Segunda, 3 de março de 2025
“O Carnaval é a alegria popular”, dizia o religioso que se tornou célebre por sua defesa dos direitos humanos
3 de março de 2025
Por Mariama Correia
De batina branca e crucifixo pendurado no peito, dom Hélder Câmara se diverte no meio do frevo. Ele dá as mãos aos foliões do Bloco da Saudade, uma das agremiações líricas mais tradicionais do Recife (PE). O coral feminino canta os versos de “O bom Sebastião”, um frevo composto por Getúlio Cavalcanti em homenagem ao folclorista Sebastião Lopes, que se tornou um dos hinos do Carnaval pernambucano.
“Quem conheceu Sebastião de paletó na mão e aquele seu chapéu/ por certo está comigo crendo que ele está fazendo um carnaval no céu”, diz a música. O arcebispo de Olinda e Recife, já idoso quando a cena foi gravada, em 1989, tem os cabelos brancos cobertos por confetes. No vídeo, que viraliza todos os anos por volta do Carnaval, dom Hélder aparece sorrindo na folia. Ele olha para o céu embalado pelo frevo e parece transcender, seus olhos se enchem de lágrimas.
Trecho de fala de Dom Hélder Câmara sobre a folia
Dom Hélder, chamado de “Dom da Paz” e “Irmão dos Pobres”, é reconhecido internacionalmente por sua vida devotada à defesa dos direitos humanos, que lhe rendeu quatro indicações ao Nobel da Paz – até hoje, o único brasileiro com essa quantidade de indicações. Mas sua relação pouco ortodoxa com o Carnaval e com a cultura popular é menos famosa.


