Sábado, 10 de setembro
de 2011
Da Agência Brasil
Vladimir Platonow -
Repórter
A permanência do
Exército nas favelas do Complexo do Alemão pode comprometer a imagem da
instituição, que não é treinada para a mediação de conflitos. A avaliação é do
cientista político Jorge da Silva, coronel da reserva e ex-chefe do Estado
Maior da Polícia Militar (PM), que ocupou o cargo de secretário estadual dos
Direitos Humanos do Rio entre 2003 e 2006.
A missão do Exército,
que deveria se encerrar este ano, foi prolongada até junho de 2012, a fim de
permitir a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), gerida pela
PM. Nascido e criado na região onde se instalou o conjunto de favelas do
Alemão, o coronel se diz cético quanto à presença das tropas militares no
local, principalmente depois dos incidentes envolvendo soldados e moradores.
“O Exército não foi
feito para mediação. Manter o Exército ali vai, simplesmente, desgastar a autoridade
da tropa e acabar atingindo a própria imagem da instituição. A natureza deles
não é essa”, alertou o ex-secretário, que atualmente é professor da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), onde coordena estudos sobre
ordem pública, polícia e direitos humanos.
Para ele, a chave no
processo de pacificação das comunidades é a mediação. “A PM ainda se vê como
uma força militar e não como uma força de mediação de conflitos. Lá no Alemão,
tem que mediar e administrar o conflito. Quando você raciocina em termos de
guerra, quer acabar com o conflito na base da força. A polícia não pode ser
capacitada dentro desse modelo militar de autoridade, mas de um modelo de
mediação.”
Jorge da Silva não vê com bons olhos a presença de militares
das Forças Armadas nas comunidades, pois acredita que eles não são treinados
para isso. “Polícia não é Exército, nem Exército é polícia. Quando a polícia
quer virar Exército, dá tudo errado. Quando o Exército quer virar polícia,
também dá tudo errado. É o que está acontecendo.”
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Comentário do Gama Livre: Essa
história das forças armadas dos países latino-americanos se meterem no combate
ao crime é coisa inspirada nas orientações do Departamento de Estado Americano,
que deseja transformar os exércitos dos países da região em simples guardas
nacionais. A segurança dos países seria, acham os americanos, garantida pelos Estados Unidos.
Isso enfraqueceria ainda mais o preparo das forças armadas para a defesa dos
territórios dos países.
E ainda tem governantes da
América Latina, incluindo os do Brasil, que não conseguem reagir a essa estratégias dos Estados Unidos.
