Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 14 de junho de 2026

Os juros altos e a desculpa esfarrapada do 0,1%



Domingo, 14 de junho de 2026

Os juros altos e a desculpa esfarrapada do 0,1%

No momento em que o Banco Central prepara-se para manter ou elevar as taxas mais altas do mundo, vale um pouco de teoria. Por que o remédio é ineficaz contra a inflação vivida pelo Brasil? Como ele agrava a desigualdade e mantém o país em estado de regressão prolongada?

OUTRASPALAVRAS                      Mercado x Democracia
Matéria originalmente publicada no OUTRASPALAVRAS de 10/06/2026

Imagem: Gary Waters/Ikon Images

Por Luiz Martins de Melo, no Terapia Política

A inflação que afeta o Brasil é impulsionada por turbulências geopolíticas, preços de energia em alta e cadeias de suprimentos frágeis, em vez de excesso de demanda. No entanto, os formuladores de políticas continuam a tratar isso como um problema monetário, confiando em uma ferramenta que não pode abordar as causas subjacentes.

O Banco Central continua com a sua decisão de manter as taxas de juros elevadas como um exercício de prudência. Com a inflação voltando a subir, mesmo com o crescimento desacelerando, a autoridade monetária enfatiza a paciência e a “dependência dos dados” como o caminho responsável — uma abordagem moldada sobretudo por temores persistentes de repique inflacionário.

A pergunta que importa para a sociedade não é por quanto tempo os bancos centrais podem manter as taxas de juros elevadas ou o ritmo do aperto monetário. É se os formuladores de políticas conseguem manter a ficção de que taxas de juros mais altas são uma resposta eficaz, ou até neutra, às pressões inflacionárias que o Brasil enfrenta atualmente.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Pochmann: Além da regressão e ressentimento



Quinta, 30 de abril de 2026

Pochmann: Além da regressão e ressentimento

Num país que se reprimarizou por décadas, até a ascensão social marcada por desigualdade refluiu. Sobrou a frustração dos empobrecidos e atomizados, ainda que em conexão. Reconstruir a coletividade crítica e transformadora: eis o desafio

OUTRASPALAVRAS                            Crise Brasileira

Matéria publicada originalmente no OUTRASPALAVRAS em29/04/2026 às 19:20 - Atualizado 30/04/2026 às 15:38
Crédito: Reprodução/A Terra é Redonda

Por Márcio Pochmann

Título Original:

Ressentimento como último vínculo: novo sujeito coletivo e mutação política na era digital

Há um equívoco na afirmação de que o Brasil vive hoje uma crise de engajamento sociopolítico. O que caracteriza o presente não é a apatia, mas uma nova forma de mobilização que se apresenta contínua, intensa e, ao mesmo tempo, incapaz de produzir transformação estrutural. Trata-se de uma mobilização politicamente estéril, marcada pelo ressentimento como afeto dominante e como base do novo sujeito coletivo que emerge da sociedade de serviços hiperconectada da era digital.

A tese é desconfortável, mas necessária, pois o sujeito coletivo não desapareceu. Ele se degradou e se reconfigurou negativamente, tornando-se expressão convergente de frustrações estruturais. Entre os anos de 1930 e 1980, o capitalismo industrial no Brasil organizou não apenas a produção, mas também as expectativas sociais. Mesmo de forma desigual, a promessa de mobilidade ascendente funcionava como eixo de integração. O conflito existia, mas era mediado por sindicatos, partidos e movimentos sociais. Havia antagonismo, mas também horizonte de transformação superior.

quarta-feira, 2 de julho de 2025

O labirinto do Brasil por ser

Quarta, 2 de julho de 2025

“Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo.”
– Darcy Ribeiro, O povo brasileiro.
 

Por Roberto Amaral *
 
A ordem político-institucional herdada da reconstitucionalização de 1988 foi posta em recesso com o impeachment de Dilma Rousseff. Morria ali a Nova República anunciada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. O golpe de Estado de 2016 se consolidou com o regime-tampão do vice perjuro, ponte para a ascensão do neofascismo, pela vez primeira no Brasil a escalar o poder pela via eleitoral.

O presidencialismo espatifa-se como bola de cristal caída ao chão e, com seus estilhaços, a direita concerta o quebra-cabeça como novo Leviatã: poderoso mostrengo que devora as instituições republicanas e impõe a ingovernabilidade como estágio preparatório do caos, indispensável para a revogação do que ainda podemos chamar de “ordem democrática” – frágil, nada obstante sua permanente conciliação com o grande capital, no que se esmera o atual Congresso, implacável no desmonte do que quer que seja que possa sugerir um Estado de bem-estar social.

Esta é a circunstância que nos domina: um Poder Executivo acuado, impedido de exercer o dever da governança; um Legislativo que não arrecada, mas é senhor dos gastos; uma democracia representativa que prescinde da soberania popular. Um Executivo se esvaindo numa sangria de poder que parece não ter fim, prisioneiro de um Congresso abusivamente reacionário, na tocaia contra qualquer sinal de avanço civilizatório. Em seu nome fala e age sua escória, chorume poderosíssimo que não cessa de crescer em número de militantes, em ousadia e em chantagens contra o governo. O quadro funesto se completa com uma Faria Lima descolada do país e de seu povo: seus interesses deitam raízes em Wall Street.

terça-feira, 1 de julho de 2025

2026: Primeiro retrato da grande disputa

Terça, 1º de julho de 2025

Centrão humilha o governo e prepara novas investidas antipopulares no Congresso. Campo lulista reage e anuncia que convocará as ruas. Três textos sobre uma peleja em que ainda falta o mais importante: um novo projeto de país

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles
Mais: Uma versão em vídeo deste texto pode ser encontrada no OPtv

Nos bastidores, a disputa por 2026 fermentava há muito. Na última quarta-feira (25/6), um Centrão fortalecido colocou-a a nu. O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), ignorou as negociações com o governo, que estavam em curso, e humilhou o Palácio do Planalto. Um decreto legislativo, instrumento político usado raríssimas vezes desde a redemocratização, anulou a elevação de algumas das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), determinada pelo Executivo dias antes, e desde então execrada pela Faria Lima.

Do ponto de vista material, a consequência é pouca, como se verá adiante. Muito pior foi o impacto simbólico: o Centrão de Motta quis mostrar quem manda em quem. Não bastasse o insólito do decreto legislativo para tal tipo de questão (sua própria constitucionalidade está em disputa), o governo amargou a sensação do abandono. Nos partidos agraciados com ministérios, dois de cada três deputados (63%) votaram contra o Executivo. Fizeram-no por calcular que o governo não terá forças para punir a traição. A debandada, aliás, repetiu um episódio anterior — a derrubada dos vetos do Executivo a medidas que encarecerão as contas de luz —, em que até os parlamentares do PT votaram em massa contra os interesses de Lula. O presidente rolava ladeira abaixo, comemorou a mídia.

Mas desta vez, veio uma resposta — tímida e contraditória, mas ainda assim inédita. Pela primeira vez desde que começou Lula 3, a institucionalidade conservadora que amarra a gestão foi questionada. Dois vídeos (1 2), que circularam velozmente pelas redes, denunciam a ação do Congresso. São assinados pelo PT (o Planalto não se pronunciou sobre eles), mas produzidos com profissionalismo de publicitários. Sua temática vai muito além do IOF: avança pelo terreno conflituoso da disputa fiscal. Lula 3 é apresentado como empenhado em aliviar a carga de impostos brasileira — que se concentra nas costas da maioria e poupa os mais ricos. As elites e o Parlamento resistem a esta correção. A luta de classes é o subtexto claro.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Extrema direita e mídia hegemônica usam ‘terrorismo econômico’ para justificar cortes sociais, diz economista

Segunda, 17 de fevereiro de 2025

Do Brasil de Fato
Para Fábio Sobral, convidado do podcast Três por Quatro, oposição traça cenário 'mentiroso' e prejudica população

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13.fev.2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad - Marcelo Camargo/Agência Brasil


A extrema direita e a mídia hegemônica pregam um "terrorismo econômico na população", enfatizando o aumento dos gastos públicos e reforçando a ideia de que a economia do Brasil caminha mal. Um cenário "mentiroso para que as pessoas promovam a redução de gastos sociais". Essa é a avaliação de Fábio Sobral, professor de economia da Universidade Federal do Ceará (UFC), e convidado do podcast Três Por Quatro desta quinta-feira (13).

No episódio desta semana, transmitido ao vivo pelo canal do Brasil de Fato no YouTube, os jornalistas Nara Lacerda e José Eduardo Bernardes conversaram com Sobral e Juliane Furno, economista e professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), sobre os gastos e investimentos públicos e os desdobramentos sobre o panorama da saúde econômica brasileira

Furno salienta como "cortar gastos não nos leva ao equilíbrio fiscal" e que eventuais reduções, fruto de medidas de austeridade fiscal, interferem diretamente na vida e bem-estar da população, principalmente nas camadas mais pobres, o que se reflete nos resultados no Produto Interno Bruto (PIB).

"Quando o Brasil entra nessa lógica mais 'austericida' e neoliberal a partir do ano de 2016, culpando a crise econômica pelos excessos, sobretudo de gastos públicos e ativismo estatal, é instituída a lei de Teto de Gastos, que inclusive estava na Constituição e propunha resolver o problema do desequilíbrio fiscal cortando gastos. O resultado foi que o desequilíbrio fiscal aumentou no país", relembra.


Nesse sentido, Sobral explica que o aumento dos gastos públicos, principalmente os voltados a saúde e educação, só reforça como "o governo só ganha se gastar", visto que o investimento na população aquece a economia e reflete no bem-estar social e econômico em todo território nacional. "Na medida em que o governo gasta, ele promove uma espécie de reação em cadeia, onde outros setores começam a produzir e arrecadar tributos", ilustra o professor.

Para Furno, a tentativa de associar despesas sociais a um descontrole financeiro ignora o impacto positivo que esses investimentos geram na economia. "Na verdade, quando se cortam gastos sociais, a arrecadação também cai, porque menos dinheiro circula na economia, afetando diretamente o consumo e a produção", aponta.

Sobral destaca ainda as contradições do governo brasileiro, que aplica parte de seus recursos em títulos da dívida emitidos pelos Estados Unidos. "Nós somos responsáveis por sustentar os gastos do governo americano. Mas eles querem reduzir os gastos com educação na escola pública, no hospital público, entende? O Banco Central comprou títulos da dívida pública americana e esses recursos ajudam a financiar as bombas que caem em Gaza e no sul do Líbano", expõe.

O economista sugere ainda que enquanto o país contribui indiretamente para o financiamento do orçamento dos EUA, que inclui despesas militares, o "Brasil segue com dificuldades para investir em infraestrutura, educação e saúde para a sua própria população".

O impacto da exportação no preço dos alimentos

Além do impacto direto dos investimentos sociais, o preço dos alimentos se tornou um dos principais desafios do governo. A alta constante de itens essenciais, como o café e o arroz, tem sido explicada não apenas por fatores climáticos, mas também por decisões estratégicas do agronegócio. "Há uma opção do agronegócio de exportar mercadorias ao invés de priorizar o mercado interno", analisa Juliane Furno.

Segundo a comentarista, essa decisão resulta em preços elevados para os consumidores brasileiros, pois a produção nacional segue atrelada às cotações internacionais e à valorização do dólar. "A prioridade tem que ser o mercado interno e matar a fome da nossa sociedade", defende a economista.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

O enigma de Mônica

Sexta, 19 de agosto de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br
Circula nas redes sociais um filmete com a professora e filósofa Marilena Chauí, intelectual orgânica do Partido dos Trabalhadores. Nas imagens, ela afirma que a operação Lava Jato foi concebida para tirar o pré-sal da Petrobras e que “o juiz Sérgio Moro foi treinado nos Estados Unidos pelo FBI para realizar essa operação”. Não citou provas, evidências ou, ao menos, indícios dessas gravíssimas acusações, nem tentou analisar as consequências nefastas, inclusive para a Petrobras, de todos os esquemas criminosos que estão sendo revelados pelas investigações em curso. Mais parece um destempero (ou seria leviandade?) da ilustre intelectual, que simplifica um panorama complexo e não redutível às velhas teorias da conspiração.

Conspirações existem, claro, não somos ingênuos. Entretanto, não são uma chave interpretativa universal. As causas do colapso do petismo vêm de mais longe, as principais são políticas e merecem um olhar menos primário.

domingo, 10 de julho de 2016

Brasil-Estados Unidos – a proximidade sem embaraço entre Lula e Obama

Domingo, 10 de julho de 2016
Do Correio da Cidadania
www.correiocidadania.com.br
Por Virgílio Arraes*
Em meio ao corrente processo de destituição de Dilma Rousseff da presidência da República, sobejam afirmações, como maneira de defesa política de sua iníqua administração, relativas a uma suposta altivez da política externa das gestões trabalhistas ao longo de quatro mandatos ou independência concernente a interesses dos estadunidenses.

Na prática, a proximidade entre os dois países, indistintamente da agremiação à frente do poder, tem sido real. Durante a gestão de Lula da Silva, o dirigente democrata, Barack Obama, era elogiado em público pelo brasileiro, como, por exemplo, na época de sua visita a países da área médio-oriental em maio de 2009.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Continuidade deletéria

Terça, 12 de abril de 2016
Adriano Benayon *
Adriano Benayon
Publiquei, este ano, artigo “O Golpe Permanente”, em que resumi como as lamentáveis estrutura e infraestrutura econômica e social do País são o resultado da continuidade, nos últimos 62 anos, de políticas determinadas por interesses vinculados às potências imperiais ou, no mínimo, capitulações diante de pressões dessas potências.

2. A continuidade, geralmente despercebida, tem prevalecido sob governos e regimes díspares, incluindo os militares e os eleitos pelo voto direto, e também os instalados através de eleições indiretas pelo Congresso “Nacional”.

3. Essa realidade prossegue sob a presente “ordem” constitucional, e perdurará, enquanto esta existir, como também sendo ela  substituída por mais um regime incapaz de conduzir o Brasil ao desenvolvimento econômico e social.

4. Tenho enfatizado que a corrupção mais profunda  é de natureza distinta da que costuma ser investigada pelas autoridades competentes e exposta ao público pelos meios de comunicação social.

5. Muitos brasileiros estão divididos entre, os que consideram que a preservação (?) do inexistente (mas oficialmente assim definido) regime democrático depende de rejeitar o pedido de impeachment contra a presidente da República, e os que julgam que esse regime somente sobreviverá se conseguirem defenestrar a primeira mandatária.

6. Não obstante a segunda “alternativa” afigurar-se a mais deletéria, o País terá agravados os seus desequilíbrios com qualquer desses desfechos.

7. No deprimente espetáculo oferecido por políticos e partidos, o PMDB apresentou mais um número digno de seu passado de conchavos espúrios e deslavado fisiologismo, afastando-se do Executivo petista, de que fez parte desde o primeiro mandato de Lula.

8. De fato, por todo esse tempo, caciques peemedebistas, Temer, Cunha e outros, - além das cornucópias reservadas ao Legislativo, como as emendas ao orçamento – desfrutaram de cargos e feudos na área do Executivo.

9. E já o haviam feito nos oito anos de FHC (PSDB), cumpliciando-se em todos os atos de frontal desprezo aos interesses nacionais. 

10. É manifesta a orfandade dos brasileiros no que dependa da representação política, cujas mazelas independem da dualidade esquerda (PT, PC doB ?) / direita (PSDB e aliados, agora reforçados pelo PSB, em traição às memórias de seus fundadores).

11. Se a “direita”, é confessadamente alinhada às posições defendidas pelo império angloamericano e em favor de sua oligarquia financeira, os governos encabeçados pelo PT nunca deixaram de se acomodar com esta.

12.  Isso vem desde antes da primeira posse de Lula, quando este fez acordo de “governabilidade”, no qual concordou em sufocar os movimentos que pleiteavam rever as grossas bandalheiras das privatizações, em que foi dilapidado o grosso do patrimônio público. 

13. Recorde-se que o surgimento de Lula e do PT foi patrocinado durante governo militar, sob a direção de Golbery, ligado à CIA, a fim de dividir a esquerda que, à época ainda contava com figuras nacionalistas de expressão: Leonel Brizola e Miguel Arraes.

14. A escalada de Lula foi fomentada, não só pela ala pró-EUA do governo militar, mas também pela grande mídia, tradicional sustentáculo dos interesses dos carteis transnacionais, desde antes da derrubada do presidente Vargas em 1954.

15.  O apoio externo ao sindicalista de resultados manifestou-se, de forma despercebida pelo público, por exemplo, em cenários ilusórios de perseguição contra Lula, para transformá-lo em suposta vítima do governo ditatorial, como o sobrevoo ameaçador de concentração de seguidores, por helicópteros das FFAA.

16. Outro episódio marcante foram as fraudes contra Brizola para que Lula obtivesse, por pequena margem, o segundo lugar no 1º turno da fatídica eleição de 1989, que elevou Collor à presidência, para, entre outras medidas devastadoras, fazer o Congresso aprovar, em 60 dias, pacote de leis tão volumoso, como nocivo ao País.

17. Entretanto, fazendo justiça a Lula, lembre-se que ele, no primeiro mandato, tomou algumas medidas favoráveis à economia e deteve temporariamente a destruição da Petrobrás, encetada por FHC, desde a Lei 9.478/1997 e a infiltração de agentes de interesses externos na ANP e na estatal.

18. Lula pôs em posições executivas da Petrobrás, técnicos, como Guilherme Estrella e Ildo Sauer, que dirigiram as descobertas das grandiosas reservas do pré-sal,  além de ter conseguido aprovar a Lei que instituiu regime especial para a exploração dessas reservas.

19. Mas a qualidade das administrações da Petrobrás não se manteve no segundo mandato e deteriorou-se sob Dilma, com Graça Foster e muito mais com Bendine.

20. As políticas deste são contraditórias e destrutivas, como comprova: 1) o balanço de 2015, em que foram enganosamente desvalorizados e subavaliados os ativos da empresa; 2) a açodada venda de parte substancial de ativos.

21. É desastrosa a atuação da presidente Dilma, em áreas cruciais como o petróleo e a eletricidade, em manteve o sistema de caos programado instituído por FHC, e acabou consumando a virtual falência da Eletrobrás.

22. Entretanto, constatar esses fracassos não leva a concluir que a devastação do patrimônio do País não será ainda mais incrementada, se o Executivo for assumido por qualquer dos opositores. 

23. No próximo artigo, avaliarei antecedentes históricos das mentirosas  “alternativas” existentes no cenário político

* Adriano Benayon é doutor em Economia, pela Universidade de Hamburgo, Alemanha; autor de Globalização versus Desenvolvimento.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O último cavalo encilhado!

Quinta, 31 de março de 2016
Do site do PCB
imagem 
Ivan Pinheiro (*)
Leonel Brizola dizia sempre que quando a um ser político a vida oferece uma oportunidade de ouro ou ele a agarra ou vai pagar um alto preço perante a história. Na sua linguagem dos pampas, a oportunidade era tão sedutora como um cavalo pronto para ser montado.


Por sua sensibilidade e coragem pessoal, ele talvez tivesse montado o fogoso cavalo que passou encilhado para Lula, em 1º de janeiro de 2003. Mas Lula rasgou neste dia as propostas do chamado Programa de 100 Dias, preparado por um Conselho Político formado, durante as eleições de 2002, pelos cinco partidos daquela coligação (PT, PSB, PDT, PcdoB e PCB). O novo Presidente jogou no lixo o Conselho, junto com o Programa. Neste, destacava-se a imediata promoção de um plebiscito para decidir a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, livre e soberana, com participação popular.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

“É hora de organizar o partido das lutas reais”


Quinta,24 de dezembro de 2015
"No Brasil, o compromisso da burguesia com a democracia acaba no momento em que ela coloca em risco seus privilégios. O melhorismo de Lula passou muito longe de qualquer proposta socialdemocrata. Lula não reformou nada. Ao contrário. Seu governo aprofundou o subdesenvolvimento. O PT representa a “esquerda” da ordem – a ordem comprometida com a reprodução do capitalismo dependente."
"Dilma é totalmente subserviente ao grande capital e atua de acordo com os ditames do ajuste neoliberal."
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Alexandre Haubrich  
Quarta, 23 de Dezembro de 2015
Diante do encerramento de um ano conturbado, sob o signo de uma infinidade de crises, apressa-se uma análise geral de todo o complexo quadro político e a reflexão de suas causas, cujas consequências se fazem presentes a olhos vistos. Para isso, publicamos a entrevista feita pelo jornalista Alexandre Haubrich com Plínio de Arruda Sampaio Júnior, economista e professor da Unicamp.
Além de analisar a conjuntura política desde ano de 2015, Plínio discutiu a atual crise da esquerda, decorrente da falência do pacto lulista, e propõe uma união em torno do “partido das lutas reais”, uma ideia que engloba diversos setores políticos e sociais.
 “O melhorismo de Lula passou muito longe de qualquer proposta socialdemocrata. Lula não reformou nada. Ao contrário. Seu governo aprofundou o subdesenvolvimento. O PT representa a ‘esquerda da ordem’ – a ordem comprometida com a reprodução do capitalismo dependente. O custo da crise será jogado nas costas dos trabalhadores. Sem grandes transformações sociais, não há como evitar o avanço da barbárie. O fundamental é criar força política para que a economia e a sociedade sejam organizadas em função das necessidades efetivas do conjunto da população”.
Sampaio Júnior acredita em um processo de “Revolução Brasileira” que requer, como primeiro passo, a realização de duas tarefas fundamentais: a revolução democrática e a revolução nacional. “A forma da revolução também já foi esboçada nas Jornadas de Junho de 2013. A força propulsora da transformação social é a revolta avassaladora do povo contra seus opressores. Isso já existe de maneira difusa e fragmentada. Falta unificar os sujeitos dispersos em torno de um programa revolucionário. Falta criar instrumentos políticos que permitam transformar a energia difusa das massas inconformadas em força política condensada. Falta organizar o partido das lutas reais”.
Leia abaixo, na íntegra, a entrevista que perpassa por esses e outros temas mais.
Quais as diferenças mais importantes entre esse início de segundo governo Dilma e os três primeiros governos do PT?
Plínio de Arruda Sampaio Júnior: O segundo governo Dilma sofre as consequências das graves contradições acumuladas nos três governos anteriores. Os problemas foram exacerbados pela metástase da crise econômica mundial e pela absoluta falta de liderança e criatividade da presidente. A exaustão do ciclo de crescimento impulsionado pela bolha especulativa internacional destruiu as bases do chamado neodesenvolvimentismo, deixando como legado uma crise econômica de grande envergadura e difícil solução.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

No período Lula: Pagamentos por MP foram vinculados à aprovação no governo e no Congresso

Segunda, 19 de outubro de 2015
Do Jornal de Brasília
E-mails apreendidos pela Polícia Federal, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostram lobistas discutindo detalhes do acerto financeiro a ser feito pela Medida Provisória 471, sob suspeita de ter sido "comprada" para favorecer empresas do setor automobilístico. Nas mensagens, eles vinculam o pagamento de parcelas por montadoras de veículos às fases de aprovação da norma: primeiro, a edição do texto, pelo governo; em seguida, a votação pelo Congresso.

A MP foi assinada em 20 de novembro de 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num e-mail de 12 de fevereiro de 2010, o lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido como APS, diz a um de seus parceiros no negócio, o advogado José Ricardo da Silva, dono da SGR Consultoria, que caberia à MMC Automotores, empresa que fabrica veículos Mitsubishi no Brasil, pagar R$ 1,5 milhão, em parcelas de R$ 125 mil, nos primeiros 12 meses após a edição da norma. Leia a íntegra

sábado, 29 de agosto de 2015

Não há como recuperar a legitimidade da política sem ruptura radical com Lula e Dilma

Sábado, 29 de agosto de 2015
O combate às heranças maldita de FHC, desastrosa de Lula e tragicômica de Dilma deixa um único sopro de esperança: quem sabe, em 10 ou 20 anos, as forças progressistas  ̶̶  e, principalmente, a esquerda brasileira  ̶̶  consigam se reconstruir e reaglutinar.
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Gabriel Brito, da Redação
Entrevista com o economista Reinaldo Gonçalves
O Brasil continua a viver sua crise política e econômica generalizada, refletida num momento marcado por manifestações conservadoras e governistas carentes de grandes propostas, em meio ao lançamento da nova rodada do ajuste fiscal, batizada de “Agenda Brasil”. Enquanto isso, os principais blocos da burguesia articulam a manutenção da governabilidade e brecam o fantasma do impeachment. Para analisar o momento, do ponto de vista do interesse da maioria, o Correio da Cidadania entrevistou o economista Reinaldo Gonçalves.
 “A questão política relevante é que, há alguns anos, estamos atolados em uma séria crise de legitimidade do Estado (descrença na capacidade do governo Dilma de resolver os problemas de curto, médio e longo prazos). A mediocridade esférica do governo Dilma resulta no fato de que ele é avaliado como ruim por capitalistas e trabalhadores, por ricos e pobres, pela direita e pela esquerda”, analisou o professor da UFRJ.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Com 199 assinaturas de deputados, CPI do BNDES é protocolada na Câmara

Quinta, 16 de abril de 2015

199 deputados assinam CPI para investigar empréstimos concedidos pelo BNDES

Da Agência Câmara Notícias*

Gabriela Korossy - Câmara dos Deputados
Audiência pública para ouvir o depoimento do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), Luciano Coutinho
O depoimento do presidente do BNDES, Luciano Coutinho (E), hoje à CPI da Petrobras não convenceu os deputados que pedem uma investigação no banco oficial.
Dos 28 partidos políticos com representação na Câmara dos Deputados, apenas integrantes do PT e do PCdoB não assinaram o pedido para investigar o banco oficial de fomento ao desenvolvimento.

Deputados de vários partidos protocolaram, nesta quinta-feira (16), na Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, pedido de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar se há irregularidades nos empréstimos concedidos pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2003 e 2015.

segunda-feira, 9 de março de 2015

NACIONALISMO E PETRÓLEO

Segunda, 9 de março de 2015







Wladmir Coelho


A campanha contra a Petrobras revela em seus fundamentos uma série de preconceitos repetidos desde o final do século XIX. Estes preconceitos apresentam-se nos meios de comunicação revestidos de números, exemplos e vocabulário refinado sempre condenando as iniciativas nacionalistas confundidas ou transformadas em populismo entendido este como sinônimo de irresponsabilidade política e econômica.

O vocabulário e as práticas econômicas defendidas na grande mídia originam-se do pensamento liberal radicalizado no modelo neoliberal de nossos dias. Neste discurso é negada a existência de um sistema econômico nacional e considerado pecado mortal a intervenção do Estado na economia.

Nacionalismo econômico

No século XIX o economista alemão Friedrich List observou como mola do crescimento econômico dos Estados Unidos exatamente a forte presença do Estado na economia seja subsidiando ou protegendo a iniciativa nacional. List, ao contrário dos liberais clássicos, entendeu e defendeu a existência do sistema econômico nacional como base do crescimento econômico.

terça-feira, 3 de março de 2015

Quem quebrou a Petrobras

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Terça, 3 de março de 2015
Em Angra dos Reis, no dia 7 de outubro de 2010, o presidente Lula proclamava: “No nosso governo a Petrobrás é uma caixa branca e transparente. A gente sabe o que acontece lá dentro. E a gente decide muitas coisas que ela vai fazer.”
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Tribuna da Imprensa

Sebastião Nery



Salvador (BA) - José de Almeida Alcântara, alto, cabeleira branca exposta ao vento, talentoso, audacioso, coletor federal,prefeito, deputado, era um terror para seus adversários na política de Itabuna, sul da Bahia.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Telefonia: E na privatização de FHC diziam que era para aumentar a concorrência. Agora . . . concentração e cartel; "A política do FODA-SE"

Quinta, 19 de fevereiro de 2015
Da Agência Brasil Edição: Denise Griesinger

Cade aprova com restrições compra da GVT pela Telefônica


A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) do Ministério da Justiça aprovou, com restrições, a compra da GVT pela Telefônica. A Telefônica é a controladora da Vivo no Brasil e atua nos mercados de telefonia fixa e móvel, internet banda larga e TV por assinatura. As decisões foram publicadas no Diário Oficial da União.