Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Memorial da covid: quando a memória fala do futuro


Quarta, 8 de abril de 2026

Memorial da covid: quando a memória fala do futuro

No Dia Mundial da Saúde, Brasil inaugura monumento em honra às vítimas da pandemia. Ele não recupera as perdas, mas traz uma mensagem urgente perante o neoliberalismo, que destrói a solidariedade e o Comum. Como ampliar essa onda a favor da vida?

OUTRASPALAVRAS; OUTRASAÚDE
Publicado 08/04/2026

Créditos: Walterson Rosa/MS


Ontem, 7 de abril de 2026, Dia Mundial da Saúde, foi reaberto o Centro Cultural do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro, com uma homenagem às vítimas da pandemia de covid-19. São três esculturas e um parquinho com símbolos do Zé Gotinha, entre os quais perfilaram representantes do movimento social, academia, artistas, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha e a ex-ministra Nísia Trindade.

Faltava até então um memorial que contasse o sofrimento das milhões de pessoas, e a morte de mais de 700 mil durante a maior tragédia sanitária do país. Há vítimas que continuam entre nós, mais de 100 mil órfãos, pessoas com sequelas, famílias que tiveram suas economias devastadas. A presença da pandemia é uma realidade para milhares, que carregam efeitos para o resto das suas vidas. Um lugar de memória não é feito para atualizar o que passou, mas lembrar do que levou àquela experiência trágica. Esse não esquecimento deve ser o salvo conduto para um futuro em que episódios como este nunca mais se repitam.

quinta-feira, 26 de junho de 2025

Dose de reforço de vacina contra meningite terá proteção maior

Quinta, 26 de juho de 2025

Bebês de 12 meses agora serão imunizados contra quatro sorotipos

© Tomaz Silva/Agência Brasil
Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 26/06/2025 — Rio de Janeiro

A partir de 1º de julho, os bebês de 12 meses receberão a vacina meningocócica ACWY como dose de reforço para a meningocócica C. Isso significa que, além do meningococo C, eles ficarão protegidos contra outros três sorotipos da bactéria (A, W e Y), o que previnirá casos de meningite bacteriana e infecção generalizada no sangue, a "No Brasil, o sorogrupo que mais preocupa, além do C, é o W. A gente observou aumentos de incidência importantes, principalmente nos estados do Sul do país, recentemente. Então, essa mudança representa uma ampliação da proteção contra sorogrupos que são um risco, principalmente para as crianças", explica a diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo.

O Sistema Único de Saúde ja oferece o imunizante ACWY nas unidades básicas de saúde, mas atualmente a vacina é aplicada dos 11 aos 14 anos. Já os bebês recebem três doses da vacina meningocócica C: duas doses aos 3 e aos 6 meses de idade, e o reforço, aos 12 meses. Apenas a dose de reforço será modificada.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Verba para pesquisa e capacitação no combate à dengue não sai do papel

O governo federal reservou R$ 10,1 milhões para o plano orçamentário “Coordenação Nacional da Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue”. No entanto, quase no final do ano os recursos ainda não saíram do papel. A verba, de responsabilidade do Ministério da Saúde, deveria ser empregada no financiamento de estudos, pesquisas e na capacitação profissional para o combate à dengue.
Os recursos ainda deveriam ser empregados no auxílio ao aperfeiçoamento do programa de controle da dengue, realização de termo de cooperação e aquisição de veículos e equipamentos para doação a estados e municípios.
Foto - dengueOs recursos já diminuíram ao longo deste ano. A dotação inicial previa R$ 4,2 milhões a mais para essas iniciativas. Além do desembolso ter sido nulo até o momento, a quantia reservada em orçamento também não é satisfatória. Apenas 8,1% foram empenhados para o plano orçamentário da dengue.
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Sábado, 6 de dezembro de 2014
Do Contas Abertas
O governo federal reservou R$ 10,1 milhões para o plano orçamentário “Coordenação Nacional da Vigilância, Prevenção e Controle da Dengue”. No entanto, quase no final do ano os recursos ainda não saíram do papel. A verba, de responsabilidade do Ministério da Saúde, deveria ser empregada no financiamento de estudos, pesquisas e na capacitação profissional para o combate à dengue.

Os recursos ainda deveriam ser empregados no auxílio ao aperfeiçoamento do programa de controle da dengue, realização de termo de cooperação e aquisição de veículos e equipamentos para doação a estados e municípios.

Leia a íntegra em:
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sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Laboratório Octapharma, envolvido em fraude, recebeu quase R$ 700 milhões do governo

Sexta, 28 de novembro de 2014
Do Contas Abertas
Por Dyelle Menezes
A Octapharma, laboratório denunciado no escândalo da Máfia dos Vampiros e ligado ao ex-primeiro-ministro português, José Sócrates, preso na semana passada, recebeu cerca de R$ 700 milhões do governo brasileiro entre 2008 e 2014. Nesses últimos cinco anos, o Ministério Público Federal tenta impedir que novos contratos sejam assinados com o laboratório suíço.
De acordo com o levantamento do Contas Abertas, 2012 foi o ano que a Octapharma mais faturou em contratos com o governo brasileiro. Foram R$ 235 milhões. Em 2013, recebeu R$ 118 milhões. Este ano, pagamentos feitos pelo Ministério da Saúde já superam os R$ 124 milhões.
Em 2008, o Ministério Público Federal acusou sete pessoas e três empresas de envolvimento no escândalo na Máfia dos Vampiros. Entre as empresas estava a Octapharma. As investigações apontaram que os acusados combinavam preços e fraudavam licitações do Ministério da Saúde para comprar remédios para o tratamento de hemofílicos. O esquema resultou em valores praticados bem acima do mercado.
Leia a íntegra em: 
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28 de novembro de 2014
Dyelle Menezes
A Octapharma, laboratório denunciado no escândalo da Máfia dos Vampiros e ligado ao ex-primeiro-ministro português, José Sócrates, preso na semana passada, recebeu cerca de R$ 700 milhões do governo brasileiro entre 2008 e 2014. Nesses últimos cinco anos, o Ministério Público Federal tenta impedir que novos contratos sejam assinados com o laboratório suíço.
De acordo com o levantamento do Contas Abertas, 2012 foi o ano que a Octapharma mais faturou em contratos com o governo brasileiro. Foram R$ 235 milhões. Em 2013, recebeu R$ 118 milhões. Este ano, pagamentos feitos pelo Ministério da Saúde já superam os R$ 124 milhões.
Octapharma-B49-01-mega-3 (1)Em 2008, o Ministério Público Federal acusou sete pessoas e três empresas de envolvimento no escândalo na Máfia dos Vampiros. Entre as empresas estava a Octapharma. As investigações apontaram que os acusados combinavam preços e fraudavam licitações do Ministério da Saúde para comprar remédios para o tratamento de hemofílicos. O esquema resultou em valores praticados bem acima do mercado.
Na ação civil pública, os procuradores do MPF pediram a anulação dos contratos firmados entre o Ministério da Saúde e a Octapharma, a devolução aos cofres públicos da verba supostamente desviada, e a proibição de negociações entre a empresa suíça e o governo brasileiro. Até hoje, não houve sentença sobre o caso.
Para o economista Gil Castelo Branco, da ONG, mesmo sem uma decisão da Justiça, impedindo a Octapharma de participar de licitações, os órgãos de controle do governo federal poderiam proibir novos contratos com a empresa no âmbito administrativo.
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segunda-feira, 7 de abril de 2014

O Ministério da Saúde deixou de aplicar mais de R$ 100 bilhões no SUS ao longo dos últimos 13 anos; problemas no SUS ferem dignidade dos cidadãos, indica relatório; é o caos

Segunda, 7 de abril de 2014


Paula Laboissière - Repórter da Agência Brasil 
Edição: Beto Coura
Casos de pacientes em macas espalhadas pelos corredores ou em colchões sobre o chão, falta de água em chuveiros e sanitários e cenários que se assemelham aos de uma enfermaria de guerra integram relatório divulgado hoje (7) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O órgão, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, visitou oito hospitais de urgência da rede pública. A conclusão: problemas estruturais no Sistema Único de Saúde (SUS) ferem a dignidade e os direitos da população.

Mensagens revelam cobrança de André Vargas a doleiro preso pela PF

Segunda, 7 de abril de 2014
Petista reclama com Alberto Youssef que 'consultores' não estavam recebendo. 'Calma, vai ser pago. Falei para você que iria cuidar disso', responde doleiro
 
Robson Bonin, de Brasília
Revista Veja
André Vargas discursa no Congresso. Oposição quer petista fora da vice-presidência da Câmara
André Vargas discursa no Congresso. Oposição quer petista fora da vice-presidência da Câmara (Reprodução)

Exemplo de entrosamento e cumplicidade, a parceria nascida da amizade de vinte anos entre o vice-presidente da Câmara, André Vargas, e o doleiro paranaense Alberto Youssef era marcada por muitos momentos felizes. Como revela reportagem de VEJA desta semana, para além das viagens de jatinho nas férias, a dupla tinha planos bem ambiciosos. O deputado petista e o doleiro trabalhavam para enriquecer juntos e conquistar a 'independência financeira' a partir de contratos fraudulentos com o governo federal. Mas, como acontece nas relações em que há muito dinheiro envolvido, desentendimentos e cobranças também eram comuns. Um novo conjunto de mensagens de celular interceptadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato mostra que André Vargas não passava apenas informações do governo ao doleiro. Ele também exercia seu poder para cobrar compromissos de Youssef.

No dia 19 de setembro de 2013, o vice-presidente da Câmara reclama com o doleiro por causa da falta de pagamentos a certos 'consultores'. 'Sabe por que não pagam o Milton?', questiona André Vargas. Yossef tenta tranquilizar o parceiro: 'Calma, vai ser pago. Falei para você que iria cuidar disso.' Mas o vice-presidente da Câmara está impaciente. 'Consultores que trabalham com ele há meses e não receberam', diz Vargas. 'Deixa que já vai receber', garante Youssef. O hábito da dupla de trocar mensagens de celular cifradas não permite que seja identificada a origem desses 'consultores' defendidos por Vargas. Mas a conversa é mais um poderoso indício colhido pela Polícia Federal para reforçar a existência de uma sociedade secreta entre o doleiro e vice-presidente da Câmara.

Leia mais acessando:  http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/mensagens-revelam-cobranca-de-andre-vargas-a-doleiro-preso-pela-pf

quarta-feira, 19 de março de 2014

PF liga doleiro a suspeita de desvios no Ministério da Saúde

Quarta, 19 de março de 2014
Preso pela Operação Lava Jato teria intermediado contratos de laboratório com pasta em dezembro de 2013, na gestão de Alexandre Padilha

por Fausto Macedo e Lígia Formenti
O Estado de S. Paulo

A Operação Lava-Jato da Polícia Federal rastreou suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo contrato da Labogen S/A Química Fina com o Ministério da Saúde.

Interceptações telefônicas da PF apontam para um negócio firmado entre governo e a empresa para fornecimento de remédio usado no tratamento de hipertensão pulmonar, no valor de R$ 6,2 milhões por ano. O contrato, de dezembro de 2013 – gestão Alexandre Padilha, pré-candidato ao governo paulista pelo PT –, tem o formato de Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), modelo que começou a ser usado em 2009 e ganhou força nos últimos dois anos.

A Lava Jato foi deflagrada segunda-feira e prendeu 24 investigados em 6 Estados e no Distrito Federal por lavagem de R$ 10 bilhões, através da ocultação de bens adquiridos de forma ilícita. O doleiro Alberto Youssef é o alvo maior da missão.

Vigiando os movimentos de Youssef, a PF descobriu que um aliado dele, provavelmente por sua influência, conseguiu firmar contrato de R$ 150 milhões para fabricação no Brasil e o fornecimento à Saúde do medicamento citrato de sildenafila. O negócio teve amparo em Parceria para Desenvolvimento Produtivo (PDP), criada pela Portaria 837, de 18 de abril de 2012.

Leia mais em: http://blogs.estadao.com.br/fausto-macedo/pf-liga-doleiro-a-suspeita-de-desvios-no-ministerio-da-saude/

quinta-feira, 13 de março de 2014

Contrato entre Ministério da Saúde e locadora de veículos poderá ser investigado

Quinta, 13 de março de 2014

Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil
Brasília - Índios Pataxó e Tupinambá, do extremo sul da Bahia, aguardam no Ministério da Justiça audiência com o ministro José Eduardo Cardozo (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Índios Pataxó e Tupinambá pedem revisão de contrato de aluguel de veículos usados em serviços de saúde — Marcello Casal Jr/Agência Brasil
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, deve analisar nos próximos dias se vai determinar abertura de inquérito pela Polícia Federal para investigar os contratos da locadora de veículos San Marino com o Ministério da Saúde. O pedido para investigação foi protocolada hoje (13) no gabinete de Cardozo, mas, segundo assessoria de imprensa do órgão, não há prazo para que a decisão seja tomada.

Fraude no Ministério da Saúde: Oito servidores, entre eles o secretário adjunto da Secretaria de Saúde Indígena, foram afastados

Quinta, 13 de março de 2014

Ministério da Saúde afasta oito por fraude e superfaturamento em contratos 

Decisão foi tomada após auditória identificar oscilações de até R$ 10 mil nos preços pagos para locações de veículos em distritos indígenas


Lígia Formenti - Agência Estado
Oito pessoas foram afastadas, entre elas o secretário adjunto da Secretaria Especial de Saúde Indígena, Fernando Rocha, em razão de uma auditoria aberta em fevereiro pelo Ministério da Saúde e Controladoria Geral da União para investigar suspeitas de fraude e superfaturamento em contratos de alimentação, aluguel de veículos e transporte aéreo firmados por Distritos Sanitários Especiais Indígenas. (DSEis)

A investigação foi aberta um mês depois de a pasta ter recebido denúncias sobre irregularidades na licitação para contratação de uma empresa para fornecimento de alimentos para o DSEI de Manaus. Na representação, a empresa questionava o fato de ter sido desclassificada da disputa, mesmo apresentando o menor preço para a execução do serviço.

O DSEI alegou que a empresa havia sido desclassificada por haver falha nos documentos juntados na concorrência. Numa investigação preliminar, no entanto, o Ministério da Saúde considerou a documentação da empresa válida.

Em nota, o Ministério da Saúde confirmou ter constatado uma oscilação considerável nos preços pagos para as locações de veículos em diferentes Estados. Deu como exemplo o aluguel de caminhonetes. Enquanto o DSEI de Rondônia pagava R$ 10.558,33 por mês por cada carro, o DSEI de Cuiabá pagava R$ 20.500,73. A diferença também era constatada no aluguel de vans. Na Bahia, o aluguel era de R$ 20.220,00. No Mato Grosso, de R$ 25.302.

Além da diferença de preços, os modelos dos contratos despertam suspeitas. Na Bahia, foram localizados contratos com validade de dois anos, em vez de um ano.O ministério informou que contratos, mesmo sob suspeita, continuam vigentes, para evitar prejuízos para população. Os valores, no entanto, deverão ser renegociados.

Até 2010, a política de saúde indígena era conduzida pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Depois de casos de corrupção, acusações de apadrinhamento e por reivindicação de parte das lideranças indígenas, a Secretaria Especial de Saúde Indígena foi criada.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Investigação põe ministro da Saúde na mira da Procuradoria

Quarta, 15 de maio de 2013 
Gurgel analisa abertura de inquérito sobre convênios assinados por Alexandre Padilha em 2004, quando comandava a Fundação Nacional de Saúde

Alana Rizzo - O Estado de S.Paulo
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, avalia a abertura de um inquérito para investigar suspeitas de irregularidades na Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que envolvem o ministro Alexandre Padilha, um dos nomes do PT cotados para disputar o governo do Estado de São Paulo nas eleições do ano que vem.
 
Dois convênios da Universidade de Brasília (UnB) com o Departamento de Saúde Indígena firmados em 2004 são alvo da investigação. Naquela época, Padilha comandava o órgão da Funasa e teria mantido repasses de dinheiro público para a UnB mesmo após a identificação de fraudes nos serviços.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

IstoÉ: Como o governo deixou estragar 55 mil bolsas de sangue

Sexta, 31 de agosto de 2012
Da Revista Época edição 2234

Descaso, incompetência administrativa e suspeita de um novo esquema de corrupção fizeram com que o Ministério da Saúde não desse uso a 13,7 mil litros de plasma sanguíneo avaliados em US$ 1,6 milhão

Claudio Dantas Sequeira

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TRÊS MINISTROS ESCONDERAM O DESPERDÍCIO
Humberto Costa, José Gomes Temporão e Alexandre Padilha
(da esq. para a dir.): sangue jogado fora

A cada ano, o Ministério da Saúde gasta milhões em campanhas de incentivo à doação de sangue. Boa parte dessas doações é industrializada fora do País e retorna como hemoderivados, medicamentos essenciais no tratamento de hemofílicos. A matéria-prima desse processo é o plasma sanguíneo, um insumo tão cobiçado que um litro chega a custar US$ 120 no mercado internacional – tanto quanto um barril de petróleo. O Ministério da Saúde esconde em um depósito no Distrito Federal um carregamento de 55 mil bolsas de plasma humano, avaliado em US$ 1,6 milhão, mas cuja validade está vencida há pelo menos cinco anos. O segredo, que pode causar estragos às pretensões políticas dos ex-ministros da Saúde Humberto Costa e José Gomes Temporão, além do atual ministro, Alexandre Padilha, está trancado a 50 graus negativos numa câmara frigorífica vigiada por seguranças armados. ...

Essa espécie de “túmulo do sangue”, como funcionários do ministério chamam o local, é apenas o fio de um novelo que está sendo deslindado em diferentes investigações pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União. Os processos, obtidos com exclusividade por ISTOÉ, atestam desvios recorrentes na produção e estocagem do plasma coletado e lançam suspeitas sobre a existência de uma nova modalidade de máfia dos vampiros, com conexões até na França. Os lotes vencidos foram coletados em 41 hemocentros e bancos de sangue de diversos Estados em 2003 e 2004, justamente o ano em que estourou o escândalo do comércio ilegal de hemoderivados, desbaratado pela Polícia Federal na Operação Vampiro. Então ministro, Costa chegou a ser indiciado por suspeita de participação no esquema. Em março de 2010, foi absolvido pela Justiça e conseguiu ser eleito senador. Agora, apenas dois anos depois, está dedicado a virar prefeito do Recife, numa estratégia para chegar ao governo de Pernambuco em 2014.

Leia no Blog do Sombra a íntegra de  "Como o governo deixou estragar 55 mil bolsas de sangue"

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ministério Público Federal no DF vê irregularidades em consultorias jurídicas do Turismo, Agricultura e Saúde

Sexta, 2 de setembro de 2011
Pastas insistem em manter servidores não concursados em área que avalia vícios em contratos, licitações, convênios e repasses de recursos públicos

O Ministério Público Federal no DF (MPF/DF) acionou a Justiça para regularizar a ocupação dos cargos de consultoria e assessoramento jurídico nos órgãos do Poder Executivo, especialmente nos ministérios do Turismo, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, da Saúde e no comando do Exército, onde predominam servidores não concursados.

Em ação civil pública ajuizada nesta quinta-feira, 1º de setembro, o MPF/DF defende que os cargos sejam ocupados exclusivamente por servidores de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU) e de órgãos vinculados. A medida visa garantir a independência técnica da área, responsável por auxiliar no controle prévio dos atos da Administração.

Compete às consultorias jurídicas, por exemplo, apontar vícios em procedimentos licitatórios, contratos administrativos, propostas de convênios e outros repasses de recursos públicos a entidades privadas. E para que o trabalho seja bem feito, é necessário independência e estabilidade, afirma o procurador da República Paulo Roberto Galvão, autor da ação.

“Não é concebível, em um sistema que pretenda que tais funções sejam exercidas de forma efetiva, delegá-las a servidores que possam ser demitidos a qualquer tempo, e pelas mesmas pessoas a quem seus atos possam incomodar”, argumenta o procurador.

De acordo com a Constituição e a Lei Orgânica da AGU, somente o cargo de chefe da consultoria jurídica – o consultor jurídico, nomeado pelo presidente da República – é de livre indicação, podendo ser ocupado por não integrante da carreira. Os demais cargos das consultorias jurídicas são privativos de advogados públicos.

Solução demorada - A irregularidade na composição das consultorias jurídicas de ministérios e demais órgãos do Executivo é reconhecida pela própria Advocacia-Geral da União, há pelo menos dois anos e cinco meses. Em abril de 2009, o órgão determinou a exoneração dos servidores não concursados e nomeação de integrantes da AGU até outubro de 2010. Posteriormente, o prazo foi prorrogado para dezembro de 2011.

Segundo levantamento do MPF/DF, a maioria das pastas já regularizou a situação, com exceção dos ministérios do Turismo, da Agricultura, da Saúde e do comando do Exército, onde os cargos comissionados das consultorias jurídicas continuam sendo ocupados por servidores sem vínculo efetivo.

Alertado da situação, em julho deste ano, o consultor-geral da União limitou-se a apontar dificuldades para o cumprimento da norma. Para Galvão, a reação é um sintoma de que os prazos serão novamente prorrogados, sem a adoção de medidas efetivas para a solução do problema.

“Pelo desenrolar dos fatos, as providências não serão tomadas espontaneamente pela União. Assim, é preciso que o Poder Judiciário intervenha”, conclui o procurador, que já havia tentado resolver a situação extrajudicialmente, por meio de termo de ajustamento de conduta recusado pela AGU.

O caso será decidido pela 20ª Vara da Justiça Federal do DF. Processo 0048639-83.2011.4.01.3400.

Confira aqui a íntegra da ação civil pública.