Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador taxa selic. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador taxa selic. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 31 de março de 2025

Demanda aquecida? Só para Porsche, iate e jatinho!

Segunda, 31 de março de 2025

Essa política monetária suicida que vem sendo praticada pelo Banco Central tem se baseado em “expectativas do mercado financeiro”

Da Auditoria Cidadã da Dívida

Na última reunião do Copom, os diretores do Banco Central decidiram manter a taxa Selic em absurdos 14,25% ao ano! Essa decisão, que gera um impacto direto na dívida pública e na economia do país, está baseada em expectativas do mercado financeiro e não na realidade da inflação brasileira.

Os preços dos alimentos e serviços essenciais (combustíveis, energia, saúde) sobem por erros de políticas públicas, não por excesso de demanda. No entanto, o Banco Central insiste em aplicar um “remédio” que só favorece os grandes bancos e investidores, enquanto a população trabalhadora sofre com salários baixos, endividamento crescente e cortes em direitos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

A falácia do "equilíbrio fiscal"

Quarta, 13 de novembro de 2024
Paulo Kliass

A falácia do "equilíbrio fiscal"

As pressões exercidas pelas forças vinculadas ao sistema financeiro sobre o conjunto da sociedade são gigantescas

AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobás
Publicado em 13/11/2024

As pressões exercidas pelas forças vinculadas ao sistema financeiro sobre o conjunto da sociedade são gigantescas. Trata-se de um movimento já bastante conhecido por nós e que opera de forma bastante articulada entre os representantes diretos da banca privada, os grandes meios de comunicação e uma parcela nada confiável da alta tecnocracia da administração federal. Essa forma deveras peculiar de articulação das relações incestuosas entre o capital privado e o setor púbico ganha ainda maior relevância quando se trata de definir questões estratégicas e de longo prazo para o País. Na administração do rame-rame da política econômica, seja no seu dia-a-dia ou no semana-a-semana, os mecanismos de influenciar decisões no âmbito do aparelho de Estado são recorrentes.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Não há teto para engordar os rentistas

Terça, 29 de novembro de 2022


Despesa com juros da dívida cresce sem controle — e pode chegar a 600 bi neste ano. Mas garrote fiscal das elites estrangula apenas a seguridade social, estratagema para mais privatizações. Cinismo esconde a verdadeira “farra do orçamento”

OUTRASPALAVRAS
Publicado 29/11/2022

Uma vez confirmados os resultados do processo das eleições de outubro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as especulações e pressões exercidas pelos representantes do sistema financeiro voltaram-se imediatamente para a formação do novo governo. Apesar do silêncio criminoso do Bolsonaro e de sua recusa em assumir publicamente a derrota nas urnas, ampliam-se a cada dia as dificuldades políticas para que ele consiga promover algum tipo de golpe, com a ajuda do comando das Forças Armadas, para impedir a posse de Lula em 1º de janeiro próximo.

A impunidade oferecida pelo atual governo às manifestações golpistas e terroristas que se espalham pelo país afora é preocupante, pois o Brasil corre o risco de permanecer acéfalo durante este final de novembro e todo o mês de dezembro. Na verdade, o núcleo duro do bolsonarismo busca de inúmeras maneiras criar obstáculos de toda ordem para inviabilizar a transição entre governos de maneira civilizada e republicana. Como já é de amplo conhecimento, a orientação de tal estratégia política vem de fora. Steve Bannon e seus comparsas pretendem transplantar para a realidade brasileira o fiasco da tentativa de ocupação do Capitólio, quando a intenção era impedir a posse de Biden como presidente dos Estados Unidos, após sua vitória contra Donald Trump.

No entanto, ao que tudo indica, as preocupações do povo do financismo de nossas terras passam longe desse risco de ruptura institucional ou do agravamento escandaloso do quadro de miséria social e econômica envolvendo a grande maioria de nossa população. Sua influência junto aos grandes meios de comunicação se faz presente por meio de editoriais, artigos encomendados de “especialistas” e matérias exigindo que Lula apresente imediatamente o nome de seu “comandante da economia”. A pressão é pela nomeação de alguém com perfil próximo a seus interesses, de preferência um banqueiro como Henrique Meirelles ou Pérsio Arida.

Financismo pressiona por austeridade irresponsável

Para além do nome do ocupante do cargo, tenta-se criar novamente o conhecido clima de antevéspera do apocalipse, caso suas propostas de natureza conservadora não sejam incorporadas pelo novo governo. Nesse caso, o foco principal é a continuidade da austeridade fiscal a todo custo. Os escribas buscam bombardear qualquer iniciativa que vise flexibilizar as regras draconianas do teto de gastos orçamentários, seja por meio da revogação pura e simples da EC 95, seja através da chamada PEC da Transição ou ainda pela adoção do caminho da simples edição de créditos extraordinários. De qualquer forma, a intenção de Lula é viabilizar nos orçamentos de seu terceiro mandato a existência de recursos para cumprir com o programa para o qual foi eleito. Simples assim.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Reunião de lobos: Copom inicia hoje reunião para definir taxa básica de juros

Terça, 19 de julho de 2016
Clique no link a seguir e entenda como é 'calculada' a Selic. Como os lobos se locupletam com o sangue do brasileiro.
 


"É simples. 


No caso da dívida pública, é o Banco Central que convoca e realiza as reuniões com investidores que irão influenciar a decisão sobre a taxa Selic – taxa básica de juros – pelo COPOM [2]. Para essas reuniões convida, quase que exclusivamente, representantes do próprio mercado financeiro que detém a imensa maioria dos títulos da dívida. O que acham que os interessados em continuar recebendo as elevadas remunerações dos juros irão recomendar? É evidente o conflito de interesses. A recomendação desses especialistas é adotada pelo COPOM, sem qualquer crivo ou sequer debate por parte do Congresso Nacional. A taxa passa a vigorar como “lei” e ponto final. Das eleições realizadas em outubro do ano passado até agora, a Selic já subiu 16% e está em 12,75% a.a. Já está convocada nova reunião do COPOM para o dia 29/04/2015, que poderá aumentar ainda mais essa taxa, como já vem sendo anunciado pela grande mídia."


"Também é o Banco Central que realiza os leilões para a venda dos títulos da dívida interna emitidos pelo Tesouro Nacional. Na prática, os títulos têm sido vendidos a taxas bem superiores à Selic, pois as poucas instituições financeiras que detêm o privilégio de participar desses leilões – os chamados dealers – só compram os títulos quando as taxas alcançam o patamar que desejam. Generosamente, o Banco Central atende a desejo dos bancos e lhes oferece elevadas taxas de juros."

==========

O texto abaixo é de Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil


Banco Central sedia hoje e amanhã reunião do Comitê de Política Monetária para definir taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano      EBC
A primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) sob o comando do novo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, tem início na tarde desta terça-feira (19), em Brasília. A segunda parte da reunião será realizada amanhã (20), quando será divulgada a decisão do colegiado sobre a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.

Esta será também a primeira reunião com a participação de quatro novos diretores: Carlos Viana de Carvalho (Política Econômica), Tiago Couto Berriel (Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos), Reinaldo Le Grazie (Política Monetária) e Isaac Sidney Menezes Ferreira (Relacionamento Institucional e Cidadania).

sexta-feira, 1 de julho de 2016

A quem serve o Banco Central?

Sexta, 1º de julho de 2016
Da Revista Carta Maior

Nossas instituições privadas têm a impressionante capacidade de comandar as decisões dos órgãos públicos em suas decisões estratégicas. 

Paulo Kliass*


Na segunda-feira, dia 27 de junho, o Banco Central divulgou a sua tradicional Nota à Imprensa versando sobre “Política Monetária e Operações de Crédito do Sistema Financeiro”. Uma vez por mês a instituição, que é oficialmente encarregada pela implementação da política monetária e pela regulação do sistema financeiro, vem a público oferecer as informações oficiais a respeito do comportamento desse importante setor de nossa economia.

Há todo um cerimonial envolvido nas diferentes ocasiões em que o órgão subordinado ao Ministério da Fazenda pretende anunciar algum tipo de decisão ou comunicado. Isso vale especialmente para as reuniões do Conselho de Política Monetária (COPOM), quando a diretoria do BC decide a respeito do patamar da taxa oficial de juros, a SELIC. O mesmo ocorre quando da divulgação da famosa Ata da Reunião desse mesmo encontro do COPOM, em que se pretende indicar tendências futuras quanto à política monetária e no que se refere ao comportamento esperado da taxa.

Além disso, o BC tem por atribuição institucional o acompanhamento da evolução da situação das contas públicas do Brasil de uma forma ampla, mais abrangente do que faz o Tesouro Nacional. E assim também é sempre aguardada todo mês a sua Nota sobre Política Fiscal. O mesmo ocorre com a sistemática de monitoramento das contas que o País mantém com o resto do mundo, envolvendo o Balanço de Pagamentos, as Reservas Internacionais e o endividamento em moeda estrangeira. Assim, os interessados esperam pela Nota sobre Setor Externo.

BC: distante no discurso e na prática.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A mãe dos bancos. Raposas tomando conta do galinheiro: Copom mantém juros em 14,25% ao ano pela sexta vez seguida

Quarta, 27 de abril de 2016
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Pela sexta vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve por unanimidade hoje (27) a taxa Selic em 14,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas, que preveem que a taxa permanecerá inalterada até o fim do ano.

[Clique na imagem para ampliá-la]

Em comunicado, o Copom informou que o nível atual de inflação não permite ao Banco Central começar a reduzir os juros básicos agora. "O comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado de inflação em 12 meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para a flexibilização da política monetária", informou o texto.

Os juros básicos estão nesse nível desde o fim de julho do ano passado. Com a decisão do Copom, a taxa se mantém no mesmo percentual de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento do banco para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 9,39% nos 12 meses encerrados em março, depois de atingir o recorde de 10,71% nos 12 meses terminados em janeiro.

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerre 2016 entre 6,6% e 6,9%. O mercado está mais pessimista. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, o IPCA fechará o ano em 6,98%.

Há sete semanas seguidas, o mercado reduz a estimativa de inflação. Além do fim do impacto da elevação de preços administrados (como energia e combustíveis), a queda do dólar tem contribuído para a diminuição dos índices de preços. Nos próximos meses, a expectativa é que a inflação desacelere ainda mais por causa do agravamento da crise econômica.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos intensificam a queda na produção e no consumo. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam contração de 3,88% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No Relatório de Inflação, o BC prevê retração de 3,5%.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

 [Clique sobre a imagem para melhor observar]


terça-feira, 26 de abril de 2016

A ineficiente política de juros do Banco Central

Terça, 26 de abril de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Começa nesta terça-feira (26) a reunião do Banco Central para discutir a taxa básica de juros aplicada no Brasil, a Selic. Atualmente em 14,25%, essa taxa é uma das mais elevadas do mundo e a expectativa é que seja mantida no mesmo nível, conforme as últimas cinco reuniões.

O Brasil é o país que mais gasta com juros, tanto os juros incidentes sobre os títulos da chamada “dívida pública”, como os juros pagos pela sociedade em geral nas operações de crédito (empréstimos, cheque especial, cartão de crédito, etc.).

terça-feira, 8 de março de 2016

O golpe permanente

Terça, 8 de março de 2016
Por Adriano Benayon
Doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Alemanha; autor de Globalização versus Desenvolvimento.
Adriano BenayonTenho assinalado que os processos de desnacionalização da economia, de desindustrialização e de desestruturação do Brasil  foram desencadeados desde o golpe de Estado de agosto de 1954.
2. A corrupção na política e em instituições públicas e privadas, que viabilizou esse golpe, tornou-se uma constante ao longo de nossa história, desde então, ficando o País destituído de verdadeira autonomia.
3. Refiro-me à corrupção proveniente de fontes estrangeiras, no interesse do sistema financeiro e dos carteis transnacionais, mais que à gerada internamente, da qual se faz grande alarde, como instrumento de mais intervenções contrárias aos interesses nacionais.
4. Em todas as intervenções políticas sofridas pelo País, desde 1954, tem estado subjacente, a ameaça de intervenção armada estrangeira, muitas vezes velada, salvo no próprio golpe de 1954 e no de março de 1964.
5. Ela faz parte do leque de instrumentos intervencionistas, em que tem sobressaído, cada vez mais, a corrupção sistêmica, por parte de fontes estrangeiras, valendo-se, pois, da Quinta Coluna, ampliada e desenvolvida dentro do País ao longo dos últimos 62 anos.
6. A desnacionalização da economia, a desindustrialização e a desestruturação - resultantes do modelo econômico implantado  - produziram, entre outros efeitos perversos, minar as finanças do País, formando dívidas públicas imensas.
7. A seguir, transformaram essas dívidas em fonte adicional de empobrecimento, mediante a decretação de juros, correção monetária e outras taxas exorbitantes, cuja capitalização as fez crescer exponencialmente.
8. De fato,  a dívida pública interna teve seu saldo multiplicado mais de 25 vezes, somente após a edição do Plano Real (1994), cujos mentores fraudulentamente o proclamaram como estabilizador da economia e da moeda, e eliminador da correção monetária.
9. A dimensão dessa mentira criminosa pode ser avaliada, compulsando a taxa SELIC acumulada no ano seguinte ao Plano Real (1995): 53% aa. Em 1994, já ultrapassara 12%.
10. Isso ilustra a cumulatividade do processo do processo de subdesenvolvimento, já que o enfraquecimento financeiro decorrente do serviço da dívida pública se soma ao proveniente das demais mazelas geradas pelo modelo econômico: déficits externos colossais advindos da desnacionalização da economia, superfaturamento escandaloso dos bens vendidos no Brasil pelas empresas e carteis transnacionais, inclusive os das ex-estatais privatizadas, infraestrutura inadequada e geradora de custos altos.
11. Tem feito parte dessa cascata de consequências deletérias do modelo implantado desde 1954, debilitar as Forças Armadas, abaixar a qualidade cultural, o grau de identificação das pessoas com a Nação, o nível da educação em todos os graus, e causar o êxodo, por falta de oportunidades de trabalho, de residentes qualificados.
12. Tudo isso concorre para explicar por que, em todos  os governos, tenham, no cômputo geral, prevalecido os interesses dos que saqueiam a economia do Brasil sobre os dos residentes.
13. Explica também por que as potências imperiais, que lideram esse saqueio, não precisaram recorrer a ameaças de intervenção armada explícita nas diversas sucessões presidenciais ocorridas desde 1967.
14. Há que ter presente que essas potências não costumam abster-se de tal tipo de intervenção, quando o julgam necessário, mesmo fora do Continente Americano, incluídas as ilhas e o Mar do Caribe, considerado um lago norte-americano, do ponto de vista real.
15. Atualmente, desde a participação da aviação e de mísseis da Rússia para deter a devastação da Síria (repetindo as do Iraque e Líbia, para citar só as mais recentes), o quadro do poder mundial pode estar tendo modificação após a situação de 1990 em diante, quando o império anglo-americano se viu de mãos livres para invadir direta ou indiretamente qualquer nação cuja liderança estivesse deixando de cumprir integralmente os ditames imperiais.
16. Notável é que, não só na grande mídia brasileira - que pratica, sem cerimônia, toda desinformação possível a serviço do império, inclusive distorções semânticas das palavras – também o grosso da mídia dos países ocidentais e Japão, entre outros, apoia sistematicamente a deformação das consciências, ocultando-lhes a realidade dos fatos e inculcando-lhes preconceitos e ideologias facilitadores da aceitação do governo mundial.
17. Exemplo impressionante disso é a cobertura da intervenção militar por meio de mercenários e terroristas, patrocinada pelos EUA e seus satélites da OTAN e regionais, por parte do jornal francês Le Monde.
18. Esse diário - que foi um dos mais acatados, mercê da qualidade e independência dos jornalistas, proprietários dele – foi recebendo participações de capital de grupos financeiros, até estes passarem a ditar a linha editorial.

19. Assim, o Le Monde refere-se como  “guerra civil”,  à brutal intervenção armada estrangeira na Síria -  comandada pelo governo dos EUA, que resolveu proclamar que o presidente da Síria, Assad, tem de sair, e pronto.  E só fala dos mercenários, terroristas e degoladores do ISIS (Estado Islâmico), como os “rebeldes”, como se fosse cidadãos locais em conflito com o respectivo governo.
==========

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Por que os juros são tão elevados no Brasil

Quinta, 23 de abril de 2015
Por Maria Lucia Fattorelli [1]
Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida
O Brasil é o país que mais gasta com juros. Tanto os juros incidentes sobre os títulos da chamada “dívida pública”, como os juros pagos pela sociedade em geral nas operações de crédito (empréstimos, cheque especial, cartão de crédito etc.) são disparadamente os mais elevados do mundo!
Não existe justificativa técnica, econômica, política ou moral para a cobrança de taxas tão elevadas, que prejudicam toda a sociedade e o próprio país. Os juros extorsivos esterilizam grande quantidade de recursos que deveriam estar circulando na economia produtiva, pagando melhores salários e viabilizando serviços sociais que garantiriam vida digna para as pessoas.
O único beneficiário dessa generosa aberração é o setor financeiro privado nacional e internacional. E o maior responsável: o Banco Central do Brasil.
É simples.
No caso da dívida pública, é o Banco Central que convoca e realiza as reuniões com investidores que irão influenciar a decisão sobre a taxa Selic – taxa básica de juros – pelo COPOM [2]. Para essas reuniões convida, quase que exclusivamente, representantes do próprio mercado financeiro que detém a imensa maioria dos títulos da dívida. O que acham que os interessados em continuar recebendo as elevadas remunerações dos juros irão recomendar? É evidente o conflito de interesses. A recomendação desses especialistas é adotada pelo COPOM, sem qualquer crivo ou sequer debate por parte do Congresso Nacional. A taxa passa a vigorar como “lei” e ponto final. Das eleições realizadas em outubro do ano passado até agora, a Selic já subiu 16% e está em 12,75% a.a. Já está convocada nova reunião do COPOM para o dia 29/04/2015, que poderá aumentar ainda mais essa taxa, como já vem sendo anunciado pela grande mídia.
Também é o Banco Central que realiza os leilões para a venda dos títulos da dívida interna emitidos pelo Tesouro Nacional. Na prática, os títulos têm sido vendidos a taxas bem superiores à Selic, pois as poucas instituições financeiras que detêm o privilégio de participar desses leilões – os chamados dealers – só compram os títulos quando as taxas alcançam o patamar que desejam. Generosamente, o Banco Central atende a desejo dos bancos e lhes oferece elevadas taxas de juros.
No caso dos juros cobrados da sociedade em geral pelas instituições financeiras, o Banco Central impede que os bancos privados abaixem as taxas de juros cobradas da população e empresas. Como assim? O Banco Central absorve todo o excesso de moeda que os bancos têm em caixa, entregando-lhes, em troca, títulos da dívida interna que rendem os maiores juros do mundo. Essa operação recebe o nome de “operação compromissada” [3] ou “operação de mercado aberto”, e pode durar de um ou alguns dias a meses. Atualmente, cerca de R$ 1 trilhão em títulos da dívida estão sendo utilizados nessas operações. O que significa isso? Significa que R$ 1 trilhão poderiam estar no caixa dos bancos e, certamente, esses não iriam querer deixar esse dinheiro parado, sem render. O destino óbvio seria destinar esses recursos para empréstimos à sociedade, aumentando a oferta, o que sem sombra de dúvida provocaria uma forte queda nas taxas de juros. Os bancos entrariam em competição para oferecer taxas menores às pessoas e empresas, o que levaria a uma redução ainda maior nas escorchantes taxas cobradas pelo setor financeiro no Brasil. Pois bem; a atuação do Banco Central impede que isso aconteça e garante aos bancos a generosa remuneração dos títulos da dívida, sem risco algum. A justificativa que tem sido dada para essa atuação é o “combate à inflação”, o que não se aplica, pois o tipo de inflação que temos no Brasil decorre do abusivo aumento do preço de tarifas [4] e de alguns alimentos [5],
Vivemos uma verdadeira ciranda financeira no Brasil. Um dos países mais ricos do mundo, onde faltam recursos para áreas essenciais como educação, saúde, saneamento básico e para infraestrutura, não faltam recursos para os abundantes juros que tornam o país como o local mais lucrativo do mundo para os bancos.
Nada de discussão se existem recursos orçamentários para pagar os elevados juros incidentes sobre os títulos da dívida pública; ou sequer preocupação de onde virão os recursos. As limitações da Lei de Responsabilidade Fiscal não se aplicam à “política monetária”. Ou seja, se os recursos orçamentários existentes no orçamento federal não são suficientes para pagar juros, são emitidos novos títulos da dívida e esses são utilizados para pagar juros. Isso mesmo. Estamos emitindo títulos para pagar grande parte dos juros nominais incidentes sobre a dívida pública, o que fere a Constituição Federal, art. 167, que proíbe a contratação de dívida para pagar despesas correntes. E juros são despesas correntes, como salários, despesas de manutenção e demais despesas de custeio que se consomem durante o ano e não se caracterizam como investimentos. É por isso que denunciamos o Sistema da Dívida e exigimos a realização da auditoria. Esse poderoso esquema está provocando enorme lesão aos cofres públicos e à sociedade, além de aumentar de forma exponencial a própria dívida, comprometendo o nosso futuro.
Por isso são tão importantes os protestos que estão sendo organizados em todo o país, contra o aumento das taxas de juros e pela auditoria da dívida. Estamos pagando caro por uma conta que não é nossa. Vamos participar!
[1] Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida www.auditoriacidada.org.br e https://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina. Membro da Comissão de Auditoria Oficial da dívida Equatoriana, nomeada pelo Presidente Rafael Correa (2007/2008). Assessora da CPI da Dívida Pública na Câmara dos Deputados (2009/2010). Convidada pela Presidente do parlamento Helênico, deputada Zoe Konstantopoulos para integrar a Comissão de Auditoria da Dívida da Grécia a partir de abril/2015.
[3] Compromissada por que o Banco Central tem o compromisso de receber os títulos de volta e devolver o dinheiro de volta para os bancos quando estes desejarem, pagando, evidentemente, os juros correspondentes ao período de duração da operação.
[4] Tarifas de preços administrados: energia, telefonia, combustível, transporte público etc.
[5] Devido à sazonalidade e aos históricos equívocos da política agrícola no país que privilegia investimento no agronegócio voltado à exportação de commodities e não na produção de alimentos.
= = = = = = = =
Fonte: Auditoria Cidadã da Dívida

segunda-feira, 30 de março de 2015

A estrutura do caos

Segunda, 30 de março de 2015
A taxa de juros SELIC, a taxa base para títulos do Tesouro Nacional já estava demasiado alta em 11.25 pontos percentuais em novembro de 2014. Após sucessivas elevações, o COPOM (Conselho de Política Monetária),  “orientado” pelo BANCO CENTRAL a elevou para 12.75 pontos percentuais.
2. A taxa efetiva, basicamente determinada pelo cartel de bancos credenciados como dealers desses títulos oficiais, fica, em média, três pontos acima da taxa básica (hoje quase 16% aa.), ou ainda mais em períodos turbulentos.
3. Tais juros – sem paralelo em países não submetidos ao império financeiro, controlado pela oligarquia angloamericana – causam intensa hemorragia nas finanças públicas, um de cujos efeitos é elevar a conta dos juros a cada ano e fazer crescer incontrolavelmente o estoque da dívida.
4. Isso se dá em função da capitalização dos juros através da emissão de novos títulos para liquidar os que vão vencendo, pois as receitas tributárias (das quais vem o superávit primário) são, de longe, insuficientes.
5. Para uma ideia do estrago desencadeado por poucos pontos percentuais na taxa, basta fazer simulações com a composição anual dos juros.
6. Os juros incorporados ao principal – supondo que não se liquidassem juros e amortizações, em dinheiro, durante 30 anos – fariam ascender os 3  trilhões de reais, no momento, da dívida interna), para os seguintes montantes:
1) 12% aa. = R$ 89,9 trilhões, (multiplicaria a dívida por 30);
2) 15% aa. = R$ 198,6 trilhões, (a multiplicaria por 66);
3) 18 % aa. = R$ 430,1 trilhões (a multiplicaria por 144).
7. Portanto, a cada três pontos percentuais de aumento, o multiplicador mais que dobraria. Do jeito que vai a presente taxa efetiva (18% aa.), a dívida atingiria quantia equivalente a US$ 143 trilhões, ou seja, quantia igual a duas vezes a soma dos PIBs de todos os países do mundo.
8. Tenho explicado que os formadores de opinião, montados no monopólio da comunicação social – cujo negócio é desinformar – fazem a maior parte do público comprar a ideia de que as elevações das taxas de juros seriam necessárias para conter a inflação dos preços.
9. As artes da desinformação incluem fazer acreditar numa  entidade misteriosa chamada “mercado”, a que se atribui exigir os injustificáveis juros estratosféricos. Então, aos olhos do público esses juros deixam de ser o instrumento do saqueio cometido pelo cartel dos bancos e são imputados ao abstrato “mercado” e a supostas leis econômicas, igualmente abstratas.
10. A armação a serviço dos concentradores financeiros desvia a  discussão do terreno dos fatos para o das teorias econômicas e para o das doutrinas político-filosóficas.
11. A questão não é doutrinária: não são neoliberais nem necessariamente partidários da direita os defensores e aproveitadores da política de juros altos, tal como os da política de  subsidiar trilionariamente os carteis transnacionais.
12. Trata-se simplesmente de arrancar do Brasil quantias e recursos naturais incalculáveis. É pirataria, assalto, extorsão, reminiscente das proezas imperiais do século XIX, como as guerras do ópio, que o império britânico desencadeou contra a China, de 1839 a 1842 e  de 1856 a 1860.
13. O objetivo inicial dessas guerras foi deixar de pagar em ouro (mesmo dispondo a Inglaterra abundantemente do metal proveniente do Brasil e alhures) as importações das manufaturas produzidas na China, bem como apropriar-se das indústrias e roubar-lhe as técnicas de produção, tal como já havia feito na Índia.
14. Falando nesta, para produzir o ópio destinado à China, era só explorar os trabalhadores e a terra da Índia, saqueada de 1757 a 1863, em recursos equivalentes ao dobro dos investimentos feitos na Inglaterra, inclusive em imóveis.
15. A Grã-Bretanha havia transformado o grosso de suas importações da Índia em pilhagem escancarada, deixando de pagar o que quer que fosse por elas. Vide André G. FRANK, Acumulação Mundial 1492-1789. Rio de Janeiro, 1977, pp. 178 et segs.
16. Ao contrário do que se imagina, a Índia não era pobre e só no Século XIX é que afundou na miséria extrema, com milhões com fome, dormindo na rua em Calcultá. Os incautos admiradores brasileiros do império angloamericano não percebem que, no curso atual, é para algo assim que o País se encaminha.
17. Os juros abusivos nos títulos públicos – e mais ainda no crédito a empresas e a pessoas físicas, bem como os espantosos subsídios às aplicações financeiras e às empresas transnacionais – são apenas alguns dos mecanismos montados para tornar falido o Brasil e acelerar sua dilaceração sob as bicadas de vorazes abutres financeiros.
***
Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sindicatos criticam aumento da taxa Selic

Quarta, 4 de março de 2015
Camila Boehm - Repórter da Agência Brasil
A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), a Força Sindical e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticaram a elevação da taxa básica de juros (Selic), anunciada hoje (4) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

A Dilma mentiu. A vaca tossiu! Entidades sindicais se unem contra o aumento da Taxa Básica de Juros – Selic

Terça, 3 de março de 2015
Da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil
por Valmir Ribeiro
edição de Grace Maciel
Diversas entidades sindicais se reuniram nesta terça-feira (3),  em frente ao edifício sede do Banco Central do Brasil (BC), contra a sequencia de aumentos da Taxa Básica de Juros (Selic) que compromete a renda do trabalhador e desestimula empreendimentos do comércio e do setor produtivo, grandes empregadores do mercado.
No entendimento das lideranças sindicais, a política neoliberal do governo, ao promover ajuste fiscal a onerar a classe trabalhadora, coloca o Brasil na mesma rota dos países que sofreram, e ainda sofrem as piores consequências da crise financeira internacional.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Passada a eleição, governo aumenta a taxa de juros

Quarta, 30 de outubro de 2014
Mais uma vez, passada a eleição, o governo faz questão de sinalizar claramente sua política favorável ao “mercado”. Durante a campanha eleitoral, a candidata Dilma fez questão de criticar as políticas econômicas do PSDB e Marina Silva, mostrando que altas taxas de juros e a “autonomia do Banco Central” só favorecem aos banqueiros, em prejuízo do povo. Agora, passada a eleição, novamente o governo faz questão de dar aos banqueiros ainda mais do que eles pedem. Surpreendendo o próprio “mercado”, ontem o Banco Central aumentou a taxa de juros Selic, de 11% para 11,25% ao ano, aumentando ainda mais os gastos com a dívida pública federal, que em 2014 já alcançaram a marca dos R$ 910 bilhões até 25/10, o que representa 50% de todos os gastos até esta data (conforme dados oficiais compilados no Dividômetro da Auditoria Cidadã da Dívida)
Em 2003, no início do governo Lula, o sinal para o “mercado” foi a Reforma da Previdência, que incluiu até mesmo a infame exigência de pagamento por aposentados e pensionistas. No início do governo Dilma, o primeiro sinal foi a garantia da continuidade da autonomia do Banco Central, além de um corte de R$ 50 bilhões no orçamento. Agora, antes mesmo de iniciar seu segundo mandato, o governo Dilma dá também seu primeiro sinal ao “mercado” e aumenta as taxas de juros, mesmo que a economia esteja estagnada, e os países desenvolvidos estejam com taxas de juros iguais ou próximas a zero.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Dívida Pública é novamente destaque em segundo debate dos Presidenciáveis

Terça, 2 de setembro de 2014
Hoje [ontem, 1º de setembro] foi realizado o segundo debate entre os presidenciáveis, transmitido ao vivo pela TV. Mais uma vez, o tema da dívida pública foi destaque.
No primeiro bloco do debate, o candidato Eduardo Jorge (PV) comentou sobre a “Bolsa Selic”, ou seja, o enorme volume de recursos destinado aos bancos, por meio da dívida pública, mostrando que, desta forma, não interessa às instituições financeiras emprestar ao setor produtivo a juros baixos, já que podem ganhar juros altíssimos emprestando ao governo.
Ainda no primeiro bloco, Luciana Genro (PSOL) mostrou como está organizado o orçamento federal: mais de 40% dos recursos são destinados para o pagamento da dívida pública, enquanto áreas sociais fundamentais como saúde e educação recebem 10 vezes menos. Propôs expressamente a auditoria da dívida pública como alternativa a este problema, que se não for enfrentado, não será possível o aumento significativo dos gastos sociais. Levy Fidelix (PRTB) também mostrou o problema da dívida, citando que o governo federal já gastou mais de R$ 600 bilhões com juros e amortizações da dívida neste ano.
No segundo bloco, perguntada por um jornalista se não seria algo “atrasado” criticar o setor financeiro, Luciana Genro (PSOL) denunciou os altíssimos lucros dos bancos, citando que o governo Dilma aumentou a taxa de juros 9 vezes, beneficiando assim os rentistas da dívida pública. Debatendo com Aécio Neves (PSDB), Luciana lembrou que Armínio Fraga – já escolhido por Aécio como seu “futuro Ministro da Fazenda” – praticou altíssimas taxas de juros quando foi Presidente do Banco Central durante o governo FHC.
No terceiro bloco, Luciana Genro (PSOL) questionou Marina Silva (PV), cujos assessores têm defendido o chamado “tripé” macroeconômico, ou seja, o superávit primário (a priorização dos gastos com a dívida pública), o aumento de tarifas (gasolina, por exemplo), e ainda a independência do Banco Central. Assim como no primeiro debate, Marina não desmentiu estas propostas, e se limitou a dizer que deseja manter as conquistas das últimas décadas.
No quarto bloco, Eduardo Jorge (PV) debateu com Aécio Neves (PSDB) sobre a proposta de reduzir a taxa de juros da dívida pública para obrigar os bancos a emprestar ao setor produtivo. Aécio respondeu que, para reduzir a taxa de juros, seria necessário resgatar a “confiança” na economia, sem esclarecer de quem seria necessário adquirir tal confiança, e como isto seria feito. Durante as considerações finais, Levy Fidelix (PRTB) ainda criticou os mais uma vez os bancos, que ganham a maior parte dos recursos e “não sobra dinheiro para nada”.
Portanto, mais uma vez o debate deixou claro que a dívida é o principal problema do país, e deve ser enfrentado por meio de uma profunda auditoria.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

PIB não mede qualidade de vida, diz economista; o Banco Central deve ser independente do sistema financeiro e não do governo


Quarta, 6 de agosto de 2014
Olga Bardawil - Coordenadora do Serviço de Língua Estrangeira 
Edição: Graça Adjuto
“Quando você tem apenas cinco grandes bancos, você não tem mercado, tem acordos”, disse o professor Ladislau Dowbor, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, na noite dessa terça feira (5), no programa Espaço Público, da TV Brasil. Entrevistado pelos jornalistas Paulo Moreira Leite, Florestan Fernandes Jr. e Sonia Filgueiras, do Brasil Econômico, ele defendeu que o Banco Central seja independente do sistema financeiro e não do governo, porque “o governo tem que ter o controle da politica monetária”.
Segundo Dowbor, que se formou em economia na Suiça e presta consultoria para a Organização das Nações Unidas (ONU), o sistema financeiro não gera riquezas porque não fomenta a produção, já que seu ganho principal vem dos juros. Nesse sentido, o Brasil é um pais que oferece ganhos excepcionais graças ao mecanismo da Selic, a taxa básica de juros. Ele lembrou que no governo Fernando Henrique Cardoso o Brasil chegou a pagar 47% ao ano de juros pelos seus títulos.
“Se você considera que o banco usa o dinheiro de terceiros que nele depositam suas economias em troca de uma remuneração de 8% ao ano, percebe o tamanho do rendimento que o banco tem, apenas usando o dinheiro que não é dele”.
O professor lembrou que os juros do cartão de crédito no Brasil chegam a 260% ao ano, enquanto nos Estados Unidos estão em 17% e já são considerados altíssimos.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Onde estão os nervosinhos

Quinta, 16 de janeiro de 2014
Por Ivan de Carvalho
      Por decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juro, a Selic, teve ontem o seu sétimo aumento consecutivo, numa progressão de alta que agora atingiu 10,5 por cento. Segundo anúncio do Banco Central, a decisão de acrescer 0,50 ponto percentual à taxa, que estava em 10 por cento ao ano não contém viés. Como se sabe, isso significa que a autoridade monetária não dá indicação de tendência para novo aumento, para redução e, como é óbvio, também não garante permanência no percentual alcançado.
      Os especialistas explicam – mas nem seria preciso, na atual conjuntura, que dessem tal explicação – que o Copom vem, com os sete aumentos consecutivos da taxa, tentando conter a inflação, que vem apresentando resistência a um arrefecimento.
Imagem da internet
A elevação da Selic foi avantajada, 0,5 por cento. Isto sugere certo nervosismo da autoridade monetária. Parece que os “nervosinhos” a que se referiu o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao gabar-se de que o governo alcançou o superavit primário que fixara e o ultrapassou em R$ 2 bilhões, não estavam no “mercado” nem entre os adversários políticos do governo, mas dentro do próprio Banco Central.
A gabolice do ministro Mantega se revela um tanto ridícula, não só porque os “nervosinhos” de que falou pejorativamente, apareceram afinal dentro da própria estrutura do governo – embora em área relativamente autônoma, e bota relatividade nisso, o Banco Central – como porque, como todos se recordam, o superavit previsto foi alcançado graças à “contabilidade criativa”, ou mais do que isto, graças a manobras como as feitas com as plataformas de petróleo “exportadas” que não saíram do país e a emissão de ordens de pagamento tão no final de 2013 que o desembolso só poderia ocorrer no início de 2014. Assim, o dinheiro “virou o ano” no caixa do governo, embora já não fosse dele. Mais do que criativa, contabilidade enganosa para fazer propaganda idem.
Voltando à razão do aumento de ontem, de 0,5 ponto percentual na Selic, tenta-se com tal elevação conter o consumo, provocando uma elevação dos juros ao consumidor e assim reduzindo a demanda de produtos e também de certos serviços, o que faria cair o preço deles, ou melhor, reduzindo a intensidade do aumento de preços. O futuro dirá de essa redução da escalada dos preços acontecerá e será efetiva. Isto porque o Executivo federal dificilmente conterá seus gastos em ano de eleições presidenciais, para o Congresso e para os governos e Assembléias Legislativas estaduais. E, quando o governo gasta mais do que tem, fabrica inflação.
De qualquer modo, é certo que a economia já está com um crescimento miudinho e que o aumento da Selic, reduzindo o consumo e elevando os juros para as atividades econômicas, tende a desacelerar ainda mais esse crescimento que assumiu a velocidade dos quelônios terrestres, ou, no popular, dos jabutis.
Quanto à Selic, os especialistas se dividem. Uns acreditam que o percentual se manterá em 10,5 por cento até o fim de 2014 e outros preveem que são prováveis novas altas – concentradas no primeiro semestre –, podendo chegar a 11,25 por cento. Ninguém está fazendo previsão de qualquer redução da Selic este ano.
DE VERDADE – Bem perto do final do seu pontificado, que terminou pela renúncia, o papa Bento XVI resolveu higienizar o Instituto de Obras da Religião, IOR, também conhecido como o Banco Vaticano e do qual havia suspeitas de ocorrência de graves irregularidades altamente patrocinadas. Então, em 16 de fevereiro de 2013, mudou a direção do IOR e nomeou uma comissão de cinco cardeais para supervisionar o instituto e propor reformas que julguem adequadas. Ontem, o Vaticano informou que o papa Francisco substituiu quatro dos cardeais da comissão, entre eles o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, o italiano Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado do Vaticano, maior autoridade no Vaticano depois do papa e muito criticado por sua gestão na Cúria romana, o indiano Telesphore Toppo e o italiano Domenico Calcagno. Dos cinco só ficou o francês Jean-Louis Tauran. Quatro cardeais foram nomeados para as vagas: o atual secretário de Estado do Vaticano, o italiano Pietro Parolin e um austríaco, um espanhol e um canadense.
- - - - - - - - - - - - - - - -
Este artigo foi publicado originariamente na Tribuna de Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.