Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 10 de julho de 2024

PATRIMÔNIO CULTURAL —Justiça determina que Iphan e Ibram criem protocolo de atuação para combate ao furto de bens culturais brasileiros

Quarta, 10 de julho de 2024
Arte: Comunicação/MPF

Segundo ação do MPF, pelo menos 2.200 bens do patrimônio histórico já foram subtraídos do território nacional

Do MPF
A Justiça Federal no Rio de Janeiro determinou, em ação do Ministério Público Federal (MPF), que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e a União criem, em 180 dias, um protocolo de comunicação e atuação junto a instituições públicas e privadas para prevenir e reprimir o furto e o tráfico de bens do patrimônio histórico e cultural brasileiro.

Também foi determinado aos réus que, no mesmo prazo de 180 dias, atualizem as listas de bens culturais desaparecidos e cadastrem essas listas na base de dados da Interpol. Segundo a decisão da Justiça, o Ibram deve ainda implementar o inventário nacional dos bens dos museus até o final do primeiro semestre de 2025. As medidas foram determinadas pela Justiça Federal em caráter liminar, durante audiência realizada em 3 de julho, com parte do andamento do processo.

A ação do MPF foi ajuizada após investigação que constatou a negligência dos órgãos de fiscalização na prevenção de danos e na condução de políticas públicas de documentação e guarda segura de acervos. Além disso, ficou clara a falta de articulação desses órgãos, em nível nacional e internacional, e de ações para identificar os criminosos e repatriar os bens que são ilicitamente levados para fora do país.

sábado, 4 de março de 2017

Urbanismo: Filha de Lucio Costa critica gestão de Rollemberg

Sábado, 4 de março de 2017
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna
Foto de Bento Viana
Maria Elisa Costa atribui a preservação de Brasília muito mais à capacidade de luta dos moradores da cidade do que a ação de seus mandatários. Foto de Bento Viana
Maria Elisa Costa, filha de Lucio Costa, que é tia de Rodrigo Rollemberg, questiona a capacidade executiva do governador.
Por Chico Sant’Anna
A imagem de Rodrigo Rollemberg não anda nada boa. Até mesmo no circulo mais íntimo, familiar, do governador as coisas não estão boas. E uma das áreas de desgaste é exatamente na preservação de Brasília, enquanto patrimônio histórico cultural da Humanidade, e mesmo do Distrito Federal, enquanto uma Unidade da Federação que sempre se notabilizou pela qualidade de vida. As mais recentes críticas que circularam nas redes sociais foram provenientes de Maria Elisa Costa, filha do criador de Brasília, Lucio Costa, e tia de Rodrigo, já que foi casada com o irmão da mãe do governador.
Dialogando abertamente com moradores de Brasília, defensores da preservação das ideias de Lúcio Costa, Maria Elisa colocou em dúvida a capacidade de gestor, de governante do sobrinho. “Sempre achei que existem dois tipos de vocação política, o parlamentar e o executivo (para o parlamentar, o produto final é palavra, e para o executivo a obra executada). Rodrigo tem vocação parlamentar.”

domingo, 8 de maio de 2016

Falta de recursos ameaça Parque Nacional da Serra da Capivara

Domingo, 8 de maio de 2016
Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil
Patrimônio Mundial da Unesco, o Parque Nacional da Serra da Capivara está ameaçado pela falta de recursos, segundo a diretora-presidente Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham), Niède Guidon. “O dinheiro termina em dois meses. É uma situação difícil, que eu não sei mais o que fazer”, disse.
O Parque Nacional da Serra Capivara, no Piauí, está ameaçado pela falta de recursos. Unidade de conservação arqueológica é Patrimônio Mundial da Unesco (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
O Parque Nacional da Serra da Capivara é  Patrimônio Mundial da Unesco pela importância dos registros rupestres encontrados no local  —Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Criada em 1979, a unidade de conservação arqueológica, localizada ao sudeste do Piauí, reúne em seus mais de 91 mil hectares um dos mais importantes exemplares do patrimônio pré-histórico do país. Em 1991, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) incluiu o parque na lista do Patrimônio Mundial, principalmente devido à importância dos registros rupestres encontrados no local. A administração do local cabe ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham) .

quinta-feira, 13 de março de 2014

Representantes da sociedade civil retiram-se do grupo técnico de revisão do PPCUB.

Quinta, 13 de março de 2014
 
   O Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento Distrito Federal, o Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e a Universidade de Brasília manifestam o seu repúdio à forma açodada e desrespeitosa com que a SEDHAB/GDF vem encaminhando a aprovação do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília – PPCUB no Conselho de Planejamento Territorial e Urbano do DF - CONPLAN.
   Na qualidade de representantes da sociedade civil, integramos o Grupo Técnico de revisão do PPCUB, constituído em janeiro de 2014. Durante dois meses, participamos de inúmeras reuniões diárias e semanais. Esse período foi produtivo, porém insuficiente para a revisão integral da proposta e seus anexos. Foram revisados o texto do PLC 078/2013 e apenas duas das setenta e duas planilhas de parâmetros urbanísticos. Dessa revisão parcial, ainda restam diversos pontos polêmicos e de dissenso, além de estudos técnicos pendentes.
   A decisão de aprovar o PPCUB no CONPLAN, neste momento, interrompeu os trabalhos de revisão, surpreendendo a todos os representantes da sociedade civil no Grupo Técnico e, até mesmo, os conselheiros do CONPLAN, que sequer tiveram conhecimento prévio do conteúdo da matéria, tampouco um prazo exequível de análise.
   Os procedimentos adotados atropelam os trâmites e ritos legais previstos pela Lei Orgânica do Distrito Federal e pelo Estatuto da Cidade. Entendemos que o encaminhamento correto para a necessária revisão do PPCUB implica a retirada do PLC 078/13 da Câmara Legislativa do Distrito Federal e a reapresentação de um novo texto, e não de emendas como se pretende. O poder de emendar atribuído aos parlamentares não é suficiente para promover alterações mais profundas no projeto de lei, como precisam ser e como exige a sociedade.
   Em vista do exposto, vimos a público comunicar a nossa saída do Grupo Técnico de revisão do PPCUB, por entendermos que essa situação representa um retrocesso e uma afronta ao Conjunto Urbanístico, Arquitetônico e Paisagístico de Brasília.
Thiago Teixeira de Andrade – representante do IAB-DFVera Ramos – representante do IHG-DFBenny Schvarsberg – representante da UnB

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Ibram suspende construção da Quadra 500 do Sudoeste

Sexta, 5 de abril de 2013
 











Estão suspensas, oficialmente, as obras da  Quadra 500 do Sudoeste. A decisão, publicada no   Diário Oficial do Distrito Federal, é do Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram).

A suspensão se embasa em decisões anteriores dos tribunais de Contas e de Justiça do DF. Além disso, o Ministério Público tem posicionamento contrário à criação da quadra, que seria erguida entre  o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Eixo Monumental. O entendimento do MP é que a Lei Orgânica do DF não permite que existam mais quadras próximo ao Eixo Monumental. ...
 
A Justiça do DF havia proferido a decisão em 2010, e no ano passado foi a vez da Justiça Federal, uma vez que a área pertence à Marinha, após doação do GDF.
 
No ano passado, a construtora responsável pelo empreendimento entrou com recurso no Tribunal Regional Federal da 1º Região, mas o pedido foi negado.

Enquanto as construções no Sudoeste estão barradas pela Justiça, outro processo avança: a regularização de Vicente Pires.  O Conselho de Meio Ambiente (Conam) aprovou   a licença ambiental do setor habitacional.

Este foi o penúltimo passo para a regularização. O anterior foi dado no último dia 23, quando o Conselho de Planejamento Urbano e Territorial (Conplan) aprovou o projeto urbanístico. A última etapa será a transferência das terras da União  ao GDF. Ainda não há uma data para isso.
 
A licença ambiental foi aprovada  com duas recomendações. A primeira é para que se faça um novo estudo em áreas de Proteção Permanente (APPs).  A outra é para que existam as faixas de servidão, que permitem a passagem de redes de água ou esgoto no terreno de uma residência, sem que o morador possa construir nada no  local.
 
Fonte: Blog do Sombra com Jornal de Brasília

quinta-feira, 7 de março de 2013

PPCUB adiado. Motivos para comemorar?

Quinta, 7 de março de 2013



GDF retira PPCUB E LUOS

Postado por Márcio Poli (7/3/2013) em Blog do Cafezinho
A Secretaria de Comunicação do Distrito Federal – SECOM/DF informou que o governador Agnelo Queiroz decidiu retirar da pauta legislativa o projeto da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) e do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB), o motivo seria a nova formatação política das comissões temáticas da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) que estaria gerando clima de insegurança na Câmara Legislativa do Distrito Federal.


Nos bastidores da CLDF, a retirada seria uma forma de retaliação aos deputados Cristiano Araújo presidente da Comissão de Assuntos Fundiários e Wellington Luis (PPL) vice-presidente da mesma comissão, isso porque Cristiano não anda agradando muito ao governo indo contra a algumas ações do GDF e Wellington Luis por ter defendido os policiais Civis durante a grave que durou vários dias o que gerou grande desgaste do governo junto a população e a classe trabalhadora.


Há especulações de que quando os projetos voltarem para a Câmara terão modificações e muitas surpresas pois esta retirada é tida como estratégica.


ANÁLISE DA NOTÍCIA


Temos motivos para comemorar? Do ponto de vista de ganhar algum tempo contra a aprovação precipitada e temerária do Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) sim. Mas por quanto tempo?
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O PPCUB é uma legislação que trará muitas alterações para a área tombada do Plano Piloto de Brasília, alterações que ninguém sabe dizer quais são exatamente e que o GDF até agora fez questão de não esclarecer. Em momento algum essas audiências trouxeram sequer uma prosaica tabela de “antes e depois” para que um leigo pudesse entender o que estaria sendo alterado na área tombada.


A transparência no PPCUB alardeada pela cúpula da SEDHAB é baseada em Audiência Públicas mal divulgadas que só trouxeram explicações genéricas e nada didáticas à população. Após uma vergonhosa anulação judicial em março, a Audiência Pública final foi realizada em pleno feriadão de Corpus Christi de 2012 (junho), com participação restrita da sociedade e sem cumprir as exigências que a Justiça Federal havia definido para que pudesse ocorrer. No mínimo ilegal.


Isso não é transparência. Tampouco responsabilidade com a importância histórica desse documento que irá ditar o futuro de um Patrimônio Mundial.


No PPCUB falta transparência, falta diálogo, falta compromisso com a preservação efetiva da cidade. O trabalho dos técnicos da SEDHAB com toda certeza foi intenso desde o início do processo e não temos dúvidas da dedicação da maioria que ali está para que se faça o melhor possível. Mas da mesa de um técnico do GDF até as comissões da CLDF muita coisa aconteceu. As decisões políticas tem prevalecido e contaminado toda a qualidade que eventualmente haja no documento. Isso é claro para qualquer um que esteja acompanhando a tramitação do PPCUB.


Senão, vejamos: a Unesco recomenda expressamente que o PPCUB seja paralisado e reavaliado com participação direta de várias instâncias técnicas como UnB, IAB e Iphan. E o GDF ignora. O Iphan analisa o PPCUB sob pressão, ainda assim alerta sobre diversos aspectos  que deveriam ser revistos no PPCUB antes de seu encaminhamento à CLDF. E o GDF ignora. A sociedade se mobiliza e pede ao Governo cautela no trato desse assunto, pede esclarecimentos, pede que o PPCUB não seja aprovado dessa forma precipitada. E o GDF ignora.


A pergunta que fica é: qual calendário o GDF tem que cumprir? Que compromissos são esses que fazem com quem o GDF pressione tanto pela aprovação de uma lei que esperou 53 anos?


A sociedade de Brasília tem consciência que a cidade pode ser aperfeiçoada para que se desenvolva em todo seu potencial. A legislação existente pode ser melhor organizada, atualizada, novos usos podem ser propostos em regiões da cidade sem que impliquem em alteração dos conceitos protegidos pela legislação até o momento, muita coisa positiva poderia estar sendo proposta pelo PPCUB. Mas lamentavelmente o que presenciamos é um processo truncado, burocrático, conduzido de forma açodada e autoritária.
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Brasília tem que ser tratada com respeito e consciência pois não é uma cidade qualquer.


É a capital da República Federativa do Brasil, e um Patrimônio Cultural da Humanidade.


Vamos repetir isso até que o GDF entenda com que está lidando.
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Leia também:

Brasília: um monumento bilionário ao desperdício na Copa

 

ARQUITETO CARLOS MAGALHÃES DESABAFA CONTRA PROJETO DO GOVERNO AGNELO

Quinta, 7 de março de 2013
Cara amiga
Conceição Freitas

O projeto que o governo está imaginando para o subsolo do gramado do eixo monumental é fantástico, megalo-maniaco. Tem seis níveis abaixo do gramado. 30 mil vagas para estacionamento, escritórios, lojas,mercados, shoppings e quem sabe vai prever também a transferência da feira do Paraguai e tudo mais que uma cabeça doente e corrupta possa imaginar, para o setor mais ...importante da nossa cidade. Aqui, a burrice e a corrupção são imbatíveis.
 
Estou propenso a acreditar que só é possível resolver na porrada, e me sinto passado, velho,para tomar esta atitude. Acredite que nunca estive tão indignado.
Examinei o vídeo no escritório de uma grande construtora. É inacreditável. Essa gente deveria ir para a cadeia.
 
Dizem, com a maior satisfação, com o sorriso escancarado, que o projeto vai custar mais de 4 bilhões e meio de reais.
 
Vamos reagir, não podemos deixar que todos pensem que somos um bando de ladrões.

Carlos Magalhães - arquiteto.
 
Fonte: Blog da Leiliane

sábado, 12 de janeiro de 2013

Brasília maltratada

Sábado, 12 de janeiro de 2013  
Exclusivo: filha de Lúcio Costa diz que Brasília está sendo maltratada

O projeto urbanístico de Brasília, idealizado por Lúcio
Costa, resistirá mais 50 anos? Foto do paisagismo
projetado, em 1960, por Burle Max para a Esplanada
dos Ministérios. Fonte: http://www.skyscrapercity.com

Em entrevista exclusiva ao blog Brasília, por Chico Sant’Anna, Maria Elisa revela que o Setor Noroeste não segue as recomendações de seu pai e relembra que, segundo Lúcio Costa, “a Brasília não interessa ser grande metrópole.”


Arquiteta e urbanista como o pai, Maria Elisa Costa fala da situação de Brasília e suas preocupações com a Capital Federal. Foto: Arquivo da família.

Com meio século de vida, Brasília vive os dilemas das metrópoles centenárias. A cidade planejada não conseguiu implantar um serviço de coleta e triagem de lixo, garantir tratamento de esgoto para 100% da população, o transporte público é de péssima qualidade e parece ter a predileção de optar pelas tecnologias ultrapassadas. A Educação e a Saúde públicas, outrora modelos referenciais de qualidade, estão sucateados e a especulação imobiliária faz a cidade crescer desordenadamente para cima e para os lados. Brasília, a cidade que não tinha a missão de ser uma metrópole, segundo a visão de seu próprio idealizador, fica, a cada dia, mais descaracterizada e mais semelhante a qualquer outra cidade do país, refém dos interesses da ganância de uns e dos desacertos da classe política que dita os rumos não só de Brasília, mas de todo o País.


Talvez, o último governador do Distrito Federal que tenha tido uma verdadeira preocupação com a preservação da Capital Federal tenha sido José Aparecido. Ele conseguiu que Brasília fosse tombada como patrimônio universal da humanidade pela Unesco e assim tentar aplacar a sanha de alguns que não tem preocupação com o que ela representa nem com a qualidade de vida dos que nela moram.
Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, conviveu com os principais responsáveis pela existência de Brasília, como retrata a fotomontagem. Foto: Arquivo da família.
Maria Elisa Costa, filha de Lúcio Costa, conviveu com os principais responsáveis pela existência de Brasília, como retrata a fotomontagem. Foto: Arquivo da família.

Foi na administração Aparecido, entre 1985 e 1987 que Lúcio Costa esteve em Brasília para fazer, quem sabe, uma última reflexão sobre os rumos de sua criação. Elaborou o projeto Brasília revisitada, que de alguma forma buscava garantir os ideários da cidade sonhada por Juscelino Kubitscheck e, ao mesmo tempo abrir um pouco de espaço para o seu crescimento.


Um quarto de século depois, a cidade não parece mais a mesma e as ameaças de uma descaracterização maior – tais como a mudanças de gabaritos nos Setores Hoteleiros ou a mudança de destinação de uso da quadra 901 Norte – se mostram cada vez mais fortes e agressivas. No entorno da cidade, os espigões já tomam conta da linha do horizonte, chegando, em alguns casos a 30 andares. A verticalização das cidades-satélites impacta todo o planejamento feito para Brasília, em especial a qualidade dos serviços que devem ser ofertados pelo poder público. A cidade vive a opressão da força das empreiteiras, das construtoras e das imobiliárias.

sábado, 15 de dezembro de 2012

IAB lança campanha nacional “Niemeyer Sim! Brasília By Cingapura Não!”

Sábado, 15 de dezembro de 2012
Do IAB
O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) realizou nesta sexta-feira, 14 de dezembro, no Rio de Janeiro, um evento de lançamento da campanha “Niemeyer Sim! Brasília By Cingapura Não!” para mobilizar a sociedade brasileira contra o contrato firmado, sem licitação, pelo Governo do Distrito Federal com uma empresa de Cingapura para planejar Brasília pelos próximos 50 anos.
O manifesto foi apresentado pelo presidente do IAB, Sérgio Magalhães, que destacou a indignação da classe de arquitetos e urbanistas do Brasil contra o planejamento de uma cidade como Brasília por uma empresa que desconhece a cultura nacional.
“A capital federal é fruto da capacidade do povo brasileiro, concebida e planejada pelo talento dos arquitetos Lucio Costa e Oscar Niemeyer, um retrato da cultura do país no Planalto Central. Este planejamento não pode ser feito por expressões urbanísticas e arquitetônicas de outro contexto e de outra cultura”, contestou.
Para o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Mauricio Azedo, o contrato remete ao colonialismo e prejudica a cultura brasileira. “Esse projeto de sabor colonial reduz a expressão cultural do Brasil em favor de uma empresa cujos méritos precisariam ser justificados para que ela fosse beneficiada com a obtenção do contrato deste porte”, afirmou Mauricio Azedo.
A dispensa de licitação também despertou críticas. O pró-reitor da UFRJ, Pablo Benetti, se declarou indignado em nome da universidade, afirmando a reconhecida capacidade dos profissionais brasileiros, desconsiderada pelo Governo do DF. “Indignação com o procedimento de contratação sem concurso público ou qualquer outro meio de transparência e com o desprezo à nossa arquitetura e engenharia, no sentido de desconhecer a capacidade e a importância que essas formações têm dado para o desenvolvimento nacional”, criticou o pró-reitor.
Segundo João Suplicy, presidente da Federação Pan-Americana de Associações de Arquitetos (FPAA) – entidade representativa de 32 países das três Américas – a realização do projeto por uma empresa de Cingapura é considerada uma invasão cultural. “É inconcebível imaginar que um patrimônio da humanidade como Brasília sofrerá uma invasão de Cingapura. Uma invasão à cultura brasileira com todo esse histórico de arquitetura certamente será muito nociva”, disse.
Para o presidente da Associação Brasileira de Consultores de Engenharia (ABCE), Mauro Viegas, a presença de estrangeiros em um projeto deste porte não é o problema, mas sim a condução do plano liderado totalmente por outro país e não por profissionais brasileiros. “A nossa associação não exclui que haja participação estrangeira, porém essa contratação tem que ser para nos apoiar, transferir tecnologia, mas sempre com a liderança de alguma empresa brasileira”, ponderou Mauro Viegas.
O movimento “Niemeyer sim! Brasília By Cingapura Não!” já está tendo também repercussão no campo político. Segundo o presidente do IAB-DF, Paulo Henrique Paranhos, a maior parte do senado já está apoiando a causa e movimentando ações para que a presidência da República intervenha pela interrupção do contrato, mas o encontro desta sexta-feira com representantes de outras entidades fortaleceu ainda mais o manifesto.
“Temos enviado mensagens até a presidência da República, mas com esse grupo nós podemos bater na porta do Palácio do Planalto e pedir uma decisão mais enérgica porque Brasília é um patrimônio cultural da humanidade e o governo federal não pode virar as costas para esse problema”, exaltou o presidente do IAB-DF.
Já o presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU), Haroldo Pinheiro, classificou a contratação um caso vergonhoso. “O CAU está preparando uma ação contra esse evento que nos envergonha”, declarou. “Já recebemos delegações de países do Oriente que vieram se informar como a engenharia e arquitetura nacional tinham conseguido em três anos e meio projetar e inaugurar uma capital da República no meio do nada. Agora, dez anos depois, uma parte desse mesmo grupo é contratada como especialista para tratar de uma cidade única no mundo, que foi projetada, realizada e tombada em favor da memória da humanidade”, disse o presidente do CAU.
O manifesto do IAB também levantou discussão sobre o aspecto social do projeto. Segundo a socióloga e professora da PUC-Rio, Maria Alice Rezende de Carvalho, o Governo do DF está desconsiderando a população local. “Estamos aqui fazendo a defesa da democracia e da capacidade de participação da sociedade em seus próprios destinos. A população deve se manifestar porque democraticamente esperamos poder falar sobre como queremos viver nos próximos 50 anos”, afirmou a socióloga.
O Governo do DF assinou o acordo no dia 3 de outubro com o grupo asiático Jurong. Com valor estimado em US$ 4,25 milhões, o contrato prevê a elaboração de um projeto para o desenvolvimento da capital até 2060, denominado “Plano Brasília 2060”.
O IAB considera o contrato um crime de lesa-cultura. Com a campanha “Niemeyer sim! Brasília By Cingapura Não!” pretende ganhar mais força para levar ao Congresso Nacional o manifesto da sociedade contra esta intervenção estrangeira na cidade símbolo da arquitetura brasileira e do legado de Oscar Niemeyer.
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sábado, 1 de dezembro de 2012

Os planos do governo para o DF e para você

Sábado, 1 de dezembro de 2012
Do Urbanistas Por Brasilia
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O GDF tem proposto ao longo de 2012 diversos planos, projetos, ações e contratos de longo prazo que irão afetar profundamente a vida da população, a realidade econômica e ocupação urbana do DF. A população do DF é constantemente surpreendida por um festival de siglas e informações que não dão a real dimensão do que está prestes a ocorrer com o DF.

Assim, é fundamental que seja dado conhecimento sobre quais são as diversas decisões e projetos do GDF ocorrendo nesse momento e que estão estão motivando diversos setores da sociedade civil a se organizarem por meio do Movimento em Defesa de Brasília . Informe-se, participe e divulgue!

1) Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB)

Status: aguardando votação na CLDF nas próximas semanas (requerimento de urgência urgentíssima)

Fruto de contratação de uma consultoria privada, o conteúdo do PPCUB foi apresentado para a população de forma pouco didática, em pleno feriado de Corpus Christi, e está prestes a ser aprovado pela Câmara Legislativa. Ninguém sabe dizer com segurança o que está sendo mantido e o que está sendo alterado na área tombada. A Unesco recomendou a suspensão do PPCUB e sua reavaliação, mas o GDF ignora. O Iphan recomendou correções estruturais no conteúdo do documento que também resultariam em sua paralisação, mas o GDF ignora. Que cronograma é esse que o GDF tem que cumprir? Esse documento irá ditar o futuro da capital da República, um Patrimônio Cultural da Humanidade, e tem que ser feito com extremas seriedade e cautela, seja no prazo que for necessário. O PPCUB não está em condições de ser aprovado na Câmara Legislativa e precisamos impedir que isso ocorra de forma açodada nas próximas semanas.

2) Lei de Uso e Ocupação do Solo do DF (LUOS)

Status: aguardando votação na CLDF

Também resultado de contratação de uma consultoria privada, a LUOS complementa o polêmico Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) e propõe diversas alterações nas cidades do DF (aumento de alturas, alterações nos usos permitidos e outros parâmetros que regulam as ocupações das cidades). Elaborada ao mesmo tempo do PPCUB, o que reduziu a participação e discussão com a sociedade, foi encaminhada para a CLDF sem discussões aprofundadas nem a transparência necessária a uma legislação tão importante. Aprovar a LUOS de forma açodada pode acarretar danos irreversíveis a todas as cidades do DF, indistintamente.

3) Parceria Público-Privada (PPP) do Lixo por 30 anos

Status: audiência pública realizada e em processo de contratação

Brasília é a única grande capital brasileira que ainda destina seus resíduos a um “lixão”. Em lugar de resolver a questão de forma exemplar, a polêmica “PPP do Lixo” cria  um monopólio para a iniciativa privada nos próximos 30 anos, sem transparência e com sérios problemas de conteúdo, fere os princípios da gestão participativa e democrática, exclui os grupos sociais envolvidos e depõe contra a eficiência do Estado, a responsabilidade e a economicidade do gasto de recursos públicos(*). Essa PPP está sendo criada sem considerar as diretrizes do Plano de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos do DF ou da  Lei 12.305/2010, as quais essencialmente definem que a gestão de resíduos sólidos e limpeza urbana deve ser primeiramente discutida com a sociedade para só então haver a decisão por contratação ou PPP. Porque o contrato é de 30 anos se suas condições têm tantas críticas? Porque os especialistas não estão sendo ouvidos pelo governo?


4) Licitação do Transporte Público com contrato para 20 anos

Status: em processo de contratação
A licitação do transporte público feita para um período de 20 anos cria um oligopólio para três empresas que já exploram atualmente o pior transporte público do país, inviabiliza a longo prazo ajustes e correções no contrato, perpetua o transporte público no DF baseado na queima do diesel. É uma solução precária e emergencial que será adotada a longo prazo mas que não considera o transporte do DF como um sistema integrado tampouco as soluções de vanguarda ou comprovadamente eficientes como metrô, VLT, transporte de vizinhança, ônibus elétricos, etc. Trata-se de uma decisão sem a transparência desejada e ignorando alertas de especialistas para um período excessivamente longo que pode inclusive aprofundar a crise do transporte público no DF.

5) Consultoria de Singapura planejando os próximos 50 anos do DF

Status: contrato assinado e trabalhos se iniciando

No segundo semestre de 2012 o Governo do DF apresentou para a imprensa o projeto “Brasília 2060” sem qualquer previsão na legislação (PDOT) ou discussão prévia com a população com quatro eixos principais a serem desenvolvidos: um novo aeroporto internacional e de cargas, um distrito financeiro internacional, um polo logístico e um parque industrial.

Além desses projetos o Brasília 2060 prevê a implantação intensiva de indústrias no DF, considerando de antemão a indústria armamentista! O contrato entre o GDF e a empresa Jurong Consultants, de  Singapura, foi concebido e desenvolvido pela Terracap, e é questionável em termos de como está ocorrendo e do que está sendo proposto. A empresa Jurong, de Singapura (país asiático), sequer conseguiu comprovar a sua notória especialização para justificar a inexigibilidade adotada pelo GDF. A envergadura dos projetos a serem desenvolvidos para o Brasília 2060 criará eixos econômicos e de ocupação que impactarão fortemente a realidade do DF, sem qualquer tipo de justificativa ou demanda da população e ignorando o que já foi definido pelo Plano Diretor de Ordenamento Territorial do DF (PDOT).

6) Sucateamento da Saúde, Educação e Segurança no DF

O GDF tem priorizado as obras do Estádio Nacional e os mega-contratos entregando a gestão do DF a longo prazo para a iniciativa privada e ao mesmo tempo precarizando as atividades de interesse público sob sua responsabilidade. É importante destacar que o DF foi a única unidade da federação que recusou o financiamento (e a fiscalização) do BNDES para a construção de seu Estádio para a Copa do Mundo. Partos nos corredores de hospitais, insegurança generalizada, greves constantes, são realidades que infelizmente estão se tornando rotina para o brasiliense e não podemos assistir a isso tudo sem uma forte reação de retomada dos rumos do DF.

O Distrito Federal precisa urgentemente que ocorra o resgate da qualidade da saúde, educação e segurança que já tivemos um dia, que haja finalmente um sistema transporte público integrado, inteligente, eficiente e modelo para o país, que tenhamos um planejamento das cidades priorizando a qualidade de vida de seus habitantes e não os interesses do mercado imobiliário.

A população do Distrito Federal não deu um cheque em branco para que o DF seja desfigurado ou se transforme em uma mercadoria a ser negociada e por esse motivo continuará divulgando as informações que tem sido pouco consideradas pela mídia.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Sudoeste em perigo

Segunda, 20 de setembro de 2010
Nota da Prourb sobre a expansão do setor Sudoeste
20/09/2010  - Tendo em vista a constante procura de informações a respeito da Expansão do Setor Sudoeste, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT), por meio da Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb), vem descrever, em ordem cronológica, os fatos relevantes em relação ao referido setor:

-Em 12/12/2006 o MPDFT e o MPF entram com a Ação Cautelar nº 2006.34.00.03784-9 na 15ª Seção Judiciária da Justiça Federal do Distrito Federal contra a União para que o juiz suspenda a alienação do imóvel localizado no imóvel localizado no SETOR DE HABITAÇÕES COLETIVAS SUDOESTE -SHCSW, Rua G, 4ª Avenida, até que sejam realizados os estudos pelo órgão competente do Distrito Federal e editada a Norma de Uso e Gabarito para o lote.

-Em 15/12/2007 o MP junto ao TCU representa ao plenário do TCU pedido de cautelar, mercê da qual aponta a existência de possíveis prejuízos ao erário, decorrentes da operação imobiliária consistente na alienação, mediante permuta, de terreno jurisdicionado à Marinha do Brasil, com intermediação da Secretaria do Patrimônio da União no Distrito Federa, por unidades habitacionais funcionais a construir, localizadas em Águas Claras- DF.

-Em 29/07/2008 a Ocupação de terreno no eixo monumental é tema de reunião no MPDFT - O Promotor de Justiça da 4ª Prourb, Paulo José Leite, explicou aos representantes da comunidade, que o MPDFT em conjunto com o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça Federal questionando a realização da permuta. Inicialmente foi concedida liminar, que depois foi derrubada. O Tribunal de Contas da União também tem um procedimento para verificação da legalidade do ato administrativo que efetivou a transferência do domínio da Marinha para a construtora.

-Em 28/08/2008 a Prourb requisita suspensão de projeto de expansão do Sudoeste - A 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) requisitou a suspensão do projeto de expansão do Sudoeste até que seja julgada a liminar do Tribunal de Contas da União (TCU). A área em questão está localizada em frente ao Eixo Monumental, ao lado do Instituto de Meteorologia.

-Em 25/09/2008 a Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) instaurou inquérito civil público para investigar o projeto de expansão do Setor Sudoeste. A Promotoria considera que o projeto original do setor já foi bastante alterado, o que tem causado problemas de tráfego à região. Além disso, o Parque das Sucupiras, localizado atrás das quadras 300, é uma reserva de cerrado e pode ser ameaçado pelo adensamento populacional.

-Em 19/05/2009 a Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística recomenda detalhamento de unidades residenciais e comerciais da expansão do Sudoeste. A 4ª Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística requisitou, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUMA) e do IBRAM, no âmbito do inquérito civil público em curso para análise da expansão do Sudoeste, cópia do projeto das quadras aprovadas pelo IPHAN e recomendou aos referidos órgãos que o projeto da expansão elaborado pela construtora seja apresentado de forma detalhada.

-Em 27/05/2009 o MPDFT requisita esclarecimentos de órgãos públicos sobre a expansão do Sudoeste. A 4ª Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística requisitou, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUMA) e do IBRAM, no âmbito do inquérito civil público em curso para análise da expansão do Sudoeste, cópia do projeto das quadras aprovadas pelo IPHAN e recomendou aos referidos órgãos que o projeto da expansão elaborado pela construtora seja apresentado de forma detalhada (indicando a quantidade de apartamentos, unidades comerciais e blocos a serem construídos) para que se possa avaliar com precisão os impactos urbanos e ambientais.

-Em 24/08/2009 a Prourb expede recomendação sobre o Projeto de Expansão do Sudoeste. A 4ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Urbanística expediu, dia 21/8/2009, recomendação ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram-DF) para que seja realizada nova audiência pública para prestar esclarecimentos à população sobre a licença ambiental do Projeto de Expansão do Setor Sudoeste.

-Em 22/10/2009 o MPDFT ajuíza ação contra Licança Prévia da Expansão do Sudoeste. A 4ª Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) ajuizou Ação Civil Pública pedindo o cancelamento da Licença Prévia concedida pelo IBRAM à Construtora Antares para a construção de novas quadras residenciais no Setor Sudoeste.

-Em 02/12/2009 a Prourb recorre contra decisão no pedido formulado liminarmente na Ação Civil Pública sobre a Expansão do Sudoeste. Um dos fundamentos do recurso é o fato de que o Departamento de Perícias e Diligência do MPDFT, após análise da documentação apresentada pela Novacap e Caesb, apontou que o Relatório de Impacto de Vizinhança, não é conclusivo quanto à viabilidade ambiental do empreendimento a ser implementado na área. O relatório não apresentou, por exemplo, informações, dimensões e parâmetros referentes à rede de drenagem pluvial, esgotamento sanitário e abastecimento de água.

-Em 17/12/2009 a Prourb ajuiza NOVA ação contra expansão do sudoeste. A Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) ajuizou, hoje, ação civil pública contra o Distrito Federal, a Antares Engenharia LTDA e o Instituto Brasília Ambiental (IBRAM). O objetivo da ação é demonstrar que a denominada "Expansão do Sudoeste" pertence a uma área non aedificandi e que integra a escala bucólica da área tombada, de acordo com o que prevê o decreto distrital nº 10.829 de 1987 e seu anexo I, denominado "Brasília revisitada".

-Em 18/01/2010 o MPDFT obtém nova liminar contra a expansão do Sudoeste. A Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística (Prourb) obteve liminar em uma das ações civis públicas ajuizadas contra a expansão do Setor Sudoeste. Os réus são o Distrito Federal, a Antares Engenharia LTDA e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram).

-Em 09/09/2010 o MPDFT aponta a inconstitucionalidade da criação de nova quadra no Sudoeste. A Procuradora-Geral de Justiça do Distrito Federal e Territórios, Eunice Pereira Amorim Carvalhido ajuizou ação direta de inconstitucionalidade contra o Decreto 32.144, de 30 de agosto de 2010, do Governador do Distrito Federal. O decreto aprovou o Projeto Urbanístico de Parcelamento da Superquadra SQSW 500, no Sudoeste. A ação atende representação da Promotoria de Defesa da Ordem Urbanística.
O MPDFT sustenta que, embora o Decreto 32.144 afirme que apenas aprova o projeto urbanístico, na verdade, também trata da criação de parcelamento de solo urbano em área tombada e non aedificandi, classificada como integrante da Escala Bucólica. O parcelamento, se realizado deste forma, contraria o Decreto 10.829, de 2 de outubro de 1987, e a Portaria 314, de 8 de outubro de 1992, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que tratam do tombamento do conjunto urbanístico de Brasília e possuem status de norma constitucional (art. 3.º, inc. XI, LODF).

Além disso, o MPDFT demonstra na ação a violação de diversos dispositivos da Lei Orgânica do Distrito Federal, que impedem a criação desse novo parcelamento nas proximidades do Eixo Monumental. São eles:
- utilização de nomenclatura equivocada pelo Decreto, que não somente aprova um "projeto urbanístico", mas que modifica o sistema viário, promove a abertura de novos logradouros públicos e altera índices urbanísticos dos lotes situados na área, modificando sua destinação original (ocupação horizontal) para permitir a instalação de prédios de até seis pavimentos;
- criação de um novo parcelamento de solo urbano em área tombada e non aedificandi, classificada como integrante da Escala Bucólica, e que nunca esteve prevista no Projeto Brasília Revisitada como passível de expansão residencial;
- criação de parcelamento por mero ato administrativo (decreto), sem a aprovação necessária de lei complementar específica pela Câmara Legislativa do Distrito Federal;
- violação a princípios norteadores da política de desenvolvimento urbano previstos na LODF, que exigem a justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do processo de urbanização, a prevalência do interesse coletivo sobre o individual e do interesse público sobre o privado. Também é violado o princípio do controle do uso e da ocupação do solo urbano, de modo a evitar a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes e o parcelamento do solo e a edificação vertical e horizontal excessivos com relação aos equipamentos urbanos;
- inobservância do disposto no artigo 289, § 1.º, da Lei Orgânica distrital, que proíbe o estabelecimento de novas ocupações e usos para o território sem o estudo prévio de impacto ambiental.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Deputado segura projeto de lei que pode salvar o Centro Cultural Itapuã

Terça, 17 de novembro de 2009

 Foto: gamalivre.com.br
Na observação de um morador do Gama, "isso parece mais um caixote de pombo enfeiando o Cine Itapuã"

 Criado no final de agosto deste ano, o Gama Livre já no dia 7 de setembro, publicou postagem com o título “Um filme de terror. Ou de tragédia”. Pegando um gancho de matéria do mesmo dia do Correio Braziliense, comentou o abandono a que o atual governo do Distrito Federal tem relegado o Centro Cultural Itapuã, o velho e querido Cine Itapuã, na cidade do Gama/DF. Naquela postagem foi relatado o estado deplorável a que foi levado o nosso cinema.
Cadeiras quebradas, sala dominada pelo mofo, pintura totalmente deteriorada, teto com vazamento, instalações elétricas sem a menor condição de segurança, parte hidráulica em petição de miséria e os equipamentos de projeção sem condições de operação. Parecia mais um cenário de filme de terror, tudo isso como conseqüência do desprezo com que as autoridades do DF encaram a cultura, inclusive na Região Administrativa do Gama. Nada mudou para melhor. Para pior, sim. Até a construção de dois andares numa loja do prédio, deturpando o projeto arquitetônico do Centro Cultural, foi permitida pela Administração Regional da cidade. Nas palavras de um morador que passava ontem por volta das 10 horas em frente ao Cine Itapoã, a construção dos dois andares sobre a loja deixou aquela parte do Centro Cultural com cara de “caixote de pombo”. “Não é caixote de pombo, mas que parece, parece”, disse.
A cada protesto da comunidade, promessas de recuperação do Centro Culturall Itapuã. Logo depois vem o esquecimento e a continuidade do desprezo.
O pior é que dorme há meses, exatamente cinco meses e cinco dias, em alguma gaveta do gabinete de um dos deputados distritais, eleito basicamente pelo voto do eleitor do Gama, projeto apresentado em agosto de 2008 e que salvaria o Cine Itapoã. Em 2008 o projeto, cujo relator é o deputado Milton Barbosa, recebeu parecer favorável e em 31 de outubro daquele mesmo ano estava na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) da CLDF pronto para pauta. Cinco dias após, o deputado Wilson Lima pede vista do processo, permanecendo com ele até 29 de dezembro de 2008, mas sequer deu voto em separado. No dia 12 de junho de 2009 Wilson Lima pede novamente vista. De lá até hoje, 17 de novembro de 2009, mais de cinco meses se passaram e o projeto permanece parado nas mãos do deputado. Enquanto isso, o Centro Cultural Itapuã agoniza.
De acordo com o projeto que se encontra há meses com pedido de vistas do deputado distrital Wilson Lima, o prédio do Centro Cultural Itapoã será declarado patrimônio arquitetônico, afetivo e cultural do Distrito Federal, considerando-o de “excepcional valor artístico” e a sua conservação “de relevante interesse público”.
Prevê ainda o projeto de lei, que é de autoria do deputado Cristiano Araújo, que o poder público encaminhará as medidas necessárias a fim de preservar as características originais da arquitetura do prédio. Neste ponto é de se estranhar que o administrador público, pela Administração Regional, tenha autorizado a construção de dois andares na loja de um dos comerciantes estabelecido no conjunto arquitetônico do Centro Cultural, quebrando a harmonia arquitetônica. Essa autorização foi questionada pelo pessoal ligado a arte na cidade. Depois de suspensa por alguns dias, as obras foram reiniciadas. Violentaram a arquitetura do Cine Itapoã.
Quanto à construção dos dois andares na loja, ontem pela manhã quando o Gama Livre esteve no local e fotografava as portas do cinema, remendadas com madeira, um antigo morador da cidade se aproximou e, com um sorriso no rosto, declarou: “até que enfim vamos ter de volta o nosso cinema, o nosso centro cultural”.
Não sabia ele, até então, que a nossa presença ali era para, mais uma vez, denunciar através do Gama Livre o descaso do governo do Distrito Federal com a cultura local e em especial com o Cine Itapoã. O seu rosto voltou a ficar sério e o morador deixou escapar um desabafo. Disse que “um dia, quem sabe, os homens do governo olham pra cá”. Alertado sobre o nome do deputado que mantém retido em mãos o projeto de lei que poderá recupera o Cine Itapoã, o morador lamentou que tivesse votado nele nas eleições passadas. “Mas pela última vez”, arrematou.
Ainda pelo projeto de lei retido pelo deputado Wilson Lima, recursos destinados à preservação e manutenção do Centro Cultural Itapoã serão assegurados na Lei Orçamentária Anual. Que o deputado permita que o projeto seja votado. Se desejar, que vote contra, pois isso é um seu direito, mas que permita que seus pares se pronunciem sobre assunto tão importante e caro para a cidade do Gama.

Foto: gamalivre.com.br
Vidraças da frente do Cine Itapuã e que estão remendadas com pedaços de madeira. Observa-se o teto com infiltração de água. Essa é a imagem do descaso do governo do Distrito Federal pela cultura da cidade. Enquanto isso, projeto de lei que pode salvar o Centro Cultural Itapuã permanece na gaveta.