Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

domingo, 30 de setembro de 2018

Irmão do ex-governador do Paraná Beto Richa(PSDB) e mais quatro têm prisão convertida em preventiva

Domingo, 30 de setembro de 2018
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil  
O ex-secretário de estado do Paraná Pepe Richa, irmão do ex-governador Beto Richa, teve a prisão temporária convertida em preventiva na noite deste sábado (29). Com a decisão, Pepe Richa ficará detido por tempo indeterminado.

O ex-governador Beto Richa (PSDB) - Arquivo/Agência Brasil

Pela decisão do juiz federal substituto Paulo Sergio Ribeiro, da 23ª Vara Federal em Curitiba, mais quatro acusados na Operação Integração 2 tiveram a prisão temporária convertida em preventiva: Ivano Abdo, Elias Abdo Filho, Evandro Couto Vianna e Cláudio José Machado Soares.

Brasil pode perder certificado de eliminação do sarampo, alerta Opas

Domingo, 30 de setembro de 2018
Risco existe se surto da doença permanecer por mais de 12 meses

Por Paula Laboissière, enviada especial*

O Brasil tem até fevereiro de 2019 para reverter os surtos de sarampo registrados em diversas áreas do país – sob pena de perder o certificado de eliminação da doença, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) em 2016. O alerta foi feito pela assessora regional de Imunizações da entidade, Lúcia Helena de Oliveira, durante a 20ª Jornada Nacional de Imunizações, no Rio de Janeiro.

Opas: casos de sarampo são importados e só ocorrem devido à cobertura vacinal inadequada - Arquivo/Agência Brasil

#ELE NÃO. Movimento toma as ruas e a sua ampliação por trabalhadores, negros e índios pode abrir caminho para uma aliança antifascista no segundo turno

Domingo, 30 de setembro de 2018
Por


(Da equipe do blog) - Iniciado, pelo que informa a imprensa, por um núcleo de apenas 30 mulheres, que trabalharam, replicando as táticas da extrema-direita, principalmente com as redes sociais, usando o Facebook e o WhatsApp, o movimento #Ele Não transformou-se, com as manifestações de ontem no Brasil e no exterior, no maior fenômeno político das eleições até agora, abrindo caminho para a criação, pelos próprios cidadãos, de uma ampla aliança democrática antifascista para o segundo turno, com o intuito de impedir a ascensão, neste país, de um governo autoritário, violento, racista, preconceituoso, armamentista, misógino, inquisitorial, retrógrado e medieval a partir do dia primeiro de janeiro do ano que vem.

Resta saber agora se a bem sucedida estratégia das mulheres brasileiras será adotada por outros grupos sociais que estão sendo ameaçados por essa perspectiva.

Como os jovens, os trabalhadores - vide declarações em defesa do fim do décimo-terceiro e do ECA, entre outros absurdos recentes - os negros e os índios, com a criação de suas próprias comunidades no Facebook, a adoção do mesmo slogan e a realização, depois  de marchas setoriais, de manifestações conjuntas no segundo Turno.

Do ponto de vista tático-eleitoral, duas grandes ameaças pairam sobre a democracia brasileira.

A primeira, representada pela parte mais canalha da elite, responsável em grande parte pelo país ter chegado onde chegamos, que ameaça lavar as mãos como Pilatos no segundo turno ou que já acena pura e simplesmente com a previsível e abjeta adesão a um governo liberticida que tem tudo para destruir a democracia.

Fazendo isso - repetindo o mesmo erro histórico de sempre - como fez a burguesia alemã às vésperas da ascensão de Hitler ao poder, achando que seus  interesses seriam protegidos, quando a preservação da liberdade precede e é o pressuposto maior de qualquer perspectiva de paz, da oportunidade e da prosperidade.

E a segunda, o  voto nulo e branco (nada a ver com a  cor da pele dos candidatos em pauta) que na ponta do lápis, na reta final deverá beneficiar o fascismo, cujos seguidores seguem seus sonhos de brutalidade, estupidez e violência com viseiras presas às orelhas e uma cega, surda e canina fidelidade.      

Só a mobilização maciça de trabalhadores, negros, índios, e outros grupos sociais, debaixo do mesmo slogan suprapartidário do  #Ele não pode provar que a opção pelo lado escuro da força não é majoritária na sociedade brasileira.

E afastar da opinião pública outras falácias golpistas, como a fantasiosa teoria da carochinha da manipulação das urnas eletrônicas por uma justiça eleitoral que, desafiando o mundo, optou por manter atrás das grades o candidato que desde o início esteve à frente  das pesquisas de intenção de voto.

Impedindo-o, à moda da Gestapo e de países sob despudorado Estado de Exceção, para escândalo de nações democráticas e civilizadas,  até mesmo de dar entrevistas.

Trinta mulheres, multiplicadas em milhares, começaram a mudar o rumo deste país, mostrando como desviá-lo, como boi farreado, da beira do precipício do retrocesso e da ignorância, para onde parecia estar inexoravelmente indo. 

A defesa da Liberdade precisa de mais trinta trabalhadores, trinta artistas,  cientistas, intelectuais, homens, trinta negros, trinta índios.

Alguém se habilita?

Saúde e Bem-Estar 39. Para não comer X — Produtos de soja não fermentada

Domingo, 30 de setembro de 2018
Por
Aldemário Araújo Castro


SAÚDE E BEM-ESTAR. 50 textos (um a cada final de semana). Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros. Veja todos os escritos em: http://www.aldemario.adv.br/saude.htm


Saúde e Bem-Estar 39 Para não comer  X — Produtos de soja não fermentada

PARA NÃO COMER X - PRODUTOS DE SOJA NÃO FERMENTADA


O doutor Joseph Mercola é mundialmente conhecido no campo da “medicina natural” em função de seus livros e intensa atuação profissional. O site mercola.com é considera o portal mais pesquisado na internet acerca de saúde natural. 

Mercola, no livro “Cura sem esforço”, dedica um capítulo aos alimentos reconhecidos amplamente como saudáveis mas que devem ser evitados. São eles: a) cereais integrais; b) adoçantes naturais como agave; c) produtos de soja não fermentada; d) óleo vegetal; e) a maior parte dos peixes e f) iogurte tradicional. 

O doutor Mercola destaca quatro razões principais para se evitar o consumo de soja não fermentada: a) quase toda a soja convencional é geneticamente modificada para resistir aos pesticidas (apresentam, portanto, altas incidências desses produtos); b) contém substâncias bociogênicas, que suprimem a função tireoidiana, com consideráveis efeitos negativos para a saúde; c) contém a forma vegetal do estrogênio (fitoestrogênio), associada a uma série de doenças e d) contém fitatos, que impedem a adequada absorção de minerais pelo organismo.

A barganha do PT com a Finança e os EUA: foi-se o projeto nacional?

Domingo, 30 de setembro de 2018

Golpe do Judiciário e invasão americana: por que o PT não dá nome aos bois?

Do Duplo Expresso
A seguir, republicamos texto semanal que saiu aqui no Duplo Expresso em fevereiro deste ano, sob o título “Golpe do Judiciário e invasão americana: por que o PT não dá nome aos bois?”. Sete meses depois nos ajuda a compreender melhor a barganha que o “PT jurídico” e seu expoente Fernando Haddad tentam fechar com a Finança transnacional e o Deep State americano, abdicando definitivamente de um projeto nacional para o Brasil. Projeto ao qual, como se vê, o Partido dos Trabalhadores, dadas as suas contradições ideológicas internas, nunca chegou a ser aferrado. O texto foi elaborado por observador privilegiado, e qualificado, da política nacional. Um economista desenvolvimentista sênior que trabalhou no Governo Lula. Mesmo que se discorde das teses que apresenta, são um excelente ponto de partida para o “que fazer?” de 2018 – e, principalmente, além.

No fim, as (sempre) sábias palavras do Embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, na sua participação semanal no Programa Duplo Expresso.

Mene mene tekel upharsim: estava escrito na parede. E teve profeta que avisou.

Ângela Maria e Fagner cantam Lábios de Mel

Domingo, 30 de setembro de 2018

Tributo a Ângela Maria morta na noite de ontem (29/9) aos 89 anos

Domingo, 30 de setembro de 2018

Morre a cantora Angela Maria, aos 89 anos, em São Paulo

Domingo, 30 de setembro de 2018
Por Agência Brasil  Brasília


Aos 89 anos, morreu em São Paulo, a cantora Angela Maria. Ela estava internada há 34 dias, no Hospital Sancta Maggiore em decorrência de um quadro de infecção. O velório e o enterro ocorrerão hoje (30) no Cemitério Congonhas. De acordo com a família, foi um período de sofrimento para a artista.

A cantora morreu na noite deste sábado (29). Em um vídeo, publicado no Facebook, Daniel D’Angelo, marido da cantora, Alexandre, um dos quatro filhos adotivos do casal, e um assessor confirmaram a morte e pediram orações. Também afirmaram que jamais deixarão a estrela dela apagar.

Angela Maria, conhecida como a Sapoti, foi uma das rainhas do rádio e de estrondoso sucesso entre os anos de 1950 e 1960, em um vídeo no Facebook. "É com meu coração partido que eu comunico a vocês que a minha Abelim Maria da Cunha, a nossa Angela Maria, partiu, foi morar com Jesus", disse Daniel D’Angelo.

Vida
Angela Maria, nasceu em Conceição de Macabu, no Rio de Janeiro. Foi operária e teve várias atividades profissionais, mas sempre quis seguir carreira artística. Mas jamais deixou de cantar.

A artista se consagrou na era dourada do rádio, tornando-se uma referência ao lado de Maysa, Nora Ney e Dolores Duran. Recentemente, a cantora disse que gravou 114 discos e vendeu aproximadamente 60 milhões de exemplares.

sábado, 29 de setembro de 2018

O petróleo sobe, mas o governo continua entregando-o para os gringos a preço de banana

Sábado, 28 de setembro de 2018

Do blog

(Da equipe do blog) - Recorrendo, mais uma vez, ao velho golpe e à esfarrapada desculpa de um Brasil quebrado - apesar de este país ter 380  bilhões de dólares (1.5 trilhão de reais) em reservas internacionais e ser o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos, além de  apresentar uma das menores dívidas com relação ao PIB entre as 10  maiores economias do mundo - o governo Temer - em uma semana em que o petróleo subiu fortemente, chegando a 80 dólares o barril - cometeu o crime de lesa-pátria de entregar aos gringos vários poços do pré-sal a preço de banana.

Entrarão nos cofres do governo, em troca de bilhões de barris de petróleo, agora, apenas 6.8 bilhões de reais, aproximadamente um bilhão e meio de dólares, ou mais de 200 vezes menos do que temos em dólares em nossos cofres, graças aos governos do PT, partido que, segundo alardeia o absurdo senso comum do discurso quase único da imbecilidade fascista imperante, teriam supostamente “quebrado”  o país nos últimos anos.

Pior que essa nova etapa do entrega-entrega de Temer, cumprida quase no apagar das luzes de seu governo mambembe, de nossas reservas de petróleo para os norte-americanos da Exxon e os anglo- holandeses da Shell, só a insistência de Haddad em não abordar esses dados econômicos em sua propaganda e nos debates, cometendo, às vésperas  de eleições cruciais para o futuro do Brasil, o mesmo erro no qual Lula  e Dilma insistiram ao longo de 14 anos.

Mulheres Unidas contra Bolsonaro"; mulheres protestam em várias cidades contra machismo e homofobia; #elenão

Sábado, 29 de setembro de 2018
Ato em Brasília foi convocado pelo coletivo "Mulheres Unidas contra Bolsonaro"
Ato de mulheres #EleNão contra o candidato à Presidência Jair Bolsonaro, em Brasília —Antonio Cruz/ Agência Brasil

Por Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil 

Pelo menos 30 mil pessoas - de acordo com as organizadoras - participaram hoje (29), em Brasília, do ato convocado pelo coletivo "Mulheres Unidas contra Bolsonaro". Na última atualização da Polícia Militar (PM), a mobilização tinha 5 mil pessoas. O protesto foi pacífico. Além da capital federal, a manifestação ocorreu também em várias cidades brasileiras e no exterior.

Direitos Humanos: Nova lei de importunação sexual pune assédio na rua

Sábado, 29 de setembro de 2018

Promotora considera tão importante quanto Lei Maria da Penha

Por Débora Brito - Repórter da Agência Brasil
Sob aclamação de profissionais do sistema jurídico e de grupos de defesa dos direitos das mulheres, foi sancionada esta semana pela Presidência de República a lei que criminaliza os atos de importunação sexual e divulgação de cenas de estupro, nudez, sexo e pornografia. A pena para as duas condutas criminosas é prisão de 1 a 5 anos.

Os Camaleões Estão no Poder

Sábado, 29 de setembro de 2018
Por 
Pedro Augusto Pinho
 
Nenhuma pesquisa social é necessária para que saibamos serem os pobres a maioria da sociedade. Podemos ter pobres com melhores condições de vida (países nórdicos no século XXI) e outros sem qualquer meio de subsistência, dependentes da vontade de outras pessoas, mas, qualquer limite que se estabeleça, a parte inferior da quantificação será algumas vezes maior do que a superior.

Para manutenção desta situação, os poderes, não os governos que são uma espécie de gerentes, empregados do dono, promovem toda sorte de ilusões, crenças, fantasias, mistificações para que a minoria mantenha sua situação poderosa e confortável distante daquela maioria.

Feita esta abertura, tratemos do Brasil neste período que antecede as eleições gerais para o governo federal e os estaduais (executivo e legislativo).

Por que a expressão de poder sem voto manda no Brasil?

Temos, por início, uma incongruência. Se todo poder emana do povo, como uma categoria não eleita pelo povo se transforma em poder? E ainda mais, passa a dirigir as ações dos escolhidos pelo povo?

Para isso precisamos entender o cenário político que nos envolve e como se montou esta dramaturgia.

Questões social e nacional ou questão moral

Para não voltar muito longe na história, vejamos as saídas dos totalitarismos no mundo ocidental no século XX.

Exceto os Estados Unidos da América (EUA), cuja situação é peculiar e será tratada adiante, os países da Europa, das Américas e da África passaram, no século passado, por governos autoritários, totalitários, por ditaduras. As pouquíssimas  exceções não criaram opções significativas.

Mas a derrota do autoritarismo, com ingredientes raciais, na Europa e no Japão, com a II Grande Guerra, permitiu diversas independências, novos acordos de governabilidade e uma pacificação política que refletia o desejo de paz dos povos.

Também não é necessário esmiuçar acordos locais, regionais nem mesmo nacionais. Tomo com exemplo dois acordos que refletem bem esta situação, os Pactos de la Moncloa.

A Espanha saia da guerra civil que a levara a 37 anos de ditadura franquista. Francisco Franco governou de 30/janeiro/1938 até, praticamente, sua morte em 20/novembro/1975, embora afastado pela doença desde junho de 1973.

Mortes, torturas, corrupções, traições, perseguições foram o cotidiano espanhol ao logo destes anos do poder de Franco. Era necessário, antes de tudo, estabelecer entre os beneficiados e os prejudicados, entre os que seguraram as armas e a quem foram dirigidos os tiros, entre os sempre ricos e os sempre pobres, acordos de convivência.

Estes foram o “Acordo sobre o programa de saneamento e reforma da economia” e “Acordo sobre o programa de atuação jurídica e política”, firmados pelos partidos políticos com representação parlamentar em 1977, associações empresariais e três grandes organizações sindicais.

Mas, como é óbvio, acordos para sair de crises são datados, a vontade da maioria da população acabará por se impor, salvo se este povo esteja iludido, sejam-lhe colocadas opções que não correspondem aos seus verdadeiros problemas e nem às suas soluções.

A banca é o lado mais nefasto do capitalismo

Desde meados do século XX, o capital financeiro internacional (banca) buscou derrotar o poder industrial, seja capitalista seja socialista. Para tanto começou a colocar as denominadas “questões transversais”.

A primeira, que atingiu fortemente o mundo industrializado, foi a ecológica, em todas as suas manifestações, desde a preservacionista radical até o uso racional dos recursos naturais.

Reflita comigo o caro leitor. “Salve as baleias” tem apelo suficiente para reunir tanto dinheiro que compre barcos, pague página de jornais de influência como “The New York Times”, vire protesto em cidades europeias? Ou houve dinheiro de quem é especialista na multiplicação deste “vil metal”?

A banca soube iniciar sua campanha pelo poder comprando a mídia, os veículos de comunicação para o povo. Da rádio regional aos produtores de Hollywood, do jornal de bairro às mais célebres publicações, citações obrigatórias até em teses acadêmicas. E também as academias, que lhe passam a dar o suporte dos cientistas, dos prêmios Nobel, dos “gênios” às maquinações da banca.

Criaram-se assim, e em pouquíssimo tempo, navegando nas tecnologias da informação e da comunicação, as certezas que reviraram a sociedade. Das drogas nas liberdades de 1968 à criminalização da ideologia socialista.

Permitam-me transcrever um desmentido à verdade da austeridade econômica ou financeira pelo professor de economia da Sorbonne, autor de numerosos trabalhados e ex-presidente do Conselho Científico da Associação pela Tributação das Transações Financeiras para Ação da Cidadania (ATTAC), René Passet, em tradução livre:

“Há incontestável relação entre a redução do tempo de trabalho e o número de empregos. Por exemplo, entre 1973 e 1994, na França e na Alemanha, o número total de assalariados, malgrado a crise, passou respectivamente de 21 para 22 milhões e de 26,65 para 28 milhões, no mesmo período em que o tempo médio de trabalho baixou de 1.900 para 1.600 e de 1.870 para 1.580 horas, tanto para um quanto para outro país” (“Éloge du mondialisme par un “anti” présumé”, Fayard, 2001).

Vejamos apenas mais um caso, que toma enorme espaço nos discursos eleitorais deste ano: a violência. Leonel Brizola, dos maiores políticos brasileiros, escreveu dois artigos, dentre seus célebres Tijolaços, que denominou “O ovo da serpente”, em 09/01/1992, e “O ovo da serpente (3)”, em 31/01/1993.

Neles está demonstrado pelo trabalho de equipe de pesquisadores, como a Rede Globo incentivou e glamourizou a violência. Nas palavras de Brizola:

“O que esses pesquisadores encontraram foi uma verdadeira escola do crime e da violência”. “E não se diga que isso é veiculado nos chamados programas para adultos. A programação infantil é repleta de imagens de violência, inclusive em desenhos animados, com 58 cenas diárias de violência” (em 09/01/1992).

“Uma nova pesquisa, realizada por uma equipe de 11 pesquisadores - pedagogos, jornalistas e outros profissionais - revelou (um ano depois) números ainda mais alarmantes. Durante 111 horas, os pesquisadores assistiram 83 programas e verificaram que a Globo exibiu nada menos que 288 homicídios ou tentativas de homicídio, 386 agressões, 248 ameaças, 56 sequestros, 11 crimes sexuais, 71 casos de condução de veículos sob efeito de drogas ou com perigo para terceiros, 7 de uso ou tráfico de drogas, 65 de formação de quadrilha, 43 roubos, 16 furtos, 7 de estelionato e mais 183 crimes. Em apenas uma semana.... O mais triste destaque, porém, é aquilo que se constatou na programação infantil. Ali, as cenas de violência, que há um ano representavam 34,9% do total, chegam agora a nada menos que 51,1% de toda a violência na TV” (em 31/01/1993).

A excentricidade estadunidense

Os EUA tiveram na guerra civil - a guerra da secessão de 1861/1865 -, mais do que nas lutas pela independência, a compreensão da relatividade do poder fundiário que a aristocracia europeia entenderia após o passeio militar de Napoleão, alterando as tradições de duques e barões.

Assim, a classe dirigente do País construiu um sistema político-administrativo que incentivasse a produção industrial. Como não havia a vulnerabilidade das importações, pelos volumes produzidos na Europa e pelos direitos alfandegários implantados desde 1860, pode prosperar o “Sistema Americano de Fabricação”.

A mão-de-obra não era problema para o país que a população mais do que dobrou, entre 1860 e 1900, de 30 para 76 milhões de habitantes.

Também a concorrência e as crises destes primeiros tempos proporcionaram a concentração de capital, logo do poder, que, então, definiria as regras para sua manutenção. Morre a “América Jeffersoniana” que serviu para o mito estadunidense, muito bem aproveitado por Donald Trump em sua campanha.

A visão da nação agrária, de pequenos fazendeiros, do esforço da vontade e da honestidade, se desfaz, abalada pelo padrão do lucro e da concentração de renda.

Mas persistiu, levada pela habilidade da pedagogia colonial interna, pelo uso da comunicação de massa, de quem já nos anos 1920 produz industrialmente a televisão, o conjunto de valores para o povo quem nem de longe era o da elite.

E esta hipocrisia do poder será levado a todo mundo com o empoderamento dos EUA após a II Grande Guerra. Também este país conhecerá as novas regras da banca. Os conflitos, que a administração Trump vive, não são devidos a sua personalidade mas ao jogo do industrialismo com o financismo, em toda estrutura de poder, e da pressão geopolítica-jurídica-midiática.

Ainda é cedo, em minha percepção, para definir a resultante destes embates. Mas, para o Brasil, teremos o recrudescimento colonial, já atuando fortemente no golpe de 2016 e nas pressões sobre o governo que vier a dirigir nossa Nação em 2019.

A ditadura jurídico-militar-midiática

O Portal Pátria Latina, comentando a designação de um general quatro estrelas para assessor do novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu:

“Esta junção jurídico-militar poderá dar a Dias Toffoli um lugar em nossa história político-administrativa” (“Recrutando generais: o STF atual lembra a Idade Média europeia”, 24/09/2018).

As ditaduras militares, deixando a personalidade e o voluntarismo dos chefes se imporem nas decisões, não interessa à banca. Ela prefere os que se submetam a seu mais competente argumento: a corrupção.

Um parlamento funcionando é muito melhor do que um ditador governando. A “liberdade de imprensa”, principalmente quando está quase inteiramente comprada, é um valor democrático insubstituível, como o poder sem voto dos magistrados é da mais pura essência da “tripartição de poderes”, harmônicos e interdependentes.

E os novos “fakes” - notícias, sentenças, processos, inimigos - vão surgindo como nas distopias mais perversas, da novilíngua, do Ministério da Verdade, em “1984”, de George Orwell.

No Evangelho de Lucas (9, 18-22), lido no dia de hoje, 28/setembro, nas Igrejas Católicas em todo mundo, Jesus pergunta: “quem dizeis que eu sou?”.

Pergunte-se, caro leitor, quem está defendendo as condições mais importantes para você, sua família, seu País?

Os que seguem os temas e os projetos da banca? Os que se deixam iludir, por boa fé ou por ignorância, que as “instituições estão sólidas e funcionando”, que foi a corrupção de quinze anos, e não a das elites que sempre governaram o Brasil, que nos deixaram esta pedagogia e esta economia coloniais?

No Eclesiastes (3, 1-11) da Missa de hoje se lê: (Há) tempo de atirar pedras e tempo de as amontoar”.

No exemplo dos pactos de Moncloa, o tempo era de amontoar.

E concluo com a magnífica mensagem que o historiador francês, Pierre Vilar, no Epílogo de janeiro de 1978, encerra seu livro “História da Espanha”, em tradução livre da versão de M. Dolores Folch, para o Editorial Crítica, Barcelona:

“O Pacto de Moncloa comprometeu todos partidos com parlamentares, incluídos os comunistas, a repartir equitativamente os sacrifícios entre todas as classes sociais. Porém, o que quer dizer equitativo? Que pensarão sobre isso os operários e os desempregados? E, se é aplicada uma autêntica justiça fiscal, o descontentamento não alcançará também as empresas em crise? Nem a luta de classes, nem os abalos conjunturais do capitalismo desaparecem pelos acordos políticos, como o Pacto referido. E não se pode ficar sem apresentar algumas questões: quem acredita governar e quem governa na realidade? O que querem as massas, os grupos, os homens? Aspiram apenas a troca política ou, também, a mudança social? Somente liberdade ou, também, a igualdade? As autonomias regionais ou, por meio delas, uma federação de socialismos? Quem sonha uma revolução e quem aspira um cargo ministerial? Tem início uma nova batalha, demasiadamente parecida com as de 1931, 1934 e 1936*. Felizmente a história nunca se repete”.

*Nestes anos a direita se manifestou, gerando conflitos, em Sevilha, Catalunha e Astúrias. O biênio 1934-1936 é designado “biênio negro”. Em 1936 eclode a guerra civil na Espanha.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado

A escalada dos desafios

Sexta, 28 de setembro de 2018
Por

“Derrotar as forças golpistas nestas eleições é fundamental. Porém, ainda que tenhamos uma possível e ansiada vitória estaremos ganhando uma importante batalha, numa guerra prolongada, onde a força motriz dos setores populares encontra-se extremamente fragilizada, limitando nossas possiblidades de avanço e nos colocando crescentes desafios” Ricardo Gebrim (www.brasildefato.com.br).
O panorama sugerido para a sucessão  presidencial deste outubro, dizem os intérpretes das sucessivas sondagens de intenção de voto, sugere, ao lado da consolidação da candidatura de extrema-direita (o fato novo dessas eleições), o avanço da resistência democrática, pois assim traduzo o crescimento das candidaturas de Fernando Haddad e Ciro Gomes, indicador de um segundo turno plebiscitário entre democracia e fascismo, com anunciada tendência de derrota (é ainda a voz das pesquisas) do atraso, da xenofobia, do totalitarismo e da revivescência de um militarismo que supúnhamos ao menos contido nos limites da legalidade.

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

PF conclui que agressor contra Bolsonaro agiu sozinho

Sexta, 28 de setembro de 2018

Adélio Bispo praticou ataque por discordância politica


Por Leandro Melito – Repórter da Agência  Brasília
O autor da facada que atingiu o candidatoà presidência pelo PSL Jair Bolsonaro, Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho no dia do crime por motivação política. Essa é a conclusão do inquérito da Polícia Federal encaminhado hoje para o Tribunal de Justiça de Juiz de Fora (MG). 

Campanha de Bolsonaro fabricou um boato e o usou como antídoto contra a reportagem da Veja

Sexta, 29 de setembro de 2018
O argumento de que Veja apenas revelou detalhes de uma briga de casal é completamente falso. A reportagem é bastante sólida e traz a importante revelação de que o candidato preferido dos brasileiros oculta muitos bens da Justiça. Bens de alto valor, totalmente incompatíveis com a sua renda. De onde veio tanto dinheiro?

                                 Foto: Ricardo Borges/Folhapress

The intercpt Brasil
João Filho
28 de Setembro de 2018
DURANTE A SEMANA, o exército virtual de Bolsonaro espalhou nas redes sociais uma falsa capa da Veja que revelava um esquema de fraude nas urnas eletrônicas para favorecer o PT. Era mais uma mentira entre tantas que a família Bolsonaro e sua militância têm espalhado sem o menor pudor. O boato voou e foi compartilhado até pelo cantor, compositor e bolsonarista Lobão, o que também não chega a ser uma novidade. Ironicamente, a Veja se preparava para publicar uma reportagem devastadora para a candidatura Bolsonaro. Mas, para seus militantes, a reportagem fake anunciada em uma montagem de Photoshop teria mais credibilidade do que a verdadeira.
A falsa capa da Veja produzida pelo exército virtual de Bolsonaro.
A falsa capa da Veja produzida pelo exército virtual de Bolsonaro.

 
Foto: Reprodução
A revista teve acesso a um processo que Ana Cristina deu entrada em 2008 contra Bolsonaro. Os dois disputavam a guarda do filho, e Ana Cristina reivindicava uma partilha justa dos bens. Uma relação de bens e a declaração do imposto de renda de Bolsonaro foram anexados por Ana Cristina no processo e revelam informações importantes e desconhecidas sobre o patrimônio do candidato. O patrimônio do casal à época era de R$ 4 milhões (R$ 7,8 mi em valores atualizados), mas dois anos antes Bolsonaro revelou à Justiça Eleitoral ter pouco mais de R$ 430 mil.

Parece que Bolsonaro tem muito a esconder. Descobriu-se também que ele ocultava da Justiça um cofre que mantinha numa agência do Banco do Brasil. A ex-mulher também possuía um cofre nessa mesma agência que, segundo ela, teria sido roubado por Bolsonaro. Nele, havia valores incompatíveis com a renda do casal. Segundo o boletim de ocorrência aberto por Ana Cristina para registrar o furto, havia no cofre joias avaliadas em R$ 600 mil, mais US$ 30 mil em espécie e R$ 200 mil em dinheiro vivo.
No processo que discutia a guarda do filho, Bolsonaro afirmou ser vítima de chantagem. Segundo ele, Ana Cristina, que viajou com o filho para Noruega, afirmou que a criança só retornaria ao Brasil se ele devolvesse a grana e as joias do cofre. Ou seja, o próprio Bolsonaro confirma a existência desses valores.
Pouco tempo depois, os dois se acertaram, e Ana Cristina não quis mais saber do roubo do cofre. Do nada, sem nenhum motivo aparente, ela resolveu desistir de reaver quase R$ 1 milhão! Procurada pela revista, Ana disse que os dois fizeram um acordo para abrir mão de “qualquer apuração, porque não seria bom”. A polícia também desistiu de encontrar o responsável pelo roubo do cofre. Hoje, Ana Cristina Bolsonaro é candidata a deputada federal e aparece na campanha ostentando o sobrenome que ela nunca usou.
Apesar de ter muita coisa para explicar, a rede de soldados virtuais de Bolsonaro se apressou em chamar a reportagem de fake news, mesmo ela estando calcada em informações de um processo que correu na Justiça. Diversas teorias conspiratórias se criaram em torno da reportagem para desqualificá-la. O modus operandi da turma já é conhecido: joga-se areia nos olhos da opinião pública para que ela não se atente aos fatos.
Antes da publicação, a campanha de Bolsonaro já sabia que a Editora Abril havia entrado com um pedido de desarquivamento do caso e, farejando a bomba que estaria por vir, lançou um antídoto logo no início da semana. A “jornalista” e candidata a deputada federal do PSL Joice Hasselman gravou um vídeo em seu canal no YouTube dizendo que havia recebido uma informação bombástica de uma fonte: uma grande revista semanal teria recebido R$ 600 milhões — sim, mais de meio bilhão! — para destruir a reputação de Bolsonaro na reta final do primeiro turno.
Antes de comentar a evidente picaretagem, é preciso explicar as aspas que coloquei na palavra “jornalista”. Apesar de ter formação em jornalismo, Joice é conhecida por plagiar colegas e espalhar notícias mentirosas nas redes sociais. Depois de ganhar visibilidade na TVeja, Joice virou uma influenciadora digital badalada pelo mais obscuro reacionarismo brasileiro. Hoje, ela conta com mais de 800 mil seguidores no Youtube.
Há dois anos, a “jornalista” também gravou um vídeo revelando uma bomba. Ela teria recebido a informação de que Lula estaria tramando o “golpe da doença”, junto com um “grande hospital de São Paulo”, para escapar da cadeia. A criatividade que falta para escrever seus próprios textos jornalísticos sobra na hora de fabricar teorias da conspiração. Joice se tornou a versão brasileira de Alex Jones, o apresentador de rádio americano conhecido por disseminar maluquices.
É claro que a plagiadora está mentindo mais uma vez. E mente mal. O valor escolhido por Joice soa como piada pronta. Para se ter uma ideia da loucura, a revista Time, que é infinitamente maior que Veja, acabou de ser vendida por R$ 795,6 milhões. Mas ela quer nos fazer crer que forças ocultas despejaram mais de meio bilhão para encomendar uma reportagem que qualquer veículo sonharia fazer.
Sem apresentar um mísero indício, Joice requintou ainda mais o ridículo afirmando que parte dos R$ 600 milhões teriam sido pagos parte em dinheiro vivo, parte em criptomoedas. Como já era de se esperar, a fantasia de Joice virou hit nas redes assim que a reportagem da Veja foi ao ar. Em pouco tempo, o assunto #Veja600Milhões virou um dos mais comentados no Twitter.
Os filhos de Bolsonaro, claro, impulsionaram a mentira de Joice e passaram a tuitar a hashtag #Veja600milhoes. Na semana passada, Carlos Bolsonaro já havia disseminado o boato de que o Brasil teria entregado para a Venezuela os códigos de segurança das urnas eletrônicas. A notícia falsa foi desmentida até pelo General Mourão, mas mesmo assim Carlos mantém a mentira publicada até hoje. Assim como a falsa capa da Veja sobre fraude nas urnas, esse boato integra a estratégia golpista de deslegitimar o resultado das eleições caso Bolsonaro perca. Também servirá como antídoto. É com esse tipo de gente que estamos tratando.
Goste-se da Veja ou não, não há como negar que ela fez o que Joice não costuma fazer: jornalismo. A revista entrou com um pedido de desarquivamento do processo, que foi concedido no último dia 4. O processo conta com 500 páginas e foram necessários mais de 20 dias de apuração. O gerente do Banco do Brasil foi entrevistado, documentos foram apresentados e Ana Cristina foi procurada para se explicar. O argumento de que Veja apenas revelou detalhes de uma briga de casal é completamente falso. A reportagem é bastante sólida e traz a importante revelação de que o candidato preferido dos brasileiros oculta muitos bens da Justiça. Bens de alto valor, totalmente incompatíveis com a sua renda. De onde veio tanto dinheiro?
O candidato, que adora se apresentar como o pobrezinho lutando contra os poderosos do establishment, tem a obrigação de explicar. Mas é melhor já ir se acostumando com o silêncio porque essa pergunta não será respondida. Os disseminadores de fake news estarão muito ocupados em denunciar fake news.

Ministério Público pede mudança de local de julgamento de policiais militares

Sexta, 29 de setembro de 2018
Do MPDF
Denunciados são suspeitos de integrar grupo de extermínio que agia em São Sebastião, Paranoá e Itapoã. Julgamento é referente a triplo homicídio ocorrido em 2006
O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) pediu, nesta quinta-feira, 27 de setembro, a mudança do local de julgamento de três policiais militares acusados de triplo homicídio qualificado ocorrido em São Sebastião em 2006. O júri foi designado para 29 de novembro, mas o Ministério Público teme que a população local não se sinta à vontade em julgar policiais militares que atuaram na cidade, o que poderia comprometer a imparcialidade necessária para uma decisão isenta.

Marconi Perillo: MPF e PF deflagram operação Cash Delivery em Goiás

Sexta, 28 de setembro de 2018
Do MPF
Investigação apura suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa atribuídos a Marconi Perillo por executivos da Odebrecht
banner na cor preta com os dizeres Combate à Corrupção
Imagem: Secom/MPF
A operação Cash Delivery é um desdobramento das investigações da Lava Jato e decorre de acordos de leniência e colaboração premiada firmados pelo MPF com a Construtora Norberto Odebrecht e seus executivos. Segundo os colaboradores, quando ainda era senador e, depois, também como governador, Marconi Perillo solicitou e recebeu propina no valor de R$ 2 milhões em 2010, e de R$10 milhões, em 2014, em troca de favorecer interesses da empreiteira relacionados a contratos e obras no estado de Goiás.Na manhã desta sexta-feira (28), sob a supervisão do Núcleo de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, foi deflagrada pela Superintendência de Polícia Federal em Goiás (PF/GO) operação para cumprimento de cinco mandados de prisão temporária e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pela 11a Vara Federal da Seção Judiciária de Goiás. Os mandados estão sendo cumpridos em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Pirenópolis, Aruanã, no estado de Goiás, e em Campinas e São Paulo. O Objetivo é colher provas da prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa atribuída ao ex-senador e ex-governador Marconi Perillo, em colaborações premiadas de executivos da Odebrecht. São investigados os destinos de aproximadamente R$12 milhões.

Revista revela acusações da ex-mulher do presidenciável Jair Bolsonaro; Ana Cristina acusa candidato de furtar um cofre, ocultar patrimônio, receber pagamentos não declarados e agir com “desmedida agressividade”

Sexta, 28 de setembro de 2018


                                                                                                                                         REPRODUÇÃO FACEBOOK


da Redação do Metrópoles

Em 2007, o deputado Jair Bolsonaro (PSL), então com 52 anos, estava terminando seu segundo casamento, com Ana Cristina Siqueira Valle. Depois de mais de 10 anos juntos e um filho, o casal resolveu se separar, mas o caso foi para a Justiça. Eles disputavam a guarda do menino, hoje com 20 anos, e Ana Cristina alegava que seu ex-marido resistia em fazer uma partilha justa dos bens. Por isso, em abril de 2008, ela deu entrada com uma ação na 1ª Vara de Família do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. As informações estão na edição do fim de semana da revista Veja.
Segundo a reportagem, que teve parte divulgada no site da revista na noite dessa quinta-feira (28/9), o processo, com mais de 500 páginas, contém uma série de incriminações mútuas do universo privado do ex-casal. Há, no entanto, acusações de Ana Cristina ao ex-marido que entram na esfera do interesse público porque contradizem a imagem que Bolsonaro construiu sobre si mesmo na campanha presidencial, de acordo com a Veja. São elas:
– Bolsonaro ocultou patrimônio pessoal da Justiça Eleitoral em 2006. Quando foi candidato a deputado federal, declarou que tinha um terreno, uma sala comercial, três carros e duas aplicações financeiras, que somavam, na época, R$ 433.934. Sua ex-mu-lher, no mesmo processo, anexou uma relação de bens e a declaração do imposto de renda do ex-marido, mostrando que seu patrimônio incluía também três casas, um apartamento, uma sala comercial e cinco lotes. Os bens do casal, em valores de hoje, somariam cerca de R$ 7,8 milhões.
– Bolsonaro tinha uma “próspera condição financeira” quando era casado com Ana Cristina, segundo ela. A renda mensal do deputado chegava a R$ 100.000 — cerca de R$ 183.000, em valores atualizados. Na época, oficialmente, Bolsonaro recebia R$ 26.700 como deputado e R$ 8.600 como militar da reserva. Para chegar aos R$ 100.000, diz a ex-mulher, Bolsonaro recebia “outros proventos”, que ela não identifica.
– Bolsonaro, de acordo com Ana Cristina, furtou seu cofre numa agência do Banco do Brasil, em outubro de 2007, e levou todo o conteúdo: joias avaliadas em R$ 600.000, 30.000 dólares em espécie e mais R$ 200.000 em dinheiro vivo — totalizando, em valores de hoje, cerca de R$ 1,6 milhão. O cofre ficava na agência do Banco do Brasil da Rua Senador Dantas, no centro do Rio, de acordo com a revista. Seu conteúdo é incompatível com a renda conhecida do então casal.
– Bolsonaro era um marido de “comportamento explosivo” e de “desmedida agressividade”. Essa foi a razão que levou Ana Cristina a se separar, segundo ela mesma informa.
– Bolsonaro e Ana Cristina se separaram oficialmente em 2008, depois de 10 anos juntos. Com o passar do tempo, os dois voltaram a se entender e selaram um armistício que dura até hoje, tanto que Ana Cristina, candidata a deputada federal pelo Podemos do Rio de Janeiro, usa o sobrenome do presidenciável e se apresenta aos eleitores como Cristina Bolsonaro, sobrenome que jamais teve.
Agora, ela diz que as acusações que fez contra o ex-marido são fruto de excessos retóricos. A Veja destaca não ser incomum que, em separações litigiosas, marido e mulher troquem acusações infundadas, destinadas a magoar ou tentar extrair alguma vantagem.
Furto do cofre
De acordo com a reportagem, contudo, uma consulta ao processo e suas adjacências mostra que Ana Cristina não estava mentindo. O furto do cofre, por exemplo, realmente ocorreu. Em 26 de outubro de 2007, ela esteve na agência do Banco do Brasil e, misteriosamente, sua chave não abriu o cofre.

Chamado ao local, um chaveiro destravou o equipamento, e Ana Cristina constatou que estava vazio, relata a matéria. “Isso só pode ter sido coisa do meu ex-marido”, teria dito a mulher aos funcionários do banco. Um deles tentou acalmá-la, sem sucesso. “Ele pode tudo e vocês têm medo dele”, respondeu ela. No mesmo dia, Ana Cristina registrou um boletim de ocorrência sobre o furto na 5ª Delegacia da Polícia Civil.
A revista Veja teve acesso ao inquérito policial. Em depoimento, Alberto Carraz, um dos gerentes do Banco do Brasil, confirmou que tanto Ana Cristina quanto Bolsonaro mantinham cofres na agência. No caso do deputado, não se sabe o que ele guardava. E ele também nunca declarou a propriedade do cofre.
A ex-mu­lher disse que guardava joias avaliadas em R$ 600.000, mais 30.000 dólares em espécie e R$ 200.000 em dinheiro vivo. Alberto Carraz contou à Veja que, de fato, o conteúdo do cofre sumiu e dá uma pista do que pode ter sido o desfecho da história: “Quando Bolsonaro soube que a ex-mu­lher tinha feito um registro de ocorrência na delegacia, ele me disse que iria resolver a questão. Depois, eu soube por ele que estava tudo resolvido e que ela tinha retirado a queixa”.
De acordo com a Veja, os fatos não foram bem assim. A discussão sobre o furto do cofre teria continuado, segundo mostra o processo. A defesa de Bolsonaro, na etapa em que o ex-casal discutia a guarda do filho, juntou um depoimento no qual o deputado acusava a mulher de chantageá-lo. Dizia que ela tinha levado o filho para o exterior e condicionava o retorno da criança à devolução do dinheiro e das joias subtraídos do cofre.
Bolsonaro acusou a mulher de sequestro. Ela acusou-o de furto. Na época, além de procurar a Polícia Federal, Bolsonaro pediu ajuda ao Itamaraty para localizar o filho no exterior. Ana Cristina e a criança estavam em Oslo, na Noruega.
Ameaça de morte
Na semana passada, o jornal Folha de S.Paulo divulgou telegramas do Itamaraty nos quais Ana Cristina, em conversa com um vice-cônsul brasileiro em Oslo, dizia que fora para a Noruega depois de ser ameaçada de morte pelo ex-mari­do.

Ela negou que tenha dito isso ao vice-cônsul, mas o jornal ouviu cinco amigas brasileiras de Ana Cristina em Oslo e todas a desmentiram e confirmaram que a ameaça de morte fora o motivo de sua viagem para a Europa.
“O fato é que, quando o depoimento de Bolsonaro acusando Ana Cristina de sequestro foi anexado ao processo, o ex-casal chegou imediatamente a um acordo”, diz a Veja, que conclui: “O filho voltou do exterior, a disputa pelos bens foi resolvida nos termos reivindicados por Ana Cristina e o valor da pensão foi acertado. Sobre o furto do cofre, porém, nenhuma palavra”.