Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 3 de setembro de 2011

Colaboração entre EUA, Reino Unido e Khadafi

Sábado, 3 de setembro de 2011
Da Agência Brasil 
Documentos encontrados na Líbia revelam proximidade dos EUA e do Reino Unido com regime de Khadafi

Documentos encontrados em um prédio do governo líbio em Trípoli pela organização não governamental (ONG) Human Rights Watch indicam uma possível colaboração entre os serviços de inteligência de potências ocidentais e o regime do coronel Muammar Khadafi.

Segundo a organização internacional de defesa dos direitos humanos, os documentos contêm correspondências entre o serviço de inteligência líbio e agências de inteligência como a Agência Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos, o MI6 do Reino Unido e outras.

Um funcionário da Human Rights Watch que viu os documentos acusou a CIA de entregar vários indivíduos presos à Líbia e de acompanhar alguns interrogatórios no país.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Notas sobre Líbia, o imperialismo e a revolução árabe

Terça, 30 de agosto de 2011 
Pedro Fuentes (*) 
Os combatentes rebeldes líbios, já apoiados por uma grande parte da população de Trípoli, estão acabando com os últimos focos de resistência de Gaddafi. Trata-se de um novo triunfo, mais um da revolução que se desenvolveu no mundo árabe a partir do começo do ano e que seguramente se estenderá a Síria, Iêmen, Marrocos, Argélia. Nosso partido não pode se confundir de maneira nenhuma dando apoio – mesmo que crítico – a Gaddafi ou Bashar al Asad. Nós, que defendemos as bandeiras do “socialismo e da liberdade” ficaríamos do lado oposto às revoluções democráticas, que estão comovendo o mundo e a dominação imperialista.

A revolução na Líbia, por ser o processo mais complexo da região abriu uma série de questionamentos. Sete semanas após seu começo e quando as tropas de Gaddafi ameaçavam Bengazi, a OTAN interveio com seus bombardeios aéreos. É a partir daí que surgem dúvidas em muitos lutadores e que setores da esquerda também planteiem que o que ocorre é um triunfo do imperialismo. Trata-se de um debate muito importante. Se aceitarmos esse raciocínio o que estaria acontecendo é que na região árabe é que na região árabe se iniciou uma contra-revolução que vence una Líbia. Sob a idéia de uma luta contra o imperialismo estaríamos justificando as matanças de Gaddafi e de Bashar al Asad de milhares de lutadores. Esse mesmo raciocínio levaria a pensar que definitivamente o que houve no mundo árabe foi revoltas que terminaram controladas pelo imperialismo.

É verdade que a Líbia é um país cobiçado por sua riqueza petroleira e por causa dela os perigos da ingerência imperialista existem. Mas, o mais importante e determinante da situação é que o velho regime está sendo derrubado; esse é o triunfo do povo líbio e da revolução democrática árabe que deu um novo passo adiante.

O Levante Popular na Líbia e a Guerra Civil

As manifestações revolucionárias iniciadas na Líbia em 16 de fevereiro em Bengazi e que logo se propagaram a varias cidades chegando à Trípoli sob o lema “Fora Gaddafi”, foram um feito previsível. A Líbia se encontra geograficamente entre Tunísia e Egito, os dois países que, nessa data já haviam instalado revoluções populares. Gaddafi não era muito diferente de Ben Alí e Mubarak; Conduzia também um regime autocrático no qual não cabiam mais partidários que os de sua família e se mantinha com o controle por meio da repressão. Com o levante revolucionário que encabeçou em 1969, a Líbia se converteu em um país independente. Mas, como já aconteceu muitas vezes na história, o governo nacionalista foi se degenerando para culminar em 2000 com um forte acordo com o imperialismo. Os abraços com Tony Blair, Berlusconi e, mais recentemente a própria Hillary Clinton, selaram a abertura da riqueza petroleira para as empresas estrangeiras. ENI da Itália, Winterstal da Alemanha, Total da França, Marathon e Philips dos EUA obtiveram grande parte do petróleo líbio. Esses abraços foram mais estreitos quando Gaddafi tomou partido na “Guerra contra o Terror” de Bush a partir da qual se justificaram as invasões do Iraque e Afeganistão. Gaddafi assumiu uma posição ativa de perseguição do islamismo e uns dos principais suportes da política imperialista em toda a região. 
(*) Secretário de Relações Internacionais do PSOL

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Secretário-geral da ONU diz que só cessar-fogo é capaz de promover paz na Líbia

Sexta, 12 de agosto de 2011
Da Agência Brasil

Renata Giraldi* - Repórter
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, rejeitou ontem (12) a adoção de uma solução militar para a crise na Líbia. Em discurso, sem mencionar países nem líderes políticos, ele pediu à comunidade internacional e ao governo do presidente Muammar Khadafi que tentem um cessar-fogo como única forma de obter a paz na região.

“[Apelos a todas as partes envolvidas] para terem todo o cuidado nas suas ações de forma a minimizar possíveis perdas de vidas civis”, disse Ban Ki-moon. "A única forma de atingir a paz e a segurança na Líbia é um cessar-fogo que esteja ligado ao processo político e que vá ao encontro das aspirações do povo”.

Há cerca de seis meses, a Líbia vive confrontos intensos e diários. Porém, em março, a situação se agravou quando as forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) passaram a atuar na região a partir de uma área de exclusão aérea. Civis, inclusive crianças e mulheres, estão entre as vítimas, segundo organizações não governamentais.

Internamente, os conflitos na Líbia envolvem os aliados de Khadafi, a oposição ao governo e também os integrantes da Otan. De acordo com entidades civis, líbios tentam deixar o país diariamente em busca de melhores condições em outros países. Um dos principais locais procurados é a Itália.

*Com informações da agência pública de notícias de Portugal, Lusa.//Edição: Graça Adjuto

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Deputado americano diz que os EUA têm de pôr fim à guerra ilegal contra a Líbia

Quinta, 7 de julho de 2011
Publicado na Tribuna da Imprensa
 
Por Dennis Kucinich
deputado pelo Partido Democrata dos EUA, por Ohio.

Essa semana, apresento projeto de lei ao Congresso dos EUA, que porá fim ao envolvimento militar dos EUA na Líbia, pelas seguintes razões:

Primeiro, porque a guerra contra a Líbia é ilegal pelos termos da Constituição dos EUA e de nossa lei “War Powers Act”, porque só o Congresso dos EUA tem competência para declarar guerra e o presidente não conseguiu demonstrar que a Líbia representasse qualquer risco iminente aos EUA. O presidente ignorou inclusive a opinião de seus principais conselheiros legais no Pentágono e o Departamento de Justiça, que lhe demonstraram que a aprovação pelo Congresso era indispensável antes de os EUA bombardearem a Líbia.

Segundo, porque a guerra chegou a um impasse. Não é guerra que possa ser vencida, sem que a Líbia seja ocupada por terra por soldados da OTAN, o que configurará invasão da Líbia.

Toda a operação foi terrivelmente mal pensada desde o início. A OTAN apóia uma oposição baseada em Benghazi (cidade localizada no nordeste do país, região rica em petróleo), mas não há nenhuma prova de que aquela oposição tenha o apoio da maioria dos líbios.

O grupo de oposição Frente Nacional para a Salvação da Líbia (e que se suspeita que tenha sido apoiado pela CIA nos anos 1980), jamais teria iniciado uma guerra civil contra um governo líbio que sabia que jamais poderia derrotar, se não contasse com o apoio de massiva campanha aérea da OTAN e, agora, dado que isso não bastou, espera contar soldados da OTAN que invadam o país, por terra.

As ações levianas daquela oposição, encorajadas por interesses políticos, militares e da inteligência ocidentais, criaram a grave crise humanitária que, então, passou a ser usada como justificativa para a campanha de guerra da OTAN, contra a Líbia.

domingo, 10 de abril de 2011

Entenda o que está acontecendo na Líbia e por que é tão difícil derrubar Kadafi

Domingo, 10 de abril de 2011

Texto publicado na Tribuna da Imprensa deste domingo. 

Entenda o que está acontecendo na Líbia e por que é tão difícil derrubar Kadafi

James Petras *
Nas últimas semanas a Líbia sofreu o mais brutal ataque imperialista, por ar, por mar e por terra, da sua história moderna. Milhares de bombas e de mísseis, lançados de submarinos, vasos de guerra e aviões de guerra, americanos e europeus, estão destruindo as bases militares líbias, os seus aeroportos, estradas, portos, depósitos petrolíferos, posições de artilharia, tanques, porta-aviões blindados, aviões e concentrações de tropas.

Dezenas de forças especiais da CIA e do SAS têm treinado, aconselhado e apontado alvos para os chamados ‘rebeldes’ líbios empenhados numa guerra civil contra o governo de Kadafi, as suas forças armadas, as milícias populares e os apoiadores civis (NY Times 30/03/11). 

Apesar deste enorme apoio militar e do total controle dos céus e da linha costeira da Líbia pelos seus ‘aliados’ imperialistas, os ‘rebeldes’ ainda não foram capazes de mobilizar o apoio de aldeias e cidades e encontram-se em retirada depois de enfrentarem as tropas governamentais da Líbia e as milícias urbanas, fortemente motivadas (Al Jazeera 30/03/11).

Uma das desculpas mais idiotas para esta inglória retirada dos rebeldes, apresentada pela ‘coligação’ Cameron-Obama-Sarkozy, e repetida pelos meios de comunicação, é que eles estão ‘menos bem armados’ (Financial Times, 29/3/11). Obviamente, Obama e companhia não contabilizam o grande número de jatos, as dezenas de vasos de guerra e de submarinos, as centenas de ataques diários e os milhares de bombas lançadas sobre o governo líbio desde o início da intervenção imperialista ocidental.

A intervenção militar direta de 20 países estrangeiros, grandes e pequenos, flagelando o estado soberano da Líbia, assim como o grande número de cúmplices nas Nações Unidas, não contribui com nenhuma vantagem militar para os rebeldes – segundo a própria propaganda diária a favor deles. 

Mas o Los Angeles Times (31/Março/2011) descreveu como “… muitos rebeldes em caminhões com metralhadoras deram meia-volta e fugiram… apesar de as suas metralhadoras pesadas e espingardas antiaéreas serem parecidas com qualquer veículo governamental semelhante”. De fato, nenhuma força ‘rebelde’ na história moderna recebeu um apoio militar tão forte de tantas potências na sua confrontação com um regime instituído. Apesar disso, as forças ‘rebeldes’ nas linhas da frente estão em plena retirada, fugindo desordenadamente e profundamente descontentes com os seus generais e ministros ‘rebeldes’ lá atrás em Bengazi.

Entretanto, os líderes ‘rebeldes’, usando elegantes terno e uniformes feitos por medida, respondem à ‘chamada para a batalha’ assistindo a ‘reuniões’ em Londres onde a ‘estratégia de libertação’ consiste no apelo, perante os meios de comunicação, de envio de tropas terrestres imperialistas (The Independent, Londres) (31/03/11). 

É baixa a moral dos ‘rebeldes’ na linha da frente. Segundo relatos críveis da frente da batalha em Ajdabiya, “Os rebeldes… queixaram-se de que os seus comandantes iniciais desapareceram. Acusam camaradas de fugirem para a relativa segurança de Bengazi… (queixam-se de que) as forças em Bengazi monopolizaram 400 rádios de campo oferecidos e mais 400… telemóveis destinados ao campo de batalha… (sobretudo) os rebeldes dizem que os comandantes raramente visitam o campo de batalha e exercem pouca autoridade porque muitos combatentes não confiam neles” (Los Angeles Times , 31/03/2011). Segundo parece, os ‘twitters’ não funcionam no campo de batalha. 

As questões decisivas numa guerra civil não são as armas, o treino ou a chefia, embora evidentemente esses fatores sejam importantes: A principal diferença entre a capacidade militar das forças líbias pró-governo e os ‘rebeldes’ líbios apoiados por imperialistas ocidentais e por ‘progressistas’, reside na sua motivação, nos seus valores e nas suas compensações materiais.

A intervenção imperialista ocidental exaltou a consciência nacional do povo líbio, que encara agora a sua confrontação com os ‘rebeldes’ anti-Kadafi como uma luta para defender a sua pátria do poderio estrangeiro aéreo e marítimo e das tropas terrestres fantoches – um poderoso incentivo para qualquer povo ou exército. O oposto também é verdadeiro para os ‘rebeldes’, cujos líderes abdicaram da sua identidade nacional e dependem inteiramente da intervenção militar imperialista para os levar ao poder. Que soldados rasos ‘rebeldes’ vão arriscar a vida, a lutar contra os seus compatriotas, só para colocar o seu país sob o domínio imperialista ou neocolonialista? 

Finalmente, as notícias dos jornalistas ocidentais começam a falar das milícias pró-governo das aldeias e cidades que repelem esses ‘rebeldes’ e até relatam como “um autocarro cheio de mulheres (líbias) surgiu repentinamente (de uma aldeia) … e elas começaram a fingir que aplaudiam e apoiavam os rebeldes…” atraindo os rebeldes apoiados pelo ocidente para uma emboscada mortal montada pelos seus maridos e vizinhos pró-governo (Globe and Mail, 28/03/11 e McClatchy News Service, 29/03/11). 

Os ‘rebeldes’, que entram nas aldeias, são considerados invasores, que arrombam portas, fazem explodir casas e prendem e acusam os líderes locais de serem ‘comunistas da quinta coluna’ a favor de Kadafi. A ameaça da ocupação militar ‘rebelde’, a detenção e a violência sobre as autoridades locais e a destruição das relações de família, de clã e da comunidade local, profundamente valorizadas, levaram as milícias líbias e os combatentes locais a atacar os ‘rebeldes’ apoiados pelo ocidente.

Os ‘rebeldes’ são considerados ‘estranhos’ em termos de integração regional e de clã; menosprezando os costumes locais, os ‘rebeldes’ encontram-se pois em território ‘hostil’. Que combatente ‘rebelde’ estará disposto a morrer em defesa de um território hostil? Esses ‘rebeldes’ só podem pedir à força aérea estrangeira que lhes ‘liberte’ a aldeia pró-governo. 

Os meios de comunicação ocidentais, incapazes de entender essas compensações materiais por parte das forças pró-governo, atribuem o apoio popular a Kadafi à ‘coerção’ ou ‘cooptação’, agarrando-se à afirmação dos ‘rebeldes’ que ‘toda a gente se opõe secretamente ao regime’.

Há uma outra realidade material, que muito convenientemente é ignorada: A verdade é que o regime de Kadafi tem utilizado a riqueza petrolífera do país para construir uma ampla rede de escolas, hospitais e clínicas públicas . Os líbios têm o rendimento per capita mais alto de África com 14.900 dólares por ano (Financial Times, 02/04/11). 

Dezenas de milhares de estudantes líbios de baixos rendimentos receberam bolsas para estudar no seu país e no estrangeiro. As infra-estruturas urbanas foram modernizadas, a agricultura é subsidiada e os pequenos produtores e fabricantes recebem crédito do governo. Kadafi promoveu esses programas eficazes, para além de enriquecer a sua própria família/clã.

Por outro lado, os rebeldes líbios e os seus mentores imperialistas prejudicaram toda a economia civil, bombardearam cidades líbias, destruíram redes comerciais, bloquearam a entrega de alimentos subsidiados e assistência aos pobres, provocaram o encerramento das escolas e forçaram centenas de milhares de profissionais, professores, médicos e trabalhadores especializados estrangeiros a fugir. 

Os líbios, mesmo que não gostem da prolongada estadia autocrática de Kadafi no cargo, encontram-se agora perante a escolha entre apoiar um estado de bem-estar, evoluído e que funciona, ou uma conquista militar manobrada por estrangeiros. Muito compreensivelmente, muitos deles escolheram ficar do lado do regime. 

O fracasso das forças ‘rebeldes’ apoiadas pelos imperialistas, apesar da sua enorme vantagem técnico-militar, deve-se a uma liderança traidora, ao seu papel de ‘colonialistas internos’ que invadem as comunidades locais e, acima de tudo, à destruição insensata de um sistema de bem-estar social que tem beneficiado milhões de líbios desde duas gerações.

A incapacidade de os ‘rebeldes’ avançarem, apesar do apoio maciço do poder imperialista aéreo e marítimo, significa que a ‘coligação’ EUA-França-Inglaterra terá que reforçar a sua intervenção, para além de enviar forças especiais, conselheiros e equipes da CIA. Perante o objetivo declarado de Obama-Clinton quanto à ‘mudança de regime’, não haverá outra hipótese senão introduzir tropas imperialistas, enviar carregamentos em grande escala de caminhões e tanques blindados e aumentar a utilização de munições de urânio empobrecido, profundamente destrutivas. 

Sem dúvida que Obama, o rosto mais visível da ‘intervenção armada humanitária’ em África, vai recitar mentiras cada vez maiores e mais grotescas, enquanto os aldeões e os citadinos líbios caem vítimas da sua força destruidora imperialista. O ‘primeiro presidente negro’ de Washington ganhará a infâmia da história como o presidente americano responsável pelo massacre de centenas de líbios negros e da expulsão em massa de milhões de trabalhadores africanos subsaarianos que trabalham para o atual regime (Globe and Mail, 28/03/11). 

Sem dúvida, os progressistas e esquerdistas anglo-americanos vão continuar a discutir (em tom ‘civilizado’) os prós e os contras desta ‘intervenção’, seguindo as pisadas dos seus antecessores, os socialistas franceses e os ‘new dealers’ americanos dos anos 30, que debateram nessa época os prós e os contras do apoio à Espanha republicana… enquanto Hitler e Mussolini bombardeavam a república por conta das forças fascistas ‘rebeldes’ do general Franco que empunhava o estandarte falangista da ‘Família, Igreja e Civilização’ – um protótipo para a ‘intervenção humanitária’ de Obama por conta dos seus ‘rebeldes’.
* James Petras é professor emérito de Sociologia na Universidade de Binghamton, Nova Iorque.
É autor de 64 livros publicados em 29 línguas, e mais de 560 artigos em jornais.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Brega da Líbia e os bregas da Bahia

Quarta, 30 de março de 2011
Rebeldes tomam Brega, mas as forças de kadhafi retomaram Brega. Toda hora um toma Brega. A briga é sangrenta por Brega. Essa tal de Brega da Líbia é mais famosa do que todos os bregas da Salvador Antiga, incluindo aí os da Montanha e os que se localizavam no Baixo Maciel.

sexta-feira, 11 de março de 2011

A Líbia e a primavera árabe

Sexta, 11 de março de 2011 
Por Ivan de Carvalho
    Existe, aparentemente, um grave risco de que a chamada “primavera árabe” perca o rumo a partir do que está acontecendo na Líbia, onde o regime ditatorial de Muammar Gaddafi demonstra potencial que pode ser suficiente para vencer a rebelião de grande parte da população do país, incluindo praticamente a totalidade da população da região leste.

    A perda de rumo da “primavera árabe” poderá vir exatamente pela derrota do movimento em um dos países em que eclodiu com mais força. A derrota dos rebeldes ali poderá ser um anticlímax, desestimulante para movimentos rebeldes ou simplesmente de oposição em várias outras autocracias árabes e muçulmanas não árabes, sendo destas últimas o exemplo principal o do Irã.

    Já são duas semanas de protestos e conflitos sérios na Líbia, milhares de feridos e, a depender das fontes, com suas estimativas díspares e de difícil verificação, centenas ou até dois mil mortos. O movimento rebelde chegou a dominar completamente todo o leste do país, iniciando até com êxito incursões a cidades e localidades menores do Oeste, inclusive conseguindo o controle de uma cidade de média importância a apenas 50 quilômetros da capital, Trípoli.

    A região de Trípoli é a base física, militar e demográfica em que se sustentam Muammar Gaddafi e seu regime, nessa fase que está sendo considerada de quase guerra civil. Aliás não vejo muita razão para o “quase”. Nessa região residem 2,2 milhões do total de menos de sete milhões de habitantes da Líbia (excluídos da conta os estrangeiros que trabalham ou trabalhavam lá).

    O problema da rebelião é que o regime de Gaddafi foi apanhado de surpresa, não teve tempo de reagir e perdeu terreno, mas duas semanas depois de iniciados os conflitos o ditador parece já ter conseguido reorganizar razoavelmente suas forças, inclusive também fazendo largo uso de mercenários tão bem pagos quanto bem treinados e armados para o combate.

    O regime no poder tem o controle absoluto do espaço aéreo e o está usando para bombardear objetivos estratégicos e cidades controladas pelos rebeldes. Esta semana passou a usar também embarcações de guerra para bombardear as costas com artilharia. Nessas condições, como deixava entrever o noticiário de ontem, o movimento rebelde começa a perder terreno na área militar e geográfica.

    O esforço político e diplomático que os Estados Unidos, a União Européia, a OTAN e a ONU realizam para impedir um massacre dos rebeldes e tentar forçar a queda do regime poderia ser eficaz se fosse longo o prazo que esses quatro agentes citados têm atingir seus objetivos.

    Mas o prazo é curto. Muito curto. Pode ser de apenas mais alguns dias, poucos dias. E a OTAN declarou-se, ontem, preparada para agir, mas advertiu que, para qualquer ação militar, precisa de uma autorização expressa da ONU.

     E a ação militar sobre a qual mais se tem falado é o de estabelecimento de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia. O que exige bombardeios prévios para destruição das defesas antiaéreas.

    Os rebeldes acham insuficiente a “zona de exclusão aérea”. Eles pedem que os Estados Unidos ou a OTAN bombardeiem instalações militares do regime e aeroportos, para acabar com a superioridade militar de Gaddafi.

    Ora, na ONU só quem pode dar tal autorização é o Conselho de Segurança e, neste, a Rússia e a China, que têm direito de veto, estão contra a autorização de qualquer ação militar. Aí, pela OTAN, parou. Restaria uma ação unilateral dos Estados Unidos e talvez Reino Unido. Mas não farão isto, nem fornecerão armamento e munição, nem eles nem a própria OTAN, sem saber antes com quem estão tratando. Quando e se ficarem prontos, talvez já não haja com quem tratar.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.