Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 21 de maio de 2022

A desumanidade do capitalismo

Sábado, 21 de maio de 2022



A desumanidade do capitalismo

Do Resistir.info

Prabhat Patnaik [*]

Há mais de dois anos o mundo enfrenta uma pandemia que não se via desde há um século e que, segundo a OMS, já ceifou 15 milhões de vidas e não está próxima do fim. Trata-se de uma crise sem precedentes para toda a humanidade, a qual requer um esforço maciço por parte de todos os governos, especialmente daqueles do terceiro mundo onde os povos são particularmente vulneráveis não só devido à doença mas também à miséria que a acompanha.

É preciso expandir instalações hospitalares, manter um número adequado de camas hospitalares, criar instalações de testes, disponibilizar vacinas, montar instalações de vacinação e assim por diante. Além disso, os governos têm de proporcionar alívio à população através de transferências e socorrer pequenos produtores que podem afundar. Tudo isto exige um aumento das despesas por parte dos governos. Mas precisamente devido à pandemia, a produção sofre e com ela as receitas do governo às taxas tributárias existentes. A menos que elevem as taxas de impostos sobre a riqueza, têm de ampliar os seus défices orçamentais em proporção ao PIB. Em suma, têm de adotar políticas que vão diretamente contra os ditames do neoliberalismo, que violam todas as restrições impostas pela chamada "responsabilidade fiscal" e que abandonam toda a preocupação com a "austeridade" orçamental. Mas vejamos o que realmente aconteceu.

Precisamente devido ao abrandamento ou à estagnação da economia mundial, as exportações dos países do terceiro mundo sofrem. Sem dúvida, as suas importações também sofrem devido ao abrandamento das suas próprias taxas de crescimento do PIB. Mas mesmo assumindo que as exportações e importações são afetadas na mesma medida de modo a que o défice ou excedente comercial desça a par do PIB, permanece o facto de que os compromissos herdados da dívida externa têm de ser cumpridos e a sua magnitude em relação ao PIB deve aumentar. Estas dívidas precisam ser roladas (rolled over) e o seu serviço tem de ser devidamente diferido. Por outras palavras, mesmo se os fluxos comerciais em relação ao PIB permanecerem os mesmos para todos os países após a pandemia, tal como antes, enquanto o próprio PIB estagna, os stocks da dívida externa ascendem em relação ao PIB devido a esta estagnação. O fardo da dívida, portanto, torna-se maior e requer uma acomodação especial a ser oferecida aos países do terceiro mundo.

O caminho mais óbvio de o fazer é ter uma moratória da dívida durante um certo número de anos. Dentro do capitalismo mundial contemporâneo, a instituição que tem de ser encarregada de implementar tal moratória da dívida é o FMI, o qual também deveria estar a encorajar os países a abandonarem a "austeridade" e a gastarem na saúde e bem-estar do povo durante a crise. De facto, a actual diretora administrativa do FMI, Kristalina Georgieva, tem dito frequentemente a alguns países membros para abandonarem a "austeridade" nesta época de crise, pelo que se pode ter a impressão de que o FMI viu finalmente a magnitude da ameaça que a pandemia representa para a humanidade como um todo. Por exemplo, ela recentemente exortou a Europa a não "pôr em perigo a sua recuperação económica com a força sufocante da austeridade".

Mas a realidade, revela-se, tem sido bastante diferente. A Oxfam analisou recentemente 15 acordos de empréstimo assinados pelo FMI com países do terceiro mundo no segundo ano da pandemia, e 13 destes insistem explicitamente na "austeridade". Tais medidas de "austeridade" incluem impostos sobre alimentos e combustíveis e cortes nas despesas por parte dos governos que inevitavelmente afetam serviços básicos como educação e cuidados de saúde. No caso de seis países adicionais com os quais têm negociado, o FMI também está a insistir em que medidas semelhantes sejam por eles adotadas.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Pandemia e socialismo

Terça, 7 de abril de 2020
por Prabhat Patnaik [*]


Doentes da Gripe Espanhola, 1918.
















Diz-se que numa crise todos se tornam socialistas; os mercados livres passam a ocupar um lugar secundário, em benefício dos trabalhadores. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, quando o racionamento universal foi introduzido na Grã-Bretanha, o trabalhador médio tornou-se mais bem nutrido do que antes. Da mesma forma, as empresas privadas são mandatadas para produzir bens para o esforço de guerra, introduzindo assim um planeamento de facto.

Algo do género está a acontecer hoje sob o impacto da pandemia. Em país após país há uma socialização da saúde e da produção de alguns bens essenciais, a qual se afasta apreciavelmente da norma capitalista – e quanto mais grave é a crise, maior é o grau de socialização. Assim, a Espanha, o segundo país europeu mais atingido depois da Itália, nacionalizou todos os hospitais privados para enfrentar a crise: todos eles estão agora sob o controlo do governo. Até mesmo Donald Trump está a orientar empresas privadas para produzirem bens urgentemente necessários durante a pandemia. Endurecer o controle governamental sobre a produção não caracteriza apenas a China do presente; marca também a política dos EUA, para não mencionar vários países europeus.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Anatomia da intervenção imperialista

Terça, 26 de fevereiro de 2019

por Prabhat Patnaik [*]
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O que está a acontecer na Venezuela de hoje proporciona uma lição objectiva sobre a natureza da intervenção imperialista em países do terceiro mundo na era do neoliberalismo. O imperialismo ultimamente interveio de acordo com linhas semelhantes em outros países latino-americanos, nomeadamente no Brasil, mas a Venezuela, precisamente por causa da forte resistência que apresentou, mostra as técnicas do imperialismo num contraste mais agudo. 

Não há muito, a viragem à esquerda na América Latina – não apenas em Cuba, Bolívia e Venezuela mas também no Brasil, Argentina, Equador e vários outros países onde regimes de centro-esquerda chegaram ao poder e perseguiram políticas redistributivas em favor dos trabalhadores pobres – foram uma fonte de inspiração para forças progressistas de todo o mundo. Hoje, muitos destes regimes foram derrubados, não porque seus programas e políticas tivessem perdido apoio popular, mas através de maquinações vis nas quais os EUA desempenharam um papel importante. Foram golpes de estado de uma nova espécie, diferentes dos anteriores efectuados pelos EUA nos anos 50, 60 e 70; eles são específicos da era do neoliberalismo.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A globalização e os trabalhadores do mundo; Desagregação da União Europeia, crise e sanções

Segunda, 11 de julho de 2016
Do resistir.info

A globalização e os trabalhadores do mundo

por Prabhat Patnaik [*]
A globalização foi anunciada como sendo benéfica para todos, como se fosse um grande passo rumo à melhoria econômica universal. Isto era evidentemente errado e não foram apenas economistas de esquerda que o disseram, mesmo economistas "convencionais" ("mainstream") como Paulo Samuelson disseram isso desde o princípio. A razão para o dizerem era simples: se o regime econômico do mundo permitisse importações livres de bens chineses ou indianos para os EUA, então isto teria necessariamente de prejudicar os salários reais dos trabalhadores americanos, porque estes desfrutando salários muito mais altos estariam então a competir, em seu próprio prejuízo, contra os trabalhadores de baixos salários chineses ou indianos. Portanto o facto de que a globalização necessariamente prejudicaria os trabalhadores nos EUA e em outros países avançados era óbvia para eles, na verdade para todos, de onde também se seguia que ela possivelmente não podia beneficiar todos os segmentos do povo trabalhador do mundo. Mas, de acordo com este argumento, acreditava-se geralmente que a globalização beneficiaria os trabalhadores em países como a China e a Índia, que são países de baixos salários do terceiro mundo.


Apresentando este argumento de modo diferente, uma vez que o livre movimento de bens e capital através do mundo aumenta a competição entre trabalhadores dos diferentes países, haveria alguma tendência rumo a um apagamento das diferenças salariais entre estes países. E ainda que isto significasse algum aumento nos salários reais dos trabalhadores do terceiro mundo, significaria também uma redução nos salários reais dos trabalhadores metropolitanos.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

A teoria econômica dos 1%: Como desconstruir a teoria convencional

Segunda, 4 de julho de 2016
Dentre os absurdos reacionários inclui-se que discriminação de gênero e de raça é uma ilusão, que o desemprego é voluntário e que o setor público é ineficiente. 
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Do resistir.info

por John Weeks [*]

 

























Durante muitos anos perguntei-me porque tantas pessoas bem informadas manifestam ignorância de aspectos simples da nossa economia. Demorou décadas para perceber que a resposta a esta pergunta repousa em grande parte na resposta a uma segunda: por que estudantes da teoria econômica convencional (mainstream) não sabem quase nada acerca da economia real, mas consideram-se peritos embrionários neste campo?

As respostas a estas perguntas são semelhantes e simples. Elas motivaram o meu livro. Os economistas convencionais têm tido um êxito extraordinário em doutrinar pessoas levando-as a acreditar que os trabalhos da economia são demasiado complexos para qualquer pessoa entender, exceto peritos (isto é, os próprios economistas). A economia que eles afirmam revelar-nos não existe. Eles criaram-na, a alternativa reacionária ao mundo no qual as pessoas vivem e trabalham. Ensinar estudantes acerca desta economia imaginária impede-os, assim como o público, de entender a economia real.

sábado, 2 de julho de 2016

Brexit: Uma revolta contra a hegemonia da finança globalizada

Sábado, 2 de julho de 2016
Do resistir.info

por Prabhat Patnaik [*]
Cameron, cartoon de Fernão Campos. Quase todos os comentaristas que dissertaram acerca do voto do eleitorado britânico a favor do abandono da União Europeia, quer da direita quer da esquerda, deixaram de captar o ponto essencial do mesmo:   que se trata de uma revolta maciça contra a hegemonia da finança globalizada. Na verdade, o facto de não terem percebido este ponto é em si mesmo indicativo da omnipresença desta hegemonia entre os literati, dos quais o eleitorado britânico, de modo interessante, parece ter-se libertado substancialmente.

Sem dúvida, alguns, incluindo o presidente Barack Obama, foram suficientemente antecipativos para ver o Brexit como uma rejeição da globalização. Mas eles atribuíram-na a um medo ilegítimo da globalização, o qual precisa ser apaziguado, ao invés de uma cólera legítima contra ele, resultante daquilo que a hegemonia da finança globalizada fez à economia britânica. Eles em suma defendiam a globalização, a qual sustentam ser benéfica, enquanto ignoravam sua principal característica, nomeadamente a globalização do capital financeiro, cujas consequências perniciosas preferiram ignorar.

ATITUDE DA ESQUERDA EUROPEIA

Esta tendência de destacar os benefícios da globalização ("traz maior aproximação à espécie humana"), enquanto se minimizam as implicações da hegemonia do capital financeiro sobre este processo, caracteriza, infelizmente, a atitude de grande parte da própria esquerda europeia. Grande parte desta esquerda tem sido uma forte apoiante da União Europeia, como corporificação da transcendência de conflitos "nacionais" que infestaram a Europa na primeira metade do século XX, muito embora a própria UE tenha sido dominada pelo capital financeiro alemão. A referida esquerda procurou ultrapassar esta contradição óbvia com a esperança irreal, a qual não é senão uma mera suposição, de que dentro da UE a hegemonia do capital financeiro alemão pode ser neutralizada (negated) através de pressão democrática.

sábado, 21 de maio de 2016

Angola: Luaty Beirão está doente e rejeita tratamento médico

Sábado, 21 de maio de 2016
Do resistir.info

O jornal online Rede Angola noticiou que o porta-voz dos serviços Penitenciários de Angola, Meneses Camossa, confirmou que o ativista Luaty Beirão está doente e recusa medicação.
21 de Maio, 2016
Foto da página do Facebook em nome de Luaty Beirão.
 
"Segundo as análises feitas, está confirmado que o Luaty Beirão tem paludismo, mas ele se nega a fazer a medicação, permanecendo simplesmente com uma box [cuecas], embora nos períodos nocturnos tem estado a cobrir-se com um lençol", afirmou Menesses Cassoma ao Rede Angola, citado pelo jornal Público

Numa mensagem divulgada na página do Facebook em nome de Luaty Beirão é referido que o activista sofre de febre, calafrios e convulsões, continuando, desta forma, o seu protesto contra a transferência da prisão de Viana para São Paulo onde funciona o hospital-prisão, refere aquele jornal.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O capitalismo na sua fase autofágica. O ocidente está reduzido a canibalizar-se

Quarta, 24 de fevereiro de 2016
Do resistir.info
por Paul Craig Roberts [*]

Eu próprio, Michael Hudson, John Perkins e alguns outros, temos relatado os múltiplos saqueios de povos pelas instituições econômicas ocidentais, principalmente os grandes bancos de Nova Iorque com a ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Os países do terceiro mundo foram e são saqueados ao serem induzidos em certos planos de desenvolvimento. A governos crédulos e confiantes é-lhes dito que podem tornar os seus países ricos contraindo empréstimos externos para implementarem planos de desenvolvimento que as potências ocidentais apresentam e que teriam em resultado desse desenvolvimento económico suficientes receitas fiscais para pagamentos dos empréstimos externos.
Raramente, se alguma vez, isso acontece. O que acontece é que o país se torna endividado até ao limite, muito para além dos seus ganhos em moeda estrangeira. Quando o país é incapaz de satisfazer o serviço de dívida, os credores enviam o FMI ao governo endividado para dizer que o FMI poderá proteger o rating financeiro do governo emprestando-lhe dinheiro para pagar aos seus credores bancários. No entanto, as condições impostas são que o governo deverá tomar as necessárias medidas de austeridade a fim de poder pagar ao FMI.
Estas medidas consistem em restringir serviços públicos, o setor estatal, pensões de reforma e vender recursos nacionais aos estrangeiros. O dinheiro economizado pela redução de benefícios sociais e o obtido com a venda de ativos do país aos estrangeiros serve para pagar ao FMI.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Saiam das nossas costas!

Segunda, 15 de fevereiro de 2016
Do resistir.info
 
por João Vilela
A notícia caiu como uma bomba por estes dias: o gigante financeiro alemão Deutsche Bank corre o risco de colapsar. É um choque de frente para toda a direita neoliberal e para todas os seus sonhos e expectativas, um mundo que se arruína e naufraga, deixando um cortejo de suplicantes gemendo e chorando a sua perda. Um banco, para mais privado, para mais alemão, para mais empreendedor, para mais proativo, e dinâmico, e acostumado a bater punho, esfarelar-se assim, sem mais nem menos. Teria maus gestores? Mas se todos sabemos que só o Estado, porque não tem a noção de estar a gerir o que é seu, é mau gestor! Teria havido incompetência dos supervisores? Mas se sabemos que só os supervisores portugueses são incompetentes! Há-de ter sido culpa dos trabalhadores alemães, esses calaceiros [indivíduo que não trabalha ou não gosta de trabalhar]; preguiçoso, que vivem acima das possibilidades e depois não pagam os empréstimos que pediram. Mas acaso não nos disseram que os calaceiros éramos nós, os trabalhadores portugueses? E que por nossa culpa o Estado devia dinheiro que pediu emprestado para construir escolas, e os bancos deviam ao estrangeiro para comprarmos férias em Cancun, e que lá fora, onde os protestantes eram comedidos e regrados (sim, eu ouvi o Viriato Soromenho Marques sair-se com esta), não havia situações assim?

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Porquê o Socialismo?

Sábado, 13 de fevereiro de 2016
“A anarquia econômica da sociedade capitalista como existe atualmente é, na minha opinião, a verdadeira origem do mal.”
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Do resistir.info
por Albert Einstein
Será aconselhável para quem não é especialista emAlbert Einstein assuntos econômicos e sociais exprimir opiniões sobre a questão do socialismo? Eu penso que sim, por uma série de razões.
Consideremos antes de mais a questão sob o ponto de vista do conhecimento científico. Poderá parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de forma a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia torna-se difícil pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por muitos fatores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência acumulada desde o início do chamado período civilizado da história humana tem sido – como é bem conhecido – largamente influenciada e limitada por causas que não são, de forma alguma, exclusivamente econômicas por natureza. Por exemplo, a maior parte dos principais estados da história ficou a dever a sua existência à conquista. Os povos conquistadores estabeleceram-se, legal e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Monopolizaram as terras e nomearam um clero de entre as suas próprias fileiras. Os sacerdotes, que controlavam a educação, tornaram a divisão de classes da sociedade numa instituição permanente e criaram um sistema de valores segundo o qual as pessoas se têm guiado desde então, até grande medida de forma inconsciente, no seu comportamento social.
Mas a tradição histórica é, por assim dizer, coisa do passado; em lado nenhum ultrapassámos de fato o que Thorstein Veblen chamou de “fase predatória” do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase e mesmo as leis que podemos deduzir a partir deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o verdadeiro objetivo do socialismo é precisamente ultrapassar e ir além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica no seu atual estado não consegue dar grandes esclarecimentos sobre a sociedade socialista do futuro.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Galeria de bandidos do FMI: vigaristas, violadores e trapaceiros

Quarta, 27 de janeiro de 2016
Do resistir.info
por James Petras 
Christine Lagarde a dançar em África.



















O FMI é a principal organização monetária internacional cujo objetivo público é manter a estabilidade do sistema financeiro global através de empréstimos relacionados com propostas a promover a recuperação econômica e o crescimento.

Na realidade, o FMI tem estado sob o controle dos EUA e dos estados da Europa Ocidental e as suas políticas têm sido concebidas para aumentar a expansão, o domínio e os lucros das suas principais empresas multinacionais e instituições financeiras.

sábado, 2 de janeiro de 2016

No centenário da Teoria da Relatividade Geral, Breve perfil científico e político de Einstein

Sábado, 2 de janeiro de 2015
 

por Jorge Rezende [*]  

De Albert Einstein (1879, Ulm, Alemanha – 1955, Princeton, EUA) aquilo que todos sabem é que formulou a teoria da relatividade, que foi um dos maiores cientistas de sempre e pouco mais. Mas Einstein publicou mais de 300 artigos científicos e de 150 artigos sobre outras matérias. Relembremos apenas alguns dos seus resultados mais importantes.

Produção científica

Em 1905, o seu ano "annus mirabilis", publicou quatro artigos fundamentais sobre o efeito fotoelétrico (sugere que a energia é apenas trocada em pequenas quantidades, "quanta", o que levou ao desenvolvimento da mecânica quântica), o movimento browniano (explicava o resultado experimental da teoria atômica), a relatividade especial (baseado no conhecimento experimental de que a velocidade da luz é finita) e a equivalência entre a massa e a energia (E = mc², que esteve na base da energia nuclear) que o tornariam famoso.

Entre 1907 e 1915, desenvolveu a relatividade geral segundo a qual a atração gravitacional entre massas resulta da deformação do espaço e do tempo provocada por essas massas, o que se revelou muito importante no desenvolvimento da astrofísica. Em 1919, na ilha do Príncipe, Arthur Eddington, por ocasião de um eclipse solar, verificou experimentalmente a curvatura da luz em volta do sol, confirmando assim a previsão de Einstein.

domingo, 27 de dezembro de 2015

A defesa do capitalismo liberal

Sábado, 26 de dezembro de 2015
Do resistir.info

por Prabhat Patnaik [*] 
'Morte do capitalista', Diego Rivera, 1928. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A defesa liberal do capitalismo assume duas formas distintas na teoria econômica. Uma declara que o sistema capitalista opera de maneira a assegurar o pleno emprego de todos os recursos e produz um conjunto de bens com "eficiência", a qual é definida como um estado onde nada mais de qualquer bem dentro deste conjunto pode ser produzido sem produzir menos de algum outro bem. Esta afirmação do pleno emprego é tão palpavelmente falsa – como mostra toda a história do capitalismo, marcada pela sistemática coexistência de trabalho desempregado e equipamento ocioso – que aqueles economistas liberais algo mais honestos recorrem a uma segunda linha de argumentação.


Esta segunda linha, se bem que admitindo que o capitalismo realmente não opera da maneira descrita na primeira e que, ao contrário caracteriza-se sistematicamente pela coexistência de trabalhadores desempregados e equipamento ocioso, afirma, entretanto, que a sua operação pode ser retificada através da intervenção do Estado a fim de fazer desaparecer esta deficiência. Ela encara o Estado como uma entidade externa, a posicionar-se do lado de fora do sistema e a intervir na sua operação "espontânea" a fim de libertá-lo dos seus efeitos danosos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

O Brasil e a política do neoliberalismo. Presidente Rousseff declara guerra à classe trabalhadora

Domingo, 21 de dezembro de 2014
Do site resistir.info
por James Petras 
Sociólogo e analista político norte-americano. 
Joaquim Levy. A classe trabalhadora brasileira está a enfrentar o mais selvagem assalto aos seus padrões de vida em mais de uma década. E não são apenas os trabalhadores industriais que estão sob ataque. Os trabalhadores rurais sem terra, os empregados assalariados do sector público e privado, professores, profissionais da saúde, desempregados e pobres estão a enfrentar cortes maciços no rendimento, nos empregos e nos pagamentos de pensões.

Quaisquer que tenham sido os ganhos obtidos entre 2003-2013, serão revertidos. Os trabalhadores brasileiros enfrentam uma "década de infâmia". O regime Rousseff abraçou a política do "capitalismo selvagem" tal como personificado na nomeação de dois dos mais extremos advogados de políticas neoliberais.

O "Partido dos Trabalhadores" e a ascendência do capital financeiro

No princípio de Dezembro de 2014, a presidente Rousseff nomeou Joaquim Levy como o novo ministro das Finanças – de facto o novo czar económico para dirigir a economia brasileira. Levy é um importante membro da oligarquia financeira brasileira. Entre 2010-2014 foi presidente do Bradesco Asset Management, um braço de gestão de activos do gigantesco conglomerado Bradesco que administra mais de 130 mil milhões de dólares. Desde os seus tempos de doutoramento na Universidade de Chicago, Levy é um leal seguidor do supremo neoliberal, o professor Milton Friedman, antigo conselheiro económico do ditador militar chileno Augusto Pinochet. Como antigo responsável de topo no Fundo Monetário Internacional (1992-1999), Levy foi um forte advogado de duros programas de austeridade os quais uma década depois empobreceram o Sul da Europa e a Irlanda. Durante a presidência de Henrique Cardoso, Levy actuou como estratega económico de topo, envolvido directamente na maciça privatização de empresas públicas lucrativas – a preços de saldo – e na liberalização do sistema financeiro, a qual facilitou a saída financeira ilícita de US$15 mil milhões por ano. A presença de Levy como membro eminente da oligarquia financeira do Brasil e seus profundos e antigos laços a instituições financeiras internacionais é precisamente a razão porque a presidente Rousseff o colocou como responsável da economia brasileira. A nomeação de Levy é parte integral da adopção por Rousseff de uma nova estratégia de aumentar amplamente os lucros do capital financeiro estrangeiro e interno, na esperança de atrair investimentos em grande escala e findar a estagnação económica.

Para a presidente Rousseff e seu mentor, o ex-presidente Lula da Silva, toda a economia deve ser direccionada para obter a "confiança" da classe capitalista.

domingo, 14 de dezembro de 2014

A guerra pelos media e o triunfo da propaganda

Domingo, 14 de dezembro de 2014
Fonte: resistir.inf
por John Pilger [*]
Por que tão grande parte do jornalismo sucumbiu à propaganda? Por que a censura e a distorção são a prática padrão? Por que a BBC é tão frequentemente uma porta-voz do poder rapinante? Por que o New York Times e o Washington Post enganam os seus leitores?

Por que não ensinam os jornalistas jovens a entender as agendas dos media e a desafiar as afirmações altissonantes e os baixos objectivos da falsa objectividade? E por que não lhes ensinam que a essência de grande parte do que se publica nos media de referência não tem a ver com informação e sim com poder?

Estas são questões urgentes.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Sobre partidos, classes e ordem do capital

Sexta, 5 de setembro de 2014
 Assim, recriou-se uma esquerda domesticada, capaz de usar os termos das lutas populares, mas para assegurar às classes dominantes que tudo seguirá como antes. Têm maior compromisso com melhorias palpáveis para setores populares, pois neles encontram seu fôlego eleitoral e, por essa mesma razão, precisam demarcar-se dos partidos anteriores. Porém aceitam as pautas fundamentais dos "formuladores", solicitando apenas adaptações de escala e ritmo.
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Do resistir.info

Sobre partidos, classes e ordem do capital


por Virgínia Fontes
   Professora de História da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Escola Politécnica Joaquim Venâncio-Fiocruz  

 
Nenhum eleitor brasileiro sabe exatamente no que está votando, nessa mistura do pragmatismo dos grandes partidos com o oportunismo dos partidos caroneiros, que não representam nada a não ser sua própria gula por um naco de poder. Uma salada decididamente indigesta.
A salada . Veríssimo.

Estamos enfrentando mais um complexo processo eleitoral. Apesar de existirem opções de programas, de partidos e, neles, de candidatos de excelente qualidade para diversos níveis do pleito, o conjunto do processo eleitoral se apresenta opaco, sem brilho e incapaz de suscitar entusiasmo.

Vejamos duas razões para isso, que precisam ser relembradas, pois não nasceram agora, perduram e se generalizam, mesclando-se e aprofundando essa opacidade. A primeira razão é a desqualificação do processo eleitoral, resultado do predomínio da pequena política (a política politiqueira, a que se limita a gerenciar a ordem dominante). A segunda razão resulta da primeira, e configura nosso quadro partidário e político, cujas linhagens serão posteriormente analisadas.

A desqualificação atual do processo eleitoral e, por extensão, da própria política, decorre de quatro motivos principais:

   1) a captura quase imediata, após a Constituição de 1988, do processo eleitoral pelo poder econômico imediatista. Quem não lembra do ricaço herdeiro Collor tentando se passar por defensor dos descamisados? A grande e moderna burguesia brasileira – inclusive a paulista – ameaçava ser ultrapassada pelo voto popular no processo eleitoral e mais uma vez aceitou acordos com os setores sociais mais retrógrados, apoiando-os para "falsificar a ira" popular, na feliz expressão de Francisco de Oliveira. A população reagiu, o fora Collor ocorreu apesar da resistência da grande imprensa, mas todos sabem como o episódio contribuiu para inflacionar o custo das campanhas eleitorais e estimular acordos e compromissos espúrios. Com poderosos apoios, esse tipo de fenômeno não desapareceu, tendo apenas sido varrido para debaixo do tapete. Esse é o terreno dos partidos efêmeros porém com recursos, numa miríade de ofertas de serviços eleitoreiros, condensando posições profundamente conservadoras.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Na Índia, um espectro assombra todos nós

Domingo, 19 de janeiro de 2014
Do site resistir.info

Bombaim.

por John Pilger
Nos hotéis de cinco estrelas frente ao mar de Bombaim (Mumbai), os filhos dos ricos gritam alegremente quando brincam de esconde-esconde. Nas proximidades, no National Theatre for the Performing Arts, chegam pessoas para o Festival Literário de Bombaim: autores famosos e notáveis provenientes da classe Raj [1] da Índia. Eles saltam habilmente sobre uma mulher que estava atravessada no pavimento, com suas vassouras artesanais expostas para venda, com as silhuetas dos seus dois filhos sob uma figueira que é o seu lar.

É o Dia da Criança na Índia. Na página nove do Times of India, um estudo informa que todo segundo filho é mal nutrido. Aproximadamente dois milhões de crianças com menos de cinco anos morrem todos os anos de doenças evitáveis tão comuns como a diarreia. Daqueles que sobrevivem, metade são atrofiados devido à falta de nutrientes. A taxa de abandono da escola nacional é de 40 por cento. Estatísticas como esta fluem como um rio em inundação permanente. Nenhum outro país se aproxima delas. As pequenas pernas finas a balouçar numa figueira são uma evidência pungente.

O gigante outrora conhecido como Bombaim é o centro da maior parte do comércio exterior indiano, dos negócios das finanças globais e da riqueza pessoal. Mas as pessoas são obrigadas a defecar na maré baixa do Rio Mithi, em canais ao longo da estrada. Metade da população da cidade não tem saneamento e vive em favelas sem serviços básicos. Este número duplicou desde a década de 1990 quando a "Índia brilhante" ("Shining India") foi inventada por uma firma americana de publicidade para propagandear o partido nacionalista hindu BJP. Pretendia estar "a libertar" a economia da Índia e o seu "estilo de vida".

sábado, 28 de dezembro de 2013

A mentira pela omissão e o papel da desinformação

Sábado, 28 de dezembro de 2013


por Jorge Figueiredo


Goya, 'Cabeça de um homem'. Nada do que é importante no mundo é hoje reflectido pela comunicação dita "social", os media empresariais que arrogantemente se auto-intitulam como padrão de "referência".

Para quem pretende uma transformação do mundo num sentido progressista isto é um problema, e problema grave. Significa um brutal atraso na tomada de consciência dos povos, cuja atenção é desviada para balelas, entretenimentos idiotas, falsos problemas e outros diversionismos.

Omissão não é a mesma coisa que desinformação. Vejamos exemplos de uma e outra, a começar pela primeira.

A mais actual é a ameaça da instalação de mísseis Iskander junto às fronteiras ocidentais da Europa. Isso é praticamente ignorado pelos media ocidentais, assim como é ignorada a razão porque eles estão a ser agora instalados: o cerco da Rússia pela NATO, que instalou novos sistemas de mísseis numa série de países junto às suas fronteiras. É indispensável reiterar que tanto os da NATO como o da Rússia são dotados de ogivas nucleares.