Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

terça-feira, 19 de outubro de 2021

Invisíveis

 Outubro

19

Invisíveis

Há dois mil e quinhentos anos, no alvorecer de um dia como hoje, Sócrates passeava com Glauco, irmão de Platão, nos arredores do Pireus.
Glauco então contou a história de um pastor do reino da Lídia, que certa vez encontrou um anel, colocou-o no dedo e num instante percebeu que ninguém o via. Aquele anel mágico o tornava invisível aos olhos dos outros.
Sócrates e Glauco filosofaram longamente sobre as derivações éticas dessa história. Mas nenhum dos dois se perguntou por que as mulheres e os escravos eram invisíveis na Grécia, embora não usassem anéis mágicos.


Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”, 2ª edição, folha 331, editora L&PM.

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

MST vai processar bolsonarista que espalhou fake news sobre destruição de casas em Pernambuco

Segunda, 18 de outubro de 2021

Imagens de casas depredadas no Agreste de Pernambuco: MST diz que sequer conhece o conjunto habitacional citado nos vídeos - Reprodução / Facebook

Sem-terra visitarão conjunto habitacional na sexta-feira (22) para desmentir boato compartilhado por Bolsonaro

Paulo Motoryn e Daniel Giovanaz
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 18 de Outubro de 2021 às 15:02


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) vai processar um militante bolsonarista que espalhou afirmações falsas sobre uma suposta depredação feita pelo movimento ao Residencial Cruzeiro, conjunto habitacional do Programa Minha Casa Minha Vida, em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste de Pernambuco.

A notícia se espalhou depois que Abimael Santos, integrante do grupo bolsonarista Liberta Pernambuco, associou indevidamente o MST à destruição de casas no conjunto habitacional, no último domingo (17). O militante fez a acusação em vídeos e em diversas publicações nas redes sociais.

A repercussão do caso chegou até o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que publicou na noite de domingo (17), em sua conta no Twitter, um vídeo que mostra a destruição do local. A deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) e o assessor especial da Presidência, Mosart Aragão Pereira, também usaram a rede social para compartilhar as imagens.

As obras do conjunto, fruto de uma parceria entre a Caixa Econômica Federal e a prefeitura, deveriam ter sido entregues em 2019. Depois de sucessivos adiamentos, a previsão é que fique pronto em dezembro de 2021. Até o momento, 93% da construção foi concluída.

"CPI parou o genocídio": senadores celebram vitórias e dizem que comissão "não acabou em pizza"

Segunda, 18 de outubro de 2021

Simone Tebet (MDB-MS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Rogério Carvalho (PT-SE), Renan Calheiros (MDB-AL) e senador Humberto Costa (PT-PE) - Marcos Oliveira/Agência Senado

Mesmo antes de relatório, membros da comissão apontam que investigação evitou mais mortes e corrupção na pandemia

Caroline Oliveira, Paulo Motoryn, Igor Carvalho, José Eduardo Bernardes e Daniel Giovanaz
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 18 de Outubro de 2021

Simone Tebet (MDB-MS), Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Rogério Carvalho (PT-SE), Renan Calheiros (MDB-AL) e senador Humberto Costa (PT-PE) - Marcos Oliveira/Agência Senado

A CPI da Pandemia "não acabou em pizza". A constatação é de senadores que integram a comissão e que foram ouvidos pela reportagem do Brasil de Fato nas últimas semanas. De acordo com os congressistas, a investigação parlamentar cumpriu o papel de "estancar o genocídio" promovido por meio de ações e omissões do governo federal no combate à pandemia do novo coronavírus.

O relatório final, que será lido pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL) na quarta-feira (20) – a leitura estava agendada para terça (19), mas foi adiada no domingo (17) –, irá refletir o teor das duas linhas principais de acusação contra o Executivo: a primeira é a prática "negacionista" materializada em um suposto boicote à compra de vacinas e na apologia a tratamentos ineficazes; a segunda tem como foco a corrupção no Ministério da Saúde.

A votação do relatório está marcada para a terça-feira da semana seguinte, dia 26. A decisão pelo adiamento da leitura e da votação foi do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), diante de divergências dos senadores em relação a pontos que estarão presentes no texto.


Durante a semana passada, Calheiros chegou a afirmar que apenas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deveriam ser imputados 11 tipos penais diferentes: epidemia com resultado morte; infração de medica sanitária; emprego irregular de dinheiro público; incitação ao crime; falsificação de documento particular; charlatanismo; prevaricação; genocídio de povos indígenas; crimes contra a humanidade; crimes de responsabilidade e homicídio por omissão.

Outros senadores apontaram, durante o final de semana, que o ideal seria delimitar a lista de delitos em torno de quatro ou cinco crimes, o que, segundo eles, já seria suficiente para responsabilizar Bolsonaro pelas 600 mil mortes por Covid-19 e a má condução do combate à pandemia. Os pontos devem ser debatidos em sessão desta segunda-feira (18). Pela manhã, será ouvido o integrante do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Nelson Mussolini. À tarde, serão ouvidas pessoas que perderam amigos e parentes para a covid-19. Todas as regiões do país serão representadas entre os depoentes.

LIVE da Auditoria Cidadã da Dívida é hoje, segunda-feira (18/10) às 19h: Pandora Papers e o planejamento do ilícito

 Segunda, 18 de outubro de 2021

Da

Nesta segunda-feira (18/10), às 19 horas, a live da Auditoria Cidadã da Dívida irá discutir a maior investigação da história do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), que encontrou empresas em paraísos fiscais (offshores) ligadas a diversas autoridades mundiais, inclusive o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A investigação apontou as duas autoridades brasileiras com aplicações financeiras milionárias em paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas. Apesar de não ser ilícito ter offshores em paraísos fiscais, quando se trata de autoridades do Governo, responsáveis pela condução da política econômica do país, as normas do serviço público e a Lei de Conflito de Interesses proíbe que membros da cúpula do governo mantenham esse tipo de negócio, o caso sugere que pode ter havido autofavorecimento.

As mulheres são pessoas

 Outubro

18

As mulheres são pessoas

     No dia de hoje do ano de 1929, a lei reconheceu pela primeira vez, que as mulheres do Canadá são pessoas.
     Até esse dia, elas achavam que eram, mas a lei achava que não.
    A definição legal de pessoa não inclui as mulheres, havia sentenciado a Suprema Corte da Justiça.
   Emily Murphy, Nellie McClung, Irene Parlby, Henrietta Edwards e Louis McKinney conspiravam enquanto tomavam chá.
   Elas derrotaram a Suprema Corte.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”, 2ª edição, folha 330, editora L&PM.

domingo, 17 de outubro de 2021

Cimi e Apib relatam tortura e assassinatos em Terra Indígena Serrinha, no Rio Grande do Sul

Domingo, 17 de outubro de 2021

Famílias kaingang cobram providências em protesto no Ministério Público Federal no último dia 24 de setembro - Reprodução/Sul21

Conflito deixou dois mortos e teria origem na prática de arrendamento de terras para exploração pelo agronegócio

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP)
17 de Outubro de 2021 às 17:30

Famílias da Terra Indígena Serrinha (norte do Rio Grande do Sul) foram alvo de episódios de extrema violência neste sábado (16) em função de conflitos causados por processos de arrendamento de terras. As denúncias foram confirmadas pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (INKA), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Articulação dos Povos Indígenas do Sul (Arpinsul) e o Conselho Indigenista Missionário Regional Sul.

Em notas divulgadas neste fim de semana, as instituições relatam intimidações, cárcere privado, tortura, assassinatos e omissão por parte do poder público na região. Apib e Arpinsul afirmam que a prática de arrendamentos observada na região "coopta e corrompe lideranças colocando indígenas contra indígenas em uma política de violência incentivada pelo atual Governo, fomentada pelo agronegócio e que gera mortes".


No texto, as articulações cobram que o poder público impeça que os arrendamentos sejam legalizados, possibilidade aberta pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 187, que tramita no Congresso Nacional. "A proposta ruralista é mais uma ameaça aos direitos constitucionais dos povos indígenas e pode agravar ainda mais o quadro de violências contra os povos originários", pontuam.

No sábado (16), dois homens foram mortos a tiros dentro da terra indígena, que está situada em uma área que abrange os municípios de Ronda Alta, Três Palmeiras, Constantina e Engenho Velho. Segundo o INKA, as famílias são alvo de "violência e a truculência do poder político interno". A entidade denuncia processos chamados de “transferências”, em que indígenas são forçados a deixar suas casas sob humilhação, "atos cruéis, coordenados a mando da liderança culturalmente corrompida do local", diz a nota divulgada.


O Instituto relata que os "episódios de violência aberta e deliberada de caráter político interno na Terra Indígena Serrinha vem se estendendo por meses". Houve expulsão de lideranças, anciãs e anciãos. Profissionais da saúde, direito e educação e artistas foram impedidos de atuar. Agentes culturais teriam sofrido agressões físicas presos em um banheiro de um ginásio da aldeia.

Pela internet, a moradora, Vãngri Kaingang, fez um apelo desesperado que viralizou.





Há menos de um mês, o Conselho de Anciãos da Terra Indígena Serrinha, divulgou um texto em que alertava para riscos altos de conflitos violentos. A nota informava que as irregularidades foram denunciadas a diversos órgãos ainda no ano passado, mas nenhuma medida foi adotada para resolver o problema. A reserva tem mais de 650 famílias e população total superior a 3 mil pessoas.

O caso será conduzido pela Polícia Federal (PF) com o apoio da Polícia Civil (PC).

Edição: Vivian Virissimo

GLOBALIZAÇÃO, DÍVIDA E MISÉRIA e AEPET 60 ANOS ENERGIA BRASIL

Domingo, 17 de outubro de 2021

GLOBALIZAÇÃO, DÍVIDA E MISÉRIA

Por Pedro Augusto Pinho
No fim de semana que prossegue com o feriado do dia do comerciário, 16 a 18 de outubro, o jornal MONITOR MERCANTIL traz artigos e reportagens que dão a real perspectiva da situação do Brasil e do mundo, no ambiente de fake news, fraudes intencionais, engodos de toda ordem e falácias cometidas pelos que têm obrigação de dirigir a sociedade.

No título deste artigo temos duas farsas: globalização e dívida, e sua pior consequência: a miséria física e cognitiva que envolve o mundo. No Monitor Mercantil lemos uma comparação entre dois instantes históricos, no artigo do analista geopolítico Fabio Reis Vianna, em A batalha de Lepanto e os fantasmas da Europa (pag. 2 Opinião). E, no dia 18 de outubro, pela iniciativa da Auditoria Cidadã da Dívida, teremos no youtube, às 19 horas, a apresentação, com debates, da Coordenadora Nacional Maria Lucia Fattorelli, da Auditoria Cidadã, e do jornalista internacional Beto Almeida, sob o título Pandora Papers e o Planejamento do Ilícito.

No jornal e no debate, temos/teremos dados que esclarecem a situação trágica, qual um veneno cósmico em que a Terra mergulhou.

Iniciemos pela farsa da globalização. Quem pode transitar por todo mundo “sem lenço e sem documento” senão as finanças apátridas, quase sempre oriundas de atos ilícitos: tráfico de drogas, prostituição de pessoas de todos os sexos e idades, venda de órgãos humanos obtidos por crime para indústrias de cosméticos, contrabando de armas, corrupções etc. Para estes capitais existiam, no fim de 2019, 84 paraísos fiscais espalhados pelo mundo, estando a maioria, 32, em territórios da Commonwealth Britânica. Hoje, com quase dois anos de covid, já devem existir outros mais.

“Dívida de países pobres vai a US$ 860 bilhões e bate recorde em 2020” é título de reportagem do Monitor Mercantil, onde esclarece que “o Banco Mundial divulgou nesta semana dados que indicam o crescimento de 12% da dívida de países de baixa renda” e “o Grupo Banco Mundial destinou US$ 157 milhões para combater os impactos sanitários, econômicos e sociais da crise”.

Enganam-se os que veem alguma ação altruística do Banco Mundial, onde as grandes potências militares e econômicas do mundo têm a decisão. São recursos que retornam com ganhos de diversas ordens para os países ricos: sob a forma de juros, ou de contratos de fornecimento de bens ou, ainda, de prestação de serviços, inclusive como provocar a miséria nestas nações para que nunca deixem de pagar, várias vezes, a mesma dívida.

A miséria vem narrada sob o título “Fome aumenta no mundo no Dia da Alimentação”. O dia 16 de outubro, as Nações Unidas (ONU) consagram como a data Mundial da Alimentação. Mas o Secretário-Geral António Guterres não pode fugir à constatação que 40% da humanidade “não consegue pagar por uma dieta saudável”. São três bilhões de pessoas vivendo esta situação, esclarece a reportagem. E Guterres acrescenta que os impactos do covid-19 pioraram ainda mais a situação acrescentando 140 milhões de pessoas aos que se encontram sem alimentos.

E o governo do Brasil, a partir do golpista Michel Temer, no que prossegue o presidente Jair Bolsonaro, fecha as fábricas de fertilizantes da Petrobrás, ou as vendem para empresa sediada em paraíso fiscal, deixando a agricultura, que pode abastecer o mundo, pelo solo, pela água, pela tecnologia da EMBRAPA, sem insumo para produção. Uma contribuição a mais do nosso País às finanças internacionais.

Distrito da Fome: inflação e pobreza ameaçam soberania alimentar de famílias brasilienses

Domingo, 17 de outubro de 2021
Já são mais de 116 milhões de pessoas em situação insegurança alimentar. - Foto: Tony Winston/Agência Brasília


SOBERANIA ALIMENTAR

Capital do país teve a maior alta na cesta básica e foi onde a pobreza mais cresceu

Pedro Rafael Vilela
Brasil de Fato | Brasília (DF)

A diarista Cristina de Sousa, moradora do Itapoã, uma das regiões mais pobres do Distrito Federal, ficou praticamente sem casas pra limpar desde a eclosão da pandemia de covid-19, em 2020. Por sorte, alguns de seus clientes mantiveram o pagamento das diárias e ela conseguiu atravessar esse período sem passar por uma situação mais drástica de perda total de renda.

Mãe solo, ela mora com os dois filhos, um de 23 anos, outro de 14, em uma casa de poucos cômodos cujo aluguel é de R$ 700. Como ela atualmente não recebe nenhum tipo de auxílio governamental, como o Bolsa Família e outros programas, toda sua renda depende do seu trabalho como doméstica em diferentes domicílios.

"Eu acho que tá difícil para a grande maioria do povo. Aqui em casa, eu agradeço de conseguir comer pelo menos o arroz com feijão", relata. Apesar de não viver numa situação mais severa de insegurança alimentar, Cristina conta que o consumo de carne foi praticamente zerado, e ela foi deixando de comprar outros itens essenciais na dieta de qualquer pessoa, como verduras, legumes e frutas por por causa do preço alto.

"Frutas foi um item que nunca mais eu comprei, como maçã, mamão, que meus filhos gostam, mas tivemos que dar uma parada", lamenta.

Brasília registra o maior aumento da cesta básica de alimentos entre as capitais. De setembro de 2020 a setembro de 2021, no acumulado dos últimos 12 meses, o percentual de aumento do produto na capital do país já soma de 38,56%, disparado o maior valor entre 17 capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese).

Atualmente, o valor médio da cesta de alimentos na capital do país está em R$ 617,65, o sétimo maior valor entre as capitais pesquisadas.

Dia Internacional da Soberania Alimentar

Na data em que se celebra o Dia Mundial da Soberania Alimentar, neste sábado (16), o Brasil tem pouco a comemorar e muito a denunciar. Já são mais de 116 milhões de pessoas em situação insegurança alimentar, o que é mais da metade da população.

Desse total, 43,4 milhões de pessoas não tinham comida o suficiente e 19 milhões estavam efetivamente passando fome, segundo dados do "Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia Covid-19 no Brasil", elaborado pela Rede PENSSAN no início deste ano.

A extrema pobreza quase triplicou, passando de 4,5% da população para 12,8%. Com números tão alarmantes, o país, que tinha saído do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU) voltou retornou à esta triste posição.

Sobre o DF, um estudo recente do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) mostrou que o percentual famílias que vivem na pobreza passou de 12,9% para 20,8% da população. Já a extrema pobreza passou de 3,2% para 7,3%. Foi o pior desempenho entre todas as capitais do país.

Somados, esses dois grupos formam um contingente de mais de 860 mil pessoas em situação de vulnerabilidade social na capital do país. O Banco Mundial considera que alguém está em situação de pobreza quando tem uma renda de US$ 5,50 por dia (cerca de R$ 28,60). Na extrema pobreza, a renda é de US$ 1,90 por dia (R$ 10,45).

Não há dados atualizados específicos sobre a fome na capital do país, mas outro estudo do IBGE, realizado ainda antes da pandemia e divulgado no ano passado, mostrou que que 319 mil domicílios do DF estão em situação de insegurança alimentar. Houve um aumento de mais 250% desde 2013.

A catadora de material reciclável Ivânia Souza Santos, de 38 anos, mora com o marido e três filhos em uma quitenete na Vila Planalto. No primeiro semestre, ela foi expulsa, junto com outras 24 famílias, de uma ocupação nas imediações do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), que fica a poucos quilômetros da zona central de Brasília.

Em setembro, ela já havia relatado seu drama em um especial publicado Brasil de Fato sobre a fome. Agora, em nova conversa com a reportagem, ela teme ter que voltas às ruas com o fim do auxílio aluguel. "Só vou receber até dezembro, depois disso não temos pra onde ir".

Ivânia e família contam apenas com o Bolsa Família. Ela está com um problema de saúde na coluna que a impede de catar e vender material reciclável. Por causa disso, a situação de insegurança alimentar é severa. "Tem dias que só temos mesmo arroz pra comer".

Ações solidárias

Na noite da última quinta-feira (14), o Movimento dos Trabalhadores Rural Sem Terra (MST) distribuiu 400 marmitas para pessoas em situação de rua em Brasília.

A ação se somou às várias outras que estão sendo realizadas no Brasil pela Jornada Nacional Movimento Sem Terra Cultivando Solidariedade, cujo objetivo é sensibilizar a população para o tema do combate à fome e pela defesa da Soberania Alimentar.

"No Brasil temos 20 milhões de pessoas que passam fome e cerca de 125 milhões em situação de insegurança alimentar e nutricional. Através dessas ações queremos demonstrar nossa indignação contra esse governo genocida e anunciar o papel da Reforma Agrária Popular no combater a fome", diz o MST em postagem nas redes sociais.

O colunista do Brasil de Fato Olívio José da Silva Filho, que é gastrônomo e doutorando em Política Social pela Universidade de Brasília (UnB), avalia que a situação da fome no Brasil tem relação direta com o modelo econômico em vigor e com o desmonte das políticas públicas de alimentação.

"O agronegócio tem batido recordes de produção agrícola, enquanto a fome também bate recordes. Isso evidencia como as necessidades do capital tem colocado em xeque as necessidades humanas".

Para receber nossas matérias diretamente no seu celular clique aqui.

Edição: Márcia Silva

LIVE DE LANÇAMENTO DO LIVRO “A EDUCAÇÃO SOVIÉTICA” NESTA TERÇA (19/10)

Domingo, 17 de outubro de 2021

[Clique na imagem a seguir para melhor visualizá-la]


Jornalista: Alessandra Terribili*

Na próxima terça-feira (19), o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PSTO), o Núcleo de Ergonomia da Atividade, Cognição e Saúde (Ecos) e o Grupo de Pesquisa de Estudos e Pesquisas sobre Mundialização da Educação (GEP-Mundi), todos da UnB, em parceria com a Fundação Maurício de Grabois, apresentam live de lançamento do livro A Educação Soviética, dos professores Marisa Bittar e Amarilio Ferreira Jr., docentes do Departamento de Educação (DEd) da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos).

Primeiro livro em língua portuguesa sobre o tema, a obra levou muito tempo sendo maturada. Na primeira metade da década de 1980, recém-formados em História, os autores moraram e estudaram no Instituto de Ciências Sociais de Moscou. Três décadas depois, foram professores visitantes no Instituto de Educação da University College London em três ocasiões (2011/12, 2014 e 2019), onde colheram vasto material bibliográfico, e também fotográfico, naquela que é uma das mais importantes bibliotecas de Educação do mundo.

Com cerca de 80% de sua população analfabeta no momento da Revolução, em 1917, a União Soviética tornou-se, em quatro décadas, responsável pelo lançamento ao espaço do primeiro satélite artificial. A análise do sistema educacional soviético, considerado um dos melhores do mundo, e do papel que a escola soviética desempenhou no processo de formação das classes trabalhadoras a partir da Revolução de 1917 está no cerne de A Educação Soviética, que é um lançamento da Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar).

Nas suas conclusões, Marisa e Amarílio sintetizam os resultados da pesquisa realizada evidenciando, sobretudo, os vínculos entre a educação soviética e os rumos do socialismo de modo geral, mostrando como, ao mesmo tempo que teve função ideológica essencial na sustentação da Revolução, o sistema educacional soviético foi uma das causas da dissolução da URSS. Para a realização das pesquisas que embasam o livro, os pesquisadores contaram com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Trata-se da história da educação de um país que não mais existe. No entanto, é quase impossível entendermos o século XX se não compreendemos o protagonismo da União Soviética. Além disso, nossa tese é de que é impossível entender a própria lógica de edificação do chamado socialismo real sem o protagonismo da escola de Estado”, afirma Amarílio, destacando o privilégio histórico de ter “pisado no chão da escola soviética”. “Contando com a rara oportunidade de termos conhecido por nós mesmos o sistema socialista, pudemos aliar essa experiência aos documentos para ultrapassarmos o pensamento pedagógico em si e chegarmos ao ponto que mais nos interessa: o chão da escola. Ou seja, mostrarmos como foi criada e como funcionava na prática”, complementa Marisa.

A Educação Soviética está disponível para venda no site da EdUFSCar (https://edufscar.com.br/educacao-sovietica-a-503701484). A live será transmitida pela página Sou Mais DF no facebook, nesta terça (19), a partir de 17h.

Com informações da assessoria de imprensa da UFSCar.

Fonte: SINPRO-DF

=============
Amarilio Ferreira Junior, docente do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (DEd - UFSCar), fala de sua pesquisa sobre o sistema soviético de educação construído a partir da Revolução de 1917 e persistiu até o fim da União Soviética.



Marisa Bittar, docente do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos (DEd - UFSCar), fala de sua pesquisa documental, realizada no acervo da Universidade de Londres, sobre a educação soviética. O estudo deu origem a dois livros

Guerras caladas —17 de outubro Dia Contra a Pobreza

Outubro
17

Guerras caladas

Hoje é o Dia contra a Pobreza.
A pobreza não explode como  as bombas, nem ecoa como os tiros.
 Dos pobres, sabemos tudo: em que não trabalham, o que não comem, quanto não pesam, quanto não medem, o que não têm, o que não pensam, em quem não votam, em que não creem.
  Só nos falta saber por que os pobres são pobres.
     Será porque sua nudez nos veste e sua fome nos dá de comer?

Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias(Um calendário histórico sobre a humanidade), 2ª Edição, L&PM Editores, 2012, página 329.

sábado, 16 de outubro de 2021

ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL . MST lança loja online de alimentos agroecológicos e orgânicos no Distrito Federal

Sábado, 16 de outubro de 2021

Vendas online abertas oficialmente neste sábado, 16 - Comunicação MST DFE

Armazém do Campo vai comercializar produtos da reforma agrária e de cooperativas da agricultura familiar e camponesa

Pedro Rafael Vilela
Brasil de Fato | Brasília (DF)

O Distrito Federal vai ganhar uma nova opção para compra de alimentos orgânicos. O Armazém do Campo, espaço de comercialização de produtos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), chega a capital do país trazendo itens oriundos de assentamentos da reforma agrária e de cooperativas de agricultores familiares e camponeses de todo o país, todos eles fabricados dentro de uma perspectiva agroecológica.

As vendas online foram abertas oficialmente neste sábado (16), no site do Armazém.

Entre os produtos industrializados estão arroz, chás, cafés, sucos, geleias, doces, farinha, grãos, cereais, lácteos, chocolates e cachaças. Além dos produtos industrializados do MST de todo o país, o Armazém do Campo DF vai comercializar hortifruti produzidos pelas famílias do MST e cooperativas de Goiás e do Distrito Federal.

Quem comprar no site também poderá fazer doações que serão convertidas em cestas de alimentos a serem distribuídas para populações vulneráveis do Distrito Federal.

Nesta primeira fase, o Armazém do Campo DF vai entregar os pedidos comprados no site para endereços da região central de Brasília: Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Lago Norte, Cruzeiro e Noroeste.

As compras serão realizadas por ciclos. Os pedidos feitos de domingo a terça-feira serão entregues às quintas-feiras durante a tarde (13h às 18h). Já os pedidos feitos às quarta e quintas-feiras serão entregues no sábado pela manhã (8h às 13h).

Venda presencial ocorre todos os sábados na Feira da Ponta Norte / Comunicação MST DFE

O lançamento da loja online se soma à venda presencial que ocorre todos os sábados, na SQN 216, final da Asa Norte, conhecida como Feira da Ponta Norte.

No início do ano que vem, será aberta uma loja física do Armazém do Campo DF em Brasília. A inauguração, ainda sem data marcada, está prevista para ocorrer entre fim de fevereiro e início de março.

"O Armazém do Campo DF é uma iniciativa do MST para levar alimentos orgânicos e agroecológicos a toda a população", afirma Sandra Cantanhede, da direção nacional do MST.

Além da capital do país, o Armazém do Campo do MST existe em outras 31 cidades de 13 estados.



Edição: Flávia Quirino

Estudo detecta "pandemia dos não vacinados" no Brasil, como aconteceu nos EUA e em Israel

Sábado, 16 de outubro de 2021

Vacinação de adolescentes em Salvador (BA); desafio do Brasil é aumentar o alcance da imunização - ©André Carvalho/Smed/Fotos Públicas

Enquanto Bolsonaro reafirma que não vai se vacinar, novos dados mostram que não imunizados são maioria de casos e mortes

Brasil de Fato
Nara Lacerda —16 de Outubro de 2021

Ouça o áudio:


É difícil aceitar que a nossa maior autoridade política descredibiliza o que temos de mais concreto.

A maior parte das internações e mortes por covid-19 registradas atualmente ocorrem entre pessoas que não tomaram a vacina. A constatação vem sendo corroborada por entidades da saúde e da ciência do mundo todo. Na semana que se encerra neste sábado (16), mais um estudo — dessa vez no Brasil — endossou a percepção.

De acordo com dados reunidos pelo Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, nove entre cada dez pacientes em internação por covid nos últimos meses não receberam o imunizante. As pessoas não vacinadas têm 14 vezes mais chances de morrer por causa da doença.


Não é a primeira vez que conclusões semelhantes são apresentadas. Os governos de Israel e Estados Unidos (EUA), por exemplo, vêm alertando há meses sobre a chamada "pandemia de não vacinados". Em algumas regiões quase todos os casos de internação registrados são de pessoas que não passaram pela imunização.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA divulgou uma pesquisa de grandes proporções, em que 600 mil pessoas foram acompanhadas. Os resultados indicam que quem não tomou a vacina tem dez vezes mais possibilidade de precisar de internação.

Em agosto, uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), por meio da plataforma InfoTracker, indicava que 96% dos casos de internados e internadas ocorreram entre pessoas que não tinham o esquema vacinal em dia.

A médica Fernanda Americano Freitas Silva, da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares, afirma que o controle da pandemia esbarra no número de pessoas que ainda não tomaram a vacina.

Ela lembra que a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do boletim Infogripe, relata que é preciso vacinar pelo menos 80% de toda a população brasileira para controlar a pandemia. "Por mais que estejamos em um momento melhor, ainda temos um caminho a trilhar", pontua a médica.

Segundo Fernanda, os números diários atuais no Brasil ainda devem preocupar "Eles demonstram a permanência da transmissão e a incidência de casos graves, que exigem cuidados intensivos e ainda podem gerar milhares de mortes nos próximos meses", alerta.

Bolsonaro do contra

A preocupação com o controle da pandemia por meio do avanço da vacinação foi o principal tema do novo relatório conjunto da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL).

Divulgado na última quinta-feira (14), o documento faz um apelo aos governos da região para que acelerem a imunização. Esse é um dos focos considerados prioritários para controlar a crise de saúde no curto prazo.

“Junto com as fragilidades estruturais dos sistemas de saúde para enfrentar a pandemia, o prolongamento da crise sanitária está intimamente relacionado ao lento e desigual andamento dos processos de vacinação na região e às dificuldades dos países em manter as medidas sociais e de saúde pública nos níveis adequados”, diz o relatório.

No Brasil, dias antes, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que não pretende se vacinar. Em entrevista a uma emissora de rádio apoiadora do governo ele mentiu ao dizer que não precisa da vacina porque já foi infectado pelo coronavírus.


Pessoas que já foram contaminadas não estão protegidas contra a doença, o que já é comprovado por estudos científicos no mundo todo. A proteção oferecida pela vacina é a única forma de controle da pandemia.

As declarações de Bolsonaro foram feitas dias antes de o Brasil chegar à marca de mais de 600 mil óbitos por covid. A médica Fernanda Americano considera a postura do presidente "lamentável". Segundo ela, o chefe de Estado presta "mais uma vez um desserviço" à população brasileira com a postura.

"É difícil aceitar que a nossa maior autoridade política descredibiliza o que temos de mais concreto no combate à pandemia, que é a vacinação em massa. Bolsonaro deveria ser exemplo, mas como vimos desde o início, ele segue no discurso do caos e da morte", finaliza Fernanda.

Edição: Vinícius Segalla

Ele acreditou que a justiça era justa

O jurista inglês John Cook defendeu aqueles que ninguém gostava e atacou aqueles com quem ninguém podia.
E graças a ele, pela primeira vez na história, a lei humana humilhou a divina monarquia: em 1649, o promotor Cook acusou o Rei Carlos I, e suas palavras certeiras, convenceram o júri. 
O Rei foi condenado, por delito de tirania, e o verdugo cortou a sua cabeça. 
Alguns anos depois, o promotor pagou a conta. Foi acusado de regicídio, e acabou trancado na Torre de Londres. Ele se defendeu dizendo: 
- Eu apliquei a lei.
Esse erro lhe custou a vida. Qualquer jurista deve saber que a lei vive para cima e cospe para baixo. No dia de hoje de 1660, Cook foi enforcado e esquartejado na mesma sala que havia desafiado o poder.

(Eduardo Galeano, no livro Os filhos dos dias.
2ª ed. 2012. página 328. Editora L&PM)

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Preços dos combustíveis: as "razões" do absurdo

Sexta, 15 de outubro d 2021

15 Outubro Escrito por  José Pascoal Vaz*

face-homemGoverno que sucumbe ao poder dos acionistas e do mercado

O quadro nacional é trágico. Basta olhar por uma fresta. Vê-se 27 milhões na extrema pobreza (renda abaixo de R$ 246/mês), que só existem porque o Brasil é o país mais desigual do mundo, pois nosso PIB per capita suporta bom padrão de vida para todos.

Vê-se fome nunca sentida: 19 milhões levantam todo dia sem saber se vão conseguir se alimentar; uma parte destas pessoas são levadas à barbárie, disputando ossos e comida de lixo. Vê-se 1,5 milhão de doentes de câncer a ponto de não poderem tratar-se, pois dotações orçamentárias foram cortadas ao meio de 2020 para 2021 afetando a produção de fármacos essenciais. Vê-se desemprego recorde de 14 milhões que, somados aos desalentados e subutilizados, totalizam 30 milhões; adicionados os informais - sem proteção e com renda muito baixa e incerta -, chega-se a 70 milhões de pessoas vivendo muito mal.

Vê-se como formais apenas um terço dos 105 milhões da PEA, mas mesmo entre estes uma parte pode ser descartada a qualquer momento, pois seu emprego é temporário ou intermitente. Vê-se que só há razões para ter piorado a situação da metade (43 milhões) da população ocupada em 2017, que tinha renda média de R$ 747,00/mês (IBGE), 15% inferior ao salário mínimo da época, enquanto diretores da Vale recebiam, em média, R$ 2 milhões/mês; sim, por mês (CVM e Valor Econ.). Vê-se que é de apenas 19,4% e decrescente a relação entre o SM nominal (R$ 1.100,00) e o SM Necessário, R$ 5.657,66 (Dieese, ref. set/21, base CF, art. 7º-IV). Vê-se o salário médio mensal nominal em apenas R$ 2.433,00 (PNADC jun/ago), 7% menor do que há doze meses e menos da metade do SM Necessário.

Vê-se a inflação já nos 10% ao ano, crescendo e se espalhando e o desemprego, persistente em níveis recordes, derrubando mais ainda o poder real dos salários. Vê-se que, na Capital de SP, nos últimos seis meses, 200 mil pessoas caíram na extrema pobreza. Quem tiver aversão a números, apenas olhe: verá o espaço público apinhado de miseráveis.

Neste cenário desesperador especialmente para dois terços da população, 140 milhões, porque o governo reajusta os preços dos combustíveis do modo como vem fazendo? Veja o absurdo:

ANP – Ag. Nac. Petróleo, pesquisa 03 a 09/10/21 Valor Ec., 09-10-21

Esses aumentos da gasolina e do diesel causam enorme estrago na sociedade, inflamando e esparramando a inflação, afligindo cada vez mais a vida das pessoas, especialmente as mais pobres, que são privadas cada dia mais, não do supérfluo, mas do essencial, como alimentação, transporte, remédios, moradia...E, além dos estragos da inflação em si, os aumentos dos combustíveis atravancam o funcionamento da economia, espremendo o quadro de empregos.

Os aumentos do gás de cozinha ampliam esses estragos para os mais pobres . São desumanidade extrema, como o é a fome num país que bate recordes na exportação de alimentos. Ou decorrem de burrice extrema, como o é a política de austeridade em meio a enorme ociosidade de grande parte dos fatores de produção que, no caso do fator trabalho, provoca também sua precarização.

O argumento de que os preços dos combustíveis precisam acompanhar os preços internacionais é absurdo. Entidades estratégicas de uma nação soberana, como a Petrobrás, existem para o bem-estar de todos, não para o de ínfima parcela de seus acionistas, defensores da política de preços de importação-PPI. A Petrobrás pode atender às necessidades de combustíveis da população a baixos custos e indefinidamente, pois tem todo o domínio da tecnologia que envolve o petróleo, desde a extração no pré-sal, a 7.000 metros de profundidade (referência mundial), até o refino, dado possuir, além de petróleo em abundância, capacidade instalada, grande expertise técnica, operacional, gerencial e logística. Inclusive, ao mesmo tempo, para produzir energia eólica e solar.

Os aumentos dos preços dos combustíveis estão engrossando o caldo de miséria que, como vimos, já vem fervilhando há tempos, podendo levar a uma convulsão social, propiciando um golpe de extrema direita. De quebra, esses aumentos fragilizam nossa maior empresa, na medida em que a política de preços PPI facilita a concorrência de empresas estrangeiras, provocando capacidade ociosa na Petrobrás e "justificando" a venda retalhada de refinarias - a preços vis, claro. E, grave, esse clima de favorecimento à privatização da Petrobrás começa a receber apoio da população, pois esta, que sempre dela sentiu justo orgulho, é levada a odiá-la, acreditando ser ela e os postos de combustível os responsáveis pelos aumentos descabidos. Na verdade, é o governo que sucumbe ao poder dos acionistas e do mercado, não exercendo o domínio que possui sobre as ações da Petrobrás, com poder, portanto, para definir sua política de preços. Reestatizar a Petrobrás (não só) é um bom tema para as eleições de 2022.
_______________
(*) José Pascoal Vaz - Graduado em Economia pela UNISANTOS e doutorado em História Econômica pela USP. Militante pela Economia de Francisco e Clara – Núcleo da Baixada Santista.

----------------

Fonte: AEPET


Venda da REMAN (Refinaria de Manaus) expõe contradição entre discurso moralista e a prática nas privatizações

Sexta, 15 de outubro de 2021
Divulgação Petrobrás

15 Outubro

Da AEPET

No último dia 25 de agosto, a Petrobrás vendeu a Refinaria de Manaus (Issac Sabbá, Reman), por US$ 189,5 milhões, para a empresa Atem, do grupo Amazonas Energia. Há estimativas de que o ativo foi vendido com preço 70% inferior ao real valor da refinaria


Há estimativas de que o ativo foi vendido com preço 70% inferior ao real valor da refinaria.


"A Petrobrás anunciou a negociação exaltando a compradora, mas a julgar pelo noticiário, a Atem é mais um exemplo da contradição entre o discurso moralista e a realidade das vendas de ativos estratégicos e privatizações", comenta o diretor Juridico da AEPET, Ricardo Maranhão.

A AEPET registra alguns exemplos no caso da Reman:

Dois dias após a venda, o jornalista Lauro Jardim informava, em sua coluna no jornal O Globo, que a compradora, através de liminar na Justiça, deixou de recolher cerca de R$ 1,8 bilhões para o Pis / Cofins desde 2017.


No Pará, em maio de 2020 a Justiça Federal suspendeu as licenças expedidas pela secretaria de Meio Ambiente para a obra e para o armazenamento de combustíveis no Lago do Maicá, em Santarém, no oeste do estado, com participação da Atem no projeto. Entre as ilegalidades apontadas pelo Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), a decisão da Justiça Federal destacou os indícios de fraude no licenciamento, como omissão de carga transportada (seria do tipo perigosa - petróleo e derivados) e questões relativas a índios e quilombolas.



Um ano antes, em julho de 2019, o site Amazonas Atual registrava multa de R$ 1 milhão para a Atem Distribuidora por "negativa à informação e obstrução à fiscalização" na CPI dos Combustíveis realizada na Assembleia Legislativa do Amazonas, presidida pela deputada Joana Darc (PL-AM).

LIVE da Auditoria Cidadã da Dívida será na segunda (18/10): Pandora Papers e o planejamento do ilícito

Sexta, 15 de outubro de 2021

Da

Nesta segunda-feira (18/10), às 19 horas, a live da Auditoria Cidadã da Dívida irá discutir a maior investigação da história do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos), que encontrou empresas em paraísos fiscais (offshores) ligadas a diversas autoridades mundiais, inclusive o Ministro da Economia, Paulo Guedes, e o Presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A investigação apontou as duas autoridades brasileiras com aplicações financeiras milionárias em paraíso fiscal nas Ilhas Virgens Britânicas. Apesar de não ser ilícito ter offshores em paraísos fiscais, quando se trata de autoridades do Governo, responsáveis pela condução da política econômica do país, as normas do serviço público e a Lei de Conflito de Interesses proíbe que membros da cúpula do governo mantenham esse tipo de negócio, o caso sugere que pode ter havido autofavorecimento.

Para debater o tema, a coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, dialoga com Beto Almeida, Jornalista da Telesur e analista internacional. Participe para entender melhor a relação desse fato com os projetos que foram aprovados e que tramitam no Congresso Nacional, como PL 5387/2019 (sobre o mercado de câmbio brasileiro, o capital brasileiro no exterior, o capital estrangeiro no País e a prestação de informações ao Banco Central) e o PL 2.505/2021 (10887/2018) que enfraquece o combate à corrupção ao desmontar a lei de improbidade administrativa, passando a exigir prova de intenção para a punição de atos de improbidade, além de novos prazos de prescrição que beneficiam políticos investigados, entre outros.
Anote aí! É ao vivo, às 19h, no Facebook e no Canal da ACD no Youtube!

Para MPF, exigência de vacinação contra covid-19 para permanência em locais de uso coletivo é válida

Sexta, 15 de outubro de 2021

Augusto Aras defende que decretos de municípios do Rio de Janeiro que determinaram medida estão de acordo com jurisprudência do STF

Em pareceres ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Augusto Aras, entendeu pela possibilidade de os entes federados criarem normas restritivas à população, com o objetivo de conter o avanço da pandemia de covid-19. O posicionamento do PGR foi na análise de pedidos de suspensão de liminar e de tutela provisória, feitos por dois municípios do Rio de Janeiro, contra decisão do Tribunal de Justiça que sustou os efeitos de decretos municipais. As normas estabeleceram, como medida sanitária de caráter excepcional, a obrigatoriedade de comprovação da vacinação para o acesso e a permanência em estabelecimentos e locais de uso coletivo.

O pedido da prefeitura da capital fluminense tem origem em ação movida pelos Clubes Militar e Naval, com o objetivo de que fosse declarada a nulidade da necessidade de comprovação de vacinação contra o coronavírus para o acesso e a permanência nas instalações das associações esportivas. Em concordância com os clubes, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) concedeu a antecipação de tutela e suspendeu a medida. Mas, na avaliação do governo municipal, a decisão impugnada não deve subsistir por causar danos irremediáveis à saúde pública, ao argumento de que o decreto foi editado com base em evidências científicas, principalmente em relação à eficácia da vacinação, e com respaldo em análises realizadas pelo Centro de Operações de Emergência.

No Dia dos Professores, "Delite, crônica de uma professora mais que querida"

Sexta, 15 de outubro de 2021


Por Juan Ricthelly

Gostaria de desejar um FELIZ DIA DOS PROFESSORES nesse 15 de Outubro, especialmente aos mestres que tive ao longo de minha caminhada em busca de conhecimento, que espero jamais terminar, e certamente a tantos outros que jamais tive e terei, mas que fizeram de suas vidas uma batalha incansável contra a ignorância. Esse texto faz parte de uma coletânea de crônicas que estou escrevendo, e conta um pouco sobre uma das melhores professoras que tive em minha vida, espero que gostem!

Delite

Todos nós conhecíamos a sua história, sempre que podia ela nós falava do que havia passado, das dificuldades que havia tido para estudar, do sacrifício que sua família havia feito para isso, e do quão pobre era o lugar de onde havia vindo.

Ela foi professora de todos os meus tios, de alguns primos e minha também, na Escola Classe 28, no Setor Oeste do Gama, DF.  Ser professora era o que havia feito por toda a sua vida, o magistério era a sua religião, o seu marido, a escola era uma extensão da sua casa, e nós éramos os seus filhos, embora ela não os tenha tido no sentido biológico da palavra.

Por ela passaram futuros advogados, médicos, administradores, engenheiros, arquitetos, policiais, obviamente professores, profissionais e pessoas de todos os matizes.

Ela sempre repetia o que sua mãe dizia a ela toda vez que reclamava dos maus tratos que sofria na casa onde morava para poder estudar:

“Nada do que se passa é pra sempre minha filha! Por mais difícil que seja, suporte, vai passar! Você precisa estudar.”

E dentre tantas lições que ela me ensinou, essa é a que considero mais importante e que até hoje carrego comigo. Ela não se contentava em cumprir somente a grade curricular estabelecida pela Secretaria de Educação, não bastava, e assim ela também nos ensinava sobre a vida.

O garoto no centro da foto acima é Juan Ricthelly, o autor deste texto.  A mulher à esquerda da imagem é a professora Delite. 

Nosso tempo juntos acabou, segui estudando, ela formando mais gerações de pessoas, e sempre que podia a visitava, a abraçava e a agradecia. Ela foi a primeira a notar que eu levava algum jeito para a escrita, gostava do que eu escrevia e em razão disso cobrava muito de mim, mais do que dos outros até, me repreendia como uma mãe repreenderia um filho quando eu errava, de um modo que muitos pais não aceitariam atualmente, mas desde cedo eu nunca levava essas questões para casa, não a respondia, e mesmo chateado a ouvia em silêncio.

Um dia fui visitá-la, e ela não me recebeu com o mesmo entusiasmo que normalmente me recebia, foi fria até, fiquei magoado. Até que algum tempo depois recebi a notícia de que ela havia morrido de câncer, e que lutou até o final contra ele, luta era o que havia sido a sua vida inteira, lutou contra a pobreza, contra a grosseria e os maus tratos de quem deveria protegê-la, contra a ignorância ao educar milhares de pessoas durante anos sem parar, e por fim contra o câncer que infelizmente derrotou a única coisa que pôde naquela guerreira incansável tão maltratada pela vida e pelo mundo, o seu corpo, porque a sua alma era inquebrável e tinha a certeza de que tudo passa.

Os que foram seus alunos ao lerem isso, talvez se emocionem ou até mesmo chorem como eu ao escrever sobre essa professora maravilhosa que tivemos a honra de ter.

O que sou hoje e o que eventualmente venha a me tornar, tem a contribuição inegável dessa mulher que já não vaga mais por essa terra maravilhosa e por esse mundo tão injusto.

Costumo dizer que nenhuma profissão é mais importante que outra, que do Gari ao Presidente todos são fundamentais para a vida em sociedade, retórica isso, se pararmos para sermos francos e objetivos, o professor é sem sombra de dúvidas a profissão mais importante de qualquer sociedade que queira dar certo, o tratamento que ele recebe reflete diretamente no contexto geral, e enquanto eles continuarem sendo tratados como lixo, no lixo continuaremos a viver. Juan Ricthelly

FELIZ DIA DOS PROFESSORES!!!