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(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 13 de julho de 2021

O QUE ACONTECE? Entenda os fatores que desencadearam as maiores manifestações opositoras em Cuba desde 1994

Terça, 13 de julho de 2021

Presidente cubano Miguel Díaz Canel convocou uma coletiva de imprensa com seu gabinete de ministros para responder às críticas - Presidência Cuba

Apagões, crise econômica e nova onda de contágios da covid-19 se somam às dificuldades geradas pelo bloqueio

Michele de Mello
Brasil de Fato | Caracas (Venezuela) | 12 de Julho de 2021


Cuba viveu as maiores manifestações contrárias ao governo, desde o "maleconazo" de 1994, no último domingo (11). Os protestos foram convocados por redes sociais, com a hashtag #SOSCuba, começaram na cidade de San Antonio de Los Baños, estado de Artemisa, e foram registradas em 20 municípios da ilha, além de outras cidades nos Estados Unidos.

Os atos começaram condenando os apagões de eletricidade e a nova onda de contágios da covid-19 e terminaram em gritos de "liberdade, "pátria e vida".

Logo depois das convocatórias, o presidente cubano visitou o município de San Antonio de los Baños, 36km a oeste de Havana, para dialogar com a população. Ainda no domingo, Miguel Díaz Canel convocou os comunistas cubanos a defender a revolução. "As ruas são dos revolucionários", afirmou em transmissão televisiva em cadeia nacional.

No mesmo dia que iniciaram os protestos, presidente cubano visitou município de San Antonio de los Baños, para escutar as demandas dos cidadãos / Canal Caribe

Meios de comunicação internacionais afirmam que existem cerca de 20 detidos, no entanto a informação não foi confirmada pelas autoridades cubanas.

Nesta segunda-feira (12), o chefe de Estado cubano convocou seu gabinete de ministros para dar explicações acerca dos problemas que foram denunciados nos protestos.

Depois de denunciar que as manifestações eram conduzidas pelo imperialismo, Diaz Canel reconheceu a legitimidade de algumas críticas, mas destacou que a razão de fundo para o descontentamento é o bloqueio econômico. "Há uma minoria de contrarrevolucionários que tentou dirigir essas manifestações. Mas aqui temos pessoas insatisfeitas, com incompreensões, com desejo de expressar algum problema", declarou o presidente cubano.

Apagões

Uma das reclamações são os constantes apagões elétricos no estado de Artemisa e em outras regiões do país. O governo cubano justifica que, desde 2019, com a aplicação de novas sanções unilaterais pela Casa Branca, Cuba tem sérias dificuldades para importar combustível e abastecer as usinas termoelétricas nacionais.