Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Líder do DEM (Ronaldo Caiado) usa servidora do Senado em escritório particular


Segunda, 18 de maio de 2015
Meiry Rosa de Oliveira, nomeada por Ronaldo Caiado, trabalha em um escritório de apoio às fazendas do Senador, em Goiânia. O local também é a base de trabalho de Rondon Caiado, irmão do senador
Do Congresso em Foco
O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), usa uma servidora da Casa Legislativa em seu escritório particular localizado em Goiânia, conforme revela nesta segunda-feira (18) reportagem da Folha de S. Paulo.
Meiry Rosa de Oliveira, nomeada por Caiado, trabalha em um escritório de apoio às fazendas do Senador, em Goiânia. O local também é a base de trabalho de Rondon Caiado, irmão do senador. Rondon auxilia na administração das propriedades rurais da família, segundo a Folha. Leia a íntegra

segunda-feira, 9 de abril de 2012

O caso do DEM

Segunda, 9 de abril de 2012
Por Ivan de Carvalho
Certamente o DEM não está com sorte. A falta de sorte começou lá atrás, em 1998, quando o partido, ainda PFL, era razoavelmente forte e tinha sua principal base na Bahia, estado em que então desfrutava de verdadeira hegemonia política. Mas tinha núcleos importantes em vários outros Estados, notadamente na região Nordeste, mas também no Rio de Janeiro, Santa Catarina, além de outros, incluindo um núcleo em construção em São Paulo. Foi então que em 21 de abril daquele ano morreu de fulminante infarto do miocárdio o deputado Luís Eduardo Magalhães.

Luís Eduardo era o que de principal o partido estava preparando para o futuro. Aos 43 anos, já havia sido deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa da Bahia, deputado federal, líder do PFL na Câmara dos Deputados, presidente desta Casa do Congresso Nacional e quando morreu era líder do governo Fernando Henrique Cardoso na Câmara e candidato já anunciado do PFL e aliados ao governo da Bahia. Sua eleição, ressalvado acidente de percurso da ordem do que ocorreu (outros menores não mudariam o destino), era certa.

Quase certa era também sua candidatura a presidente da República após cumprir o mandato (o projeto é de que fosse apenas um). Com mais de quatro anos de antecedência, Luís Eduardo vencia certas implicâncias do pai, Antonio Carlos Magalhães, e lançava cabeças de ponte no então maior partido do país, o PMDB, enquanto se relacionava bem com todo o espectro de forças políticas do país. Prova disso é que contou com os votos de todos a decisão do Congresso que deu seu nome ao Aeroporto Internacional de Salvador, então chamado de 2 de Julho, depois de haver dele sido apagado o nome de Aeródromo e de Aeroporto de Santo Amaro do Ipitanga, vulgo Aeroporto do Ipitanga. Não creio que o santo haja se irritado. Afinal, é santo.

Mas a partir da morte de Luís Eduardo o PFL, depois DEM, somente sofreu revezes. ACM cometeu uma indiscrição voltada contra o presidente FHC em uma visita ao Ministério Público Federal, em Brasília, visita aconselhada por seu assessor Fernando César Mesquita, herdado de Sarney. Foi um desastre, um procurador petista gravou a conversa, isso valeu o rompimento de FHC com ACM. Veio o aflitivo caso da violação do segredo do painel de votação do Senado, atingindo o senador tucano José Roberto Arruda, líder do governo na Câmara Alta e o senador ACM, presidente do Senado. ACM renunciou ao mandato de senador – assim como Arruda –, mas o reconquistaria nas urnas em seguida.

Em 2006, o bastião baiano do PFL caiu, com a eleição do petista Jaques Wagner para governador. E neste mesmo ano, que inferno, o ex-tucano José Roberto Arruda elegeu-se governador do Distrito Federal pelo DEM, que não devia tê-lo aceito. Foi o único governador eleito pelo DEM em 2006, mas, sendo quem era, fez malfeito, foi denunciado, expulso do partido, preso, perdeu o mandato, cobriu a legenda de vergonha. Então, em 2010, o DEM elegeu dois governadores, do Rio Grande do Norte e de Santa Catarina. O de Santa Catarina, Raimundo Colombo, saltou para o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que obviamente também abandonou o DEM, junto com o vice-governador paulista Afif Domingos.

Ah, mas nem tudo parecia perdido. ACM Neto vai se saindo bem na Câmara dos Deputados e, no Senado, Demóstenes Torres encarna a alma da extinta e gloriosa UDN. Competente, preparado, faz uma oposição eficaz. Engana a todos – seu próprio partido, os colegas em geral, os outros partidos. Cresce e já despontava, nas especulações, como uma alternativa do DEM para as eleições presidenciais de 2014.

Foi aí que escorregou na cachoeira. Em ano de eleições, como planejado pela Polícia Federal. E sob escutas de exceção, como já ameaça se tornar regra.
Pobre DEM. Virou a Geni da República. E não se diga que é pior que os outros. Não é.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta segunda.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano 


terça-feira, 27 de março de 2012

Presidente do DEM diz que Demóstenes Torres pode ser expulso da legenda

Terça, 27 de março de 2012
Da Agência Brasil
Mariana Jungmann, repórter
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), que assumiu a liderança do partido deixada por Demóstenes Torres (GO) na manhã de hoje (27), disse que aguarda informações da Procuradoria-Geral da República para que o senador goiano possa defender-se e, a partir de então, o partido tome uma posição quanto à permanência dele na legenda.

Agripino Maia lembrou que, em outra ocasião, o partido já decidiu expulsar um membro quando ficou comprovado que ele estava envolvido em um escândalo de corrupção. Foi em 2009, na Operação Caixa de Pandora, que resultou na prisão do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda. Para o presidente e líder do DEM, é possível que o mesmo ocorra com Torres se ele não conseguir provar sua inocência.

“Eu não quero dizer que a expulsão é provável porque eu não conheço as acusações e não quero fazer um julgamento antecipado. Agora, posso dizer apenas que o partido já teve, em circunstâncias preocupantes, um comportamento claríssimo que o Brasil todo conheceu. E não vai hesitar um minuto em repetir a dose se as evidências se mostrarem iguais”, declarou Agripino Maia.

Nos últimos dias, aumentou a pressão de senadores para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, repasse ao Senado as gravações da Polícia Federal (PF) e outras informações de inquéritos que citam Demóstenes Torres e o ligam ao empresário Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira.

Hoje, Gurgel recebeu um grupo de senadores e os informou que irá encaminhar ao STF o pedido para iniciar uma investigação contra todos os parlamentares citados na Operação Monte Carlo, da PF, que culminou na prisão de Cachoeira. Além de Demóstenes Torres, trechos de gravações que vazaram da operação implicam também os deputados Sandes Júnior (PP-GO) e Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO).

Gurgel também disse que encaminhará as informações que possui sobre o envolvimento de Demóstenes com Cachoeira para o corregedor-geral do Senado, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que participou da reunião com o procurador-geral, disse que vai aguardar a abertura de inquérito contra Demóstenes e o envio das informações a Vital do Rêgo, para, então, abrir representação contra ele no Conselho de Ética do Senado.

“Claramente me parece que não tem mais condições para o senador Demóstenes aqui, no âmbito do Senado Federal. Eu, se fosse o senador Demóstenes, acho que a única alternativa que restaria neste momento seria a renúncia. Da nossa parte, ocorrendo a denúncia da PGR ao Supremo com o pedido de abertura de inquérito, torna-se inevitável que aqui sejam representados os membros envolvidos na Operação Monte Carlo ao Conselho de Ética”, disse o líder do PSOL.

Nesta terça, Demóstenes Torres enviou ofício ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), comunicando que ocupará a tribuna da Casa para se defender assim que tiver acesso ao conteúdo dos autos dos processos nos quais é citado. “Não me escusarei de responder a qualquer questionamento que, por ventura, seja feito pelos senhores senadores e senhoras senadoras”, garantiu no documento.

O senador disse ainda que vem sofrendo nas últimas semanas “toda sorte de ataques à minha honra, sem que sejam observadas as garantias constitucionais previstas em qualquer Estado Democrático de Direito”. Ele também repetiu o que disse em discurso no dia 6 de março, quando se propôs a ser investigado no Supremo Tribunal Federal para esclarecer as acusações de que teria recebido dinheiro em troca de favores a Carlinhos Cachoeira.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Oposições divididas

Sábado, 10 de dezembro de 2011
Por Ivan de Carvalho
As expectativas maiores são de que o senador e ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que passou o dia ontem na Bahia em atividades preparatórias de candidatura, represente o PSDB nas eleições presidenciais de 2014, com o apoio do Democratas e eventualmente outros partidos. A outra principal opção do PSDB ainda é o ex-governador paulista e já duas vezes candidato a presidente José Serra, cuja qualidade mais destacada é a persistência.

            Não por coincidência, foi poso à venda nas livrarias, ontem, o livro – talvez meio livro, meio panfleto, questão que só análises profundas poderão esclarecer – “A Pirataria Tucana”, escrito pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr., no qual o autor acusa José Serra e Aécio Neves de haverem preparado dossiês um contra o outro, quando eram pré-candidatos a presidente pelo PSDB nas eleições de 2010.

O autor acusa Serra de montar uma central de “arapongagem” na Anvisa, quando era ministro da Saúde e de a haver mantido ativa depois. Além disto, o jornalista-escritor reivindica para ele mesmo a glória de ter sido o responsável pela elaboração do dossiê contra Serra, encomendado a ele pelo próprio Aécio. Nenhum dos dois dossiês foram usados, segundo o Inspetor Clouseau, perdão, segundo o autor de um dos dossiês e do livro, porque Serra e Aécio chegaram a um acordo.

De qualquer sorte, o senador Aécio Neves, na Bahia, disse que não comentaria o assunto por enquanto, enquanto José Serra seguiu o mesmo caminho. “Não li ainda não. Prometo que, quando eu ler, comento”, disse, rindo, o que sugere que o assunto pode ser mesmo sério.

Aliás, talvez já pondo as barbas (que não usa) de molho, o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, simpático à candidatura de Aécio, comentou no programa Canal Livre, da Band, que Aécio e Serra não são os únicos nomes disponíveis no PSDB para disputar a presidência da República. Citou o governador Goiás, Marconi Perillo e o senador Álvaro Dias, ex-governador do Paraná, como alternativas que o PSDB tem para um acordo.

Enquanto isso, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, guru dos tucanos, adverte que Aécio está dando mole, muito maneiro e muito parado na oposição, e ensina, lá na linguagem dele, que uma candidatura a presidente da República não se constrói de repente, é um processo longo e não dá para perder tempo.

Como se observa, a confusão é grande entre os tucanos, cada um bicando numa direção diferente, quando não se bicam. E no meio de tudo isso, Serra irrita os quatro pré-candidatos do PSDB à prefeitura de São Paulo, agindo como “candidato-fantasma”, no dizer de um dos quatro. É que Serra não define se quer ou não quer disputar a prefeitura (se quiser, fica praticamente impossível outra candidatura tucana) e nada indica que a declaração de Aécio, feita ontem em Salvador, incitando-o a ser candidato, vai tirar Serra de cima do muro, posição que deve considerar estratégica.

Mais complicação para o PSDB? Tem. Contestando o senador Aécio Neves, para quem se tucanos e democratas estiverem separados em 2014, isso fragilizará a oposição, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino, reafirmou a disposição de seu partido de lançar candidato próprio para a sucessão de Dilma Rousseff. “Busquemos nos fortalecer o PSDB e o Democratas e, no momento oportuno (não disse se no segundo turno ou antes, a depender das circunstâncias), nos juntemos”.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.

Ivan de Carvalho é jornalista baiano.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Suplente de Agripino é denunciado à Justiça

Segunda, 5 de dezembro de 2011
Do "Congresso em Foco"
Além de João Faustino, os ex-governadores Wilma de Faria e Iberê Ferreira estão entre os 34 acusados pela Operação Sinal Fechado. Formação de quadrilha, corrupção e tráfico de influência são alguns dos crimes atribuídos aos três políticos

por Edson Sardinha
O Ministério Público Estadual do Rio Grande do Norte denunciou à Justiça o suplente do senador e presidente do DEM, José Agripino (RN), João Faustino (PSDB-RN), e os ex-governadores Iberê Ferreira (PSB) e Wilma de Faria (PSB) por envolvimento num esquema de fraude no Detran-RN. Além deles, outras 31 pessoas, entre empresários, advogados, lobistas e agentes públicos, também foram denunciadas pelos promotores com base nas investigações da Operação Sinal Fechado. O grupo é acusado de fraudar convênios e licitações para um programa de inspeção veicular no estado.

sábado, 30 de abril de 2011

FHC, PSDB, DEM, PPS, PSD

Sábado, 30 de abril de 2011 
FHC volta ao que sempre foi: extremado defensor da “direita”. Se não fosse, como poderia ser patrocinado pela Fundação Ford?"


"O DEM, quase sem representação, vem em linha reta da Frente Liberal, um dos braços da ditadura. Para se manter no chamado período de transição. Ninguém desse PFL, agora DEM, foi perseguido ou cassado pela ditadura. Cassação que também não aconteceu com FHC. Melhor prova: foi o único que se intitulou “cassado”, mas disputou eleição em plena ditadura, 1978.”

(Helio Fernandes em artigo de hoje na Tribuna da Imprensa, analisando os últimos acontecimento na vida da direita tradicional brasileira)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Oposição e carrapicho

Sexta, 29 de abril de 2011 
Por Ivan de Carvalho
A desidratação causada no Democratas pela dissenção interna e, logo em seguida, saída de parte expressiva de seus quadros para a fundação de um novo partido, o PSD, deflagrou publicamente um debate que, se antes existia, era apenas na forma de uma idéia sobre a qual discretamente se especulava em setores do PSDB e do Democratas.
            Agora, esse debate tornou-se notícia insistente. Ontem, o governador paulista Geraldo Alckmin – já no seu segundo mandato de chefe do Executivo paulista, mas carregando também uma derrota em disputa da Presidência da República e outra, dois anos depois, ao disputar o cargo de prefeito de São Paulo – declarou-se favorável ao debate sobre uma fusão de três partidos oposicionistas, o PSDB, o DEM e o PPS.
            Ora, para o PSDB isso é muito bom, pois na conjuntura oposicionista atual, tal fusão pouco mais seria do que uma simples absorção do Democratas e do PPS pelo PSDB, notoriamente um partido muito mais importante e detentor de muito mais poder que os outros dois juntos.
            Enquanto os tucanos ou uma grande parte deles deseja a fusão, no DEM existem pessimistas que a admitem, quando olham em volta e não conseguem ver alternativa interessante. Mas, pelo menos por enquanto, é majoritária no DEM a idéia de que o partido deve buscar a renovação, fazendo um grande esforço para o recrutamento de novos quadros, e ir à luta.
            Esta é a posição, por exemplo, do líder da bancada democrata na Câmara dos Deputados, o baiano ACM Neto. Fusão com o PSDB, nem pensar. Devem sim, estes dois partidos, além do PPS e ainda outras legendas que disponham-se a fazer oposição, formular uma estratégia comum, dentro da qual cada legenda terá função própria e adequada a suas características. O objetivo será comum, a estratégia será unificada e as ações políticas serão convergentes, mas não necessariamente iguais. Cada partido tem as faixas da sociedade e do eleitorado com as quais pode se identificar mais naturalmente.
            Em linhas gerais, parece ser isso o que pensa o deputado ACM Neto – bem como o presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia – ao rejeitarem liminarmente a idéia de fusão, perdão, absorção pelo PSDB. Aliança é uma coisa, renúncia à identidade própria é outra.
E afinal tudo indica que o PSDB não é capaz de cobrir todos os segmentos sociais e todas as tendências de opinião pública que a oposição pode eventualmente atrair. Nem o PPS tem tal capacidade. Nem o DEM. Mas elas conseguirão cobrir um espectro político maior se mantiverem identidades próprias e – com a licença do deputado Marcos Medrado – unirem forças. Unirem forças no combate político ao governo e na estratégia de atraírem eleitores para o seu lado, o da oposição.
Um inesperado estímulo as oposições, que o líder ACM Neto estima que poderão ter apenas 100 deputados na Câmara federal, acaba de ser dado pelo ex-presidente Lula. Este advertiu o PT para que fique alerta e tenha cuidado, pois “oposição cresce como carrapicho, não precisa nem plantar”. Lembrou que “toda a vida” – exagerou um pouco, nos últimos oito anos e quatro meses ele foi governo e governista – foi oposição e sabe que esta cresce espontaneamente
Pois é. Cresce mesmo, nos regimes democráticos, sempre que está menor do que deveria. Aliás, a presidente Dilma disse na quarta-feira que o governo analisa “diuturnamente e noturnamente” as pressões inflacionárias. E o resultado delas, obviamente.
Ora, em um cenário em que o governo, mal começou, já está insone por causa da inflação, a oposição pode crescer até mais do que carrapicho.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

terça-feira, 1 de março de 2011

PPS, DEM e PSDB entram com Ação Direta de Inconstitucionalidade para que salário mínimo não seja reajustado por decreto do presidente

Terça, 1 de março de 2011
Do STF
Fixação de valor do salário mínimo por decreto é questionada no STF
A possibilidade de o Poder Executivo reajustar e aumentar o salário mínimo por meio de decreto, prevista no artigo 3º da Lei nº 12.382/2011*, foi questionada por meio da Ação Direta da Inconstitucionalidade (ADI) 4568. Essa ação foi protocolada hoje (1) no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Partido Popular Socialista (PPS), pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e pelo Democratas (DEM). A relatora é a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha.
Os partidos argumentam que a disposição normativa é inconstitucional por ofender “claramente o disposto no art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal**”, que determina que o salário mínimo seja fixado em lei. “Lei em sentido formal”, sustentam na inicial.
Para as agremiações, o artigo questionado na ação “se mostra incompatível com a reserva legal estabelecida no inciso IV do art. 7º da Lei Maior”. Lembram também que a norma, ao delegar o estabelecimento do valor do salário mínimo por decreto, entre os anos de 2012 e 2015, o faz com exclusividade, sendo que “o Congresso Nacional não poderá se manifestar sobre o valor do salário” nesse período.
Sustentam, ainda, que apesar da delegação de poderes para a edição do decreto encontrar limites no artigo 2º da mesma norma, “tais como prazos e índices de reajuste”, é “manifesta a inconstitucionalidade” do artigo questionado.
Afirmam que afastar do Congresso Nacional a discussão sobre o valor do salário mínimo “não faz nenhum sentido do ponto de vista jurídico nem mesmo do ponto de vista político”, pois o Poder Legislativo é “o espaço legítimo e democrático para o debate político acerca do valor do salário mínimo e seus reajustes periódicos”, que não se resume aos critérios técnicos e econômicos.
Citam jurisprudência do Supremo firmada no julgamento da ADI 1442, relator ministro Celso de Mello, e na ADI 2585, relatora ministra Ellen Gracie.
Pedem a concessão de liminar para suspender os efeitos do artigo 3º e seu parágrafo único e, ao final, a declaração de inconstitucionalidade do dispositivo. 
CG/RR
* Art. 3º, Lei nº 12.382/2011 - Os reajustes e aumentos fixados na forma do art. 2o serão estabelecidos pelo Poder Executivo, por meio de decreto, nos termos desta Lei.
Parágrafo único.  O decreto do Poder Executivo a que se refere o caput divulgará a cada ano os valores mensal, diário e horário do salário mínimo decorrentes do disposto neste artigo, correspondendo o valor diário a um trinta avos e o valor horário a um duzentos e vinte avos do valor mensal.
**Art. 7º, CF/88 - São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
...
IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ACM Neto e a liderança

Terça, 1 fevereiro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
A eleição, no final da tarde de ontem, do deputado baiano ACM Neto para a função de líder do Democratas na Câmara dos Deputados, por 27 votos contra 16 dados ao paranaense Eduardo Sciarra foi um marco importante – ainda que não possa ser, por enquanto, considerado decisivo – na luta que está sendo travada pelo controle do partido.

    Esta não é uma luta ruim para o DEM, seja qual for seu resultado, mas tornou-se inevitável e a esta altura é considerada irreversível. Caso não haja muita competência e bom senso de ambas as partes, o resultado último poderá ser a extinção do Democratas, formalmente, porém bem mais provavelmente na prática.

    Se as coisas chegarem a esse estágio, o Democratas terá feito o que o ex-presidento Lula pediu às vésperas das eleições e o povo não fez. Lula dissera aos eleitores que o DEM precisava ser “extirpado”.

    Encolheu, por conta do papel que há anos escolhera de coadjuvante do PSDB (da mesma forma que o PMDB vem encolhendo por haver escolhido ser coadjuvante do PT, coisa de que muitos peemedebistas já estão se arrependendo), mas não foi extirpado, saindo das eleições ainda como o quarto maior partido brasileiro. A disputa interna, no entanto, pode fazer o que o eleitorado não fez.

   A vitória de ACM Neto na batalha pela liderança democrata na Câmara dos Deputados aproxima o grupo liderado por políticos como o próprio ACM Neto, o senador José Agripino, os deputados Rodrigo Maia (atual presidente nacional do DEM), Ronaldo Caiado e o baiano José Carlos Aleluia (um dos vice-presidentes) de outra vitória, pelo comando do partido. Nesse grupo também está Rosalba Carlini, governadora do Rio Grande do Norte.

    No outro lado estão, principalmente, o presidente de honra do DEM, ex-senador Jorge Bornhausen, o outro governador do DEM, Raimundo Colombo, de Santa Catarina, o ex-líder Paulo Bornhausen, filho de Jorge, a senadora Kátia Abreu e o ex-senador Marco Maciel, ex-vice-presidente da República. E, claro, o prefeito de São Paulo, Jorge Kassab, que pode ser considerado, em grande medida, o pivô dessa disputa no DEM.

    Kassab, ligado ao tucano José Serra, quer ser candidato a governador de São Paulo em 2014 e para isto sua estratégia passa por atrair o PMDB paulista, cujo quase eterno controlador, Orestes Quércia, morreu há pouco tempo de câncer. Mas Kassab quer ter a seu serviço tanto o PMDB (para onde poderá acabar migrando) quanto o Democratas. A vitória de ACM Neto, ontem, é uma pedra em seu caminho, pois, entre outras coisas, sugere fortemente que o grupo simpático a Kassab no DEM está em desvantagem na batalha pelo controle da legenda.

   Claro que a escolha de ACM Neto para a liderança do Democratas na Câmara dos Deputados e a perspectiva de que o grupo partidário em que se inscreve (e que tem mais ligações com o tucano Aécio Neves que com o tucano José Serra) assuma o controle nacional democrata dá algum oxigênio à seção baiana do DEM e reforça a liderança pessoal de Neto na Bahia. Também de Aleluia, se o grupo em que está vencer a luta pelo comando nacional do DEM.
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   Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
   Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Democratas escolhem viver

Terça, 16 de novembro de 2010
 Por Ivan de Carvalho
    O presidente do Democratas, deputado Rodrigo Maia e seu pai, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, asseguram que já está sepultada a proposta de fusão ou incorporação do DEM ao PMDB, mas afirmam-se convencidos de que ela serviu para “reorganizar a tropa” da legenda. É que a partir do surgimento da proposta, seu presidente, com ajuda de César Maia e alguns outros democratas, entrou em campo em busca da unificação do DEM.

    Rodrigo Maia e César Maia estão convictos de que acontecerá a unificação do partido em torno do plano de “fortalecer o DNA conservador” do Democratas, deixando no passado o papel de linha auxiliar do PSDB que o PFL, depois DEM, vinham desempenhando, para dedicar a legenda à construção de uma candidatura própria à presidência da República em 2014.

    “Essa hipotética proposta (de fusão ou incorporação ao PMDB) não existe mais. Até Kassab é contra”, disse César Maia em conversa, por e-mail, com o jornal O Estado de S. Paulo, que publicou a respeito matéria assinada pelo jornalista Alexandre Rodrigues. “Hoje, ninguém no DEM defende fusão com o PMDB. Nem no PMDB, segundo se diz”, afirmou César Maia, que também afastou as hipóteses de fusão com o PSDB ou com o PPS.

    Na verdade, o PSDB e o PPS estão estudando uma fusão entre eles, segundo admitiu o presidente deste último partido, Roberto Freire, ressalvando que a iniciativa está com o PSDB, o partido maior, pois fusão não pode ser feita com um partido grande por iniciativa de um partido pequeno.

    Há um ponto crucial que pode ter contribuído para arrefecer o ânimo de fusão com o PMDB ou até com o PP que lavrava em setores do DEM e que também poderá travar a imaginada fusão do PSDB e PPS ou incorporação deste último pelos tucanos. Trata-se da legislação sobre fidelidade partidária.

    Explicando: se há fusão, desaparecem legalmente os partidos que se fundem e surge um terceiro. Imagine-se DEM e PMDB se fundindo e dando origem ao MDB. Este seria um “novo” partido. Estão, os filiados ao DEM e ao PMDB detentores de mandatos eletivos e que quisessem ir para outras legendas estariam livres, sem risco de quaisquer punições, a exemplo de expulsão e perda de mandato. O mesmo ocorreria numa fusão PSDB-PPS. Já no caso de incorporação, o que haveria legalmente seria a extinção de um dos partidos e a migração de seus quadros para o outro. Mas estes quadros (incluindo os detentores de mandatos), poderiam aproveitar a “janela” e optar por outras legendas.

    Em síntese: seria a oportunidade de ouro que adesistas buscam para saltarem a cerca e ingressarem em partidos governistas. No caso DEM-PMSB, os democratas adesistas poderiam ir para o PMDB mesmo, se quisessem, mas peemedebistas poderiam ser estimulados a trocar esta legenda pelo PSB ou outra, de modo a enfraquecer o grande rival do PT dentro do governo.

    Independente de toda essa questão da fidelidade partidária, a desistência anunciada do DEM de desaparecer é boa para a preservação e o exercício do regime democrático. Há uma faixa do eleitorado – e da sociedade – que o DEM, bem ou mal, representa. Já disse recentemente que o fim deste partido não seria bom para o exercício democrático. Há mais tempo, havia observado, com certa insistência, que o papel de coadjuvante cativo que o PFL-DEM assumira ante o PSDB era (e realmente foi) politicamente contraproducente e um desvio quanto ao que o DEM deveria representar.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta terça.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sábado, 13 de novembro de 2010

O destino do DEM

Sexta, 12 de novembro de 2010 
Por Ivan de Carvalho

    Continua a movimentação em torno da possível fusão do DEM ao PMDB ou, se isto se revelar por algum motivo inviável, ao PP, que seria o Plano B dos democratas interessados na fusão.
O principal deles é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Com a derrota eleitoral e possível decadência política do tucano José Serra, seu principal suporte na aliança com o PSDB e deste partido com ele, Kassab, o prefeito vê o PSDB paulista ficar mais sob a influência de Geraldo Akckmin.
Alckmin pode ser considerado e é visto por Kassab como um adversário. Afinal, enquanto nas eleições municipais de 2008 o então governador paulista José Serra apoiava discreta, mas decididamente, a reeleição de Kassab – que fora seu vice na prefeitura e assumira quando Serra deixou o cargo para disputar o governo estadual –, Alckmin ousadamente lançou-se candidato a prefeito, contra Kassab.
Perdeu, como já perdera a eleição presidencial de 2006, disputando com Serra nos bastidores e de público o direito de ser o candidato tucano a enfrentar o presidente Lula naquela ocasião. Alckmin, então, conseguiu o que queria, ser candidato, porque Serra se convenceu de que o PSDB não venceria aquela eleição presidencial e apenas fingiu ir na bola dividida com Alckmin. Na verdade, ele queria mesmo era deixar a bola com este e ir cuidar de outros planos.
Sentindo-se órfão do PSDB, o democrata Kassab é hoje o político do DEM mais em evidência e tem lá suas pretensões de disputar o governo paulista em 2014. Mas ele não tem o controle de seu partido neste momento e, pior, dá conta o noticiário de que ele não acredita na recuperação política e eleitoral do Democratas, hoje sob a presidência do deputado fluminense Rodrigo Maia.
Imaginou-se uma fusão imediata do DEM ao PMDB (que poderia ser rebatizado de MDB, o que seria uma espécie de resgate histórico, ao menos sob o aspecto nominal). O PP, como já assinalado, seria o Plano B. Mas Kassab foi aconselhado por lideranças democratas, incluindo o presidente de honra e ex-senador Jorge Bornhausen (também já agora pouco crente numa recuperação do DEM) a ter paciência. Antes de partir para negociar a fusão seria preciso tomar o controle do partido. E Rodrigo Maia não vai entregá-lo de boa vontade. Controle que, uma vez tomado, poderia levar o grupo liderado por Kassab até a desistir da fusão, já que estaria com um partido pronto nas mãos – e um partido de porte, ainda.
Kassab e os que estão com ele decidiram esperar até três meses. Se até o fim do prazo houver fracassado a tomada do controle do partido, então voltarão, aí já para agir, à negociação de uma fusão ou, na pior das hipóteses, de dissolução, o que a todos liberaria para cada um seguir o caminho que quiser.
Essa coisa de fusão (que poderia ser, evidentemente, uma simples incorporação do DEM pelo PMDB) está aumentando a tensão entre o PMDB e o PT. Uma tensão já notória pela questão da presidência da Câmara, principalmente, além de espaços postos no Executivo. É que o PMDB, acontecendo a fusão, deixaria de ter a maior bancada na Câmara dos Deputados na próxima Legislatura e ganharia peso incontrastável em todas as situações no Congresso, além de aumentar seu poder de fogo na luta por espaços no Poder Executivo e nas empresas estatais.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Duas ameaças

Quarta, 10 de novembro de 2010 
Por Ivan de Carvalho

 
    1. A primeira das ameaças está explícita em entrevista de Julian Assange, fundador do site WikiLeaks, ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada em sua edição impressa, bem como no site Estadão.com.br. A entrevista foi concedida a Jamil Chade, correspondente do jornal em Genebra.

   Julian Assange deixa claro seu incômodo com o fato de não ter residência fixa, só andar com escolta armada e ver seus funcionários sendo detidos por policiais em vários países. “A censura está muito mais generalizada e profunda do que a sociedade imagina”, alerta ele, em um aviso que soa como ameaça à cidadania e à liberdade, em âmbito mundial. Esta é uma ameaça grave, mas não é uma daquelas duas às quais me referia ao escolher o título deste artigo.

    Vale lembrar que o WikiLeaks é o site que, em agosto, divulgou informações e documentos secretos do Pentágono sobre terrorismo, incluindo torturas e tratamento degradante a presos no Iraque, praticados por militares iraquianos, mas com o conhecimento e sem nenhuma objeção dos militares americanos. A denúncia causou profundo mal estar na comunidade militar norte-americana. E gerou reações policiais e de inteligência interna no Pentágono, com elaboração de lista de possíveis suspeitos de serem fontes do site WikiLeaks e riscos à liberdade de imprensa, segundo assinalou Assange.

    Mas, e afinal, qual a ameaça que valeu metade do título do artigo? Simples. Julian Assange, respondendo a uma pergunta sobre se “material sobre o Brasil poderá ser publicado em breve”, respondeu: “Sim. Não posso dizer de quem se trata. Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas. Mas não conseguimos ter tempo de publicar o material antes, diante de todo o caso do Iraque.” Bem, esta é a primeira ameaça. Persiste, de certo modo, mesmo passadas as eleições, ainda que não vá mais impedir êxitos eleitorais.

    2. A segunda ameaça. Os rumores, não confirmados, mas não desfeitos, de que uma parte importante do Democratas (DEM) está articulando uma fusão com o PMDB, uma parte que incluiria até o ex-presidente do PFL (atual DEM) e ex-senador Jorge Bornhausenm, presidente de honra do DEM. Ora, o eleitorado colocou o Democratas, assim como o PSDB e o PPS, na oposição ao governo Dilma Rousseff. Numa qualificação ideológica que considero superada, mas continua sendo usada correntemente, o PSDB e o PPS se declaram de centro-esquerda, um e de esquerda, o outro. O DEM é o único partido de centro-direita na oposição e no país. Deveria representar a faixa correspondente do eleitorado e da sociedade.

    Mas, caso faça a fusão com o PMDB, que ou é de centro ou não é nada, tal é a mistura que o constitui e tão ecléticos são seus interesses, o Democratas vai se descaracterizar absolutamente. A faixa da sociedade que teoricamente representa ficaria – aí está a ameaça – totalmente sem representação. Trata-se, ocorrendo, de infidelidade partidária. Não a infidelidade do político filiado ao seu partido, mas a infidelidade do partido ao seu eleitorado. O que retira deste eleitorado o instrumento de expressão de sua vontade política. Não é bom para o exercício da democracia.

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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

DEM não quer lua-de-mel

Quarta, 3 de outubro de 2010 
Por Ivan de Carvalho
    O noticiário diz que a intenção dos partidos de oposição é começar a cobrar da presidente eleita, Dilma Rousseff, as promessas que fez durante a campanha eleitoral, desde o primeiro dia de seu mandato, que começa em 1º de janeiro.
    O noticiário está um pouco exagerado ou desatento. A tese da cobrança incontinenti foi lançada ontem pelo presidente nacional do Democratas, deputado Rodrigo Maia. Para vingar, precisa obter o endosso do conjunto de seu próprio partido, além das demais legendas de oposição.
    Cabe assinalar que o PTB já não pode ser contado entre as legendas de oposição. Isto porque ingressou na coligação oposicionista graças a uma decisão pessoal do presidente nacional da legenda, ex-deputado Roberto Jefferson, que controla a máquina partidária, vale dizer, o diretório nacional e a convenção nacional do partido.
    Mas a partir de agora mais vale o poder das bancadas petebistas no Congresso e estas estão e sempre estiveram – inclusive durante a campanha eleitoral – com o governo Lula e a candidatura de Dilma Rousseff. O presidente petebista Roberto Jefferson não foi antes e muito menos irá agora para um enfrentamento com a bancada do seu partido no Congresso.
    Até porque, a certa altura da campanha eleitoral, ele se sentiu isolado e desconsiderado pela campanha de José Serra, reclamou que o PTB não estava sendo ouvido para nada e não tinha chance de opinar, acusou o candidato a presidente José Serra, do PSDB, de considerar “só eu, eu e eu” e, surpreendentemente, declarou pela Internet que daria seu voto a Marina Silva, do PV.
    Quanto ao PV, ficou na oposição no primeiro turno, mas para o segundo turno subiu no muro, assumindo uma neutralidade que chamou de “independência”. Há uma corrente no PV que apóia e quer continuar apoiando o governo e outra que se coloca na oposição. A ex-candidata verde a presidente da República, senadora Marina Silva, já avisou que pretende se candidatar à presidência em 2014, mas não esclareceu se vai ou não fazer oposição ao governo Dilma Rousseff.
    Assim, a oposição está formada, basicamente, pelo PSDB, o Democratas, o PPS e, pelo menos por enquanto, o PMN, que elegeu o governador do Amazonas, Omar Aziz. Duas coisas estão por saber nessa questão de quando começa a oposição.
    Uma delas, como já assinalado, é se o presidente do DEM, Rodrigo Maia, convencerá seu próprio partido a iniciar imediatamente a oposição, o que é bem possível. Se há uma lição que o DEM deve tirar dos recentes episódios eleitorais é a de que não deve ficar a reboque do PSDB, esperando por este para tomar suas decisões e fixar posições. A outra coisa é se os demais partidos que estão (ou ficarem) na oposição vão aceitar a tese de Rodrigo Maia.
    E até que a tese tem um bom fundamento – o de que não é necessário aquele chamado “período de lua-de-mel” de três meses que geralmente as oposições e a sociedade dão aos novos governos, antes de começarem a atacá-los. Isto por uma simples razão, argumenta Rodrigo Maia: não haverá um novo governo, mas praticamente em tudo, como aliás posto pela campanha de Dilma na campanha, uma continuação do governo que está aí há oito anos. Seriam apenas mais quatro anos do mesmo governo.
   Para que “lua-de-mel” se as promessas feitas são a continuação de coisas que, afirmaram o governo Lula e sua candidata, já estão em curso, a exemplo do PAC, do programa Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida? Esta é a pergunta do presidente nacional do DEM.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Chegam ao TRE-DF informações do Diretório Nacional do Democratas em processo de Geraldo Naves

Quinta, 2 de setembro de 2010
Do TRE-DF
02 de setembro de 2010 - 19h28                                       

O Diretório Nacional do Democratas (DEM) encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TREDF) informações requeridas pelo juiz eleitoral Josaphá Francisco dos Santos no Recurso Eleitoral contra Ação de Anulatória de expulsão ajuizada por Geraldo Naves contra sua exclusão dos quadros do partido.

No dia 27 de agosto, o juiz eleitoral Josaphá Francisco dos Santos determinou que a Comissão Executiva Nacional do Democratas e  a Regional apresentassem manifestação sobre a situação de Naves dentro do partido.

A determinação ocorreu nos autos do Recurso Eleitoral do Democratas contra o Deputado Distrital Geraldo Naves. O recurso questiona sentença do juiz da 1ª Zona Eleitoral (asa sul), que declarou nula a expulsão de Naves do Democratas.

No documento enviado, o Direitório Nacional explica que a filiação de Naves ocorreu dentro de um contexto que incluiu determinação judicial para a sua permanência.

“Ao analisar mérito da causa, o d. Juiz da 1ª Zona Eleitoral do Distrito Federal, Dr. Evandro Neiva de Amorim, julgou integralmente procedente os pedidos formulados por Geraldo Naves Filho na inicial da ação anulatória proposta em face da Comissão Executiva Nacional do DEMOCRATAS. Quando da prolação do r. decisum de primeiro grau, o d. Juízo sentenciante antecipou os efeitos da tutela a fim de garantir ao autor, ora recorrido, a fruição de todos os direitos garantidos no estatuto do DEM ao filiados do Partido. Nessa contextura, em cumprimento ao que determinado pela decisão retro, a Comissão Executiva Nacional prontamente restabeleceu a filiação do recorrido. Não sem antes interpor o presente recurso eleitoral, no qual pugna pela reforma do pronunciamento jurisdicional a quo, com a confirmação da deliberação partidária no sentido da expulsão do recorrido”.
Em cumprimento ao que determinado pela decisão retro,

Ontem (1º/9), o Diretório Regional do DEM encaminhou informação explicando que a expulsão do Deputado Distrital Geraldo Naves Filho, dos quadros do DEM/DF, foi toda manejada pela Comissão Executiva Nacional. Isso ocorreu em virtude de a Comissão Executiva do DEM/DF ter sido extinta por pedido de autodissolução concedida no início de março deste ano.

O documento ainda aponta que: “Nomeada nova Executiva Provisória do DEM/DF, esta não recebeu da direção nacional qualquer comunicado sobre a já citada expulsão, que foi do conhecimento de todos, somente, pela imprensa”.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Democratas envia informações para recurso contra Geraldo Naves

Quarta, 1 de setembro de 2010
Do TRE-DF
1° de setembro de 2010 - 17h36 - O diretório regional do Democratas enviou ao TREDF as informações solicitadas pelo relator do recurso eleitoral, Josaphá Francisco dos Santos, na qual o partido recorre de decisão que manteve filiado o candidato distrital Geraldo Naves.

Segundo o diretório regional do DEM, a expulsão do Deputado Distrital Geraldo Naves Filho, dos quadros do DEM/DF, foi toda manejada pela Comissão Executiva Nacional em virtude de que a Comissão Executiva do DEM/DF haver sido extinta por pedido de autodissolução concedida no início do mês de março do corrente ano.

O documento ainda aponta “Nomeada nova Executiva Provisória do DEM/DF, esta não recebeu da direção nacional qualquer comunicado sobre a já citada expulsão; que foi do conhecimento de todos, somente, pela imprensa”.


Histórico
 No dia 27/08, o juiz eleitoral Josaphá Francisco dos Santos determinou que a Comissão Executiva Nacional do Democratas apresentasse manifestação sobre a escolha em convenção e o registro da candidatura de Geraldo Naves, candidato do partido ao cargo de Deputado Distrital.

A determinação ocorreu no autos do Recurso Eleitoral do Democratas contra o Deputado Distrital Geraldo Naves. O recurso questiona sentença do juiz da 1ª Zona Eleitoral (asa sul), que declarou nula a expulsão de Naves do Democratas. Na decisão monocrática, o magistrado entendeu que não foram respeitados os princípios do devido processo legal, ampla defesa e contraditório e manteve Naves no partido.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O labirinto democrata

Quarta, 29 de 2010 
Por Ivan de Carvalho

    Até o começo da noite de ontem não havia uma solução para a crise aberta na aliança que sustenta a candidatura presidencial do tucano José Serra porque outro tucano, o senador Álvaro Dias, foi escolhido pelo PSDB para candidato a vice-presidente, função que caberia a um democrata. O DEM ficou tão irritado que para sua convenção, a realizar-se hoje, em Brasília, não encomendou banners com fotos de Serra.
Por causa do rompimento do acerto, que era público e notório, o DEM, ontem à noite, oscilava entre aceitar compensações do tipo “prêmios de consolação” e romper a aliança, declarando “neutralidade”, o que seria, evidentemente, rematada tolice para o DEM e, de quebra, beneficiaria a candidata do PT, Dilma Rousseff, com a redivisão do tempo de propaganda eleitoral gratuita na televisão e rádio e com o forte impacto psicológico negativo para a candidatura Serra.
Há também, entre os democratas, uma tendência, ainda não mensurada, que defende a tese de lançamento de candidatura própria à presidência da República, a esta altura uma óbvia aventura. Mas quem não tem cão cassa com gato. Ou para quem está perdido, todo mato é caminho. O PSDB fez tudo errado: um tratamento carinhoso levaria o DEM a concordar com a escolha de um vice tucano. A imposição brutal intentada humilhou o partido e deflagrou uma crise tão intensa que só a extrema dificuldade de encontrar uma alternativa viável pode levar os democratas a entrarem em acordo com o PSDB, mesmo mantido o tucano Álvaro Dias para vice.
O Democratas cometeu um erro básico e histórico. O partido, quando ainda atendia pela sigla de PFL, apoiou as duas eleições e os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. E foi prestigiado. Até aí, tudo bem. Mas, a partir da morte do deputado Luís Eduardo Magalhães, que chegou a ser informalmente anunciado como seu candidato a presidente nas eleições de 2002, acostumou-se o PFL, depois DEM, ao papel de principal coadjuvante do PSDB. Por isto foi apanhado agora com as calças nas mãos.
Ao perder Luís Eduardo, o PFL-DEM descartou seu projeto próprio de poder presidencial e ficou como uma espécie de anexo do PSDB, ainda que sabendo que, não todos, mas expressivos setores deste partido têm preconceito contra o Democratas e até se acham idealmente mais próximos do PMDB. Ou até do PT, como deixou claro (sem referência ao DEM, ressalve-se) o ex-governador tucano de Minas Gerais, Aécio Neves, em entrevista no domingo à jornalista Marília Gabriela. Vê, no futuro, PT e PSDB juntos, embora diga agora que “tem medo do PT sem Lula”, isto é, com Dilma Rousseff na presidência.
Esse medo de Aécio pode até ser fundamentado, mas o que dá medo mesmo é a profecia dele de uma aliança PT-PSDB no futuro. Com o Democratas sem um projeto para alternância de poder, essencial na democracia, e um monte de partidos que só olham “participações”, nunca o comando, o que é mesmo que estaria no outro prato da balança? Nada. Até dá para desconfiar que melhor fará o DEM agora se lançar, ainda que tresloucada, uma candidatura própria a presidente. Partida para um projeto de poder, como fez o PT, e, quem sabe, se houver muito desprendimento, Deus ajuda e faz um milagre...
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quarta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

"Mais uns 60 vão ser presos", diz Durval Barbosa

Sexta, 28 de maio de 2010

do jornal O Estado de São Paulo
Barbosa liga Rodrigo Maia a esquema de Arruda
Delator do 'mensalão do DEM' também diz que o deputado Filippelli, presidente do diretório do PMDB no DF, recebia R$ 1 milhão por mês

Rodrigo Rangel, Leandro Colon / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

O delator do "mensalão do DEM" do Distrito Federal, Durval Barbosa, afirmou ao Estado que o presidente nacional do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), era um dos beneficiários do esquema montado pelo governador cassado José Roberto Arruda.

"O acerto do Rodrigo era direto com o Arruda", disse Barbosa. Autor dos vídeos que levaram à queda de Arruda, de quem foi secretário de Relações Institucionais, Barbosa afirmou que a participação do presidente nacional do DEM é uma das vertentes da nova fase das investigações, com as quais colabora por meio de um acordo de delação premiada firmado com o Ministério Público Federal.

"O Ministério Público vai pegar", afirmou, referindo-se à suposta participação de Rodrigo Maia no desvio de dinheiro do governo do Distrito Federal. O ex-secretário também acusou o PMDB de receber pagamentos mensais do esquema de Arruda.

Barbosa conversou com o Estado na quarta-feira à noite, quando participava de uma festa para mais de 500 pessoas numa das casas de eventos mais badaladas de Brasília. Era a abertura de uma feira de noivas.

Fama

Acompanhado da mulher, Kelly, Durval circulou com desenvoltura entre os convidados. Depois de passar meses fora de Brasília sob proteção da Polícia Federal, o ex-secretário, agora com pose de celebridade, tenta voltar às rodas sociais da capital federal.

Camiseta Versace sob o blazer bem cortado e ostentando no pescoço um vistoso pingente de ouro com o nome da mulher, o ex-secretário de Arruda passou pouco mais de duas horas na festa, sempre sob o olhar atento de dois seguranças armados.

A fama adquirida após tornar-se homem-bomba do escândalo que defenestrou Arruda do governo tem feito com que muitos o evitem: no período em que permaneceu no evento, Barbosa conversou com menos de dez pessoas.

Na mesma festa, estava o presidente do DEM no Distrito Federal, senador Adelmir Santana. Razão para constrangimento? Para Barbosa, não. "O constrangimento é de quem roubou", disse.

A metralhadora do delator do mensalão candango segue ativa. Além de disparar contra o presidente nacional do DEM, Barbosa afirmou que dirigentes do PMDB se beneficiavam do esquema de corrupção montado no governo Arruda.

Cota mensal

O dinheiro, segundo ele, era entregue ao presidente do diretório do partido no DF, o deputado federal Tadeu Filippelli. "Filippelli recebia R$ 1 milhão por mês para o PMDB", afirmou Barbosa. "Inclusive tem um áudio sobre isso", emendou.

O ex-secretário se recusou a dar detalhes sobre os supostos pagamentos ao DEM e ao PMDB sob o argumento de que o acordo de delação premiada o impede de falar a respeito de assuntos sob investigação. Ele indicou, porém, que está contando o que sabe ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Indagado sobre o que tem acrescentado às investigações da Operação Caixa de Pandora, deflagrada pela PF em novembro passado, primeiro ele fez mistério. "Vem muito mais por aí", declarou. Depois, fez mais uma de suas profecias: "Mais uns 60 vão ser presos."

terça-feira, 30 de março de 2010

Vai precisar de muito antibiótico

Terça, 30 de março de 2010
O senador Adelmir Santana, depois de no início de 2007 assumir o Senado no lugar de Paulo Octávio, que foi eleito vice-governador de Arruda nas eleições de 2006 e que por isso renunciou ao mandato parlamentar, agora é também o presidente do Demo de Brasília.

Adelmir Santana foi indicado pela Executiva Nacional do partido. O lugar agora ocupado pelo senador foi deixado por Paulo Octávio, quando forçado a se desfiliar da legenda em razão dos escândalos que derrubou não só ele, Paulo Octávio, como Arruda, o governador.

Líder empresarial, dono de rede de farmácias em Brasília, Adelmir Santana diz que seu objetivo é reconstruir a legenda no DF, desgastada pelo chamado DEMsalão.

Vai precisar de muito antibiótico para curar as infecções deixadas no Demo-DF pelo mensalão do Arruda.

terça-feira, 16 de março de 2010

Complica a situação de Arruda no TRE

Terça, 16 de março de 2010
Desembargador relator do TRE no processo que pede a cassação do mandato de Arruda vota pela cassação. Arruda está sendo julgado nesse momento por infidelidade partidária, por ter se desfiliado do Demo sem justa causa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A barra pesa cada vez mais

Quinta, 11 de março de 2010
Geraldo Naves, o que é Barra Pesada para você?  Suplente de deputado que se encontra na Papuda, casa de detenção e penitenciária de Brasília, estrela de um programa de TV sobre crimes, que está para ser empossado como deputado em razão de renúncia de mensaleiro  arrudista, tomou outra lapada hoje. Ele está preso sob a acusação de tentar subornar uma testemunha da Operação Caixa de Pandora, o Sombra.
O deputado ACM Neto (Demo-Bahia), vice-presidente nacional do Dem, assinou a expulsão de Geraldo Naves do partido. Mesmo que ele venha a assumir o cargo de distrital, o que não é recomendável que o faça, ele não poderá concorrer nas eleições de outubro deste ano. Sem partido, poderá voltar ao Barra Pesada, agora com experiência própria. Quando ele perguntar para o ladrãozinho pé-de-chinelo o que é barra pesada, ele vai sentir na alma, pois já viveu o drama.Assumindo o cargo de deputado distrital ele terá o famigerado foro privilegiado, mas só até o final de 2010. Depois...