“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 2 de julho de 2026

Um manifesto contra o mito do “crescimento”

Quinta, 2 de julho de 2026

Um manifesto contra o mito do “crescimento”

Por décadas, pensamento econômico sustentº®ou: “estabilidade fiscal” e “respeito ao ambiente de negócios” garantiriam vida digna para todos. Então, explodiram a desigualdade e a devastação. É hora de buscar outros caminhos. Eles existem

 OUTRASPALAVRAS                                                               Mercado x Democracia
Publicado 02/07/2026



Por Joseph Stiglitz, Thomas Piketty, Jayati Ghosh, Kate Raworth, Jason Hickel e Oliver de Schutter | Tradução: Antonio Martins

MAIS:

O texto a seguir apresenta uma iniciativa mais ampla. Redes de ativistas e pensadores que buscam superar o padrão de “desenvolvimento” hegemônico articularam-se a partir de um chamado de Oliver De Schutter, ex-relator especial da ONU para direitos humanos e extrrema pobreza. Seu esforço conjunto produzir, além do manifesto, estudos de políticas alternativas, encontros e apelos à mobilização. O conjunto da obra, denominado Novas Economias para erradicar a pobreza, pode ser encontrado aqui.

Vivemos em uma era de escassez fabricada. Num mundo mais rico do que nunca, cerca de um décimo da população mundial ainda vive em extrema pobreza . Milhões de pessoas não têm condições de comprar comida suficiente, ter moradia adequada ou acesso a cuidados básicos de saúde, enquanto uma pequena minoria acumula riqueza e poder sem precedentes. Ao mesmo tempo, secas, incêndios de grandes proporções, inundações e ondas de calor nos lembram que nossas economias estão levando o planeta além de seus limites.

Essas não são crises isoladas. São sintomas de um modelo econômico que chegou ao fim da linha. A pobreza e a desigualdade não são acidentes; são consequências previsíveis de escolhas políticas: como montamos os sistemas tributários, regulamentamos os mercados de trabalho, valorizamos o cuidado, estruturamos os serviços públicos e decidimos quais necessidades e vozes importam – e que outras podem ser descartadas. Fundamentalmente, se os governos podem criar pobreza, também podem erradicá-la.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Pochmann: Além da regressão e ressentimento



Quinta, 30 de abril de 2026

Pochmann: Além da regressão e ressentimento

Num país que se reprimarizou por décadas, até a ascensão social marcada por desigualdade refluiu. Sobrou a frustração dos empobrecidos e atomizados, ainda que em conexão. Reconstruir a coletividade crítica e transformadora: eis o desafio

OUTRASPALAVRAS                            Crise Brasileira

Matéria publicada originalmente no OUTRASPALAVRAS em29/04/2026 às 19:20 - Atualizado 30/04/2026 às 15:38
Crédito: Reprodução/A Terra é Redonda

Por Márcio Pochmann

Título Original:

Ressentimento como último vínculo: novo sujeito coletivo e mutação política na era digital

Há um equívoco na afirmação de que o Brasil vive hoje uma crise de engajamento sociopolítico. O que caracteriza o presente não é a apatia, mas uma nova forma de mobilização que se apresenta contínua, intensa e, ao mesmo tempo, incapaz de produzir transformação estrutural. Trata-se de uma mobilização politicamente estéril, marcada pelo ressentimento como afeto dominante e como base do novo sujeito coletivo que emerge da sociedade de serviços hiperconectada da era digital.

A tese é desconfortável, mas necessária, pois o sujeito coletivo não desapareceu. Ele se degradou e se reconfigurou negativamente, tornando-se expressão convergente de frustrações estruturais. Entre os anos de 1930 e 1980, o capitalismo industrial no Brasil organizou não apenas a produção, mas também as expectativas sociais. Mesmo de forma desigual, a promessa de mobilidade ascendente funcionava como eixo de integração. O conflito existia, mas era mediado por sindicatos, partidos e movimentos sociais. Havia antagonismo, mas também horizonte de transformação superior.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

David Harvey: O Brexit “deve ser interpretado como um grande voto de protesto”

Quarta, 20 de julho de 2016
Do Esquerda.Net
“Há algumas boas razões para as pessoas se interrogarem sobre para que querem esta UE quando ela faz coisas como fez à Grécia e está neste momento a ameaçar fazer a Portugal”, referiu o geógrafo marxista numa entrevista ao jornal Público.
Questionado sobre se “vê o Brexit como a democracia a funcionar, uma distorção da democracia em que as pessoas foram de alguma forma manipuladas ou uma forma de protesto contra as desigualdades”, David Harvey sublinhou que “em primeiro lugar, há uma questão relativamente ao que constitui a democracia”.

“Temos democracias parlamentares, mas a maioria das decisões é tomada noutros sítios, há um défice democrático nos EUA e na Europa”, acrescentou, defendendo que “o resultado deve ser interpretado como um grande voto de protesto”.

“É o equivalente a dizer ‘não’, e as pessoas teriam dito ‘não’ a praticamente tudo”, reforçou.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Recessão: Brasil perde 533 mil postos de trabalho em um ano, diz IBGE

Sexta, 19 de fevereiro de 2016
Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
Indústrias
Força de trabalho cresceu de 99,2 milhões para 101,3 milhões em um ano Arquivo/Agência Brasil
O Brasil perdeu 533 mil postos de trabalho entre novembro de 2015 e novembro de 2014. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ocupada passou de 92,706 milhões de pessoas no trimestre encerrado em novembro de 2014 para 92,173 milhões de pessoas no mesmo período do ano seguinte.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Economia: por que perdura risco do colapso global

Segunda, 15 de fevereiro de 2016
Desde 2008, nenhuma das políticas “contra a crise” ousou questionar o papel dos bancos e da aristocracia financeira. Reforçados, eles ameaçam provocar novos desastres. Há alternativas. Por Joseph E. Stiglitz
15 de Fevereiro, 2016
Sete anos depois de irromper a crise financeira global, em 2008, a economia mundial continuou a tropeçar, em 2015. Conforme o relatório da ONU Situação e Perspectivas da Economia Mundial 2016, a taxa média de crescimento nas economias desenvolvidas teve queda de mais de 54% desde a crise. Cerca de 44 milhões de pessoas estão desempregadas em países desenvolvidos, algo como 12 milhões a mais do que em 2007, enquanto a inflação alcançou o seu nível mais baixo desde o início da crise.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Boulos: Recessão pode trazer para as ruas a "Massa trabalhadora vinda do asfalto esburacado das periferias"

Quinta, 11 de fevereiro de 2016
"Apenas uma coisa é certa. Se este povo for às ruas em 2016 não será para tirar selfies com a tropa de choque."
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Do Náufrago da Utopia
Celso Lungaretti

Mais uma vez os articulistas de esquerda começam a chegar onde estou há um bom tempo. Em julho de 2015 eu alertava:
"O arrocho fiscal do Joaquim Levy vai matar brasileiros de fome e consequências da miséria, literalmente. Temos de procurar uma saída heterodoxa para o buraco em que estamos. A ortodoxa é impraticável, vai gerar um tsunami social. 
...se [a política econômica] não mudar, este país vai pegar fogo..."
Bem, o malfadado austericídio continua aí, só mudou o encarregado de no-lo impor. Nisto admito ter cometido um erro de autoria: o ajuste fiscal, com todas as suas mazelas e injustiças, deve ser creditado inteiramente à Dilma; não era do Levy nem é do Barbosa, meros executantes.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

2016 prossegue com crises na economia e na política, mas também com o avanço do protesto popular

Quarta, 27 de janeiro de 2016
Da Tribuna da Imprensa
Por Igor Mendes
O grande Lênin, que além de todas as qualidades como teórico e organizador revolucionário, era também genial político, dizia sobre as situações revolucionárias que estas se caracterizam pelo fato dos de cima não conseguirem governar como antes e os de baixo não aceitarem seguir vivendo como antes. A crise econômica, gravíssima, que atinge em cheio a vida de todos nós e não pode mais ser mascarada –inflação e tarifaço, alimentando-se mutuamente –é base de uma crise política sem precedentes em período dito “democrático”, ameaçando a estabilidade de um sistema de poder completamente apodrecido, a despeito de quererem nos apresentar esses biombos de instituições que temos, caricatas imitações terceiro-mundistas, como baluarte de valores republicanos que jamais tivemos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Com crise, quase 4 milhões voltam às classes D e E

Segunda, 11 de janeiro de 2016
Do Congresso em Foco
Segundo estimativa divulgada pelo Valor Econômico, 3,7 milhões de brasileiros deixaram a classe C devido ao aumento do desemprego e à queda de seus rendimentos no ano passado

O aumento do desemprego e a queda nos rendimentos dos brasileiros já mostram efeito sobre o processo de mobilidade social em curso no país de meados de 2004 a 2014, informa a reportagem do Valor Econômico. Continue lendo

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Stiglitz: como evitar “a grande queda livre”

Quinta, 7 de janeiro de 2016
Do site outraspalavras.net
160101-Depressão
Desempregados fazem fila para sopa, nos EUA, durante a depressão dos anos 1930. Para Siglitz, políticas hoje hegemônicas podem repetir tragédia de então, porque baseiam-se na mesma lógica elitista

Na virada do ano, Nobel de Economia adverte de novo sobre risco de colapso global semelhante ao dos anos 1930. Para escapar, diz, será preciso derrotar políticas como o “ajuste fiscal” brasileiro

Por Antonio Martins
No início de 2010, menos de dois anos após o início da crise econômica global que persiste até hoje, Joseph Stiglitz, Nobel da Economia, publicou O Mundo em Queda Livre (“Freefall”). Ao analisar as respostas políticas adotadas até então contra a crise, ele observou que elas ameaçavam conduzir o planeta a uma depressão semelhante à que foi aberta em 1929. O poder das elites financeiras estava levando os governos a adotar medidas que concentravam ainda mais a riqueza e desmantelavam, em favor da “liberdade dos mercados”, o poder de planejamento e regulação dos Estados. No entanto, tais ações conduziriam a uma redução geral da demanda por bens e serviços que terminaria por levar as economias ao colapso. Stiglitz chamou este fenômeno de “O Grande Mal-Estar” (“The Great Malaise”). Nesta virada de ano, ele acaba de reforçar o vaticínio, num artigo alarmante porém não desesperançado. “Os remédios estão à disposição”, diz. O que falta, ainda, é reunir força política para vencer a hegemonia da aristocracia financeira e implementá-los.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

IMPRENSA SILENCIOSA: Jornais pouco veiculam manifestação em Madri

Terça, 3 de fevereiro de 2015
Por Cristiano de Sales em 03/02/2015 na edição 836 do Observatório da Imprensa
Impressiona a pouca ênfase que os jornais de maior circulação no Brasil, em suas versões online, deram à manifestação ocorrida no sábado (31/1) num dos principais endereços da capital espanhola. Na busca de maiores informações sobre o ocorrido, pode-se digitar no Google, em português, a expressão “manifestação em Madrid” e ver uma série de respostas nos direcionando a sítios lusitanos. O número de participantes foi calculado em 100 mil
Se quisermos ler em nossos “principais” jornais o que houve na Espanha, temos que vasculhar os frames, as diferentes seções, e rolar um bocado a barra lateral de navegação para encontrarmos notícias compiladas da mesma fonte dos tais periódicos lusitanos.
A manifestação, que teve como força propulsora as eleições na Grécia, com a vitória do Syriza, parece não interessar muito aos periódicos que tantos favores prestam às forças econômicas estrangeiras. Mesmas forças que sufocaram a Grécia nisso que eles chamam de salvamento da economia da zona do euro. O problema não são as verdades ou mentiras sobre essa questão de salvamento da economia europeia. O problema é sempre aceitar que questões humanistas (até onde sei, a liberdade é uma questão de humanidade) possam ser sacrificadas em prol de um salvamento econômico. E é contra isso que os europeus começam a sinalizar ao eleger um governo de oposição na Grécia e ao tomarem as ruas de Madrid. E é exatamente isso que os jornais do Brasil preferem não fazer virar debate.
Noticiar, como fizeram o Estado de S.Paulo e O Globo, reproduzindo agências de notícias, está bem longe de transformar um assunto em debate. Aliás, essa manifestação não ganha destaque nem mesmo entre as notícias internacionais desses jornais. Ela aparece como mais uma dentre as tantas tristes notícias dos conflitos pelo mundo. Mas espera aí! Essa é uma notícia diferente. Ela talvez seja o contraponto às notícias deprimentes de conflitos que estamos acostumados a ver com tanta frequência (mesmo que essa manifestação gere conflitos).
A falta de interesse
Claro, para que haja debate sobre um fenômeno como esse é necessário tempo de digestão das informações e amadurecimento das ideias, mas o primeiro passo não foi dado, as informações não apareceram com o destaque que mereciam para resultarem em interesse público.
Um ponto, entre tantos outros de desdobramento sócio histórico, que poderia começar a ser trabalhado na veiculação desses acontecimentos, é a demonstração, por exemplo, das diferentes motivações com que se vai às ruas na Europa, se comparado ao Brasil. Sem querer estabelecer uma comparação reducionista e infrutífera entre os dois continentes, vale destacar o tipo de pautas que têm levado os europeus às ruas. Elas são mais subjetivas, abstratas, conceituais. A de Madrid foi convocada contra a austeridade do governo. É contra uma prática bastante objetiva do governo? Sim, mas é também contra um conceito, uma postura, uma ideia, uma solução.
As manifestações no Brasil têm um perfil um pouco mais pontual: reivindica-se, aparentemente, contra aumento de tarifas de transporte, contra falta d’água, contra falta de moradia (todas elas absolutamente legítimas). Não significa que por serem assim sejam menos dignas, significa que o país tem outro perfil, o de exigir (a própria população faz isso) que as pautas sejam claras e objetivas, e não subjetivas, ou pouco definidas. E a população exige isso muito em função da forma como os noticiários veiculam as manifestações; muito em função de como a mídia “fomenta” esse debate protegendo os interesses de grupos muito parecidos com aqueles que estão agora na mira das manifestações europeias. Daí a falta de interesse em fomentar publicamente essa discussão que em muito ajudaria a nós, brasileiros, entendermos que nossas manifestações também não são apenas pontuais, por 50 centavos, elas são também conceituais. Tomamos as ruas porque cada vez menos interferimos nas decisões da res publica. Isso não aparece no jornal.
***
Cristiano de Sales é professor de Comunicação Social 
Fonte: Observatório da Imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O Japão entra numa nova recessão

Quinta, 20 de novembro de 2014

A fórmula de aumentar os impostos e injetar dinheiro na banca fracassou ao não conseguir impulsionar uma recuperação significativa. Com isto, gerou-se mais incerteza nas economias europeias.
Por Marco Antonio Moreno, El Blog Salmón
PIB do Japão 1970-2014
A inesperada contração do PIB trimestral do Japão mostra que o fracasso das políticas monetárias não é um exclusivo de Europa. O país do sol nascente voltou a entrar em recessão (uma vez mais) deitando por terra os planos de recuperação incluídos nas propostas de Shinzo Abe, o primeiro-ministro nipônico que assumiu a chefia do governo há dois anos prometendo uma mudança radical das políticas econômicas e garantindo que retiraria o país de duas décadas de má fase. A estratégia pouco ortodoxa de disciplina fiscal e flexibilização quantitativa era olhada com interesse pela Europa, dado que podia converter-se no roteiro dos países europeus que procuram subir impostos para escapar à pandemia dos desequilíbrios fiscais. No entanto, a fórmula de aumentar os impostos e injetar dinheiro na banca fracassou ao não conseguir impulsionar uma recuperação significativa. Com isto, gerou-se mais incerteza nas economias europeias que ficam agora sem um modelo a seguir. Fica claro que a injeção de dinheiro dos bancos centrais não é uma prática que gere impulso econômico, dado que apenas aumenta a desigualdade porque esse dinheiro apenas chega aos banqueiros e aos mais ricos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O que acontecerá à UE?

Segunda, 23 de janeiro de 2012
Do "resistir.info"
por Wim Dierckxsens*
As crises financeiras, quando são globais, exprimem a confrontação entre os grandes actores capitalistas financeiros que lutam pela configuração da nova ordem mundial. A confrontação entre blocos de poder constitui o fundo da crise actual, a qual se verifica quando no núcleo financeiro do poder mundial começa a emergir uma nova fracção que se transformou em outra forma de capital, mais "avançada" sem fronteiras nem cidadãos, a qual precisa impor-se na economia, na política e na política cultural, forçando o multipolarismo, apropriando-se do G20 e fracturando a hegemonia global-unipolar norte-americana. A relação existente entre esta nova forma de capital e os instrumentos pelos quais de faz visível são as classificadoras de risco, as fundações e universidades privadas, o partido mediático financeiro, os grandes bancos comerciais e de investimento, os paraísos fiscais e os fundos financeiros de investimento global. Finalmente, revela as novas formas de territorialidade social concordantes com os novos actores financeiros, expressas na rede de cidades financeiras globais que põem em crise a territorialidade dos estados-nação e até dos próprios EUA. 

Esta crise financeira global é uma luta pela configuração da Ordem Mundial que, no desenvolvimento da sua transição, abre diferentes caminhos possíveis: a) para restaurações neo-conservadoras; b) para revoluções políticas anglo-americanas e neoliberais e; c) para revoluções sociais de massas populares. É importante reconhecer para diferenciar, não confundir e acertar. Para a linha anglo-americana de interesses globais, a queda dos EUA como potência mundial torna-se necessária para avançar rumo ao novo formato imperial onde não existe país central: um imperialismo sem centro num país determinado e sim numa rega de mega cidades financeiras. A questão é os EUA conseguem evitar uma explosão e se o eixo alemão-francês consegue defender-se do assédio.
 

A partir de 1991 a fracção dominante foi a anglo-americana (Citibank, HSBC, Lloyd's, Barclays). Seu projecto estratégico é a aceleração da crise da soberania do estado nacional e o desenvolvimento de formas de soberania global tendentes à formação do Estado-Rede Global. A queda da Torres Gémeas, segundo Walter Formento e Gabriel Merino
, era o meio para deter o avanço da fracção avançada do capital financeiro global e dinamizar o antigo complexo industrial-militar norte-americano. No próprio território anglo-americano estas fracções precisam perpetuar o velho imperialismo de país central com traços fascistas. A partir de 2000-2001, a fracção atrasada, fortemente desenvolvida no interior dos EUA mas com menor desenvolvimento global (a fracção industrialista, incluindo o complexo industrial-militar e o Pentágono), consegue compensar a sua debilidade no terreno económico, arrancando com uma política militarista legitimada da ideia da segurança nacional. 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Crise Européia: O Povo paga caro pelas irresponsabilidades do Setor Financeiro

Quinta, 14 de julho de 2011
Do site "Rumos do Brasil"
Riscos de transferência da Crise para o Brasil

Por Maria Lucia Fattorelli*
Assistimos, nos últimos dias, às crescentes mobilizações sociais que têm levado centenas de milhares de pessoas às ruas, em toda a Europa, protestando contra as drásticas conseqüências da crise da dívida pública que atinge fortemente a economia européia e a vida de seus cidadãos.

Muito se comenta sobre a necessidade de pagar a dívida e o remédio empregado pela Comissão Européia, juntamente com o FMI e o Banco Central Europeu, é um amargo composto de medidas de ajuste fiscal: reforma da previdência visando aumentar a idade para aposentadoria e reduzir benefícios dos trabalhadores; demissão de milhares de servidores públicos; corte de serviços públicos; aumento de tributos; privatizações, dentre outras.

Pouco se comenta que essa crise da dívida decorre principalmente da crise do setor financeiro bancário deflagrada em 2008: os maiores bancos internacionais do planeta corriam risco de quebra, devido ao excesso de derivativos sem lastro e outros produtos financeiros sem respaldo e sem valor algum – chamados de “ativos tóxicos[2]” pela grande mídia. Imensurável quantidade de sucessivas séries e mais séries desses papéis podres criaram uma “bolha” que inundou o mercado financeiro mundial de verdadeiro “lixo”.

*Maria Lucia Fattorelli é Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida desde 2001 (www.divida-auditoriacidada.org.br), membro da Comissão de Auditoria da Dívida Equatoriana (2007-2008), e assessora da CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados (2009-2010).


terça-feira, 12 de julho de 2011

Crise global da dívida

Terça, 12 de julho de 2011
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
“A crise da dívida que começou na Europa vai se espalhar, não poupará nem países emergentes e é uma ameaça para a estabilidade financeira internacional.”


“O colapso da economia mundial em 2008 obrigou países ricos a promoverem o resgate de setores inteiros das suas economias. Três anos depois, o resultado é a explosão das dívidas dos governos.”


 
As frases acima não foram ditas por nenhum ativista político, ou por nenhum analista crítico ao atual sistema financeiro internacional. As frases acima foram ditas, simplesmente, pelo Banco Central dos Bancos Centrais: o Banco de Compensações Internacionais (BIS), conforme mostra o jornal Estado de São Paulo. Ou seja: o BIS reconhece que a dívida explodiu nos países do Norte devido ao salvamento de bancos falidos.

O Jornal Nacional mostra a reunião de emergência realizada em Bruxelas com os Ministros de Finanças da União Européia para discutir a crise da dívida na Europa, e também a preocupação do Presidente dos EUA Barack Obama com a possibilidade de um calote da dívida estadunidense, o que geraria uma nova crise global. Por sua vez, o Portal G1 mostra a queda de várias bolsas em todo o mundo, refletindo a preocupação dos investidores em garantir que os governos cortem mais despesas para pagar a dívida.

Porém, tais notícias não esclarecem os fatos agora reconhecidos pelo BIS: que a culpa pela explosão da dívida é do salvamento do próprio setor financeiro, e não de um suposto excesso de gastos sociais. Obviamente, a grande imprensa reproduz a idéia colocada pelos governos (que representam os interesses dos rentistas) de que, diante desta situação, a saída seria uma forte contenção dos gastos sociais.

Tal idéia parte do princípio de que a dívida é inquestionável, e que o corte de direitos dos trabalhadores seria plenamente justificável, sendo que os manifestantes nas ruas de diversos países seriam “ingênuos” e “inconsequentes” por tentarem impedir a “racional” e “correta” decisão de se pagar a dívida.

Mas que dívida? O Blog “Rumos do Brasil” traz novo artigo de Maria Lucia Fattorelli, coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, que mostra a origem espúria deste endividamento, que deveria ser urgentemente auditado, conforme já defendem importantes movimentos sociais de vários países da Europa.