Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

FUTURO DAS ESCOLAS —Artigo 'Mais Paulo Freire, menos Bolsonaro: a Educação brasileira para além da pandemia'

Segunda, 2 de agosto de 2021

Paulo Freire, celebrado educador no mundo inteiro, é rejeitado pelo atual governo brasileiro - Foto: Sara Ferreira


Intervenção em universidades e desafios gerados pelo período de ensino à distância são alguns dos obstáculos a vencer

Brasil de Fato
Marcelo Barros
São Paulo (SP)

No Brasil, ainda ameaçado por novas variantes da pandemia, neste início do mês de agosto, colégios e instituições de educação retomam as aulas presenciais.

Durante mais de um ano, muitas escolas mantiveram os alunos ligados a encontros virtuais. Ocorre que, na maior parte do país, o acesso à internet e a seus recursos ainda não é totalmente democrático. Crianças e adolescentes pobres são penalizadas. Além disso, a educação à distância e por meios virtuais pode cumprir função de suplência, mas não substitui o acompanhamento educacional. São indispensáveis convivência e o diálogo.

Já desde alguns anos, o Brasil se coloca entre os países do mundo com maior dívida no plano da educação básica dos seus cidadãos. Atualmente, sob o atual governo, já antes da pandemia, no Ranking Internacional da Educação pubicado em 2019, o Brasil foi considerado um dos 20 piores países do mundo.


Neste 2021, as pessoas que amam a educação lembram o centenário do nascimento de Paulo Freire, figura de educador venerada no mundo inteiro, menos pelo atual governo brasileiro.

É sabido por quem acompanha o tema tudo que o atual governo fez e faz tudo para inviabilizar a educação, em todos os seus níveis. Nesse projeto, conta com a pandemia como aliada, mas é capaz de perversidade que nenhum vírus alcança. No plano universitário, o presidente da República não cansa de intervir na maioria das universidades federais.

Impõe administradores, nomeados com critérios políticos e ideológicos, sem o mínimo respeito à comunidade dos professores e técnicos em educação. Além disso, como nunca antes, todas as unidades federais padecem da falta de verbas para o seu funcionamento básico.


Enquanto desde o século XVI Colômbia, Peru e Bolívia têm boas universidades públicas, no Brasil, apenas no século XIX tivemos o primeiro curso de direito, em Olinda (PE) e São Paulo. O próprio Ministério da Educação só existe no país desde de 1930”.

Em um evento realizado por videoconferência, no dia 15 de outubro de 2020, o papa Francisco lançou o Pacto Educativo Global, propondo ao mundo todo uma aliança em prol de uma educação de qualidade. O papa insiste na importância da educação como ato de esperança, “antídoto natural à cultura individualista”.

Essa iniciativa do papa conta com o apoio da Unesco e de diversas instituições acadêmicas. A proposta é que esse pacto se concretize através de sete compromissos ou propostas para a promoção do diálogo entre culturas, da paz e da ecologia integral:

1º - Colocar a pessoa no centro de cada processo educativo.

2º - Ouvir a voz das crianças, adolescentes e jovens a quem transmitimos valores e conhecimentos.

3º - Favorecer a plena participação das meninas e adolescentes na instrução.

4º - Ver na família o primeiro e indispensável sujeito educador.

5º - Educar a nós mesmos e uns aos outros/as para o acolhimento, abrindo-nos aos mais vulneráveis e marginalizados.

6º - Encontrar outras formas de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso.

7º - Guardar e cultivar a nossa casa comum, protegendo-a da exploração dos seus recursos.

No Brasil, diversas entidades da sociedade civil estão se unindo a educadores e educadoras para organizar atividades concretas neste caminho do Pacto Educativo Global. Para quem tem fé e busca viver uma espiritualidade ecumênica, a educação é a tarefa que mais nos aproxima dos grandes líderes espirituais da humanidade.

Todos eles foram educadores. Jesus Cristo, por exemplo, se revelou como Sabedoria Divina oferecida a toda pessoa que aceita acolhê-lo. E mostrou que neste processo de educação o importante é conhecer e praticar a verdade. Como ele afirmou: “A Verdade vos libertará” (Jo 8, 33).



Edição: Vinícius Segalla

FORAM-SE AS RIQUEZAS E O ESTADO, É A VEZ DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Segunda, 2 de agosto de 2021

Foto Divulgação
                            “Tal o Brasil sentado junto às margens
                                               Do verde oceano que seus pés lhe beija,
                                               E recostado sobre o alto Andes
                                               Que além nos ares, pelo céu flameja.
                                               Vestido desse manto lindo e belo
                                               Que nunca o frio inverno desbotou:
                                               Bordado dos diamantes, do ouro fino,
                                               Das lindas flores com que Deus ornou.
                                               Deixa-os entrar nos bosques gigantescos;
                                               Deixa-os gozar dos puros céus de anil;
                                               Deixa-os fruir de todas as riquezas,
                                               Que o mundo antigo inveja do Brasil”.

                                               (Castro Alves, Poema, composto aos 14 anos).

Pedro Augusto Pinho*

Na poesia que encima este artigo, recitada pelo aluno Antônio de Castro Alves, em 3 de julho de 1861, no Ginásio Bahiano do Barão de Macaúbas (Abílio César Borges), em Salvador (Bahia), se vê este tão difundido orgulho das riquezas nacionais: a verde mata, as minas, as águas e um clima e terra, onde se plantando tudo floresceria.


Hoje penso que esta louvação não era um reconhecimento, um justo motivo de orgulho ou para “inveja”, como declamava, adolescente, o poeta brasileiro. Era a domesticação, que fazia parte da pedagogia colonial, a nos incentivar ao ócio, à perda daquele presente dado, que se malbarata sem a mágoa de um bem conquistado com suor, com dedicação, com o empenho físico e intelectual. Fácil vem, fácil vai.

E, assim, as estradas de ferro eram construídas das áreas produtoras para os portos, o que aqui de extraia, o que se colhia, o que se desmatava, tudo ia para o uso e gozo estrangeiro; nada para o povo brasileiro, que não fosse as comissões para os intermediários da evasão, da alienação, do esbulho.

E foi na colônia, no império, na primeira república, contornou, na oposição, a Era Vargas, que durou bem mais do que a vida do estadista, e se arregaça, explode, se expande com o triunfo neoliberal que aqui chega juntamente com a edição do decálogo globalista, antinacional, alienante do Consenso de Washington (1989). Ano da eleição de um preposto fantasiado de “caçador de marajás”.

O discurso absurdo é aquele da competitividade: colocar na mesma arena, sem que haja qualquer ponto para equilíbrio, o maneta, o coxo, o cego e o de físico e preparo de um atleta olímpico: que vença o melhor! Mas esta vitória não traria qualquer vantagem para o povo, como na luta desigual há desonra, nenhum mérito.

E, as cada vez menores riquezas nossas, cantadas por Castro Alves e por todos desde o anônimo autor dos Diálogos das Grandezas do Brasil no alvorecer do século XVII, com falsas e ferozes razões, passam a ter seus controles, sua produção e seus ganhos e lucros transferidos do povo brasileiro, dos capitais nacionais, para os apátridas, aqueles residentes em paraísos fiscais.

Perguntará o atento leitor: mas quem são estes beneficiados? Muito fácil. Pegue os nomes dos exportadores, das empresas vencedoras das privatizações e comece a procurar seus acionistas e os acionistas das empresas acionistas destas e chegará, com absoluta certeza, aos seguintes nomes: BlackRock, Vanguard, Fidelity, J.P. Morgan Chase, State Street Global Advisors, Norges Bank, Wellington, Franklin Advisors, Clearstream Banking, Amundi, UBS, Allianz e outros tantos que se denominam “gestores de ativos”.

Estes “gestores de ativos” têm inclusive o seu dinheiro, que dorme de um dia para outro em contas bancárias. É um sistema pouco divulgado de espoliação que, no Brasil, é coordenado pelo Banco Central independente, ou seja, independente de prestar contas ao Brasil, pois seus verdadeiros donos passaram a ser estes controladores dos capitais a partir dos paraísos fiscais.

Por acaso, meu caro leitor, já se deu conta que o presidente dos Estados Unidos da América (EUA) tem sua carreira política num dos quatro estados dos EUA que é paraíso fiscal: Delaware? E, na avaliação dos gestores de ativos, aquele paraíso que melhor defende os capitais das eventuais investidas de governos e advogados populares ou defensores das vítimas das mutretas que eles armam. Os outros estados nos EUA que são paraísos fiscais são: Dakota do Sul, Nevada e Wyoming.

Existem quase uma centena de países, estados ou cidades que são os paraísos fiscais pelo mundo, muitos em ilhas. Porém 20 concentram quase a totalidade dos capitais dos “gestores de ativos” e das subsidiárias das 500 maiores empresas, listadas pela revista Fortune, e 31 paraísos fiscais estão, de algum modo, ligados ao Reino Unido (UK).

Primeiro foram as riquezas naturais, exportadas, controladas, por fim com a posse, como os minérios da antiga Vale do Rio Doce, hoje propriedade de “gestores de ativos”. Neste processo encontram-se a Petrobrás e as reservas brasileiras (?) de petróleo e gás natural. Aí você perguntará pelo agronegócio que é pop. Sim é propriedade dos comercializadores, que controlam o comércio e os preços e, cada vez mais, os portos e ferrovias e rodovias por onde transitam para serem processados e gerarem lucro no exterior.

O primeiro e mais importante destino dos nossos bens naturais, esgotáveis, finitos, deve ser o processamento, a transformação em bens para consumo dos brasileiros, para aqui gerar emprego e renda e tributo e um país desenvolvido. Ter na exportação o objetivo é gastar todo dinheiro num almoço e passar o mês com fome. É o que fazem os governos desde 1989, com maior ou menor empenho, com mais descaramento ou discurso enganoso.

Foram-se, então, as riquezas.

O Estado só existe em função do povo. Caso contrário basta uma embaixada ou um escritório para cuidar dos interesses e negócios estrangeiros. Hoje este estrangeiro, já sabemos, são os gestores de ativos, anônimos, invisíveis, para não serem apedrejados e combatidos como mereceriam. Mas seus prepostos estão aí, na política, nas faculdades, nos jornais, nas igrejas defendendo o neoliberalismo, a competitividade, a teologia da prosperidade, a liberdade de passar fome e ficar doente e a democracia de votar em quem eles deixam se candidatar, na oposição e na situação. Isto é denominado cismogênese: um processo de diferenciação (governo e oposição) baseado em comportamentos que tanto produzem convergência quanto oposições (voto impresso), e numa escalada dos conflitos ou os criando novos que apenas resultam no reforço de uma só questão: aquela que interessa a ambas as partes, ou seja, manter estas partes e somente elas no “conflito”.

No processo de transformação do Estado Nacional em escritório de agenciamento, os órgãos públicos podem cometer todos os desatinos como cobrar adicionais para compra de vacinas, pois não é a prevenção da epidemia, mas os lucros, que os prepostos e os gestores de ativos terão, o que importa.

Então até se transfira atividades estratégicas do Estado, como os correios, em todo mundo desenvolvido sempre sob controle e execução de órgãos públicos, para os capitais apátridas. Ou se criem “agências reguladoras” para dirigir em favor dos gestores de ativos todas as atividades regulamentáveis do País.

E neste processo, que avança célere, em breve ter ou não ter um governo brasileiro será muito menos do que um dilema shakespeariano; será o fim do Estado Nacional, como o paraíso fiscal caribenho da Ilha de Santa Lúcia, cujo nome foi dado por Cristóvão Colombo, e hoje é propriedade de bancos ingleses.

O que falta então? A entrega do território, mas sem disputa bélica, sem o desembarque da IV Frota dos EUA e seus marines para sofrerem eventual ataque, mortes, e mesmo fazer surgir uma guerrilha no Brasil. Certamente o atilado leitor já sabe qual território está em questão: a Amazônia Brasileira.

Há um antigo mito militar dos “países baleias”, difíceis de invasão para conquistar e manter suas extensas áreas. O Brasil, ao lado da Rússia, do Canadá, da China, dos EUA seria um destes. Mas são estudos pré-cibernéticos, antes do uso da teoria da informação, como se viu recentemente nos EUA, paralisando a distribuição de petróleo e derivados, ou como este país, do contexto OTAN, procura acusar a Rússia de interferir nas eleições estadunidenses ou de ataque chinês (realmente uma potência cibernética).

A ameaça cibernética não se limita à ideologia, ao terrorismo, aos ilícitos, ela é, principalmente, de quem dispõe de trilhões de dólares estadunidenses (USD), como os gestores de ativos. Apenas poucos, como exemplo: BlackRock, mais de sete trilhões USD; Vanguard, mais de seis trilhões USD; UBS suíço, com mais de três trilhões e meio USD; e até estatais, como o Fundo de Pensão Norueguês, com um trilhão e trezentos bilhões USD.

Para ter-se a dimensão dos inimigos, calculemos que uns três ou quatro gestores de ativos se unam para conquistar os 4.196.943 km² da Amazônia Brasileira, território conforme os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Teríamos uns 15 trilhões USD, que rendendo, miseravelmente, 1% ao ano, disporia, ao fim de 12 meses, de 150 bilhões USD, sem tocar no principal. Que imensa corrupção seria potencialmente possível praticar nas cúpulas militares e civis do governo brasileiro?

Nada de invasões, ou disputas no “entorno estratégico”, ou pela insegurança “ambiental” das queimadas ou “humana” das populações indígenas. Basta um contrato de gestão, pelas tradicionais dificuldades financeiras de administrar estes 49,28% do território nacional. Assim 10.642 espécies já catalogadas de plantas de alto valor econômico, onde o medicinal é apenas um deles, os minerais já identificados e outros a serem mensurados, de imenso valor como o nióbio, o lítio, o manganês, o cobre, o níquel, o titânio, o ouro e a prata, a platina, o paládio e muitos outros que em menos de um ano já compensariam os subornos necessários para celebração do contrato de administração, onde se incluem 20,3 milhões de habitantes, sendo 31,1% fora das áreas urbanas, ou seja, ao todo serão 12,3% da população brasileira (conforme estimativa do IBGE para 2004).

A Amazônia Brasileira ocupa integralmente os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins e a maior parte do Maranhão. Haveria harmonização entre os governos estaduais e a empresa administradora da Amazônia Brasileira? Provavelmente o contrato subordinaria os nossos governantes aos administradores estrangeiros, afinal a subordinação colonial é da tradição brasileira. Nem a Independência nem a República alteraram a sequência de senhores: portugueses, ingleses, estadunidenses e gestores de ativos. O breve suspiro da “Era Vargas” foi todo tempo combatido e mereceu os golpes, exitosos ou mal sucedidos, de 1932, 1934, 1937, 1945, 1954, 1955, 1964, 1979 e 1984 até naufragar paulatinamente com a Constituição de 1988, a eleição de 1989 e o golpe de 2016.

Haverá ainda os que vão se rejubilar, se regozijar com o desprestígio dos políticos nortistas e nordestinos, ou foram de outros estados para lá trabalhar, na Amazônia que não mais é brasileira, tais como: Jader e Helder Barbalho, Telmário Mota, Waldez Góes, Paulo Rocha, Flavio Dino, Randolfe Rodrigues, Omar Aziz e Acir Gurgacz. Consideram que uma empresa estrangeira, cujo único objetivo é realizar o maior lucro no menor tempo possível, faz o melhor para o povo brasileiro? Se já tiverem sido doutrinados pelas ideologias estrangeiras: liberais, neoliberais, neopentecostais, provavelmente. Ou se nada sabem nem querem saber do País onde nasceram, com toda certeza.

Assim foi que nós mesmos, com nossa alienação, com a mesquinhez do interesse pessoal e imediato, vendo na política só uma falha de caráter e não a mais importante ação humana, com afirmou o Papa Francisco, entregamos nossas riquezas, nosso Estado Nacional e nosso território, afastando a Questão Nacional, que deveria ser a principal preocupação da existência do Brasil, do debate político, desde a Constituição de 1988.

Iniciamos este artigo com um poeta, ainda muito jovem, do romantismo brasileiro, época das mais gloriosas de nossas letras, concluiremos com outro Antônio, este na maturidade, capaz de refletir com seus erros, naquela que é das mais belas poesias em nossa língua. E quem, além da mulher, só poderia ser a Pátria Amada, por quem deixaríamos de lutar?

                                       “Perdão!… de não ter ousado
                                               Viver contente e feliz!
                                               Perdão da minha miséria,
                                               Da dor que me rala o peito,
                                               E se do mal que te hei feito,
                                               Também do mal que me fiz!”

                                               (Gonçalves Dias, Ainda uma vez – Adeus, aos 34 anos).

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Fonte: Site Pátria Latina

domingo, 1 de agosto de 2021

Na tarde do 1º domingo de agosto, coisa linda é "Um Sorriso Negro". Canta Dona Ivone Lara; Negro é a raiz da liberdade

Domingo, 1º de agosto de 2021 


Um sorriso negro
Um abraço negro
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade
Um sorriso negro
Um sorriso negro
Um abraço negro
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade
Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio, é luto
Negro é a solidão
Negro que já foi escravo
Negro é a voz da verdade
Negro é destino, é amor
Negro também é saudade
Um sorriso negro
Um abraço negro
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade
Um sorriso negro
Um abraço negro
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz da liberdade
Negro é uma cor de respeito
Negro é inspiração
Negro é silêncio é luto
Negro é a solidão (diga lá, rainha)
Negro que já foi escravo
Negro é a voz da verdade
Negro é destino, é amor
Negro também é saudade
Um sorriso negro
Um abraço negro
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz de liberdade
Um sorriso negro
Um sorriso negro (e simbora, negro)
Um abraço negro (sua benção, tia Ivone)
Traz felicidade
Negro sem emprego
Fica sem sossego
Negro é a raiz de liberdade
Negro é a raiz de liberdade
Negro é a raiz de liberdade
Negro é a raiz de liberdade
Compositores: Adilson Reis Dos Santos / Jair Carvalho / Jorge Philomeno Ribeiro

Janio Ferreira Soares: um salve a Douglas Souza que corta na cara do preconceito em Tokio

Domingo, 1º de agosto de 2021

Janio Ferreira Soares


Do Blog Bahia em Pauta

CRÔNICA

Douglas Souza corta na cara do preconceito

Por Janio Ferreira Soares

No começo dos anos 70 eu sempre me inscrevia no time de vôlei pra participar dos Jogos Estudantis de Paulo Afonso, mesmo não jogando nada. “Mas então, pra que se aventurar por águas nunca dantes, ô seu velho ribeirinho?”. Além da farra em si, preocupado leitor e curiosa leitora, minha motivação era a dispensa das aulas no período das competições, que compensava a dura preparação física. Explico.

Como vivíamos numa área de segurança nacional e em plena ditadura, os treinadores eram militares da 1ª Companhia de Infantaria do Exército, instalada aqui em 1954 com a finalidade de proteger o complexo hidrelétrico dos comunistas (ui, que meda!).

Leia a íntegra

Mãe nossa que estais na terra

Agosto

Mãe nossa que estais na terra

Nas aldeias dos Andes, a mãe terra, a Pachamama, celebra hoje a sua grande festa.

Dançam e cantam seus filhos, nessa jornada sem fim, e vão oferecendo para a terra um pouco de cada um dos manjares do milho e um golinho de cada uma das bebidas fortes que molham a sua alegria.

E no final, pedem a ela perdão por tanto dano, terra saqueada, terra envenenada, e suplicam a ela que não os castigue com terremotos, nevascas, secas, inundações e outras fúrias.

Essa é a fé mais antiga das Américas.
Assim os maias tojolabales cumprimentam a mãe, em Chiapas:

         Você nos dá feijões,
      que são tão saborosos
      com pimenta, com tortilha.
      Você nos dá milho, e café do bom.

         Mãe querida, cuide bem de nós, cuide bem.
      E que a gente jamais pense
      em vender você.

Ela não mora no Céu. Mora nas profundidades do mundo, e lá nos espera: a terra que nos dá de comer é a terra que nos comerá.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”.
L&PM Editores, 2ª edição, pág. 247
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sábado, 31 de julho de 2021

Procura uma tarde de DOMINGO agradável? Então curta MPB, Pop Rock e Groove com Negodai no Nonato Rocks Bar, na Feira Permanente do Gama às 14 hs deste 1º dia de agosto

Sábado, 31 de julho de 2021


Tudo jóia? 👍🏾

Domingo terá música ao vivo e você é nosso convidado(a).🎼🎤

Com o repertório recheado de MPB, Pop Rock e Groove,  o cantor e compositor Negodai irá animar à tarde da galera.

🩸Local- Nonato Rocks Bar (Feira Permanente do Gama)

🗓️Data- 01 de Agosto (domingo)

⏰Horário- 14 HS

BAIXANDO A GUARDA. Covid-19: Japão tem recorde de casos com Olimpíada e Brasil sinaliza "liberou geral"

Sábado, 31 de julho de 2021

Mesmo com mundo em alerta, semana no Brasil foi marcada por anúncios de relaxamento das medidas sanitárias

Nara Lacerda —31 de Julho de 2021

Abertura e relaxamento de medidas vão na contramão do que deveria ser feito.

Embora venha registrando queda no ritmo de crescimento dos óbitos por covid-19 há quase dois meses, o Brasil encerra o mês de julho com mais mortes do que o que foi observado nos meses mais críticos do ano passado. Ainda assim, o relaxamento das medidas de prevenção é o foco atual das decisões governamentais.

sexta-feira, 30 de julho de 2021

Bolsonaro não é um palhaço, é um monstro. É preciso mudar a forma de reagir a Bolsonaro

Sexta, 30 de julho de 2021

Bozo, palhaço que ficou famoso mundialmente. Passou a integrar a programação da TV brasileira em 1980. - Créditos da foto: Reprodução

Brasil de Fato
João Paulo Cunha
 — 30 de Julho de 2021

Nada pior que a naturalização do mal. De repente, o que parecia inaceitável se torna habitual. Há várias circunstâncias que contribuem para essa pacificação da revolta: a repetição, o inusitado da persistência do mal e a análise viciada da realidade. É o que explica que, hoje, se acredite que a covid-19 está relativamente controlada, diferentemente do que ocorria há um ano. Acompanha-se as curvas de morte em decréscimo sem olhar o que elas ainda sinalizam de ameaça real e imediata.

Ministro Alexandre de Moraes determina retomada do trâmite de inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na PF

Sexta, 30 de julho de 2021

As investigações estavam suspensas desde setembro do ano passado para aguardar julgamento de recurso da AGU.


Do STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou hoje (30) a imediata retomada da tramitação do Inquérito (INQ 4831) que apura declarações feitas pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro sobre suposta tentativa do presidente da República, Jair Bolsonaro, de interferir politicamente na Polícia Federal (PF).

Para o relator, em razão da recente prorrogação do prazo do inquérito por mais 90 dias e da necessidade de realização de diligências pendentes para o prosseguimento das investigações, não se justifica mais a manutenção da suspensão da tramitação determinada pelo então relator em exercício do processo, ministro Marco Aurélio (aposentado).

TJDFT aumenta condenações de acusados da “Máfia das Funerárias"

Sexta, 30 de julho de 2021

                                                   Imagem ilustrativa

Do MPDF

A 1ª Turma Criminal do TJDFT, por unanimidade, deu provimento ao recurso do MPDFT para incluir o crime de organização criminosa e falsa identidade (para um dos acusados) na sentença de 1ª instância que condenou investigados da “Operação Caronte”. Os réus haviam sido condenados pelo crime de captação ilegal de rádio restrita à polícia, para obter informações sobre falecimento de pessoas, e com isso, oferecer serviços funerários a suas famílias, incorrendo ainda no crime de indução do consumidor a erro.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios - MPDFT, no âmbito da “Operação Caronte”, realizada para investigar a chamada “Máfia das Funerárias”, constatou que os acusados formaram um grupo criminoso para interceptar o rádio de comunicação da polícia, de maneira ilegal, e assim ter acesso a dados de pessoas recém falecidas para oferecer seus serviços.

Normativa da Funai que fragiliza proteção de terras indígenas está suspensa em 8 estados da Federação

Sexta, 30 de julho de 2021

Atuação do MPF nos estados garante integridade de áreas protegidas

Arte: Secom/MPF

O MPF considera que a instrução viola direitos constitucionais dos povos indígenas, favorece a grilagem de terras públicas e agrava conflitos agrários. Ao todo, procuradores da República ajuizaram 28 ações judiciais na 1ª instância da Justiça Federal, pedindo a suspensão da IN 09, com 19 decisões judiciais favoráveis. Atualmente, a norma da Funai está suspensa por ordens judiciais em oito estados da Federação: Pará, Mato Grosso, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Bahia e Rio Grande do Sul, o que garante a proteção de mais da metade das terras indígenas brasileiras.O Ministério Público Federal (MPF) vem obtendo liminares na Justiça Federal que suspendem a Instrução Normativa 9, da Fundação Nacional do Índio (Funai), que alterou os critérios para a emissão de Declaração de Reconhecimento de Limites (DRL) por meio do Sistema de Gestão Fundiária (Sigef), gerido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Com a instrução, proprietários ou possuidores de terras poderiam emitir a declaração para áreas dentro do limite de terras indígenas ainda não homologadas pelo governo federal brasileiro.

DESESPERO: Bolsonaro admite não ter prova de fraudes em eleições. TSE rebate mentiras em tempo real

Sexta, 30 de julho de 2021
Ele acusou Luís Roberto Barroso (TSE), de querer impor a vitória de Lula em 2022

Brasil de Fato com informações da Redação Rede Brasil Atual
30 de Julho de 2021

Inicialmente, Bolsonaro disse que a apuração do TSE é feita de forma secreta e deveria ser pública - Evaristo Sá/AFP

Após quase três anos afirmando que fraudes impediram sua vitória ainda no primeiro turno das eleições de 2018, Jair Bolsonaro realizou nova live nas redes sociais nesta quinta-feira (29) com o anúncio de que apresentaria as provas das suas denúncias.

No entanto, ele apenas repetiu teorias que circulam há anos na internet e que já foram desmentidas anteriormente para justificar sua defesa da mudança do atual sistema eleitoral brasileiro para o voto impresso, com uma proposta de emenda em discussão na Câmara.

Além disso, Bolsonaro mudou o discurso e finalmente admitiu que não pode comprovar se as eleições foram ou não fraudadas. “Não temos prova”, disse o presidente.

Mariene de Castro - Pot-pourri ai que saudades tenho da Bahia

Sexta, 30 de julho de 2021

Por Cida Torneros

Tenho muitas histórias pra contar do que já vivi na Bahia e do quanto aquele pedaço histórico do Brasil me renasce o meu porto seguro. Isso, o Porto seguro de Cabral é tão meu quanto dele. 

A primeira vez que me senti "baioca" mistura de baiana com carioca tinha 7 anos. Meu avô português foi pra lá passear sozinho e trouxe uma pulseira com mini baianinhas penduradas. Não tirava nem pra tomar banho, ficava admirando e balançando a bijuteria até no meio das aulas da primeira série. 

Senti que aquelas bonequinhas tinham a ver com meu futuro de algum modo.

Depois, já quase adolescente, me apaixonei por Carmen Miranda e Dorival Caymmi. E na juventude, por João Gilberto e Caetano e Gil e Bethânia e Gal. 

A viagem foi adiada muitas vezes. Consegui ir com meu filho pequeno ainda duas vezes a Porto Seguro. O encantamento da Baía Cabrália, a aldeia dos índios pataxós, o gosto de Brasil descoberto em 1500.

Anos depois, sozinha, finalmente, rumei para Salvador. Que aventura maravilhosa. Dias de descoberta do Pelourinho, das igrejas, do místico Bonfim, do elevador Lacerda, da praça Castro Alves, das lembranças dos discursos que estudei de Rui Barbosa e da comida saborosa inesquecível. Praias, amizades novas, um flerte que me levou na lagoa de Abaeté e fui conhecer os Orixás iluminados na noite do Tororó.

Voltei pro Rio abençoada e certa de que iria outras vezes beber duma fonte daquela energia cruzada. Isso aconteceu em 2005 .

Retornando de um trabalho em João Pessoa, parei em Salvador pra visitar minha prima Luciana médica que tinha mudado pra lá.

Tempinhos depois fui no casamento da Lu com Saulo. E quando a primeira filha do casal Bia fez um ano, estive na festa

Ainda não consegui voltar. Bahia está no meu coração. Comemoro o 2 de julho com patriotismo.

Sigo a baianada com tietagem quase infantil. Tive a honra de conhecer Vitor Hugo Soares e escrever para o jornal a tarde, colaboro no site Bahia em Pauta.

Margareth Menezes, Mariene de Castro, os novos velhos baianos. Acompanho todos. Sou fanzoca de carteirinha do Jorge Amado e família. A fase baiana do Vinícius me encheu de orgulho.

O axé daquela terra me entranhou direto. Ai que saudades tenho da Bahia.

Cida Torneros

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Cida Torneros é jornalista aposentada e edita no Rio de Janeiro o Blog Vou de Bolinhas.

quinta-feira, 29 de julho de 2021

Eu e você no Congresso Nacional

Quinta, 29 de julho de 2021

Querida comunidade brasileira,

Acreditar que a união de pessoas diferentes promoverá mudanças é um dos motivos porque você recebe nossos e-mails e semana após semana, com poucos cliques, enfrentamos muitas batalhas no Brasil e no mundo. 

Pela primeira vez, tenho receio de que nossa bela diversidade seja expulsa da política.

Políticos do Centrão —aqueles que se importam apenas com poder e dinheiro— estão tentando mudar as regras da eleição para ficarem no poder e impedir que gente como a gente chegue lá. Como eu, você e seus netos e netas. Essas mudanças farão com que cerca de 30% da população decida todos os nossos representantes. Impedirão que mulheres sejam eleitas. Colocarão apenas pessoas MUITO ricas no Congresso. 

Precisamos impedir que esse sistema - o Distritão - destrua o sonho de tantas e tantos de nós, de construir um Brasil melhor, que cuide de todos e onde caiba cada um de nós. Junte-se nessa campanha para defender uma política para todos os brasileiros e brasileiras, com todas as nossas diferenças:


Cresci ouvindo meu pai dizer que poderia ser tudo que eu quisesse, até presidente. Apostei tanto nesta ideia tanto que hoje sirvo um movimento que representa tudo que acredito: pessoas que pensam diferente entre si movem e mudam o mundo quando se unem em causas comuns. E, se não agirmos, esse sonho de mudança pode acabar.

PRESIDENTE OU PRESTIDIGITADOR: O VOTO QUE PODE NÃO SIGNIFICAR DEMOCRACIA.

Quinta, 29 de julho de 2021

Leia mais em: https://veja.abril.com.br/blog/jorge-pontes/so-a-terceira-via-nos-salvara-em-2022/       O presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – Divulgação/Divulgação


Por
Pedro Augusto Pinho*

“Poucas unidades militares têm uma reputação tão ruim quanto os pretorianos, a guarda dos imperadores de Roma, sua privilegiada (cobravam muito mais do que os legionários, e serviram menos tempo) e muitas vezes petulante escolta. O corpo, que também acompanhava o imperador em campanhas, entrando em combate como soldados, teve múltiplas funções, incluindo as de polícia secreta, espionagem e operações clandestinas (como assassinar inimigos do Estado). Foram precursores das unidades de elite e dos guarda-costas dos líderes modernos, influenciaram forças como a Guarda Suíça, a Guarda Imperial de Napoleão e as SS, e seu eco alcança até mesmo o universo de Star Wars, em cujo novo filme, Os Últimos Jedi, o líder supremo do mal conta com uma guarda pessoal inspirada diretamente neles (embora armada com espadas e lanças laser em vez de gládios e pilums)”, escreveu para El País, o jornalista catalão Jacinto Antón (Pretorianos, a força obscura por trás do trono dos imperadores romanos) a respeito de duas publicações recentes (2017) dos historiadores Guy Martyn Huchet de la Bédoyère (Praetorian: The Rise and Fall of Rome’s Imperial Bodyguard) e Arturo Sánchez Sanz (Pretorianos: La élite del ejército romano).

Também, neste artigo de 09/01/2018, lemos: “o momento mais sórdido da história da guarda (e de Roma) foi o leilão feito pelos pretorianos da dignidade imperial no ano 193, após o assassinato de Pértinax, que havia tentado colocá-los na linha, depois que na época de Cómodo tinham se acostumado a fazer o que queriam, incluindo bater em transeuntes. “Ofereceram o trono ao melhor lance, uma oferta indigna e degradante, um dos momentos em que eles e Roma foram ao fundo do poço”. Quem comprou o trono, em ascensão, foi Didio Juliano, que durou apenas 66 dias porque não pôde pagar a quantia acertada com os pretorianos”.

As armas dos pretorianos, em nossos impérios e repúblicas, nem sempre foram as de fogo, muitas vezes foram aqueles papeizinhos, pintados de verde (agora também de azul), que no “Guia do Mochileiro das Galáxias” você é informado que os terráqueos gostam muito. Porém sem esclarecer que cada dia valem menos, pois já são impressos sem lastros – e depois querem culpar os chineses (!?).

Estamos próximos da nona eleição presidencial na Nova República, sob a mesma emendada e rasgada, inclusive pelos que deveriam obrigar o respeito, Constituição de 1988, e ainda aguardamos algum projeto razoavelmente semelhante aos Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs) da época da “ditadura”.

Sem Projeto para o País, que seja apresentado e discutido, não apenas pelo candidato, mas por todas as forças políticas e, principalmente, estarem na fundamentação dos Partidos Políticos, cujas legendas lhe dão suporte para registro da candidatura.

Vamos então para mais uma farsa ou um ilusionista, que tivemos, por duas vezes, com grande prejuízo para o País, sem contar o último eleito, desde a primeira redemocratização, em 1945, também seguida de uma Constituição (1946): com Jânio Quadros (1960) e uma vassoura, e Fernando Collor (1989), com sua espingarda de caça aos marajás (indianos no Brasil ou homicídio?).

Mas o ano 1989, não foi apenas uma tragédia brasileira, foi também o ano do Consenso de Washington e seu nefasto decálogo que vem desfigurando as realidades nacionais e por todo mundo. Uma globalização financeira que se impõe também como nova cultura, os identitarismos que afastam parcelas das populações do legítimo interesse nacional, para buscar outras “identidades” como a mais marcante.

Veja, caro leitor, se você é perguntado, em qualquer lugar do mundo, quem você é, o que responde: bissexual?, índio pataxó?, neopentecostal? Ou informa sua nacionalidade? Mas os capitais financeiros apátridas, que residem em paraísos fiscais, têm pavor dos “nacionalismos”, gostam de dividir as nações, os países, de modo a quebrar as nacionalidades em idealizações globais, que nem mesmo são convincentes. Observe se os negros têm todos a mesma etnia em Angola ou Gana ou na Nigéria? Qual a semelhança dos iroqueses ou cherokees com os ianomâmis ou mapuches ou aimarás?

E, por favor, advogo que cada um e todos mantenham orgulho de suas culturas; mas lembrem bem de que foram principalmente os ingleses, que há séculos são dominados pelas finanças, quem mais destruíram culturas e etnias, basta ver onde o inglês é língua oficial. Na África, um amplo continente dominado por estrangeiros europeus, os idiomas locais, exceto o suaíle, não saem de dentro das casas ou da comunidade. Mas o megaespeculador plurinacional George Soros destina bilhões de dólares estadunidenses (que ele melhor do que ninguém sabe ter os dias contados) para movimentos identitários de etnias e sexuais.

Há um aspecto por demais relevante, que obriga a apresentação de projetos nacionais nas eleições do executivo e do legislativo no próximo ano: as perspectivas recém-divulgadas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), sediado na capital dos Estados Unidos da América (EUA). Examinemos com maior profundidade o que significam estas “análises” do FMI.

O FMI estava presente na formulação do Consenso de Washington (novembro de 1989), é cúmplice. E, desde então, tivemos nove “crises”, todas que resultaram em transferência de valores dos tesouros nacionais para as finanças apátridas ou na transferência de ativos rentáveis para este mesmo capital.

Recordando: 1990, no Japão, que nunca mais se reergueu; 1992, na Europa, que resultou no “Tratado Maastricht” ou “Tratado da União Europeia” que vigora desde 1º de novembro de 1993, reduzindo as soberanias nacionais que se extinguem com a adoção do euro; 1994, no México, crescendo naqueles últimos sete anos, apesar da abertura econômica, e com adesões à revolta nacionalista de Chiapas; 1997, no sudeste asiático, onde os “tigres” se industrializavam e desenvolviam tecnologias próprias; 1998, na Rússia, mais um empurrão para o desmembramento total da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS – 1991), tirando recursos da Rússia; 1999, no Brasil, para aproveitar a reeleição de Fernando Henrique Cardoso e acelerar a transferência de recursos brasileiros para o controle das finanças apátridas; 2000, nos EUA, limitar a autonomia das empresas de tecnologia digital aos interesses do sistema financeiro internacional, a “bolha da internet”; 2001, na Argentina, o governo Carlos Menem (8 de julho de 1989 a 10 de dezembro de 1999), seguidor do decálogo do Consenso de Washington, arruinou a Argentina, que resultou na declaração de insolvência. Esta “crise” buscou um compromisso e a fórmula para saudar a dívida.

A nona crise, desta amplamente aceita enumeração, exige uma reflexão sobre a evolução dos capitais financeiros após as desregulações dos anos 1980. Ela foi denominada “crise dos subprimes”, que ocorreu nos EUA e na Europa Ocidental de 2007 a 2010. A jornalista Hanna Rosin (israelense, autora de “The End of Men: And the Rise of Women”, de 2012) argumenta que os milhões de adeptos da teologia da prosperidade podem ter influenciado o problema no mercado imobiliário, que causou a crise econômica de 2008-2009. Mais divulgada, no entanto, atribui a causa à falência do tradicional banco de investimento estadunidense Lehman Brothers. E, em efeito dominó, outras grandes instituições financeiras, como a de crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, atingindo a Alemanha, a França, a Áustria, os Países Baixos e a Itália, até 2010. Aqui o presidente Lula chamou de “marolinha”, o que foi geralmente denominado “tsunami”.

Podemos entender que os “capitais tradicionais”, assim os denomino para distinguir dos “capitais marginais”, têm início na Inglaterra medieval, com as Magnas Cartas do século XIII. Porém é a partir do século XVI, com a incorporação do “Novo Mundo”, que eles ganham a força econômica: constituição das Companhias das Índias, financiando as guerras anglo-holandesas e culminando com a criação do banco privado, emissor da moeda e da fixação das taxas de juros, em 1694, o Banco da Inglaterra, por séculos controlado pela família judaica Rothschild.

Os “capitais marginais”, assim designo pois andavam em armários, malas, bunkers, sua presença nos sistemas legais, formais, oficiais financeiros não era permitida. Ele tinha origem no que constituía crime: o tráfico de drogas, o comércio de pessoas e órgãos humanos, o contrabando de armas e de outros produtos rentáveis e desejáveis, porém difíceis pelas condições existentes em países e regiões, a prostituição e manutenção dos modernos pretorianos ou milicianos.

As desregulações promovidas pela Margaret Thatcher (Reino Unido) e por Ronald Reagan (EUA) absorveram no sistema legal os “capitais marginais”, que na primeira década desta oportunidade (1990-1999) testaram as vantagens e possibilidades com quatro trilhões de dólares estadunidenses.

Os “marginais” tinham sobre os “tradicionais” a imensa vantagem da liquidez, da pronta disponibilidade de dinheiro; nem estavam imobilizados nem representavam dívidas, eram “cash”, “em espécie”.  Acreditamos que a “crise de 2008-2010” representou o primeiro embate entre estes dois conjuntos de capitais financeiros, do qual não saiu um vencedor nítido (ao menos para quem está apreciando de fora), mas a possibilidade de ter sequência, esperarmos outra crise.

Ao garantir que o mundo todo terá queda nos respectivos Produtos Internos Brutos (PIBs) em 2022, o FMI, que é do ramo e participa de todas as jogadas, está mostrando que haverá uma nova rodada na disputa entre “tradicionais” e “marginais”, talvez já neste final de 2021.

Ora, para a defesa da Pátria, para um mínimo de dignidade nacional, não se pode aceitar outro representante dos interesses estrangeiros ou a manutenção de um escamoteador na condução do País. Precisamos de alguém que tenha suporte político, forme alianças de interesses nacionais e não dos capitais apátridas ou alienígenas, para explicar e convencer o povo a ter um Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), ou um Projeto Nacional Brasileiro (PNB).

Como seria este novo PNB ou PND?

As condições internacionais e nacionais dos anos 1960/1970 e de agora, pós 1991, são bastante diferentes.

O Brasil vinha de uma sequência de transformações e de crescimento, desde o pós-guerra. Esta época que os economistas da Associação Francesa de Economia Política denominaram “os trinta anos gloriosos”, de 1945 a 1975.

A destruição que o neoliberalismo promoveu na estrutura de governo, principalmente após o fim da URSS, para que pudessem ser as finanças o verdadeiro poder, obriga ser das mais urgentes metas, as providências dos 100 dias, uma nova configuração organizacional do Brasil. Algo talvez ainda mais profundo do que fez Getúlio Vargas, vencedor da Revolução de 1930, que a história batizou “Era Vargas”. E durou quase um século!

Gostaríamos de deixar claro que um projeto nacional nem é somente um trabalho intelectual, de gabinete, ainda mais de um único conjunto de especialistas, é um trabalho multidisciplinar, mas, principalmente, que exige um esforço, desde o início, de mobilização e da ampla participação popular em todas as suas etapas. É fundamentalmente um trabalho do povo e para o povo brasileiro

Vamos nos arriscar a apresentar alguns processos, algumas ideias. De início, dividiríamos o trabalho em dois conjuntos, sob gerenciamentos próprios, as questões nacionais dirigidas à SOBERANIA e as destinadas à CIDADANIA.

Quais são as questões da Soberania? Também se subdividiriam nas: 1) da Defesa Nacional, 2) da Gestão e Proteção dos Recursos Naturais, 3) do Desenvolvimento Nacional e 4) da Aplicação e Participação dos Rendimentos Nacionais. Em todas elas há, como é óbvio, o permanente e incentivado desenvolvimento científico e tecnológico.

É necessário, desde logo, excluir qualquer ideia de capitalismo de estado ou de Estado que opera todos os recursos. O papel principal do Estado é o de planejar, conforme as prioridades definidas pelo povo na sua participação direta, e orientar. Toda iniciativa privada, que não seja em área de segurança ou estratégica para defesa e desenvolvimento nacionais, é bem-vinda.

E as questões da cidadania? É o permanente e contínuo trabalho da formação da cidadania, da exclusão da pedagogia colonial, da verdadeira autonomia da pessoa humana. Constituem subdivisões da Cidadania: 1) trabalho, a garantia e proteção ao trabalho, como a forma de dar dignidade e propiciar a realização do ser humano, e, como decorrência, a previdência e a assistência social; 2) existência, as condições de saúde, de habitação e de mobilidade urbana. Como se infere destas ações, a urbanização, o saneamento básico, a interligação da saúde com o desenvolvimento das indústrias nacionais de medicamentos, vacinas, materiais hospitalares, vai demonstrar que esta estrutura tem o funcionamento sistêmico, integrado por sistemas de informação confiáveis, desenvolvidos e mantidos por empresas brasileiras; 3) consciência, que preferimos à designação habitual de educação, pois se quer dar a ideia que é desenvolvida a partir da pessoa, da cultura e perspectivas nacionais. Como se expressou, com verdadeira poesia, este grande construtor do Brasil, geógrafo e humanista Milton Santos: “o conhecimento do mundo vem do meu jardim”; 4) comunicação e vocalização. Tem-se que, sem censura mas com responsabilidade e amplamente, levar a informação a todas as pessoas. Não da forma monopolista comercial de hoje, mas também desta em conjunto com as das redes comunitárias, oficiais dos governos, e mesmo estrangeiras, com definidos tempos e participações máximas. Igualmente tem-se que garantir a todo cidadão o direito de se expressar e dialogar com o Estado, em todos os níveis, e os prestadores de serviços e produtores de bens que estejam disponíveis para todos habitantes; a esta parte denominamos vocalização; 5) participação cidadã, os incentivos para que todos os cidadãos se interessem pela vida da comunidade, do Estado onde more, do País. Devem ser desenvolvidas as estruturas e mecanismos de participação, colaboradores do bem estar geral.

Há, também, um conjunto de atividades próprias do Estado Nacional que as denominamos Garantia dos Direitos, onde se incluem as investigações e julgamentos e as repressões a distúrbios e atos pré-definidos como hostis à pessoa e à sociedade.

Concluindo, sugeriríamos considerar a divisão das competências do Estado Nacional em quatro níveis: o municipal, tratando das questões da cidadania; o estadual, tratando da garantia dos direitos; o regional, do desenvolvimento nacional e da gestão e proteção dos recursos naturais; e da união, com a defesa nacional e a aplicação e participação dos rendimentos nacionais. Parece-nos necessária a redefinição dos espaços territoriais e das populações mínimas e máximas para constituição dos municípios, para que se tornem administráveis com a máxima autonomia e disponibilidade de recursos.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado

Fonte: Site Pátria Latina