Segunda, 13 de junho de 2022

"A bandeira da reforma agrária não surge com o MST, que, diga-se de passagem, vai completar 40 anos em breve" - MST
Estado brasileiro precisa restabelecer a vitalidade dos órgãos ligados à política fundiária
Marina do MST
Brasil deFato | Rio de Janeiro (RJ) | 13 de Junho de 2022
A classe roceira e a classe operária
Ansiosas esperam a Reforma Agrária
Sabendo que ela dará solução
Para situação que está precária.
Saindo projeto do chão brasileiro
De cada roceiro ganhar sua área
Sei que miséria ninguém viveria
E a produção já aumentaria
Quinhentos por cento até na pecuária!
(trecho de “A Grande Esperança” — Chico Rey e Paraná)
De onde vem a ideia de uma reforma agrária no Brasil? Primeiro temos que assumir que a distribuição de terras é desigual. Pior: ela vem de um estágio colonial onde amigos do rei ganharam posses e o "resto" da população ficava abaixo, econômica, política e socialmente. A bandeira da reforma agrária não surge com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que, diga-se de passagem, vai completar 40 anos em breve.
Todas as resistências populares, indígenas, negras e dos pobres em geral, desde o Brasil colônia, tem na terra sua centralidade como riqueza essencial. No século passado, a causa ganhou corpo pela ação do Partido Comunista e o surgimento das Ligas Camponesas. O MST, maior movimento de luta pela terra no país, surge em 1984, ocupando terras que deveriam ser divididas para os pobres do campo.
A reforma agrária é uma política voltada para o campo, mas que se conquista na cidade. Desde nossas marchas até as ocupações que realizamos em órgãos públicos são feitas nas capitais e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) sempre foi o maior alvo. Ocupamos porque o defendemos. É o órgão no Estado brasileiro destinado a resolver o problema de uma massa de sem terras.
