“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

A vergonha, a cólera e a traição de Tsipras

Segunda, 26 de dezembro de 2016
Do resistir.info

– "Não há futuro para a Grécia se permanecer na zona euro, nem tão pouco para os outros países do Sul da Europa"

por Jacques Sapir
A Grécia retorna à actualidade com um incidente que mostra, com tal simplicidade que se torna evidente por si mesma, a realidade da opressão exercida pela União Europeia sobre este pobre país.

domingo, 20 de setembro de 2015

Syriza vence eleições na Grécia

Domingo, 20 de setembro de 2015
Do ESQUERDA.NET
O Syriza vence as eleições na Grécia e deverá constituir novo governo com o partido Gregos Independentes, uma vez que os dois partidos, em conjunto, terão maioria absoluta. Na comemoração da vitória, Tsipras afirmou: “Hoje na Europa, a Grécia e o povo grego são sinónimos de luta pela dignidade”. Marisa Matias afirma que a vitória do Syriza "evitou o pior cenário possível que era pôr no poder as forças partidárias da troika".
Alexis Tsipras e Panos Kammenos, líder dos Gregos Independentes, na comemoração da vitória

O Syriza venceu as eleições na Grécia, elegendo 145 deputados (menos quatro do que em janeiro passado).
O partido Gregos Independentes elegeu 10 deputados (menos três que em 25 de janeiro).
Syriza e Gregos Independentes poderão voltar a constituir coligação e governo, uma vez que os dois partidos juntos terão maioria absoluta. Os dois partidos elegem 155 deputados, sendo a maioria absoluta 151 deputados.

Syriza vai repetir coligação e governar com maioria absoluta na Grécia

Domingo, 20 de setembro de 2015
Da Agência Lusa // Agência Brasil
O líder do partido de esquerda Syriza, Alexis Tsipras, vai repetir a coligação com os nacionalistas Gregos Independentes, caso se confirmem os resultados eleitorais, informou hoje (20) a televisão pública grega ERT.

Com 40% dos votos contados, o Syriza obteve 35,5% e 145 lugares no parlamento. Os Gregos Independentes, do ex-ministro da Defesa Panos Kamenos, conseguiram 3,72% e dez assentos. Juntos, os dois partidos terão 155 dos 300 lugares do parlamento grego, quatro mais do que a maioria absoluta.

De acordo com fontes dos nacionalistas, citadas pelo diário To Vima, os dois líderes partidários deverão fazer ainda esta noite uma declaração conjunta. Kamenos, que todas as sondagens excluíam do parlamento, chegou sorridente à sede partidária, mas até agora não prestou declarações aos jornalistas.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Grécia vai para eleições antecipadas após renúncia de Tsipras

Quinta, 20 de agosto de 2015
Do esquerda.net

Eleições deverão ocorrer no dia 20 de setembro. Plataforma de Esquerda do Syriza deverá formar um novo partido, a Unidade Popular. Presidente do Eurogrupo adverte que as eleições podem pôr em risco o programa do terceiro memorando.

21 de Agosto, 2015
Alexis Tsipras:  “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou”
Alexis Tsipras: “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou”
O primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, anunciou a renúncia ao cargo, abrindo caminho a eleições antecipadas, que provavelmente irão ocorrer no dia 20 de setembro. Num discurso na televisão, Tsipras disse que “o mandato que recebemos no dia 15 de janeiro expirou” e afirmou sentir “a profunda obrigação moral e política de me submeter ao vosso julgamento”, para que o voto dos eleitores “determine se vos representámos com coragem nas conversações com os credores, se este acordo é suficiente para emergirmos da crise”.
A decisão do primeiro-ministro já era esperada, devido à rebelião da ala esquerda do Syriza, com cerca de 1/3 da sua bancada parlamentar do Syriza a recusar-se a votar o 3º resgate, o que deixou a coligação governamental Syriza-Gregos Independentes sem a maioria parlamentar, dependendo do voto dos partidos de oposição para aprovar o 3º memorando com os credores.
Novo partido prestes a ser anunciado
Segundo algumas fontes, a Plataforma de Esquerda, liderada pelo ex-ministro Panagiotis Lafazanis, deverá muito em breve anunciar uma nova formação política que se chamará Unidade Popular e contará também com a participação da atual presidente do Parlamento, Zoe Konstantopoulou, e dirigentes do partido Antarsya, não se sabendo ainda qual será a opção do Movimento dos Cidadãos Ativos do ex-eurodeputado e herói nacional Manolis Glezos.
A Plataforma de Esquerda, liderada pelo ex-ministro Panagiotis Lafazanis, deverá muito em breve anunciar uma nova formação política que se chamará Unidade Popular 
O maior partido de oposição, a Nova Democracia, anunciou que iria usar os três dias que a Constituição lhe confere para tentar formar um governo minoritário. Como é previsível que não consiga, a tarefa ainda passaria para o 3º partido, a Aurora Dourada, a menos que a ala esquerda do Syriza cinda com todos os seus deputados, o que a tornaria a 3ª formação política (segundo o The Guardian, corriam boatos neste sentido) e levaria a que Lafazanis fosse também encarregado de formar governo.
Caso nenhum partido da oposição consiga formar Governo, um executivo interino ficará no poder até à votação, chefiado pela presidente do Supremo, Vasiliki Thanou, que é muito crítica do plano de austeridade.
Moody's diz que eleições põem em risco programa do 3º resgate
As eleições antecipadas provocaram a habitual reação temerosa das autoridades europeias e dos porta-vozes da finança 
As eleições antecipadas provocaram a habitual reação temerosa das autoridades europeias e dos porta-vozes da finança – os chamados “mercados”. O presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, apelou à Grécia para que não abandone o seu compromisso com o euro.
A agência de notação Moody's advertiu que Tsipras pôs em risco o programa do 3º resgate com a convocatória das eleições antecipadas. As eleições “podem aumentar as preocupações em torno da implementação do programa e, potencialmente, pôr em risco o pagamento de futuras tranches”, diz um comunicado da agência.

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha

Terça, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha, por Ignacio Ramonet*

Ao apresentar às multidões um Tsipras com a corda ao pescoço e uma coroa de espinhos, Merkel, Hollande, Rajoy e os demais pretendiam demonstrar que não existe alternativa à via neoliberal. Criou-se na Europa o status de “novo protetorado” para os Estados que pediram um resgate. Editorial de agosto do Le Monde Diplomatique em espanhol.
17 de Agosto, 2015
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel - Foto de Guido Bergmann/Bundesregierung
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel, renunciando assim ao seu programa de libertação, pelo qual foi eleito, e o qual, precisamente, acabava de ser ratificado pelo seu povo, mediante referendo.
Exibido pelos vencedores como um troféu para as câmaras do mundo, o pobre Tsipras teve que engolir o seu orgulho e tragar também tantos sapos e cobras que o próprio semanário alemão Der Spiegel, compadecido, qualificou a lista de sacrifícios impostos ao povo grego como “um catálogo de horrores”…
Quando a humilhação do líder de um país alcança níveis tão assustadores, a imagem fica para a história, para servir de exemplo às gerações futuras, incitadas a não aceitar nunca mais um tratamento semelhante. Assim chegaram até aos nossos tempos expressões como “passar pelas forcas caudinas”1 ou o célebre “passeio da Canossa”2. O que ocorreu em 13 de julho foi tão enorme e tão absolutamente irreal que talvez esse dia também seja recordado, no futuro da Europa, como o dia do “diktat da Alemanha”.
Perdeu-se definitivamente o controle cidadão em relação a uma série de decisões que determinam a vida das pessoas no quadro da União Europeia (UE) e, sobretudo, no seio da Zona Euro

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Grécia: Novo memorando revê em baixa metas de austeridade

Quarta, 12 de agosto de 2015
O governo grego e os credores chegaram a acordo para o financiamento ao país nos próximos três anos. As metas orçamentais a atingir nos próximos anos baixaram e Atenas acredita que dão espaço para o crescimento da economia. Em dois telefonemas, Merkel ainda tentou travar o acordo.
12 de Agosto, 2015
O acordo prevê que possa regressar a negociação coletiva e as alterações às leis laborais serão feitas em consulta com a OIT.

Segundo a agência ANA-MPA, a chanceler alemã falou com Alexis Tsipras na segunda e na terça-feira, procurando convencer o primeiro-ministro grego da solução de um “acordo-ponte” que garantisse o pagamento das dívidas ao BCE nos próximos meses, prolongando as negociações para o terceiro memorando. Nos contatos que manteve também com Juncker e Hollande, Tsipras recusou sempre essa hipótese, exigindo que fosse cumprida a decisão da cimeira de 12 de julho para um terceiro programa de assistência ao país.
O acordo técnico anunciado na terça-feira terá agora de passar em vários parlamentos de países da zona euro. A começar pelo grego, onde deverá ser votado esta quinta-feira, para no dia seguinte ser discutido no Eurogrupo. A grande diferença em relação às anteriores propostas em cima da mesa é a revisão em baixa das metas de austeridade para os próximos anos na Grécia.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Crise na Grécia: Contrária a acordo, vice-ministra das Finanças pede demissão

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Quarta, 15 de julho de 2015
Da Agência Lusa / Agência Brasil
A vice-ministra grega das Finanças, Nadia Valavani, apresentou hoje (15) carta de demissão enviada ao primeiro-ministro, na qual afirma que o acordo assinado na segunda-feira (13) de manhã com os credores "não é viável".
"Não vou votar a favor do projeto de lei [que adota o acordo com os credores] e penso que não posso ficar no governo votando contra", disse Valavani, deputada do partido Syriza, em declarações citadas por agências internacionais.
Na carta que enviou ao primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, a agora ex-governante explica que considera que o acordo foi, na verdade, "uma solução imposta à Grécia" e que o próprio desenho do pacote de reformas "não é viável".
A demissão surge na sequência do acordo assinado na segunda-feira de manhã entre a Grécia e os credores internacionais, depois de um fim de semana de intensas negociações em Bruxelas.
No princípio da semana, o próprio primeiro-ministro tinha previsto divisões dentro do seu próprio partido e chegou a dizer que iria confiar na oposição para aprovar o novo pacote de austeridade, em troca de apoio financeiro para fazer face a compromissos de curto prazo, entre os quais, o pagamento de 3,5 bilhões de euros ao Banco Central Europeu já na segunda-feira.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Tsipras em Estrasburgo: “Se quisesse sair do euro, não tinha vindo aqui”

Quarta, 8 de julho de 2015
“Vamos ser sinceros: o dinheiro dos resgates nunca chegou ao povo grego”

“Como é que demos ao FMI autoridade para decidir e não ao Parlamento Europeu?”
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Alexis Tsipras foi ao Parlamento Europeu responder aos eurodeputados sobre a crise da zona euro. E defendeu que depois do fracasso da austeridade, “a maioria do povo grego sente que não tem outra escolha senão sair deste caminho que não leva a lado nenhum”.
Alexis Tsipras foi ao Parlamento Europeu responder aos eurodeputados sobre a crise da zona euro

Depois de se ter congratulado na cimeira da zona euro por ver que os governantes finalmente entenderam que enfrentam um problema europeu e não um problema grego, o primeiro-ministro foi recebido com aplausos de vários eurodeputados à entrada para o hemiciclo em Estrasburgo.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Afinal, quem é que votou OXI?

Terça, 7 de julho de 2015
De ESQUERDA.NET
Sabia que foram as mulheres que mais votaram no ‘Não’? E que 85% dos jovens dos 18 aos 24 anos rejeitaram o ultimato dos credores? Ou que 87% dos eleitores do KKE desobedeceram à indicação de voto nulo do partido? Veja aqui o estudo de opinião do instituto Public Issue sobre os eleitores do ‘Não’.
O referendo deu a vitória ao ’Não’ com 61.3% dos votos e o instituto Public Issue publica agora um estudo sobre esses eleitores. O OXI foi mais popular entre as mulheres (62.3%, contra 60.2% nos homens) e nos jovens, atingindo os 85% até aos 24 anos e os 72.3% dos 25 aos 34 anos. A vantagem do OXI mantém-se a partir desta idade, com 67.4% dos 35 aos 44, 69.2% dos 45 aos 54 e 59.4% dos 55 aos 64 anos. Apenas a partir dos 65 anos, a faixa etária mais afetada pelo encerramento dos bancos, o ‘Não’ perdeu o referendo, com 44.9% dos votos, indica este estudo.

O ‘Não bateu o ‘Sim’ em todos os níveis de educação e no que respeita às profissões só foi derrotado entre os pensionistas e os profissionais liberais. O apoio ao OXI entre os desempregados atingiu os 72.9%. Como seria de esperar, ao contrário do que a propaganda dizia nos dias anteriores ao referendo, os inquiridos que dizem estar a passar por dificuldades financeiras foram os que deram mais força à recusa do ultimato do Eurogrupo que previa uma dose reforçada de austeridade.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Eric Toussaint: “Dignidade do povo grego vale mais do que uma dívida ilegal”

Segunda, 6 de julho de 2015
Na situação grega de crise humanitária, o Estado pode ser dispensado de cumprir as suas obrigações internacionais em termos de dívida, porque essa dívida aumenta o perigo existente, como acontece com as dívidas reclamadas pelo Eurogrupo e pelo FMI.
"A dignidade do povo grego vale mais do que uma dívida ilegal,
ilegítima, odiosa e insustentável", entende Eric Toussaint.

A bela vitória histórica do NÃO mostra mais uma vez que os cidadãos e as cidadãs da Grécia se recusam a aceitar a chantagem dos credores. Como mostra o relatório preliminar da Comissão para a verdade sobre a dívida grega, o Estado grego dispõe de vários argumentos legais para suspender o pagamento ou repudiar unilateralmente as dívidas ilegítimas, ilegais e/ou odiosas.

Esse ato soberano fundamenta-se nos seguintes argumentos:

1. A má fé dos credores (o FMI, os 14 Estados-Membros da zona euro, o BCE, a Comissão Europeia e o FEEF), que levaram a Grécia desde 2010 a violar o direito interno e as suas obrigações internacionais em termos de proteção dos direitos humanos;

2. A superioridade dos direitos humanos face aos acordos assinados entre os governos anteriores e a Troika;

3. O uso de coerção por parte dos credores;

4. A imposição de condições que violam de forma flagrante a soberania da Grécia e que violam a sua constituição;

5. O direito internacional autoriza os Estados a tomarem contra-medidas de autodefesa face a atos ilegais ou ilegítimos cometidos pelos seus credores que, deliberadamente, prejudicaram a sua soberania fiscal e obrigaram a assumir uma dívida odiosa, ilegal, ilegítima, que viola o direito à autodeterminação económica e os direitos humanos fundamentais.

Em relação à insustentabilidade da dívida, as autoridades gregas têm legalmente o poder de invocar o principio da necessidade para fazer frente a uma situação excecional, a fim de proteger os interesses essenciais da sua população face a um perigo grave e iminente.

Na situação grega de crise humanitária, o Estado pode ser dispensado de cumprir as suas obrigações internacionais em termos de dívida, porque essa dívida aumenta o perigo existente, como acontece com as dívidas reclamadas pelo Eurogrupo e pelo FMI. Finalmente, os Estados têm o direito de se declararem insolventes, quando a continuação do pagamento da dívida se torna insustentável. Nesses casos, não cometem atos ilegais.

A dignidade do povo grego vale mais do que uma dívida ilegal, ilegítima, odiosa e insustentável.

Artigo publicado em CATDM.

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Sobre o autor

Politólogo. Presidente do Comitê para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo
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domingo, 5 de julho de 2015

Tsipras: “A democracia não pode ser chantageada”

Domingo, 5 de julho de 2015
O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras afirmou este domingo que o referendo “não tem vencedores nem vencidos”, é uma “vitória em si”, porque provou que “a democracia não pode ser chantageada”.
Foto de Paulete Matos.
 
“Eu quero agradecer a todos, independentemente do que tenham votado. Agora, temos de restaurar a coesão social”, afirmou Tsipras num discurso transmitido pela televisão após a vitória do “não” no referendo realizado este domingo. Tsipras também insistiu que a “reestruturação da dívida é necessária para sair da crise”.

 O primeiro-ministro grego avançou que o governo iria retomar as negociações esta segunda-feira com os credores para tentar chegar a um acordo e afirmou que a prioridade é a reabertura dos bancos.

“Amanhã vamos reiniciar as negociações. A nossa prioridade é o funcionamento do sistema bancário”, disse Tsipras, acrescentando ainda que vai propor a reestruturação da dívida helénica, uma necessidade reconhecida, inclusive, pelo Fundo Monetário Internacional, sublinhou.

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Nem no dia do referendo a Grécia escapa às ameaças de Bruxelas

Domingo, 5 de julho de 2015
Do ESQUERDA.NET
As urnas de voto fecham às 17h (hora portuguesa) e os primeiros resultados devem ser divulgados duas horas depois. Tsipras e Varoufakis foram saudados pelos eleitores nas assembleias de voto e o socialista alemão Martin Schulz diz que se o ’Não’ ganhar, os gregos terão de imprimir a sua moeda própria.
Foto Orestis Panagiotou/EPA
 
“Deve a proposta de acordo apresentada pela Comisão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional ao Eurogrupo no dia 25 de junho, composta por duas partes que fazem a proposta conjunta, ser aceite?”. Esta é a pergunta a que milhões de gregos estão hoje a responder. Para que o resultado seja vinculativo, a participação terá de superar os 40% do eleitorado.

A ameaça de última hora surgiu na manhã do referendo pela voz do presidente do Parlamento Europeu. Numa entrevista emitida este domingo numa rádio alemã, Martin Schulz afirmou que “se os gregos disserem não no referendo terão de introduzir outra moeda, porque o euro não está disponível como meio de pagamento”. “A partir do momento em que alguém introduz uma nova moeda, sai da zona euro. São estes aspectos que me dão alguma esperança que as pessoas não irão hoje votar no ’Não’”, afirmou o dirigente do SPD e ex-candidato dos socialistas europeus à presidência da Comissão Europeia.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Galbraith desconstrói alguns dos mitos sobre a crise grega

Sexta, 3 de julho de 2015
Do ESQUERDA.NET
O referendo é sobre o euro? Os credores têm sido generosos? O BCE tem protegido a estabilidade financeira grega? “O ‘Não’ vai destruir a Europa? Estas são algumas das questões a que o economista norte americano dá resposta.
Num artigo para o site Politico.eu, James Galbraith denuncia a campanha de manipulação dos defensores do 'sim' no referendo do próximo domingo. Estes são alguns dos mitos desconstruídos pelo economista norte-americano da Lyndon B. Johnson School of Public Affairs, da Universidade do Texas:

O referendo é sobre o Euro

Lembrando que, assim que Alexis Tsipras anunciou o referendo, “François Hollande, David Cameron, Matteo Renzi, e o vice-chanceler alemão Sigmar Gabriel alertaram os gregos que um voto 'não' equivaleria a Grécia sair do euro” e que “Jean-Claude Juncker, Presidente da Comissão Europeia, foi mais longe, dizendo que 'não' significa deixar a União Europeia”, Albraith frisa no seu artigo que “o governo grego já declarou muitas vezes que “está irrevogavelmente comprometido com a União e o euro”.

“E, legalmente, de acordo com os tratados, a Grécia não pode ser expulsa”, nem da UE nem do Euro, avança o economista.

O FMI tem sido flexível 

Ao contrário do que a diretora do FMI, Christine Lagarde, tem afirmado, e segundo defende James Galbraith, o Fundo “não cedeu em quase nada neste quatro meses: nem no que respeita a impostos, pensões, salários, negociação coletiva ou ao montante da dívida da Grécia”.

Os credores têm sido generosos

“Angela Merkel apelidou as condições oferecidas pelos credores de 'muito generosas' para a Grécia. Mas, na verdade, os credores continuaram a insistir num esmagador programa de austeridade, baseado numa meta de excedente orçamental que a Grécia não pode cumprir, e na continuação de políticas draconianas que já custaram aos gregos mais de um quarto do seu rendimento e mergulhou o país em depressão”, escreve o economista norte-americano.

“Reestruturação da dívida, que é obviamente necessária, também foi recusada”, lamenta.

O Banco Central Europeu tem protegido a estabilidade financeira grega

Galbraith lembra que, “desde o início de fevereiro, o BCE cortou o financiamento direto dos bancos gregos”, e, em vez disso, alimentou-os a conta gotas e tendo em conta "emergências" especiais. Este procedimento terá, conforme adianta o economista, promovido “uma “corrida lenta aos bancos e a paralisação da atividade económica”. “Quando as negociações fracassaram, o BCE vedou a assistência, levando a uma rápida corrida aos bancos e dando-lhes argumentos para impor controlos de capital e efetivamente fechá-los”, remata.

Um voto 'Sim' vai salvar a Europa

Segundo o economista, o "'Sim' significaria mais austeridade e destruição social, e o governo que implemente isso não pode durar muito tempo”. “O [governo] que se segue não será liderado por Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis - os últimos líderes, talvez em qualquer lugar na Europa, de uma esquerda pró-europeia autêntica. Se eles caem, os anti-europeus virão em seguida, possivelmente incluindo elementos da extrema direita, como o partido grego nazi, Aurora Dourada. E o fogo anti-europeu vai espalhar-se, à França, ao Reino Unido e Espanha, entre outros países”, advoga.

Um voto 'Não' irá destruir a Europa

“Na verdade, apenas o 'Não' pode salvar a Grécia - e salvando a Grécia, salvar a Europa”, vinca Albraith.

“Um 'não' significa que o povo grego não vai se curvar, que o seu governo não vai cair, e que os credores precisam, finalmente, de assumir os fracassos da política europeia até agora. As negociações podem então ser retomadas - ou, mais corretamente, verdadeiras negociações podem então começar. Isto é vital, se a Europa quiser ser salva”, conclui.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Grécia: Tsipras mantém referendo e insiste no "Não"

Quarta, 1º de julho de 2015
Alexis Tsipras voltou a apelar aos gregos para que votem ‘Não’ no domingo em nome de um acordo melhor para o país, que continua a ser negociado. O primeiro-ministro denunciou a chantagem em curso sobre a população para votar ‘Sim’ e agradeceu a tranquilidade que os gregos têm demonstrado nos últimos dias.
Alexis Tsipras na comunicação ao país de 1 de julho.
“Este referendo não é sobre a permanência ou não na zona euro”, afirmou Alexis Tsipras, repetindo que o voto ‘Não’ não significa uma rotura com a Europa, “mas um regresso aos valores europeus”. “O voto ‘Não’ é um apoio a um acordo que seja justo e não sacrifique mais os pensionistas e os pobres”, prosseguiu, garantindo que “os que dizem que tenho um plano secreto para tirar o país do euro estão a mentir-vos descaradamente”. "Os eleitores estão a ser chantageados para dizer 'Sim' a todas as propostas dos credores, que não oferecem nenhuma solução para a crise", avisou.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Lisboa, Londres e Barcelona solidárias com a Grécia

Segunda, 29 de junho de 2015
Milhares de pessoas continuam a sair à rua na Europa para mostrar solidariedade com o povo grego, na semana em que este fará a sua escolha democrática sob a asfixia financeira do poder político europeu.
Foto Paulete Matos

Em Lisboa, algumas centenas de pessoas estiveram em frente à representação oficial da UE em protesto contra a tentativa de boicote ao referendo de domingo sob o lema “Deixem a Grécia decidir!”.

A concentração contou com intervenções do ex-líder da CGTP Carvalho da Silva, que lançou críticas não só à postura dos credores, mas também à atitude do governo português; de Maria do Céu Guerra, que falou da necessidade da solidariedade com o povo grego e leu algumas estrofes de um poema de Hélia Correia, a propósito da Grécia; e de Luísa Teotónio Pereira, a quem  coube as apresentações e a intervenção final numa iniciativa que contou com animação de tambores e música grega.

sábado, 27 de junho de 2015

Tsipras: “Responderemos ao ultimato apoiando-nos na vontade do povo grego”

Sábado, 27 de junho de 2015
A Grécia vai referendar a proposta dos credores no domingo, 5 de julho. Tsipras diz que a última semana provou que o objetivo de alguns parceiros e instituições não era o de chegar a um acordo aceitável para todos, mas o da “humilhação de um povo inteiro”. Leia aqui o discurso de Alexis Tsipras.
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O governo grego rejeitou esta sexta-feira a proposta dos credores para um acordo válido até novembro, com mais austeridade sobre trabalhadores e pensionistas e sem resolver o problema de financiamento da Grécia a partir daí, abrindo caminho a um terceiro memorando.
“Após cinco meses de negociações, os nossos parceiros acabaram por fazer um ultimato, o que contraria os princípios fundadores da Europa e compromete a recuperação da sociedade e da economia grega”, afirmou Tsipras na comunicação ao país após a reunião do governo.
A proposta de promover um referendo a 5 de julho teve unanimidade e o primeiro-ministro promete que respeitará o resultado, qualquer que seja, e que a “Grécia é e continuará a ser uma parte indissolúvel da Europa”. Tsipras informou Merkel, Hollande e Draghi da decisão e irá pedir formalmente no sábado aos líderes europeus um alargamento do prazo do atual programa por alguns dias, “para que o povo grego possa decidir, livre de pressões e chantagens, como obriga a nossa Constituição e a tradição democrática da Europa”.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

“Parece que não há interesse num acordo”, diz Tsipras; governo grego rejeita contraproposta de credores

Quarta, 24 de junho de 2015
Do ESQUERDA.NET
Propostas do governo grego não agradaram ao FMI. Tsipras escreveu no twitter que isso nunca aconteceu antes, nem com a Irlanda nem com Portugal. Reunião do Eurogrupo desta quarta-feira mantém-se.
 
Tsipras escreveu no twitter: “Essa postura estranha parece indicar que ou não há interesse num acordo ou que há interesses especiais a serem protegidos”
 
As propostas gregas alternativas ao corte de salários e pensões não agradaram ao FMI.

“Essa postura estranha parece indicar que ou não há interesse num acordo ou que há interesses especiais a serem protegidos”, afirmou o primeiro-ministro da Grécia ao fim da manhã na sua página no Twitter.

O FMI nunca fez segredo em apostar em mais cortes nas pensões e nos salários em vez do aumento de impostos para as empresas e os rendimentos mais altos proposto agora por Atenas.

Segundo o Wall Street Journal citado pelo “Jornal de Negócios”, os credores, ou pelo menos o FMI, não querem o aumento do IRC de 26% para 29%, proposto pelo governo grego e também estão contra a introdução de uma taxa especial de 12% sobre os lucros das empresas.

Os credores exigirão ainda mais alterações no IVA, sobretudo que mais produtos e serviços passem para 23%, nomeadamente a restauração, e pretendem que o desconto do IVA nas ilhas gregas acabe.

O principal da discordância continuará a ser sobre as pensões, com os credores, em particular o FMI, a insistirem em novos cortes.

Os credores terão apresentado uma contraproposta ao governo grego, que a rejeitou.

Apesar do novo impasse nas negociações, a reunião do Eurogrupo sobre a Grécia mantém-se para esta tarde, com início previsto para as 18 horas de Lisboa.

Debate aceso no Syriza sobre a proposta de acordo
Se os credores não bloquearem o acordo esta semana com novas exigências, ele terá de ir a votos no parlamento grego até dia 30 de junho. Mas antes disso terá de passar no Comité Central e no grupo parlamentar do Syriza. A única certeza é a de que vozes críticas não irão faltar (ver notícia em infogrecia.net).

O ministro da Energia e Reconstrução Produtiva, Panagiotis Lafazanis, que lidera a Plataforma de Esquerda no Syriza (a plataforma apresentou na última reunião da direção do partido uma proposta para a rotura com as negociações com os credores, que foi derrotada por 95 contra 75), declarou nesta terça-feira na apresentação de um livro no sindicato dos Jornalistas, que “com medidas de austeridade não há futuro” e que a economia grega precisa de “uma forte injeção de liquidez” para um programa alargado de investimento público e para financiar condições favoráveis para o desenvolvimento da Grécia. O ministro defendeu que outro elemento essencial seria a abolição da maior parte da dívida grega.

“A situação grega é o elo mais fraco da Europa”, prosseguiu, defendendo ainda que “um mercado e uma união monetária sob a tutela da Alemanha não pode ter sucesso”, como o prova a recessão e estagnação económica atual, ao mesmo tempo que são destruídas as conquistas sociais. Lafazanis defendeu ainda uma mudança radical num Estado que tem sido dominado por um poder interno dependente do estrangeiro, às vezes até de forma colonial como nos últimos anos de troika em que as instruções aos ministros chegavam por email.

Mais informação em infogrecia.net

sábado, 20 de junho de 2015

Dezenas de milhares manifestam-se em Londres e Glasgow contra a austeridade

Sábado, 20 de junho de 2015
Do ESQUERDA.NET
As manifestações foram convocadas pelo movimento Assembleia do Povo contra a austeridade, sob o lema "End Austerity Now" [Acabar com a Austeridade Agora]. Os protestos juntam dezenas milhares de pessoas e os organizadores dizem que são os maiores dos últimos anos e que as ações vão continuar.
A manifestação juntou milhares de pessoas em Londres e Sam Fairbairn da Assembleia do Povo afirmou: “É o início de uma campanha de protestos, greves, ação direta e desobediência civil por todo o país"
O movimento The People's Assembly Against Austerity (Assembleia do Povo contra a austeridade) junta movimentos sociais, ativistas sindicais e personalidades como a cantora Charlotte Church e o comediante Russell Brand. O movimento critica a forma como os principais partidos políticos (conservadores e trabalhistas, nomeadamente) lançaram ou apoiaram medidas como os cortes orçamentais na saúde ou na educação.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Credores querem reforçar dose de austeridade na Grécia

Quinta, 4 de junho de 2015
Os gregos disseram nas urnas que a receita de austeridade falhou, mas os credores querem impor uma dose reforçada da receita dos anteriores memorandos da troika. Tsipras vai esta sexta-feira ao Parlamento fazer o ponto da situação e o pagamento ao FMI fica adiado.
Schäuble, Lagarde e Dijsselbloem, na foto com o ministro irlandês das Finanças. Foto União Europeia ©
Depois de reunir com Jean Claude Juncker na quarta-feira, Tsipras falou com Merkel e Hollande durante mais de uma hora por teleconferência na quinta-feira à noite. De acordo com fontes oficiais do governo citadas por jornalistas gregos, Alexis Tsipras disse que a proposta é inaceitável para o governo e não leva em conta o trabalho de meses de negociações técnicas desde o acordo de 20 de fevereiro.

domingo, 31 de maio de 2015

Grécia: Tsipras espera que não vença a "estratégia de divisão da UE"

Domingo, 31 de maio de 2015

Do ESQUERDA.NET
Num artigo publicado este domingo no Le Monde, o primeiro-ministro grego afirma que a decisão dos líderes europeus sobre o acordo com a Grécia vai ditar se vence a estratégia da integração europeia ou da divisão da UE.
31 de Maio, 2015 - 18:34h
Foto Die Linke/Flickr

O cenário de divisão da zona euro e da própria União Europeia é apontado por Alexis Tsipras como uma possibilidade caso os líderes europeus rejeitem o acordo negociado nos últimos meses. O primeiro-ministro grego explica nesteartigo no Le Monde como decorreram as negociações com os credores e aponta o dedo aos que sempre pretenderam o seu fracasso.