Quinta, 23 de março de 2017
Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por: Patricia Fachin | 23 Março 2017
Apesar de vozes à esquerda defenderem a necessidade de “enterrar” e fazer “o luto do PT” para que algo novo possa surgir no campo progressista, essa proposta foi praticamente soterrada depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, avalia Pablo Ortellado na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line. As razões disso, explica, se devem ao fato de a esquerda ter se aglomerado novamente em torno do PT por conta de dois motivos: “a polarização nas eleições de 2014” e “o impeachment da ex-presidente Dilma”.
Portanto, assinala, “o fenômeno novo” na conjuntura política é que “várias dessas correntes terminaram confluindo, novamente, para o PT”. Ele exemplifica: “Toda essa disputa crítica que aconteceu durante o governo Lula sobre a transposição do rio São Francisco foi completamente esquecida, e essa transposição, que pode e deve ser criticada sob inúmeros pontos de vista, foi absolutamente celebrada como uma grande conquista, um grande legado do governo do ex-presidente Lula”.
Para ele, o discurso de parte da esquerda em defesa das “empresas nacionais” e a crítica à Lava Jato e à Operação Carne Fraca fazem parte da “estratégia discursiva do Partido dos Trabalhadores, que está tentando desacreditar a Operação Lava Jato, apresentando-a como uma grande conspiração contra a indústria nacional, que tinha se projetado por meio das políticas desenvolvimentistas dos governos Lula e Dilma. Ao apresentar a Lava Jato junto com a recente operação da Polícia Federal [Carne Fraca] como uma iniciativa contrária à indústria nacional, eles tentam deslegitimar as denúncias de corrupção que vieram da Lava Jato e que atingem praticamente toda a cúpula do PT”. Mas salienta: “Como o resto da sociedade está fora da zona de influência da esquerda, e a vê como um agente corrompido, a esquerda fala de maneira desesperada e cada vez para menos pessoas, na medida em que ela só fala para seus próprios militantes”.
