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(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 13 de julho de 2026

O caso Stuart Angel e a importância de recordar

Segunda, 13 de julho de 2026

O caso Stuart Angel e a importância de recordar

Ao examinar arquivos da ditadura, Sebastião, militante operário, descobre que o jovem que abrigou, em 1971, era estudante que seria assassinato pelos militares. Caso ilustra como memórias pessoais, testemunhos e historiografia se complementam no combate ao apagamento histórico

OUTRASPALAVRAS           História e Memória                 

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Publicado 13/07/2026

No dia 7 de julho de 2026, a Universidade Federal do Rio de Janeiro concedeu a Stuart Edgar Angel Jones o diploma de graduação em Economia. Passavam-se cinquenta e cinco anos desde seu assassinato por agentes da Ditadura. Stuart era então estudante e militante da luta contra o regime de exceção. A atribuição do diploma a quem teve seus estudos interrompidos pela ação criminosa de torturadores é um ato simbólico. Ele exprime o repúdio ao arbítrio e à violência de Estado que vigorou no país entre 1964 e 1985 e que tem, ainda hoje, sinistros adeptos. A cerimônia de assinatura do diploma e a homenagem feita, simultaneamente, aos demais 25 estudantes da mesma Universidade que sofreram o mesmo bárbaro tratamento foi, ao mesmo tempo, um ato de rememoração e de documentação histórica. Como dizia Zuzu Angel, heróica mãe de Stuart, também morta pela Ditadura por sua coragem em denunciar a violação sistemática dos direitos pelo regime de exceção: “A história de meu filho vai entrar para os livros de história”. A memória coletiva se faz acompanhar agora por um documento que registra justamente para a História a força e o sentido do engajamento deste entre tantos militantes vitimados pela violência da repressão ditatorial.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Roubaram a terra ao Anteu

Quinta, 2 de julho de 2015
Projeto de lei absurdo, descabido, autoritário, apresentado em 2011 pelo distrital Cristiano Araújo, do PTB de Gim, foi aprovado ontem (1/7/2015) pelos distritais.
Leia a seguir texto publicado originalmente aqui no Gama Livre no dia 19 de setembro de 2011. Com o título “Roubando a terra ao Anteu”, a postagem abordava o projeto de lei nº 572/2011, que golpeava a democracia, e que foi aprovado finalmente agora, nos últimos instantes de funcionamento da CLDF antes do recesso parlamentar de julho/início de agosto de 2015.

Leia o texto:

Roubando a terra ao Anteu

Segunda, 19 de setembro de 2011
Anteu                Google imagem
A praça! A praça é do povo

Como o céu é do condor;

É o antro onde a liberdade

Cria águias em seu calor

Senhor!... pois quereis a praça?

Desgraçada a populaça

Só tem a rua de seu...

Ninguém vos rouba os castelos,

Tendes palácios tão belos...

Deixai a terra ao Anteu.

(Castro Alves, em O Povo no Poder)

Castro Alves todos guardam na memória, mas suponho que caiba, em benefício de um ou outro leitor mais distraído, uma referência a Anteu, a quem o poeta, nesses versos, identificou com o povo. Personagem da mitologia grega, Anteu era um deus, filho de Posídon (o deus do mar, adotado pelos romanos sob o nome de Netuno) e Gaia (a Terra). Sua característica principal era a capacidade de captar para si a força da Terra, sua mãe, sempre que estivesse em contato com ela. Nessas condições, era invencível. Se perdesse esse contato, tornava-se indefeso.
Tem político que talvez por ser jovem, não ter vivido os tempos de chumbo, a ditadura imposta a partir de primeiro de abril de 1964, e principalmente nunca ter precisado sair às ruas para conseguir qualquer coisa na vida, agora brinca de querer proibir o povo de se manifestar na principal via pública de Brasília. Para torná-lo fraco, vulnerável, quer tirar-lhe o chão. Roubar a terra ao Anteu.
De acordo com o projeto de lei apresentado, neste mês de setembro, pelo deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), todo o Eixo Monumental de Brasília (o eixo central do avião) seria, na prática, proibido como local de manifestações de protestos. O espaço compreende toda a extensão que vai da antiga rodoviária interestadual até a Praça dos Três Poderes, passando pelo maior palco das manifestações populares, que é a Esplanada dos Ministérios. Impedirá também a lei, caso seja aprovado o projeto autoritário de sua excelência, que a Praça do Buriti, onde se localizam o palácio do governador do Distrito Federal, a Câmara Legislativa do DF, o Tribunal de Justiça do DF e o Ministério Público do DF, seja usada para manifestações. Reinará, segundo as intenções do deputado, a mais perfeita calma naquela região, mesmo que tudo o mais esteja explodindo.
Foi na Praça do Buriti, por exemplo, que no dia 9 de dezembro de 2009 o povo se reuniu para protestar contra o mensalão do DEM, bandalheira patrocinada pelo grupo do governador José Roberto Arruda e denunciada pelo “produtor cinematográfico especial” Durval Barbosa, que era um dos secretários de Estado do governador. Foi aí que houve um verdadeiro teatro de guerra, onde a polícia do governador sentou o pau nos manifestantes. Na praça, estudantes, sindicalistas, mulheres, jovens, crianças e velhos. Não houve seletividade na carga da cavalaria, no spray de pimenta, na bomba de efeito moral, nas balas de borracha, no desrespeito ao direito de manifestação. Todos foram vítimas da arrogância e da truculência do governador e de suas tropas.
Do lado de lá, na trincheira do governador, estava o deputado Cristiano Araújo, parlamentar da base de apoio de Arruda. Não estava nas ruas, não protestava, permanecia omisso, se calava. E, claro, não gostava do que via.
Depois do naufrágio político de Arruda, sabe-se lá por quais cargas d’água o antigo aliado é hoje peça importante na base parlamentar do governo Agnelo/Filippelli, e em breve será nomeado secretário de Desenvolvimento Econômico.
Nenhum governo gosta de ver protestos nas ruas. Um protesto se inicia, mas ninguém é capaz de dizer com exatidão quais as suas conseqüências, qual o rumo que tomará mais adiante.
É verdade que por mais esquisito que possa parecer, temos assistido algumas manifestações que são verdadeiros “protestos de apoio”, se é que assim podemos chamar algum protesto. São centrais sindicais, sindicatos, entidades estudantis que foram domesticados e amestrados pelos governantes. Mas mesmo sendo assim, há de se garantir o seu direito de manifestação, de sair às ruas, de, sabe Deus, protestar ou aplaudir. Anos depois que o PT inventou o “apoio crítico”, surge agora essa hilariante onda de protestos de apoio.
Mas voltando ao autoritarismo do projeto de lei apresentado pelo deputado distrital Cristiano Araújo, ele estabelece critérios e horários para manifestações ao longo da Via do Eixo Monumental. Claro que haveria ele, o deputado, de tentar não deixar transparecer que era uma proibição e pronto. Assim, no artigo 2º do projeto de lei, o deputado coloca que “É vedada a realização de manifestação através de Carreata, passeata marchas outra da mesma natureza, nas faixas do Eixo Monumental nos horários de trânsito intensivo” (sic). O deputado considera horário de trânsito intenso aquele compreendido entre às 7 e 10 horas e entre as 16 e 19 horas.
As manifestações, assim, poderão ser realizadas a partir do primeiro segundo depois das 19 horas até 6h59min59. A partir desse momento, nenhum manifestante pode estar na área. Mas que bom, pois às 10 horas e mais um milésimo de segundo, um grito de guerra poderá reorganizar rapidamente a manifestação. O povo reinicia o que eles chamam de baderna, mas que terá que ser suspensa novamente às 15h59min59, podendo ser retomada às 19 horas mais um milésimo de segundo. Parece até aquela brincadeira de menino: “Vivo! Morto!”
A isso poderemos chamar de manifestação quebrada. Está aí. A intenção maior é quebrar com as manifestações, pois povo na rua é muito perigoso. Não para o país, mas para aqueles que nos governam, e geralmente de forma muito mal e acham que o país é deles. Incluindo o DF.
Engraçado — se não fosse suspeito — é o artigo 4º do projeto de lei de sua excelência o deputado distrital Cristiano Araújo. Ele faz uma ressalva, pois diz que a proibição estabelecida no artigo 2º “não atingirá os eventos já previstos no Calendário Oficial de Eventos do Distrito Federal, bem como as comemorações de datas festivas”. Por exemplo, o desfile do Sete de Setembro pode ser realizado, mas a Marcha Contra a Corrupção, a exemplo do que aconteceu no último dia em comemoração à independência do Brasil (qual independência?), seria tratada na base do cacete, do pit bull, do spray de pimenta, da cavalaria, do brucutu, do Bope. É isso, ou pior do que isso, essa coisa que o deputado quer transformar em lei.
Mas tem mais. Segundo o Projeto de Lei 531/2011 — que leva o DNA do “monstro da lagoa” imaginado por Chico Buarque — e que já foi lido no Plenário da CLDF, “os participantes deverão efetuar a concentração pública próxima à área do evento, para evitar o menor transtorno possível ao transito (sic) do local”. Está aí uma boa ideia. Se estiver, por exemplo, previsto um ato junto ao Congresso, os manifestantes teriam que se reunir a poucos metros do local. Caso fossem umas 100 mil pessoas, umas se acomodariam sobre as outras, em camadas cuja altura poderia causar transtornos ao tráfego aéreo, levando, da terra aos céus, as complicações que o projeto diz querer evitar.
Você acha que acabaram os absurdos colocados no projeto de lei? Não, a coisa vai longe. Reza o texto, no seu artigo 6º, que “As manifestações ao longo do Eixo Monumental, deverão ocorrer, preferencialmente, no canteiro central.” Já no artigo 7º, por sua vez, é definido que “Não havendo condições de utilização na forma prevista no artigo anterior, será permitida manifestação ao longo do Eixo Monumental, desde que não ocupe mais do que uma faixa de rolamento da via, sem que haja cruzamento entre uma faixa e outra, exceto, nas faixas de pedestres.”
A lei proposta pelo distrital Cristiano Araújo, para ser realmente sincera e franca, poderia resumir-se a três artigos:
Art. 1º. Fica proibida em Brasília qualquer manifestação de protesto.
Art. 2º. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 3º. Revogam-se as disposições em contrário, especialmente aquelas que garantem o direito constitucional de manifestação.

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Advogada acusada de atos violentos em protestos pede asilo político ao Uruguai; a Copa do Mundo trouxe a volta dos tempos de chumbo?

Segunda, 21 de julho de 2014
Vitor Abdala - Repórter da Agência Brasil
A advogada Eloísa Samy, acusada de atos violentos em protesto, está no Consulado-Geral do Uruguai, no Rio de Janeiro, e pede asilo político ao país vizinho. Investigada pela Operação Firewall, da Polícia Civil, ela foi um dos 23 ativistas que tiveram prisão preventiva decretada, por associação criminosa, pela 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, na última sexta-feira (18).
A informação foi divulgada pelo Instituto de Defensores de Direitos Humanos (DDH), organização não governamental da qual Eloísa Samy faz parte. Segundo o DDH, o objetivo da advogada é conseguir o asilo para defender-se, em liberdade, das acusações que são feitas pelo Ministério Público.
De acordo com o DDH, policiais militares estão cercando a área do Consulado Geral do Uruguai, na zona sul do Rio.

Os "exemplos" do PTMDB: #PresosdaCopa deveriam pedir asilo

Segunda, 21 de julho de 2014
Via "Seja um manifestante, fique rico"
Os 23 ameaçados de prisão novamente tem que pedir asilo em embaixadas/consulados. Países escandinavos, Suiça, Uruguai... Não dá pra aceitar a situação. Esse processo é claramente político, conhecendo a "justiça" brasileira eles podem passar 10 anos presos por nada. Eu já teria pedido asilo e dedicaria minha vida a denunciar esse governo do PTMDB.
Não, não é exagero. Esses 23, assim como o Luswarghi e o Hideki são os "exemplos" que o PTMDB querem mostrar pra sociedade, pra quem luta. Quem ainda não reparou no perigo, acorde. Seu direito, nosso direito de protestar está por um fio.
E apenas PAREM de ficar divulgando cartinhas oportunistas de PT, LindBleargh, Juventude do PT (manipulada, canalha, demente). Estes são os MANDANTES dessas prisões políticas e que agora querem capitalizar porque sentiram que passaram do limite.
Passaram do limite na visão mesmo de simpatizantes, o que não quer dizer que irão recuar ou mudar de métodos. Irão apenas investir em propaganda - o que estão fazendo, buscando atingir os inocentes - e azeitar a máquina. Questionem quem realmente manda, Cardozo, Dilma e cia, e se irão recuar. Beltrame, Pezão, Cabral, Paes e toda a turma de canalhas aliados não irão recuar.
 
A criminalização tende a crescer. Ela foi a grande responsável pela diminuição do tamanho dos protestos durante a Copa (aliado ao efeito conhecido do futebol enquanto anestesiador popular, vide 1970) e não há indícios de que cederá.
Os 23 com prisão decretada pela Justiça são: Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a "Sininho", Luiz Carlos Rendeiro Junior, o "Game Over", Gabriel da Silva Marinho, Karlayne Moraes de Souza Pinheiro, Eloysa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Rodrigues Jourdan, Igor Pereira D'Icaray, Drean Moraes de Moura Corrêa, Shirlene Feitoza da Fonseca, Leonardo Fortini Baroni, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes,Pedro  Guilherme Mascarenhas Freire, Pedro Brandão Maia, Bruno de Souza Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria de Souza e Rebeca Martins de Souza. Além de Caio Silva Rangel e Fabio Raposo Barbosa
Já não tínhamos uma normalidade democrática, agora temos a total insegurança, as perseguições e daí tende a piorar. Estes 23 (dentre outros muito) lutaram, contribuíram com a luta popular e com a resistência, mas é hora de saber quando fugir. Não há vergonha alguma em chegar até seu limite e se recusar a perder metade da vida em uma cadeia apenas por ter lutado por seus direitos. Há outras formas de lutar, mesmo longe.
 
Foram décadas lutando contra a Ditadura, contra os exílios, prisões políticas e torturas... Voltamos (voltaremos) ao passado?

sábado, 19 de julho de 2014

Legado para não esquecer

Sábado, 19 de julho de 2014
Fonte: Tribuna da Internet
Vladimir Safatle
Folha de SP


Professor é detido pela PM durante ato contra a Copa, em São PauloNão serei o primeiro a lembrar que, dentre os vários legados da Copa do Mundo, um dos mais duradouros será certamente a ampliação da zona de suspensão de direitos. O Brasil já era conhecido por seu histórico de violência policial, de desrespeito aos direitos civis e pela proximidade entre bandidos e a polícia. Nesta Copa do Mundo, a despeito da segurança contra manifestações políticas, tal processo chegou muito próximo da perfeição.

Leia a íntegra