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(Millôr Fernandes)

quarta-feira, 6 de maio de 2026

MPDFT inicia projeto de fortalecimento de mulheres na Penitenciária Feminina

Quarta, 6 de maio de 2026

Iniciativa, chamada de “Movimento que Liberta”, cria um espaço estruturado de cuidado, escuta e fortalecimento da autonomia das detentas

O Núcleo de Controle e Fiscalização do Sistema Prisional do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (Nupri/MPDFT) iniciou, nesta terça-feira, 5 de maio, o projeto “Movimento que Liberta – Programa de Movimento, Reflexão e Fortalecimento Feminino no Sistema Prisional”, voltado a mulheres privadas de liberdade na Penitenciária Feminina do Distrito Federal (PFDF).

A iniciativa é desenvolvida pelo Nupri em parceria com o Studio MF e o Instituto Recomeçar. O objetivo da ação é promover o fortalecimento físico, emocional e social das participantes, por meio de encontros semanais que integram práticas de movimento consciente, autocuidado, reflexão pessoal e orientação sobre temas jurídicos e sociais.

A proposta busca criar um espaço estruturado de cuidado, escuta e fortalecimento da autonomia feminina no contexto prisional, contribuindo para processos de responsabilização, reconstrução pessoal e reinserção social. Entre os temas previstos para as rodas de conversa estão integridade, violência de gênero, relações familiares, proteção de crianças e adolescentes, cumprimento da pena com dignidade, responsabilidade pessoal e reintegração social.

Para o Nupri, a iniciativa se alinha à finalidade ressocializadora da execução penal e às diretrizes institucionais de promoção da dignidade humana, especialmente diante das especificidades da população feminina privada de liberdade, frequentemente marcada por trajetórias de vulnerabilidade, violência e fragilidade de vínculos sociais.

A promotora de justiça Vanessa Farias, integrante do Nupri e coordenadora do projeto, avaliou a importância de uma execução penal comprometida não apenas com a segurança, mas também com a reconstrução de trajetórias. “Ao unir movimento consciente, autocuidado e reflexão, o projeto oferece às mulheres privadas de liberdade um espaço de fortalecimento físico, emocional e social, em consonância com a finalidade ressocializadora da pena. Trata-se de uma ação que reconhece a dignidade dessas mulheres e busca contribuir para que o período de cumprimento da pena também possa representar uma oportunidade concreta de responsabilização, transformação pessoal e retomada de projetos de vida”, comentou.

Encontros semanais

O projeto terá duração inicial de seis encontros, realizados semanalmente, entre os dias 5 de maio e 9 de junho, com a participação de 30 internas, indicadas pela administração da unidade prisional. As atividades incluem exercícios de consciência corporal, respiração, mobilidade, postura, fortalecimento físico e rodas de conversa conduzidas por membros do MPDFT.

Neste primeiro dia da iniciativa, a promotora de justiça Luciana Asper realizou uma palestra e conversou com as detentas. “Mesmo em meio a experiências de grande adversidade e privação, cada dia pode ser vivido como uma oportunidade de desenvolver virtudes e fortalecer o caráter”, destacou. Direcionado para as mulheres da unidade prisional, Luciana disse: “Aqui mesmo, vocês têm a liberdade de escolher relações mais justas, respeitosas e fraternas e isso as prepara para viver com integridade também lá fora. Não fomos feitos para gerar prejuízo uns aos outros, mas para servir e nos ajudar mutuamente”.

As práticas corporais são conduzidas pela equipe do Studio MF, com metodologia voltada à integração entre movimento, consciência corporal, regulação emocional e fortalecimento da autoestima. O Instituto Recomeçar atua como parceiro operacional, contribuindo com a organização de materiais e apoio às atividades.