Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 7 de abril de 2018

Não irei para São Bernardo. Vou para Altamira

Sábado, 7 de abril de 2018
Força Nacional em Belo Monte também reprime os povos indígenas — Foto: O Rebate

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Por Maurício Matos*
Não irei para São Bernardo. Vou para Altamira. Altamira foi o quartel general dos povos do Xingu na luta contra a hidrelétrica de Belo Monte. Sei qual deve ser o nosso lugar nessa hora. Tive, desde 29 anos atrás, diferenças irreconciliáveis com a corrente majoritária do PT. Defendi um programa revolucionário, cara a cara, de forma honesta, diante de dirigentes da Articulação. E sei qual deve ser o nosso lugar nessa hora.
Fui militante de base do PT. Em 1989 fui para Altamira lutar contra Belo Monte. Estava a poucos metros de Tuíra quando ela encostou o facão nos dois lados do rosto do diretor da Eletronorte. Fui excluído quando da expulsão da Convergência Socialista em 1992, sob a acusação de radical que defendia a bandeira do Fora Collor. Mas fui impedido de entrar na FUR. Fui obrigado a retornar para o PT e seguir a tarefa da construção de uma fração revolucionária. Voltei a sair em 2003, junto com os Radicais do PT, quando Lula aprovou sua contra-reforma da Previdência.
Ainda assim, sei qual deve ser o nosso lugar nessa hora. Voltei a Altamira em 2011, agora para ocupar um dos canteiros de obras da usina que Lula e Sarney estavam construindo, imposta de forma autoritária, como tem sido todos os "grandes" projetos na Amazônia, desde a ditadura. Fomos oposição de esquerda aos governos do PT. E sei, muito bem, qual deve ser o nosso lugar nessa hora. Lutei contra Lula e Dilma quando mandaram tropas da Força de Segurança Nacional para vigiar e impedir as greves dos operários de Belo Monte. Lutei contra Lula e Dilma quando mandaram destruir os sonhos e o futuro dos moradores das áreas atingidas por Belo Monte. Canalhas. Não tenho qualquer ilusão na direção nacional do PT. E sei muito bem qual deve ser o nosso lado nessa hora. Altamira! Altamira! Altamira!

Texto: Maurício Matos, Comite do Movimento Xingu Vivo Para Sempre. Militante da LS/PSOL.

*LS = Luta Socialista, corrente do Psol

domingo, 17 de abril de 2016

O que ganham os trabalhadores e a classe média empobrecida assumindo um lado da falsa polarização PT x PSDB?

Domingo, 17 de abril de 2016
Da Luta Socialista / PSOL (documento divulgado em 22 de março de 2016)
O cenário político nacional é sem dúvida, preocupante. O PT instiga seus militantes e usa toda sua habilidade para convencer e pressionar organizações de esquerda e movimentos sociais a engrossar suas fileiras, supostamente dos democráticos, da esquerda socialista e dos comunistas para enfrentar a “onda conservadora”, pois o país estaria vivendo uma situação pré-golpe como foi em 1964. Por isso defender o PT, a continuidade do governo burguês e corrupto de Dilma Rousseff, seria sinônimo da defesa da democracia. Os que não o fazem são os “coxinhas” partidários da direita reacionária, conservadora, fascista!

Uma jogada de mestre, à altura do habilidoso político neoliberal Lula. “O cara” do Obama que em tempos idos alçou vôo pelos braços da classe operária, a qual seu partido, há décadas, despreza e tornou-se inimigo.


O PT e Lula atravessaram a fronteira de classe e emergiram do outro lado como o new PT, mais um a integrar o clube dos partidos da ordem capitalista e a se lambuzar nas mamatas, no fisiologismo, na corrupção inerente ao sistema capitalista. Uma das maiores traições políticas da história da classe trabalhadora no Brasil. O Lula-lá ou o PT no governo, não significou uma ruptura com o modelo de governar para os ricos, por isso de nada serviu para os de baixo.