Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 28 de março de 2026

Líder indígena brasileiro é anistiado 43 anos após sua morte



Sábado, 28 de março de 2026

Líder indígena brasileiro é anistiado 43 anos após sua morte

Marçal Souza Tupã-Y, da etnia Guarani-Kaiowá, foi assassinado em 1983

Agência Brasil
Publicado na Agência Brasil em 27/03/2026 - 20:09
Rio de Janeiro

Brasília - DF - 28/03/2026 - A Comissão de Anistia, pelos poderes que lhe são conferidos, declara anistiado político brasileiro, pós-mortem, Marçal Souza Tupã-Y . Foto: Washington Costa
© Washington Costa

A Comissão de Anistia declarou anistiado nesta sexta-feira (27), post-mortem, Marçal Souza Tupã-Y, renomado líder indígena brasileiro da etnia Guarani-Kaiowá. 

A decisão unânime dos conselheiros da Comissão de Anistia ocorre 43 anos após o assassinato do indígena, ocorrido em 25 de novembro de 1983. 

A anistia política post mortem foi concedida com base na lei que repara pessoas atingidas por atos de exceção com motivação política entre 1946 e 1988.

O pedido de anistia foi encaminhado em 2023 pela família de Marçal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF).

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Denúncia contra Bolsonaro influencia projeto da anistia no Congresso

Quarta, 19 de fevereiro de 2025

Aliados do ex-presidente se articulam e debatem estratégia

© Joédson Alves/Agencia Brasil

Lucas Pordeus León* - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 19/02/2025 — Brasília

Após a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, os aliados do ex-presidente no Congresso Nacional intensificaram a articulação para pautar o projeto de lei que concede anistia aos golpistas condenados pelo 8 de janeiro, quando apoiadores do ex-presidente depredaram as sedes dos poderes, em Brasília, exigindo um golpe militar no país.

Uma reunião entre Bolsonaro e parlamentares aliados ocorreu na manhã desta quarta-feira (19), na casa do líder da oposição Coronel Zucco (PL/RS), em Brasília, para debater a estratégia do grupo daqui para frente.

Já os parlamentares que apoiam o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva acreditam que a denúncia é um marco na defesa da democracia brasileira e contribui para barrar, de vez, o projeto de anistia.

sábado, 19 de agosto de 2017

Rui Martins tira o gênio da garrafa — 2; Quem orquestrou a perseguição judicial?

Sábado, 19 de agosto de 2017

RUI MARTINS TIRA O GÊNIO DA GARRAFA - 2

QUEM ORQUESTROU A PERSEGUIÇÃO JUDICIAL?
.
Por Celso Lungaretti
O Rui Martins é um bravo guerreiro das causas justas, com quem tive a honra de dividir a batalha cotidiana de divulgação nas redes sociais da verdade sobre o Caso Battisti, ao mesmo tempo em que desmentíamos as falácias da grande imprensa e pleiteávamos insistentemente direito de resposta e publicação de matérias isentas. 

Como costuma acontecer com quem trava lutas titânicas como aquela, continuamos amigos até hoje, até porque nos identificamos na postura de jamais relativizarmos a importância do respeito aos direitos humanos na construção de uma sociedade mais justa. 

Como o maniqueísmo, o maquiavelismo e o realismo geopolítico nada têm a ver com os valores fundamentais da esquerda, coincidimos no repúdio aos ditadores amigos e em não fechamos os olhos a massacres e torturas perpetrados por quem quer seja. O que brota sobre pilhas de cadáveres são apenas grama e lápides.

Com sua franqueza de sempre, o Rui acaba de colocar o dedo na ferida, no Direto da Redação do jornal Correio do Brasil: A injustiça de Dilma no "caso Lungaretti".

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Anistia Internacional protesta com sacos fúnebres em frente ao Comitê Rio 2016

Quarta, 27 de julho de 2016
Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Anistia Internacional denunciou violência policial em 2016 e lembrou mortos nos anos da Copa do Mundo e dos Jogos Pan-Americanos
Anistia Internacional denunciou violência policial em 2016 e lembrou mortos nos anos da Copa do Mundo e dos Jogos Pan-Americanos Felipe Varanda/Anistia Internacional 
Simbolizando corpos de pessoas mortas pela polícia, 40 sacos fúnebres foram colocados hoje (27) em frente ao prédio do Comitê Organizador da Rio 2016, no centro da cidade. Realizado pela Anistia Internacional, o protesto denunciou a alta letalidade policial às vésperas da Olimpíada, e lembrou o grande número de vítimas nos anos dos Jogos Pan-americanos, em 2007, e da Copa do Mundo, em 2014.

Em 2016, até maio, 151 pessoas foram assassinadas por agentes públicos de segurança na cidade do Rio de Janeiro, 40 somente em maio – 135% a mais que no mesmo mês de 2015.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Anistia Internacional recorre ao governo do Rio contra violência policial

Terça, 8 de dezembro de 2015
Vinícius Lisboa - repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Ativistas da ONG Anistia Internacional fazem ato em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, pedindo investigação dos homicídios no estado do Rio de Janeiro.(Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Ativistas da Anistia Internacional protestam em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo fluminense, pedindo investigação dos homicídios no estadoTânia Rêgo/Agência Brasil
A organização não governamental Anistia Internacional entregou hoje (8) ao governo do estado do Rio de Janeiro uma petição contra a violência da Polícia Militar. O documento recebeu cerca de 60 mil assinaturas e pede o fim das execuções e a investigação de homicídios decorrentes de operações policiais.
Para a entrega, ativistas da ONG foram à porta do Palácio Guanabara, sede do governo, com cartazes que pediam "não à execução" e traziam o desenho de pés, em referência ao governador Luiz Fernando Pezão.
A ONG informou que pediu uma audiência com o governador para entregar a carta. Nesta manhã, Pezão participou de um evento na Fundação Getulio Vargas, passou pelo Palácio para o lançamento da campanha estadual de combate ao Aedes aegypti e depois viajou para Brasília, onde terá uma reunião com outros governadores e a presidenta Dilma Rousseff.
"Esperamos que, no futuro, o governador possa receber a Anistia Internacional para discutir esse tema tão importante", disse a assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Renata Neder, que protocolou a petição na sede do governo estadual.
Renata destacou que, entre 2014 e 2015, mais de mil civis morreram em ações da Polícia Militar no estado do Rio. Segundo ela, a petição traz recomendações para o governo, como a criação de uma força-tarefa para investigação de todos os casos de homicídio decorrente de intervenção policial em aberto. "Temos um passivo de milhares de casos."
A Anistia Internacional também defendeu que a Divisão de Homicídios passe a investigar os casos denominados de autos de resistência. Além disso, a ONG pediu que as famílias das vítimas recebam suporte financeiro e psicossocial e que as autoridades se manifestem de forma mais clara condenando as execuções.

sábado, 29 de agosto de 2015

36 anos da Lei de Anistia: a luta pela democracia está longe de acabar

Sábado, 29 de agosto de 2015
Do DDH
Instituto de Defensores de Direitos Humanos


Hoje a Lei 6683/79 (Lei de Anistia) completa 36 anos desde sua promulgação. Consideramos a referida Lei como um importante instrumento na medida em que permitiu o retorno ao país de milhares de exilados, bem como a libertação de outros tantos presos políticos.
 
Entretanto, diante da falsa ideia segundo a qual a lei teria sido fruto de um debate amplo e democrático, que teria envolvido toda a sociedade, criou-se um ambiente que impossibilitou a responsabilização dos agentes do Estado perpetradores de torturas, desaparecimentos forçados e outras violações de direitos humanos e, ainda mais grave, impossibilitou a responsabilização do próprio Estado brasileiro e a implementação de políticas públicas que prevenissem a repetição de tais atos.
 
Frise-se ainda que o instituto da autoanistia, utilizado pela ditadura para garantir a não responsabilização de seus agentes, é veementemente condenado por diversas organizações internacionais, tais como a Comissão e a Corte Interamericanas de Direitos Humanos.
 
A completa falta de responsabilização, tanto dos agentes como do Estado, e a exígua formulação de políticas públicas no que tange à reparação de danos, investigação e prevenção das violações perpetradas (como a Comissão de Anistia e as Comissões da Verdade), fez com que a lógica militarizada e autoritária da ditadura sobrevivesse à chamada redemocratização e se perpetuasse nas atuais políticas de segurança pública. Não é à toa que centenas de pessoas são assassinadas pelas polícias a cada ano nos chamados “autos de resistência”, instituto surgido na própria ditadura com o intuito de camuflar execuções sumárias.
 
Assim, neste dia 28 de agosto de 2015, o Instituto de Defensores de Direitos Humanos vem a público ressaltar a importância de que seja levada a cabo uma justiça de transição plena, que possibilite a elucidação de todas as violações cometidas pela ditadura civil-militar brasileira, bem como a efetiva reparação dos danos causados e, sobretudo, a instauração de políticas de prevenção.
 
Neste mesmo diapasão, considerando a perpetuação nos dias de hoje dos moldes autoritários de segurança pública inaugurados pelo regime militar, acreditamos ser essencial a instalação de uma Comissão da Verdade da Democracia, que investigue as mais diversas violações cometidas principalmente pelas forças policiais nas favelas e periferias do país. Só assim caminharemos de fato rumo à plena democracia.
 

Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2015.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Você Matou Meu Filho! Documento da Anistia Internacional


Segunda, 3 de julho de 2015

Anistia Internacional aponta violência policial no Rio de Janeiro

Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil
O Brasil tem vivido "uma crise aguda na segurança pública" nos últimos 30 anos, com o registro, em 2012, de 56 mil assassinatos, que correspondem a 29 homicídios por 100 mil habitantes. Do total de vítimas, 30 mil eram jovens de 15 a 29 anos, sendo 90% homens e 77% negros. A atuação da polícia, de grupos de extermínios e de milícias contribuem para esse cenário, como aponta o relatório Você Matou Meu Filho! – Homicídios Cometidos pela Polícia Militar no Rio de Janeiro, divulgado, hoje (3), pela Anistia Internacional. O lançamento oficial ocorrerá às 10h.
De acordo com o estudo, a imagem negativa associada à juventude, em especial entre os jovens negros que vivem em favelas, leva para "a banalização e a naturalização da violência". O documento aponta que as políticas de segurança pública no Brasil são marcadas por operações policiais repressivas em áreas pobres e, com frequência, com o uso de força letal, como em casos de pessoas suspeitas de envolvimento com grupos criminosos. "É uma prática recorrente, nestes casos, o desmonte da cena. Raramente tem perícia feita no momento em que as mortes ocorrem. O que temos com mais frequência é que rapidamente a polícia isola a área, retira o corpo e pronto", disse o diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, Átila Roque, em entrevista à Agência Brasil.
Foram analisados dados do Datasus do Ministério da Saúde e do Mapa da Violência. A Anistia Internacional fez a pesquisa entre agosto de 2014 e junho de 2015. A organização apurou o andamento de 220 investigações de homicídios ocorridos durante intervenção policial em 2011 na cidade do Rio e constatou que foi apresentada apenas uma denúncia e, até abril deste ano, 183 investigações continuavam em aberto.Conforme a entidade, o Rio de Janeiro apareceu por muito tempo como o estado com a maior taxa de homicídios. Entre 2002 e 2012, o indicador diminuiu de 56,5 homicídios por 100 mil habitantes para 28,3, enquanto que, na capital, a taxa passou de 62,8 para 21,5.
A análise incluiu também dados estatísticos oficiais, entrevistas com testemunhas, famílias de vítimas e servidores públicos, incluindo policiais civis e militares. O trabalho avaliou ainda registros de ocorrência, atestados de óbito, laudos periciais, inquéritos policiais, fotos e vídeos.
Chacina de Acari
Para a Anistia, na comunidade de Acari, na zona norte do Rio, os homicídios decorrentes de intervenção policial, em 2014, têm "fortes evidências de execuções extrajudiciais praticadas por policiais militares do Rio de Janeiro". Segundo a entidade, há casos em que a vítima foi morta quando já estava ferida ou rendida. Em outras situações, não houve ordem de prisão, a pessoa detida não oferecia perigo para o policial ou os policiais ficam escondidos aguardando a vítima passar para ser alvejada.
"O auto de resistência, em particular, segue como uma espécie de cortina de fumaça para que o policial acabe exercendo a execução extrajudicial. Os dados coletados mostram que, em Acari, praticamente todas as mortes classificadas como auto de resistência têm fortes elementos que apontam para execução", diz o relatório.
O diretor disse que é preciso chamar a atenção para impunidade e ausência de investigação. "Isso é quase uma autorização, uma carta branca para matar. Essa situação é grave, e uma das demandas principais que a gente faz é que o Ministério Público estabeleça imediatamente uma força-tarefa para esclarecer estas situações", disse o diretor.
O relatório destaca a Chacina de Acari, ocorrida em julho de 1990, quando 11 jovens, sendo 7 menores de idade, foram retirados de um sítio localizado em Suruí, bairro do município de Magé. A suspeita é de envolvimento de policiais nos desaparecimentos. O documento lembra o caso do bailarino Douglas Rafael Pereira da Silva, o DG, de 26 anos, morto em abril do ano passado, na comunidade do Pavão-Pavãozinho, na zona sul do Rio. O dançarino foi encontrado morto com um tiro e vários ferimentos no dia seguinte a um tiroteio entre policiais da Unidade de Polícia Pacificadora e criminosos.
"Sentimento de perda total. Qual outro sentimento uma mãe pode ter com a perda de um filho? Sentimento de indignação e de muita raiva também pela morosidade e muita mentira em torno do processo", disse Maria de Fátima, mãe de DG, à Agência Brasil. "Eu vou acreditar que a justiça vai ser feita. Uma pessoa não pode tomar um tiro pelas costas e sair como culpado da própria morte. Não acredito que a Justiça vai ser cruel a esse ponto", acrescentou.
Outra questão indicada no relatório é o medo das testemunhas em dar informações. Para Átila Roque, isso é consequência da falta de segurança para quem vai testemunhar. "Existe muito medo nessas comunidades de se mostrar e testemunhar, contar à policia e depois ser uma outra vítima. É uma cultura que está presente não apenas no Rio de Janeiro, em que o Estado não garante condições para que as pessoas que testemunham violência e violação de direitos cometidos por agentes do Estado, se apresente para testemunhar".
O diretor, no entanto, reconheceu que o Rio de Janeiro deu passos importantes na última década para a redução no número de homicídios e nos autos de resistência. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, em 2005, eram 1.098 autos de resistência. Em 2007, tiveram a maior alta e chegaram a 1.330. Até 2013 caíram, alcançando o total de 416, mas no ano seguinte subiram para 580. "É preciso reconhecer o avanço, mas se observa que a cultura da guerra continua muito arraigada", disse.
Nas conclusões, o relatório faz recomendações aos governos federal e estadual, ao Ministério Público e ao Congresso Nacional para enfrentar o enfrentamento da violência policial e a impunidade. “Não devemos reduzir esta questão apenas à polícia. Temos todas as demais instâncias do Estado, que de uma forma ou de outra, ou estão sendo incompetentes ou ineficientes, ou pior, estão sendo omissas ao não exercerem o seu papel. Que a questão seja tratada com a gravidade que tem, porque é ela que distingue o estado de direito da barbárie", avalia o diretor. "Uma mensagem importante que está presente neste relatório é que o combate ao crime não é e não pode ser incompatível com a garantia do direito fundamental à vida", afirmou.
Saiba Mais
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Assista ao vivo a transmissão do lançamento do relatório “Você matou meu filho!”

sábado, 1 de agosto de 2015

"Você matou meu filho"

Sábado, 1º de agosto de 2015
Dê um clique para ampliar a imagem



Pesquisa e investigação da Anistia Internacional apontam que registros de homicídios decorrentes de intervenção policial, ou os chamados Autos de Resistência, estão sendo usados como cortina de fumaça para execuções extrajudiciais da Polícia Militar do Rio de Janeiro.
Não perca a apresentação do relatório "Você matou meu filho! - Homicídios cometidos pela Polícia Militar na cidade do Rio de Janeiro” na próxima segunda-feria (3), às 10h30, AO VIVO no site www.anistia.org.br

Confirme sua presença e ajude a divulgar > http://on.fb.me/1IqqGRD

#DigaNãoÀExecução
#Rio2016

domingo, 4 de janeiro de 2015

"Crimes conexos": o perdão a desconhecidos

Domingo, 4 de janeiro de 2015
Duas postagem deste domingo do jornalista baiano Luís Augusto Gomes, no Blog Por Escrito:
 

"Crimes conexos": o perdão a desconhecidos

Data: 04/01/2015
11:41:05


A anistia política, em todo o mundo, em todos os momentos, constitui-se em ato do Estado para perdoar os que tenham, em certo período, cometido crimes por motivação política.

Seus beneficiários, portanto, são pessoas que hajam sido presas e condenadas ou que estejam foragidas em razão das ações praticadas, devidamente tipificadas na legislação penal.

No Brasil, em 1979, foi concebida para assegurar a liberdade e demais direitos aos membros de organizações clandestinas ou não que lutavam contra um regime ilegítimo, instalado após a quebra da normalidade constitucional.

Mas, na legalidade precária que vivíamos na época, estabeleceu-se um acordo pelo qual a Lei da Anistia alcançaria os praticantes de “crimes conexos”, ou seja, não somente os combatentes contra a ditadura, mas também os agentes do Estado que torturaram, mataram e ocultaram cadáveres de suas vítimas.

Construiu-se, assim, uma espécie de anistia-jabuticaba – aquela que só existe no Brasil, porque, além dos anistiados de identidade determinada, chamados de “terroristas” e “guerrilheiros”, incluía indivíduos que não se sabia quem eram.

Na verdade, tratava-se apenas de um desconhecimento oficial e público, porque nos porões do regime eram amplamente conhecidos e faziam parte de uma organização que, como ficou provado, tinha seu topo no gabinete do general-presidente da República.

O mesmo espírito que patrocinou, há 35 anos, tal anomalia jurídica, persiste até hoje, na resistência que os meios militares oferecem ao pleno esclarecimento dos fatos, pois a questão não se resume a evitar a condenação desses criminosos anônimos, mas fazer com que permaneçam nessa condição pela História afora.

País não tem água suficiente para esperar a verdade

Data: 04/01/2015
11:38:20

O trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que tem respaldo no pensamento democrático de vastos setores da sociedade brasileira, demonstra que é uma tarefa das mais importantes a que foi depositada nas mãos do ministro da Defesa, Jaques Wagner.

Diz-se que sua carreira política nasceu justamente da oposição à ditadura, que o teria levado a interromper o estudo universitário e mesmo a mudar-se de Estado, fugindo aos rigores das perseguição repressiva.

Não será, por isso, aceitável que ele trate dessa sensível questão com um talento de frasista até agora insuspeitado, que o faz pretender diluir “a água suja da ditadura” adicionando-lhe, “lentamente, água limpa”.

É uma química perdulária, principalmente considerando-se a carência do precioso líquido no país, que, se antes era restrita ao semiárido nordestino, hoje se apresenta como “crise hídrica” até no mais progressista e irrigado Estado federado.

Não se conhece o conceito wagneriano de velocidade, mas essa sujeira toda está aí há 30 anos, e tudo indica que ele propõe mais 30 até “a sujeira desaparecer”. Em outras palavras, o Brasil está longe de ver seu caminho livre de fantasmas.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Julgar os torturadores

Terça, 16 de dezembro de 2014
Do Observatório da Imprensa
Por Sylvia Debossan Moretzsohn* em 16/12/2014 na edição 829
Depois de uma avalanche de editoriais e artigos diversionistas, como é regra na nossa imprensa desde a aprovação da Lei da Anistia, em 1979, os três principais jornais do país trouxeram elementos para a contestação da versão prevalecente a respeito do julgamento de torturadores durante a ditadura.

O tema voltou à discussão com a apresentação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, na quarta-feira (10/12). Já na quinta-feira (11), ao noticiar a solenidade da entrega do documento, O Estado de S.Paulo abria pequeno espaço para esse debate, opondo os juristas Fábio Konder Comparato e Ives Gandra Martins, e publicava artigo que tratava da possibilidade de nova apreciação da lei pelo Supremo Tribunal Federal. No mesmo dia, a Folha de S.Paulo também discutiu essa hipótese. No Globo, a colunista de economia Míriam Leitão, ex-presa política cuja história foi relatada neste Observatório (ver “A repórter pergunta, o ministro gagueja“), interrompeu suas férias para escrever um artigo (ver aqui) à contracorrente do discurso do jornal.

No domingo (14/12), o Estado publicou entrevista de página inteira no caderno “Aliás” com o historiador José Luiz del Roio, ex-membro do PCB e da ALN (ver aqui). A Folha, embora tenha dedicado em seu espaço noticioso duas páginas a casos de mortos em consequência de ações da esquerda armada – ou da repressão a ela –, trouxe também no domingo a coluna de Antonio Prata (ver aqui) e sua vigorosa defesa da punição dos torturadores. No dia seguinte, foi a vez de Ricardo Melo (aqui) abordar o tema, com a mesma veemência.

Também na segunda-feira (15/12), em mais uma investida – a terceira, em duas semanas – pela manutenção do silêncio em torno do alcance da lei, O Globo afinal abriu espaço para o contraponto, no artigo do jornalista e ex-preso político Cid Benjamin (aqui).

Revanchismo?

Em editorial de 2/12, o jornal carioca já criticava antecipadamente a Comissão, lamentando o que chamava de falta de equilíbrio – a apuração apenas dos crimes praticados contra os militantes de esquerda – e a tendência a um “ataque” à Lei da Anistia, diante do desejo de indiciar judicialmente os acusados por esses crimes, que estariam a salvo pelo caráter supostamente recíproco da lei. No dia da entrega do documento, voltaria à carga (ver aqui), ressaltando a “demonstração de extremo equilíbrio” da presidente Dilma Rousseff, que, apesar de presa e torturada, afirmara em seu discurso que “a verdade não significa revanchismo”.

Não significa, mesmo: revanchismo seria propor que os torturadores passassem pelo mesmo tratamento dispensado às suas vítimas. Pedir que sejam julgados, pedir que se faça justiça, é algo bem diferente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A principal recomendação da CNV ficará só no lero lero?

Quinta, 11 de dezembro de 2014
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti


"Não guardo mágoa, 
não blasfemo, não pondero
Não tolero lero lero, 
devo nada pra ninguém"
(Cacaso)

Tem gente demais escrevendo sobre o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que será tema obrigatório ao longo desta semana e, provavelmente, notinha de rodapé na próxima.

Então, evitando entediar os leitores, vou separar o joio do trigo, o que realmente importa do supérfluo, do rancoroso e do oba oba palaciano.

Em 1979, as altas autoridades da ditadura negociaram com a oposição consentida uma anistia recíproca, que não passou da imposição da vontade dos vencedores sobre os vencidos: o preço da libertação de presos políticos e da permissão para que exilados voltassem a salvo de represálias foi o perdão eterno dos agentes crapulosos do Estado e seus mandantes.

A barganha espúria teve a conseqüência de manter o passado insepulto; há três décadas e meia seus fantasmas teimam em assombrar a Nação brasileira.

A ONU, a OEA e o Direito internacional acertadamente consideram aberrantes e ilegais esses simulacros de anistias emanados de ditaduras, pois a desigualdade de forças determina invariavelmente o resultado .

Canso de indagar: se Adolf Hitler houvesse montado farsa semelhante quando os aliados desembarcaram na Normandia, os altos dirigentes nazistas seriam poupados do julgamento de Nuremberg?

domingo, 19 de outubro de 2014

Tribunal reconhece direito de Lamarca a promoção

Domingo, 19 de outubro de 2014
Roldão Arruda — Estadão.com
Capitão, executado em operação da ditadura em 1971, será promovido post mortem à patente de coronel, com proventos de general de brigada 
Leia a íntegra em: 
http://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/tribunal-reconhece-direito-de-lamarca-a-promocao/

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Em ação proposta pelo Psol, o procurador geral da República defende não aplicação de parte da Lei da Anistia; graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar são crimes contra a humanidade e, por isso, imprescritíveis

Sexta, 29 de agosto de 2014
Do MPF
PGR defende não aplicação de parte da Lei da Anistia
Para Janot, crimes graves cometidos durante a ditadura militar são crimes contra a humanidade e insuscetíveis de anistia
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, enviou parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) no qual defende revisão da aplicação da Lei da Anistia (Lei 6.683/1979). Na manifestação, recebida pela Suprema Corte no dia do 35º ano de existência da lei, Janot sustenta que graves violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura militar são crimes contra a humanidade e, por isso, imprescritíveis. Destaca a necessidade de cumprimento de sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o tema.
O parecer refere-se à arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) 320/DF e será analisado pelo relator da ação no STF, ministro Luiz Fux. A ADPF foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSol), tendo o PGR se manifestado por seu conhecimento e procedência parciais. De acordo com Janot, caso a tese seja acatada pelo STF, constituirá importante contribuição para fortalecer o sistema interamericano de direitos humanos e para materializar a Justiça de Transição.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Anistia Internacional: Pressione agora pela revisão da lei da anistia

Quinta, 28 de agosto de 2014
Caro, 
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Hoje, dia 28 de agosto, completam-se 35 anos da lei de anistia brasileira.
Desde sua promulgação em 1979, a Anistia Internacional tem criticado suas lacunas, usadas para impedir investigações e processos criminais sobre graves violações de direitos humanos cometidas pela ditadura militar. No aniversário de 50 anos do golpe de Estado, lançamos a campanha “50 dias contra a impunidade”, que reuniu mais de 35 mil assinaturas demandando a revisão da lei. Hoje entregamos o resultado dessa mobilização ao Congresso Nacional e à Presidência da República.
O Brasil é signatário de tratados diplomáticos de direitos humanos que estabelecem o conceito de crimes contra a humanidade – tão graves que ferem o próprio sentido de decência humana, e por isso não podem ser anistiados ou prescrever. Muitas dessas atrocidades foram cometidas por agentes do Estado autoritário brasileiro e os trabalhos das cerca de 80 comissões da verdade em ação no país têm revelado mais detalhes sobre a escala das violações que ocorreram no regime militar.
 
Participe e envie sua demanda à Comissão Nacional da Verdade
IMG_2158 3Em dezembro de 2014, a Comissão Nacional da Verdade irá publicar seu relatório final, fazendo o balanço de suas investigações sobre o regime autoritário. É importante que esse documento contenha recomendações de peso para evitar a repetição das violações de direitos humanos. A Comissão abriu em seu site um processo de consulta popular que permite as pessoas sugerirem quais recomendações gostariam que constassem do relatório.
Participe e peça a  inclusão da revisão da lei de anistia para permitir que agentes do Estado que cometeram crimes contra a humanidade sejam investigados, processados e presos.

Um abraço,

mauricio
Maurício Santoro
Assessor de Direitos Humanos - Anistia Internacional Brasil

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Militares cassados pela ditadura divulgam carta aberta à presidente Dilma

Segunda, 23 de junho de 2014
"Alguns chegaram a ser anistiados no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Porém, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou suas anistias e suspendeu seus planos de saúde. Hoje, muitos deles, já idosos, morrem na miséria e no abandono, simplesmente por terem se negado a fazer parte do golpe militar e a trair a Constituição e o presidente eleito, João Goulart”
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Alana Gandra - Repórter da Agência
Os militares cassados  pela ditadura fizeram hoje (23) uma caminhada pela orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, aproveitando os festejos da Copa, para divulgar uma carta aberta à presidenta Dilma Rousseff denunciando a perseguição que os atuais comandantes fazem contra os anistiados políticos e, também, o descumprimento da Lei  10.559/2002, conhecida como Lei de Anistia.
O coordenador do movimento, advogado José Bezerra, disse à Agência Brasil que “quando os militares anistiados morrem, os generais de plantão negam os benefícios às filhas, dizendo que eles não são mais militares. São anistiados políticos”.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

"Fracassamos miseravelmente em punir torturadores"

Segunda, 2 de junho de 2014
Do Blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
Em sua coluna deste sábado (31) na Folha de S. Paulo (clique aqui para lê-la na íntegra), o articulista Hélio Schwartsman tocou em aspectos importantes sobre os crimes impunes da ditadura militar:

"...trancafiamos criminosos na cadeia para impedir fisicamente que repitam suas malfeitorias e para dissuadir outras pessoas de imitá-los. Quando o tempo transcorrido entre delito e castigo é muito grande, nenhum desses propósitos se aplica mais aos réus. Eles não poderiam sair por aí perseguindo e torturando opositores do regime nem que quisessem, porque a história seguiu seu curso e já não há mais nem regime a defender nem opositores a ameaçá-lo. Também parecem irrisórias as chances de alguém emplacar aqui uma nova ditadura militar.


Mesmo para os que creem em noções mais metafísicas de justiça, é complicado defender punições com mais de 40 anos de atraso. Elas já não atingem os autores dos delitos, mas pessoas totalmente distintas. A essa altura, todos os átomos que compunham o criminoso foram reciclados. As ideias também, espera-se.

A constatação, algo sombria, é que nós, como sociedade, fracassamos miseravelmente em punir torturadores..." 
Schwartsman veio ao encontro de uma posição que sustento desde meados de 2008: o momento da punição dos verdugos da ditadura militar era o da redemocratização, mas a tibieza de sucessivos governos permitiu que a justiça não se fizesse de 1985 até hoje, quando encarcerar ou empobrecer anciães acabaria sendo apenas uma retaliação impiedosa, igualando-nos àqueles que tanto desprezamos.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Justiça processa militares acusados da morte de Rubens Paiva

Segunda, 26 de maio de 2014
Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil
A Justiça Federal recebeu, nesta segunda-feira (26), a ação penal proposta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra os cinco militares acusados pelo homicídio e a ocultação do cadáver de Rubens Paiva, em janeiro de 1971, no Rio de Janeiro. Com a decisão, os militares do Exército José Antonio Nogueira Belham, Rubens Paim Sampaio, Jurandyr Ochsendorf e Souza, Jacy Ochsendorf e Souza e Raymundo Ronaldo Campos passarão a responder, também, pelos crimes de associação criminosa armada e fraude processual.

terça-feira, 20 de maio de 2014

As novas frentes da luta dos Santos Guerreiros para que os Dragões da Maldade sejam punidos

Terça, 20 de maio de 2014
Do blog Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti
São Jorge/Zumbi matando o dragão/latifundiário, na visão de Glauber Rocha
A impunidade eterna dos torturadores da ditadura militar e seus mandantes foi acordada em pleno regime de exceção. 

De um lado estavam os algozes, utilizando a libertação dos presos políticos e a permissão de volta dos exilados como moeda de troca para munirem-se de uma espécie de habeas corpus preventivo, pois sabiam ter cometido os mais hediondos crimes contra a humanidade. 

Do outro as vítimas, representadas por uma oposição intimidada e que, ansiosa por virar uma página terrível da nossa História, não mediu o alcance das concessões feitas à tirania.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

PSOL questiona Lei de Anistia no Supremo

Quinta, 15 de maio de 2014
André Richter - Repórter da Agência Brasil 
O PSOL entrou hoje (15) com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que a Corte declare que a Lei de Anistia, de 1979, não pode ser aplicada nos casos de crimes continuados ou permanentes, como homicídios, desaparecimento forçado, estupro e abuso de autoridade. O relator da Ação por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é o ministro Luiz Fux, que também relata recurso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com os mesmos argumentos.