Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 16 de março de 2022

Forças Armadas desejadas

Quarta, 16 de março de 2022

Escrito por Paulo Metri*
8 P Metri 2



Encarecidamente, não digamos que “o Brasil não precisa de Forças Armadas, que só servem para tramar golpes e derrubar governos democraticamente eleitos”. Não somos uma Suíça, que possui um pequeno território e, consequentemente, poucos recursos naturais sendo cobiçados.

Elas devem ser planejadas em acordo com a nossa sociedade para serem as Forças Armadas brasileiras. Como tal, é desejado que sejam forças de defesa e, não, de ataque, se bem que equipamentos de defesa podem ser também usados para o ataque. Como e quando elas serão usadas deverá ocorrer por escolha das forças políticas que estão no comando do país, representando o povo, do que por escolha dos próprios militares.

Elas não devem também servir como agentes impositores da lei e da ordem, a menos que sejam solicitadas para tal por um dos três poderes do Estado, como rege a Constituição. Inclusive, os militares não devem ser os julgadores da necessidade de intervenção para garantir a lei e a ordem. Neste contexto, não devem servir como polícia política do governo de plantão, mesmo que sua oficialidade se identifique com ele, lembrando sempre que o verdadeiro grande inimigo, possuidor de poderio militar, que precisará ser eventualmente confrontado, “está lá fora”.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Roleta do nascimento

Domingo, 1º de dezembro de 2019

Por Paulo Metri*

Eu, como muitos brasileiros, sou descendente de estrangeiros. No meu caso, tenho ascendência inglesa e libanesa. Mas tenho também brasileiros na minha genealogia. Todos tinham em comum serem da classe média. Nenhum no grupo da pobreza, nem tampouco nenhum milionário.

Nasci branco, tive alimento e carinho enquanto criança. Lembro-me de ter vivido uma infância feliz. Recebi instrução em escola privada e consegui entrar em uma universidade privada. Meu pai fazia questão de pagar escola, se necessário fosse, para mim e meu irmão.

Um parêntese. Meu pai era de João Pessoa, na Paraíba. Bem jovem, não possuía o chamado “pistolão”. Nesta mesma época, Getúlio Vargas implantou a regra que a entrada no serviço público federal só poderia ocorrer por concurso. Logo depois, foi publicado o edital do concurso para a carreira de “Fiscal do Imposto de Consumo e do Selo”, que hoje é conhecida como de “Auditor Fiscal”. Ele concorreu e passou. De posse de maior renda e tendo conhecido minha mãe, resolveram se casar. Por isso, costumo dizer que sou consequência da aplicação de uma política pública por Getúlio Vargas. Fecho o parêntese.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

A vez dos jurássicos

Segunda, 15 de julho de 2019
Por PAULO METRI*

Nossa missão gloriosa será retirar as chuteiras penduradas atrás da porta e, ao ser escalado para ajudar na linha de frente, contribuir com a sociedade.


Nunca pensei que os seres jurássicos fossem “renascer”. E não falo da epopeia do aproveitamento do DNA deles encontrado em um mosquito, que acabara de saborear o sangue deles, há milhões de anos, pouco antes de ser confinado em âmbar.

Os jurássicos em questão são os que sobreviveram aos anos de tortura e assassinatos dos ditadores, aos anos da busca por preservação da frágil democracia conquistada, com a inocentação dos antigos torturadores e assassinos e a promulgação da Constituição Cidadã, aos poucos anos do pseudo salvador da pátria, aos breves anos de Itamar que, apesar de medidas corretas, errou fragorosamente ao escolher o sucessor, aos anos do prestidigitador que “flexibilizava” quando doava, que introduziu a competição no suposto “mercado perfeito” composto por cartéis, aos anos do contraponto, quando outro mundo foi mostrado ser possível, aos anos agridoce de conciliação entre o neoliberalismo e atos de inclusão social e, finalmente, aos últimos anos de escárnio e tristeza.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Dos 200 bodes na sala, um foi retirado!

Terça, 12 de junho de 2018
Por
Paulo Metri conselheiro do Clube de Engenharia e vice-presidente do CREA-RJ

O bode retirado da sala era um dos maiores algozes da nossa sociedade na atualidade, o autor de estrago descomunal que está sendo impingido aos brasileiros. A defenestração de Pedro Parente é um bom começo, mas não se pode considerar como o último ato do processo de expurgo.

Parente delapidava, impudicamente, o maior de nossos tesouros, o petróleo, dado por Deus ou movimentos geológicos, como preferir o leitor. Mas, temos que parar a comemoração, pois tirar Parente representou só uma batalha. É preciso ganhar a guerra, pois ainda falta muito para paralisarmos outras entregas e reconquistarmos o que já foi entregue.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Greve dos caminhoneiros

Quinta, 31 de maio de 2018
Este texto foi publicado originalmente em 28 de maio de 2018, no blog do autor


Por
Paulo Metri

Conselheiro do Clube de Engenharia e vice-presidente do CREA-RJ

Os caminhoneiros, corretamente, não querem ser a “variável de ajuste” das decisões erradas tomadas no setor do petróleo. Ou seja, eles não querem ter rendimentos baixos para que os investidores da Petrobras tenham bons dividendos, nem tampouco para que a Petrobras seja vista como muito atrativa no futuro quando chegar o momento em que os entreguistas neoliberais do atual governo irão querer privatizá-la.

domingo, 22 de abril de 2018

Dissertação sobre roubos

Domingo, 22 de abril de 2018
Por Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Muitas pessoas ficam estarrecidas, com razão, com o roubo no setor público. No entanto, existem roubos, tão ou mais estarrecedores, nunca denunciados pela mídia e, como consequência, não conscientizados pelo público. Tratam-se dos “roubos legalizados”, por serem instituídos por lei.

Um primeiro exemplo dos “roubos legalizados” é o ato de um governante não tomar as providências para poder cortar os juros da dívida e, em compensação, fazer cortes na educação e na saúde, significando um roubo no bem-estar social. Mas, este governante não está fazendo nenhuma ilegalidade. Chega-se, assim, à triste conclusão que o nosso arcabouço legal permite a tomada de decisões antissociais. A população mais carente é a que mais sofre com estes cortes.

domingo, 26 de março de 2017

Terceirização a todo vapor

Domingo, 26 de março de 2017
Para que as Forças Armadas tradicionais? Vamos terceirizá-las. Têm tantos mercenários baratos no mundo, psicopatas ávidos por confrontos. Vai ser uma boa economia para os cofres públicos.
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Por
Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia/RJ

O poder econômico conseguiu mais uma vitória neste Congresso de figuras tristes, desvinculado da sociedade e completamente subserviente ao capital. Um Congresso, que é contra seu próprio povo, só é explicado pela baixa conscientização política deste povo, consequência da atuação de um cartel de mídia, tentáculo do capital. Este Congresso, que pode ser legal, mas é ilegítimo, aprovou, sem delonga alguma, uma lei que permite a terceirização de inúmeras atividades antes preservadas à boa execução. A partir deste caos, com o intuito de acordar a população, sugiro algumas outras maldades que este Congresso e o Executivo não menos nefasto podem decidir, aperfeiçoando o desastre.

Para que as Forças Armadas tradicionais? Vamos terceirizá-las. Têm tantos mercenários baratos no mundo, psicopatas ávidos por confrontos. Vai ser uma boa economia para os cofres públicos. Além do mais, não existe mais patrimônio nacional genuíno para ser guardado. Os congressistas, com raras exceções, e Executivos neoliberais, incluindo o atual, já o transferiram. Há muito patrimônio, geograficamente localizado no Brasil, que, hoje, pertence a empresas estrangeiras. As nossas Forças, depois de tantos orçamentos ridículos, ano a ano, não podem ser mais consideradas como “forças”, mas, também não precisam mais defender o povo. Dentre o povo brasileiro, hoje, só existem os escravos e os prepostos dos dominadores, que nunca sofrerão agressões externas, pois são fatores de produção dos alienígenas.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Escolha racional do modelo de exploração do Pré-Sal

Sexta, 4 de novembro de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br 

por Paulo Metri*
O mercado internacional do petróleo sofre com o desaquecimento da economia mundial. É influenciado por grupos relacionados a novas tecnologias, interessados em capturar fatias deste mercado. A magnitude das reservas descobertas no planeta impacta o mercado. O cartel dos países exportadores (a OPEP) e as grandes petrolíferas de países que não estão na OPEP são atores ativos neste mercado.

Grandes petrolíferas internacionais disputam as reservas dos países socialmente desorganizados, militarmente fracos e politicamente dominados. Como consequência, há forte disputa geopolítica, relacionada à garantia do suprimento deste energético essencial no médio prazo. Assim, quem diz que o petróleo é uma simples commodity está querendo enganar.

sábado, 20 de agosto de 2016

Temer explica Getúlio

Sábado, 20 de agosto de 2016
Out, Temer!
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Por Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Nos dias presentes, tem invadido minha consciência a sentença macabra: “nada é tão ruim que não possa piorar!” Esta frase expressa exatamente minha desesperança com o governo Temer, pois, a cada dia, surge uma nova má notícia, muitas vezes pior que as anteriores. Seu governo é muito ruim sobre vários pontos de vista, sendo o principal, o social. Representa a implantação no Brasil de uma sociedade agressiva em que se busca roubar dos menos conscientes, mais vulneráveis e menos protegidos, dinheiro, horas de trabalho, condições de subsistência, enfim, a vida. Acabaram-se os pruridos. Engana-se, descaradamente, aflige-se o outro sadicamente, tira-se o pão alheio sem o menor constrangimento, rouba-se atendimento médico e escola, tudo isto dos mais carentes e mais impossibilitados politicamente de reagirem. Só falta darem a explicação típica de quem não tem o mínimo sentimento, ao rotulá-los de “perdedores”, pois culpam os próprios sofredores pelo que a eles é imposto. Na verdade, eles são feitos perdedores.

Tem um único ponto em que sou obrigado a reconhecer que Temer me ajudou. Apesar de ter 70 anos, só agora me conscientizo o que é um governante mau, realmente muito malvado. Um verdadeiro usurpador, violento, insensível, desmedido, parcial e, por ai, vai. Compare FHC com Temer. Ambos neoliberais, privatistas, à busca do Estado mínimo. Mas, não me recordo de FHC ter composto com torturadores e assassinos. A usurpação social em FHC era a que a legislação criada pela oligarquia dominante permitia, era a “usurpação legal”. Trata-se de um atacadista. Com Temer, chegou o baixíssimo clero, os varejistas. Usa-se a usurpação legal e qualquer outra que permita maior acúmulo de rendimentos e posses.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

E agora, José?


Quinta, 10 de setembro de 2015
Do Correio da Cidadania
Escrito por Paulo Metri em 9/9/2015

José Serra! Você começou tão bem! Muito jovem, foi presidente da UNE. Logo após o golpe militar de 1964, corajosamente conclamou a população, pela Radio Nacional, a se rebelar contra os golpistas. Refugiou-se no Chile, onde consta ter se graduado e obtido o grau de mestre em Economia. Estava lá durante o breve período de Allende no poder. Saiu do Chile, com o golpe de Pinochet, e migrou para os Estados Unidos. Consta ter conseguido na universidade de Cornell um doutoramento em Economia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

“Caráter” das petrolíferas estrangeiras

Quinta, 6 de agosto de 2015
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Por Paulo Métri
Escrevi, recentemente, o artigo “Projeto de José Serra sobre o Pré-Sal precisa ser observado pela sociedade”, veiculado por este Correio da Cidadania. Nele, escrevi a seguinte frase: “Além de tudo isso, a questão é que, se a Petrobras não for a operadora única, muito do petróleo brasileiro e dos tributos a serem pagos ao país, com as destinações para saúde e educação, serão roubados. Não há modelo de aferição do petróleo produzido e do levantamento dos custos incorridos que sejam confiáveis, se não se tiver a Petrobras como operadora”.

Recebi uma crítica, porque eu estaria “pressupondo a existência de um roubo futuro sem ter a mínima prova de que ele irá acontecer”. O meu crítico não entende que eu não preciso esperar um roubo ocorrer para constatá-lo. Aliás, é interessante conseguir prevê-lo. Para isso, basta constatar que o modo de proceder estabelecido facilita o roubo acontecer e, também, é preciso conhecer o caráter daqueles a quem se entrega a responsabilidade de medir o volume produzido de petróleo e de levantar os custos de produção.

O artigo 17.1 do contrato de partilha do campo de Libra, que define a medição do volume de petróleo produzido no campo pelas empresas petrolíferas consorciadas e, provavelmente, será repetido nos futuros contratos de partilha, reza o seguinte: “A partir da data de início da Produção de cada Campo, os Consorciados deverão, periódica e regularmente, mensurar o volume e a qualidade do Petróleo e Gás Natural produzidos no Ponto de Medição. (...)”. Ou seja, os próprios consorciados serão os responsáveis pelo levantamento da produção do consórcio.

sábado, 18 de julho de 2015

Por que ser nacionalista?

Sábado, 18 de julho de 2015
Do Correio da Cidadania
http://www.correiocidadania.com.br
Escrito por Paulo Metri
Depois de participar de um debate, uma jovem veio em minha direção e perguntou de supetão: “Por que ser nacionalista?” Respondi da melhor forma que pude, pois a articulação ficou comprometida pelo confronto com o inusitado. Depois, conscientizei-me que, para os jovens, com a dosagem diária de informações corrompidas pela mídia do capital, deve ser difícil entender que ser nacionalista é bom.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Je suis Petrobras!

Sábado, 17 de janeiro de 2015
Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania
A Petrobras vem sendo esquartejada por bandidos, há anos. Eles visam roubar a coletividade para usufruírem mais bens materiais e maior poder político. Além disso, no estágio atual da humanidade, o ladrão de sucesso, aquele que rouba sem ser descoberto, deve se sentir orgulhoso perante sua categoria, pela esperteza demonstrada. Quem sabe o quanto a Petrobras já foi roubada, desde priscas eras, é o engenheiro Pedro Celestino Pereira, que escreveu o artigo “Em defesa da Petrobras” [leia aqui].
Mal comparando, porque muitos terroristas têm crenças, que podem ser consideradas erradas, mas seus métodos violentos de destruição do inimigo lembram muito os assaltantes do Estado brasileiro, ou seja, os usurpadores da nossa sociedade.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Sutileza do roubo


Sábado, 20 de dezembro de 2014
Paulo Metriconselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

O setor do petróleo em 2014

Durante a campanha eleitoral deste ano, o setor do petróleo esteve na berlinda, por se tratar de uma riqueza inestimável. O candidato Aécio defendia as concessões e os adeptos da candidata Marina criticavam a presidente Dilma por ter leiloado o campo de Libra no ano anterior. Hoje, creio que o leilão só ocorreu para satisfazer, com o bônus arrecadado, à necessidade de superávit primário do ano de 2013.
O fato do petróleo excedente aos cinco bilhões de barris, que eram necessários para a capitalização da Petrobras, ter sido entregue a esta empresa, sem leilão, através de outro contrato de cessão onerosa, foi uma justiça com quem o descobriu. As frequentes descobertas da Petrobras no país, inclusive em 2014, chegando ao ponto da população assimilá-las como corriqueiras, dão ao Brasil uma folgada segurança energética. Potências da Europa e o Japão gostariam de ter uma parcela desta segurança.
Com os insistentes assédios do capital petrolífero internacional, deve ser difícil para o governo brasileiro não atender a nenhuma das suas exigências. Pode ser que o leilão de Libra tenha sido uma destas exigências. Os porta-vozes deste capital, disfarçados em “especialistas em energia”, estão sempre na mídia corrupta, a única a que o cidadão comum tem acesso, buscando iludir a população. Mais uma vez, fica claro que uma nova lei de mídia faz enorme falta.
Estes “especialistas”, visando entregar o petróleo a empresas estrangeiras, criticam o fato de não ter ocorrido rodadas de leilões de áreas de petróleo em 2014. Eles dizem que não se deve guardar o petróleo no subsolo, uma vez que seu ciclo irá acabar e ele perderá seu alto valor. O que eles querem é uma exploração rápida, que não poderá ser feita sozinha pela Petrobras. A verdade é que o petróleo barato irá acabar, mas não de forma abrupta e, também, bem no futuro.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Petrobras

Sexta, 28 de fevereiro de 2014
Paulo Metri - conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

É interessante e triste ver como a mídia do capital, esta que ainda tem razoável poder de influenciar a sociedade na compreensão dos fatos, noticiou o balanço de 2013 da Petrobras. Para os principiantes no tema da influência na compreensão dos fatos, a mídia citada patrocina uma compreensão distorcida, onde versões inexistentes da realidade são disseminadas.
Em primeiro lugar, ela precisa enxovalhar a Petrobras a qualquer custo, não importando o êxito que a empresa tenha. O lucro da Petrobras em 2013, 11% maior que o lucro de 2012, não pode ser transmitido sem crítica. Para contrabalançar o êxito, foi colocado em seguida na notícia: “No quarto trimestre, porém, o lucro caiu 18% na comparação com o mesmo período do ano anterior”.
Esta mídia crucificou a Petrobras por ter sido chamada para contribuir em uma política pública, a da contenção da inflação. Queriam, obviamente, atingir o governo Dilma, pois precisavam que a inflação não ficasse dentro da meta programada, o que daria excelentes manchetes, bem ao gosto.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Em nome da democracia

Sexta, 14 de fevereiro de 2014

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania*
O direito à liberdade de expressão é fundamental para a existência da democracia. Tão fundamental quanto o direito de acesso a informações confiáveis pela população. Contudo, há confusão com relação à liberdade de expressão. Recentemente, ouviu-se da apresentadora do noticiário de um canal de TV o apoio à “justiça feita com as próprias mãos” pela população, ou seja, o apoio ao julgamento sumário pela turba incontrolável de um suposto criminoso, com a imediata aplicação de pena. Ela argumenta que sua posição é respaldada pela liberdade de expressão.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Dominação cultural e outras dominações

Domingo, 2 de fevereiro de 2014

Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania

Dá-me angústia ver dirigentes de um país que não conseguem enxergar a grandiosidade e a responsabilidade dos cargos galgados. Muitos chegam ao alto cargo, unicamente, com um projeto de satisfação máxima dos grupos políticos que representa e do seu orgulho próprio. Estes são os corruptos e os desprezíveis. Outros, bem intencionados, querem contribuir socialmente e conseguem fazer muita coisa. Mas, em certos aspectos, fraquejam, pois, para fazer mais, é preciso enfrentar grupos muito poderosos, principalmente externos.
Neste ponto, lembro-me do ex-governador Leonel Brizola, que combatia as “perdas internacionais”, que eram a razão para não se conseguir atingir o máximo bem-estar social. Ele era criticado por não elencar estas perdas, mas, na verdade, quem o criticava tinha medo que a população viesse a conhecê-las. A intuição do sagaz político era perfeita. Algumas das possíveis perdas internacionais, em caráter de exemplo, são as seguintes. Ao se aceitar a antiga dívida externa sem uma auditoria pública, ao se assinar hoje as concessões petrolíferas danosas da lei 9.478, ao se possuir uma política mineral entreguista, ao não se proteger desde 1995 as empresas nacionais genuínas, ao se financiar com recursos públicos grupos estrangeiros, ao se concordar a partir de data recente com um novo registro de patente de desenvolvimento antigo, que já deveria estar em domínio público, devido a um suposto novo uso, e ao se colocar em condição subalterna em negociações internacionais, restam para a sociedade brasileira perdas internacionais incomensuráveis.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Quase nada é o que parece ser

Domingo, 19 de janeiro de 2014
Você sabia que existem três outros pré-candidatos, que, por não serem “adoradores do mercado” e subservientes principalmente ao capital internacional, não são divulgados pela mídia?

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Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia
Dizer que o poder emana do povo enobrece qualquer constituição. Serve também para emocionar as massas, como fez o grande jurista Sobral Pinto ao citar o conceito, que, na verdade, é mais um desejo do que uma determinação seguida, para um contingente humano incalculável em um dos últimos comícios das “Diretas Já”. Nesta época, muitos criam que eleger o presidente significaria resolver os problemas da sociedade.
Edward Bernays (1891-1995), considerado um dos pais da propaganda, dizia que: "A manipulação consciente e inteligente dos organizados hábitos e opiniões das massas é um importante elemento na sociedade democrática. Aqueles que manipulam estes mecanismos ocultos da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder existente do país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossas preferências são formadas, nossos pensamentos sugeridos, em grande parte, pelo homem que nós nunca ouvimos falar.” Bernays não via a manipulação de massas como um problema ético. Pelo contrário, a via como um fato benéfico para a sociedade, pois escreveu: “Isto é um resultado lógico da maneira como nossa sociedade democrática está organizada. Grande número de seres humanos deve cooperar desta forma se eles vão viver juntos como uma sociedade que funciona perfeitamente”.
Edward S. Herman e Noam Chomsky, no livro “A Manipulação do Público – Política e Poder Econômico no uso da Mídia” (2003), explicam, através da descrição do modelo de tratamento das notícias, chamado de modelo dos cinco filtros, como as informações são manipuladas antes de serem publicadas. Na base de tudo, estão os interesses financeiros e de poder.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Carta aberta aos presidenciáveis

Terça, 7 de janeiro de 2014
De Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia do Rio de Janeiro

Senhores presidenciáveis,

Para melhor compreensão dos leitores, classifico o conjunto formado pelos candidatos em dois grandes grupos: os “adoradores do mercado” e os “mais focados na sociedade”, apesar da enorme simplificação que esta classificação representa. É claro que cada um dos grupos não é totalmente homogêneo, como, por exemplo, os “adoradores de mercado”, que podem ser divididos em dois subgrupos: os “com certo compromisso social” e os “com pouco compromisso”.

Os “adoradores do mercado” são os únicos candidatos divulgados pela mídia do capital, aquela que é formada por todos os canais abertos de TV e muitos dos fechados, pela maioria das rádios, por muitas das grandes revistas e por todos jornalões. Este conjunto da mídia, que pertence ao capital, forma a opinião de mais de 90% dos votantes do país. Assim, para os “adoradores do mercado”, é bem mais fácil ser eleito presidente.

Quem sabe que, hoje, o PSOL, o PSTU e o PCB vão apresentar, também, candidatos à presidência? Pelo menos estes três partidos, que não são “adoradores do mercado”, vão! Por razões óbvias, que os enaltecem, estes partidos não têm seus candidatos divulgados pela mídia do capital.

Minha única sugestão para os “adoradores do mercado com pouco compromisso social” é que desistam da eleição, não registrem suas candidaturas, pois vocês fazem mal para a sociedade. Para os “adoradores com certo compromisso social”, o conselho óbvio é lembrar que quem tiver o controle do Estado deve usar este poder unicamente em benefício da sociedade, e não de grupos econômicos.

Para os “mais focados na sociedade”, que também é um grupo heterogêneo, há sugestões diferentes para cada subgrupo. No entanto, digo para todos os subgrupos que a verdade está com vocês e, se a população fosse consciente, votaria nos seus candidatos. Poderia também lembrar que não se pode buscar, simplesmente, trocar a posição dos explorados com a dos exploradores, pois isto não trará a paz social. Obviamente, executar vingança não é o mesmo que fazer justiça, o que, aliás, é uma boa recomendação para certos juízes.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Apartheid brasileiro: o caso do Maracanã

Domingo, 5 de janeiro de 2014
Hoje, o Maracanã, certamente, não parece com a Praça Castro Alves de Salvador, porque esta é do povo.
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É um sobressalto para qualquer alma encarnar, como acreditam os espíritas, em um ser humano que viverá em um país capitalista. O ser pode não ser agraciado geneticamente com uma mente e um corpo propícios à sobrevivência neste sistema. Além disso, a aleatoriedade pode escolher um núcleo populacional sem respeito à vida, sem garantia de instrução, atendimento à saúde, acesso a moradia etc, graças à própria agressividade que o capitalismo induz. O núcleo familiar receptor pode também contribuir para a desgraça do ser, que, a estas alturas, se consciente da roleta que participa, desejará não mais nascer.
Estou sendo um pouco radical, uma vez que esta roleta tem uns poucos números de sorte, que correspondem a locais na Terra onde há vida menos desumana, com o capitalismo mitigado. Existem algumas sociedades em que cada ser tem maior consideração com seus pares, apesar de não se importar que haja exploração dos seres de outras sociedades. É como se os seres estrangeiros não pertencessem aos humanos. As guerras, em muitos casos, são consequência da exploração alheia. Se esta necessidade de acúmulo de riquezas não for domada, ela levará à extinção da espécie, dado seu alto grau de exploração humana, guerras e agressão ao meio ambiente.