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(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 30 de março de 2022

Reflexões para teoria do Estado Nacional: Alta Idade Média

Quarta, 30 de março de 2022


Reflexões para teoria do Estado Nacional: Alta Idade Média



Monitor Mercantil

Felipe Quintas e Pedro Augusto Pinho.

29 De Março De 2022


As semelhanças da dominação capitalista liberal/neoliberal com o feudalismo


O período da história ocidental, entre a antiguidade e a modernidade, designado Idade Média, comporta diversificadas leituras, como sempre fruto das ideologias que as movem, já que o Medievo constitui a matriz da Europa como a conhecemos.

Nosso objetivo é o estudo dos Estados, desta construção que a sociedade humana sempre buscou construir para poder conviver e alcançar os objetivos que as levaram a se unir. E, sob esta perspectiva, confrontando com a República Romana e mesmo com as alterações introduzidas por Augusto, o primeiro Imperador de Roma, a Idade Média é o retrocesso.

Nenhuma surpresa. A história não é um fluxo contínuo de avanços e progresso; é também avançar e retroceder conforme o poder que a move nas diversas épocas. Aqui, na sociedade brasileira, após meio século de ganhos sociais e institucionais, a partir da Revolução de 1930, o País retrocedeu com o poder das finanças apátridas, que assumiu a nação brasileira na Nova República e está desmantelando o Estado Nacional e reescravizando o povo, com falácias do tipo “empreendedorismo” e “mercado”, capaz de dirigir melhor o povo, o País.

Estima-se que, ao início do Império, Roma teria 1 milhão de habitantes, a península italiana, 8 milhões, e o Império, cerca de 55 milhões de pessoas. Neste conjunto havia terras férteis e áridas, zonas populosas e desérticas, saudáveis e insalubres, exigindo a atenção do Imperador, como antes do Senado. A diferença está na possibilidade de “um semideus” abarcar todas estas diferenças e a complexidade das ações, ao invés do conjunto de homens que se reunia com objetivo de resolver problemas conhecidos pela sua própria origem territorial.

A Idade Média trouxe outro grande agravante: retirou, em parcela mais significativa, da ação humana para a divina a solução dos problemas que afligem a vida cotidiana. A fragmentação territorial do feudalismo combinou-se com a unidade espiritual do cristianismo, cindida primeiro pelo Cisma do Oriente, de 1054, da qual se originou a Igreja ortodoxa, e o Cisma do Ocidente, mais conhecida como Reforma Protestante, no século 16.

Hoje temos a perigosa instantaneidade, permitida pela cibernética, quando os Estados, que se veem castrados pelas finanças, mantêm o mesmo tempo das revoluções industriais, onde estagnaram.