preciso muito mais

Domingo, 6 de abril de 2014
Do Jornal do Brasil
 Mônica Francisco *

Mônica Francisco
Cada vez mais a sociedade se dá conta de que polícia não resolve tudo, nestes tempos de Estado policial, onde até o exército vem tomando ares de protagonista. A declaração do secretário de Segurança [do Rio de Janeiro], José Mariano Beltrame, de que é necessário envolver outras secretarias e secretários no processo de apropriação da cidadania, discursando no encontro na Maré, é que vem compondo a tônica de seu discurso.

Para as favelas ocupadas militarmente, isso já era discurso desde o dia seguinte à ocupação. A ausência de seriedade na implementação das políticas públicas e dos serviços públicos era e ainda é deficiente e precária.

Déficit na oferta de creches, falta de apoio consistente às que já existem, embora conveniadas. Escolas, deficitário também o número delas. Assim, cada vez mais a sensação é a de que na gestão da população trabalhadora, que em sua maioria compõem a geografia humana destes espaços, vale o "qualquer coisa serve".

Pobres gestores que ainda não entenderam que poderiam ganhar muito mais construindo junto com a comunidade, ouvindo suas propostas e implementando-as na medida do possível. O que seria um ganho de fato, não só para a favela mas  para toda a cidade. Fica a dica.

"A nossa luta é todo dia e toda hora. Favela é cidade. Não à GENTRIFICAÇÃO ao RACISMO, ao RACISMO INSTITUCIONAL, ao VOTO OBRIGATÓRIO e à REMOÇÃO!"

*Representante da Rede de Instituições do Borel, Coordenadora do Grupo Arteiras e aluna da Licenciatura em Ciências Sociais pela UERJ.
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Leia mais:

Esses absurdos mandados de busca coletivos


sexta-feira, 4 de abril de 2014

Maré: a pacificação e os três lados da moeda

Sexta, 4 de abril de 2014
Jornal do Brasil 
Walmyr Júnior
O processo de pacificação das 16 favelas da Maré traz à tona os mais variados interesses, que utilizam a pobreza como instrumento de marketing e publicidade de uma teórica ‘ordem social’, que tem por objetivo fazer da cidade do Rio de Janeiro a vitrine de luxo do país.  A pacificação da favela serve como objeto de pesquisa de um planejamento urbano, que tem por finalidade maquiar a cidade para que o turismo cresça. Já o contexto urbano de violência diária que vivemos nas ruas, becos e vielas das favelas do Rio de Janeiro não muda com a pacificação. 

Com as condições apresentadas aqui acima, vemos o interesse do Estado sobrepor o direito do morador, e com isso as associações de moradores, das 16 favelas pacificadas, ficam em uma verdadeira ‘sinuca de bico’. 
  
Ainda que por ora já tenha dito que tal justificativa de pacificação da Maré só corrobora para a estratégia de minimização do estrago político e social que o governo do senhor Sérgio Cabral/Pezão vem sustentando no estado do Rio de Janeiro, não podemos deixar de analisar e citar quais são os outros personagens desta trama e quais os papéis de cada um deles dentro dessa ópera orquestrada. Não posso negar também que tal enredo influencia no direito de liberdade que os coadjuvantes favelados posam vir a ter, até porque a UPP não acaba com o tráfico de drogas dentro da favela. 

Para o presidente da Associação de Moradores do Conjunto Esperança, Pedro Francisco dos Santos, o morador da comunidade está à mercê de dois poderes. “Um é o poder militar e o outro é o poder paralelo. Conviver com os dois poderes será um desafio para o morador exercer sua cidadania dentro da nova configuração do espaço da comunidade. Com isso temos que praticar o mútuo respeito para conseguirmos viver em paz” declara o presidente.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O veneno do Garotinho

Quarta, 2 de abril de 2014
Postagem de hoje (2/4) no Blog do Garotinho:
 
Algo de podre no reino da Maré
Imagem da TV Globo; abaixo manchete do site do RJ TV
Imagem da TV Globo; abaixo manchete do site do RJ TV
 
Reportagem do RJ TV mostrou que ontem traficantes do Caju invadiram o Complexo da Maré, que segundo a PM está todo ocupado. Na mesma matéria foi mostrada a denúncia de moradores de que há regiões da Maré sem qualquer policiamento e que bandidos armados continuam circulando. É um quadro bem diferente do que apresentam Cabral e Beltrame. 
 
Eu só queria entender: Se a Maré está ocupada pela PM como é possível uma quadrilha de fora invadir a área? Há algo de podre nessa história.

O ontem e o hoje

Quarta, 2 de abril de 2014
Dê um clique sobre as imagens para ampliá-las.  Imagens da internet




quinta-feira, 13 de março de 2014

UPPs: a paz para inglês ver

Quinta, 13 de março de 2014 
Especialistas comentam a ocupação da Vila Kennedy e analisam UPPs das duas maiores favelas do Rio
 
Jornal do Brasil 
Louise Rodrigues*
Bandeiras hasteadas e discursos otimistas marcaram o final da ocupação da Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, nesta terça-feira. O ritual se repete pela 38ª vez, mas não parece surtir efeito. A realidade das UPPs dentro das favelas é bastante diferente. Morte de policiais e civis, tiroteios, violência e medo continuam fazendo parte da vida dos moradores das comunidades ditas pacificadas. A relação entre os moradores e a polícia se torna cada vez mais complicada à medida que a impunidade e a corrupção colocam fim à vida de outros “Amarildos” e a violência mata outras “Gleices”.
Bandeiras hasteadas no local onde ficará a sede da UPP da Vila Kennedy, no Largo do Leão
Bandeiras hasteadas no local onde ficará a sede da UPP da Vila Kennedy, no Largo do Leão
Para Ignácio Cano, especialista em segurança pública do Laboratório da Uerj de Análise da Violência, “a UPP representa a transformação da segurança pública e a saída da criminalidade das favelas, mas ainda tem muita coisa pela frente”. Ele acredita que casos de grande repercussão, como o desaparecimento do pedreiro Amarildo, demonstram as fraquezas no esquema de instalação das Unidades.