Domingo, 4 de agosto de 2024
Rússia e EUA antagonizam posição sobre Maduro e crise na Venezuela expõe disputa de interesses geopolíticos
Serguei Monin
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, falou com o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, durante reunião em Caracas, em 20 de fevereiro de 2024
Logo após a divulgação dos primeiros resultados das eleições da Venezuela no último domingo (28), indicando a vitória de Nicolás Maduro com 51,2% dos votos contra 44,2% de Edmundo González Urrutia, a Rússia, junto com a China, foi um dos primeiros países a reconhecer a reeleição do presidente venezuelano. Moscou manifestou o desejo de dar continuidade à parceria estratégica com Caracas e o presidente russo, Vladimir Putin, em particular, afirmou que Maduro é sempre bem-vindo em solo russo.
Moscou já colocou esta saudação em prática. Nesta sexta-feira (2), o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Ivan Gil, informou que Nicolás Maduro recebeu um convite para a cúpula do Brics, que será realizada na cidade russa de Kazan, em outubro.
“O presidente Vladimir Putin convida, em sua qualidade de presidente em exercício do Brics, o Presidente Nicolás Maduro à reunião ‘BRICS Plus’ dos líderes dos estados membros da união”, escreveu Gil na rede social X e publicou uma carta do líder russo a Maduro.
Por outro lado, o Departamento de Estado dos EUA alegou na última quinta-feira (1º) que o candidato da oposição venceu as eleições venezuelanas, intensificando a tensão internacional sobre o pleito. O antagonismo na forma com que Moscou e Washington reagiram ao resultado eleitoral dá o tom da disputa de interesses estratégicos no cenário internacional que gira em torno de Caracas.
