Sábado, 28 de novembro de 2020
Passos nas escadas. Sons abafados vindos do passado. Como se do Catete, do Piratini, do La Moneda quisessem ainda Getúlio, Brizola, Allende nos dizer de coragem, dignidade, fidelidade às convicções, capacidade de oferecer a vida em nome delas, se preciso. Há um encontro nesses três palácios. Encontro de três homens. Tal encontro nos ajuda a compreender a história. Exemplo de homens dispostos a sustentar um limite a partir do qual não há transigência possível.
Ao lembrar os três em seus palácios em 1954, 1961, 1973, evoco Walter Benjamin e sua ideia: o passado não se entrega a nós. Ele só nos envia sinais cifrados. E tais sinais dão conta misteriosamente dos anseios de redenção presentes nele. E as lutas atuais constituem a chave para entrever a verdade das lutas ocorridas anteriormente. A recuperação do passado se dá na forma de recordações que cintilam num momento de perigo – está lá no belo livro de Leandro Konder sobre Walter Benjamin. Tais recordações nos proporcionam “a pequena imagem fugaz, em contraposição ao conforto científico”.


