Segunda, 14 de outubro de 2024
GETULIO E O TRABALHISMO AINDA HOJE
Dois textos que circularam neste domingo merecem reflexão.
Um é a entrevista no jornal O Globo de hoje do professor Jessé de Souza, um dos grandes intelectuais do nosso tempo e profundo intérprete da realidade brasileira nos períodos difíceis que atravessamos.
Aborda Jessé de Souza o fato de que partidos e correntes políticas que procuram atuar no campo popular, misturados com questões passaram a se chamar de identitarismo, estarem enfrentando dificuldades de dialogar e de se relacionar com os pobres. E que uma boa parte dos pobres vem aceitando as pregações da direita, do conservadorismo e até do fascismo.
Alerta Jessé: é importante “validar” o pobre. “É o que Getúlio fez. Inclusive do ponto de vista racial. Para redimir o humilhado é preciso celebrar suas virtudes, afirmar que eles não são lixo, o que a direita faz hoje”. E Jessé se prepara: “Sei que vou levar cacetada, mas está na hora de o PT aprender com Getúlio Vargas”. “O PT nasceu dando de ombros para a herança getulista”, opondo o que chamou de “sindicato livre” contra o “peleguismo trabalhista”.
Fica claro no pensamento de Jessé as razões das dificuldades de setores progressistas aceitar Vargas e o trabalhismo. Para Jessé, “PT e PSDB são mais parecidos do que imaginamos, nascidos de braços diversos da mesma elite paulista com pendores social democratas”. Conclui Jessé: ”Quem ofereceu a face popular ao PT foi o Lula”.
