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(Millôr Fernandes)
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sábado, 5 de maio de 2018

‘A indústria de armas tenta obscurecer o debate sobre violência no Brasil’

Sábado, 5 de maio de 2018

Da
ponte.org

Para Bruno Langeani, gerente do Instituto Sou da Paz, a indústria de armas e munições tenta, há anos, se desvencilhar das responsabilidades pelo atual quadro da violência no país

Foto: arquivo pessoal
“O Brasil atravessa um dos piores momentos relacionados com a segurança pública interna de suas grandes cidades. Não bastassem o alto nível de desemprego e a ineficiência do Estado para combater o crime organizado, vê- se que os bandidos estão extremamente organizados, adquirindo inclusive treinamento específico, outrora privilégio das forças policiais e militares, para aumentar seu poder de fogo frente à população desprotegida e apavorada”. 

Você pode estar pensando que a frase acima é o trecho de alguma recente declaração na tentativa de justificar o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro, que entrou agora no terceiro mês. Mas ela foi escrita há 12 anos. De autoria do deputado federal Moroni Torgan (ex-PPS, atualmente no DEM-CE), ela serviu de justificativa para a abertura da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) destinada a investigar as organizações criminosas do tráfico de armas.  Publicada em novembro de 2006, um dos seus sub-relatores na época era o hoje Ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. Responsável pela análise, o então deputado pelo PPS destacou, por exemplo, a origem das armas e munições que chegam na mão do crime. “Embora o contrabando de armas e munições [internacionais] exista e deva ser combatido, 78 % das armas apreendidas são de fabricação  nacional, são desvios que se devem à falta de controle dentro do território nacional, e 22% são fabricadas no exterior”. Duas outras comissões com o mesmo tema aconteceriam nos anos de 2011 e 2016 na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

De acordo com o gerente de sistemas de justiça e segurança pública do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, passados mais de dez anos, o cenário pouco se alterou. No ano passado, a ONG realizou o levantamento “Arsenal Fluminense: análise das apreensões de munições no estado do Rio de Janeiro”, que mostra como novos projetos de lei sobre o tema voltados a facilitar a compra e o porte de armas no país são criados semanalmente e que boa parte das munições desviadas – 42% – têm origem nacional. Além disso, o contrabando internacional de fuzis, submetralhadoras e armas automáticas corresponde a apenas 10% do montante apreendido. “O objetivo deles [CBC e Forjas Taurus que detém o monopólio nacional de fabricação de armas e munições] é obscurecer a importância da indústria no atual estado do problema e assim não precisa alterar o quadro”, explica. Outro grande problema apontado por Langeani se refere ao desrespeito das empresas com relação à portaria do Exército que determina a quantidade máxima de 10 mil itens em um lote de munição a fim de tornar o controle mais eficiente.

sábado, 28 de outubro de 2017

Dados falsos e omissões marcam Estatuto do Armamento

Sábado, 28 de outubro de 2017
Da Pública 
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
por Caroline Ferrari, Maurício Moraes, Patrícia Figueiredo | 27 de outubro de 2017

Checagem aponta falhas em justificativa do projeto de lei do senador Wilder Morais, que pretende mudar regras para facilitar a venda, a posse e o porte de armas
Polícia Federal e Exército realizam procedimento de destruição de 4 mil armas recolhidas pela PF nos últimos dois anos
Polícia Federal e Exército realizam
procedimento de destruição de 4 mil
armas recolhidas pela PF nos últimos
dois anos (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
O senador Wilder Morais (PP-GO) apresentou recentemente uma proposta para facilitar a fabricação, a comercialização, a posse e o porte de armas no país. Batizada como Estatuto do Armamento (Projeto de Lei do Senado nº 378/2017), a iniciativa também elimina a necessidade de cadastrar as armas hoje consideradas obsoletas e permite que Secretarias de Segurança Pública se responsabilizem pela emissão de registros – hoje uma atribuição da Polícia Federal.