Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 2 de abril de 2016

Wikileaks divulga conversas do FMI para impor mais austeridade à Grécia

Sábado, 2 de abril de 2016
Do Esquerda.Net
A Wikileaks divulgou neste sábado a transcrição de conversas telefónicas entre responsáveis do FMI, onde preveem um “desastre” grego, buscam novas formas de impor mais austeridade à Grécia e de pressionar a UE, ameaçando com a saída do FMI da troika.
Poul Thomsen, 2011 - Foto de Mário Cruz/Lusa
 
A conversa telefônica é de 19 de março passado e entre Poul Thomsen, diretor de assuntos para a Europa do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a chefe da missão da instituição na Grécia, Delia Velculescu.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A indiscutível ditadura dos banqueiros

Quinta, 7 de janeiro de 2016
por João Carlos Lopes Pereira [*]
Diz-se que o direito de propriedade é o direito real que dá a uma pessoa ou entidade (dito «proprietário») a posse de uma coisa, em todas as suas relações e consequências. É, por isso, o direito, ou a faculdade de usar, gozar e dispor dessa coisa, além do direito de reavê-la de quem injustamente a possua ou detenha. É um direito absoluto, perpétuo e exclusivo.

Por outro lado, segundo a filosofia política e económica, as regras, as disposições e as directivas da União Europeia, que são do mais neoliberal que podia haver, o Estado deve ser a entidade que menos património pode ter. Aliás, nenhum património na posse do Estado seria, para ela, UE, o ideal. Pelo contrário, os privados – pessoas e entidades – podem possuir tudo aquilo a que conseguirem deitar a mão, não havendo outro limite para a possessão a não ser o céu. Tudo deve ser privado, a começar na banca e a terminar no ar (logo que haja tecnologia que torne o desiderato possível), passando pela água.

Mas serão as coisas exactamente assim? Será assim que elas se passam, na prática, para todos nós e para toda a propriedade? Logo veremos que não.

Comecemos pelo caso de um banco e de uma companhia aérea. Nacionalizar um banco que esteja de boa saúde não é possível. Diz a UE que é roubar o banqueiro. Mas nacionalizar um banco falido é coisa perfeitamente aceitável. Os lucros para os banqueiros; os prejuízos para os contribuintes do costume. Porém, assim que nós, os contribuintes, resgatarmos o banco, nele investindo milhares de milhões de euros, ele deverá ser entregue, a qualquer preço, a um novo banqueiro. Aqui, os proprietários de facto – os tributados que salvaram o banco com o dinheiro dos seus impostos – não têm o direito de ser os seus legítimos donos, pois esse direito é consignado a um outro banqueiro privado, ainda que não tenha coberto, sequer, o valor que os contribuintes pagaram (vide BPN
[Banco Português de Negócios], por exemplo). Significa que todos os cidadãos foram obrigados a oferecer a outra pessoa o banco que compraram. A isto chama-se um acto de pura espoliação, e por isso, totalmente desconforme com as mais elementares bases e pressupostos não só do direito, mas de um regime democrático. É saque desenfreado. Puro e duro.

sábado, 26 de dezembro de 2015

O recado dos EUA e da UE para seus capachos antinacionalistas latino-americanos: “Façam o que dissermos. Não o que fazemos


Sábado, 26 de dez de 2015
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEim-_djYp7_H_eLDwmQotcWOJCTCfy8UvnZKqbjV3u_H6JmE0kWW7wpCMu_2vkSaMx5E6-eGJ8YmJ9W9bESrhl9apH9e0IKd-djIoBhpwlOm4pbSzrDY_qDyT3D6-9hdKBHoQetr-KsXUk/s1600/buy_american_sticker.png
Para os energúmenos que dizem que nos EUA o Estado não interfere na economia, uma notícia: só na semana passada foi aprovado pelo Congresso, em Washington, o fim da proibição da exportação de petróleo norte-americano, que perdurou por longos 40 anos.
Por lá, existe uma lei de conteúdo local, o Buy American Act – que, como ocorre no caso da Petrobras, aqui seria tachada de “comunista” e “atrasada” pelos entreguistas – que, desde 1933, exige que o governo dê preferência à compra de produtos norte-americanos, e que foi complementada por outra, com o mesmo nome e objetivo, em 1983.
Na área de defesa, nem um parafuso pode ser comprado pelas forças armadas norte-americanas, se não for fabricado no país.
E se a tecnologia ou o desenho pertencer a uma empresa estrangeira, ela é obrigada a se associar, minoritariamente, a um “sócio” norte-americano, para produzir, in loco, o produto.
Quem estiver duvidando, que pergunte à EMBRAER, que, para fornecer caças leves Super Tucano à Força Aérea dos EUA, teve que se associar à companhia norte-americana Sierra Nevada Corporation e montar uma fábrica na Flórida.
No Brasil, a nova direita antinacionalista, grita, nas redes sociais, o mantra da privatização de tudo a qualquer preço. Citando, automaticamente, fora de qualquer contexto, os Estados Unidos, os hitlernautas tupiniquins não admitem que estatais existam nem que dêem eventuais prejuízos, ignorando que nos EUA – a que eles se referem, abjeta apaixonadamente, como se não vivêssemos no mesmo continente, como America – a presença do estado vai muito além de setores estratégicos como a defesa.
No nosso vizinho do Norte o transporte ferroviário de passageiros, por exemplo, é majoritariamente atendido por uma empresa estatal, a AMTRAK, que – sem ser incomodada ou atacada por isso – dá um prejuízo de cerca de um bilhão de dólares por ano, porque, nesse caso, o primeiro objetivo não pode ser o lucro, e, sim, o atendimento às necessidades da população, incluídas as camadas menos favorecidas.
A União Européia, que posa de liberal no comércio internacional, e cujos jornais econômicos – assim como o Wall Street Journal, dos EUA – adoram ficar (a palavra que queríamos usar é outra) – ditando regras para o governo brasileiro, acaba de postergar, até segunda ordem, o acordo de livre comércio com o Mercosul, mesmo depois da eleição de  Fernando Macri, adversário de Cristina Kirchner, na Argentina.
Apesar da propaganda contrária por parte da imprensa brasileira, a culpa não foi do Brasil ou do Mercosul.
Como previmos no post “o porrete e o vira-lata” os europeus roeram a corda porque,  protecionistas como são, não querem eliminar seus subsídios ao campo nem  abrir o mercado do Velho Continente aos nossos produtos agrícolas, nem mesmo em troca da assinatura de um acordo que pretendem cada vez mais leonino - para eles  é claro - com a maioria dos países da América do Sul.  
Se no plano econômico é assim, no contexto político a estória também não é muito diferente.
Os bajuladores dos EUA entre nós acusam a Venezuela e a Argentina – onde a oposição venceu democraticamente as respectivas eleições há alguns dias – de ditaduras “bolivarianas”.
Mas não emitem um pio com relação a “democracias” apoiadas pelos EUA, como a Arábia Saudita - governada e controlada por uma família real com algumas centenas de membros.
Um reino que detêm um fundo, estatal e bilionário, que acaba de comprar 10% da terceira maior empresa de carnes brasileira, a Minerva Foods.
E uma monarquia fundamentalista na qual as mulheres votaram pela primeira vez, apenas na semana passada.
Fonte: http://www.maurosantayana.com

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Pesquisa mostra que britânicos são cada vez mais a favor de saída da UE

Segunda, 28 de setembro de 2015
Da Agência Lusa e Agência Brasil
Os britânicos estão cada vez mais a favor do brexit - termo utilizado para designar a saída da Grã-Bretanha da União Europeia -, de acordo com nova pesquisa publicada hoje (28) no diário The Times.

sábado, 19 de setembro de 2015

Os refugiados na Europa são seres humanos e nossos irmãos

Sábado, 19 de setembro de 2015
Da Tribuna da Internet / O Tempo
Leonardo Boff

ONU estima que já haja 60 milhões de refugiados

O grau de civilização e de espírito humanitário de uma sociedade se mede pela forma como ela acolhe e convive com os diferentes. Sob esse aspecto, a Europa nos oferece um exemplo lastimável que beira a barbárie. Geralmente, a estratégia era e continua sendo esta: ou marginaliza o outro, ou o submete, ou o incorpora, ou o destrói. Assim ocorreu no processo de expansão colonial.
O limite maior da cultura europeia ocidental é sua arrogância, que se revela na pretensão de ser a mais elevada do mundo, de ter a melhor forma de governo (a democracia), a melhor consciência dos direitos, criadora da filosofia e da tecnociência e, como se isso não bastasse, ser a portadora da única religião verdadeira: o cristianismo. Resquícios dessa soberba aparecem ainda no preâmbulo da Constituição da União Europeia: “O continente europeu é portador de civilização, seus habitantes a habitaram desde o início da humanidade em sucessivas etapas e, no decorrer dos séculos, desenvolveram valores, base para o humanismo: igualdade dos seres humanos, liberdade e o valor da razão”.
VIOLAÇÕES
Essa visão é somente em parte verdadeira. Ela esquece as frequentes violações desses direitos, as catástrofes que criou com suas ideologias totalitárias, guerras devastadoras, colonialismo impiedoso e imperialismo feroz que subjugaram e inviabilizaram culturas inteiras na África e na América Latina. A situação dramática do mundo atual e as levas de refugiados vindos dos países mediterrâneos se devem, em grande parte, ao tipo de globalização que ela apoia, pois configura, em termos concretos, uma espécie de ocidentalização tardia do mundo. Esse é o pano de fundo que nos permite entender as ambiguidades e as resistências da maioria dos países europeus a acolher os refugiados e os imigrantes.

Segundo dados o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, somente neste ano, 60 milhões de pessoas se viram forçadas a abandonar seus lares. Só o conflito sírio provocou 4 milhões de desalojados. Os países que mais acolhem essas vítimas são o Líbano (1,1 milhão de pessoas) e a Turquia (1,8 milhão).
Agora, esses milhares de indivíduos buscam um pouco de paz na Europa. Somente neste ano, cruzaram o Mediterrâneo cerca de 300 mil pessoas, entre imigrantes e refugiados. E o número cresce dia a dia. A recepção é carregada de má vontade, despertando na população manifestações que revelam grande insensibilidade e até inumanidade.
PERCALÇOS
A acolhida é cheia de percalços, especialmente por parte da Espanha e da Inglaterra. A mais aberta e hospitaleira, apesar dos ataques que se fazem aos acampamentos dos refugiados, tem sido a Alemanha. O governo da Hungria declarou guerra aos refugiados. Tomou uma medida de grande barbárie: mandou construir uma cerca de arame farpado de 4 m de altura ao longo de toda a fronteira com a Sérvia, para impedir a chegada dos que vêm do Oriente Médio. Os governos da Eslováquia e da Polônia declararam que somente aceitariam refugiados cristãos.
Essas são medidas criminosas. Todos esses sofredores não são pessoas humanas, não são nossos irmãos e nossas irmãs? Kant foi um dos primeiros a proporem uma República mundial em seu último livro, “A Paz Perpétua”. Dizia que a primeira virtude dessa República deveria ser a hospitalidade como direito e dever de todos. Ora, isso está sendo negado vergonhosamente pelos membros da Comunidade Europeia.
SOMOS UM SÓ
Que valham as palavras da física quântica Danah Zohar: “A verdade é que nós e os outros somos um só, que não há separatividade, que nós e o ‘estranho’ somos aspectos da única e mesma vida”. Como seria diferente o trágico destino dos refugiados se essas palavras fossem vividas com paixão e compaixão!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Um quarto da população da União Europeia vive em risco de pobreza, diz Oxfam


Quarta, 9 de setembro de 2015
Da Agência Lusa / Agência Brasil
A Europa registou níveis “inaceitáveis” de desigualdade em 2015, com um quarto da população da União Europeia (UE) vivendo em risco de pobreza e de exclusão social. A conclusão está em um relatório da organização não-governamental Oxfam, apresentado hoje (9) em Madri.
Segundo os dados do estudo intitulado “Europa para a maioria, não para as elites”, 123 milhões de pessoas vivem atualmente em risco de pobreza na região, enquanto 342 cidadãos europeus são considerados bilionários. O estudo da Oxfam qualificou os atuais níveis de desigualdade na UE como uma “injustiça inaceitável”.

sábado, 5 de setembro de 2015

A Europa errada está a sofrer o efeito boomerang

Sábado, 5 de setembro de 2015
Neste momento há uma tentação de agradecer a sírios, afegãos, iraquianos, líbios, somalis, e tantos outros, por nos terem ajudado a perceber a União Europeia que temos. Pura e simplesmente não existe, a não ser para a grande negociata e bela vida em Bruxelas e arredores. Artigo de José Manuel Rosendo.
Foto de José Manuel Rosendo, tirada em Gevgelija.
Sem saber o que fazer, a União Europeia está em crise profunda. É assim desde há muito tempo, mas conseguia disfarçar. E não é por falta de avisos e sinais que se deixa chegar a este ponto. Há muitos meses que os refugiados estão a chegar à Europa; há anos que os europeus andam a fazer asneira no local de origem da maioria dos refugiados que chegam às fronteiras europeias; há anos que a União Europeia não tem uma política externa comum; há anos que, sobretudo os países do Sul da Europa deixaram-se enredar em interesses de outros Estados europeus para os quais a vizinhança do Mediterrâneo é algo distante e fora da agenda. Por fim, uma coisa chamada Frontex (Agência europeia de gestão das fronteiras externas da União Europeia) mostrou toda a sua falência. Estamos a pagar a factura. O efeito boomerang nunca falha.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Stiglitz, Prêmio Nobel da Economia, diz que “A União Europeia está a destruir o seu futuro”

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Quarta, 2 de setembro de 2015
Do site esquerda.net
Em entrevista ao Le Monde, o Prêmio Nobel da Economia defendeu que “a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida” têm como objetivo atacar o Estado Social. Para Joseph Stiglitz, as “desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”.
2 de Setembro, 2015
Por ocasião da apresentação da edição francesa do livro The Great Divide, Joseph Stiglitz afirmou que uma das causas da “estagnação secular” é a “anemia na procura global”, causada, particularmente, pelas políticas de austeridade impostas na Europa.
Para o economista norte americano, o terceiro pacote de assistência à Grécia “é a garantia de que o país se vai afundar numa depressão longa e dolorosa”.
“A dívida é encarada como um travão ao crescimento, quando, pelo contrário, é o garante da prosperidade futura, quando utilizada para financiar investimentos essenciais”, advogou o Prêmio Nobel da Economia em entrevista ao Le Monde.
Segundo Stiglitz, “uma parte da direita do Velho Continente alimenta esta histeria em torno da dívida, por forma a atingir o Estado Social. O seu objetivo é simples: reduzir o escopo dos Estados”.
“É muito preocupante. Alimentando essa visão de mundo, a obsessão com a austeridade e a fobia da dívida, a UE está a destruir o seu futuro”, alerta.
“Desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”
O economista norte americano defendeu que as desigualdades, que, segundo alega, estão na origem da crise do subprime de 2007, “são incompatíveis com o crescimento saudável”.
“As desigualdades são o resultado de escolhas políticas e não uma fatalidade”, referiu o Nobel da Economia.
Defendendo que os países industrializados, e em concreto os EUA, devem investir em inovação, infraestruturas e educação, Stiglitz assinalou que “o endividamento para construir o futuro não é um travão ao crescimento”, sendo que “não fazê-lo é que é um presente envenenado para as gerações futuras”.
O economista lembrou ainda que, “nos EUA, as taxas de juro reais são negativas, e as mesmas são muito baixas na Europa”. “O momento nunca foi tão propício ao investimento”, frisou.
Sobre a suposta “recuperação dos EUA”, Joseph Stiglitz apontou que não passa de “uma miragem”, sendo unicamente sustentada pela queda do dólar e a bolha do mercado de ações.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Lafazanis: Unidade Popular irá representar o voto OXI (não) na Gŕecia

Terça, 25 de agosto de 2015
Do site ESQUERDA.NET
Ex-ministro da Energia e líder do recém-criado partido Unidade Popular pretende levar às eleições a vontade popular expressa no referendo de 5 de julho contra a austeridade, contra o novo Memorando e a sujeição nacional pela troika.
25 de Agosto, 2015
Lafazanis: Dar expressão ao OXI. Foto de Left.gr (Δολοφονία του Παύλου Φύσσα -Παναγιώτης Λαφαζάνης) [CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)], via Wikimedia Commons
Lafazanis: Dar expressão ao OXI. Foto de Left.gr 
(Δολοφονία του Παύλου Φύσσα -Παναγιώτης Λαφαζάνης) 
[CC BY 3.0 (http://creativecommons.org/licenses/by/3.0)],
via Wikimedia Commons

Panagiotis Lafazanis recebeu nesta segunda-feira do presidente da República o mandato de formar governo, como líder da Unidade Popular, o terceiro maior partido parlamentar, com 25 deputados. A formação do novo partido impediu que esse mandato fosse entregue à Aurora Dourada, de extrema-direita, que antes era o terceiro partido.
Lafazanis recebeu esse mandato de acordo com a Constituição e tem três dias para apresentar um governo ou assumir que não tem condições para o fazer. “Certamente que não temos ilusões de que possa ser formado por este Parlamento um governo com orientação antimemorando, que é o nosso objetivo”, disse Lafazanis. “Mas vamos usar este mandato para demonstrar que aquilo que o país e o povo grego precisam é de um novo Parlamento que se oponha ao Memorando”, esclareceu, ao receber o mandato, anunciando que além das reuniões protocolares com os outros partidos, a Unidade Popular reunir-se-á também com os movimentos sociais e sindicatos.
Cancelamento das privatizações
E foi nesta reunião, ocorrida esta terça-feira, que Lafazanis afirmou que o novo partido é a favor do cancelamento da onda de privatizações do terceiro memorando, “que preveem procedimentos escandalosos e preços de saldo” e convertem o país “numa colônia e num protetorado”.
Lafazanis criticou também em termos muito duros a data de 20 de setembro para as eleições, defendendo que o mais cedo que elas poderiam ser realizadas seria a 27 de setembro, defendendo a Unidade Popular a data de 27 de novembro, para que “o povo possa ter consciência das medidas de austeridade que ainda vão ser adotadas de acordo com o Memorando.

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terça-feira, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha

Terça, 18 de agosto de 2015

O diktat da Alemanha, por Ignacio Ramonet*

Ao apresentar às multidões um Tsipras com a corda ao pescoço e uma coroa de espinhos, Merkel, Hollande, Rajoy e os demais pretendiam demonstrar que não existe alternativa à via neoliberal. Criou-se na Europa o status de “novo protetorado” para os Estados que pediram um resgate. Editorial de agosto do Le Monde Diplomatique em espanhol.
17 de Agosto, 2015
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel - Foto de Guido Bergmann/Bundesregierung
Somente nos filmes de terror se podem ver cenas tão sádicas como a que vimos no dia 13 de julho, em Bruxelas, quando o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras – ferido, derrotado, humilhado – teve que acatar em público, cabisbaixo, o diktat da chanceler alemã, Angela Merkel, renunciando assim ao seu programa de libertação, pelo qual foi eleito, e o qual, precisamente, acabava de ser ratificado pelo seu povo, mediante referendo.
Exibido pelos vencedores como um troféu para as câmaras do mundo, o pobre Tsipras teve que engolir o seu orgulho e tragar também tantos sapos e cobras que o próprio semanário alemão Der Spiegel, compadecido, qualificou a lista de sacrifícios impostos ao povo grego como “um catálogo de horrores”…
Quando a humilhação do líder de um país alcança níveis tão assustadores, a imagem fica para a história, para servir de exemplo às gerações futuras, incitadas a não aceitar nunca mais um tratamento semelhante. Assim chegaram até aos nossos tempos expressões como “passar pelas forcas caudinas”1 ou o célebre “passeio da Canossa”2. O que ocorreu em 13 de julho foi tão enorme e tão absolutamente irreal que talvez esse dia também seja recordado, no futuro da Europa, como o dia do “diktat da Alemanha”.
Perdeu-se definitivamente o controle cidadão em relação a uma série de decisões que determinam a vida das pessoas no quadro da União Europeia (UE) e, sobretudo, no seio da Zona Euro

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Eric Toussaint: "A presidente do Parlamento Grego salvou a honra do Syriza"

Segunda, 17 de agosto de 2015
"A coisa mais séria descoberta pela Comissão da Verdade é clara: toda a dívida reclamada pelos credores da Troika é ilegítima, odiosa, ilegal e insustentável. Não é apenas uma parte dela; é a totalidade da dívida.
Nós estamos em uma situação em que os três partidos à direita que perderam o referendo são aqueles que, juntamente com os credores, estão ditando as leis que o Parlamento deve adotar."
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Entrevista (em 01 de agosto) com Eric Toussaint*, por Fátima Fafatale
Tradução do inglês para o português por Giulia Pierro – original aqui.

“Agora o governo Tsipras tornou-se cúmplice dos credores, em violação dos direitos humanos”, diz Eric Toussaint, coordenador científico da Comissão da Verdade sobre a Dívida Grega, formada sob os auspícios do parlamento grego em abril de 2015. A própria Comissão da Verdade também enfrenta uma possível retirada de apoio. “Nós vamos continuar trabalhando enquanto [Zoe Konstantopoulou] continuar presidente e, mesmo se ela sair, vamos continuar por nossa conta”, diz ele. O cientista político belga propôs alternativas para a “capitulação”. Diagonal perguntou-lhe quais políticos gregos poderiam realizá-las. “Há uma maioria do Comité Central Syriza que se opõe ao acordo e é a favor da implementação de medidas radicais”, disse ele. Toussaint acredita que “uma saída do euro tornou-se uma perspectiva necessária.”
Qual é a sua avaliação da capitulação assinada por Tsipras?
É uma verdadeira capitulação com efeitos devastadores, porque agora o governo Tsipras tornou-se cúmplice dos credores, em violações de direitos humanos. De fevereiro de 2015 até agora não foi esse o caso, porque as leis aprovadas pelo parlamento grego buscavam restabelecer parcialmente esses direitos. É verdade, mesmo que insuficientemente, mas eram leis destinadas a restabelecer os direitos afetados por cinco anos de políticas ditadas pela Troika.
As consequências da capitulação certamente serão sentidas entre o povo grego a partir do outono. Mas desde já pode-se ver de forma muito clara que as leis apresentadas nas noites de 15, 16, 22 e 23 de julho e aprovadas pelo Parlamento foram propostas pelo governo, porém ditadas pelos credores. Elas afetam seriamente os direitos econômicos, sociais, civis e políticos dos cidadãos gregos, é por isso que eu menciono violações dos direitos humanos. Uma das leis aprovadas nas noites de 22 e 23 de julho permite aos bancos organizar a expulsão de famílias que atrasarem o pagamento de suas hipotecas. Na Espanha, você sabe o que isso significa. Essa lei não é tão nefasta quanto a atual lei espanhola, mas tem os propósitos semelhantes…

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Grécia: Novo memorando revê em baixa metas de austeridade

Quarta, 12 de agosto de 2015
O governo grego e os credores chegaram a acordo para o financiamento ao país nos próximos três anos. As metas orçamentais a atingir nos próximos anos baixaram e Atenas acredita que dão espaço para o crescimento da economia. Em dois telefonemas, Merkel ainda tentou travar o acordo.
12 de Agosto, 2015
O acordo prevê que possa regressar a negociação coletiva e as alterações às leis laborais serão feitas em consulta com a OIT.

Segundo a agência ANA-MPA, a chanceler alemã falou com Alexis Tsipras na segunda e na terça-feira, procurando convencer o primeiro-ministro grego da solução de um “acordo-ponte” que garantisse o pagamento das dívidas ao BCE nos próximos meses, prolongando as negociações para o terceiro memorando. Nos contatos que manteve também com Juncker e Hollande, Tsipras recusou sempre essa hipótese, exigindo que fosse cumprida a decisão da cimeira de 12 de julho para um terceiro programa de assistência ao país.
O acordo técnico anunciado na terça-feira terá agora de passar em vários parlamentos de países da zona euro. A começar pelo grego, onde deverá ser votado esta quinta-feira, para no dia seguinte ser discutido no Eurogrupo. A grande diferença em relação às anteriores propostas em cima da mesa é a revisão em baixa das metas de austeridade para os próximos anos na Grécia.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Alemanha lucrou mais de 100 mil milhões de euros com crise grega

Terça, 11 de agosto de 2015
Do site esquerda.net
Segundo o Instituto de Investigação Económica Halle, "mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo” do dinheiro investido pela Alemanha nos planos de assistência financeira, “a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise".

Foto PPE/Flickr
A Alemanha "beneficiou claramente com a crise grega", em mais de 100 mil milhões de euros, refere o Instituto de Investigação Econômica Halle, membro da Associação Leibniz em comunicado.


“O orçamento equilibrado na Alemanha resulta em grande parte do pagamento de juros mais baixos devido à crise da dívida europeia”, lê-se no documento, no qual é sublinhado que a redução das taxas de ‘bund’ de cerca de 300 pontos base traduziu-se numa poupança de “mais de mil milhões de euros mais 100 (ou de 3% do produto interno bruto, PIB) durante o período de 2010 a 2015”.
“Uma parte significativa desta redução é diretamente imputável à crise grega”, esclarece o Instituto.
“Quando confrontados com uma crise, os investidores procuram investimentos seguros. Durante a crise da dívida na zona euro, a Alemanha beneficiou desproporcionalmente deste efeito: sempre que surgiam notícias más sobre a Grécia, as taxas de juro sobre as obrigações do governo alemão caíram, e cada vez que as notícias foram boas, estas subiram", explicam os investigadores.
“Ao discutir os custos para o contribuinte alemão de salvar a Grécia, estes benefícios não devem ser negligenciados, já que tendem a ser maiores do que as despesas, mesmo num cenário em que a Grécia não pague qualquer uma das suas dívidas”, destacam, lembrando que a Alemanha investiu cerca de 90 mil milhões de euros nos planos de assistência financeira, incluindo o que está agora a ser negociado.
“Mesmo que a Grécia não devolva nem um cêntimo, a bolsa pública alemã beneficiou financeiramente da crise", reforçam.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Como o Goldman Sachs lucrou com a crise da dívida grega

Quinta, 23 de julho de 2015
O banco de investimento ganhou milhões de dólares para ajudar a esconder a verdadeira dimensão da dívida - levando-a praticamente a dobrar de tamanho. Da mesma forma, cidades e estados americanos têm sido obrigados a cortar serviços essenciais por estarem presos a operações similares.

Por Robert Reich, ex-Secretário do Trabalho dos EUA.
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Imagem de Thierry Ehrmann / FLickr
A crise da dívida grega põe em evidência uma vez mais os poderes de persuasão e predação de Wall Street – uma peça que permanece invisível na maioria dos relatos sobre a crise do outro lado do mundo.
A crise foi agravada anos atrás por uma operação do Goldman Sachs, arquitetado pelo atual diretor-executivo do banco, Lloyd Blankfein. Juntamente com a sua equipa, Blankfein ajudou a Grécia a esconder a verdadeira dimensão da sua dívida e, no processo, fê-la praticamente dobrar de tamanho. Da mesma forma como ocorreu na crise do subprime americano, e que levou à atual situação crítica de muitas cidades americanas, um empréstimo predatório de Wall Street teve um papel importante na crise grega, embora pouco reconhecido.
Em 2001, a Grécia procurava maneiras de mascarar os seus crescentes problemas financeiros. O Tratado de Maastricht exigia que todos os membros da zona do euro mostrassem melhorias nas contas públicas, mas a Grécia ia na direção oposta. Então o Goldman Sachs veio em seu socorro, oferecendo um empréstimo secreto de 2,8 mil milhões de euros, disfarçado de swap cambial não contabilizado – uma operação complicada, em que a dívida da Grécia em moeda estrangeira foi convertida em obrigações em moeda local, utilizando uma taxa de câmbio fictícia.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Sistema financeiro avança no domínio da economia mundial

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Terça, 21 de julho de 2015
Da Tribuna da Internet

Guilherme Almeida
Sobre a dramática situação da Grécia, que ninguém entende como chegou a esse ponto, uma mensagem recebida do Além Mar pode nos esclarece muita coisa, mostrando como o sistema financeiro está avançando no domínio da economia internacional. Para facilitar as explicações, pedimos ao interlocutor do Além Mar que nos explicasse de forma primária, como se fôssemos mesmo muito burros…

O que é o BCE?

– O BCE é o banco central dos Estados da União Europeia que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E donde veio o dinheiro do BCE?

– O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 países da UE contribuíram com 30%.

E é muito, esse dinheiro?

– O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012, até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

Então, se o BCE é o banco destes países, pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco, pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas ?

– Não, não pode.

Por quê?!

– Por quê? Porque… porque, bem… são as regras.

Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?

– A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses, por exemplo.

Ah, percebo, então Portugal ou a Grécia, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE.

– Pois . . .

Mas para que complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia irem directamente ao BCE?

– Bom… sim… quer dizer… em certo sentido… mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

Agora não percebi!!..

– Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de maio a dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 bilhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

Mas isso assim é um “negócio da China”! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!

– Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 bilhões de euros.

Isso é um verdadeiro roubo… Com esse dinheiro, nem precisariam cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou parte do 13º salário…

– As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?

– Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

Então, os governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos governos que são donos do BCE?

– Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!…

– Nós, quem?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prêmios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

Mas, e os nossos governos aceitam uma coisa dessas?

– Os nossos governos… Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

Mas então eles não estão lá eleitos por nós?

– Em certo sentido, sim, é claro, mas depois… quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num cassino mundial, como os cassinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E onde o foram buscar?

– Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?…

Mas meteram os responsáveis na cadeia?

– Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody’s, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram… passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indenização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E então como é que é? Engolimos e calamos?

– Isso já não é comigo, eu só estou a explicar…