Quinta, 25 de junho de 2026
VIOLÊNCIA DIGITAL
Ligue 180 adota protocolo de violência digital contra mulher e amplia pressão sobre plataformas
Denúncias no ambiente virtual cresceram 188% em um ano; medida busca fortalecer acolhimento e prevenção
Brasil de Fato — Brasília (DF)

Representantes do Ministério das Mulheres e da Secom apresentam medidas para fortalecer o atendimento a casos ocorridos na internet e ampliar a proteção de mulheres. | Crédito: Flávia Quirino/Brasil de Fato DF
A partir desta segunda-feira (22), o Ligue 180, principal canal do governo federal para orientação e acolhimento de mulheres em situação de violência, passa a contar com protocolo específico para atendimento de casos de violência digital. A medida faz parte da campanha “O Digital é Nosso Lugar”, desenvolvida pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), e busca adequar o serviço às novas formas de violência que têm se multiplicado nas redes sociais e plataformas digitais.
O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa pela ministra Márcia Lopes, e ocorre pouco mais de um mês após a publicação do Decreto nº 12.976, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A norma estabelece diretrizes para proteção de mulheres no ambiente digital e cria obrigações para as plataformas, como a remoção de conteúdos íntimos divulgados sem consentimento e medidas para conter ataques coordenados.
Os números ajudam a dimensionar a urgência do tema. Dados do Ministério das Mulheres apontam que as ocorrências registradas pelo Ligue 180 em que o ambiente digital foi identificado como cenário da violência saltaram de 5.795 para 16.725 entre os cinco primeiros meses de 2025 e 2026, um crescimento de 188,6%. Em consequência, o ambiente virtual passou da sétima para a quinta posição entre os locais mais frequentes de ocorrência de violência denunciados ao serviço.
