Calor extremo: a China pode ensinar algo?
Milhares de mortes na Europa expõem Estados despreparados e o sucateamento da Saúde, monitoramento de impactos e resiliência urbana. Beijing mostra: inovação, planejamento de longo prazo e cidades-esponjas podem mitigar a crise climática
Por Diego Pautasso e Isis Paris Maia

Foto: NurPhoto / Getty Images
A nova onda de calor que atinge a Europa volta a produzir números alarmantes de mortes. Mais do que um evento meteorológico extremo, porém, ela revela processos estruturais que extrapolam a dimensão climática. A tragédia evidencia sinais de fragilização das capacidades estatais de planejamento e provisão de bens públicos para prevenir e responder a eventos extremos, expõe a questão etnocêntrica que permeia sua cobertura midiática, contrapõe distintos paradigmas de desenvolvimento e adaptação às mudanças climáticas, reafirma a centralidade da infraestrutura como expressão de modernização e proteção social e, em última instância, oferece indícios da transição sistêmica em curso na ordem internacional. À luz desse cenário, cabe refletir sobre a experiência chinesa no enfrentamento desses desafios, em especial a partir do paradigma da chamada Civilização Ecológica.
Ondas de calor e erosão das capacidades estatais europeias
A cada novo verão, a Europa tem estampado nas manchetes a sua tragédia térmica. Segundo publicadas na Nature Medicine1, entre 2022 e 2024, mais de 181 mil mortes estiveram associadas ao calor extremo no continente.
