Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

domingo, 21 de março de 2010

Autismo

Domingo, 21 de março de 2010
Está previsto para a próxima quinta-feira (25/1) um abraço simbólico no STF (Supremo Tribunal Federal). A iniciativa foi da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do DF, que conseguiu sensibilizar 54 entidades para o evento. No STF o abraço é simbólico, mas para o DF o abraço está mais para abraço de tamanduá, visto que não há saída para o DF que não passe pela intervenção federal.
A OAB-DF e as entidades querem sensibilizar o STF contra a intervenção federal no executivo e no legislativo do DF. O Executivo do DF é aquele que até pouco tinha Arruda como chefe (e poderá tê-lo de volta, a depender da decisão da Justiça), aquele executivo que todos os dias, até hoje, explode um escândalo de corrupção. O Legislativo, esse todos conhecem. É o do deputado da meia, do parlamentar da oração da propina, da deputada da bolsa gulosa. É o legislativo do qual o Ministério Público Federal requereu a suspeição de 26 parlamentares e suplentes.
Uma intervenção federal é um remédio amargo, mas só ela poderá trazer de volta um mínimo de seriedade, de honestidade aos negócios do Estado. Um mínimo de esperança à população.
Dentre as 54 entidades que apóiam o abraço simbólico ao STF, muitas representam interesses de grupo que só teriam o que perder com uma intervenção. São entidades de classe de empresas que prestam serviços ao governo, área sensível à corrupção, como bem demonstraram os vídeos de Durval Barbosa. Outras entidades devem temer a mudança de poder no DF. Como estão à sombra dos atuais detentores do poder, para que mudar? Alguns partidos políticos que mantêm ainda muito poder ou no Executivo ou no Legislativo também não querem correr o risco de alterar essa relação de poder. A intervenção faria com que os distritais perdessem força justamente no ano das eleições.  Situação inadmissível para eles.As incertezas de uma intervenção angustiam muitas dessas entidades.
Enquanto isso, o povo espera e torce pela intervenção. Pelo menos é o que se depreende das manifestações das pessoas e, inclusive, de algumas enquetes de empresas da mídia.

Em fase terminal

Domingo, 21 de março de 2010
Não há solução que não passe pela intervenção federal em Brasília. Executivo e Legislativo contaminados pelo Mensalão do Dem, o aparelho do estado totalmente emperrado, onde não funciona  inclusive a saúde e sequer a segurança pública. A cada dia um novo escândalo com ligações no executivo e no legislativo. Só nessa semana que terminou houve pelo menos uns cinco escândalos.

Cassado o governador Arruda, a câmara correu para remendar a Lei Orgânica do DF, onde incluirá, nos próximo dez dias, e de forma casuística, a eleição indireta.

Agora vem hoje a defesa de Arruda e joga mais incertezas no já conturbado, corrompido e bagunçado ambiente político e administrativo do Distrito Federal.

Segundo o site do Correio Braziliense, a advogada Luciana Lóssio, que ontem conversou com Arruda, na cela da Polícia Federal, entende que se houver eleição indireta pela CLDF (Câmara Lesgislativa do DF) o eleito terá que ser necessariamente algum deputado distrital do Demo. Isso porque Arruda foi cassado por infidelidade partidária e a regra diz que o mandato é do partido. Claro que tudo isso parece ser apenas uma estratégia para confundir o que no DF já está para lá de confuso. Na realidade qualquer cidadão de Brasília com mais de 30 anos poderá se lançar candidato nessa historia de eleições indiretas. A dúvida fica por conta da necessidade ou não de filiação partidária.

Cassado Arruda, entraria o vice, que era do Demo. Paulo Octávio renunciou. E o Demo agora quer emplacar o governador? Veja em que imbróglio os arrudistas meteram o Distrito Federal.

Enquanto isso o STF continua sem apreciar o pedido de intervenção federal apresentado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Está na hora de decidir com coragem a prescrição de um remédio amargo, mas o único que pode salvar o enfermo Distrito Federal.

Se o remédio não for administrado logo o doente entrará em fase terminal.

Proposta indecente

Domingo, 21 de março de 2010
Proposta indecente. Foi assim que Flávio Lemos, secretário da Justiça e Cidadania do DF, que será exonerado amanhã, classificou a proposta que o governador interino Wilson Lima teria lhe feito ao estourar o escândalo dos 130 mil apreendidos com um funcionário de uma ONG (sempre elas) que presta serviços ao governo do DF.
A proposta indecente consistiria no pedido de demissão de Flávio Lemos e no abafamento do caso. Flávio pediria o boné e tudo o mais seria esquecido.
Se o secretário falou a verdade, mais uma podridão ocorreu no governo. Como abafar um caso de corrupção? Crime, certamente seria. Isso, claro, se as coisas se passaram como explicadas por Flávio à TV Record. O governador com a palavra.
Flávio Lemos foi entrevistado pela TV Record neste sábado e negou que os R$130 mil apreendidos pela Polícia Civil na quarta-feira em um carro no estacionamento do Buritinga (palácio símbolo da megalomania de um ex-governador) tinham ele como destinatário.
O ainda secretário – deixará de ser amanhã – ameaça inclusive acionar na Justiça o governador Wilson Lima.
Esperemos que pelo menos hoje, domingo, não surja um novo escândalo na imunda política de Brasília.

Infraero investe menos da metade do previsto em 2009

Domingo, 21 de março de 2010
do site Contas Abertas
Estimava-se que, em média, a Infraero investisse cerca de R$ 2,7 milhões por dia, durante o ano passado. No entanto, ao fim dos 365 dias, só foi possível alcançar 43% dessa meta, o que equivale a R$ 1,1 milhão diário. Em 2008, o índice percentual de execução do orçamento previsto para investimentos foi ainda menor: apenas 17% dos R$ 2,2 bilhões previstos para o ano foram aplicados. De acordo com o relatório anual de 2009, divulgado pela empresa na semana passada, “a alavancagem do índice de realização dos investimentos”, de 17% para 43%, é resultado de esforço na implantação de uma nova estratégia de planejamento e controle dos investimentos.

Em média, a execução dos investimentos da Infraero permaneceu pela metade nos últimos seis anos. Entre 2004 e 2009, a Infraero investiu R$ 2,1 bilhão de uma dotação de R$ 5,6 bilhões para investimentos – 38% de execução (veja tabela). No ano passado a Infraero investiu R$ 421,3 milhões em obras e equipamentos, de um total de R$ 981,6 milhões previstos para o ano. Neste montante estão incluídos R$ 215,3 milhões aplicados exclusivamente em serviços de engenharia, como a instalação de módulo operacional no aeroporto de Florianópolis (SC), as novas torres de controle dos aeroportos de Fortaleza (CE) e Congonhas (SP) e outras ações.
Leia mais

Candidato de protesto

Domingo, 21 de março de 2010
Caso não venha a merecida intervenção no Distrito Federal e haja a tal eleição indireta, onde só votam os integrantes da CLDF, instituições contaminada pelo Mensalão do Demo, bem que o Movimento Fora Arruda e Toda a Máfia poderia lançar um dos seus integrantes como candidato ao cargo de governador.

Para se candidatar não é necessário ser deputado distrital, apesar da armação que ocorre dentro da CLDF pretender levar um distrital ao cargo de governador tampão. Querem eleger o governador, mas para que as coisas permaneçam como estão.

Como serão os distritais que vão votar, não haverá chances para o jovem do Movimento Fora Arruda e Toda a Máfia. Se fosse o colégio eleitoral de Brasília, aí sim, distrital iria sofrer para ganhar a eleição.

Mas valeria a candidatura de alguém limpo, jovem, sem os vícios apresentados pela maioria dos parlamentares.

Seria uma candidatura de protesto. Valeria a pena.

sábado, 20 de março de 2010

Quem dá...recebe. Bananas para Paulo Roriz

Sábado, 20 de março de 2010

Paulo Roriz (Demo), o deputado distrital que perdeu a postura no plenário da CLDF no último dia 17, chamando de palhaços os estudantes que protestavam nas galerias da Casa e, depois ao vivo, em cores e na frente das câmaras de filmagens, deu uma banana (não a fruta) para os estudantes, recebeu o troco.
Os agredidos deram o troco ontem (19/1). Compareceram ao gabinete do deputado e, solenemente, deram várias bananas. Um cacho de bananas.
Os estudantes aproveitaram a ida à CLDF e apresentaram uma reclamação formal, pedindo a abertura de processo contra o parlamentar, por quebra de decoro.
Tinha gente ontem na CLDF afirmando que a representação não deveria ter andamento, pois os estudantes se equivocaram no texto, registrando o nome “Pedro Roriz” ao invés de Paulo Roriz.  Isso foi apenas um erro material, que até na Justiça não impede o andamento de um processo.
Além do mais, na representação os estudantes relatam os fatos ocorridos no Plenário (gravados em imagens), e quem chamou os outros de palhaço e deu banana não foi ninguém com o nome de Pedro Roriz, mas Paulo Roriz. Querer invalidar um requerimento por tal erro material é dá outra banana para os estudantes. De qualquer forma, os estudantes darão entrada em novo documento, esse com o nome de Paulo Roriz. Pior para Pedro, melhor, Paulo Roriz. Na ocasião da nova entrega, mais mídia.
Como tem deputado perdidinho lá pela CLDF, faz sentido dar o nome exato.
Os estudantes, xingados de palhaços, entregaram as bananas, mas cometeram outro equívoco além do nome do deputado. Esqueceram de entregar o nariz de palhaço. Prometem voltar lá.

É o fundo do poço

Sábado, 20 de março de 2010
Jovens, formandos de Administração, possivelmente cheios de sonhos, mas começando mal, muito mal. Na festa de colação de grau, uma vergonha. Homenagearam um dos 40 que o ministro Joaquim Barbosa, do STF, afirma ser integrante da “Sofisticada Organização Criminosa” do Mensalão do PT. Delúbio, o homenageado, com direito a discurso sobre ética e fotos com a turma.

A jornalista Sofia Krause, na Veja desta semana, relata a vergonhosa cena ocorrida na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, em Goiás. Segundo a jornalista, Delúbio concluiu sua pregação afirmando que "É importante ter ética em tudo o que se faz na vida".

O pior é que foi aplaudido pelos formandos pela afirmação sobre a ética.

Com essa de seu Delúbio e os formando da turma de Administração, estou achando que acabo tendo de rasgar meu diploma. Acho que os jovens não leram o compromisso do administrador.

Ciro pode ficar sobrando

Sábado, 20 de março de 2010 
Por Ivan de Carvalho
Esta semana o PT – que teve a alegria de comemorar alguns resultados de sua candidata, Dilma Rousseff (ainda que não todos) na pesquisa eleitoral do Ibope feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria – também sofreu um revés. O partido e o presidente Lula queriam porque queriam que Ciro Gomes fosse candidato a governador de São Paulo. Ele não deverá ser e o PT já desistiu e prepara Mercadante para a missão suicida.
    Atendendo a inúmeros pedidos e a pressões de seu partido, o PSB, Ciro Gomes chegou, há alguns meses, a transferir seu título eleitoral do Ceará, estado que já governou e que é o núcleo de sua base política (seu irmão, Cid Gomes, é o atual governador cearense) para São Paulo. Cedeu nas preliminares, mas se manteve firme na decisão.
    Explicando melhor. Lula e o PT estão assim meio no mato sem cachorro quanto à eleição para o governo de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país (25 por cento do total do eleitorado) e o estado mais importante da Federação, nos aspectos demográfico e econômico. Consequentemente, também no aspecto político.
O Mensalão do PT devastou, política e popularmente, as principais lideranças do partido em São Paulo, bastando citar o ex-presidente nacional da legenda e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno. Sobrou o ex-prefeito de Ribeirão Preto e então ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas então explodiu aquele Caso da Mansão Bem Assombrada e o arrombamento, na CEF, do sigilo bancário do caseiro da mansão, Francenildo, que dera com a língua nos dentes. E, embora assegurando que não solicitou a ilegal quebra do sigilo do Francenildo – um cidadão comum como qualquer outro, o que, na época (ah, povo esquecido) criou um sentimento de revolta arrasador – afogou-se o então ministro.
Restou na proa do PT paulista, para fins eleitorais, o segundo time:
O honrado Luis Eduardo Suplicy, que nas eleições de 2006 para senador levou um enorme susto do concorrente Afif Domingos – e que voltou ao Senado envergando um cuecão vermelho por cima do terno em protesto por causa de alguma coisa.
A ex-prefeita e candidatíssima de guerras e derrotas Marta Suplicy, que deverá disputar uma cadeira no Senado. A outra cadeira ainda não tem aspirante firmado, do lado lulista. Talvez seja candidato alguém de um partido aliado. É o lógico.
E – voltando ao PT – restou também o senador Aloísio Mercadante, figura respeitável que renunciou à liderança do PT no Senado, mas não renunciou, então renunciou irrevogavelmente, até que irrevogavelmente anunciou que não renunciaria. E que não vai por gosto disputar o governo paulista, por imaginar que perde para o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, mas mesmo assim foi empurrado para a disputa pelo cargo hoje ocupado pelo governador José Serra, por falta de alternativa para o PT. Mercadante queria disputar a reeleição para o Senado.
Pois a alternativa a Mercadante era, no planejamento de Lula e do PT, Ciro Gomes, aliás um inimigo ostensivo do governador e candidato tucano a presidente José Serra. Mas Ciro tem dado todos os sinais de que só quer mesmo disputar a sucessão de Lula, nada de governo paulista. Problema dele. Tira votos de Serra, é verdade, mas o governo está com a idéia de uma eleição plebiscitária, radicalizada entre Serra e Dilma (representando a comparação entre os governos FHC e Lula). O partido de Ciro, o PSB, é presidido e dominado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que só faz o que Lula quer. Daí que Ciro pode ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que “deputado nunca mais”.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Nego!

Sexta, 19 de março de 2010
Há algo de podre no Reino da Dinamarca. Da Dinamarca, não. Da República do Brasil. Paulo Maluf que frequenta o palácio de Lula, discute e vota leis no Congresso brasileiro, flana por todos os cantos da política brasileira, por todos os salões, não pode mais pisar o pé no exterior. Se o fizer será preso e enviado para os Estados Unidos. Ele entrou na lista de procurados da Interpol, a polícia internacional. São 181 países nos quais ele não poderá entrar.
E no Brasil? Bem, no Brasil ele continuará flanando por aí.
Foi a Promotoria de Nova York, Estados Unidos, que pediu à Justiça americana para incluir o nome de Paulo Maluf e seu filho Flávio Maluf na lista de procurados da Interpol. A Justiça americana determinou a prisão dos dois paulistas, isso por crimes de conspiração, remessa de dinheiro ilegal para os Estados Unidos e roubo de dinheiro público no Brasil.
Nego, dirá Maluf novamente à imprensa.

Negada liminar a executivos de empresa denunciada por emprestar nome à Daslu em guias de importação

Sexta, 19 de março de 2010
do site do STF
O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou liminar no Habeas Corpus (HC) 103059 em que diretores e gerente da empresa Columbia Trading S/A pretendiam suspender o andamento da ação penal à qual respondem pelos crimes de falsidade ideológica e formação de quadrilha, juntamente com diretores e proprietários da loja Daslu, e suspender a audiência de instrução e julgamento designada para esta semana. No mérito, os empresários pedem que a ação penal seja considerada nula alegando que a denúncia do Ministério Público Federal teria se baseado em prova ilícita.

De acordo com o ministro Dias Toffoli, a jurisprudência do STF é no sentido de que a concessão de habeas corpus com a finalidade de trancamento de ação penal em curso só é possível em situações excepcionais, quando estiverem comprovadas, de plano, a atipicidade da conduta, causa extintiva da punibilidade ou ausência de indícios de autoria, o que não ocorre no caso. “Pelo que se tem na decisão da Quinta Turma do STJ, não se vislumbra, neste primeiro exame, nenhuma ilegalidade, abuso de poder ou teratologia que justifique o deferimento da liminar”, afirmou.

A defesa de Rodrigo Franco Somlo e Rubens Asam (diretores) e Ferdinando Manzoli Sobrinho (gerente) alega que, no procedimento fiscal que resultou na denúncia oferecida pelo Ministério Público, os agentes da Receita Federal extraíram arquivos de seus computadores, em verdadeira operação de busca e apreensão sem a necessária autorização judicial. Segundo o Ministério Público, o ilícito consistia na fraude de guias de importação para ocultar a Daslu como verdadeira adquirente das mercadorias.

O ministro também negou liminar no Habeas Corpus (HC) 103060, no qual a defesa de Rubens Asam (diretor da Columbia Trading) pedia a anulação da denúncia, com o consequente arquivamento da ação penal em relação a ele. Sua defesa alega que o Ministério Público o incluiu como réu da ação penal, atribuindo-lhe participação no suposto crime, apenas porque ele assinou documento em conjunto com outro diretor da empresa.

Blog do Pannunzio: Estagiários fazem sozinhos o atendimento de emergência no maior hospital de Brasília

Sexta, 19 de março de 2010
“Se você mora em Brasília, torça para não precisar de atendimento de urgência na rede pública de saúde. De acordo com médicos do SAMU, o plantão da emergência do Hospital Base está entregue aos residentes, que trabalham invariavelmente sem a supervisão do chamado staff - os médicos plantonistas que deveriam orientar o atendimento.”
Leia a denúncia de Pannunzio

O país dos mensalões

Sexta, 19 de março de 2010
É Mensalão do PSDB, em Minas Gerais, é Mensalão do Demo, em Brasília, é Mensalão do PT no Brasil todo.
Foi aceita ontem uma nova denúncia sobre o Mensalão do PT e a 3ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou a indisponibilidade dos bens de Marcos Valério, de dois sócios e do ex-procurador da Fazenda Nacional Glênio Sabbad Guedes.

Os 5 coitadinhos

Sexta, 19 de março de 2010
Os cinco presos na Papuda por suspeita de tentativa de suborno de uma testemunha da Operação Caixa de Pandora agora é que estão dando uma de coitadinhos. Em prisão especial na Papuda, querem agora desqualificar as instalações em que estão para que sejam libertados. Como estão presos por tentativa de suborno de testemunhas, não seria um absurdo quererem ir para prisão domiciliar, onde estariam livres para quase tudo fazer?
Ingratos, se queixam da discriminação com que são tratados em relação ao tratamento dispensado a Arruda na “masmorra” da Polícia Federal.
É possível que eles, os cinco que estão na Papuda, tenham em breve a companhia do grande cacique Arruda. Cacique em desgraça, mas cacique.
Encontram-se presos na Papuda, em prisão especial, Wellington Morais, Antônio Bento, Haroaldo Brasil, Rodrigo Diniz Arantes e Geraldo Neves, o Barra Pesada.
Apesar de prisão especial não ser lá nenhuma barra pesada assim, que eles possam ficar por lá mais uns bons tempos. E que depois, se provada a culpabilidade de todos eles, que sejam condenados a uns longos anos de Papuda.

Que falta nesta cidade?

Sexta, 19 de março de 2010

Que falta nesta cidade?... Verdade.
Que mais por sua desonra?... Honra.
Falta mais que se lhe ponha?... Vergonha.

O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

Quem a pôs neste rocrócio?... Negócio.
Quem causa tal perdição?... Ambição.
E no meio desta loucura?... Usura.
(Gregório de Mattos, o Boca do Inferno)

Um motorista para o GDF

Sexta, 19 de março de 2010
E o ex-vice-governador usando o dinheiro do nosso imposto para pagar o salário de motorista particular. E o governador em exercício nada vê, nada ouve e nada faz. Melhor, só faz quando o escândalo vai parar nas reportagens da TV. Aí corre, exonera o funcionário, espera o próximo escândalo que, tudo indica, poderá ser hoje, pois escândalos no governo do DF (incluído aí a Câmara Legislativa) são diários. Ou alguém acha que não é escândalo alguém que não pertence mais ao governo continuar sugando o dinheiro do povo para pagar suas comodidades irregularmente?

Mais trintinha para Arruda

Sexta, 19 de março de 2010
Arruda poderá ficar mais trinta dias na cadeia. Um dia depois que a defesa de Arruda requereu ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) prisão domiciliar, a Procuradoria-Geral da República pediu ontem mais 30 dias para investigar a corrupção em Brasília, o Mensalão do Demo.
A Procuradoria-Geral fez o pedido de prorrogação alegando que ainda faltam ser apurados dados bancários, fiscais e telefônicos, bem como ouvir várias testemunhas.
Se o STJ conceder 30 dias de prorrogação do inquérito da Caixa de Pandora, Arruda poderá ser brindado com mais trintinha. Dias de cadeia, claro.

Lula fantasia a paz

Sexta, 19 de março de 2010
Por Ivan de Carvalho
Na Terra Santa e adjacências, quase tudo gira em torno da Bíblia – Antigo e Novo Testamento – e do Corão. Eles são a base da cultura israelita, islamita e da rarefeita população cristã da região que envolve Israel, 22 países árabes e alguns países muçulmanos não-árabes, a exemplo do Irã.
As três religiões monoteístas estão imbricadas a tal ponto na região que o primeiro Patriarca, Abraão, deu origem a Ismael e Isaac e desses dois troncos descendem, respectivamente, árabes e hebreus, estes por intermédio de um dos dois filhos de Isaac, Jacob. Mais tarde, surge a figura essencial e misteriosa do Arcanjo Gabriel, aquele que anunciou a Maria que ela teria um filho ao qual chamaria Jesus (aqui, o nome na versão latina) e que foi o mesmo Arcanjo Gabriel que ditou o Corão a Maomé.
A um observador neutro e atilado (não reivindico para mim qualquer dessas duas qualidades), não há de parecer casuais essas circunstâncias, seja em relação aos patriarcas, seja quanto à gravidez de Maria e ao ditado “angélico” representado pelo Corão, o livro sagrado dos muçulmanos. A conclusão lógica – e certamente quase todo mundo concordaria com ela se não envolvessem três das quatro cinco grandes religiões do planeta (as outras são o budismo e o hinduísmo) – é a de que há um plano milenar em andamento. Um plano que praticamente chega a ser exposto na Bíblia, quase a cada página, embora a Bíblia evite proclamar essa característica de um planejamento a longo (para nós) prazo.
Daí que a viagem e o bedelho do governo brasileiro no conflito entre Israel, os palestinos, os árabes em geral e os muçulmanos engajados nessa briga (há os que não estão dando bola pra ela) não tem a chance de influir para a pacificação, pela simples razão de que, devido ao comportamento da sociedade humana, a pacificação só virá – segundo o plano – após a destruição da atual sociedade, quando uma nova passará a ser construída em outras bases.
“De nada valerá buscardes o auxílio do Egito (com quem Israel fez um tratado de paz), pois não haverá paz e Israel deve confiar apenas no Senhor”, diz lá no Antigo Testamento o profeta Isaías. Eis (para os crentes) porque não podem os crentes e mesmo os não crentes, mas inteligentes, comemorar a descoberta do presidente Lula de que a divergência entre Israel e Estados Unidos sobre as 1.600 casas que o governo israelense acaba de decidir construir em Jerusalém Oriental pode abrir a chance para que se chegue à paz, suponho que por um hipotético enfraquecimento da posição de Israel.
Divergências sérias entre EUA e Israel já ocorreram antes e contam-se às dezenas, algumas delas graves, mas nenhuma capaz de romper a aliança entre americanos e israelenses. Na hora do aperto estão, inevitavelmente, juntos. Naquela área do mundo, ao se fazer política, é bom ter um olho nela e o outro nos livros sagrados fundamentais de israelenses, muçulmanos e cristãos. “Bem aventurados os pacificadores”, Jesus disse no Sermão da Montanha. Mas não disse que eles terão sempre êxito em seus intentos, ainda que recebam o prêmio, se tentaram a paz de coração puro.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

Arruda na Papuda

Sexta, 19 de março de 2010
Em postagem no seu blog, o jornalista Fábio Pannunzio elogiou a postura profissional do cardiologista de Arruda, o médico Brasil Caiado que, “com todas as letras”, declarou ontem em entrevista que não havia como recomendar a prisão domiciliar de seu paciente. A partir dessa alusão ao trabalho do médico o texto de Pannunzio é ironia pura.
Comenta com ironia a tentativa dos advogados de transformarem a prisão na PF em prisão domiciliar. Como as recomendações para o caso de saúde de Arruda são as triviais em casos semelhantes, ou seja, dieta leve, caminhadas e redução do stress, Pannunzio defende, “no intuito de facilitar a vida do governador”, a transferência do preso para a Papuda. E relaciona as vantagens que ele terá na Papuda. Leia a postagem completa no Blog do Pannunzio

quinta-feira, 18 de março de 2010

A banana como companhia

Brasília, 18 de março de 2010
Foi dando banana que o deputado distrital Paulo Roriz (Demo) se dirigiu ontem aos estudantes que na galeria protestavam contra o estado de podridão que se encontra a política no Distrito Federal. O deputado não gostou dos cartazes colados nos vidros do plenário da CLDF e também das vaias (que sequer podiam ser ouvidas de onde ele se encontrava). Não gostar é uma coisa, dar banana para a platéia e pedir aos gritos para que a presidência dos trabalhos retirasse imediatamente aqueles “palhaços” é outra coisa. Pior, a presidência atendeu ao solicitado pelo deputado e determinou que os estudantes fossem retirados e os cartazes recolhidos.

Nos tempos bicudos de hoje os deputados só admitem protestos “a favor”. Não sendo "a favor" deles, os protestos só são admitidos fora do prédio da Câmara. E com a escolta da polícia.

A dúvida dos estudantes, diziam alguns deles enquanto eram enxotados das instalações da Câmara, era saber se a banana estava tão podre como alguns políticos de Brasília.

O panetone, que já havia entrado na vida política de Brasília, agora tem a companhia da banana.

Durval pode depor na CPI ainda em março

Quinta, 18 de março de 2010
Durval, o Cinegrafista do Cerrado, pode depor ainda este mês na CPI da corrupção no governo Arruda. Mas pode ser que isso não aconteça. Ele está em dúvida sobre como tal depoimento poderá influenciar a sua defesa nos vários processos que responde na Justiça.
Comparecendo à CPI ele poderá também se reservar o direito de ficar calado em questionamento que entenda ser prejudicial à sua defesa.
Tomara que ele vá e fale tudo que saiba. Talvez assim venha a intervenção federal e nos livremos de um monte de políticos safados. Ou não, pois da CPI da CLDF, contaminada como está o legislativo local, nada, ou quase nada, deve se esperar.

Dilma, festa e risco

Quinta, 18 de março de 2010
Por Ivan de Carvalho
O fato maior em debate na política brasileira, ontem, foi a pesquisa CNI/Ibope. Aliás, cada pesquisa eleitoral de um instituto importante – principalmente quando envolve a sucessão presidencial – tem o seu dia de glória, os seus “15 minutos de fama”.
E no caso de ontem há uma razão extra para o impacto da pesquisa e o barulho a respeito. A candidata governista, ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, do PT, lançada e apadrinhada pelo presidente Lula, deu um salto felino, pouco faltando para alcançar, na modalidade estimulada da pesquisa, o principal candidato de oposição, o governador paulista José Serra, do PSDB. Dilma saltou dos 17 por cento que obteve na pesquisa de dezembro para 30 por cento, apenas cinco pontos abaixo do tucano José Serra, que ficou com 35 por cento, quando em dezembro tinha 38 por cento.
Há duas razões evidentes para que isto haja acontecido. A primeira delas é a superexposição de Rousseff nos últimos meses, nos atos oficiais que funcionam como comícios disfarçados e na mídia. A segunda razão é o fato de que quase invariavelmente, quando se expõe, Dilma Roussef não o faz propriamente – é o presidente Lula que a expõe e a apóia, conforme a ocasião, implícita ou explicitamente.
Ora, Lula está há tempos muito popular, rondando os 80 por cento de aprovação pessoal do eleitorado e seu governo também tem recebido, segundo as pesquisas, uma aprovação muito grande. E os números das pesquisas indicam que Lula consegue – ao menos nessa fase do processo eleitoral – transferir à até há pouco desconhecida Dilma Rousseff uma expressiva parte do seu capital eleitoral. Resta medir, até porque talvez só o tempo esclareça isto, qual é o teto dessa transferência, certamente maior no Nordeste e no Norte do país que nas outras regiões.
    O diretor de Operações da CNI, Rafael Luchesi, deixou claro que muito desse resultado deveu-se ao maior conhecimento de Dilma pelo eleitorado (representado pelos entrevistados). Era de 32 por cento em dezembro e em março foi para 44 por cento.
    Há um outro elemento auspicioso para a candidata governista na pesquisa CNI/Ibope. Na modalidade expontânea – quando não se apresenta lista de nomes ao entrevistado e apenas pergunta-se em quem ele votaria – quem vence é Lula, com 20 por cento, de uma parte de seus muitos milhões de tietes que não sabem que ele não pode disputar o pleito. Mas nessa modalidade Dilma Rousseff ultrapassou Serra, obtendo 14 por cento contra dez por cento do governador de São Paulo.
    Em verdade, nem tudo são flores – ou votos – para Dilma Rousseff. José Serra, embora conhecido de 65 por cento do eleitorado, tem uma taxa de rejeição de 25 por cento, menor que a da candidata do PT. O diretor Luchesi, da CNI, ressaltou que, com a maior proximidade das eleições, os eleitores passam a rejeitar candidatos exatamente porque os conhecem.
    Coincidência ou não, em seu “ex-blog” do dia 12 último, sob o título “Os riscos da candidatura de Dilma”, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, democrata, e que costuma analisar pesquisas e campanhas eleitorais, escrevia que “a superexposição, segundo a escola francesa de Jacques Seguelá, queima como a luz do sol. Há a necessidade de mergulhos e retorno à superfície. Nos governos deve ser assim. Nas campanhas, não é o caso desse movimento sinuoso, mas de um processo de exposição progressiva (...)”. Em síntese: um crescendo controlado. Controle que não estaria ocorrendo na campanha de Dilma.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.