Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 4 de setembro de 2017

“Frente de esquerda para quê?”. Entrevista com Vladimir Safatle

Segunda, 4 de setembro de 2017

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos


O filósofo da USP duvida da realização de eleições em 2018 e afirma que o campo progressista ainda não sabe o que oferecer aos brasileiros.


A entrevista é de Sergio Lirio, publicada por Carta Capital, 03-09-2019.


A política caminhou em direção aos extremos. O eixo de mobilização foi para as pontas

Após incursões em sua área de formação, a Filosofia, Vladimir Safatle volta a se concentrar no debate político contemporâneo. O título de seu mais recente livro, Só mais um esforço, a ser lançado no início de setembro, é uma referência a uma famosa frase do Marquês de Sade de estímulo aos concidadãos desanimados com os rumos da Revolução Francesa. Há, portanto, no âmago da análise, uma mensagem de esperança em relação ao futuro do Brasil, erguida sobre camadas de críticas agudas aos rumos da esquerda, ao chamado lulismo e à eterna conciliação das elites.


Convidado do “Direto da Redação”, programa de entrevistas do site de CartaCapital transmitido pelo Facebook e pelo YouTube, o professor da USP explicou as teses do livro e respondeu a perguntas dos “sócios” e “sócias” da revista. Safatle duvida da realização de eleições em 2018 (“quem deu o golpe não vai correr o risco de perder o poder”) e critica o campo progressista por apostar todas as fichas na incerta disputa eleitoral do próximo ano. “Frente de esquerda para quê?”, indaga a certa altura. Segundo ele, antes de pensar em uma ampla união eleitoral, as lideranças progressistas e os movimentos sociais precisam descobrir o que tem a dizer de novo aos eleitores.


Eis a entrevista.


Seu novo livro se chama “Só mais um esforço”. Por que escolheu esse título?

É uma referência a uma famosa frase do Marquês de Sade. Quando ele lançou “Filosofia da Alcova”, havia no interior do livro um panfleto que afirmava: “Franceses, só mais um esforço se quiserem ser republicanos”. Foi uma maneira de dizer aos leitores que, para estarem à altura dos processos de transformação em curso, no caso a Revolução Francesa, seria necessário um pouco mais de fôlego e compreensão. Muitas vezes esses momentos podem parecer complicados, mas tem potencialidades a serem exploradas. Achei interessante e válido de se lembrar neste nosso momento.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Vladimir Safatle: “Deixe os mortos enterrarem seus mortos”

Terça, 11 de agosto de 2015
Artigo do Filósofo e Professor da USP, Vladimir Safatle, publicado na Folha de São Paulo desta sexta-feira (07/08).
“A saída da crise não se dará por meio de conchavos de bastidores, mas pela radicalização da democracia. Como já se disse antes, há horas que você precisa deixar os mortos enterrarem seus mortos e seguir outro caminho.”
A Nova República acabou. Qualquer análise honesta da situação brasileira atual deveria partir dessa constatação. O modelo de redemocratização brasileiro, que perdurou 30 anos, baseava-se em um certo equilíbrio produzido pelo imobilismo.
Leia a íntegra do artigo em:
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vladimirsafatle/2015/08/1665348-deixe-os-mortos-enterrarem-seus-mortos.shtml

quarta-feira, 24 de junho de 2015

A produção da crise. Por meio da estrutura monopolista de sua economia, o Brasil inventou o capitalismo sem concorrência

Quarta, 24 de junho de 2015
Da Carta Capital
Por Vladimir Safatle
economia é um campo de saberes peculiar. Desde que as discussões sobre economia política e formação socioeconômica saíram paulatinamente de circulação, desde a troca de Celso Furtado por Gary Becker, a economia procura nos levar a acreditar que ela não seria exatamente uma ciência humana, mas algo próximo de uma ciência matemática. Sendo assim, os sujeitos que aparecem como agentes econômicos não parecem mais ser portadores de crenças, desejos e afetos. Antes, eles seriam agentes maximizadores de benefícios. Seus sistemas de interesses poderiam ser descritos a partir de uma pretensa racionalidade fundada em cálculos de custos e ganhos passíveis de mensuração e quantificação. Leia a íntegra

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Frente de esquerda para quê?

Sexta, 29 de maio de 2015
De Carta Capital
por Vladimir Safatle
Foto José Cruz/ Agência Brasil
Dilma-Rousseff
Dilma transformou-se em uma Isabelita Perón do Cerrado

Se fosse o caso de fornecer uma analogia histórica para a situação atual do Brasil, talvez o melhor a fazer seria voltar os olhos para a Argentina dos anos 1970. De certa forma, não há nada mais parecido com o atual governo Dilma do que a Argentina de Isabelita Perón. Dilma transformou-se em uma Isabelita Perón do Cerrado.
Uma presidenta refém de seus operadores políticos, impotente diante da dissolução do acordo peronista entre setores da esquerda e setores conservadores em torno da figura de seu finado marido, Juan Domingo Perón, Isabelita foi a figura mais bem-acabada do esgotamento do ciclo de acordos, avanços e paralisias que marcou o peronismo. Ao se deixar guiar pelos setores mais conservadores do peronismo, Isabelita parecia uma morta-viva, a encarnação de um tempo que já acabara, mas ninguém sabia como terminar.
Agora, imaginem que estamos na Argentina dos anos 1970 e Perón não morreu. Como um fantasma, ele volta para tentar organizar a oposição contra o governo que ele mesmo elegeu, federando as vozes dos descontentes com o governo criado por ele mesmo e para o qual indicou vários ministros. Não, algo dessa natureza não poderia acontecer na Argentina. Algo assim só pode ocorrer no Brasil. Pois não é isso o que estamos vendo com um Lula reconvertido a arauto da “frente de esquerda” juntamente com o resto do que ainda tem capacidade de formulação no PT? O mesmo PT que, em um dia, vai à televisão para afirmar seu compromisso com a defesa dos direitos trabalhistas para, no dia seguinte (vejam, literalmente no dia seguinte) votar em peso a favor de um pacote de medidas que visam “ajustar” a economia não exatamente taxando lucros bancários exorbitantes, mas diminuindo os mesmos direitos trabalhistas que defendera 24 horas antes.
Nesse contexto, o que pode ser uma frente de esquerda a não ser a última capitulação da esquerda brasileira à sua própria impotência? Ou, antes, o reconhecimento tácito de que a esquerda brasileira só pode oferecer o espetáculo deprimente de discursos esquizofrênicos divididos entre o reino das boas intenções e a dureza das decisões no “mundo real”? Acreditar que aqueles que nos levaram ao impasse serão os mesmos capazes de nos tirar de tal situação é simplesmente demonstrar como a esquerda brasileira vive de fixações em um passado que nunca se realizou, que nunca foi efetivamente presente. É mostrar ao País que a esquerda não tem mais nada a oferecer de realmente novo e diferente do que vimos.
Se a esquerda quiser ter alguma razão de existência (pois é disso que se trata), ela deve começar por fazer uma rejeição clara do modelo que foi aplicado no Brasil na última década, seja no campo político, seja no campo econômico. O modelo lulista não chegou a seu esgotamento por questões exteriores, pressão da mídia ou inabilidades de negociação da senhora Dilma. Ele se esgotou por suas contradições internas e quem o criou não é capaz de criar nada de distinto do que foi feito.
Insistiria ainda em como é falsa a ideia de que a esquerda brasileira está de joelhos sem saber o que fazer. Há anos, vários setores progressistas têm alertado para o impasse que agora vivemos. Há anos, várias pautas foram colocadas em circulação, entre elas a revolução tributária que taxe a renda e libere a taxação sobre o consumo, a democracia direta com poder de deliberação, veto e gestão, o combate à especulação imobiliária através de leis que limitem a propriedade de imóveis, a reforma agrária, a diminuição da jornada de trabalho, a autogestão de fábricas e locais de trabalho, o salário máximo, o casamento igualitário, as leis radicais de defesa da ecologia, o fim da política de encarceramento sistemático, a exposição da vida financeira de todos os que ocupam cargos de primeiro e segundo escalão, a punição exemplar da corrupção, o fim do monopólio da representação política para partidos. Não é a falta de direção que acomete a esquerda brasileira. É a falta de coragem, o que é muito mais grave.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mídia silencia sobre atos ilícitos do HSBC e milionários brasileiros

Domingo, 22 de fevereiro de 2015
Ouça aqui a entrevista com o filósofo Vladimir Safatle.

O professor de Filosofia da USP, Vladimir Safatle, questiona o silêncio da mídia tradicional sobre negócios ilícitos que envolvem o HSBC e milionários brasileiros que possuem contas na sede do banco, em Genebra. Para o filósofo a elite rentista é blindada no Brasil pela mídia e por políticos. Reportagem Marilu Cabañas, da Rede Brasil Atual.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Escândalo mundial: 'Isso é uma piada', diz professor da USP sobre silêncio da Globo no caso HSBC

Sábado, 21 de fevereiro de 2015
Em entrevista à Rádio Brasil Atual, Vladimir Safatle afirma que ao guardar nomes de brasileiros com contas em Genebra a grande imprensa transforma o jornalismo "em uma grande brincadeira"
por Redação RBA publicado 20/02/2015
Marcos Santos / USP Imagens
vladimir-safatle.jpg
Safatle: “É inaceitável o tipo de silêncio tácito que está ocorrendo, salvo raríssimas exceções muito pontuais"

São Paulo – O HSBC é um exemplo privilegiado de como corporações que estão no limite da criminalidade impõem na economia internacional seus interesses. O professor de filosofia da Universidade de São Paulo (USP) Vladimir Safatle indica a instituição financeira como exemplo de promiscuidade entre mercado financeiro, política e mídia, com raízes no crime, em entrevista à Rádio Brasil Atual hoje (20). “Desde sua criação, o banco tem as piores credenciais possíveis. Essa instituição bancária foi criada em 1860, depois da última guerra do Ópio entre Inglaterra e China, quando os ingleses forçaram a abertura dos portos chineses para que o tráfico da droga continuasse”, relata.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A esquerda sazonal e suas cerejas retóricas: A árvore do PT só dá frutos vermelhos nas eleições . . .

Terça, 16 de setembro de 2014
Do Náufrago da Utopia 
Por Celso Lungaretti

Finalmente alguém encontrou a melhor definição para o PT dos dias de hoje: esquerda sazonal.
Parabéns ao filósofo Vladimir Safatle! Ele conseguiu dar o tratamento adequado ao fenômeno que, talvez por conta da profunda decepção que causa nos que um dia compartilhamos o sonho e depois o vimos transformar-se em pesadelo, invariavelmente nos faz resvalar para as diatribes.
O humor, contudo, convence mais do que o rancor, ainda que justificado.
Abaixo, em vermelho, está  a biopsia que Safatle faz (o texto integral pode ser acessado aqui) do partido que se propunha a mudar o Brasil mas hoje, mudado pelo Brasil, só empunha as velhas bandeiras no período eleitoral, não mais para libertar os explorados, mas sim para os iludir e, com isto, conquistar mandatos que continuarão não indo à raiz dos nossos problemas, qual seja a velha, sempre presente e por enquanto inabalável exploração do homem pelo homem.
Depois, tais bandeiras são devolvidas ao depósito das velharias, até que surja nova necessidade de brandi-las demagogicamente, sempre com o objetivo único da perpetuação no poder.

"De quatro em quatro anos, ocorre no Brasil um fenômeno interessante. Ele poderia ser chamado de: 'estação das cerejas vermelhas'.
Por volta no mês de agosto dos períodos pré-eleição presidencial, aparecem cerejas muito vermelhas, quase proto-revolucionárias, vindas de árvores governistas que pareciam há muito dar apenas os conhecidos frutos amargos da austeridade.
Então, quase que em um passe de mágica, começamos a ouvir na campanha eleitoral discursos com sabores proibidos de luta de classe, diatribes contra o sistema financeiro, promessas de investimento massivo em educação pública.

Mutações incríveis ocorrem, como governos que permitiram os mais fantásticos lucros bancários da história, alimentando o sistema financeiro com títulos da dívida pública e juros exorbitantes, apresentarem os bancos como inimigos do povo.
Tudo muito bonito.
Infelizmente, a estação das cerejas vermelhas termina de forma abrupta no dia 27 de outubro, logo após a consagração do segundo turno das eleições presidenciais. Então as árvores voltam a dar os frutos cinzas que todos conhecem." (Vladimir Safatle)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A miséria da economia


Terça, 9 de setembro de 2014
Carta Capital
A ideia é deixar a política econômica à margem de qualquer possibilidade de interferência popular
por Vladimir Safatlepublicado 08/09/2014 04:32
Foto Marcelo Camargo/ABr
Banco Central
O que pode significar a independência do Banco Central, a não ser que a política econômica do governo estará à margem de qualquer interferência popular?
 
Sonhar é bom, mas eleição é hora de botar o pé no chão.” Esta frase, enunciada em um programa eleitoral do Partido dos Trabalhadores, é, provavelmente, uma das piores já ditas na política brasileira. Ela expõe claramente no que nossa política se transformou: em um lugar no qual depositamos os sonhos na soleira da porta antes de entrar. Pedir aos eleitores para deixar de sonhar na hora de votar é uma confissão de que não há nada mais a esperar, mas é melhor continuar como se está porque o futuro pode sempre ser ainda pior. Ou seja, é a pura e simples utilização do medo como afeto político central. Algo do tipo: “Não tenho realmente nada a te oferecer, mas esqueça isso e pense que outros podem vir e deixar tudo muito pior”. Já tinha ouvido discursos semelhantes de políticos conservadores e reacionários, mas juro que não esperava algo dessa natureza a guiar as estratégias políticas de alguém que se diz de esquerda, ou seja, de alguém que tem como razão de existência e como afeto político não a circulação do medo, mas da esperança em relação a grandes transformações. Quando você não consegue mais fazer as pessoas sonharem, melhor ir embora.
Como podemos aprender de Celso Furtado, política é “fantasia organizada”, capacidade de elevar os sonhos à condição de motor para ações concretas. Mas talvez seja melhor qualificar de forma mais precisa o que se passa na política brasileira atualmente. Não estamos diante da luta entre sonho e princípio de realidade. O que realmente está a acontecer é que não há mais sonho vindo de lado algum das principais peças do tabuleiro.
Marina Silva teve a sensibilidade de compreender que algo acontecera em junho. Tal sensibilidade lhe permitiu escrever a melhor parte de seu programa, a saber, esta que procura os primeiros passos para uma democracia de alta densidade. Mas, para tanto, ela resolveu fazer aquele típico movimento neurótico que consiste em dizer algo e anular seus efeitos logo em seguida, um pouco como esses sujeitos que, imersos em rituais compulsivos, abrem e fecham as mesmas gavetas de forma incessante. Pois, e este é o ponto mais inacreditável, sua política só funciona com participação popular à condição de retirar a economia de toda e qualquer interferência da vontade popular. Essa contradição é destruidora.
Afinal, o que pode significar a catastrófica ideia de independência do Banco Central, a não ser que a política econômica do governo estará à margem de qualquer possibilidade de interferência popular, pois gerida por um grupo de tecnocratas que se sentirão completamente livres para fazer o que bem entenderem a partir de metas previamente estabelecidas? Se houver mudanças das metas, se a população entender que as direções econômicas devem ser revistas, quem poderá pressioná-los, já que eles terão mandatos? Que tipo de democracia é essa na qual a economia não faz mais parte da política, mas estará nas mãos de pessoas que, logo depois de saírem do governo, procurarão emprego nos bancos que ela supostamente estava até há pouco regulando?
Quem realmente quer uma democracia de alta densidade deve voltar os olhos para a Islândia. Eis um país que, em seu pior momento de crise, decidiu dar ao povo a possibilidade de politizar a economia. No momento em que o Parlamento decidiu transformar a dívida privada dos bancos em dívida soberana do Estado, a Presidência deste pequeno país decidiu convocar um plebiscito para decidir o destino da dívida. Sim, para isso serve a democracia popular, ou seja, para lembrar a nossos economistas pagos regiamente através de consultorias para bancos mafiosos que quem paga a conta escolhe a música. E quem paga a conta da política econômica do Estado brasileiro são seus cidadãos. São eles que devem comandar a economia.
Ao propor retirar por completo as decisões econômicas da esfera da soberania popular, Marina apenas radicaliza o que temos visto nos últimos anos. Só que não é aceitável dormir com os sonhos das manifestações de junho e acordar com o pesadelo saído da cabeça de economistas liberais descomplexados e prontos a destilarem seu antiestatismo tosco, seu completo desprezo por políticas fortes de redução da desigualdade social e de limitação do processo de concentração de renda. Não foi para isso que a população saiu às ruas, mas para garantir um Estado capaz de prover serviços sociais de qualidade e um Estado com força para garanti-los.

sábado, 19 de julho de 2014

Legado para não esquecer

Sábado, 19 de julho de 2014
Fonte: Tribuna da Internet
Vladimir Safatle
Folha de SP


Professor é detido pela PM durante ato contra a Copa, em São PauloNão serei o primeiro a lembrar que, dentre os vários legados da Copa do Mundo, um dos mais duradouros será certamente a ampliação da zona de suspensão de direitos. O Brasil já era conhecido por seu histórico de violência policial, de desrespeito aos direitos civis e pela proximidade entre bandidos e a polícia. Nesta Copa do Mundo, a despeito da segurança contra manifestações políticas, tal processo chegou muito próximo da perfeição.

Leia a íntegra

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Esquerda padrão Fifa

Quarta, 2 de julho de 2014
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos

"Aqueles dispostos a permanecer de esquerda e defender o governo federal deveriam pensar melhor sua maneira de compreender as críticas feitas à Copa do Mundo. A tentativa de desqualificar toda crítica a partir do clássico sintagma "você está fazendo o jogo da direita" deveria ser motivo de vergonha. Tal argumentação estratégica só aparece quando não é mais possível utilizar raciocínios realmente programáticos", escreve Vladimir Safatle, professor de Filosofia, em artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, 01-07-2014.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Carta de Luciana Genro aos militantes e às direções nacional e regional/SP do Psol; caso Vladimir Safatle

Quarta, 28 de maio de 2014

À direção Nacional do PSOL
À direção Estadual do PSOL – SP
A todos os militantes que lutam por um Brasil Socialista
Para que ao invés de luta interna e de polêmicas tenhamos a unidade do PSOL e da esquerda!
Para que o PSOL se fortaleça!
Para que tenhamos os melhores representantes e candidatos!
Para construir uma alternativa anticapitalista!
Vivemos um momento decisivo. A classe dominante tenta fazer da eleição um jogo de cartas marcadas entre os 3 candidatos que defendem os seus interesses. Necessitamos tomar medidas drásticas para que a esquerda socialista tenha condições de disputar os corações e mentes que saíram às ruas em junho.Para isso é necessário uma política correta nos grandes centros. Escrevo esta carta e apresento uma proposta para ajudar a construir esta possibilidade e evitar uma catástrofe política em nossa campanha em São Paulo e, consequentemente, em nossa campanha nacional.
Em junho de 2013 o Brasil viveu um levante juvenil e popular. As multidões nas ruas cantavam “o povo acordou”. Quem presenciou, quem viveu, quem participou não esquecerá. É preciso ser fiel ao povo que tomou as ruas para dizer basta. A crise de representação do sistema político atual ficou evidente. A demanda por melhorias na saúde, na educação, no serviço público em geral e no transporte público em particular ficou patente. Uma ampla plataforma de reivindicações foi erguida por um movimento de massas com uma enorme criatividade e muita espontaneidade, embora resgatando inúmeras lutas que vinham sendo travadas antes e com muitos dos ativistas que antes de junho militavam pelas causas abraçadas massivamente em junho. Sabemos muito bem que entre estes ativistas estavam os militantes do PSOL, do PSTU, do PCB, militantes e amigos da esquerda que não se rendeu e não aceitou sustentar o regime burguês, curso seguido pelo PT e pelo PC do B, a velha esquerda que capitulou e se integrou na defesa da ordem burguesa e sua lógica de exploração e opressão dos trabalhadores e dos jovens.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Esquenta ainda mais o caso do Psol paulista, sobre o 'rechaço' da candidatura de Vladimir Safatle, que soltou uma nova nota pública

Segunda, 19 de maio de 2014
Nova nota de Vladimir Safatle

Como começará a entediante comédia das versões sobre o que aconteceu sobre minha candidatura, sugiro ser melhor ir direto à fonte. Por isto, quero deixar claro dois pontos:
a) não desisti da candidatura, ela foi abandonada pela parte majoritária da direção estadual do PSOL. Dentro de um processo tenso de negociações, minha última palavra (no dia 13 de maio, inclusive para nosso candidato a presidente) foi de que aceitaria ser candidato, mas que esperaria o partido assegurar as condições mínimas (que eu e outros membros do partido conseguimos, vejam só vocês, dois dias depois). Esse setor partidário preferiu fechar as negociações e levantar outro nome, mesmo depois das condições à mão. Acho que mais correto seria dirigentes do partido assumirem a responsabilidade por suas ações.
b) A discussão sobre a nota interna é surreal, como se torna surreal a vida partidária a partir de um certo nível. Soltar e-mails pessoais descontextualizados para tentar justificar um apoio meu a uma nota partidária que anunciava minha suposta desistência não me parece um bom modo de atuação para quem se levanta programaticamente contra invasão de privacidade. Qual é o próximo passo? Divulgar conversar telefônicas? Uma reflexão séria sobre este procedimento parece-me necessária. Ela não condiz com um partido que tem “liberdade” em seu nome. De fato, falei que, se o partido entendia que um nota daquelas era necessária para amenizar problemas internos entre correntes, eu não me oporia à sua circulação estrita e exclusivamente interna (como fora prometido), até porque a negociação continuava com a campanha nacional do partido. Disse que, se fosse o caso, eu mesmo faria uma nota. Quando a referida nota saiu, no dia 13, para toda a galáxia, ela já era velha e parcial. Ela foi emitida de maneira desnecessária e equivocada, já que o normal, caso isto tivesse ocorrido, teria sido eu mesmo anunciar a desistência com um nota minha. É fácil perceber o absurdo da situação: estou dizendo que não desisti, que estava disposto a sentar e resolver a situação, que levantei recursos até sexta-feira, dia 15, enquanto outros dizem que eu desisti. Isto parece uma peça de Alfred Jarry ou talvez algo mais próximo do teatro do absurdo.

Vladimir Safatle

A carta de Vladimir Safatle sobre sua candidatura rechaçada pelo Psol paulista ao governo de São Paulo

Segunda, 19 de maio de 2014
A partir deste final de semana o Psol de São Paulo está passando por um período de turbulência depois do seu Diretório "rechaçar" a candidatura a governador de Vladimir Safatle, que vinha construindo com movimentos sociais de vanguarda uma alternativa para os eleitores daquele estado.  Leia a seguir a carta de Safatle, militante que levou uma rasteira burocrática da corrente majoritária do Psol paulista.


Aos militantes do PSOL

Eu gostaria de aproveitar esta espaço para falar aos militantes do PSOL, este conjunto impressionante de sujeitos conscientes de seu lugar na história de transformação pela qual nosso país passará. Gostaria de falar com vocês com a segurança de quem sabe que lutamos pelos mesmos desejos, que nos indignamos da mesma forma e com as mesmas intensidades. Queremos as mesmas coisas e, certamente, estaremos juntos por muito tempo. Tudo está apenas começando.
Sei que muitos de vocês se entusiasmaram com a possibilidade de minha candidatura a governador em São Paulo e se decepcionaram, alguns amargamente, quando leram uma “nota interna” da executiva estadual anunciando minha pretensa renúncia. Certamente, os motivos lhe pareceram ainda mais decepcionantes. Mais sei que muitos são conscientes de como uma história só mostra seu verdadeiro sentido quando juntamos todos os seus lados. E há um lado faltante que gostaria de acrescentar a essa história. Por isto, àqueles que fizeram um juízo sobre o que ocorreu, peço que o suspendam momentaneamente. A história é diferente daquela que circulou nos últimos dias e só não me manifestei imediatamente porque esperava que ela se resolvesse de outra forma.