Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 7 de março de 2021

Quem é o dono do nióbio brasileiro?

Domingo, 7 de março de 2021

Acordo ilegal criado na ditadura militar impediu o País de se apropriar do metal mais importante do mundo



Do Site Pátria Latina

Carla Lisboa

“Tudo nos é proibido, exceto cruzar os braços? A pobreza não está escrita nas estrelas, o subdesenvolvimento não é fruto de um obscuro desígnio de Deus. Correm anos de revolução, tempos de redenção. As classes dominantes põem as barbas de molho e, ao mesmo tempo, anunciam o inferno para todos. Em certo sentido, a direita tem razão quando se identifica com a tranquilidade e com a ordem. A ordem é a diuturna humilhação das maiorias, mas sempre é uma ordem – a tranquilidade de que a injustiça siga sendo injusta e a fome faminta”. Esse é um breve trecho da Introdução da obra As veias abertas da América Latina.

Publicada no início dos anos 1970, quando os Estados Unidos da América (EUA) investiam fortunas em ditaduras sanguinárias e terroristas em todos os países do continente sul-americano, a obra do escritor uruguaio, Eduardo Galeano, conta com clareza como é feita a rapinagem das riquezas da América do Sul e como EUA e países europeus se mantêm ricos e hegemônicos à custa da submissão e da rapinagem nos países latino-americanos.

No Brasil, enquanto a ditadura civil-militar endurecia o regime, no início dos anos 1970, desaparecendo, torturando e assassinando quem quer que fosse que questionasse a rapinagem e denunciasse os brasileiros corruptos envolvidos na trama, explodia a leitura, dentre outras, do livro de Galeano. A partir dos anos 1980, a obra foi sendo esquecida. Todavia, quem pensou que as veias abertas haviam sido cauterizadas pelas democracias, se enganou. Os esquemas internacionais de corrupção mantiveram seus domínios sobre as riquezas, com empresas nacionais testas de ferro e outras artimanhas. O Brasil é um dos que continuam subjugados.

Basta ler o noticiário o nióbio e seu uso nas indústrias, como as de tecnologias no setor de telefonia, aeroespacial, automobilística com carros movidos à bateria, para entender que as veias da América Latina estão mais abertas do nunca. Baterias para carros, por exemplo, é uma das grandes inovações tecnológicas criadas para driblar a escalada de agressões ao meio ambiente causadas, sobretudo, pelos óxidos de carbono, nitrogênio, sulfúricos e hidrocarbonetos aromáticos, os chamados Gases de Efeito Estufa (GEE), produzidos pelos combustíveis fósseis. Há um pacto global para se acabar com carros movidos a combustíveis fósseis entre os anos 2030 e 2050.

O nióbio é uma das grandes alternativas a isso. Foi uma das principais descobertas do século XX, embora tenha sido identificado no século XIX, e a salvação da indústria do aço. Para se ter uma ideia da importância desse elemento no setor da siderurgia, bastam 100 gramas de nióbio para cada tonelada de aço para ampliar a força de ligação de seus átomos e, por consequência, aumentar suas resistências térmica e mecânica, bem como a capacidade de absorver cargas sem se romper ou deformar. Além disso, o nióbio amplia a capacidade de solda a outros materiais e afasta o risco de corrosão de metais.

Trata-se de uma riqueza mineral superior a todos os outros minérios encontrados até agora na natureza por causa de sua alta dureza, flexibilidade e resistência ao calor, mas é explorada só pelos países ricos. As características do nióbio conferem ao metal uma importância gigantesca no desenvolvimento de uma nação porque é insumo básico na indústria siderúrgica, militar, aeroespacial, armamentista, medicina etc.