Quinta, 15 de novembro de 2018
The Intercept
Leandro Demori
Cuba anunciou hoje que vai encerrar o contrato que tem com o Brasil no programa Mais Médicos. Declarou o governo da ilha em nota oficial: “O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, disse e reiterou que modificará os termos e condições do Programa Mais Médicos, desrespeitando a Organização Pan-Americana da Saúde e o que esta acordou com Cuba, ao questionar o preparo de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma de se contratá-los a forma individual.”
A saída dos médicos cubanos do Brasil é uma porrada política forte no novo governo que ainda não começou. Talvez a mais forte delas até agora porque, dessa vez, por mais que tente, Bolsonaro não controla a narrativa.
O problema objetivo: os médicos cubanos atuam, sozinhos, em 1.575 cidades (lembrem que o Brasil tem 5.570 municípios). Esses médicos cubanos cuidam de 24 milhões de pessoas. Ainda não há data para que os profissionais parem de atuar no Brasil mas, de uma hora pra outra, muita gente pode ficar sem médico. É uma crise gigantesca sem solução fácil. As bravatas de Bolsonaro, dessa vez, não servirão para nada além de agradar ao fandom. Isso abre as portas para que milhões de pessoas comecem o ano irritadas com o novo governo.

