Sexta, 4 de março de 2022


Pesquisa realizada encontrou oito tipos de agrotóxicos nas águas que abastecem as comunidades
Por Rafael Oliveira*
Há quase um ano, em março de 2021, uma estranha tempestade de poeira invadiu as comunidades quilombolas Chumbo e Jejum, em Poconé (MT), município pantaneiro localizado a 100 km da capital Cuiabá. Nos dias seguintes a esse episódio, dezenas de pessoas - entre elas crianças, mulheres grávidas e idosos - começaram a sentir alguns sintomas, como forte irritação na pele, náuseas, dor de cabeça e nos olhos.
O que aquelas pessoas estavam sentindo, inicialmente, poderia ser confundido com enfermidades triviais, como enxaqueca ou resfriado, mas, na verdade, era intoxicação por agrotóxicos. "As famílias das comunidades Chumbo e Jejum estão cercadas pelos latifúndios de soja e pecuária, que a cada ano vão invadindo mais seus territórios. O fazendeiro aplicou o veneno na soja, passou uns três dias e foi fazer a colheita. A partir desse manejo e com a força do vento, o resíduo daquela poeira envenenada contaminou as famílias", relata Francileia Paula, engenheira agrônoma e educadora da ONG Fase (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) no Mato Grosso.
