Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador violação de sigilo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador violação de sigilo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Especialistas defendem voto impresso para recontagem de resultado de eleição

Terça, 15 de outubro de 2013
Carolina Gonçalves, repórter da Agência Brasil
Brasília – Especialistas criticaram hoje (15) o fato de o Brasil ser o único país sem a confirmação impressa individual do voto. Durante audiência na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) do Senado, professores da Universidade de Brasília (UnB) e integrantes do Fórum do Voto Seguro na Internet disseram que o programa usado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não é seguro e defenderam que o processo eleitoral tenha um mecanismo que também confirme em papel a escolha do eleitor no momento da votação.

A bandeira defendida pelos especialistas é a de que esse voto impresso seja confirmado na hora pelo eleitor e descartado imediatamente após a checagem, ainda na zona eleitoral, para evitar a retomada da prática que ficou conhecida como “voto de cabresto”, quando eleitores eram coagidos a votar em determinado candidato.

Para o moderador do Fórum do Voto Seguro na Internet, Amílcar Brunazo Filho, que participou do processo de implantação das urnas eletrônicas no país, o sistema de votação atual não garante ao eleitor que a escolha dele foi gravada de fato no sistema eleitoral. “Só tem a confirmação na tela. Depois que o voto foi gravado, ele não pode ver, não pode conferir”, criticou.

Brunazo contou que na Alemanha a mesma situação foi considerada inconstitucional e a Justiça Eleitoral germânica determinou a impressão do voto para a recontagem dos levantamentos das urnas. “Não significa entregar para o eleitor [a cédula], mas permitir que ele veja [o voto] impresso, confirme ou cancele, e depois [a cédula] é jogada em uma sacola”, explicou.

A ideia é que com esse mecanismo seja possível confirmar o resultado das eleições a partir de uma recontagem dos votos por amostragem de 2% das urnas a serem checadas. 

O debate foi marcado para que especialistas no assunto pudessem apresentar diferentes aspectos do processo eleitoral antes que o senador João Capiberibe (PSB-AP) conclua o relatório sobre um projeto de lei (PLS 68/2010) que revoga a previsão legal da impressão do voto do eleitor. A proposta era descartar, já nas eleições de 2014, qualquer possibilidade de o comprovante de votação ser conferido e colocado, de forma automática e sigilosa, dentro da urna para auditoria posterior.

Pelos prazos da Lei Eleitoral, a medida não terá efeito para as eleições do ano que vem, mas o projeto continuará em análise no Senado. “Eu não consigo entender por que, como eleitor, não tenho o direito de ver o meu voto”, disse Capiberibe.

O professor de ciência da computação da UnB Diego Aranha garantiu que o “software do TSE é comprovadamente inseguro”. Aranha integrou em 2012 um grupo de professores contratados pelo tribunal para analisar a segurança do programa. Segundo ele, em testes aplicados durante cinco horas ficaram claras falhas que colocam em risco, inclusive, o sigilo do eleitor.

"O software é demonstradamente inseguro ou contém erros. Precisamos de um registro físico do voto para permitir verificação de que os resultados são, de fato, honestos. Precisamos de outro mecanismo redundante”, disse.

Integrantes do TSE foram convidados para participar do debate mas, segundo a secretaria da comissão, a ministra Carmem Lúcia, presidente da corte, explicou que como o tribunal pode ter que analisar as mudanças não seria adequado que qualquer integrante manifestasse opinião sobre o processo.

Aranha e Brunazo também fizeram um alerta para outros pontos do projeto de lei que garantem total autonomia do TSE sobre dados biométricos dos eleitores. Segundo eles, da forma como está previsto no texto, o tribunal é o detentor exclusivo das informações, mas pode compartilhar os dados com qualquer órgão e regulamentar o uso.

Os especialistas ainda criticaram o processo da biometria. Para eles, o sistema é injustificável, já que exige impressão digital de lado a lado dos dez dedos do eleitor e uma foto em alta resolução quando, no processo eleitoral, é apenas necessária a impressão digital de dois dedos e o título eleitoral não é sequer considerado como documento de identificação pelo próprio tribunal pelo fato de não ter foto impressa.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Transferência de responsabilidade

Qarta, 13 de março de 2013
Por Ivan de Carvalho
         1. Estou concluindo a leitura de um livro – Busque e Destrua. Com o subtítulo “Por que você não pode confiar no Google Inc.”. O autor, Scott Cleland, especialista em Google é considerado por muitos o principal crítico “da empresa mais poderosa do mundo”.

            Há toda uma robusta fundamentação e conclusões distribuídas nas suas 286 páginas (sem contar as 62 ocupadas pelas notas bibliográficas) que nos levam à impressão, quase convicção, de que o Google Inc. está se tornando a grande base para a imposição global do Big Brother – o Grande Irmão totalitário de “1984”, o livro profético de George Orwell.

Só um detalhe, quanto a isso: reagindo a um ataque massivo de hackers da China contra seus bancos de dados, o Google buscou a ajuda do mais poderoso e tecnológico serviço secreto norte-americano – a NSA, Agência de Segurança Nacional. Estabeleceu-se aí uma colaboração não mais interrompida entre o Google Inc. e a NSA. Objetivo declarado do Google: ter toda a informação do mundo. Sobre isso, muito mais está no livro.

Mas vamos a outro aspecto. A fundamentação de “Busque e Destrua” sustenta que só a privacidade do Google Inc. é importante para esta empresa. Não a das outras empresas, organizações e dos indivíduos. Nunca a teletela do Big Brother esteve tão operante quanto agora, graças ao Google. Pois bem. O Google grava tudo em seu sistema de servidores – e não apaga nunca, nunca. Mesmo que você mande para a lixeira e exclua, você apenas perdeu seu acesso ao material, mas o Google o mantém e pode entregá-lo a um governo que o solicite “legalmente”, inclusive o conteúdo dos emails que você envia ou recebe pelo Gmail e até o conteúdo dos rascunhos que você haja resolvido descartar. O Google bisbilhota sua lixeira, assegura Scott Clelland.

Ela quer saber absolutamente tudo sobre você e tem até um programa para aprender seu modo de mover a seta do mouse na tela. O objetivo é servir aos anunciantes da maneira mais eficaz possível (embora diga que sua prioridade são os usuários). Como a invasão da privacidade alheia é quase absoluta e como os sistemas de segurança do Google em relação aos dados de terceiros não são uma prioridade, também é grande o risco de invasões de hackers. Por esta e outras razões, o Google Inc. tornou-se especialista no que o livro de Scott Clelland chama de “transferência de responsabilidade”.

Um aspecto. Se seus dados armazenados no Google são “raqueados”, a empresa inverte a responsabilidade: ensina que os usuários devem ser cuidadosos, rápidos em avisar quaisquer anomalias notadas e tomar tantas precauções que parece que eles é que têm a obrigação de impedir que os hackers invadam os bancos de dados do Google. Ah, o Google Inc., segundo o livro de Clelland, se apresenta em pele de cordeiro, mas escolheu uma réplica de Tiranossaurus Rex em tamanho natural como sua mascote. A novilíngua de Orwell: Liberdade é Escravidão; Cordeiro é Tiranossaurus Rex.

            2. Bem, chega de Google. Mas não de transferência de responsabilidade. Lembre-se o leitor que as agências bancárias estiveram fechadas por alguns dias, por causa de uma greve dos vigilantes. Uma lei impede que uma agência bancária funcione sem pelo menos dois vigilantes (particulares) em seus postos. Mas, pela Constituição, a segurança pública é responsabilidade do Estado. A tal lei é uma transferência de responsabilidade, talvez até inconstitucional.

            Outro caso: entre os conselhos encontrados no site da Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia para aconselhar a população a se proteger está o de levar sempre o cidadão algum dinheiro para o ladrão. O agora chamado “imposto do ladrão”. Assim, haveria mais chances de ele ficar satisfeito e ir embora sem praticar outros crimes. Não vou dizer que o conselho é errado. Afinal, muitas pessoas, por conta própria, pois o Estado não fornece a grana, já levam – quando têm – o “dinheiro do ladrão”. Errado é o Estado estar transferindo aos cidadãos a responsabilidade pela segurança pública, que é dele. É quase como se dissesse: “Se os bandidos saírem matando pessoas por aí por não estarem levando o dinheiro para eles, a culpa é dos mortos”.
- - - - - - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originariamente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

No mundo do Big Brother

Terça, 14 de agosto de 2012
Por Ivan de Carvalho
Só para lembrar, pois a informação não é nova. Um cidadão londrino, segundo estudo bem conhecido, é filmado até 300 vezes por dia. Há câmaras privadas, em lojas, bancos, hotéis e há câmeras públicas, nas ruas, parques, estações e trens do metrô, dentre outros lugares. Se é assim em Londres, na Suiça a instalação de câmeras públicas tem sido aprovada nas ruas em diversas regiões do país – onde já existem de 100 mil a 150 mil dessas câmeras.

            No Brasil, país de ainda muitos desdentados, pedem aos cidadãos que sorriam por estarem sendo filmados. Nas metrópoles e até em cidades não tão grandes, as câmeras estão espalhadas pelos mais variados ambientes privados.  Os bandidos não sorriem e usam bonés, camisas e outros meios de cobrir o rosto, mas entre as outras pessoas certamente haverá algumas tolas que, equivocadas quanto à direção da correnteza, gentilmente mostram os dentes aos controladores.

            Nos Estados Unidos, o incidente envolvendo o World Trade Center, o Pentágono e o sequestro de quatro grandes aviões comerciais quebrou a até então fortíssima resistência do povo norte-americano à invasão de privacidade, ao monitoramento. Lá já se planeja instituir a carteira de identidade, uma coisa corriqueira no Brasil mas, até há poucos anos, completamente inaceitável para os americanos, que admitiam apenas a identificação geral representada pelo número do cartão de seguro social.         

            Mais. E esta é notícia de poucos dias. Sob os olhos menos atentos da população, o governo americano conseguiu montar discretamente um sofisticado sistema de vigilância – espionagem eletrônica de amplitude nacional. Trata-se de um “sistema de prevenção contra o terrorismo”, chamado TrapWare, segundo informações provenientes do site WikiLeaks, conseguidas por meio de e-mails raqueados pelo grupo Anonymous. A informação foi divulgada amplamente em primeira mão por um site oficial do governo russo. O sistema controla, por exemplo, os pontos turísticos (incluindo praias e muitos outros). É como se, a pretexto de monitorar turistas estrangeiros, fosse instalado um sofisticado sistema de espionagem eletrônica nas praias de Copacabana, Ipanema, Leme, Leblon, Maracanã e outros lugares, sistema capaz de espionar todos os frequentadores.

Trata-se de um sistema muito mais moderno do que os de identificação facial até aqui existentes, segundo a informação. A revelação é tão grave, segundo o especialista de “Business Insider” David Seaman, que o WikiLeaks está praticamente paralisado pelo bombardeio de 10GB a 40GB de requisições falsas por segundo. Diante disso, o acesso do site pelos internautas fica quase impossível. É uma maneira técnica e não oficial de censurá-lo (já que a censura é vedada e implica em violação da Constituição americana).

Assim, seria interessante que a iniciativa da OAB do Rio de Janeiro fosse endossada pelas demais seccionais e pelo Conselho Federal da Ordem. O procurador geral da OAB-RJ, Ronaldo Cramer, resolveu inicialmente questionar o Departamento Nacional de Trânsito sobre o rastreamento dos 73 milhões de veículos da frota terrestre brasileira por meio de chips que emitem em radiofrequência e antenas que as captam e enviam para centrais. (O Detran da Bahia já está avisando sobre a imposição imediata de chips nos carros quando do licenciamento). Caso o Denatran insista com esse rastreamento que ele mesmo inventou, mediante meras resoluções, a OAB-RJ vai ingressar na Justiça, arguindo a inconstitucionalidade. Ainda não deu para entender porque, criado o sistema dos chips por uma resolução de 2006, até hoje a direção nacional da OAB não se moveu.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - -  
                                            Imagem da internet

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Guardião e acesso à informação

Quinta, 26 de julho de 2012
Por Ivan de Carvalho
Segundo conta a coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, na primeira sessão de instrução da ação contra Carlinhos Cachoeira, na Justiça Federal, na terça-feira, o advogado Ney Moura, na defesa de Wladimir Garcez, perguntou a um agente da Polícia Federal se o sistema Guardião, da Polícia Federal (e também de muitas polícias estaduais, inclusive a da Bahia) é “ativo ou passivo”, isto é, “se gravava sozinho ou só quando mediante comando”.

O agente respondeu que “é um sistema passivo”. Mas quando o agente respondeu a alguma outra pergunta, o advogado observou: “Pelo que o Sr. está dizendo, o sistema é ativo”. Foi então que o juiz, Alderico Santos, interveio: “Isso não é relevante, se o sistema é ativo ou passivo, homem, mulher...”.
            
            Claro que não interessa se o sistema é homem ou mulher. Mas o advogado certamente tinha suas razões para indagar se o sistema é ativo ou passivo e isto, sem nenhuma dúvida, interessa, não só a ele como à sociedade.
            
            Aliás, será de grande conveniência que alguma instituição, a exemplo da OAB ou ABI ou ainda alguma entidade de defesa dos direitos e garantias individuais (isso para dar mais força e repercussão ao caso), ou mesmo um veículo de divulgação (jornal, emissora de televisão ou de rádio, site de notícias da Internet, partido político, bancada parlamentar ou algum cidadão) requeira da Polícia Federal e das polícias estaduais (incluindo a Polícia Civil da Bahia) informações detalhadas sobre o sistema Guardião.

            O pedido seria fundamentado na Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011), em vigor. Vários milhares de requerimentos de informação vêm sendo feitos, mas, até onde se haja divulgado, o sistema Guardião está ainda intocado. Ele monitora os grampos (escutas telefônicas e outras escutas eletrônicas) autorizadas pela justiça por solicitação policial. O Ministério Público, como órgão que também pode conduzir investigações, tem o sistema Guardião a sua disposição.

            Além das escutas judicialmente autorizadas, corretamente fundamentadas na Constituição e na legislação específica, podem ocorrer (na verdade há alegações de que têm ocorrido com certa frequência) autorizações judiciais sem a fundamentação correta, vale dizer, em circunstâncias nas quais a Constituição e a legislação específica não permitiriam a escuta. É o que se tem chamado, a título de advertência – ou talvez de constatação – de “banalização do grampo”, com a agressão, nestes casos, de garantias e direitos individuais relacionados no artigo 5º da Constituição.

            Ora, se são assim as coisas, é evidente que em sua própria defesa a sociedade tem o máximo interesse em saber sobre o Guardião. Não só se o sistema é “ativo ou passivo”, mas interesse em conhecer, detalhadamente, todas as informações sobre o Guardião, o uso que dele tem sido feito, quais autoridades ou órgãos do Estado possuem o sistema – nas esferas federal, estadual e até municipal, se for o caso –, sua capacidade quanto ao número de escutas simultâneas (parece que, teoricamente não tem limite, dependendo apenas do número de funcionários postos para processar o material gravado). Isso e outras informações sobre aspectos cuja relevância os especialistas certamente saberão apontar.

            Estou abordando esta questão do Guardião porque o monitoramento das pessoas pelo Estado e até por empresas privadas e indivíduos – como no caso de câmeras em lojas, agências bancárias, escritórios e no caso de escutas clandestinas tão comuns – é cada vez mais amplo e tem tudo a ver com a questão da liberdade. Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) no Rio de Janeiro, resolveram impor aos médicos um chip no jaleco. Eles se rebelaram, vão ao Judiciário. Não sei e estou muito curioso sobre a resposta que este dará.
= = = = = = = = = = = = = = = = = =
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O fim da privacidade na Internet‏

Segunda, 23 de abril de 2012
Leia a seguir o apelo da Avaaz.org contra o fim da privacidade na internet

Caros amigos,




Nesse exato momento, empresas como a Microsoft e Facebook estão pressionando pela aprovação de uma nova lei que permitiria ao governo dos EUA espionar quase tudo o que fazemos online. Mas se nos manifestarmos em número suficiente, poderemos exigir que as empresas retirem seu apoio e parem com a ciber-espionagem. Junte-se ao chamado:
Nesse momento, os Estados Unidos se preparam para aprovar uma nova lei que daria poderes aos agentes dos EUA a espionarem quase tudo o que fazemos online. Mas podemos impedí-los antes da votação final.

Empresas a quem confiamos nossas informações pessoais, como a Microsoft e Facebook, são os defensores principais desse projeto de lei que permite às corporações compartilharem todas as atividades e conteúdo de usuários com as agências do governo dos EUA -- anulando as garantias de privacidade para quase todas as pessoas ao redor do mundo, não importando onde essas pessoas vivem ou navegam online.

Se nos manifestarmos em número suficiente, poderemos impedir que as corporações que lucram com nossas informações apoiem a ciber-espionagem. Assine a petição para essas corporações da Internet agora:

http://www.avaaz.org/po/stop_cispa_corporate_global/?vl

O Ato de Proteção e Compartilhamento de Ciber Inteligência (CISPA, na sigla em inglês) daria permissão às empresas que fazem negócios nos EUA de coletar registros exatos de todas as nossas atividades online e entregá-los para o governo dos EUA sem nem ao menos nos enviar uma notificação de que estamos sendo observados. Nenhuma garantia, nenhuma causa legal ou processo seria solicitado. Para piorar as coisas, o projeto de lei fornece ao governo e corporações uma imunidade para protegê-los de processos por violação de privacidade e outras ações ilegais.

Os defensores do projeto de lei afirmam que a informação do consumidor será protegida, mas a realidade é que grandes buracos na lei tornariam tudo o que fazemos online passível de observação -- e hoje em dia, nossas informações pessoais estão todas armazenadas na Internet.

O CISPA está sendo levado adiante no Congresso e será colocado em votação em alguns dias. Vamos criar um protesto massivo para impedir que as corporações dêem aos EUA uma carta branca para monitorar nossos passos. Clique abaixo para se mobilizar:

http://www.avaaz.org/po/stop_cispa_corporate_global/?vl

Neste ano, já ajudamos a impedir SOPA, PIPA e ACTA -- terríveis ameaças à Internet. Agora, vamos parar o CISPA e acabar com o ataque do governo dos EUA sobre nossa Internet.

Com esperança e determinação,

Dalia, Allison, Emma, Ricken, Rewan, Andrew, Wen-Hua e toda a equipe da Avaaz

Mais informações:

"Novo Sopa" recebe apoio do Facebook e rejeição da Casa Branca (Terra)
http://tecnologia.terra.com.br/noticias/0,,OI5725324-EI12884,00-Novo+Sopa+recebe+apoio+do+Facebook+e+rejeicao+da+Casa+Branca.html

O pai da Web e um dos pais do Google dizem que controlo da Internet é assustador (Público)
http://www.publico.pt/Tecnologia/tim-bernerslee-e-sergey-brin-alertam-para-os-perigos-do-controlo-da-internet-1542552

Grupos de defesa das liberdades civis americanas lança protesto online contra CISPA (Centro Knight)
http://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-9756-grupos-de-defesa-das-liberdades-civis-americanas-lanca-protesto-online-contra-projeto-d

CISPA: A Internet tem um novo inimigo (em inglês) (Global Post)
http://www.globalpost.com/dispatches/globalpost-blogs/the-grid/cispa-the-internet-finds-new-enemy-sopa

Protestos contra o CISPA em meio a mudança de legislação (em inglês) (Los Angeles Times)
http://www.latimes.com/news/politics/la-pn-cispa-protests-begin-amid-key-changes-to-legislation-20120416,0,5314596.story

Perguntas e Respostas sobre projeto de lei de Cibersegurança: os preocupantes danos à privacidade no CISPA e como impedí-lo (em inglês) (Electronic Frontier Foundation)
https://www.eff.org/deeplinks/2012/04/cybersecurity-bill-faq-disturbing-privacy-dangers-cispa-and-how-you-stop-it

Novo texto do CISPA restringe jargão de cibersegurança ao passo que começam os protestos (em inglês) (Mashable)
http://news.yahoo.com/cispa-draft-narrows-cybersecurity-language-protests-loom-134202431.html

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mensagens nada republicanas

Quarta, 29 de fevereiro de 2012
Do Blog do Sombra

Mensagens nada republicanas

 

Órgãos de Segurança Pública do DF estão sendo utilizados para investigarem com métodos clandestinos, pessoas e não fatos. Será a volta dos velhos tempos tão combatidos pelo PT?

Como não foi possível se organizarem totalmente durante a gestão Onofre de Morais, o núcleo instalado na Polícia Civil que visa denegrir os adversários de integrantes do GDF está se completando para dar continuidade a sanha.

O plano vazou através de um e-mail enviado a diversos órgãos de controle e dois deputados distritais.

Já se sabe que dois secretários de pastas importantes do GDF e um Ten. Coronel da PMDF são os mentores da brilhante ideia.

Compõe o núcleo cinco delegados que estão operacionalizando as ações, diversos agentes escolhidos à dedo e lotados em delegacias estratégicas para  fazerem os levantamentos, inclusive nos estados onde nasceram os investigados.

Uma empresa de São Paulo foi contratada para rastrear e monitorar sigilos telefônicos, bancários e fiscais. Depoimentos forjados e testemunhas de viveiro que estão sendo cevadas,  farão parte do grande plano.

Poderemos ter muito em breve pedido de prisões de parlamentares, jornalistas e servidores públicos que se opõe a alguns integrantes do GDF.

O documento enviado às autoridades, tem uma informação importante, o governador Agnelo Queiroz e seu chefe de gabinete Cláudio Monteiro não têm conhecimento do que está sendo tramado.

A história vazou e algumas pessoas já foram avisados pelos que receberam as informações.

Agora é esperar para ver. Se o governador não tomar providências imediatas, poderá sofrer mais um grande desgaste político, pois "as pessoas envolvidas não estão nem aí para ele."

Fonte: Edson Sombra

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A REVOADA DOS ARAPONGAS

Terça, 27 de setembro de 2011
Da Revista Eletrônica Quid Novi

Mino Pedrosa


A Revista Quidnovi revelou na edição de ontem, 26 de setembro,  um aparelho repressor montado numa Mansão da Península dos Ministros, de Brasília. O bairro da Capital Federal abriga as residências oficiais do Senado e da Câmara, dos Tribunais e ministros de Estado. Por ali, também moram empresários que convivem com o Poder. O resultado é um bairro  realmente nobre, no qual não se identifica exatamente quem é Governo e quem não é, o que supostamente garantia o anonimato e a segurança das autoridades.

No cenário, da QL 12 – conjunto 4 casa 2 , do Lago Sul, foi instalado o aparelho repressor que grampeou a família do presidente do Senado, ministros e procuradores dos tribunais  superiores, empresários influentes, governadores e secretários de Governo.
 
A mansão aparelho repressor na Península dos Ministros.
A casa, vista de fora,  aparentemente não tinha movimento. Mas no interior várias pessoas em funções  estratégicas acompanhavam a movimentação dos alvos. Após a matéria de ontem do Quidnovi, os arapongas foram obrigados a mostrar as caras. O ex-delegado responsável pela Inteligência da Polícia Civil Celso Ferro e o militar da ABIN – Agência Brasileira de Informações Acir Pitanga Seixas comandavam, com as empresas TRUESAFETY, CONDOR e INFOSEC Consultoria , o esquema no qual faziam suas vítimas reféns dos grampos clandestinos, permitindo  a seus “clientes” ocuparem os espaços nos Governos Federal e Local.

O “aparelho” não era novidade para a polícia Federal, nem para a ABIN e tão pouco para a Polícia Civil, que emprestava parte dos equipamentos para a arapongagem do ex-chefe Celso Ferro.

Na casa, segundo fontes, estavam guardados grande quantia em dinheiro, malas com equipamentos de escuta telefônica, rastreamento e análise de vídeo, que foram retirados após as revelações da nossa Revista Eletrônica.

Os arapongas foram surpreendidos pelo Quidnovi e começaram a desmontar a estrutura do aparelho na mansão da Península dos Ministros. Mas registramos com exclusividade  toda a movimentação e as caras clandestinas de Celso Ferro; da sobrinha do ex-delegado e também analista de informações visuais Daiane Guimarães Lima Ferro, do chefe da Segurança da Câmara Distrital Maurílio de Moura Lima Rocha, cotado pelo governador Agnelo Queiroz a assumir o cargo de diretor da Polícia Civil ainda esta semana; e outros arapongas ainda não identificados.

O Quidnovi revela agora o momento em que os arapongas tentavam desaparelhar a mansão que operava clandestinamente no coração de Brasília, com flagrantes explícitos de equipamentos, dinheiro e pessoas credenciadas no meio da arapongagem. A Revista Eletrônica relembra aos leitores os fatos postados ontem e que desencadearam  o corre-corre na Península dos Ministros.
    
Celso Ferro e a sobrinha analista de informações visuais Daiane Guimarães Lima Ferro conversam na frente da casa da Península
    
Tio e sobrinha tomam um cafezinho na porta da casa 2, do conjunto 4 da QL 12 do Lago Sul
chefe da Segurança da Câmara Distrital Maurílio de Moura Lima Rocha, cotado pelo governador Agnelo Queiroz a assumir o cargo de diretor da Polícia Civil ainda esta semana, chega na sede da arapongagem no final da tarde de ontem, 26 de setembro.
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
Leia a reportagem de ontem sobre a casa no Lago.


Comentário do Gama Livre: As denúncias do jornalista Mino Pedrosa até agora não foram repercutidas pela grande mídia de Brasília. Será que acusações dessa ordem não são fatos jornalísticos para jornais e emissora de TVs? Que não publiquem nada que a Revista Eletrônica Quid Novi denunciou, até se admite. O que não dá para entender é que a grande imprensa não tenha se preocupado um mínimo em apurar se tão graves denúncias são ou não verdadeiras. Competência jornalística ela, a grande mídia, tem.

Enquanto a grande imprensa, que é beneficiada com os milhões de verbas de propaganda oficial, nada publica, a coisa fica por conta de blogs. É a luta desigual, mas vale o esforço. Algum dia, talvez, os grandes meios de comunicação do DF percebam que devem apurar cada suspeita de coisa errada na política de Brasília.
 

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Artigo do ex-chefão da Globo

Quarta, 1 de junho de 2011  
A quem apelar?
31st maio
2011
written by Paulo Nogueira*
Francenildo

A mídia nota uma certa paralisia no governo Dilma.


Mas e a própria mídia, está se movimentando?

No dia 17, contei aqui que foi Palocci quem passou às Organizações Globo o dossiê que provaria que o caseiro Francenildo estava recebendo dinheiro para falar mal dele. Para conseguir essa prova, o sigilo bancário de Francenildo foi violado.

Depois disso, a Caixa — onde Francenildo mantinha sua singela conta — informou, pela primeira vez desde a eclosão do escândalo, que a quebra do sigilo fora arquitetada no “gabinete de Palocci”.

Palocci era ministro da Fazenda e hoje é chefe da Casa Civil, dois cargos essenciais na administração.

Isso é notícia ou não é?

Para ser franco, escrevi sem nenhuma expectativa. Meu texto era como numa mensagem que alguém joga numa garrafa no mar. A esperança era que quem fosse escrever a história daquele período pudesse, pegando a garrafa na imensidão da internet, tivesse acesso à realidade. Meu otimismo não era tanto que eu acalentasse a esperança de que rapidamente pudesse ser feita justiça a Francenildo.

Pela repercussão no mundo digital — um número extraordinário de acessos em meu texto, e reproduções em série em tuítes e no Facebook  — o historiador teria que ser muito incompetente para não ver o que a garrafa conta.

Mas a mídia se ausentou do assunto. Fui procurado por um repórter invetigativo, Leonardo Attuch, do jornal digital Brasil 247. Recebi dois ou três emails de um repórter da grande imprensa com perguntas intermináveis. Não deram em nada.

E só.

Ninguém perguntou sequer a Palocci se ele ainda sustenta a versão de que não tinha nada a ver com a invasão da conta do caseiro. A sociedade quer saber se Palocci reúne condições morais de ocupar o cargo que ocupa, diante da notícia de que ele enriqueceu rápido e fácil demais. Para um julgamento mais criterioso, é importante que seja esclarecido o caso de Francenildo.

Mas.

Mas.

Como dizia o maior editor que conheci, a quem apelar?
- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - 
 *Artigo postado em Diário do Centro do Mundo.