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(Millôr Fernandes)
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domingo, 6 de agosto de 2023

Com flagrantes de trabalho infantil, cadeia produtiva do açaí fica na mira da fiscalização até o final da colheita

Domingo, 6 de agosto de 2023

Colheita exige habilidade e envolve vários riscos. Nos últimos anos, fruto ganhou mercado nacional e no exterior, mas passou a faltar na mesa dos paraenses / Walnice Maria Oliveira do Nascimento e José Edmar Urano de Carvalho/Embrapa

Ações fiscais encontraram dezenas de casos no Pará. Trabalho envolve vários riscos e consequências, como evasão escolar. Produto é importante inclusive na dieta alimentar local

Publicado 06/08/2023

“A cadeia produtiva do açaí ficará em estado de fiscalização permanente até o fim da colheita, em novembro”, afirma o auditor-fiscal do Trabalho Eduardo Reiner. Ele coordenou operação na chamada região do Baixo Tocantins, no Pará, que na última semana de julho encontrou vários casos de trabalho infantil na colheita do produto, que há alguns anos caiu no gosto sulista. Também participaram, além do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o Ministério Público do Trabalho (MPT), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Civil do estado.

O Pará responde por praticamente toda a produção nacional do açaí. Segundo o Sinait (sindicato nacional dos auditores), as ações de fiscalização inspecionaram “a colheita e empresas processadoras da polpa em municípios que estão entre os maiores produtores de açaí – Abaetetuba, Cametá, Igarapé-Miri, Mocajuba e Limoeiro do Acaju, abrangendo as diferentes ilhas desses locais”. Os fiscais lembram que a colheita, feita a céu aberto, exige que o trabalhador suba até o topo da planta, com risco de queda. “Também há exposição a fatores de riscos físicos e biológicos, além de materiais cortantes e animais peçonhentos, como cobras.” Eles encontraram “crianças e adolescentes em condições físicas ruins decorrentes desse trabalho perigoso, machucados por quedas, com problemas de coluna e outros osteomusculares, picados por cobras”.

Dessa forma, a coleta do açaí é considerada uma das piores formas de trabalho infantil. E é proibida para para menores de 18 anos.

“Operação onerosa e difícil”

É um trabalho pesado. “A colheita é uma operação onerosa e difícil e deve ser feita sempre no início da manhã, com o auxílio de facas bem afiadas para a realização de cortes no cacho próximos à inserção do estipe. Em plantas altas e com estipes finos, a colheita constitui-se numa operação onerosa e difícil de ser realizada”, contam João Tomé de Farias Neto, José Edmar Urano de Carvalho e Walnice Maria Oliveira do Nascimento, da Embrapa Amazônia Oriental. “A preferência da colheita pela manhã visa evitar que os cachos sejam desbolados nos horários mais quentes e chuvosos do dia, que dificultam também a escalada nas palmeiras, pois os estipes ficam quentes e escorregadios.”