Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 26 de junho de 2026

REPORTAGEM —Flávio Bolsonaro e Zema são aplaudidos por empresários ao criticarem CLT e leis ambientais

Sexta, 26 de junho de 2026



REPORTAGEM
Flávio Bolsonaro e Zema são aplaudidos por empresários ao criticarem CLT e leis ambientais

Encontro foi em Brasília com industriais; além do senador e do ex-governador de Minas, Ronaldo Caiado também participou

Por Dyepeson Martins

Temas que dividem bancadas no Congresso Nacional ganharam uma defesa uníssona nas falas dos pré-candidatos à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), na sabatina de presidenciáveis realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na segunda-feira (22), em Brasília. Ambos deixaram o evento sob aplausos após a sinalização de apoio irrestrito aos posicionamentos dos empresários a respeito da flexibilização de leis trabalhistas e da legislação ambiental no Brasil.

Flávio Bolsonaro defende a flexibilização das leis trabalhistas em evento na CNI

As declarações foram realizadas num contexto de fragilização de normas ambientais e enquanto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da Escala 6×1 permanece estagnada no Senado após aprovação na Câmara dos Deputados, em 27 de maio. A resistência do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), em avançar na matéria segue os interesses da Indústria a favor de um texto alternativo que estabeleça um sistema por hora trabalhada a partir da negociação entre patrão e funcionário.

As falas dos empresários foram marcadas por críticas do empresariado à política tributária do governo Lula, ao custo da energia elétrica e às taxas de financiamento. Não houve, em momento algum, discussões sobre a atuação de casas de apostas online, as bets, setor apontado pela própria CNI como motor do endividamento nacional, conforme estudo divulgado pela federação em abril deste ano.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

“Tenho menos armas que ela”, diz Luan Araújo ao saber de prisão em processo de Zambelli

Sexta, 5 de junho de 2026

“Tenho menos armas que ela”, diz Luan Araújo ao saber de prisão em processo de Zambelli


5 de junho de 2026

A Justiça paulista determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo por não pagar R$ 2.216,30 à ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). O valor refere-se a uma condenação por difamação movida por Zambelli após Luan publicar um texto afirmando que ela “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”.

A condenação vem 14 dias depois de Zambelli, condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, conseguir a liberdade na Itália, onde possui cidadania, escapando à extradição para o Brasil.

segunda-feira, 3 de março de 2025

REPORTAGEM: Dom Hélder Câmara, o arcebispo que via Deus no Carnaval do povo

 Segunda, 3 de março de 2025

“O Carnaval é a alegria popular”, dizia o religioso que se tornou célebre por sua defesa dos direitos humanos

3 de março de 2025
Por Mariama Correia

De batina branca e crucifixo pendurado no peito, dom Hélder Câmara se diverte no meio do frevo. Ele dá as mãos aos foliões do Bloco da Saudade, uma das agremiações líricas mais tradicionais do Recife (PE). O coral feminino canta os versos de “O bom Sebastião”, um frevo composto por Getúlio Cavalcanti em homenagem ao folclorista Sebastião Lopes, que se tornou um dos hinos do Carnaval pernambucano.

“Quem conheceu Sebastião de paletó na mão e aquele seu chapéu/ por certo está comigo crendo que ele está fazendo um carnaval no céu”, diz a música. O arcebispo de Olinda e Recife, já idoso quando a cena foi gravada, em 1989, tem os cabelos brancos cobertos por confetes. No vídeo, que viraliza todos os anos por volta do Carnaval, dom Hélder aparece sorrindo na folia. Ele olha para o céu embalado pelo frevo e parece transcender, seus olhos se enchem de lágrimas.

Trecho de fala de Dom Hélder Câmara sobre a folia

A cena aconteceu na frente da Igreja das Fronteiras, no bairro da Boa Vista, centro do Recife. A antiga residência do religioso hoje exibe um acervo em sua homenagem. Todos os anos, quando os dias de Momo se aproximavam, as missas que ele celebrava aos domingos terminavam de um jeito diferente. Os blocos iam até a igreja para render homenagens ao Dom e lhes pedir sua bênção. E o frevo dominava o pátio em frente ao templo.

Dom Hélder, chamado de “Dom da Paz” e “Irmão dos Pobres”, é reconhecido internacionalmente por sua vida devotada à defesa dos direitos humanos, que lhe rendeu quatro indicações ao Nobel da Paz – até hoje, o único brasileiro com essa quantidade de indicações. Mas sua relação pouco ortodoxa com o Carnaval e com a cultura popular é menos famosa.

domingo, 5 de novembro de 2023

REPORTAGEM —Doenças neurológicas ligadas a uso de agrotóxicos crescem 600% em cidade paraense

Domingo, 5 de outubro de 2023





Em 10 anos, conflitos entre sojicultores e camponeses expostos ao veneno se agravaram na região do planalto santareno

Por Leandro Barbosa
1 de novembro de 2023


Ao redor da casa de Francisco Rodrigues, 43 anos, e sua esposa, Márcia Guerreiro, 50 anos, sobrou apenas um naco de floresta, que serve de moradia para alguns macacos que “gritam” em busca de comida. “É como se eles exigissem [o alimento]. O homem destruiu, que dê um jeito de resolver”, conta o agricultor que hoje vive rodeado pela soja, na comunidade Fé em Deus, no km 55 da Rodovia Santarém-Curuá-Una, em Santarém (PA). O casal convive há mais de 20 anos com os agrotóxicos da soja, um problema que continua a se expandir no Planalto Santareno. Dos anos 2000 a 2021, houve uma perda de aproximadamente 25 mil hectares de floresta para o plantio da monocultura, de acordo com dados solicitados pela ao MapBiomas, instituição que mapeia anualmente a cobertura e uso da terra do Brasil e monitora as mudanças do território.

Agricultores vivem rodeados pela soja

Francisco e Márcia resistem em sua casa apesar do veneno que invade o terreno, contamina a água e prejudica suas plantações. Muitos agricultores perderam suas terras para os sojicultores que compraram e arrendaram as pequenas propriedades. Os que ficaram sofrem com os efeitos dos agrotóxicos na saúde e a violência dos conflitos fundiários, como constatou a Pública, quando visitou, em abril deste ano, as comunidades impactadas pela soja em Santarém, com base nos dados do Mapa dos Conflitos, baseado nos dados anuais da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Veneno usado em plantações de soja invade o terreno da família e contamina água

“Teve um dia que estavam borrifando [veneno] na soja. Eu tava na roça, trabalhando. E comecei a passar mal. Os olhos coçavam, via tudo meio embaçado. Meus lábios racharam. A garganta parecia que tava fechando. Faltava ar. Foi como se a respiração travasse”, conta Francisco. “Eu cheguei a reclamar. ‘Isso tá muito forte’, disse. Aí o homem me respondeu: ‘É pra matar besouro. Retruquei: ‘Você vai matar os besouros e vai me matar também’”, relembra Márcia. “A água que eu tomava parecia que tinha andiroba, de tão amarga”, completa.

Além disso, Francisco relata que os igarapés da região estariam contaminados pelos agrotóxicos. “A água vem do meio da plantação de soja. E o veneno vem junto. Eu peguei uma coceira depois de ter entrado no Igarapé. Coça, arde e queima. Quando ela ataca, com força, se eu coçar, vai saindo os pedaços, vai arrancando o couro”, se queixa o agricultor.