A fome é um legado capitalista
“Quando dou comida aos pobres, me chamam de santo. Quando pergunto porque eles são pobres, chamam-me de comunista.”
- D. Hélder Câmara
A humanidade avançou em todos os campos do conhecimento; dominou a Terra e seus recursos e partiu para a conquista espacial: estabeleceu os mais fantásticos progressos no domínio do conhecimento científico, e foi capaz de avanços tecnológicos antes insuspeitados. O desenvolvimento da medicina, da genética, da informática, da nanotecnologia, da robótica, criou condições para o aumento da expectativa e da qualidade de vida da espécie. O milagre da tecnologia — reduzindo o mundo a uma casca de noz — faz de todo ser humano, potencialmente, um vizinho de seu semelhante mais distante.
O progresso científico-tecnológico e o crescimento econômico, sob a égide da ética capitalista, todavia, não foram suficientes para tornar o homem mais feliz, nem construíram a paz, pois não foram postos a serviço de toda a humanidade. Ao contrário, fizeram-se instrumento da concentração de renda, da desigualdade social, do império do capital que submete povos, nações e Estados. Fizeram-se igualmente instrumentos da guerra que volta a ameaçar a sobrevivência da vida no planeta. A humanidade de hoje, no ápice do desenvolvimento científico-tecnológico, é marcada pela fome, pela miséria, pela exclusão de milhões de seres humanos, definitivamente condenados ao atraso e ao subdesenvolvimento.
Pela primeira vez na História, há produção de alimentos suficiente para atender às necessidades de toda a população do mundo. No entanto, mais da metade do planeta passa fome. Temos recursos econômicos, materiais e tecnológicos que assegurariam a todos, não fosse a concentração econômica e o imperialismo, moradia, trabalho, escola, saúde e lazer. Não há explicação científica para a pobreza e a fome.

