Segunda, 9 de feverero de 20226
Sem Tarcísio e acompanhado de ministros paulistas, Lula visita Butantan e inicia vacinação com primeiro imunizante nacional contra a dengue
Governo federal anunciou mais de R$ 1,4 bilhão para a expansão e modernização do complexo industrial do instituto
Brasil de Fato — 9.fev.2026
Brasília (DF)

Lula visitou a planta de fabricação da vacina Butantan DV, o primeiro imunizante 100% brasileiro. | Crédito: Ricardo Stuckert/PR
O Instituto Butantan iniciou, nesta segunda-feira (9), a vacinação contra a dengue em profissionais de saúde da atenção primária, com o primeiro imunizante com tecnologia 100% brasileira e o primeiro do mundo a ser aplicado em uma única dose: a vacina Butantan DV.
O evento contou com a participação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros de Estado paulistas, como o vice-presidente e ministro da Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, da Fazenda, Fernando Haddad, da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, do Empreendedorismo, Márcio França, e da Saúde, Alexandre Padilha. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não compareceu à atividade. Lula não falou à imprensa durante o evento e deixou a palavra com o ministro da Saúde, e o vice-presidente e ex-governador paulista.
“É um dia histórico, a gente fica muito feliz. Aliás, o presidente Lula, sexta-feira na Bahia, no Hospital Irmã Santa Dulce, deu um impulso em todas as santas casas e hospitais filantrópicos do Brasil, reduzindo a taxa de juros, equacionando a questão do financiamento e a lei nova que estabelece a correção automática todo ano da tabela do SUS, que vai impulsionar o atendimento e ampliar o SUS no nosso país”, disse Alckmin.
Anúncios
O Ministério da Saúde anunciou a aquisição de 3,9 milhões de doses do imunizante indicado para o público entre 12 e 59 anos. Segundo a diretoria do instituto, a capacidade de entrega deve chegar a 25 milhões de doses até o fim do ano por meio de parcerias estratégicas.
Durante o evento, o governo federal anunciou ainda a destinação de mais de R$ 1,4 bilhão do governo federal para a expansão e modernização do complexo industrial do instituto, por meio do programa Novo PAC Saúde.
Esse total é a soma de quatro ordens de serviço assinadas durante o evento desta segunda. No âmbito do programa “Agora tem Especialistas”, do novo PAC Saúde, está prevista a reforma da unidade de produção de soros e área multipropósito no valor de R$ 32,5 milhões de reais; outros R$ 76,2 milhões de reais serão destinados para a reforma de unidade de produção e desenvolvimento de plataforma com tecnologia de RNA mensageiro, o mRNA; R$ 550 milhões de reais serão usados para a construção de uma nova fábrica para produção de insumo para a vacina contra difteria, tétano e coqueluche; e, finalmente, R$ 596 milhões de reais serão direcionados para a construção de fábrica para produção de insumo farmacêutico ativo para vacina contra HPV.
“Hoje nós estamos presenciando um marco histórico que vai colocar o Butantan entre os maiores complexos de inovação, tecnologia industrial do mundo, com uma diferença que dá mais valor ainda ao Instituto Butantan, diferente de outros grandes complexos econômicos, tecnológicos, industriais, esse aqui 100% SUS”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
“Cada vacina que sai daqui, cada tecnologia que sai daqui, cada inovação que vai vir com a terapia celular que sai daqui, vai para tratar as pessoas no Brasil e cada vez mais vai tratar no mundo com um único interesse, salvar vidas e não só obter lucro a partir daquilo que produz. Desenvolver cada vez mais a ciência e a pesquisa, estabelecer cada vez mais cooperações internacionais”, completou.
O ministro da Saúde destacou que Lula foi o único presidente da República a visitar o Instituto Butantan, e dirigiu um especial agradecimento ao ministro da Fazenda e possível candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad.
“Eu quero aqui fazer um agradecimento ao ministro Fernando Haddad. Haddad, o Ministério da Saúde só coloca esse recurso hoje, só existe o chamado novo PAC da saúde, onde a gente coloca esse recurso. Só existe a nova indústria Brasil que faz parte do complexo Econômico Industrial da Saúde, porque o senhor e o presidente Lula ousaram enterrar o famigerado teto de gastos na saúde e construir junto ao Congresso Nacional um novo marco fiscal no país, a PEC da transição, que garante os recursos orçamentários para que a gente faça hoje”, destacou o ministro da Saúde.
O governo de São Paulo também destinou R$ 400 milhões como contrapartida para o fortalecimento da produção de tecnologias essenciais para a saúde pública. Entre os projetos beneficiados estão a construção de fábricas para a produção de insumos contra HPV e o desenvolvimento de plataformas de RNA mensageiro.
Instituto do Brasil
O ministro Alexandre Padilha destacou que, embora esteja vinculado ao governo de São Paulo, o Instituto Butantan presta um serviço essencial ao povo brasileiro.
“O que faz o Instituto Butantan ser o que é, é que desde o começo ele foi dedicado a resolver os problemas de saúde desse país chamado Brasil, que é tão grande e tão diverso”, ressaltou Padilha, que, em sua fala, criticou os discursos que negam as evidências científicas da importância das vacinas, e acusou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e liderar um “governo antivacina e negacionista”.
Além da dengue, o instituto trabalha na disponibilização de vacinas inovadoras contra chikungunya e o vírus sincicial respiratório. A instituição também planeja iniciar a produção de medicamentos oncológicos para o tratamento de câncer com o objetivo de reduzir custos para o sistema público. O esforço busca garantir a autossuficiência brasileira na produção de soros e vacinas reduzindo desigualdades no acesso à saúde.
Por sua vez, o diretor do Instituto Butantan, Esper Georges Kallás, afirmou que, em 2024, o Butantan conseguiu atingir a capacidade produtiva para atender 100% da demanda nacional e que a ampliação da estrutura e da capacidade produtiva do instituto vão permitir que a produção brasileira possa apoiar na imunização de populações de outros países.
“Essa planta vai permitir a gente dobrar essa capacidade e fazer ela chegar para os nossos irmãos da América Latina e do Caribe e outros países que necessitam de produtos como esse no enfrentamento desse problema grave de saúde pública”, disse o diretor do Butantan.
“A gente está hoje celebrando, portanto, o início, o pontapé inicial para a vacinação das pessoas, funcionários da saúde, da atenção básica em enfrentamento da dengue. Nós temos também uma capacidade de entrega nesse primeiro semestre de 1,3 milhão de doses. Estamos trabalhando duramente junto aqui no Instituto Butantan, Fundação Butantan e uma empresa chamada Wuxi, contratada na China, para aumentar essa capacidade imediata e também conseguir oferecer até o fim do ano mais 25 milhões de doses”, explicou Kallás.
Editado por: Maria Teresa Cruz
================================

Imunização
Rádio Brasil de FatoVacina do Butantan
Saúde
