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(Millôr Fernandes)
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domingo, 14 de junho de 2020

A luta de Bolsonaro contra a transparência

Domingo, 14 de junho de 2020
Apagão de dados da covid-19 não foi episódio isolado. Em pelo menos seis ocasiões, governo dificultou acesso ou tentou desacreditar informações de interesse público.
Jair Bolsonaro já contestou a divulgação de dados de
desmatamento, desemprego e da pandemia.
Da Deutsche Welle*
Autoria Juliana Sayuri
Após ser retirado do ar no dia 5 de junho, o portal do Ministério da Saúde com dados sobre a pandemia só voltou a disponibilizar informações completas sobre a situação da covid-19 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Não foi a primeira vez que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) dificultou a divulgação de informações de interesse público. Desde o início de 2019, já ocorreram pelo menos seis episódios similares, que incluem sonegação, negação e censura de informações no país.
1) Painel Coronavírus
Em meio à escalada acelerada de mortes por covid-19 no país, o governo passou a atrasar a atualização diária dos dados da doença, passando a divulgação para às 22h, depois do horário dos telejornais e da conclusão das edições impressas dos principais jornais do país.
"Acabou matéria do Jornal Nacional [da TV Globo]”, declarou Bolsonaro, sobre a estratégia. Segundo reportou o jornal O Estado de S. Paulo, a mudança ocorreu após o governo determinar que o número de mortes ficasse abaixo de mil por dia.
Não foi a única estratégia para dificultar a divulgação. O Painel Coronavírus ficou fora do ar no dia 5 de junho. Voltou ao ar no dia seguinte, sem os dados acumulados de casos e mortes, apenas com atualizações diárias.
No dia 7 de junho, o Portal Covid-19, já na sua versão descaracterizada, foi palco de uma confusão em relação aos dados diários. Inicialmente, o Ministério da Saúde divulgou balanço por volta das 20h30 informando 1.382 mortes. Às 22h, entretanto, o número de óbitos foi atualizado para 525, isto é, uma diferença de 857 vítimas.
Após determinação do Supremo Tribunal Federal na última segunda-feira, o site voltou ao ar no dia seguinte. Mas o governo já vem preparando um novo painel, prometendo disponibilizar dados mais detalhados sobre o quadro da doença nos municípios. No entanto, a versão beta do site ainda carece de recursos do atual Painel Coronavírus, como uma ferramenta de download.
O que diz o governo: "A transparência nos dados é meu principal objetivo. Estou querendo buscar a verdade, e a verdade é evitar a subnotificação, não a hipernotificação”, disse o ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello.
2) Inpe
No início de julho de 2019, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram que o desmatamento no mês anterior havia sido cerca de 90% maior do que em junho de 2018. Alguns dias depois, o Inpe mostrou que mais de 1.000 km² de floresta amazônica foram derrubados na primeira quinzena daquele mês, um aumento de 68% ao mesmo período do ano anterior.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Direitos do cidadão: PFDC pede a Ministério que assegure publicidade de dados sobre consumo de drogas no Brasil

Sexta, 7 de junho de 2019
Do MPF
Pasta estaria mantendo fora do ar plataforma que reúne dados oficiais sobre uso dessas substâncias no país. Órgão do MPF também cobra divulgação de estudo da Fiocruz sobre o tema
Ilustração: Pexels.com
Ilustração: Pexels.com
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão que integra o Ministério Público Federal, encaminhou nesta sexta-feira (7) ao ministro da Cidadania, Osmar Terra, pedido de esclarecimentos acerca de denúncias de que a pasta estaria mantendo fora do ar os conteúdos do portal Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid). A plataforma foi criada em 2002 e seria o único banco de dados oficial sobre consumo dessas substâncias no país, reunindo informações coletadas a partir de pesquisas nacionais e subsidiadas com recursos públicos.